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Salve Maria! Neste texto veja a paternidade pelos olhos dos próprios pais, homens de verdade que buscam, através dela, alcançar a santidade pela negação de si mesmos e pelo sacrifício que é ser pai.

Reze o Rosário e dará tudo certo


Minha história na paternidade inicia-se em 23 abril de 2017, dois dias após o aniversário de 63 anos de meu pai.
Estávamos reunidos em família, na varanda da casa de meus pais, em Maceió-AL, minha cidade natal, aproveitando esse raro e abençoado momento, uma vez que resido com minha esposa Raphaela em Vitória-ES.
Meus pais, Ana Catarina e Marcos, minha irmã, Ana Cecília, meu sobrinho, Carlos Eduardo, minha esposa e eu líamos algumas das cartas que meus avós paternos, Cely e Manoel, que já se encontram no céu, haviam trocado quando eram noivos, na década de 40.
Em uma das passagens, meu avô, preocupado com dificuldades que enfrentavam para conseguirem concretizar o Matrimônio, aconselha a minha avó: “Cely, reze o Rosário e dará tudo certo!”.
Poucas semanas antes desse encontro em família, após participarmos como voluntários no curso preparatório de casais para o Matrimônio, minha esposa e eu havíamos sido convidados por outro casal voluntário, Rosana e Leonardo, a participar do movimento católico Equipes de Nossa Senhora, cujo carisma é a espiritualidade conjugal. Um mês após, em junho, descobrimos que Deus nos havia dado a graça de aguardar a chegada de nosso primeiro filho, cuja concepção ocorrera em maio, mês de Nossa Senhora.
Naquele momento em família, meu avô, por intermédio do Rosário de Nossa Senhora, falava diretamente comigo e me mostrava o caminho da construção familiar e da paternidade, tal como ele, a seu modo, havia trilhado e mostrado a seus três filhos homens (meu pai e meus tios Mucio e Mauro).
Toda a família reunida naquele momento, com lágrimas nos olhos, relembrando o amor cristão de meus avós, era a prova maior de que, pela intercessão de Nossa Senhora, tudo tinha dado certo!
Quando penso em meu avô e em meu pai, lembro da bela História de São José. Sobretudo, da viagem que Ele e Nossa Senhora, já grávida de Nosso Senhor Jesus Cristo, fizeram para encontrar com Santa Isabel, que aguardava o nascimento de seu filho, São João Batista.
Nessa passagem tão simbólica para os tempos atuais, a Sagrada Família teria que viajar por um caminho muito perigoso até chegar à casa de Santa Isabel. Nossa Senhora, assim como todas as mães, mesmo grávida, não hesitou em cumprir com seu dever de caridade materna, por se tratar da gravidez de risco de sua prima, já em idade avançada.
Assim, fizeram todos os preparativos da viagem e percorreram o longo caminho, utilizando um burrinho como meio de transporte. São José analisava com prudência o que fazer para seguir viagem com segurança e rezava aos anjos, pedindo proteção. Nossa Senhora pedia a São José que se sentasse no burrinho no lugar d’Ela para que pudesse descansar. Todavia, o Santo não aceitava, pois sua principal preocupação não era a sua própria comodidade, mas a de sua esposa e de Jesus Cristo, Filho de Deus.
São José e sua atenção com a segurança e o conforto de sua família nos mostra o real sentido da paternidade. A prudência, o respeito, a caridade, a retidão, a transmissão de segurança pela simples presença, as palavras comedidas nos momentos certos e a eloquência de um olhar profundo e terno representam a confiança de que, em Deus, tudo dará certo. Este é o dom divino de ser pai.
De fato, minha história como pai terá início oficial em fevereiro de 2018, quando receberemos em nossos braços nosso primeiro filho. Como São Josénos mostra, a caminhada é longa e, muitas vezes, perigosa. Porém, é por esse caminho que nós homens, enquanto pais, devemos trilhar em busca da santidade.

Marcos Lopes

Nossa, então isso é amar.

