Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

A importância do orçamento financeiro na vida familiar

Aluguel, supermercado, padaria, energia, gás, transporte, plano de saúde, roupas, ufa! A lista de contas a pagar parece interminável, diferente da nossa renda, não é? Sem um orçamento financeiro corre-se o sério risco de contrair dívidas que crescem como uma bola de neve rolando morro abaixo. Neste texto tentarei te convencer a controlar cada real da sua renda familiar, vamos?

O que é um orçamento familiar

Segundo a Wikipedia,

Orçamento é a parte de um plano financeiro estratégico que compreende a previsão de receitas e despesas futuras para a administração de determinado exercício (período de tempo).

No caso do orçamento anual de uma família, o orçamento consiste em listar todos as receitas e despesas previstas no período de um ano, de preferência, agrupando-as por tipo.

Ter um orçamento familiar produz muitas vantagens, hoje vou apenas listá-las e, num futuro texto, ensinarei como faço aqui em casa.

Diminui a tentação consumista

A economia atual é movida pelo consumismo. Iphone, carro zero, videogame, roupas novas, calçados, a todo tempo somos impelidos a comprar. Ajudadas pela psicologia, as propagandas estão cada vez melhores em cumprir seu objetivo e às vezes acabamos cedendo à tentação e dividindo aquele produto no cartão em suaves prestações a perder de vista que caberão no nosso bolso. Ao mesmo tempo a esposa quer aquela saia nova para ir à Santa Missa e a compra, dividindo também no cartão. O filho está crescendo e tem aquele brinquedo que pode ajudá-lo a desenvolver a coordenação motora e, dividindo em 10 vezes sem juros a parcela fica minúscula!

Em pouco tempo a parcela do cartão já estará maior do que a renda familiar e, dessa forma, a família acaba entrando nos juros do cartão, os maiores do mundo!

Não faz mal comprar uma coisa ou outra desde que isso não implique em deixar de pagar o essencial nem deixe a renda familiar completamente comprometida. Se, no começo do ano por exemplo, a família se reunir e definir quanto será gasto em cada grupo de consumo (supermercado, aluguel, energia, vestuário e etc.) as compras que citei acima poderão ser feitas com tranquilidade visto que se saberá a renda disponível para cada grupo.

Reduz a ansiedade

É muito ruim para a vida familiar e espiritual ficar pensando nas finanças o tempo todo, muitos perdem até mesmo o sono ao ficar imaginando se o salário irá durar até o fim do mês, o quanto vai sobrar no fim do ano (se sobrar) e etc. Um dos motivos que mais leva os casais ao divórcio são as brigas por razões financeiras, também por isso devemos nos organizar financeiramente.

Ter um orçamento familiar reduz este tipo de ansiedade que tira o sono de muitos. Além de confiar na providência divina devemos ser bons administradores dos bens que Deus nos concede! Façamos como ensinou Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus:

“Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus”

Santo Inácio de Loyola (1491-1556)

Permite fazer planos

Se depois de reservado o necessário para a família e guardado alguma quantia para eventuais emergências ainda sobrar algo, que tal fazer grandes planos?!

Com o orçamento bem resolvido a família se sentirá mais confiante ao economizar evitando algum luxo imediato pensando num plano a longo prazo. Explico, deixar de ir ao cinema, de tomar um sorvete ou de comprar uma peça de roupa nova pode ser muito difícil quando se tem o dinheiro disponível, sempre damos uma desculpa como “essa semana foi difícil, mereço um agrado” ou algo do tipo. Contudo, quando se tem um plano para aquele dinheiro a história muda, deixar de fazer qualquer uma dessas coisas pensando na sonhada casa própria ou na desejada viagem dá um ânimo novo para fazer estes pequenos sacrifícios!

Permite cortar gastos desnecessários

Como o gasto com cada grupo de despesas estará estipulado previamente, fica fácil ver onde se pode cortar.  É impressionante perceber, após algum tempo de controle financeiro, o quanto gastamos com futilidades. Uma pessoa que vai ao cinema duas vezes por mês pode facilmente gastar mais de R$1.000,00 por ano! Roupas e sapatos então, consomem boa parte da renda de uma família desapercebida.

Ajuda a estar preparado para emergências

Nestes tempos de crise, infelizmente, é comum algum membro da família ter de mudar de emprego, sofrendo uma redução de salário ou sofrer com baixas vendas se trabalha no comércio. Por isso é muito importante, se a família ainda não o fez, guardar de 3 a 5 salários para eventuais emergências, seja para pagar as contas enquanto não se consegue outro emprego ou para pagar algum tratamento de saúde, como um parto de um novo filho!

 

Espero ter conseguido te convencer de que ter um orçamento familiar é essencial. Se consegui, acompanhe as próximas postagens em que darei algumas dicas de como fazer o controle financeiro na prática, com programas e planilhas!

O período do namoro

Graças ao bom Deus há muitos casais que desejam ardentemente viver a radicalidade do Evangelho e fazer de suas famílias verdadeiras Igrejas Domésticas. O post de hoje é um texto escrito por um desses casais, o qual temos a graça de serem grandes amigos nossos, o Leonardo e a Priscila. Eles são nossos vizinhos, participam da nossa paróquia (São José de Anchieta, Serra- ES) e são pais do João Paulo.


Para começar um namoro santo, deve-se escolher a pessoa certa: aquela que tenha o mesmo desejo de santificação que nós temos.

Primeiramente, devemos entender que o amor verdadeiro só existe em Deus, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas. Somente assim é possível ver com os olhos da fé e sem interesse pessoal, a pessoa amada reservada por Deus. Quando amamos a Deus, desejamos que todos vivam este amor, principalmente as pessoas mais próximas.

“Oh, eterna verdade e verdadeiro amor e amorosa eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. E quando te conheci pela primeira vez, tu pegaste em mim, para que visse que existe aquilo que via e que eu não era ainda de molde a poder ver.” (Santo Agostinho, Confissões, VII)

É certo dizer que não existe uma “receita de bolo” para um namoro perfeito, pois cada relacionamento amoroso tem os seus desafios. De fato, a união de duas pessoas que se amam só poderá dar frutos duradouros se houver desde o início uma reta intenção de fazer o outro feliz, além de um desejo de se santificar e suportar os defeitos e limitações da pessoa amada. Contudo, não podemos negar os princípios básicos de uma relação sadia e santa que provêm da oração, do sacrifício, da humildade e da caridade. Afinal, o que seria do amor sem a caridade?

De nada vale se não tivermos a caridade. Tudo é palha, nada é verdadeiro e sem ela tudo é interesse. Mas quem a possui “não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor” (I Coríntios 13,3). Ter caridade é alcançar o grau mais alto da fé, porém, para chegar a este nível é necessário possuir uma “determinada determinação” de lutar contra o orgulho, a arrogância, a inveja, os próprios interesses e pôr fim a concupiscência da carne. Os que desejam ter um relacionamento santo e duradouro devem se afastar com todas as forças desses males que tanto destroem os casais de nosso tempo.

Na oração, somos iluminados por Deus para elevarmos o namoro a perfeição e suportar todas as dificuldades. É impossível manter um relacionamento vivo e estabilizado sem ter a prática da oração diária, que se intensifica no matrimônio. Isso deve ser para nós cristãos, um fato consumado. A oração nos aproxima de Deus, abre nossos ouvidos a voz do Espírito Santo que ilumina nossa razão e nos santifica. Com efeito, nosso Senhor Jesus Cristo torna-se o centro do relacionamento.

