Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Singelas tradições para viver o advento e Natal em casa

Tempo de leitura: 4 minutos

Como as famílias católicas podem viver bem o advento e o Natal em casa? Trago singelas tradições natalinas que algumas famílias fazem em seus lares. Que possa inspirar mais famílias!

Palhas para a manjedoura

“Ano passado fizemos um presépio bem simples com um cestinho pra colocar o Menino Jesus. Do lado, deixei uns papéis picados para imitar palha.

Todos os dias colocamos uma palha para cada coisa bonita que fizemos por Jesus, para Jesus “nascer no fofinho”. Aprendi com uma amiga que fazia isso em casa quando criança. ” (Ana Pur)

Cada criança pode ter uma manjedoura individual ou ter uma manjedoura para toda a família. A ideia é que quando atos de serviço, sacrifício ou bondade forem feitos em honra ao menino Jesus, a criança receba uma palha para colocar dentro da manjedoura.  Devemos encorajar as crianças a fazer para Jesus uma manjedoura mais confortável possível.

Enxoval para o Menino Jesus

Os pais junto com os filhos vão preparar um lugar na casa para pôr a manjedoura e durante os dias do advento vão preparando o enxoval, seguindo as atividades.

(Brenda Nascimento)

Sorteio do Anjo do Natal

“Coloco o nome das pessoas de nossa casa em papéis e fazemos o sorteio entre nós. Cada um fica responsável por fazer bondades para quem sorteou. Será o Anjo pra ela. No final do Advento revelamos os Anjos e entregamos uma pequena lembrança. “(Magda Verônica)

Coroa do Advento e propósito

“Todos os anos fazemos a Coroa do Advento, com o acendimento semanal das velas. No primeiro dia do advento, todos nós fazemos nossos propósitos de advento: uma privação, jejum, enfim, uma oferta de cada um ao Menino Jesus.”(Juliana Veloso)

As quatro velas colocadas na Coroa de Advento são acendidas semana a semana, nos quatro domingos do advento e com uma oração especial.

Para aprender mais sobre a Coroa, seguem os links:

http://www.acidigital.com/noticias/cinco-detalhes-sobre-a-coroa-do-advento-que-talvez-desconheca-51096/

http://www.salvemaliturgia.com/2010/12/coroa-do-advento.html?m=1

https://padrepauloricardo.org/episodios/qual-a-origem-da-coroa-do-advento

Mudar a data dos presentes

Muitas famílias seguem a tradição de entregar os presentes no dia dos Reis Magos, 6 de janeiro, ao invés do 25 de dezembro. Há famílias que também entregam lembrancinhas em sapatos ou meias no dia de São Nicolau, 6 de dezembro.

Para o dia do Natal, que tal celebrar o Menino Jesus? Fazendo um bolo com as crianças, por exemplo! O consumismo dessa época roubou e desviou há muito a nossa atenção do verdadeiro sentido do Natal.

O Natal não é uma data comercial, mas o nascimento de Nosso Senhor.  “Um menino nos foi dado”. O que vemos é a realização das escrituras “veio para os seus e os seus nao o acolheram”.

Resgatemos o sentido  do Natal sendo famílias verdadeiramente católicas e dando as nossas crianças uma sólida formação de fé: o Natal é do menino Jesus e não do papai noel.

A árvore de Jessé

A árvore de Jessé traz a genealogia de Jesus. É uma belíssima forma de ensinar a história sagrada aos nossos filhos e levá-los a refletir sobre a genealogia de Jesus durante esse tempo.
Cada enfeite da árvore faz menção a uma história  da Bíblia, desde a criação até o nascimento de Nosso Senhor .  A cada dia, uma história deve contada e seu enfeite correspondente deve ser pendurado na árvore.
Você pode fazer a sua própria árvore como ensina o link a seguir do blog Um novo lar:
https://www.google.fr/amp/s/umnovolar.wordpress.com/2016/11/18/como-fazer-uma-arvore-de-jesse/amp/

Ou pode comprar uma belíssima Árvore de Jessé de feltro através do Feltro do Céu: http://feltrodoceu.wixsite.com/feltrodoceu/jesse  ou pela página no Facebook.

Montar o presépio

Há muito o presépio foi retirado dos lares cristãos para dar lugar a árvore de Natal e demais enfeites. Devemos fazer da montagem do presépio uma tradição e centro de nosso advento, pois ele nos recorda o verdadeiro Natal.

Montar o presépio e explicá-lo as crianças é uma verdadeira catequese.

Na noite do dia 24 para 25 ou na manhã do dia 25, fazer a entronização do menino Jesus e repousá-Lo na manjedoura para que todos possam adorá-Lo é uma antiga e tão bela tradição que as famílias tem.

Celebrar o dia de São Nicolau

A figura do Papai Noel é inspirada na história de São Nicolau. Indico o texto onde a Luciana do blog As três chamas do lar, explica toda a história a respeito de São Nicolau e do papai Noel e a sua peça sobre esse santo:
Sobre São Nicolau (e o Natal)
https://www.google.fr/amp/s/lucianalachance.wordpress.com/2016/11/26/minha-peca-sobre-sao-nicolau/amp/

Celebrar outras datas

Santa Luzia, fazendo a relação com a Luz do mundo.
Imaculada Conceição, conhecendo e ensinando o dogma às crianças.
Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu grávida.

Fazer a Novena de Natal

Com a família, seja em casa ou na paróquia, é uma grande ocasião de preparar-nos para a vinda do menino Deus.

Participar das atividades paroquiais

Missas, atividades culturais e confissão.
Além disso, sugerimos três posts do casal querido e experiente, Rafael e Aline Brodbeck sobre esse tempo:

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/o-advento-vem-ai.html

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/como-viver-o-advento-em-familia_28.html

http://www.domesticaecclesia.com/2013/12/o-advento-vivido-em-familia.html

 

Atividades em família para o Advento

Tempo de leitura: 2 minutos

O calendário do advento é uma atividade muito legal de se fazer com a família. Escolhe-se uma atividade por dia para ser feita durante esse tempo tão belo e propício. Postamos várias sugestões de atividades para que vocês possam escolher entre elas!

Com uma busca rápida pelo Google ou Pinterest, facilmente encontramos várias inspirações para montar um calendário (figuras, listas). O legal de fazer o calendário desse jeito é que fica bem lúdico e divertido para as crianças. 

ATIVIDADES

1. Ouvir músicas natalinas;

2. Fazer um pote da gratidão;

3. Dar um presépio de madeira ou feltro para as crianças brincarem;

4. Escrever cartões de natal para a família e amigos;

5. Fazer enfeites para a árvore de Natal;

6. Separar brinquedos para doar;

7. Ler livro de natal;

8. Separar roupas para doar;

9. Celebrar dia de São Nicolau (6 de dezembro) contando a história;

10. Celebrar dia de São Nicolau pegando presentes na meia;

11. Colorir desenhos do presépio;

12. Passear e ver alguma decoração de natal na cidade;

13. Ouvir coral de natal em casa ou apresentação natalina na cidade;

14. Aprender e ensaiar uma música de Natal em família;

15. Fazer biscoitos natalinos;

16. Enviar uma mensagem de Natal para os vizinhos na caixa de correios;

17. Fazer a Novena de Natal;

18. Fazer a Coroa do Advento em casa;

19. Fazer decoração de Natal (guirlanda, arranjo de mesa, enfeites para a árvore);

20. Fazer pão de natal;

21. Observar as estrelas e falar sobre a estrela de Belém;

22. Ler livro sobre o nascimento de Jesus;

23. Montar uma árvore de papel ou feltro com enfeites móveis para as crianças;

24. Aprender sobre o presépio;

25. Ver decoração de Natal em shopping;

26. Fazer chocolate quente;

27. Fazer bombons ou biscoitos para dar de presente;

28. Tirar foto em família  (fazemos isso todo Natal);

29. Visitar padrinhos ou avós;

30. Visitar um asilo e levar biscoitos natalinos;

31. Comprar um presente novo para uma criança carente;

32. Construir uma manjedoura para o Menino Jesus;

33. Fazer bolo de aniversário para o Menino Jesus;

34. Receber alguém especial para um almoço ou café da tarde;

35. Fazer lembrancinhas de natal;

36. Reunir os amigos das crianças para um encontro de Natal;

37. Acampar na sala;

38. Entronização do menino Jesus;

39. Criar versinhos/rimas de Natal;

40. Fazer alguma receita especial em família;

41. Visitar o presépio da cidade;

42. Jogo em família;

43. Preparar um teatro de Natal em casa;

44. Decorar a casa com enfeites de natal;

45. Fazer cupcakes e decorá-los;

46. Jantar à luz de velas;

47. Comer marshmallows;

48. Montar árvore de Natal;

49. Aprender sobre os Reis Magos;

50. Aprender sobre os profetas que anunciaram a vinda de Jesus.

 

