Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Author: Gabriel Zago

Por que falhamos em sermos santos?

Tempo de leitura: 5 minutos

A vocação universal à santidade foi revelada por nosso Senhor no sermão da montanha quando disse “Sedes perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). Ele não falava apenas para seus apóstolos e, portanto, bispos da Igreja, mas a todos que lhe ouviam, logo, todos nós. Também o Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium nos dá as razões do chamado universal à santidade:

  1. Exigências do batismo – temos o dever de desenvolver a graça recebida.
  2. O primeiro mandamento – que nos obriga a “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12, 28-30), que, se cumprido fielmente, consiste precisamente na santidade.
  3. Devido ao mandamento de nosso Senhor no sermão da montanha.

É claro que este dever é da busca sincera da santidade (que é o trabalho de uma vida!) e não sermos santos aqui e agora. Contudo, observando a realidade de nosso tempo, vemos que, mesmo dentro da Igreja, é difícil encontrar pessoas detentoras de virtudes heroicas. Segundo o padre Antonio Royo Marín, a principal razão é que nós não empregamos os meios necessários para alcançar a santidade.

Estes meios podem ser divididos em dois grupos:

  1. Naturais
    1. Falta de energia de caráter.
  2. Sobrenaturais
    1. Falta do verdadeiro desejo de santidade.
    2. Falta ou deficiência de direcionamento espiritual.

Falta de energia de caráter

A Graça divina pode encontrar obstáculos naturais para agir em nós e é nosso dever acabar com estes obstáculos naturais (de ordem psicológica, emocional ou mesmo física) para recebermos as graças que Deus nos tem reservado. O principal obstáculo de ordem natural para alçar vôos mais altos na vida espiritual é justamente a falta de energia de caráter. Vivemos em uma geração de homens e mulheres incapazes de se esforçar minimamente para alcançar qualquer objetivo que seja um pouco penoso.

Isso se vê claramente em vários aspectos das pessoas da nossa geração, dentre tantos:

  • Incapacidade de tomar decisões sérias e permanentes: muitos acabam pulando de curso em curso, presos numa eterna adolescência em que, sustentados pelos pais, esperam em suas camas confortáveis por um emprego que cairá do céu ou por um cargo público que seja digno dele.
  • Busca incessante pelo prazer: o que também se mostra na incapacidade de sofrer, mesmo que minimamente. Vemos mulheres que desmaiam só de pensar num parto normal (mesmo que seja muito melhor para ela e para o filhos) e homens que não querem nem saber de serem pais (ainda mais depois de descobrirem que precisam ficar acordados à noite e que fraldas não se trocam automaticamente).

Devemos, como nos exorta Santa Teresa, buscar a fonte de água viva com determinada determinação! Só assim a Graça divina poderá agir em nós.

Falta do verdadeiro desejo de santidade

Este motivo se relaciona bastante com o anterior, mas enquanto aquele é natural, este é sobrenatural. O verdadeiro desejo de santidade tem algumas características fundamentais e é bom citá-las para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa caminhada espiritual.

O verdadeiro desejo de santidade é sobrenatural, ou seja, provém de Deus e tem por objetivo Sua maior glória e a salvação das almas e, por isso, deve ser profundamente humilde, sabendo que tudo provém de Deus e que, se dependêssemos somente de nossas forças seríamos os mais desprezíveis pecadores.

Uma característica do verdadeiro desejo de santidade que muito nos falta é a confiança completa em Deus, é esta característica que nos fará seguir crescendo espiritualmente mesmo diante das grandes dificuldades que certamente surgirão. É aqui que muitos de nós falhamos em nos conformarmos em Cristo.

Muitas vezes Deus nos pede provas de nosso amor por Ele, como fez com Abraão ao pedir-lhe o sacrifício de seu amado filho (Gen 22). Abraão teve de mostrar que seu amor a Deus era maior até mesmo que seu amor pela vida de seu filho. Reparem que esta prova vai muito além de deixar de pecar: devemos colocar em prática a completude do primeiro mandamento desejando a santidade acima de todas as coisas!

Na vida espiritual, quem não avança regride. Logo, nada de descansar! Quem dá desculpa de tirar férias da vida espiritual acaba por deixar a vontade fraca e, por conta disso, tem maiores dificuldades para retornar ao ponto em que estava. Portanto, sempre em frente, ou, como diria meu amigo Pier Giorgio Frassati,Verso l`alto!

A falta de regularidade também é um grande inimigo da busca pela santidade, muitas pessoas, ao saírem de retiros ou exercícios espirituais, tem grandes intuitos e propósitos que acabam sendo deixados de lado às primeiras dificuldades. É importantíssimo ter constância na vida espiritual!

A última característica do verdadeiro desejo de santidade é que ele deve ser prático e eficaz. Deve-se dispor de todos os meios aqui e agora para ser santo! Muitas vezes vamos deixando pra depois, para depois das férias, para depois da faculdade, para depois de curada minha doença. De adiamento em adiamento a vida passa e acabaremos por nos apresentar a Deus de mãos vazias das graças que não quisemos receber.

