Quais são os motivos para se viver as pequenas virtudes? Podemos resumi-los em seis.

1 – Pela debilidade do próximo

Sim, todos os seres humanos são falhos, repletos de defeitos, a maioria deles pequenos, mas geralmente muitos. Um é desconfiado, examina tudo quanto lhe é dito e tudo que com ele se faz; outro é exigente e está sempre preocupado com tudo que lhe aborrece, que não lhe atende, que desconfia dele. Outro é sensível, qualquer coisa lhe deixa abatido, melancólico. Outro ainda é como pólvora e está pronto para explodir à qualquer palavra.
Finalmente, todos têm sua parte fraca, cada um está sujeito a muitos defeitos e imperfeições pequenas as quais é necessário suportar e que, principalmente, oferecem contínuas ocasiões de exercitar as pequenas virtudes.

2 – Pela pequenez dos defeitos

É claro que estou me referindo ao caso das pessoas virtuosas, ao menos cumpridoras dos mandamentos de Deus e das leis da Igreja. Nestes casos, a maior parte dos defeitos que nos fazem perder a paciência não são grandes vícios nem defeitos grosseiros mas apenas imperfeições, ímpetos do temperamento, fraquezas que de maneira alguma impedem que as pessoas que as têm sejam almas escolhidas, de virtudes sólidas.

3 – Pela ausência dos verdadeiros defeitos

Muitas vezes o que nos faz sofrer da parte do próximo são coisas em si mesmas indiferentes e das quais estas pessoas não têm nenhuma culpa. Às vezes nos incomoda a cara de alguém, a fisionomia, o tom de voz, a figura do corpo; ou nos impacientamos até com enfermidades ou indisposições corporais ou morais que nos causam repugnância. Pode acontecer também que o que nos irrita é a diversidade de temperamentos e sua oposição ao nosso. Um é naturalmente sério, outro é alegre, um é tímido e outro atrevido, um é muito lento e sabe esperar, enquanto outro é muito ativo e impetuoso e quer obrigar os outros a serem desta forma. A razão pede que vivamos em paz em meio a esta diversidade de naturezas e que nos acomodemos ao gosto dos demais por meio da flexibilidade, da paciência e da condescendência. Se perturbar por esta diversidade de temperamentos seria tão pouco racional como se irritar por alguém não gostar de uma comida que nos agrada!

4 – Todos temos necessidade de que os demais nos suportem em algo

Não há ninguém tão prudente e perfeito que possa viver sem que tenha que ser perdoado pelos outros. Hoje tenho que aguentar alguma pessoa e amanhã esta pessoa ou outra terá que me suportar. Que injustiça seria exigir respeito e atenção e não corresponder senão com dureza e arrogância!

5 – Pelos laços que nos unem a quem devemos suportar

“Entre nós – dizia Abraão a Lot – não podem haver discussões, porque somos irmãos” (Gn 13, 8). Quanto mais isto vale se nos referirmos à família! Esposos estão unidos por um laço sobrenatural, carne da minha carne e osso dos meus ossos! Os membros de uma família são ligados por laços de sangue e, quando batizados, fazem parte também dos mesmo Corpo: são muitos os motivos para amá-las, servi-las e suportá-las com toda paciência.

6 – A excelência das pequenas virtudes

Dizia São Marcelino: “Agora me arrependo de tê-las chamado de pequenas, ainda que tenha tomado a expressão de São Francisco de Sales. Somente podem ser chamadas de pequenas enquanto se referem a objetos materialmente pequenos: uma palavra, um gesto, um olhar, uma cortesia; porque, pelo mais, se se examina o princípio de onde nascem e o fim a que se dirigem, são muito grandes”.
Ao falar destas virtudes e do afeto que causam em uma família, fica ainda mais em evidência que a caridade é a primeira e mais excelente de todas as virtudes e a que faz mais fácil o caminho para o Céu.

Deus queira que nunca busquemos desculpas inoportunas para não vivê-las!