Entre tantas outras atividades!

No próximo post trarei algumas pequenas tradições católicas familiares que costumam ser feitas com as crianças!

O sono do Bento

Tempo de leitura: 6 minutos

Escrevo esse post não com o intuito de oferecer uma fórmula mágica que miraculosamente fará com que os bebês durmam espetacularmente bem. Mas, sim, para oferecer a nossa experiência bem sucedida com o Bento.

Também não tenho a intenção de dizer que essa é a forma correta. Há muitos caminhos que podem ser percorridos e esse foi o que escolhemos para a nossa família. Ele é resultado da leitura de várias referências sobre o assunto,  de conversas com outras pessoas, com nossas mães, o crivo crítico do que consideramos melhor e mais natural na forma de conduzir o Bento ao objetivo e  também um “diálogo” sensível com o Bento observando os sinais que ele dava, sem levá-lo a um estresse desmedido.

Para nós, não foi uma escolha buscando conforto pessoal, mas sim uma melhor qualidade de sono para nosso filho. Um bebê (após certa idade) que acorda repetidas vezes durante a noite não descansa e fica irritadiço e carente durante o dia, além de apresentar, atrelado a isso, dificuldades na alimentação. Somado a isso, ter uma boa noite de sono deixa os pais, principalmente as mães, muito mais capazes de lidarem bem e educarem seus filhos. Uma mãe exausta ou que não dorme é uma mãe impaciente, irritadiça, com alto nível de frustração e tristeza, com dificuldade de ter rotina e realizar atividades, com dificuldade de atenção, de resolver problemas, sempre cansada, possivelmente com problemas no matrimônio também.
Quando os filhos dormem bem, todo mundo ganha, principalmente as crianças. Devemos estar conscientes e acreditando nisso ou não seremos capazes de dar o próximo passo.

O recém nascido

Antes de mais nada é preciso saber um pouco sobre como é o sono do RN e porque os métodos não funcionam e nem devem ser aplicados até os 4 meses.
Os recém nascidos não sabem nada sobre sono, precisam ser ensinados. Eles não sabem que a noite é pra dormir. Pra eles a noite é pra mamar, pois é na madrugada que há o pico mais alto de prolactina  (hormônio da amamentação). Por isso, principalmente nos primeiros dias de vida, os bebês praticamente dormem o dia todo e mamam a noite toda. Isso é essencial para o sucesso da amamentação.
Quando vem a apojadura (descida do leite), as coisas começam a melhorar um pouco, pois o leite gordo começa a vir e as mamadas vão se espaçando. Mas, as coisas não melhoram muito, pois o estômago deles é muito pequeno e, como o leite materno é digerido rápido, precisam mamar mais vezes.
Conforme vão crescendo, o estômago vai aumentando e as mamadas se espaçam cada vez mais. Com 15 dias já estão de 3 em 3h na maioria dos casos.
Eles tem ciclos de sono e muitas vezes não saber voltar a adormecer. É uma habilidade que nós adultos já temos e que precisamos ajudar nossos bebês a terem também.
Além disso, até os 3 meses muitos bebês sofrem com cólicas.
Para que o bebê vá entendendo melhor sobre dormir, há algumas coisas que podemos fazer:
1- Adormecer em local escuro. Durante a noite sem luz nenhuma e durante o dia com luminosidade natural, mas sem cortinas abertas. O hormônio do sono (melatonina) só funciona no escuro. Muitos bebês deixam de dormir a noite porque os pais põe aquelas luminárias acesas a noite toda. O útero era escuro e eles amavam!
2- Silêncio. Os bebês dormem muito melhor sem músicas e chiados, ao contrário do que se pensa (eu também pensava!). E também o silêncio os vai educando à hora de dormir, pois durante o dia já há barulho natural, porque fazemos atividades, mas durante a noite todos dormem no silêncio.
3- Ter seu bercinho. Dormir com o neném da gente é muito bom, né? Mas também não é. Há prós e contras. Para nós, muito mais contras. Vale a pena pesquisar. Aqui levamos o Bento para dormir em seu quarto e berço com 15 dias. Antes dormia no carrinho.
4- Banho noturno. Além de relaxar, eles logo associam esse banho à hora de dormir.
5- Não pegar o bebê aos primeiros resmungos, apenas quando chorar. Aqui na França é comum que mesmo chorando os pais esperem 5 minutos para pegar os bebês. Essa simples atitude faz com que na maioria das vezes os bebês adormeçam de novo.
6- Deitar o bebê no berço e deixá-lo olhando pro nada até que adormeça. Nunca fiz, mas várias mães me disseram que fizeram assim e funcionava.
Em qualquer fase do bebê, o mais importante de tudo é ter rotina: horário e sequência de atividades. Mas isso é algo gradual.

A partir dos 4 meses

Segundo o nosso pediatra e o dr. Italo, a partir dos 4 meses o bebê já tem capacidade de aprender a adormecer sozinho e dormir uma noite inteira sem acordar.
Descobrimos isso primeiramente em uma consulta de rotina com o Dr. Marcos Santolim (muitos anos de consultório, pai, muito conhecimento científico e prático). Estávamos falando sobre como o Bento dormia bem e havia voltado a acordar com uns 6 meses. Então ele nos explicou que os bebês fazem isso e é apenas por hábito e carência, não por outros motivos. Por isso é um mau hábito e deve ser retirado, pois conforme cresce só vai piorando o padrão de sono. Além disso,  é comprovado cientificamente que, a partir dos 4 meses, o bebê que é amamentado durante a noite tem mais chance de desenvolver diabetes, pois aumenta muito o índice glicêmico e também a chance de obesidade no futuro. Não estou dizendo que o leite materno causa diabetes, mas sim que o fato de o alimentar durante a noite pode levar a isso.
Desde os 4 meses o bebê já tem o estômago do tamanho suficiente para adormecer a noite toda, mas, muito além disso a necessidade alimentar do bebê é e tem de ser suprida durante o dia. Assim são os mamiferos: se alimentam durante o dia e adormecem a noite.
Por isso, muitas vezes se o bebê acorda muito à noite é porque está mamando ou comendo pouco durante o dia.
Depois, no curso Afetividade Infantil e harmonia familiar, do dr. Italo, ele diz mais ou menos essas mesmas informações e faz o acréscimo da psicologia, reafirmando que a partir dos 4 meses o bebê pode adormecer sozinho sem mamar durante a noite e sem prejuízos psicológicos.