Falta ou deficiência de direcionamento espiritual

Quando observamos a vida dos grandes santos de nossa amada Igreja percebemos que, a grande maioria deles, contava com um diretor espiritual de grandes virtudes!

As características de um bom diretor espiritual já foram tratadas num excelente texto do nosso pai espiritual. Resumidamente, ele deve ser um sacerdote sábio, discreto, experiente, ciente de teologia, intensamente piedoso, humilde e, claro, zeloso pela santificação das almas! Sei que não é fácil encontrar sacerdotes assim, infelizmente (foi por este motivo que nos mudamos de cidade quando nos casamos). São João da Cruz afirma que:

“Para este caminho, ao menos para o que nele há de mais elevado, e ainda mesmo para o mediano, dificilmente se achará um guia cabal que tenha todos os requisitos necessários.”

Deve-se pedir, suplicar a Deus que lhe envie um santo diretor espiritual para ajudar na salvação de sua alma, que é a missão mais importante de nossas vidas!

Vejamos alguns santos que tiveram diretores espirituais também santos: Santa Joana de Chantal teve como diretor espiritual São Francisco de Sales e depois São Vicente de Paulo.  São Vicente de Paulo foi também diretor de S. Luisa de Marillac. Santa Gema teve um diretor santo: o Padre Germano é Venerável e está a caminho dos altares. São Paulo da Cruz foi diretor da Venerável Madre Crucifixa – cofundadora das passionistas e da Venerável Lucia Burlini que era leiga. O Beato Miguel Sopocko foi diretor de Santa Maria Faustina Kowalska. São Cláudio de la Colombiere foi diretor de Santa Margarida Maria Alacoque. No início da sua vida espiritual, Santa Teresa foi muito ajudada por S. Pedro de Alcântara. O Servo de Deus Padre Arintero foi diretor da Ven. Madre Maria Amparo e da Ven. Madre Madalena. E não podemos nos esquecer do grande São João Bosco que teve por diretor espiritual São José Cafasso!

Portanto, é de suma importância que se tenha direcionamento espiritual adequado. Hoje em dia as tecnologias de telecomunicações ajudam bastante visto que a direção espiritual pode ser feita à distância.

Espero que este texto tenha sido de ajuda para reconhecer em que estamos errando na busca pela perfeição cristã, para que, corrigindo, possamos alcançar o fim de nossa vida que é nos assemelharmos a Cristo Nosso Senhor!


Referências

A paternidade segundo os pais

Tempo de leitura: 8 minutos

Salve Maria! Neste texto veja a paternidade pelos olhos dos próprios pais, homens de verdade que buscam, através dela, alcançar a santidade pela negação de si mesmos e pelo sacrifício que é ser pai.

Reze o Rosário e dará tudo certo


Minha história na paternidade inicia-se em 23 abril de 2017, dois dias após o aniversário de 63 anos de meu pai.
Estávamos reunidos em família, na varanda da casa de meus pais, em Maceió-AL, minha cidade natal, aproveitando esse raro e abençoado momento, uma vez que resido com minha esposa Raphaela em Vitória-ES.
Meus pais, Ana Catarina e Marcos, minha irmã, Ana Cecília, meu sobrinho, Carlos Eduardo, minha esposa e eu líamos algumas das cartas que meus avós paternos, Cely e Manoel, que já se encontram no céu, haviam trocado quando eram noivos, na década de 40.
Em uma das passagens, meu avô, preocupado com dificuldades que enfrentavam para conseguirem concretizar o Matrimônio, aconselha a minha avó: “Cely, reze o Rosário e dará tudo certo!”.
Poucas semanas antes desse encontro em família, após participarmos como voluntários no curso preparatório de casais para o Matrimônio, minha esposa e eu havíamos sido convidados por outro casal voluntário, Rosana e Leonardo, a participar do movimento católico Equipes de Nossa Senhora, cujo carisma é a espiritualidade conjugal. Um mês após, em junho, descobrimos que Deus nos havia dado a graça de aguardar a chegada de nosso primeiro filho, cuja concepção ocorrera em maio, mês de Nossa Senhora.
Naquele momento em família, meu avô, por intermédio do Rosário de Nossa Senhora, falava diretamente comigo e me mostrava o caminho da construção familiar e da paternidade, tal como ele, a seu modo, havia trilhado e mostrado a seus três filhos homens (meu pai e meus tios Mucio e Mauro).
Toda a família reunida naquele momento, com lágrimas nos olhos, relembrando o amor cristão de meus avós, era a prova maior de que, pela intercessão de Nossa Senhora, tudo tinha dado certo!
Quando penso em meu avô e em meu pai, lembro da bela História de São José. Sobretudo, da viagem que Ele e Nossa Senhora, já grávida de Nosso Senhor Jesus Cristo, fizeram para encontrar com Santa Isabel, que aguardava o nascimento de seu filho, São João Batista.
Nessa passagem tão simbólica para os tempos atuais, a Sagrada Família teria que viajar por um caminho muito perigoso até chegar à casa de Santa Isabel. Nossa Senhora, assim como todas as mães, mesmo grávida, não hesitou em cumprir com seu dever de caridade materna, por se tratar da gravidez de risco de sua prima, já em idade avançada.
Assim, fizeram todos os preparativos da viagem e percorreram o longo caminho, utilizando um burrinho como meio de transporte. São José analisava com prudência o que fazer para seguir viagem com segurança e rezava aos anjos, pedindo proteção. Nossa Senhora pedia a São José que se sentasse no burrinho no lugar d’Ela para que pudesse descansar. Todavia, o Santo não aceitava, pois sua principal preocupação não era a sua própria comodidade, mas a de sua esposa e de Jesus Cristo, Filho de Deus.
São José e sua atenção com a segurança e o conforto de sua família nos mostra o real sentido da paternidade. A prudência, o respeito, a caridade, a retidão, a transmissão de segurança pela simples presença, as palavras comedidas nos momentos certos e a eloquência de um olhar profundo e terno representam a confiança de que, em Deus, tudo dará certo. Este é o dom divino de ser pai.
De fato, minha história como pai terá início oficial em fevereiro de 2018, quando receberemos em nossos braços nosso primeiro filho. Como São Josénos mostra, a caminhada é longa e, muitas vezes, perigosa. Porém, é por esse caminho que nós homens, enquanto pais, devemos trilhar em busca da santidade.