“A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da fortaleza de Deus. ” (São João Paulo II, Carta às famílias, 1994)

 

O início do nosso namoro foi de muita oração e intercessão de Nossa Senhora da Penha, mas com o passar do tempo, deixamos nossas orações de lado e tudo que construímos veio a ruir, todas as programações para o casamento davam errado. Somente nove anos depois, percebemos que estávamos longe de Deus e que era necessário voltar ao “princípio”, onde Deus era o centro de nossa relação.

Retomamos as nossas orações, participação ativa nas Santas Missas, confissões frequentes e sempre buscamos aprender sobre nossa fé, nossa Santa Igreja e conhecer os santos que tantos exemplos e ensinamentos deixaram para que a nossa vontade de sermos santos também não se aplacasse por coisa alguma. Assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos fortificou com Seu Espírito e abençoou nossa relação nos dando um lindo casamento e um anjo como filho. A caminhada não é fácil, sabemos e sentimos isso na alma, mas a felicidade e a paz só se têm em Deus.

 

O Sagrado Coração de Jesus no lar

Antigo costume

O mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, ”que tanto amou os homens”.

Antigamente, era comum entrar em uma casa e ver um quadro ou imagem do Sagrado Coração de Jesus, colocado em local de honra. Aos poucos, um outro objeto foi usurpando o lugar de destaque nas casas: a televisão. A devoção ao Sagrado Coração foi sendo substituída por um aparelho que, durante tantas horas do dia, despeja toneladas de lixo imoral dentro dos lares, deseduca as crianças e afasta as famílias da prática dos Mandamentos. E o Sagrado Coração de Jesus, em quantos lares Ele hoje é amado? E quantos lares não tem como centro de sua casa um aparelho de TV?

Escritos do Papa Pio XII

Amados esposos cristãos, que seja exposta e honrada em vossa casa a imagem do Sagrado Coração que ‘tanto amou os homens’, como a dos parentes mais queridos e íntimos. (…) Exposta e honrada significa que a imagem não deve apenas velar num quarto, acima do leito dos pais ou dos filhos, mas ser exposta em lugar de honra, acima da porta de entrada, na sala de jantar, na sala de estar, ou em outro local mais frequentado da casa.

Honrada significa que diante da preciosa estátua ou modesta imagem, a mão cautelosa colocará, ao menos de vez em quando, alguma flores, acenderá uma vela ou conservará, como sinal constante de fé e amor, a luz de uma lâmpada. É neste lugar, diante do Sagrado Coração, que todas as noites se reunirá a família para um ato coletivo de ação de graças, uma humilde oração de penitência e um pedido de novas bênçãos.

Honra-se devidamente o Sagrado Coração em uma casa quando nela todos e cada um o reconhecem como o Rei do Amor; esta submissão se assinala pelo ato de consagração da família ao Coração de Jesus. (…) Mas quem se consagra deve cumprir as obrigações que ao ato impõe. Quando o Sagrado Coração reina verdadeiramente numa família – e de fato Ele tem o direito de reinar sempre -, uma atmosfera de fé e piedade envolve as pessoas e as coisas daquela casa. Portanto, afaste-se dos lares consagrados tudo o que entristeceria o Sagrado Coração: lazeres perigosos, infidelidades, intemperanças, livros, revistas e imagens hostis à religião e aos seus ensinamentos. Afastem-se, nas relações sociais, as condescendências hoje tão corriqueiras, que pretendem conciliar a verdade com o erro, a libertinagem com a moral, e a injustiça egoísta e avara com as obrigações da caridade cristã.

Na família consagrada, os pais e os filhos sentem-se sob a vista e familiaridade do próprio Deus; assim sendo, são também dóceis aos Seus mandamentos e aos preceitos da Sua Igreja.

Diante da imagem do Rei dos Céus, que veio ser o seu amigo na terra e eterno hóspede, eles enfrentam sem medo, mas não sem mérito, as fadigas dos deveres cotidianos, os sacrifícios que as dificuldades extraordinárias às vezes impõe, todas as provações que a Providência envia.

A devoção

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi se desenvolvendo ao longo dos séculos. Foi para uma religiosa da ordem fundada por São Francisco de Sales que Nosso Senhor apareceu para difundir a devoção ao seu Adorável Coração: no século XVII, para Santa Margarida Maria Alacoque, freira da Ordem da Visitação. Nosso Senhor explicou a finalidade dessa devoção ao dizer as seguintes palavras para Santa Margarida Maria:

“Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, ao ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões.”

Amor e reparação é o que pede o Sagrado Coração de Jesus. Amor, para pagar na mesma moeda, Aquele que tanto nos amou. Reparação, para desagravá-lo e consolá-lo dos ultrajes feitos ao seu amor infinito. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve ser, então, uma devoção de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e de reparação ao amor de Cristo ultrajado pelos nossos pecados. Não deve ser uma devoção sentimental, mas que nos leve efetivamente à santidade.

Nas aparições, Nosso Senhor fez 12 promessas:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”

3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.

4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.

5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.

6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.

7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.

8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.

9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.”

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos ”.

11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Para evitar que tão bela promessa seja tratada de modo supersticioso, é importante que se comungue em estado de graça e que se confie na misericórdia divina, que é o conteúdo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A graça da perseverança final, embora não possa ser merecida, é ladeada por esses sinais.

Portanto, a prática das nove primeiras sextas-feiras do mês não é uma mágica, mas uma realidade pedagógica, para que os fiéis se habituem a viver em estado de graça, crescendo na devoção eucarística e na confiança na misericórdia de Deus. Só assim, orando humilde e confiantemente ao Sagrado Coração de Jesus, a alma pode alcançar a graça da penitência final.

A entronização no lar

Entre as doze promessas, duas delas dizem respeito diretamente à família. Aos devotos do seu Sagrado Coração, Nosso Senhor diz : « colocarei a paz em suas famílias ». Ele diz também : « Abençoarei as casas em que a imagem do meu Coração for exposta e honrada. » Se essas promessas relativas à família são importantes em todo tempo, elas são ainda mais importantes nesses tempos atuais, em que o demônio e o mundo atacam tão brutalmente a família.

Foi introduzida, a partir dessas duas promessas, a prática da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares, para atrair sobre as famílias as bênçãos divinas e a paz de Jesus Cristo. Todavia, não basta expor a imagem do Sagrado Coração. Não basta o simples gesto da entronização, da consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus. É preciso procurar vivê-la.

Ao entronizar o sagrado Coração no lar, a família afirma reconhecer Nosso Senhor como o soberano do lar, como o Rei da família. A família se engaja a obedecer às leis de Cristo, seus mandamentos. Ao entronizar o Sagrado Coração de Jesus, a família faz a entrega total de si a Nosso Senhor. Ela se consagra verdadeiramente a Ele. E aos que se consagram com reta intenção ao seu Sagrado Coração, Jesus fez a seguinte promessa: “Ninguém que se consagra ao meu Divino Coração morrerá sem a graça.” Assim, a família deve procurar realmente viver a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Cada um da família deve procurar ter uma devoção sólida ao Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, a família deve ter uma devoção familiar ao Sagrado Coração de Jesus. Os membros da família devem fazer algumas das orações em família diante da imagem entronizada do Sagrado Coração, como, por exemplo, rezar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em família. Sem essa devoção familiar, não haverá frutos da entronização ou muito pouco fruto.