Desmame noturno gentil

Decidimos, após aquela conversa com o pediatra, que era hora de fazer o desmame noturno. Ele estava entre 6 a 7 meses e acabamos empurrando um pouco mais, até ele começar a jantar melhor. Assim que isso aconteceu, começamos. Nessa época ele havia voltado a acordar umas 2 a 3 vezes por noite.
O que fizemos:
1. Rotina do sono normal, horário de dormir igual todos os dias
2. Adormecia mamando e ia para o berço
3. Na primeira acordada o Gabriel ia, pegava o Bento no colo e sentava numa cadeira. Não o ninava nem nada. Quando adormecia, ia para o berço. É melhor que seja o pai, porque com a mãe o bebê geralmente resiste mais.
Na primeira noite, chorou 1h30 e acordou uma vez só.
Na segunda noite, 30 min.
Na terceira 15 min.
Na quarta dormia das 20h as 5h.
Não é um choro de dor, dá pra ver que o choro é de frustração, não é um choro sofrido.
4. Inserimos a técnica do despertar prolongado. Para que a criança durma até mais tarde, quando acordar pela manhã você a amamenta e ela volta a dormir. Assim ele dormia até umas 8:30 nessa época.
5. Quando está doente, eventualmente acaba mamando e depois precisa reaprender a não mamar à noite (justamente porque é um hábito), mas é bem rápido e praticamente não chora.
6. Às vezes acorda com pesadelos ou tem despertares, mas é raro.
7. Se o bebê acorda muitas vezes, pode começar a ir diminuindo o espaço entre as mamadas ou retirando uma mamada por vez. Fica a critério dos pais.

Ensinar a adormecer sozinho 

Quando Bento estava dormindo bem a noite, gostando da rotina, bem adaptado e seguro, decidimos avançar.
O método foi o mesmo do desmame noturno.
Depois Gabriel já o colocava dentro do berço e ficava dando tapinhas no bumbum.
Com o passar do tempo ele foi começando a adormecer cada vez mais rápido.
Hoje já não quer colo, quer deitar na caminha. Em menos de 5 minutos dorme.
Ainda permanecemos ao lado dele até adormecer, mas sem fazer nada, nem sequer olhando para ele. Mas também sem celular nem nada, mostrando que estamos ali, com ele.
Primeiro fizemos com o sono noturno e mais recente com a soneca diurna.
Bento não usou chupeta e não chupa dedo. Tentei inserir a naninha (objeto de transição) desde que nasceu, mas até hoje não pegou.
Quanto mais adereços ou manias vamos dando aos filhos para aparentemente facilitar as coisas, tudo vai ficando mais difícil e se tornando uma bola de neve.
Com os próximos filhos pretendemos fazer mais cedo. Não vimos prejuízo algum no Bento, muito pelo contrário, após isso, começou a se alimentar melhor do que antes e a ter sonecas diurnas de melhor qualidade (antes eram picotadas). Ele é uma criança segura, alegre, independente na possibilidade de sua idade, não é irritadiço, e por aí vai. Alguns dizem que tivemos sorte, mas eu acho que a verdade é que fizemos boas escolhas.

O Senhor nos leva ao horto

Tempo de leitura: 3 minutos

 

Há duas coisas que nos são tão distantes e vistas, de certa forma, como ruins hoje em dia: o silêncio e a solidão. Mais do que ao silêncio, se há algo que em geral somos avessos é à solidão, que toma logo significado e proporções relacionadas à doenças.

Nessa mudança para a França, deparei-me com a solidão de uma forma nunca antes vivida. Mais do que uma solidão física, uma solidão da alma.

Depois de um período de aridez extrema, percebi que o Senhor me trouxe não ao deserto, onde Ele foi tentado ou aonde o povo caminhou rumo à terra prometida, mas sim, ao horto das oliveiras, onde enquanto todos dormiam, Ele sentia-se só.

Uma solidão doída que, com o estresse, angústias, medos, fez com que o Senhor suasse sangue.

Assim também o Senhor me trouxe ao horto, com nenhum outro fim senão o de levar-me a entender que para amá-Lo, devo deixar todas as coisas e nada é mais difícil do que deixar a minha vontade própria. E entregar ao Senhor a nossa vontade é conformar-se totalmente com a vontade Dele e nisso consiste a perfeição.

“É necessária a solidão para aumentar nosso amor e intimidade com Deus.”

Entendi que na maior parte das vezes andei como uma criança mimada esperando consolo, atenção e que as coisas corressem ao modo da minha vontade. Mas o Senhor me quis ensinar que se quero ser santa, se quero ser como Ele, em meio a noite mais escura devo dizer: Pai, faça-se em mim a Vossa vontade.

Enquanto não aceitei esse sofrimento, me debatia como um pássaro preso na gaiola. Deixar as coisas materiais é um sacrifício fácil. Mortificar a nossa vontade é como um rasgar-se com a espada. Quando entendi e aceitei que o Senhor queria me tirar todas as coisas e mostrar-me o Seu Senhorio, a minha alma tornou-se serena e dócil. Estou vivendo um tempo em que nada está sob o meu controle. E dou graças a Deus por isso.

Queremos sempre companhia, buscamos sempre consolo e ajuda, mas na vida espiritual estamos sozinhos (de certa forma) com Deus, pois se por um lado a graça divina vem em nosso socorro, do outro está apenas a nossa vontade firme de fazer o bem e ir subindo nos degraus do Amor.

O Senhor nos leva ao Horto. Na solidão, encontramos a paz: seja feita a Vossa vontade. Na solidão, encontramos a Fonte Escondida. Na solidão, encontramos a nós mesmos: um poço de miséria sem fim.

Certo dia um anjo conduziu uma alma piedosa ao Horto das oliveiras, onde Jesus agonizava, e disse: “Para consolar Jesus, necessita-se das almas vítimas. Onde estão elas, aquelas que consentem sofrer com ele até a agonia e o suor de sangue?” O Anjo então a fez se aproximar de Nosso Senhor. “Eu me aproximei, me prostrei e compreendi quanto vale o amor reparador e compassivo: tinha encontrado o local do meu repouso”.

“Eis as palavras que Nosso Senhor me deu para meditar. “Meu Pai, seja feita vossa vontade”. Durante a Santa Missa, Ele me fez entender tão distinta quanto intimamente duas queixas e uma promessa.
Primeira queixa: Poucas almas querem compadecer-se de minha agonia.
Segunda queixa: Poucas almas, mesmo as consagradas, sabem compadecer-se da Agonia do meu Coração.
Promessa: Faço grandes confidências as almas que querem consolar-me em minha agonia.” (Bem-aventurada Dina Belánger 1897-1929)

Tudo isso pode parecer distante, mas todos temos ocasiões em que somos levados ao horto. Uma grande ocasião é o puerpério, período pós nascimento do bebê, a solidão que se sente, as noites em claro, as angústias, os medos, a dificuldade na amamentação que nos faz literalmente sangrar. Também tantas outras, como mudar-se para um lugar novo longe dos amigos, da família; as esposas que ficam sozinhas enquanto seus maridos viajam a trabalho ou trabalham embarcados; as viúvas e tanto mais.

É verdade que um Anjo consolou o Senhor, e também nós, em meio às nossas agonias, recebemos algum consolo (humano ou espiritual). Mas, o consolo só veio depois da total conformidade com a vontade do Pai. De qualquer modo, não podemos viver dependentes de consolo cada vez que experimentarmos o sofrimento. A vida espiritual não é sensorial e baseada em sentimentos. Não tenhamos medo de fazer companhia ao Senhor no Horto, de esquecer o nosso sofrimento e consolá-Lo. Não cresceremos espiritualmente enquanto formos tão dependentes das criaturas e enquanto quisermos que seja feita a nossa vontade. Devemos aprender de Jesus a forma perfeita de orar e viver: que se cumpra fielmente a vontade do Pai e, para isso, teremos de ser crucificados.