Marcos Lopes

Nossa, então isso é amar.

A paternidade foi o momento em que eu realmente entendi que nunca havia amado. Eu pensava que amava. Pensava que sabia o que era amar. Achamos que amamos nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos, mas só percebemos realmente o que é o amor quando vemos nossos filhos e os temos nos braços. Naquele momento, quando a criança nasce e você a segura no colo, sua ficha cai e você percebe quanto você ainda é capaz de amar. Quanto seus pais te amaram e quanto eles abriram mão deles por você e quanto sofreram ainda que você pensasse que era você quem sofria.
Toda a vida dos pais é vivida em função dos filhos. Esse é o momento em que você percebe e fala: Nossa, então isso é amar. Se nós que somos pais amamos tanto nossos filhos, mesmo sem saber como eles serão, quem serão e onde vão chegar, não consigo imaginar o tamanho do amor de Deus, que nos sonhou e nos preparou desde o princípio e nos fez do jeitinho que Ele queria. E é incrível como o amor só aumenta. A cada filho a chama cresce e aquilo que era um amor sem medida parece aumentar ainda mais a medida. Creio que por isso que Deus quis nos criar, tantos, e ser chamado por nós de Pai nosso. Por isso que nos deu a condição de filhos, em Jesus, o seu Amor. Seu amor é tão grande que lhe é impossível medir e guardar. A única coisa que para Deus não é possível: deixar de amar. Graças sejam dadas a Deus que nos deu o maior exemplo do que é ser PAI, que nos amou, nos planejou e nos criou, participantes com Ele em sua glória pela eternidade.
Ser pai nada mais é do que entender o sentido da palavra AMOR e colocar em prática.
Escrito com carinho e amor pelo Pai da Maria Clara Cetto Magnago, Rafael Cetto Magnago e Mariana Cetto Magnago, e filho de um grande pai, Djalma José Magnago. Sem ser injusto, com as grandes mães, embora seja pelo dia dos pais, sem elas não seria a mesma coisa, Marcela Martins Cetto Magnago (esposa) e Maria Elena Nunes Magnago (mãe), que nos fazem pais de verdade.

Breno Magnago

É impossível ser pai de verdade e não buscar a santidade

Após o nascimento do meu filho aprendi que ser pai exige um grande esforço diário, um certo abandono de si mesmo, uma negação das próprias vontades, pois diante de mim estava uma criança que precisava da minha ajuda constantemente e por mais que fossem dolorosas as noites de sono mal dormidas e entre os demais sacrifícios, nada tinha mais valor que ver a felicidade de meu filho, é como “padecer no paraíso”, é um sentimento que não tem explicação.
É impossível ser pai de verdade e não buscar a santidade. Os sacrifícios que se fazem na paternidade são semelhantes à santidade. É necessário que o homem se mortifique e se assemelhe “à imagem daquele que o criou” (col 3,10) para alcançar a perfeição da paternidade, pois Deus é o Pai Todo-Poderoso que criou tudo para o bem de seus filhos. O mundo necessita de pais santos que gerem filhos santos, esse é o nosso dever essa é a nossa missão.