Assim, essa família poderá suportar com méritos e alegria as fadigas dos deveres quotidianos, os sacrifícios próprios da vida familiar, todas as provações que a Providência enviar. A família encontrará repouso e consolo no Sagrado Coração. A família poderá enfrentar devidamente as cruzes e tirar delas frutos para a glória no céu.

”Queridos filhos, vivendo já neste mundo unidos a Jesus, recebendo-O com frequência na Sagrada Comunhão, venerando todos os dias a Sua imagem, não abandonareis a terra senão para ir contemplar eternamente a luminosa e beatífica realidade deste Divino Coração.”

Papa Pio XII


Referências

 

A santificação das famílias – Convite à Novena

“A vontade de Deus é a vossa santificação” ( 1Ts 4,3a). Quando ouvimos ou falamos em santidade nos parece algo inalcançável, distante ou que não é para nós. Mas, muito pelo contrário, a santidade é exatamente para nós, alcançável e precisa ser o nosso objetivo.

O lar é o lugar propício para que a santificação aconteça e bem por isso é chamado de ‘Igreja Doméstica’.  Como disse Paulo VI: “Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável (…). ” Ao contrário do que se pensa, a santidade não é apenas para os religiosos, ela deve e precisa ser vivida com verdadeira intensidade em nosso seio familiar. Precisa ser cultivada dentro de nossas casas diariamente em uma comunhão de amor com aqueles que vivem conosco, em busca de uma vida reta e santa e também em uma comunhão íntima com Nosso Senhor.

Vivemos em um tempo onde o sentido de ser família tem sido pervertido, como se não tivesse valor. Nossas famílias precisam voltar a ter Deus em seu seio, precisam ter Deus como o seu centro. Cristo, nascendo e vivendo numa família, redimiu e santificou todas as famílias.

Atualmente, há muitos que atentam contra os valores sagrados da família: indissolubilidade do matrimônio, fidelidade conjugal, defesa da vida. Lutam contra Deus e contra a família os que pregam a defesa do aborto, da eutanásia, do divórcio, dos casamentos homossexuais, das experiências com embriões, da concepção in-vitro [bebê de proveta], da limitação da natalidade por quaisquer meios.

Por ser a família, a própria imagem da Trindade na terra, o Concílio Vaticano II a denominou ‘igreja doméstica’ e o Papa João Paulo II a chamou de ‘santuário da vida’. É no seio de cada família que a vida é gerada, cuidada, amada e engrandecida. É no seio da família que o ser humano é construído. Foi no seio da família de Nazaré que o Menino Jesus foi preparado para a grande missão de Salvador dos homens. Portanto, a família é a grande escola da vida, é o educandário do amor, da fé, da justiça, da paz e da santidade.

“É antes de tudo a Igreja Mãe que gera, educa, edifica a família cristã, operando em seu favor a missão de salvação que recebeu do Senhor. Com o anúncio da Palavra de Deus, a Igreja revela à família cristã a sua verdadeira identidade, o que ela é e deve ser segundo o desígnio do Senhor; com a celebração dos sacramentos, a Igreja enriquece e corrobora a família cristã com a graça de Cristo em ordem à sua santificação para a glória do Pai; com a renovada proclamação do mandamento novo da caridade, a Igreja anima e guia a família cristã ao serviço do amor, a fim de que imite e reviva o mesmo amor de doação e sacrifício, que o Senhor Jesus nutre pela humanidade inteira.” (Familiaris Consortio, 49)

A educação dos filhos começa pelo exemplo dos pais. É importante que nossos filhos nos vejam rezar. A pedagogia mais eficaz para os filhos é assistir a Santa Missa ao lado de seus pais.

“Peço-lhes para irem com seus filhos à Igreja participar da Santa Missa. Verá que não é perder tempo; ao contrário, é o que mantém verdadeiramente unida a família, dando-lhe seu centro”. Papa Bento XVI

Estes ataques à família são, na verdade, imagens reais da grande batalha espiritual que estamos vivendo! Nossas armas, como nos ensinou a Virgem de Fátima, são a oração e a penitência.
O Brasil já teve homens e mulheres cuja vida inteira foi de intensa oração e penitência, dentre eles podemos destacar o grande São José de Anchieta.
São José de Anchieta foi um homem extraordinário, dentre seus atos memoráveis temos:

  • A criação do primeiro dicionário do idioma Tupi,
  • A escrita do maior poema em latim à Virgem Santíssima (fez isso na areia da praia enquanto era mantido prisioneiro),
  • A salvação de muitas almas através do batismo,
  • A coragem sobrenatural de pregar em meio a índios hostis, muitos deles canibais,
  • Ser capaz de eventos místicos como levitar enquanto rezava, dar ordem aos animais, submergir por longos minutos sem se afogar.

Se ele foi capaz de tudo isso em vida, imagina agora vendo a Deus face-a-face!
Hoje começa a novena do nosso padroeiro, São José de Anchieta, santo que, infelizmente, ainda não recebe a devida devoção no país pelo qual entregou sua vida.

Gostaríamos de convidar a todos a unirmo-nos em oração pela santificação das famílias brasileiras e rezar a novena nesta intenção (a novena está no final do post). Aos que moram aqui pertinho (Grande Vitória, ES), venham rezar conosco em nossa paróquia. Tragam seus cônjuges, filhos, pais, amigos, namorados, noivos, vizinhos! Não percam essa ocasião maravilhosa de crescimento espiritual e bênçãos.

O mundo de hoje precisa de famílias santas. Se queremos um mundo melhor, mais justo e correto, se queremos homens e mulheres que tenham e vivam os valores cristãos, precisamos cultivar sem medir esforços uma vida de santidade dentro de nossas casas. O mundo pode nos perseguir, “Porém eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24,15) .

Rotina de organização da casa: o cardápio semanal

No post passado, comecei a falar um pouco sobre como funciona a nossa rotina. Para quem ainda não viu, foi sobre a limpeza da casa. Hoje escreverei sobre mais uma ferramenta para facilitar a vida doméstica: o cardápio semanal.
Decidir o que comer horas ou minutos antes de cozinhar traz prejuízos. Escolhas inadequadas podem render não só estresse e complicação para conseguir cozinhar,  mas até mesmo problemas de saúde. Já disseram uma vez: ”Uma cozinha bem dirigida poupa muitas despesas de farmácia. ”

“A arte culinária não é apenas a habilidade de preparar bons petiscos. Abrange também o conhecimento do valor nutritivo, das qualidades higiênicas dos alimentos. Reclama a variedade no tempero e no preparo do mesmo prato. E conta com a habilidade de saber aproveitar os restos. Junto ao fogão, a mãe há de ter em vista a idade, apetite, as preferências e as repulsas dos seus. Dará preferência ao que nutre e alimenta e não ao que sacia unicamente a gula”. ( Pe. Geraldo Pires de Souza – As três chamas do lar)

Muitas vantagens

O hábito de se ter um cardápio semanal tem muitas vantagens:

  1. Evita o desperdício: assim só se compra o que de fato se vai usar. Muitas vezes quando chegamos ao supermercado ou feira sem saber o que faremos durante a semana, acabamos comprando muitas coisas que depois estragam e precisamos jogar fora;
  2. Facilita a rotina: não precisa ficar pensando no que fazer. Se é algum prato que precisa de algum processo, pode-se até mesmo adiantar algo para facilitar depois na hora de preparar a refeição;
  3. Não te deixa desprevenido: às vezes nós passamos o dia pensando no que fazer pro jantar. Pensamos em mil opções! Mas quando chega na hora de preparar, não sabemos o que fazer. Seja porque faltou algum ingrediente, pela nossa indecisão ou porque não descongelamos a carne . Tudo isso pode ser evitado com o cardápio semanal!
  4. Propicia a inserção de novos pratos: acabamos fazendo sempre as mesmas coisas porque não paramos para procurar receitas ou organizar o tempo para executa-las. Com um cardápio semanal podemos colocar nossa criatividade pra funcionar! E isso é ótimo especialmente para quem tem crianças e precisa estar variando as cocções dos alimentos. Além de que, é uma ótima estratégia para sempre fazer algum prato preferido do marido!
  5. Facilita o rodízio de alimentos: garante que consigamos variar os alimentos por semana e aproveitar as frutas e verduras da estação. Por exemplo, se numa semana compra-se mandioca e batata inglesa, na outra pode-se consumir batata doce e inhame. Se numa semana compra-se alface e rúcula, na outra pode-se comer agrião e couve.
  6. Facilita que as refeições sejam feitas em família: com um cardápio organizado e ingredientes preparados, a hora de cozinhar não se torna um momento de guerra e estresse, mas um momento prazeroso, cheio de dedicação e amor.  Depois, a família reunida ao redor da mesa dará graças a Deus pelo alimento e pelas mãos que o prepararam e o desfrutarão juntos.

Como fazer?

Para fazer o cardápio semanal:

  1. Separe um dia da semana para isso;
  2. Que seja antes de ir às compras;
  3. Para começar, pense nas refeições grandes de cada dia (almoço/jantar e café da manhã/café da tarde);
  4. Depois acrescente os lanches.

Um exemplo de um dia do cardápio semanal:
Segunda feira

Café da manhã – Pão e bolo de cenoura
Lanche – Iogurte e mamão
Almoço/ jantar – Arroz, feijão, bife, batata assada e salada de rúcula com tomatinho cereja
Café da tarde – Panqueca de banana

 

No começo parece trabalhoso, mas depois fica muito fácil! E claro, o planejamento precisa ser flexível, porque a vida em família tem sempre seus imprevistos e particularidades! Além de que o cardápio de cada família é único, pois atende a necessidades específicas como quantidade de refeições que a família faz, vezes que se cozinha, frequência de compra de alimentos, e por aí vai. Lembrando que o cardápio semanal anda de mãos dadas com a compra de itens básicos da casa (aqui nós fazemos compra mensal de itens básicos e compra semanal de carnes, verduras e frutas).
Para quem quiser boas dicas de uma alimentação saudável e equilibrada, acompanhe a página da Mayra Maria no facebook!

Rotina de organização da casa: a limpeza

Muitas mulheres me procuram perguntando como consigo fazer tantas coisas durante os meus dias, principalmente a respeito da casa. A minha grande estratégia se resume em: organização, planejamento e rotina. Aliado a isso tenho dois outros fatores: o primeiro, a graça divina, sem a qual nada posso fazer. Em segundo lugar, o amor pelo serviço e uma natural disposição à ação, fruto do meu temperamento.

Apesar dessa proatividade, meu temperamento também tem tendências ruins como a procrastinação, a indisciplina e uma terrível dificuldade de terminar o que começo ou de executar o que proponho. Dessa forma, como a mulher de provérbios, procuro ‘não comer o pão da ociosidade’ e estar sempre fazendo algo dentro de uma rotina estabelecida (porém flexível) e ser perseverante em cada pequena atividade para realizá-la objetivamente e com tanta perfeição quanto posso.

Rotina de limpeza atual

Já li bastante sobre métodos de organização e fui testando e adaptando o que deles achava interessante. Isso é o que funciona para mim, na nossa casa, com todas as particularidades que temos. Isso pode ser completamente eficaz para alguns e totalmente ineficaz para outros. Então não tomem como regra, apenas como uma sugestão de algo que funciona muito bem para mim na prática e adaptem para as rotinas e casas de vocês, se for do interesse!

Atualmente, divido minha casa em zonas e cada dia da semana (segunda à sexta) faxino uma zona, enquanto no resto da casa faço apenas serviços básicos.  Aqui são 5 zonas, uma para cada dia da semana:

  • Quarto de casal + banheiro suíte  -> segunda feira
  • Quarto crianças + banheiro social -> terça feira
  • Home office + sala de estar + sala de jantar -> quarta feira
  • Cozinha -> quinta feira
  • Varanda + área de serviço -> sexta feira

Para cada zona eu tenho atividades semanais, quinzenais e mensais.  Por exemplo:

Na zona 1, toda segunda feira eu: troco roupa de cama, tiro poeira dos móveis, aspiro, lavo banheiro, lavo o chão, limpo rodapés, lavo o filtro do ar condicionado.

Somado a isso tenho 2 grupos de atividades quinzenais por zona, que são feitas então semana sim, semana não. No caso da zona 1 são: arrumação do guarda roupas e gavetas / arrumação do armário do banheiro e do armário de roupas de cama e sapatos.

E 4 atividades mensais, onde cada uma é realizada em uma semana do mês. No caso da zona 1, em cada segunda feira do mês tenho que realizar uma dessas quatro atividades: lavar a cortina / limpar a janela / trocar a colcha / jogar fora o que é lixo e separar para doação o que não uso.

Dessa forma, os cômodos estão sempre limpos e organizados! Se eu tivesse que fazer tudo isso em um único dia, seria impossível, ainda mais se fossem todas essas coisas de todos os cômodos juntos!

 Atividades básicas de limpeza da casa

Além das atividades de cada zona, tenho atividades que são realizadas diariamente em toda a casa: aspirar, passar pano, tirar poeira, lavar e guardar louças e limpeza básica dos banheiros.

Atividades próprias de cada dia da semana

Além de tudo isso, as outras atividades relacionadas a limpeza, divido por dias da semana. Por exemplo:

Segunda feira: dia de lavar minhas roupas e do Gabriel

Terça: dia de lavar roupas do Bento e passar roupas de todo mundo

Quarta: lavar roupas de cama e banho

Quinta e sexta ficam para a lavagem de extras: cortinas, almofadas, colchas, cobertas, tapetes…

Além disso, há atividades esporádicas que deixo para os sábados, para contar com a ajuda do meu esposo ao menos para ficar com o Bento enquanto eu realizo as atividades, como: limpar a horta, lavar tapete, arrastar móveis pesados, etc.

Dicas práticas

  1. Escrever em um papel as atividades de limpeza que precisam ser realizadas;
  2.  Organizar e dividir essas atividades pelos dias da semana, quinzenais, mensais, trimestrais, semestrais e por aí vai;
  3. Durante o dia, deixar o celular com a internet desligada ou então com as notificações silenciosas e apenas com som para chamadas;
  4. Se esforçar para dormir com a louça ao menos lavada: adianta muito o serviço do outro dia, além de que, acordar com a cozinha limpa dá outro ânimo na gente!;
  5. Antes de dormir, recolher todos os objetos espalhados pela casa e guardá-los no lugar;
  6. Não acumular muita coisa em casa: ter somente o básico facilita para limpar, para manter e nos educa a uma vida simples;
  7. Descobrir qual o melhor horário em que as crianças gostam de brincar sozinhas e aproveitar para fazer alguma atividade de casa;
  8. Inserir as crianças nas atividades: ao mesmo tempo que se torna uma brincadeira, a criança também vai adquirindo amor pelo serviço, por ajudar os pais;
  9. Dar responsabilidades de acordo com cada faixa etária das crianças: assim vão formando senso de responsabilidade pelo ambiente em que vivem e pelo trabalho;
  10. Dividir tarefas com o esposo, como levar o lixo para fora;
  11. Investir em roupas com tecidos que amarrotem pouco, assim só sacudindo e estendendo bem a roupa no varal evita de ter que passá-la;
  12. Lavar a louça enquanto cozinha.