As mortificações para alcançar a paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

 

No último post falamos um pouco sobre os meios de  viver a paciência: ir além de suportar, saber esperar, saber calar, saber falar. Hoje trataremos do último meio: as mortificações para alcançar paciência.

Algumas dessas mortificações que podemos oferecer diariamente a Deus:

  • Fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem fazer expressão de tédio ou indiferença;
  • Não andar comentando a toda hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas dores e mal estares; propondo-nos firmemente a não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…;
  • Renunciar decididamente a utilizar frases típicas do dicionário da impaciência: ”Você sempre faz isso”, ”De novo, já é a terceira vez que você faz isso”, ”Outra vez!”, ”Já estou cansado”;
  • Evitar cobranças insistentes e antipáticas e prontificar-nos a ajudar os outros;
  • Não implicar com pequenos maus hábitos dos outros;
  • Saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entender;
  • Aceitar as contrariedades com alegria;
  • Não reclamar;
  • E tantas outras!

Após identificar as situações que nos impacientam, devemos esforçar-nos por ser pacientes justamente nessas situações específicas. Na maior parte das vezes teremos de dar mais do que o nosso 100%. E justamente por isso a mortificação é um sacrificar-se.

Um pequeno caso

Uma mãe impaciente tornou-se <<rezadora>>. Uma mulher de nervos frágeis tinha se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: ”Mãe de Misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado!)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente preparada uma oração própria que dizia: ”Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da Paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: ”Maria…., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!”. Depois, comentava com certo espanto: – Sabe que dá certo? Fico mais calma!. E ficava mesmo, conta o padre Francisco Faus.

“Recomendo que tenhas calma com os filhos, que não lhes dês uma bofetada por uma ninharia. Os filhos ficam irritados, tu aborreces-te, sofres porque gostas muito deles e, ainda por cima, tens de te acalmar. Tem um bocadinho de paciência, chama-lhes a atenção quando já te tiver passado a irritação, e sem ninguém por perto. Não os humilhes diante dos irmãos. Fala com eles apresentando algumas razões, para que se dêem conta de que devem atuar de outra maneira., porque assim agradam a Deus”. (São Josemaria Escrivá)

Quando começamos a meditar sobre as nossas impaciências, descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor. Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor.

Padre Francisco Faus diz que ”é possível que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, se vá rezando o terço no trânsito ou carreguem consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.”

Como diz Santo Tomás de Aquino, ”manifestum est quod patientia a caritate causatur”: ”é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras, ”só o amor é causa da paciência”.  Esse grande amor que, com a ajuda da graça divina, nos dá forças para aceitar, sorrindo e com os olhos fixos em Jesus, as pequenas contrariedades e também as grandes dores. Esse grande amor que nos dá energia para sermos fiéis e persistir pacientemente na luta um dia após outro, é o mesmo amor que acende na alma os grandes ideais e nos impele a realizá-los com a maior vibração e prontidão possíveis.

A mesma paciência que aceita,  torna-se divinamente impaciente em seus desejos de amar. Não se atira atabalhoadamente à ação, mas quer andar, como dizia São Josemaria Escrivá, “ao passo de Deus”, ao ritmo das graças e das oportunidades que o Senhor dá, sem nada perder, sem nada atrasar. Tem uma serena e enérgica prontidão em se doar e aceitar aquilo que o Senhor manda.

”A paciência! Não é por certo a virtude que no decorrer do dia se oferece com maior freqüência à mãe de família, qual fruto esplêndido e fecundo? Colhei este fruto celeste avidamente e fazei penetrar até o íntimo da vossa alma. Ele vos fará morrer para vós mesmas! O exercício dessa virtude mudará de fato o curso de vossa vida, para reconduzi-la ao domínio do Pai Celeste. (…) Ah! como a vida das mães, geralmente sobrecarregadas de trabalho e renúncia, tonar-se-ia doce e até mesmo jubilosa, se elas vivessem o seu cristianismo! A dificuldade do momento, longe de ser um obstáculo à sua ascensão, passaria a ser, em vez disso, como um sorriso de Deus, um apelo para o Alto, um motivo a mais de esperança infinita!” (G. Joannés)

O cultivo da paciência é um exercício diário. Muitas vezes, o processo é lento, mas nem por isso devemos desanimar. Deus é extremamente paciente com as nossas limitações. Cabe a nós uma vontade firme de seguir adiante, não importa quão difícil ou quanto demore! A graça de Deus vem sempre em nosso auxílio! Peçamos incessantemente ao bom Deus que nos dê um coração dócil, terno, ”manso e humilde”, semelhante ao de Nosso Senhor.

Referências

São Josemaria Escrivá, Bell-lloc del Plá (Gerona), 24-XI-1972

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Os meios para se viver a paciência

Tempo de leitura: 6 minutos

“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras” (Provérbios 16,32).

Não há uma fórmula mágica para viver a paciência, principalmente se o egoísmo tem raízes em nosso coração. Mas, se há amor, então vão nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência. Quem luta por viver em Deus, sabe que o amor cristão é movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas, ou, o que será mais frequente, de ambas ao mesmo tempo.

Santo Afonso de Ligório nos diz:  “Não nos irritemos com nenhum incidente; se às vezes nos vemos surpreendidos pela raiva, recorramos logo a Deus, e abstenhamo-nos de agir e falar, até termos a certeza de que já foi embora”. Quando nos sentimos à beira de uma crise de impaciência, devemos fazer o esforço de nos calarmos. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito e de rezar bem devagar alguma oração, como, por exemplo o Pai Nosso. Após essa oração, que pode ser também uma sequencia de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus e já com a alma mais tranquila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Não duvidemos que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem deixá-la de lado, exercitamos a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem fim de pequenos sacrifícios que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência.

Falando de forma mais prática

a) É preciso aprender a ir além de suportar

Papa Bento XVI falava dessa sabedoria: ”A paciência é o rosto cotidiano do amor. Nela, a fé e a esperança também estão presentes. Porque, sem a esperança que vem da fé, a paciência seria apenas resignação e perderia o dinamismo que a faz ir além do esforço de suportar uns aos outros, para ir ao esforço de ser uns o suporte dos outros. Jesus conduz-nos para a paciência que suporta e apoia o outro”.  É isso o que são Paulo nos pede na Carta aos Gálatas: ”Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2).

Na maioria das vezes sequer chegamos ao ponto de suportar. Precisamos ser realistas, pois é bem verdade que tudo nos incomoda e na maioria das vezes nem pensamos em quanto somos capazes de incomodar os outros também. Quanto mais nos recordarmos de nossas misérias e nos esforçarmos em sofrer as demoras, os nossos egoísmos, as nossas irritações, tanto mais nos assemelharemos ao Cristo, que tudo suportou por amor a nós. E, acredite, tanto mais fácil será a vida em família.

Se cada um esforçar-se em suportar o outro e melhorar a si mesmo, a harmonia familiar será sempre fácil de alcançar. O problema é que preocupamo-nos mais em corrigir o outro do que a nós mesmos, em reclamar das situações do que suportá-las ou resolvê-las. Um simples exemplo: se todos os dias ao invés de gastar meia hora reclamando com meu esposo do sapato que fica na porta eu simplesmente pegá-lo e guardá-lo, terei economizado 29 minutos, evitado estresse e ainda crescido em humildade e sacrifício. E, mais, por experiência própria: na maior parte das vezes conseguimos algo dando o exemplo e não através das palavras.

Se a impaciência vem da nossa incapacidade de sofrer, suportar é nosso ato voluntário de aceitar sofrer e  não só isso, mas sofrer com amor. Não dá para aceitar sofrer com cara feira, emburrada, com indiretas, com vitimismo. E isso também não é algo que se consiga do dia para a noite, mas é fundamental que possamos ser sinceros e identificarmos essa coisas em nós que precisam ser melhoradas.