Leonardo Gomes

Ser pai no projeto Divino

Deus criou a paternidade para que, com ela, O glorifiquemos e santifiquemos as nossas almas e as dos nossos filhos. Com certa liberdade, preciso dizer que tenho experimentado que uma parte do amor de Deus se torna mais ou menos claro quando os filhos chegam em nossas vidas.
Certos mistérios de amor só podemos compreender com alguma clareza como pais. É um processo muito interessante de comparação que a nossa inteligência faz: na verdade é uma meditação que o Santo Espírito de Amor, numa alma em estado de Graça, insinua em seu interior. Por exemplo, contemplandodentro de mim a enorme alegria do nascimento de um filho não posso deixar de meditar quão imenso e insondável deve ser a felicidade de Deus ao criar uma alma.
Tão forte é a paternidade, que Deus amoroso, mesmo quando cometemos a desgraça de, em pecado mortal, conceber uma vida, num ato de traição inominável, nunca nos negará a alma à matéria apta desde a concepção.
Geramos; Deus cria: profunda diferença. Se o simples processo de geração já nos invade de alegria e de amor, o que não acontece em Deus no ato mesmo da criação, muito mais surpreendente e inovador.
Assim também com o amor que sentimos pelos nossos filhos; se, com uma natureza corrompida pelo pecado original, somos capazes de amor, e com o auxílio Divino, até de amor heroico, como não amará o próprio Deus, que É AMOR, como nos revelou o Seu discípulo amado.
Sim, é verdade, nem tudo são flores. Ser pai é passar também por momentos tortuosos e sofríveis. Não só por causa das angústias que nos invade quando chagam as doenças, ou quando, na liberdade adulta, escolhem o erro, o mal, ou mesmo quando sofrem uma simples queda, mas igualmente quando eles desafiam o nosso amor-próprio, dispersando a nossa atenção de alguma atividade laboral necessária ou mesmo de algum divertimento permitido. É verdade, de fato existem momentos assim. Quanta ira pode brotar no nosso coração de pedra quando nosso(s) filho(s) nos puxa(m) da cadeira onde estávamos para ler algum livro tão esperado, ou ver algum vídeo que poderia trazer algum prazer sensível aos nosso ouvidos e olhos, entre tantas circunstâncias da vida concreta que tínhamos quando solteiros e sem eles. Mesmo o casal, quando quer fazer um atividade em conjunto, legítima, saudável e desejada aos olhos de Deus, já não pode porque os filhos estão ainda muito bebês e dificultam pela atenção que requerem.
Não adianta. Querem atenção, nos convidam para uma brincadeira. Nosso Senhor disse que o Reino dos Céus é dos violentos: quanta violência ao nossoterrível amor-próprio temos que fazer para tudo suportar, sempre com o auxílio de Nosso Senhor Jesus.
Uma meditação muito frequente também nos ocorre com relação à Sagrada Família. Como São José, já cansado de um trabalho manual pesado como a carpintaria, preferia atender às necessidades do Divino Amor, do Menino Jesus, que certamente o convidava para as santas atividades infantis. E as dores de Cristo, que também foram as de São José – é muito frequente esta experiência nos pais: ficam os filhos doentes e parece que a doença está em nós – sofremos tudo o que sofrem, quase como sofrem. Uma simples injeção já quase dilacera um coração paterno, mesmo que exteriormente mantenhamos a aparência de controle e solidez.
É verdade que São José, sabemos pela Sagrada Escritura, faleceu antes da Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas uma piedosa tradição nos ensina que, no leito de morte, assistido por Nossa Senhora e por Nosso Senhor (não podemos sequer imaginar este momento glorioso!), o nosso Redentor, confiado a Ele, teria feito passar diante dos seus olhos todos os detalhes do ocorrido na Sagrada Paixão. Maria Santíssima viu e participou em presença; São José teria visto e participado por antecipação.
O que não teria sentido o silencioso São José? Incrível a sua fortaleza, seu equilíbrio santo, sem reclamação, sem resmungos e murmúrios. A angústia de saber que vinham os soldados matar o Filho; a fuga ao Egito e quantas angústias, já que era o homem protetor? Quantas dores, quanta paciência, um homem e um pai moldado pelo Santo Espírito de Amor.
Como dói, convenhamos, quando um filho nos trai. Quando mente. Quando mata arbitrariamente. Dói o nosso coração; e isto é surpreendente, porque nosso coração está manchado pelo pecado (muitas vezes por pecados atuais). Com que direito nos doemos com o pecado alheio, mesmo aqueles realizados por nossos filhos contra nós mesmos? Se somos da mesma carne e na mesma genealogia pecaminosa? Com que direito? Nós, vermes pecadores, que muito pouco fazemos por amor a nossos filhos? Pois se sentimos tanta dor com o pecado (nós também pecadores) dos nossos filhos, de vê-los indo pelo caminho do mal, do vício e do erro, quão imensa dor e desolamento indizível não sente o Sagrado Coração de Jesus por nossos pecados, ele TUDO fez e nada poupou de Si mesmo por nós? Como achamos que fica Deus quando o traímos, se nós, traidores natos, sofremos com as traições dos filhos?
Os filhos nos ajudam a meditar nos mistérios do Divino Amor. Os filhos são alavancas que nos içam a Deus. No projeto Divino, a paternidade foi a forma mais amorosa, como sempre, que a Santíssima Trindade concebeu em Sua Eterna Sabedoria, para nos fazer acordar para o verdadeiro Amor, da vida na Caridade, o sentido da vida, abrir os nossos olhos para a beleza da Cruz, Santo Lenho onde o melhor, maior e mais amoroso Filho, nosso irmão, Luz da Luz, consubstancial ao Pai, morreu paciente e obediente por todos.
Como Cristo, que nossa paternidade seja um martírio constante pela santificação das almas de nossos filhos, que são de Deus.