Bom, assim é como funciona a rotina de limpeza aqui em casa. Nós já falamos sobre isso aqui e aqui. Nos próximos posts vamos falar sobre o planejamento financeiro, a rotina de oração, de estudo, o tempo de diversão, tempo com as crianças, tempo do casal, cardápio semanal e muito mais!

 

 

6 motivos para se viver as pequenas virtudes

Quais são os motivos para se viver as pequenas virtudes? Podemos resumi-los em seis.

1 – Pela debilidade do próximo

Sim, todos os seres humanos são falhos, repletos de defeitos, a maioria deles pequenos, mas geralmente muitos. Um é desconfiado, examina tudo quanto lhe é dito e tudo que com ele se faz; outro é exigente e está sempre preocupado com tudo que lhe aborrece, que não lhe atende, que desconfia dele. Outro é sensível, qualquer coisa lhe deixa abatido, melancólico. Outro ainda é como pólvora e está pronto para explodir à qualquer palavra.
Finalmente, todos têm sua parte fraca, cada um está sujeito a muitos defeitos e imperfeições pequenas as quais é necessário suportar e que, principalmente, oferecem contínuas ocasiões de exercitar as pequenas virtudes.

2 – Pela pequenez dos defeitos

É claro que estou me referindo ao caso das pessoas virtuosas, ao menos cumpridoras dos mandamentos de Deus e das leis da Igreja. Nestes casos, a maior parte dos defeitos que nos fazem perder a paciência não são grandes vícios nem defeitos grosseiros mas apenas imperfeições, ímpetos do temperamento, fraquezas que de maneira alguma impedem que as pessoas que as têm sejam almas escolhidas, de virtudes sólidas.

3 – Pela ausência dos verdadeiros defeitos

Muitas vezes o que nos faz sofrer da parte do próximo são coisas em si mesmas indiferentes e das quais estas pessoas não têm nenhuma culpa. Às vezes nos incomoda a cara de alguém, a fisionomia, o tom de voz, a figura do corpo; ou nos impacientamos até com enfermidades ou indisposições corporais ou morais que nos causam repugnância. Pode acontecer também que o que nos irrita é a diversidade de temperamentos e sua oposição ao nosso. Um é naturalmente sério, outro é alegre, um é tímido e outro atrevido, um é muito lento e sabe esperar, enquanto outro é muito ativo e impetuoso e quer obrigar os outros a serem desta forma. A razão pede que vivamos em paz em meio a esta diversidade de naturezas e que nos acomodemos ao gosto dos demais por meio da flexibilidade, da paciência e da condescendência. Se perturbar por esta diversidade de temperamentos seria tão pouco racional como se irritar por alguém não gostar de uma comida que nos agrada!

4 – Todos temos necessidade de que os demais nos suportem em algo

Não há ninguém tão prudente e perfeito que possa viver sem que tenha que ser perdoado pelos outros. Hoje tenho que aguentar alguma pessoa e amanhã esta pessoa ou outra terá que me suportar. Que injustiça seria exigir respeito e atenção e não corresponder senão com dureza e arrogância!

5 – Pelos laços que nos unem a quem devemos suportar

“Entre nós – dizia Abraão a Lot – não podem haver discussões, porque somos irmãos” (Gn 13, 8). Quanto mais isto vale se nos referirmos à família! Esposos estão unidos por um laço sobrenatural, carne da minha carne e osso dos meus ossos! Os membros de uma família são ligados por laços de sangue e, quando batizados, fazem parte também dos mesmo Corpo: são muitos os motivos para amá-las, servi-las e suportá-las com toda paciência.

6 – A excelência das pequenas virtudes

Dizia São Marcelino: “Agora me arrependo de tê-las chamado de pequenas, ainda que tenha tomado a expressão de São Francisco de Sales. Somente podem ser chamadas de pequenas enquanto se referem a objetos materialmente pequenos: uma palavra, um gesto, um olhar, uma cortesia; porque, pelo mais, se se examina o princípio de onde nascem e o fim a que se dirigem, são muito grandes”.
Ao falar destas virtudes e do afeto que causam em uma família, fica ainda mais em evidência que a caridade é a primeira e mais excelente de todas as virtudes e a que faz mais fácil o caminho para o Céu.

Deus queira que nunca busquemos desculpas inoportunas para não vivê-las!

Maternidade: o caminho de salvação da mulher

Ser mãe foi a melhor coisa que me aconteceu, em todos os sentidos. A maternidade me salvou e continua me salvando todos os dias do meu principal inimigo: eu mesma.

A maternidade me tira constantemente do egoísmo

O primeiro doce flagelo que a maternidade me trouxe foi a necessidade de romper com o meu egoísmo.  Em parte, de forma natural. A outra parte, uma luta constante. Acredito que a capacidade de renunciar a si mesma seja uma das grandes graças que Deus concede exatamente no momento em que um novo ser começa a ser formado em nosso ventre. Que mãe não abre mão de suas vontades para o bem do filho? Quem nunca ouviu uma mãe dizer que depois de ter um filho já não come direito, não dorme, não sai, não compra roupas? Que mãe desde a gravidez não sofre pacientemente os incômodos? Isso é uma verdade exterior mas muito mais interior.

Os dias de toda mãe são recheados de oportunidades de santificação, em que renunciamos constantemente às nossas vontades, nossos planos, desejos, pelos nossos filhos. Certa vez me perguntaram se eu não tenho medo de que isso me cause um problema psicológico, já que ser mãe é se anular. Prontamente respondi que não, pois este é o desejo de todos nós: aniquilamento total de si até nos conformarmos noutro Cristo.

Durante um bom tempo tenho meditado sobre isso, porque me parece que atualmente nós sofremos de certa crise de identidade quando nos tornamos mães.  A maternidade é algo tão sublime quanto dolorosa e traz uma revolução interior. Deixar para trás a nossa vida cômoda e repleta de vontades traz suas crises. Ser mãe não é anular quem somos, mas ter nossa personalidade elevada e aperfeiçoada.

Deixamos de lado tantas coisas que são irrisórias e muitas vezes ficamos tão apegadas a elas que acreditamos estar submetidas a um jugo muito pesado. Nosso Senhor já diz: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62). Devemos olhar seguras para a Mãe do Céu e segurando sua mão, caminharmos pelo caminho sereno e árduo da vontade de Deus. Quanto mais dóceis formos à ação do Espírito Santo, mais felizes seremos.

E além disso, a maternidade nos proporciona sim diversas ocasiões de termos hobbies e tirarmos um tempo para fazer coisas que gostamos. Isso não é pecado e nem motivo para sentir-se uma mãe ruim. Principalmente em casal, ter um momento a sós, às vezes sair para jantar e deixar os filhos com a avó, a tia, a amiga, os padrinhos, é importante. Se a mãe precisa de um tempo para ir ao salão, ou fazer um esporte, algo assim, é possível combinar com o esposo. O importante é não fazer disso o centro da vida, mas sim um adendo.