Além disso, devemos esforçar-nos em suportar as situações onde não há solução e oferecer amor. Como em caso de adultério, é sempre necessário ir além de suportar. É preciso perdoar. Também aos filhos, com suas dificuldades e incapacidades, que exigem de nós muitas vezes mais do uma boa dose de paciência.

b) É preciso saber esperar

”Sede pacientes, irmãos. Vede como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações” (Tg 5,7-8).

São Josemaria fala dessa sabedoria: ‘‘Quem sabe ser forte não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-o a saborear a virtude humana e divina da paciência… E é esta paciência a que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”.

Muitos casamentos passam por grandes crises porque os esposos ocupam-se demais em mudar o outro. Além disso, nós, mulheres, somos especialistas em ocupar-nos com ninharias. Não nos casamos com uma pessoa perfeita e nem nós somos esta pessoa perfeita para o outro. É preciso aprender a ajudar o outro a crescer, o que não significa que ele será como eu espero que ele seja. Cada pessoa é única e irrepetível, somente Deus sabe o que é melhor para ela.

Se estamos diante de uma falta grave, devemos corrigir as pessoas com amor e oferecer uma solução para remediar aquele problema. Não é com brigas, gritos, discussões e reclamações cotidianas e frequentes que a mudança vem. Além disso, precisamos saber esperar o tempo de que as flores floresçam e os frutos possam ser colhidos. Muitas vezes não teremos a graça de colhê-los. Recordo-me bem do exemplo da Elisabeth Leseur que tendo uma vida interior intensa e profunda, morreu sem ver seu esposo convertido. Mas, após sua morte, ao ler seu diário espiritual, ele se converteu e tornou-se sacerdote. Deus tem seus caminhos.

Além disso, esperar também no sentido de viver o sofrimento que se manifesta em forma de dificuldade, como uma doença, um imprevisto, e tantas outras coisas, com serenidade.

c) É preciso saber calar

Como é importante calar quando a ira ou a impaciência fervilham dentro de nós. «Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga» (São Josemaria Escrivá)

Falar, retrucar e cair no bate-boca: por não saber calar é que vem o descontrole e a briga.

Paciência, escreveu Papa Francisco, “não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos”, mas “o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria”. “O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade.”

d) É preciso saber falar

Quando a impaciência nos ataca, a primeira coisa que deveríamos fazer, depois de esforçar-nos por calar, é falar com Deus. Nunca falemos só “conosco”, com esses debates íntimos da imaginação esquentada, que só aumentam a fúria e a amargura íntima. Menos ainda falemos, irados, com a pessoa que provocou a impaciência, querendo mostrar-lhe que nós temos razão e ela não.

Primeiro, portanto – e às vezes por muito tempo –, falemos com Deus, fazendo oração: procurando ver com Ele a verdadeira dimensão das coisas, pedindo-lhe forças para carregar a Cruz com serenidade, suplicando-lhe que nos comunique um pouco da paciência com que Cristo enfrentou o juízo iníquo, o caminho da Cruz e a crucifixão.

Experimentemos também invocar a nossa Mãe, Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Rainha da paz, rogai por nós!”

E também será oportuno, muitas vezes, falar com quem nos possa orientar espiritualmente e aconselhar a melhor maneira de santificar as contrariedades.

O último meio são as mortificações da paciência. Esse é o assunto do próximo post!

 

Referências

Caminho, São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus, São Josemaria Escrivá

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Homilia, Papa Francisco

A virtude da paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

“As virtudes domésticas, que se baseiam no respeito profundo da vida e da dignidade do ser humano e concretizam-se na compreensão, na paciência, no encorajamento e no perdão mútuo, dão à comunidade familiar a possibilidade de viver a primeira e fundamental experiência de paz.” – São João Paulo II

A palavra paciência deriva do latim ‘pati’, que significa padecer. Por isso, a virtude da paciência é a capacidade de padecer ou a arte de sofrer bem.

É bom esclarecer que a irritação, a raiva ou a cólera não fazem parte da impaciência, ainda que muitas vezes a acompanhem, mas sim, da ira. É verdade que a impaciência e a ira andam de mãos dadas em nosso cotidiano, mas a impaciência se dá simplesmente quando não sabemos aceitar ou aceitamos de má vontade aquilo que nos contraria ou nos faz sofrer.

A impaciência com muita frequência aflora em forma de queixas internas (lamentações, vitimização), de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, de cobranças insistentes, de suspiros lastimosos, de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais, como por exemplo as frases célebres: ”Já não suporto mais!” ”Cheguei ao meu limite!” Além disso, os comentários de desânimo e os olhares de tristeza são frutos da impaciência. Um dos principais efeitos da paciência, como ensina Santo Tomás, é expulsar a tristeza do coração.

Em nossa realidade de esposos e pais, quantas vezes somos impacientes? Com as contrariedades adversas do dia, como o trânsito caótico, a chuva que chegou de repente, o trabalho que não saiu como planejado; as com o cônjuge, como a pasta de dentes que fica tantas vezes aberta, o sapato que dificilmente é guardado no lugar certo; e com os filhos, que quebram alguma coisa, que gritam, que choram, que derramam comida na roupa limpa e tantas outras infinidades de situações que nos acometem não raras, mas muitas vezes por dia!

A ira é diferente da impaciência

Todos conhecemos, por experiência própria, a força tremenda da ira (a nossa e a dos outros).  As iras cotidianas nós as conhecemos bem: “Explodi”, “Não aguentei”, “Esse vai me ouvir” e tantas mais. Expressões quase sempre somadas a gritos, palavrões e injúrias.

Santo Tomás, de acordo com Aristóteles, menciona três tipos de ira ruim (Existe ira boa? Sim! Mas esse é um tema para outro post!) :

A ira aguda: É a da pessoa que se irrita logo por qualquer motivo leve.

A ira amarga: É a da pessoa que guarda a ira por muito tempo e não a tira da memória. Chama-a ira encerrada nas vísceras (“inter viscera clausa”).

A ira difícil ou vingativa: A dos que não param até darem o troco, se possível, em dobro.

Santo Tomás não teoriza. Conhece o ser humano. E em alguma dessas classificações provavelmente nós nos reconhecemos.

Quando alguém se deixa levar pela ira é porque perdeu o controle emocional. A pessoa irada não tem autodomínio e extravasa sua revolta por meio do grito (como os terríveis gritos das mães e dos pais desgovernados), do tapa, da injúria, do palavrão, do comentário ofensivo e grosseiro, da ”patada”, das atitudes impulsivas (virar as costas e sair no meio de uma conversa, por exemplo), ou da violência (como bater uma porta com força ou até mesmo sacar uma arma e atirar).

É muito comum considerar hoje em dia que o modelo de paciência seja um comportamento manso (sem ira) que, na realidade, é um exemplo da mais perversa impaciência ou até mesmo de uma moleza. Como, por exemplo, casais que se separam após poucos ou muitos anos de matrimônio e, fazendo alarde de uma pretensa <<maturidade>> se gabam de que <<não brigaram>>. Por trás de tanta calma, o que é que houve? Uma elementar incapacidade de sofrer.

Descobrir o que nos impacienta

O defeito da impaciência costuma ser <<especializado>>. Cada um de nós tem as suas impaciências particulares. Pode ser que sejamos impacientes em escutar o próximo, que não gostamos de ser interrompidos, que não saibamos esperar e tantos outros.

A atitude que muitos tem diante da vida é radicalmente egoísta. O mundo é <<para mim>>. Mesmo os amores são vistos como meio de obter benefício pessoal. É por isso que muitos casamentos acabam baseados na desculpa de que <<não gostamos mais>>.  A maior parte das nossas impaciências são apenas egoísmos contrariados.