A paternidade foi o momento em que eu realmente entendi que nunca havia amado. Eu pensava que amava. Pensava que sabia o que era amar. Achamos que amamos nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, mas só percebemos realmente o que é o amor quando vemos nossos filhos e os temos nos braços. Naquele momento, quando a criança nasce e você a segura no colo, sua ficha cai e você percebe quanto você ainda é capaz de amar. Quanto seus pais te amaram e quanto eles abriram mão deles por você e quanto sofreram ainda que você pensasse que era você quem sofria.
Toda a vida dos pais é vivida em função dos filhos. Esse é o momento em que você percebe e fala: Nossa, então isso é amar. Se nós que somos pais amamos tanto nossos filhos, mesmo sem saber como eles serão, quem serão e onde vão chegar, não consigo imaginar o tamanho do amor de Deus, que nos sonhou e nos preparou desde o princípio e nos fez do jeitinho que Ele queria. E é incrível como o amor só aumenta. A cada filho a chama cresce e aquilo que era um amor sem medida parece aumentar ainda mais a medida. Creio que por isso que Deus quis nos criar, tantos, e ser chamado por nós de Pai nosso. Por isso que nos deu a condição de filhos, em Jesus, o seu Amor. Seu amor é tão grande que lhe é impossível medir e guardar. A única coisa que para Deus não é possível: deixar de amar. Graças sejam dadas a Deus que nos deu o maior exemplo do que é ser PAI, que nos amou, nos planejou e nos criou, participantes com Ele em sua glória pela eternidade.
Ser pai nada mais é do que entender o sentido da palavra AMOR e colocar em prática.
Escrito com carinho e amor pelo Pai da Maria Clara Cetto Magnago, Rafael Cetto Magnago e Mariana Cetto Magnago, e filho de um grande pai, Djalma José Magnago. Sem ser injusto, com as grandes mães, embora seja pelo dia dos pais, sem elas não seria a mesma coisa, Marcela Martins Cetto Magnago (esposa) e Maria Elena Nunes Magnago (mãe), que nos fazem pais de verdade.

Breno Magnago

É impossível ser pai de verdade e não buscar a santidade

Após o nascimento do meu filho aprendi que ser pai exige um grande esforço diário, um certo abandono de si mesmo, uma negação das próprias vontades, pois diante de mim estava uma criança que precisava da minha ajuda constantemente e por mais que fossem dolorosas as noites de sono mal dormidas e entre os demais sacrifícios, nada tinha mais valor que ver a felicidade de meu filho, é como “padecer no paraíso”, é um sentimento que não tem explicação.
É impossível ser pai de verdade e não buscar a santidade. Os sacrifícios que se fazem na paternidade são semelhantes à santidade. É necessário que o homem se mortifique e se assemelhe “à imagem daquele que o criou” (col 3,10) para alcançar a perfeição da paternidade, pois Deus é o Pai Todo-Poderoso que criou tudo para o bem de seus filhos. O mundo necessita de pais santos que gerem filhos santos, esse é o nosso dever essa é a nossa missão.