Leonardo Serafini Penitente

Direção Espiritual

Tempo de leitura: 4 minutos

Recebi com alegria o convite de meus queridos filhos espirituais, Gabriel e Rayhanne, para compartilhar um pouco a minha modesta experiência de diretor espiritual. Considerei bem oportuno aos leitores deste blog falar sobre direção espiritual (DE), já que esta é uma ferramenta eficaz para o cultivo da vida espiritual, infelizmente desconhecida e pouco utilizada pelos cristãos de hoje, que mais do que nunca necessitam de ajuda para discernir o trigo do joio, para precaver-se de tantos erros, para adiantar na virtude e para formar os santos que o mundo tanto precisa. Devido a urgência e importância do assunto em questão, propus ao casal de abordá-lo em duas breves partes: a primeira, uma exposição sobre a natureza da DE; a segunda, um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Para a primeira parte, mais teórica, prescindo mais de mim e me baseio em quase toda a exposição no esplêndido e atualizado livro do Pe. Miguel Ángel Fuentes, colega sacerdote do Instituto do Verbo Encarnado, que hábil e sabiamente como ninguém, oferece aos diretores espirituais La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais1 (San Rafael, Argentina, EDIVE, 3ª ed., 2013).

A Direção Espiritual

A prática da DE é um dos tesouros mais valiosos destes dois mil anos de tradição da Igreja, é uma sementeira de vocações à vida consagrada, de sacerdotes fervorosos, de leigos de alto voo e incidência social, de apóstolos de todo gênero, enfim, de genuínos Santos.

O que é a DE

A DE consiste na arte de guiar acertada e progressivamente as almas ao fim da vida espiritual, quer dizer, à perfeição; também pode definir-se como a ajuda que se presta a um cristão para que amadureça em sua fé e vida espiritual. Este ofício exige tanta preparação do diretor que, adverte São João de Ávila, se chama ‘arte de artes’”2.
Hoje, como sempre, –ou talvez mais que nunca– é necessário promover a genuína DE, quer dizer, a guia sobrenatural de almas de maneira séria, científica e exigente, ou simplesmente, católica.

Necessidade da DE

A necessidade da DE tem seu fundamento remoto na Sagrada Escritura, sua proclamação na Tradição da Igreja e sua razão íntima na natureza de nossa vida espiritual e no modo ordinário de obrar da Providência divina.

O Magistério da Igreja confirmou esta prática com sua autoridade, recomendando-a e inclusive prescrevendo-a em determinados casos.

Por exemplo, o Catecismo da Igreja Católica diz:

O Espírito Santo dá a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento em vista do bem comum que é a oração (direção espiritual). Aqueles e aquelas que têm esses dons são verdadeiros servidores da tradição viva da oração:

Por isso, se a alma deseja avançar na perfeição, conforme o conselho de S. João da Cruz, deve “considerar bem em que mãos se entrega, pois, conforme o mestre, assim será o discípulo; conforme o pai, assim será o filho”. E ainda: “O diretor deve não somente ser sábio e prudente, mas também experimentado… Se o guia espiritual não tem a experiência da vida espiritual, é incapaz de nela conduzir as almas que Deus chama, e nem sequer as compreenderá”3.

A Exortação Pastores dabo vobis, falando da DE, diz:

“É preciso redescobrir a grande tradição do acompanhamento espiritual pessoal, que sempre deu tantos e tão preciosos frutos, na vida da Igreja: esse acompanhamento pode, em determinados casos e em condições bem precisas, ser ajudado, mas não substituído, por formas de análise ou de ajuda psicológica. As crianças, os adolescentes e os jovens sejam convidados a descobrir e a apreciar o dom da direção espiritual, e a solicitá-lo com confiante insistência aos seus educadores na fé. Os sacerdotes, pela sua parte, sejam os primeiros a dedicar tempo e energias a esta obra de educação e de ajuda espiritual pessoal: jamais se arrependerão de ter transcurado ou relegado para segundo plano muitas outras coisas, mesmo boas e úteis, se for necessário para o seu ministério de colaboradores do Espírito na iluminação e guia dos chamados”4.

O que falar na DE

O objeto ou matéria da DE são todos os assuntos relacionados a saúde da alma onde tem lugar o desenvolvimento da perfeição cristã. Santo Afonso Maria de Ligório falando aos confessores resume dizendo: “Quatro pontos principalmente atenderá o confessor na direção das almas espirituais: a meditação, a contemplação, a mortificação e a frequência dos sacramentos”5. Outros acrescentam também a prática das virtudes e a santificação das ações ordinárias6. Pode-se acrescentar ainda o trabalho para moldar o próprio caráter e temperamento, discernimento de situações meramente humanas como relacionamentos, decisões, estudo, trabalho, mas que poderiam afetar direta ou indiretamente a vida espiritual ajudando-a ou atrapalhando-a.