O papa São Gregório Magno (século VI) dizia em uma Homilia sobre Ezequiel: «Se eu não faço o esforço de suportar o teu caráter, e se tu não te preocupas de suportar o meu, como poderá levantar-se entre nós o edifício da caridade se o amor mútuo não nos une na paciência»?

Se queremos edificar um lar harmonioso, precisamos começar por nós mesmos. Trazemos em nós uma desordem: o egoísmo. Queremos sempre nos vitimizarmos por todas as coisas e falta-nos energia e ânimo de caráter para por-nos a serviço dos demais. Parece que estamos sempre a lutar por uma igualdade, onde todos devem dar a mesma medida. Mas, a grande verdade é que, para nós, que desejamos os altos cumes da santidade, só encontramos uma medida para amar e servir: dar não muito, mas tudo; não só uma parte, mas a vida. Porque este é o exemplo que tomamos de Nosso Senhor que deu-se todo por nós.

No próximo post tratarei de forma prática como podemos viver a virtude da paciência.


 Referências

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

A paciência, Pe. Francisco Faus

Por que falhamos em sermos santos?

Tempo de leitura: 5 minutos

A vocação universal à santidade foi revelada por nosso Senhor no sermão da montanha quando disse “Sedes perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). Ele não falava apenas para seus apóstolos e, portanto, bispos da Igreja, mas a todos que lhe ouviam, logo, todos nós. Também o Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium nos dá as razões do chamado universal à santidade:

  1. Exigências do batismo – temos o dever de desenvolver a graça recebida.
  2. O primeiro mandamento – que nos obriga a “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12, 28-30), que, se cumprido fielmente, consiste precisamente na santidade.
  3. Devido ao mandamento de nosso Senhor no sermão da montanha.

É claro que este dever é da busca sincera da santidade (que é o trabalho de uma vida!) e não sermos santos aqui e agora. Contudo, observando a realidade de nosso tempo, vemos que, mesmo dentro da Igreja, é difícil encontrar pessoas detentoras de virtudes heroicas. Segundo o padre Antonio Royo Marín, a principal razão é que nós não empregamos os meios necessários para alcançar a santidade.

Estes meios podem ser divididos em dois grupos:

  1. Naturais
    1. Falta de energia de caráter.
  2. Sobrenaturais
    1. Falta do verdadeiro desejo de santidade.
    2. Falta ou deficiência de direcionamento espiritual.

Falta de energia de caráter

A Graça divina pode encontrar obstáculos naturais para agir em nós e é nosso dever acabar com estes obstáculos naturais (de ordem psicológica, emocional ou mesmo física) para recebermos as graças que Deus nos tem reservado. O principal obstáculo de ordem natural para alçar vôos mais altos na vida espiritual é justamente a falta de energia de caráter. Vivemos em uma geração de homens e mulheres incapazes de se esforçar minimamente para alcançar qualquer objetivo que seja um pouco penoso.

Isso se vê claramente em vários aspectos das pessoas da nossa geração, dentre tantos:

  • Incapacidade de tomar decisões sérias e permanentes: muitos acabam pulando de curso em curso, presos numa eterna adolescência em que, sustentados pelos pais, esperam em suas camas confortáveis por um emprego que cairá do céu ou por um cargo público que seja digno dele.
  • Busca incessante pelo prazer: o que também se mostra na incapacidade de sofrer, mesmo que minimamente. Vemos mulheres que desmaiam só de pensar num parto normal (mesmo que seja muito melhor para ela e para o filhos) e homens que não querem nem saber de serem pais (ainda mais depois de descobrirem que precisam ficar acordados à noite e que fraldas não se trocam automaticamente).

Devemos, como nos exorta Santa Teresa, buscar a fonte de água viva com determinada determinação! Só assim a Graça divina poderá agir em nós.

Falta do verdadeiro desejo de santidade

Este motivo se relaciona bastante com o anterior, mas enquanto aquele é natural, este é sobrenatural. O verdadeiro desejo de santidade tem algumas características fundamentais e é bom citá-las para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa caminhada espiritual.

O verdadeiro desejo de santidade é sobrenatural, ou seja, provém de Deus e tem por objetivo Sua maior glória e a salvação das almas e, por isso, deve ser profundamente humilde, sabendo que tudo provém de Deus e que, se dependêssemos somente de nossas forças seríamos os mais desprezíveis pecadores.

Uma característica do verdadeiro desejo de santidade que muito nos falta é a confiança completa em Deus, é esta característica que nos fará seguir crescendo espiritualmente mesmo diante das grandes dificuldades que certamente surgirão. É aqui que muitos de nós falhamos em nos conformarmos em Cristo.

Muitas vezes Deus nos pede provas de nosso amor por Ele, como fez com Abraão ao pedir-lhe o sacrifício de seu amado filho (Gen 22). Abraão teve de mostrar que seu amor a Deus era maior até mesmo que seu amor pela vida de seu filho. Reparem que esta prova vai muito além de deixar de pecar: devemos colocar em prática a completude do primeiro mandamento desejando a santidade acima de todas as coisas!

Na vida espiritual, quem não avança regride. Logo, nada de descansar! Quem dá desculpa de tirar férias da vida espiritual acaba por deixar a vontade fraca e, por conta disso, tem maiores dificuldades para retornar ao ponto em que estava. Portanto, sempre em frente, ou, como diria meu amigo Pier Giorgio Frassati,Verso l`alto!

A falta de regularidade também é um grande inimigo da busca pela santidade, muitas pessoas, ao saírem de retiros ou exercícios espirituais, tem grandes intuitos e propósitos que acabam sendo deixados de lado às primeiras dificuldades. É importantíssimo ter constância na vida espiritual!

A última característica do verdadeiro desejo de santidade é que ele deve ser prático e eficaz. Deve-se dispor de todos os meios aqui e agora para ser santo! Muitas vezes vamos deixando pra depois, para depois das férias, para depois da faculdade, para depois de curada minha doença. De adiamento em adiamento a vida passa e acabaremos por nos apresentar a Deus de mãos vazias das graças que não quisemos receber.

Falta ou deficiência de direcionamento espiritual

Quando observamos a vida dos grandes santos de nossa amada Igreja percebemos que, a grande maioria deles, contava com um diretor espiritual de grandes virtudes!

As características de um bom diretor espiritual já foram tratadas num excelente texto do nosso pai espiritual. Resumidamente, ele deve ser um sacerdote sábio, discreto, experiente, ciente de teologia, intensamente piedoso, humilde e, claro, zeloso pela santificação das almas! Sei que não é fácil encontrar sacerdotes assim, infelizmente (foi por este motivo que nos mudamos de cidade quando nos casamos). São João da Cruz afirma que:

“Para este caminho, ao menos para o que nele há de mais elevado, e ainda mesmo para o mediano, dificilmente se achará um guia cabal que tenha todos os requisitos necessários.”

Deve-se pedir, suplicar a Deus que lhe envie um santo diretor espiritual para ajudar na salvação de sua alma, que é a missão mais importante de nossas vidas!

Vejamos alguns santos que tiveram diretores espirituais também santos: Santa Joana de Chantal teve como diretor espiritual São Francisco de Sales e depois São Vicente de Paulo.  São Vicente de Paulo foi também diretor de S. Luisa de Marillac. Santa Gema teve um diretor santo: o Padre Germano é Venerável e está a caminho dos altares. São Paulo da Cruz foi diretor da Venerável Madre Crucifixa – cofundadora das passionistas e da Venerável Lucia Burlini que era leiga. O Beato Miguel Sopocko foi diretor de Santa Maria Faustina Kowalska. São Cláudio de la Colombiere foi diretor de Santa Margarida Maria Alacoque. No início da sua vida espiritual, Santa Teresa foi muito ajudada por S. Pedro de Alcântara. O Servo de Deus Padre Arintero foi diretor da Ven. Madre Maria Amparo e da Ven. Madre Madalena. E não podemos nos esquecer do grande São João Bosco que teve por diretor espiritual São José Cafasso!