A maternidade me faz melhor

A maternidade me faz melhor como pessoa, como filha, como católica, como esposa, como amiga, familiar, em tudo.

Quando fui mãe, choquei-me contra um espelho. Este espelho se chama Bento. Ele me faz ter consciência dos meus defeitos, revelando o que tenho de pior. Mas ao mesmo tempo me impulsiona a ser melhor! Ao procurar corrigir-me, principalmente porque meu filho é meu reflexo. Educar é ser exemplo!

Lidar com essa parte assustadora de nós mesmos não é fácil. Estar o tempo todo nos deparando com nossas fraquezas e limitações pode nos dar o sentimento de frustração se não estivermos com os olhos elevados ao Alto. Precisamos dizer como São Paulo: ”Quando sou fraco é que sou forte.”

A maternidade me ensina a aproveitar melhor o meu tempo

Hoje, com um filho, faço mais coisas do que quando não era mãe. Tenho muito mais trabalho ao mesmo tempo que o tempo parece ter se multiplicado. Há dias que são terrivelmente difíceis e nesses recorro ao auxílio de Nossa Senhora e do meu Santo Anjo! Mas em geral, a graça de Deus me vai moldando dia a dia e me fazendo perceber como posso me organizar melhor para cumprir meus deveres e onde posso me doar mais. Um grande auxílio foi ter organizado uma rotina, tanto de limpeza da casa, como de estudo e também espiritual (orações, leituras e etc). Ter em mente nossos deveres nos ajuda a ter um objetivo diário e a não perder tempo com coisas inúteis.

Além disso, a maternidade me faz atentar-me ao que realmente importa, sem perder meu tempo, energia, paz e paciência com coisas irrelevantes.

A maternidade me faz viver de verdade

Ser mãe me trouxe de volta ao mundo real: a beleza dos pequenos momentos. Deixei de lado as crises filosóficas, a necessidade de estar o tempo todo conectada ao mundo virtual, de estar fotografando, ou preocupada com questões que não me competem, discutindo bobeiras ou com as coisas que não estão milimetricamente organizadas dentro de casa.

Meu filho me trouxe de volta a capacidade de me encantar com as pequenas coisas e de aprender a viver o hoje, o momento de agora. Quem tem um bebê em casa sabe que a cada dia eles trazem uma novidade e se eu não estiver com ele, vivendo junto, perderei essas conquistas. Que adiantam tantas fotos e vídeos e não ter isso na memória? Se minhas mãos estão tão ocupadas em segurar um celular, dificilmente elas estarão livres para segurar as pequenas mãozinhas que me solicitam o dia inteiro.

Ter um filho traz a tona nossa criança interior: voltamos a cantar, dançar, apreciar a chuva, nos deliciarmos com gargalhadas, sentir a brisa, andar com os pés descalços, sentar no chão, não olhar tanto para o relógio e nem nos preocuparmos com o dia de amanhã. A cada dia basta o seu cuidado e todo dia é dia de viver.

A maternidade me faz mais humana

Quando fui mãe comecei a ter mais compaixão e empatia pelas pessoas. Ao invés de julgá-las, passei a tentar compreendê-las, entender sua história pessoal e então acolhê-las.

Comecei a entender mais os meus pais e agradecê-los por tudo o que fizeram por mim. Hoje eu sei que não foi fácil.

A maternidade me faz mais solícita, sempre pronta a servir, ajudar. Tornei-me mais generosa não somente em atender as necessidades corporais das pessoas, mas também espirituais; na doação de mim mesma para os outros e na minha entrega a Deus.

A maternidade me faz mais unida ao meu esposo

Muitas mulheres, quando os filhos chegam, esquecem completamente do esposo e o deixam de lado. Mas essa não pode ser o caminho tomado. Os filhos vem pelo transbordamento do amor entre o casal. Eles são o fruto.

Os filhos unem o casal. Se antes o amor parecia algo abstrato, agora ele é concreto e cabe no colo. Nada faz crescer tanto o amor e unir duas pessoas como as dificuldades sofridas em comum. O que pode ser mais perfeito para cumprir esse objetivo do que os filhos? Não obstante, que grande alegria ver os traços de nós dois em nosso filho. Saber que estamos ali juntos!

A maternidade me faz forte

Nem tudo é perfeito em nossa vida materna. Há dias bons, mas há dias apocalípticos onde o caos se instaura. Há dias bastante difíceis: tudo fora do lugar, confusão, sem dormir, sem comer, sem parar um segundo. Dias em que nos sentimos impotentes, impacientes, frustradas, pequenas. Nesses dias, preciso constantemente recorrer a Nossa Senhora, porque ela sendo mãe, sabe como me ajudar. Nela encontro consolo, conforto e também a força.

Antes de ser mãe, qualquer coisa me atingia: desde uma simples dor de cabeça até um conselho não solicitado. Depois de ser mãe, descobri uma força sobrenatural que me impulsiona a ir além.  Ao olhar para nossos filhos nada pode nos parar: somos nós que formamos os santos. Nós, as mães. Claro, junto com os pais. Mas somos nós as primeiras nessa missão de educar. Se não nos esforçarmos para educarmos bem os nossos filhos, não é aos nossos chefes que prestaremos conta, mas sim ao Justo Juiz. Deveríamos tremer ante essa responsabilidade.

A maternidade me eleva espiritualmente

Depois que me tornei mãe, cresci como nunca antes. Precisei amadurecer, sair do meu conforto, me doar. Aprendi a fazer da vida uma oração e oferta: cada pequeníssimo ato, feito com amor, oferecido a Deus, é grande e nos santifica; como ensina Santa Teresinha.

Aprendi a aceitar os sofrimentos e aproveitá-los para minha santificação e para a conversão dos pecadores e sufrágio pelas almas do purgatório. Cresci em caridade, em desapego e meus olhos perderam muitas escamas mesquinhas que os cobriam.

Ser mãe me aproximou de Nossa Senhora, Àquela que é Mãe por excelência. É a Ela que recorro nas tempestades!

Ainda tenho muito a crescer, mas ser mãe já me mudou tanto que só tenho a agradecer a Deus tão grande graça. Se não fosse pela maternidade, ainda estaria em uma vida pequena, cômoda, e a santidade cada vez mais distante de mim.

A maternidade é a minha coroa

Infelizmente somos filhos de nossa época e isso traz suas mazelas. Nossa sociedade tão revolucionária e marcada pelo abandono dos valores cristãos e pela exaltação dos vícios nos faz, ainda que inconscientemente, absorver certos pontos de vista que nem sabemos de onde vem, mas que estão dentro de nós e causam confronto. A maior parte vem do feminismo, tão diabolicamente incutido em cada esfera, que nos afasta do plano de Deus. Devemos, com o auxílio da graça divina, do estudo e de um bom diretor espiritual, conhecer essa ideologia tão nefasta e nos esforçarmos para progredir no caminho que Deus tem para nós, mulheres.

Que vida tão bela é esta que Nosso Senhor concedeu às mães, cujo caminho é tão repleto de espinhos! Neste caminho nosso sofrimento tem sentido: a Cruz de Nosso Senhor, vitória sobre o mundo! Vitória sobre as tribulações, sobre as fraquezas, dores, dificuldades, frustrações. Cada filho vem exatamente do tamanho da Cruz que precisamos naquele momento. É também por isso que não podemos rejeitá-los. Devemos acolher todos os filhos que Deus nos mandar, porque além de serem presentes que nos são concedidos pela bondade divina, também são nosso caminho de santificação.