Finalidade da DE

A DE tem como fim último levar as almas à perfeição. Tem também fins intermédios, segundo as diversas etapas da alma. Podemos indicar quatro finalidades subordinadas, que são curar e fortalecer as fraquezas humanas, precaver dos perigos, discernir os espíritos que movem à alma e prepará-la para que responda com docilidade às exigências da graça.

Qualidades da DE

A DE para que seja autêntica e frutuosa tem que reunir várias características. As principais com relação ao diretor são: que seja científica, prudente, firme, caridosa e adaptada ao dirigido.

Quem pode ser diretor espiritual

Ordinariamente o sacerdote porque se dá propriamente um encargo por parte da Igreja; ele exerce uma direção ministerial, cuja missão está implícita na missão de santificar às almas por todos os meios possíveis, que recebe no momento da ordenação sacerdotal.

Qualidades do diretor espiritual

As qualidades do bom diretor espiritual se deduzem das qualidades que deve ter a boa DE: santidade, prudência, experiência, ciência e qualidades humanas7 , como: um sadio e cordial afeto, o dom de entender às pessoas, a arte de sugerir com simplicidade e eficácia, a magnanimidade e a confiança.

 

Se Deus quiser, em breve votarei para falar um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Que Deus abençoe você!

Pe. Fábio Vanderlei, IVE


Referências

  1. La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais.
  2. São João de Ávila, Audi filia, 4.
  3. Catecismo da Igreja Católica, nº 2690.
  4. São João Paulo II, Pastores dabo vobis, 40.
  5. Santo Afonso María de Ligorio, A prática do confessor, nº 99. Cf. 100-133.
  6. Cf. Garrigou-Lagrange, As tres idades da vida interior, Vol, I.
  7. Cf. Mendizábal, Dirección espiritual.

O papel do homem no lar

Tempo de leitura: 3 minutos

Neste texto eu falarei sobre o papel do homem na família inspirado nas audiências públicas do Papa Pio XII, quando se dirigia aos recém-casados que iam à Roma em viagem de núpcias.

Protetor e provedor

A responsabilidade do homem para com a mulher e os filhos nasce em primeiro lugar nos deveres para conservação de suas vidas. Deveres que ele cumpre, na maior parte do tempo, pela profissão ou ofício. O trabalho dele deve prover aos seus uma casa e o alimento cotidiano, assegurar-lhes a subsistência e as vestimentas convenientes. A família deve sentir-se tranquila sob a proteção oferecida e dada pela previsão e atividade do homem.

Um homem pai de família não deve viver como se não a tivesse. A esperança de fácil fortuna muitas vezes nos vem à mente. A tentação de colocar tudo em risco em troca de uma fácil fortuna, para um pai de família, é preciso pensar com muita prudência sobre estes possíveis ganhos visto que, muitas vezes, colocam em risco a estabilidade e segurança da família.

Por isso sempre convém que ele, ao agir ou abster-se ao empreender ou arriscar, se pergunte sempre a si mesmo: será que posso assumir essa responsabilidade diante de minha família?

Testemunha de Cristo

Nós, homens cristãos, devemos ser sal na terra e luz no mundo! No nosso trabalho devemos ser distintos dos demais colegas. Na fidelidade, no exercício da profissão, na honestidade na qual superiores possam confiar cegamente, na retidão e integridade na conduta e na ação que faz ganhar a confiança de todos que lidam conosco. Esses laços são essenciais na vida social.

Um homem que se destaca na vida pública é uma honra para a esposa e para o filhos, especialmente quando ele o faz exatamente para honrar sua esposa e filhos e, é claro, a Deus!

No entanto, o homem nunca deve se esquecer o quão importante é testemunhar e guardar a esposa, a mãe de seus filhos, por atitudes e palavras, o respeito e estima que ela merece.

Auxílio à senhora do lar

Uma outra parte importante na perfeição da ocupação de esposo é, além de prover para a família através do trabalho, seja ele na usina, no campo, ou no escritório, é ajudar a sua esposa em tudo que puder dentro do lar que é o domínio dela. Como escrito na postagem sobre as pequenas virtudes, devemos sempre ajudar nossos próximos em seus próprios afazeres. Assim, o marido deve ajudar a esposa nos afazeres do lar quando este chega em casa, seja lavando a louça, cuidando das crianças, ou limpando o que for necessário.

Além disso, é essencial que cuidemos da manutenção do lar visto que esse tipo de serviço geralmente necessita de uma força física maior, que geralmente possuímos. Isso tudo é muito simples visto que, geralmente, comparado ao serviço que fazemos fora de casa, esses serviços podem ser considerados um descanso pois podemos fazê-los ao lado da amada esposa, ao lado dos filhos, ou até mesmo rezando o terço que é o que eu indico.

Um ponto importante é que façamos tudo isso sem criar caso ou alarde, pois não é mais do que nossa obrigação tendo em vista que a esposa passa o dia todo cuidando do lar, das crianças e preparando a casa para um convívio agradável e prazeroso.