Portanto, é de suma importância que se tenha direcionamento espiritual adequado. Hoje em dia as tecnologias de telecomunicações ajudam bastante visto que a direção espiritual pode ser feita à distância.

Espero que este texto tenha sido de ajuda para reconhecer em que estamos errando na busca pela perfeição cristã, para que, corrigindo, possamos alcançar o fim de nossa vida que é nos assemelharmos a Cristo Nosso Senhor!


Referências

Modéstia: o caminho que eu tenho trilhado

Tempo de leitura: 5 minutos

O tema da modéstia é muito frequente entre as moças recém convertidas e, principalmente, pela internet afora. Muitas discussões acabam acontecendo visto que a Igreja não possui um “manual de modéstia para os dias atuais”. O intuito desse post não é ditar regras ou colocar-me como uma especialista em modéstia, mas apenas partilhar o trajeto que venho trilhando.

Há alguns anos atrás, confesso não saber exatamente quantos, comecei o meu caminho de mudança a respeito da virtude da modéstia. Um caminho lento e gradual que ainda não chegou ao fim, mas que me faz sentir a cada dia mais moldada pelas mãos da Santíssima Virgem.

Comecei a ter contato com textos a respeito da modéstia no vestir na época em que tive o primeiro contato com a Santa Tradição. Mas antes mesmo disso, já havia mudado algumas coisas porque já não me sentia bem (isso pode até parecer sentimentalismo) e sabia que havia algo errado ao usar certas roupas que mais chamavam atenção dos homens do que cumpriam sua função essencial.

Tive um momento de grande euforia, impulso e precipitação, algo típico de meu temperamento, em que passei a me vestir como uma beata, só que brega. Algum tempo passou e voltei à vida antiga. Algo estava errado: não havia sido sincero.

Nesta época ainda não tinha a Graça de ter um diretor espiritual. Decidi, por inspiração divina, trilhar outro caminho: o da entrega total. Decidi confiar que, mais do que textos de alguns blogs, recheados mais de opiniões pessoais do que de ensinamentos coerentes, seria o próprio Espírito Santo quem me modelaria e ensinaria a vestir-me para agradar nosso Senhor, após ler um texto do livro Imitação de Cristo: ”Falai, Senhor, que o vosso servo escuta: Vosso servo sou eu, dai-me inteligência para que conheça os vossos ensinamentos. Inclinai meu coração às palavras de vossa boca; nele penetre, qual orvalho, vosso discurso (1Rs 3,10; Sl 118.36.125; Dt 32,2). (…) Não fale Moisés, nem algum dos profetas, mas falai-me de vós, Senhor, Deus, que inspirastes e iluminastes todos os profetas, porque vós podeis, sem eles, me ensinar perfeitamente, ao passo que eles, sem vós, de nada me serviriam. ”

Vejam, esse caminho é pessoal. Para mim os textos atrapalharam muito, porque eu não tinha discernimento e queria vestir-me como na Era Vitoriana. E isso não é modéstia.

Aos poucos, fui percebendo movimentos interiores que me faziam avançar nesse caminho, frutos do estudo da vida dos santos e de oração pessoal. Primeiro, deixei as roupas que mais ofendiam a Nosso Senhor. Aos poucos fui percebendo-me mais bela com saias e vestidos e decidi que gostaria de usá-los mais. Nessa época ainda dependia dos meus pais, então não tinha dinheiro para comprar peças modestas e nem conhecia lugares que as vendessem.

Durante muito tempo me vesti de uma forma que não gostaria, pois não tinha condições de adquirir peças boas. Quando pude, tive somente duas saias (uma preta e uma pastel), que me serviam de combinação para tudo. Aos poucos, e muito aos poucos, pude ir mudando o meu guarda roupas, que até hoje não está completamente mudado.

Passei um tempo difícil em que muitos faziam chacota do meu jeito de me vestir e fui percebendo que um pouco disso era culpa minha, pois me vestia mal. Fui então buscando inspirações de como me vestir bem e a única referência que eu tinha era da princesa Kate Middleton. Um pouco depois, fui conhecendo moças que viviam a modéstia e se vestiam bem, de forma bela e elegante e assim fui aprendendo.

Quando me casei, comecei a viver um período muito belo, pois podia ser eu mesma e comprar minhas próprias peças. Meus dois últimos crivos foram o tamanho das saias e as mangas das blusas. Passei a me incomodar com as saias nos joelhos e agora as visto somente se os tampem até mesmo sentada. As mangas, não consigo mais não usá-las. Sinto-me desnuda. Pode parecer algo exagerado e surreal para quem tem contato com isso pela primeira vez, mas acredite, é tão feliz ser barro nas mãos do Oleiro!

Hoje é assim que me visto. Uso vestidos, saias e blusas, por nenhum outro motivo senão que assim sinto-me cumprindo a vontade de Deus sendo verdadeiramente feminina, elegante e bela. Vestir-me assim nem sempre é fácil, principalmente nos dias de hoje. Mas, sinto um chamado elevado que me pede grandes sacrifícios. ”O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12).

Tenho muitas peças que ainda não são como eu gostaria, mas são as que tenho e procuro adaptá-las para que agradem a Nosso Senhor. Vestindo-me assim encontro-me feliz em consciência, agradando ao bom Deus. Não acredito que todas as mulheres devam se vestir da mesma forma ou estaríamos anulando características pessoais. A forma como me visto é reflexo do que sou. Por isso a minha mudança foi tão gradual exteriormente, porque o que somos por fora é apenas uma manifestação do nosso interior.

Viver a modéstia no vestir e no comportamento só me trouxe benefícios. Reconhecendo-me templo do Espírito Santo, sabendo-me um castelo onde o Rei habita em meu interior, soube do meu valor. Nada supera o meu valor de filha de Deus. Sou amada por Ele e é esse amor que me sustenta e me permite amar também. Quando lembro-me das roupas que usei, envergonho-me e faço atos de reparação. Ofereço sacrifícios para reparar ao Coração Santo pelos inúmeros cravos de imodéstia que cravei tão fortemente nEle.

Usar roupas justas, curtas, decotadas, transparentes, faz de nós semelhantes a objetos. Somos mulheres e sabemos bem quando provocamos um homem, quando chamamos atenção. O que queremos quando nos vestimos assim? Mostrar que somos apenas um corpo. Que pequeno valor ter apenas um corpo, pois até os animais tem um. Quem sustenta um relacionamento com músculos, o verá se desmanchar quando os músculos se afrouxarem e caírem. Quem sustenta um relacionamento com a alma, verá o amor amadurecer e se elevar conforme a maturidade chegue e a alma cresça.

Para quem está começando, sugiro paciência, oração e estudo. Ter um diretor espiritual também ajuda muito! O caminho se faz passo após passo e não à grandes saltos. Com o tempo, o amadurecimento e crescimento da vida interior, a virtude da modéstia e também o pudor irão tornando-se tão naturais, que todas essas questões ”discutíveis” tornam-se nada. Uma alma em estado de graça, casta, com vida interior e com boa vontade, tem um senso comum ditado pelo próprio Espírito Santo. É capaz, per si, de saber o que convém ou não.