Mulheres, tenham filhos! Sem medo. Com muita entrega, muito amor! Nada se compara a ter essas mãos pequeninas nos pedindo apoio, esse sorriso desinteressado, a busca incessante por um colo quentinho. Nada nos faz tão jovens, belas e vivas como pequenas crianças na barra de nossas saias nos fazendo desbravar o mundo! Nada dá tanta alegria quanto ter seu nome mudado para sempre: mamãe. Nada se compara à maternidade: nenhuma carreira, nenhum hobbie, nenhuma viagem, nenhum corpo perfeito, nada. Nada é tão valioso, nos faz sentir tão plenas, dignas e grandes quanto sermos tabernáculos de almas eternas. Nada é tão grandioso quanto gerar um ser em nosso corpo, educá-lo e um dia, com a graça de Deus, estar com ele no Céu por toda a eternidade.

Um feliz dia das mães para todas que já são ou sonham em ser! Que a Santíssima Virgem nos dê a graça de compreender quão sublime é a missão a qual fomos chamadas.

 

O mês de maio em família

O que é o mês de Maio?

“Eis que finalmente voltou o mês da linda Mãezinha!” Assim escreveu uma vez São Padre Pio no começo do mês de Maio.  Dedicar um mês a Maria é antes de tudo algo que faz parte da tradição do povo, que nas igrejas e capelas do mundo inteiro lhe dedicam ofícios, ladainhas, terços e as belas coroações. Essa é a maneira carinhosa de reconhecermos aquela que trouxe ao mundo o Filho de Deus, pois não há “Jesus sem Maria e Maria sem Jesus”.
Dedicar o mês de maio – também chamado de “mês das flores” no hemisfério norte – a Maria, é uma devoção arraigada há séculos. Com sua poesia “Ben vennas Mayo”, das Cantigas de Santa Maria, Afonso X, o Sábio, nos revela que esta tradição já existia na Idade Média.

A Igreja sempre incentivou tal devoção, por exemplo concedendo indulgências plenárias especiais e com referências em alguns documentos do Magistério, como a encíclica “Mense Maio”, de Paulo Vi, em 1965.

“Mês de maio – assim dizia o Papa Paulo VI – nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores para o altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas, davam alegre expressão à nossa devoção à Maria Santíssima, que então nos aparecia como Rainha da Primavera, primavera da natureza e primavera das almas”.

Mas, por que existe este mês, se outros contêm festas litúrgicas mais destacadas dedicadas a Maria? O beato cardeal John Henry Newman oferece várias razões em seu livro póstumo “Meditações e devoções”:

  • “A primeira razão é porque é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das chuvas da primavera”, escreve de um país do hemisfério norte.
  • “Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde – acrescenta. Porque semelhante alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus.”
  • “Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança – continua. Ainda que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão.”
  • “Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?”, pergunta em sua obra, publicada em 1893.

Depois da dedicação do mês de Maio à Maria, já no século XIX, vemos que durante o mês inteiro, tinha-se por costume prestar culto (coroações e ofícios) as imagens de Nossa Senhora. Crianças vestidas de anjos, que homenageavam Maria, Virgem e Rainha, colocando-lhe véu, palma e rosário, à frente dos fiéis reunidos, enquanto cantavam cânticos e hinos a ela dedicados, no final, era coroada a imagem e crianças jogavam sobre ela pétalas de flores.  Além disso, em muitos países, durante o mês de maio, comemora-se o Dia das Mães, e a lembrança se dirige também à nossa Mãe do céu.

Sobretudo pelos frutos espirituais que produz, o mês de maio canta as mais altas glórias de Maria, medianeira de todas as graças. São graças de todos os tipos que Ela doa amorosamente a quem celebra esse mês. Graças de progresso espiritual, de renovação de vida, de conversão; graças temporais para a saúde, para o trabalho, para os estudos, para o crescimento, para a família. Quantas graças nesse mês abençoado!

Para quem desejar conhecer um pouco mais da história do Mês de Maria e entender como um costume pagão foi aos poucos sendo cristianizado,  deixo esse link: http://almasdevotas.blogspot.com.br/2014/04/um-pouco-da-historia-do-mes-de-maria.html

Pequenas estórias

  1. Um jovem hebreu, Hermano Cohen, encontrando-se em Paris para estudar música, tinha se dado ao jogo e á dissipação. Necessitando de dinheiro para satisfazer as suas brutas paixões, achou um emprego de tocador de órgão na Igreja de Santa Valéria, por todo o mês de maio. Nas primeiras vezes, ele tocava com total indiferença, como simples trabalhador. Mas, sem querer, estando ali, tinha de escutar os sermões que se faziam sobre Nossa Senhora. Dia a dia escutando, o seu espírito começou a perturbar-se e o seu coração a comover-se. No fim do mês de maio, pensou seriamente em se preparar para o batismo e se tornar Católico. E não muito tempo depois se fez batizar naquela mesma Igreja. Junto recebeu o dom da vocação religiosa; transformou-se em um religioso carmelitano e morreu em conceito de santidade. Quantas graças não recebeu ele por aquele mês de maio feito por acaso!
  2. Fazer o mês de maio pode valer a salvação eterna de nossa alma. Eis um exemplo muito instrutivo: Em Ars, um dia, chegou uma senhora abatida pela dor que a levava ao desespero. Poucos dias antes tinha perdido o marido tragicamente. Suicidara-se, jogando-se de cima de uma ponte, num rio. A mulher era atormentada pelo pensamento da danação do marido. Entretanto, na igreja de Ars, a pobre mulher logo se ajoelhou para rezar e chorar. Era a 1ª vez que ia a Ars. O santo Cura d’Ars, passando-lhe ao lado, sussurrou-lhe aos ouvidos: “Ele está salvo!”. “O que?” – exclamou a mulher. “Ele está salvo!” – repetiu o santo – “Está no purgatório e precisa rezar muito por ele. Entre o parapeito da ponte e o rio teve tempo de se arrepender. Foi Nossa Senhora quem lhe obteve a graça. Lembre-se do mês de maio que fazia no quarto. Às vezes seu marido, embora não religioso, se unia à sua oração e às vezes até punha uma flor junto à imagem de Maria. Isto lhe obteve o arrependimento e o extremo perdão!”.

Gestos simples

Para este mês tão belo, podemos:

  • colocar uma imagem de Nossa Senhora em um lugar de destaque na casa,
  • oferecer-lhe flores em casa ou na Igreja,
  • cantar cânticos a Nossa Senhora,
  • acender uma vela,
  • rezar o Santo Terço ou alguma oração a Nossa Senhora em família diante da imagem,
  • consagrar-se a Nossa Senhora,
  • estudar sobre os dogmas marianos,
  • aprender sobre as virtudes de Nossa Senhora,
  • ler um livro mariano,
  • iniciar a devoção dos 5 primeiros sábados,
  • rezar o Ofício da Imaculada Conceição aos sábados,
  • fazer alguma penitência pela conversão dos pecadores, como pediu Nossa Senhora, aproveitando que esse ano celebramos o centenário de suas aparições em Fátima.