Fazendo tudo isso nos tempos de normalidade ficaremos preparados para os tempos em que as coisas podem ficar um pouco mais complicadas. Alguns exemplos destes tempos difíceis são quando a mulher está grávida, quando acabou de ganhar um filho ou mesmo quando perdemos alguém na família. Em todos estes momentos um homem assume um papel ainda mais importante de fazer todos os afazeres do lar e ajudar a mulher a se recuperar para voltar ao ambiente normal no dia a dia.

Figura do Cristo

Nunca deixe que sua esposa ou seus filhos sejam maltratados por conta das dificuldades no trabalho. É muito comum para nós homens que fiquemos excessivamente preocupados com dificuldades no trabalho e com problemas financeiros, mas quando chegamos em casa não é hora de deixar isto para transparecer!

Amar é sacrificar-se e assim como sua esposa se sacrifica o dia todo para que a casa se torne um verdadeiro lar e, assim, os filhos vivam num ambiente cristão. Assim também devemos nos sacrificar quando chegamos do trabalho, mesmo que cansados, mesmo tendo tido um dia difícil, é hora de deixar tudo de lado e mostrar para sua esposa o quão grande é seu amor por ela! Aliás, é assim que os filhos, vendo o sacrifício de amor dos pais, aprenderão o verdadeiro sentido do amor e a beleza do matrimônio e da família como pensados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que o glorioso São José nos seja exemplo de chefe de família e guardião do lar para que possamos, como nos exorta São Paulo, amar nossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela!

Como fazer o planejamento financeiro familiar

Tempo de leitura: 3 minutos

No primeiro texto sobre este assunto eu mostrei a importância de a família ter um planejamento financeiro e de se controlar os gastos. Nesta postagem darei algumas dicas de como iniciar estas importantes tarefas da economia do lar!

Comece com o orçamento mensal

Neste texto, exemplificarei as dicas com algumas tabelas. Os valores são fictícios, apenas para fins didáticos. Vejamos um exemplo de orçamento:

Na parte superior da planilha (na aba orçamento mensal), temos a linha chamada “Acumulado” que contém o valor disponível na conta (de preferência numa aplicação melhor do que a poupança, não falarei de aplicações financeiras neste texto).

Logo abaixo temos a renda familiar, aqui deve constar a soma de todos os rendimentos da família, dos salários fixos à renda extra da aula particular ou da venda de bombons caseiros!

Abaixo temos a listagem das despesas e, em seguida, sua soma. As despesas são divididas em grupos, para que se possa ver com clareza para onde está indo o dinheiro.

O balanço nada mais é do que a diferença entre a renda e os gastos. Se este valor estiver negativo, sua situação financeira vai mal e é hora de cortar gastos.

A família que fez a planilha acima, começou o ano com uma reserva de R$5.000,00 e tem uma renda líquida familiar mensal de R$3.400,00.

Observe que, se tudo correr como planejado, ao fim do ano, a família terá acumulado mais de R$15.000,00!

Controle os gastos

Uma vez que a família decidiu os limites das despesas, resta controlar se o planejamento está sendo cumprido!

Como já foi dito, alguns conjuntos de consumo ainda podem ser divididos em subconjuntos em outras planilhas. Por exemplo, o conjunto supermercado pode ser dividido em mercearia, frutas, legumes, carnes, limpeza e higiene pessoal.
Isto vai permitir que a família tenha um controle mais fino sobre seus gastos.

Compare, mês a mês, a diferença entre o que foi planejado e o que realmente foi gasto. Se a diferença entre estes dois valores é grande e vocês não conseguem reduzir, significa que o orçamento foi feito errado e precisa de reajuste.

Uma excelente prática é guardar cada comprovante de compra no débito ou crédito e lançá-lo numa planilha. Dessa forma, não se esquece onde se gastou. É claro que a maioria dos bancos já oferecem aplicativos com os extratos das compras, mas o problema é que o nome da empresa que aparece na fatura não é o nome conhecido da mesma, o Subway, por exemplo, aqui na grande Vitória aparece nas notas como Vibom Cia de Alimentos (sei disso porque o “baratíssimo” é meu almoço quando não consigo levar marmita rsrs), assim, no fim do mês, pode acontecer de você se esquecer o que é aquela compra de R$9,00 com o nome de Vibom.

Dicas de aplicativos e planilhas

Os melhores aplicativos de gerenciamento financeiro / orçamento são pagos, mas isso não significa que não haja opções gratuitas!

Alguns bancos já possuem gerenciador financeiro incluso, é o caso do app do Banco do Brasil para smartphone. Ele te dá opções de alocar cada compra num determinado grupo e mostra gráficos interessantes.

O programa que eu uso é o GNUCASH, é o mais completo gerenciador financeiro gratuito, dá pra organizar as contas até mesmo de pequenas empresas com ele!

Com ele dá pra fazer o orçamento mensal e anual, controlar gastos, criar gráficos e relatórios. Uma das melhores capacidades dele é que ele importa os arquivos de fatura do cartão (arquivo ofx, csv e outros), o que facilita muito a vida!

Os contras? Ele não é lá muito amigável, aprender a fazer tudo o que se quer nele pode levar meses (e bastante leitura do manual), mas com esforço se chega lá!

