“A vontade de Deus é a vossa santificação” ( 1Ts 4,3a). Quando ouvimos ou falamos em santidade nos parece algo inalcançável, distante ou que não é para nós. Mas, muito pelo contrário, a santidade é exatamente para nós, alcançável e precisa ser o nosso objetivo.

O lar é o lugar propício para que a santificação aconteça e bem por isso é chamado de ‘Igreja Doméstica’.  Como disse Paulo VI: “Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável (…). ” Ao contrário do que se pensa, a santidade não é apenas para os religiosos, ela deve e precisa ser vivida com verdadeira intensidade em nosso seio familiar. Precisa ser cultivada dentro de nossas casas diariamente em uma comunhão de amor com aqueles que vivem conosco, em busca de uma vida reta e santa e também em uma comunhão íntima com Nosso Senhor.

Vivemos em um tempo onde o sentido de ser família tem sido pervertido, como se não tivesse valor. Nossas famílias precisam voltar a ter Deus em seu seio, precisam ter Deus como o seu centro. Cristo, nascendo e vivendo numa família, redimiu e santificou todas as famílias.

Atualmente, há muitos que atentam contra os valores sagrados da família: indissolubilidade do matrimônio, fidelidade conjugal, defesa da vida. Lutam contra Deus e contra a família os que pregam a defesa do aborto, da eutanásia, do divórcio, dos casamentos homossexuais, das experiências com embriões, da concepção in-vitro [bebê de proveta], da limitação da natalidade por quaisquer meios.

Por ser a família, a própria imagem da Trindade na terra, o Concílio Vaticano II a denominou ‘igreja doméstica’ e o Papa João Paulo II a chamou de ‘santuário da vida’. É no seio de cada família que a vida é gerada, cuidada, amada e engrandecida. É no seio da família que o ser humano é construído. Foi no seio da família de Nazaré que o Menino Jesus foi preparado para a grande missão de Salvador dos homens. Portanto, a família é a grande escola da vida, é o educandário do amor, da fé, da justiça, da paz e da santidade.

“É antes de tudo a Igreja Mãe que gera, educa, edifica a família cristã, operando em seu favor a missão de salvação que recebeu do Senhor. Com o anúncio da Palavra de Deus, a Igreja revela à família cristã a sua verdadeira identidade, o que ela é e deve ser segundo o desígnio do Senhor; com a celebração dos sacramentos, a Igreja enriquece e corrobora a família cristã com a graça de Cristo em ordem à sua santificação para a glória do Pai; com a renovada proclamação do mandamento novo da caridade, a Igreja anima e guia a família cristã ao serviço do amor, a fim de que imite e reviva o mesmo amor de doação e sacrifício, que o Senhor Jesus nutre pela humanidade inteira.” (Familiaris Consortio, 49)

A educação dos filhos começa pelo exemplo dos pais. É importante que nossos filhos nos vejam rezar. A pedagogia mais eficaz para os filhos é assistir a Santa Missa ao lado de seus pais.

“Peço-lhes para irem com seus filhos à Igreja participar da Santa Missa. Verá que não é perder tempo; ao contrário, é o que mantém verdadeiramente unida a família, dando-lhe seu centro”. Papa Bento XVI

Estes ataques à família são, na verdade, imagens reais da grande batalha espiritual que estamos vivendo! Nossas armas, como nos ensinou a Virgem de Fátima, são a oração e a penitência.
O Brasil já teve homens e mulheres cuja vida inteira foi de intensa oração e penitência, dentre eles podemos destacar o grande São José de Anchieta.
São José de Anchieta foi um homem extraordinário, dentre seus atos memoráveis temos:

  • A criação do primeiro dicionário do idioma Tupi,
  • A escrita do maior poema em latim à Virgem Santíssima (fez isso na areia da praia enquanto era mantido prisioneiro),
  • A salvação de muitas almas através do batismo,
  • A coragem sobrenatural de pregar em meio a índios hostis, muitos deles canibais,
  • Ser capaz de eventos místicos como levitar enquanto rezava, dar ordem aos animais, submergir por longos minutos sem se afogar.

Se ele foi capaz de tudo isso em vida, imagina agora vendo a Deus face-a-face!
Hoje começa a novena do nosso padroeiro, São José de Anchieta, santo que, infelizmente, ainda não recebe a devida devoção no país pelo qual entregou sua vida.

Gostaríamos de convidar a todos a unirmo-nos em oração pela santificação das famílias brasileiras e rezar a novena nesta intenção (a novena está no final do post). Aos que moram aqui pertinho (Grande Vitória, ES), venham rezar conosco em nossa paróquia. Tragam seus cônjuges, filhos, pais, amigos, namorados, noivos, vizinhos! Não percam essa ocasião maravilhosa de crescimento espiritual e bênçãos.

O mundo de hoje precisa de famílias santas. Se queremos um mundo melhor, mais justo e correto, se queremos homens e mulheres que tenham e vivam os valores cristãos, precisamos cultivar sem medir esforços uma vida de santidade dentro de nossas casas. O mundo pode nos perseguir, “Porém eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24,15) .