Indicações de leitura


Referências

 

As pequenas virtudes do lar

O matrimônio e a família não carecem de dificuldades. Reconhecia com honestidade Paulo VI: “Não é nossa intenção ocultar as dificuldades, as vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos; para eles, como para todos, estreita é a porta que leva à Vida. A esperança desta vida deve iluminar seu caminho enquanto se esforçam animosamente para viver com prudência, justiça e piedade no tempo presente, conscientes de que a forma deste mundo é passageira” – Humanae Vitae, 25.

Os conflitos mais duros se dão no plano dos afetos e das vontades. Talvez sejam receios, desconfianças, discussões, rancores, faltas de perdão. Talvez se trate de faltas morais graves como infidelidade, mentiras, violências, fortes discussões, etc. Contudo, com frequência, os atritos são de ordem menor, ainda que possam terminar ocasionando sérios danos, rachaduras familiares, incluindo dolorosas separações. Não deveríamos estranhar que pequenos atritos façam tão mal ao casamento visto que pequenas rachaduras, quando não cuidadas a tempo, terminam por causar grandes desabamentos. Mesmo que não cheguem a tanto, são suficientes para tornar a vida familiar amarga e, certamente, são um obstáculo sério para a felicidade.

Onde há dois, há material suficiente para uma discussão

Não busquemos desculpas sem sentido para justificar discussões. “É que pensamos diferente” – dizem. E onde é que vamos encontrar duas pessoas que pensem exatamente igual em tudo? Se a harmonia dependesse disto não haveria esperança de concórdia nesta vida. Não há duas pessoas exatamente iguais nesta vida, é justamente por isso que as pessoas se casam! Não há duas coisas mais diversas do que uma chave e uma fechadura, e trabalham perfeitamente juntas!
Podemos concluir daqui que os principais problemas familiares e matrimoniais não são psicológicos e de temperamentos (ainda que causem distúrbios) mas sim, espirituais. Dito de outro modo, são problemas de virtudes. De um dos dois ou dos dois.

E isto tem solução? Claro que sim! uma solução fácil de formular e difícil de cumprir. Mas que vale a pena sendo seu resultado a felicidade.

A solução consiste na prática das pequenas virtudes. Tomo a expressão “pequenas virtudes” de São Marcelino Champagnat, que por sua vez se inspirou em São Francisco de Sales.

São Marcelino explicou este tema em certa oportunidade em que um irmão foi ter com ele incomodado por algo que achada inexplicável. Poucos dias antes havia sido destinado a uma comunidade de religiosos que era, segundo seu próprio parecer, virtuosos, cumpridores de todas as regras e desejosos de santidade, mas para sua surpresa a união que reinava entre eles estava longe de ser perfeita. Via, de um lado, religiosos virtuosos e do outro numerosas misérias domésticas, sem poder precisar qual era a raiz do problema nem tampouco sua solução.

Se isto vale para os religiosos também se ajusta aos leigos, especialmente aos casados. Há muitos que pensam que bastam as coisas principais para que reine a paz, mas não é assim. As pequenas virtudes são essenciais e necessárias e, se faltam, nunca se conseguirá a felicidade diária!

Para resolver estes problemas, nosso santo amigo nos trás uma lista destas pequenas virtudes e suas descrições:

1 – O perdão

Desculpe as falhas do próximo, as diminua, as perdoe facilmente e não espere que faça o mesmo para si. A vida familiar não é uma competição, não fique anotando as vezes que perdoou para perdoar na mesma medida. Lembre-se, amamos o próximo porque Deus nos ama!

2 – A caridosa dissimulação

Haja como se não soubesse dos defeitos, insensatez, falhas e palavras pouco atentas do próximo e suporte sem dizer nada ou queixar-se. A correção fraterna não engloba todos os defeitos senão apenas os mais graves. Além disso, depois de ter corrigido seu próximo, é necessário sofrer e suportar pois há defeitos que só são curados desta forma. Há almas virtuosas que, por mais que se esforcem, não conseguem corrigir certos defeitos, Deus as usa como exercício de virtude para aqueles que devem suportá-los.

3 – A compaixão

Compartilhe do sofrimento dos que padecem para suavizá-los: isso nos impulsiona a tomar parte nos trabalhos de todos e a intervir os fazendo  nós mesmos.

4 – A santa alegria

Compartilhe também do gozo dos que estão felizes! Mas com intenção de aumentá-los.

5 – A flexibilidade de ânimo

A não ser por motivos muito sérios, jamais imponha a alguém suas opiniões senão que admita o bom e racional que há nas ideias dos demais e aplauda sem inveja os bons entendimentos do próximo para conservar a união e caridade fraternas. É a renúncia voluntária de seus intentos pessoais e a antítese da obstinação e intransigência das próprias ideias. Se ainda assim insistir no pensamento “Eu tenho razão e não posso sofrer com os disparates e erros dos demais” lembre-se da resposta de São Roberto Belarmino, doutor da Igreja: “Mais valem duzentos gramas de caridade do que cem quilos de razão”.

6 – A caridosa solicitude

Ajude o próximo antes que ele peça,  para facilitar-lhe a vida e evitar a humilhação de pedir ajuda. É belíssima esta bondade de coração de quem nada sabe negar, que está sempre pronto para servir e presentear a todos.

7 – A afabilidade

Responda aos importunos (chatos rs) sem mostrar a mais leve impaciência! Sempre esteja pronto para ajudar os que pedem seu auxílio, instruir os ignorantes sem se cansar e com toda paciência! Numa oportunidade, São Vicente de Paulo interrompeu uma conversa que levava com pessoas “importantes” para repetir cinco vezes a mesma coisa a alguém que lhe interrompera e não o entendia bem, instruindo, na última vez, com a mesma tranquilidade com que o havia feito na primeira.

8 – A civilidade e a cortesia

Se antecipe a todos nas demonstrações de respeito, atenção e cortesia e ceda sempre o primeiro lugar para os demais. As demonstrações de estima manifestadas com sinceridade fomentam o amor mútuo, assim como o óleo serve de alimento ao fogo de uma lamparina e sustenta a chama que produz a luz, sem isto não há união possível nem caridade fraterna.

9 – A tolerância

Se incline para agradar aos inferiores, escute suas observações e mostre que as aprecia mesmo que nem sempre sejam perfeitamente fundadas. A tolerância, diz São Francisco de Sales, “é não buscar o próprio interesse, apenas o do próximo e a glória de Deus”.

10 – O interesse pelo bem comum

Prefira o proveito da comunidade e ainda o dos demais ao seu próprio, se sacrifique pelo bem dos irmãos e pela prosperidade do lar!

11 – A paciência

Sofra, tolere, suporta sempre! Nunca se canse de fazer o bem mesmo que aos ingratos, chegando a dar graças aos que te fazem sofrer. Santa Teresa de Calcutá repetia constantemente a Deus: “Vos amo não pelo que me dais, mas pelo que me retirais”. Este é o verdadeiro caminho para ter paz e conservar a união com todos.

12 – A igualdade de ânimo de de caráter

Seja sempre o mesmo, não se deixe levar por alegrias loucas, cóleras, melancolias, maus humores. Permaneça sempre bondoso, alegre, afável e contente!
Estas são as chamadas pequenas virtudes. Como se percebe,  são virtudes sociais, logo, são muito úteis a qualquer um que viva em sociedade. Sem elas as comunidades e famílias estão em desordem e agitação contínua e, por consequência, assim também está o país e o mundo. Sem elas não é possível alcançar a paz familiar que é nosso maior consolo neste vale de lágrimas.

Pratiquemos estas pequenas virtudes para tornar nosso lar e nossa vida amáveis!


Referências

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