Leonardo Gomes

Ser pai no projeto Divino

Deus criou a paternidade para que, com ela, O glorifiquemos e santifiquemos as nossas almas e as dos nossos filhos. Com certa liberdade, preciso dizer que tenho experimentado que uma parte do amor de Deus se torna mais ou menos claro quando os filhos chegam em nossas vidas.
Certos mistérios de amor só podemos compreender com alguma clareza como pais. É um processo muito interessante de comparação que a nossa inteligência faz: na verdade é uma meditação que o Santo Espírito de Amor, numa alma em estado de Graça, insinua em seu interior. Por exemplo, contemplandodentro de mim a enorme alegria do nascimento de um filho não posso deixar de meditar quão imenso e insondável deve ser a felicidade de Deus ao criar uma alma.
Tão forte é a paternidade, que Deus amoroso, mesmo quando cometemos a desgraça de, em pecado mortal, conceber uma vida, num ato de traição inominável, nunca nos negará a alma à matéria apta desde a concepção.
Geramos; Deus cria: profunda diferença. Se o simples processo de geração já nos invade de alegria e de amor, o que não acontece em Deus no ato mesmo da criação, muito mais surpreendente e inovador.
Assim também com o amor que sentimos pelos nossos filhos; se, com uma natureza corrompida pelo pecado original, somos capazes de amor, e com o auxílio Divino, até de amor heroico, como não amará o próprio Deus, que É AMOR, como nos revelou o Seu discípulo amado.
Sim, é verdade, nem tudo são flores. Ser pai é passar também por momentos tortuosos e sofríveis. Não só por causa das angústias que nos invade quando chagam as doenças, ou quando, na liberdade adulta, escolhem o erro, o mal, ou mesmo quando sofrem uma simples queda, mas igualmente quando eles desafiam o nosso amor-próprio, dispersando a nossa atenção de alguma atividade laboral necessária ou mesmo de algum divertimento permitido. É verdade, de fato existem momentos assim. Quanta ira pode brotar no nosso coração de pedra quando nosso(s) filho(s) nos puxa(m) da cadeira onde estávamos para ler algum livro tão esperado, ou ver algum vídeo que poderia trazer algum prazer sensível aos nosso ouvidos e olhos, entre tantas circunstâncias da vida concreta que tínhamos quando solteiros e sem eles. Mesmo o casal, quando quer fazer um atividade em conjunto, legítima, saudável e desejada aos olhos de Deus, já não pode porque os filhos estão ainda muito bebês e dificultam pela atenção que requerem.
Não adianta. Querem atenção, nos convidam para uma brincadeira. Nosso Senhor disse que o Reino dos Céus é dos violentos: quanta violência ao nossoterrível amor-próprio temos que fazer para tudo suportar, sempre com o auxílio de Nosso Senhor Jesus.
Uma meditação muito frequente também nos ocorre com relação à Sagrada Família. Como São José, já cansado de um trabalho manual pesado como a carpintaria, preferia atender às necessidades do Divino Amor, do Menino Jesus, que certamente o convidava para as santas atividades infantis. E as dores de Cristo, que também foram as de São José – é muito frequente esta experiência nos pais: ficam os filhos doentes e parece que a doença está em nós – sofremos tudo o que sofrem, quase como sofrem. Uma simples injeção já quase dilacera um coração paterno, mesmo que exteriormente mantenhamos a aparência de controle e solidez.
É verdade que São José, sabemos pela Sagrada Escritura, faleceu antes da Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas uma piedosa tradição nos ensina que, no leito de morte, assistido por Nossa Senhora e por Nosso Senhor (não podemos sequer imaginar este momento glorioso!), o nosso Redentor, confiado a Ele, teria feito passar diante dos seus olhos todos os detalhes do ocorrido na Sagrada Paixão. Maria Santíssima viu e participou em presença; São José teria visto e participado por antecipação.
O que não teria sentido o silencioso São José? Incrível a sua fortaleza, seu equilíbrio santo, sem reclamação, sem resmungos e murmúrios. A angústia de saber que vinham os soldados matar o Filho; a fuga ao Egito e quantas angústias, já que era o homem protetor? Quantas dores, quanta paciência, um homem e um pai moldado pelo Santo Espírito de Amor.
Como dói, convenhamos, quando um filho nos trai. Quando mente. Quando mata arbitrariamente. Dói o nosso coração; e isto é surpreendente, porque nosso coração está manchado pelo pecado (muitas vezes por pecados atuais). Com que direito nos doemos com o pecado alheio, mesmo aqueles realizados por nossos filhos contra nós mesmos? Se somos da mesma carne e na mesma genealogia pecaminosa? Com que direito? Nós, vermes pecadores, que muito pouco fazemos por amor a nossos filhos? Pois se sentimos tanta dor com o pecado (nós também pecadores) dos nossos filhos, de vê-los indo pelo caminho do mal, do vício e do erro, quão imensa dor e desolamento indizível não sente o Sagrado Coração de Jesus por nossos pecados, ele TUDO fez e nada poupou de Si mesmo por nós? Como achamos que fica Deus quando o traímos, se nós, traidores natos, sofremos com as traições dos filhos?
Os filhos nos ajudam a meditar nos mistérios do Divino Amor. Os filhos são alavancas que nos içam a Deus. No projeto Divino, a paternidade foi a forma mais amorosa, como sempre, que a Santíssima Trindade concebeu em Sua Eterna Sabedoria, para nos fazer acordar para o verdadeiro Amor, da vida na Caridade, o sentido da vida, abrir os nossos olhos para a beleza da Cruz, Santo Lenho onde o melhor, maior e mais amoroso Filho, nosso irmão, Luz da Luz, consubstancial ao Pai, morreu paciente e obediente por todos.
Como Cristo, que nossa paternidade seja um martírio constante pela santificação das almas de nossos filhos, que são de Deus.

Leonardo Serafini Penitente