Há quem tenha medo da modéstia e do pudor e classifiquem essas virtudes como características repressoras. Grande erro! Se há algo que liberta e faz de nós grandes vencedores, principalmente a respeito de nós mesmos, são essas virtudes. Nós, mulheres, temos algo que nos é próprio: um mistério. Todo homem anseia desvendar esse mistério e ganhar esse prêmio. Se nos vestimos e nos comportamos de maneira baixa e lançamos luz apenas às partes do nosso corpo, o que fazemos é espantar os homens, pois nos colocamos como objetos esperando para sermos utilizadas. Entramos em uma corrida contra nossa própria natureza corpórea, pois o corpo a cada dia mais próximo está da desfiguração e decomposição.

À luz da pureza, do pudor, da modéstia, da temperança, temos valor incomparável. Somos uma alma eterna, um mundo interior, um prêmio a ser conquistado, um mistério a ser desvendado. Somos mais belas, somos um rosto, somos um olhar, somos um sorriso. Somos muito além das curvas.

Sei que é difícil romper com a sociedade que diz ser normal se vestir assim. Mas, como disse São João Paulo II: “Se você quer encontrar a nascente, tem que subir contra a correnteza.” Se queremos encontrar a Fonte do Amor, viver o Evangelho, ter uma vida interior, encontrar as doçuras de Deus, devemos seguir firmes e confiantes no caminho da Cruz, que é o caminho que o mundo não pode nos dar.

 

Há um ano o amor nasceu e eu renasci

Tempo de leitura: 4 minutos
Trago o relato do parto do Bento, escrito pouco tempo depois de ele ter nascido:
“Por aqui os dias foram tempestuosos porém felizes e só agora tive tempo para escrever sobre esses dias para mantê-los aquecidos com a boa nova que recebemos em nossa família.
O relato do nascimento do Bento começa cedo. Desde o dia 30 de julho comecei a ter sinais de que ele estava pronto para nascer. Porém, apesar de pronto, eis que nossa primeira flecha esteve com preguicinha de vir ao mundo. Foram 4 semanas de alarmes falsos, mas em nenhum deles chegamos a ir para o hospital. Eu sentia contrações, inúmeras delas, porém elas não tinham ritmo.
Os dias foram passando e com eles fomos nos esgotando física e psicologicamente. É muito difícil trabalhar a mente nesses dias em que todo dia parece dia de nascer. Um mundo desconhecido se espreitava à minha frente e às vezes, me sentia perdida. Era preciso romper com tantas expectativas e viver abandonada em Deus. ”A cada dia basta o seu cuidado.”
De fato as coisas seriam muito mais fáceis se eu entrasse em trabalho de parto logo e ele nascesse. Mas, o bom Deus tem caminhos insondáveis. Esperar é um grande exercício de paciência, virtude que tanto me faltava nessa altura (e também, nesta vida). Essa espera me deixou abalada e cansada. Gabriel, meu esteio, e eu rezávamos e tentávamos caminhar em paz. No começo estávamos mais tranquilos, porém, na última semana eu já estava tão cansada… Mas o bom Deus sabe o tamanho da cruz que precisamos e aguentamos carregar! Que doçuras encontramos na Cruz quando decidimos abraçá-la!
Padre Fábio, nosso querido e amado diretor, foi um grande pai nessa última semana antes do nascimento do Bento. Pude compartilhar com ele meus medos, inseguranças e cansaço. Acho que poucas vezes me senti tão abraçada espiritual e psicologicamente como me senti na minha ultima direção antes do Bento nascer. Isso foi na sexta, dia 19 de agosto, onde graças ao bom Deus pude me confessar e seguir confiante para o meu grande calvário.
Na segunda feira, dia 22, tive consulta e a médica fez um procedimento para ver se o parto engrenava, pois eu já tinha dilatação mais do que suficiente para estar em trabalho de parto. Apesar da dilatação evoluída (já tinha 6 cm) até então eu não havia sentido dor alguma. Mas na noite desta segunda já não consegui dormir. As contrações eram mais regulares e intensas, porém ainda sem ritmo. E isso me deixava cansada… queria tanto que o Bento nascesse! Eu já estava com quase 41 semanas!
Terça-feira de manhã as contrações pegaram ritmo! De 3 em 3 minutos! Eeeee.. Bento vai nascer! Fomos para o hospital e…. NADA. As contrações pararam. Eu definitivamente me sentia subindo o monte calvário de ré. Frustrada, impaciente, ansiosa.
Passei a terça-feira com dores, mas nada de pegar ritmo. Na madrugada de terça-feira para quarta-feira as dores ficaram muito intensas e era impossível dormir ou ficar deitada. Mas continuávamos sem ritmo. Minha médica me viu de madrugada, tomei medicação para cólicas mas as contrações não cederam. Voltamos para casa, mas precisávamos tomar uma decisão. O trabalho de parto poderia começar a qualquer hora, mas também podia demorar dias. A médica nos disse que podíamos esperar ou tentar induzir o parto.
Voltamos para casa e novamente não conseguimos dormir. Eu já sofria com as contrações. Decidimos induzir o parto, rompendo a bolsa. Não dava para continuar com essas dores e sem descansar. Se continuasse assim certamente não conseguiria um parto normal.
Fomos para o hospital as 6:30 da manhã do dia 24 de agosto de 2016. Às 7:30 a médica rompeu a bolsa. Às 8:30, graças a bondosa Virgem, as contrações engrenaram!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Às 10:39 nosso Bento nasceu!!!!! Ao som de Panis Angelicus! Dia de São Bartolomeu!
Foram poucas horas de trabalho de parto ativo, sem analgesia, tudo muito intenso! Vivi cada contração unida ao bom Jesus! Como rezei à Santa Coleta!
Gabriel esteve comigo todo o tempo! Nem sei dizer o que seria de mim sem o companheirismo e a força dele.
Bento nasceu e veio direto para os meus braços! Ainda sem me dar conta do que tinha acontecido, imediatamente o ofereci ao Sagrado Coração de Jesus e a Santíssima Virgem.”
E assim nasceu nosso menino…
O nascimento do Bento foi uma grande graça de Nosso Senhor. Definitivamente, quando olho para trás, não me reconheço. Ter um filho é, antes de tudo, um encontro com nós mesmos. Como se houvesse uma lupa, nossos defeitos são enfatizados. Nossas qualidades parecem não ser suficientes. É preciso decidir-se: ”o Reino dos Céus pertence aos violentos”.
Mas, ter uma criança, é sobretudo um grande valor por ela mesma. Quando penso no Bento, penso: que grande milagre! É um presente para o mundo, é um louvor à Deus! Uma criatura tão perfeitamente modelada, uma personalidade ímpar, que me garantes infindos sorrisos pelos dias afora. O Bento sempre mereceu existir e depois nascer, ser bem educado e alcançar o Céu.
Quando alguém me pergunta: ”Mas você quer mais filhos?” ”Um não está bom?” ”Já não tem trabalho que chega?” Eu sinceramente, nem sei o que responder. Eu não sei o que as pessoas esperam dessa vida, a não ser um vazio crescente. Eu realmente não acredito que ter um filho, ou muitos deles!, seja mais trabalhoso do que competir freneticamente para manter uma carreira, virando noites em claro por algo material, que é o dinheiro, ou por uma ilusão, que é o sucesso.
O casamento é uma grande ocasião de santificação, mas somente depois que os filhos chegam, ele alcança sua maturidade e nos eleva para além de nós mesmos. Ter um pequenino ser que exige de nós não muito, mas tudo, é o que faz a diferença, afinal, “Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo”, como diz Santa Teresinha.
E no fim da vida, como nos diz São João da Cruz, não seremos julgados pela carreira, pelo sucesso, pelo corpo atlético, pelos livros lidos, pelos filmes assistidos, pelas viagens feitas, mas sim pelo Amor, que é o pleno e fiel cumprimento da vontade de Deus e a doação total de nós mesmos.

 

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