Não tenho planilhas realmente boas para indicar, mas deixarei as que fiz disponíveis para vocês:

planilha orçamentaria

Conclusão

Meus caros, espero que tenham aproveitado as dicas que dei, as coisas estão corridas por aqui com os estudos e com o Bento exigindo bastante (como é de costume dos filhos, graças ao bom Deus) e, talvez por isso, o texto não tenha ficado tão bom. As dúvidas e comentários de melhorias são bem vindos, com eles vou alterando a postagem até que fique adequada!

Fiquem com Deus e lembrem-se de rezar sempre pela santificação das famílias, rezemos uns pelos outros!

Que a Virgem Santíssima interceda por nós!

A importância do orçamento financeiro na vida familiar

Tempo de leitura: 3 minutos

Aluguel, supermercado, padaria, energia, gás, transporte, plano de saúde, roupas, ufa! A lista de contas a pagar parece interminável, diferente da nossa renda, não é? Sem um orçamento financeiro corre-se o sério risco de contrair dívidas que crescem como uma bola de neve rolando morro abaixo. Neste texto tentarei te convencer a controlar cada real da sua renda familiar, vamos?

O que é um orçamento familiar

Segundo a Wikipedia,

Orçamento é a parte de um plano financeiro estratégico que compreende a previsão de receitas e despesas futuras para a administração de determinado exercício (período de tempo).

No caso do orçamento anual de uma família, o orçamento consiste em listar todos as receitas e despesas previstas no período de um ano, de preferência, agrupando-as por tipo.

Ter um orçamento familiar produz muitas vantagens, hoje vou apenas listá-las e, num futuro texto, ensinarei como faço aqui em casa.

Diminui a tentação consumista

A economia atual é movida pelo consumismo. Iphone, carro zero, videogame, roupas novas, calçados, a todo tempo somos impelidos a comprar. Ajudadas pela psicologia, as propagandas estão cada vez melhores em cumprir seu objetivo e às vezes acabamos cedendo à tentação e dividindo aquele produto no cartão em suaves prestações a perder de vista que caberão no nosso bolso. Ao mesmo tempo a esposa quer aquela saia nova para ir à Santa Missa e a compra, dividindo também no cartão. O filho está crescendo e tem aquele brinquedo que pode ajudá-lo a desenvolver a coordenação motora e, dividindo em 10 vezes sem juros a parcela fica minúscula!

Em pouco tempo a parcela do cartão já estará maior do que a renda familiar e, dessa forma, a família acaba entrando nos juros do cartão, os maiores do mundo!

Não faz mal comprar uma coisa ou outra desde que isso não implique em deixar de pagar o essencial nem deixe a renda familiar completamente comprometida. Se, no começo do ano por exemplo, a família se reunir e definir quanto será gasto em cada grupo de consumo (supermercado, aluguel, energia, vestuário e etc.) as compras que citei acima poderão ser feitas com tranquilidade visto que se saberá a renda disponível para cada grupo.

Reduz a ansiedade

É muito ruim para a vida familiar e espiritual ficar pensando nas finanças o tempo todo, muitos perdem até mesmo o sono ao ficar imaginando se o salário irá durar até o fim do mês, o quanto vai sobrar no fim do ano (se sobrar) e etc. Um dos motivos que mais leva os casais ao divórcio são as brigas por razões financeiras, também por isso devemos nos organizar financeiramente.

Ter um orçamento familiar reduz este tipo de ansiedade que tira o sono de muitos. Além de confiar na providência divina devemos ser bons administradores dos bens que Deus nos concede! Façamos como ensinou Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus:

“Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus”

Santo Inácio de Loyola (1491-1556)

Permite fazer planos

Se depois de reservado o necessário para a família e guardado alguma quantia para eventuais emergências ainda sobrar algo, que tal fazer grandes planos?!

Com o orçamento bem resolvido a família se sentirá mais confiante ao economizar evitando algum luxo imediato pensando num plano a longo prazo. Explico, deixar de ir ao cinema, de tomar um sorvete ou de comprar uma peça de roupa nova pode ser muito difícil quando se tem o dinheiro disponível, sempre damos uma desculpa como “essa semana foi difícil, mereço um agrado” ou algo do tipo. Contudo, quando se tem um plano para aquele dinheiro a história muda, deixar de fazer qualquer uma dessas coisas pensando na sonhada casa própria ou na desejada viagem dá um ânimo novo para fazer estes pequenos sacrifícios!

Permite cortar gastos desnecessários

Como o gasto com cada grupo de despesas estará estipulado previamente, fica fácil ver onde se pode cortar.  É impressionante perceber, após algum tempo de controle financeiro, o quanto gastamos com futilidades. Uma pessoa que vai ao cinema duas vezes por mês pode facilmente gastar mais de R$1.000,00 por ano! Roupas e sapatos então, consomem boa parte da renda de uma família desapercebida.

Ajuda a estar preparado para emergências

Nestes tempos de crise, infelizmente, é comum algum membro da família ter de mudar de emprego, sofrendo uma redução de salário ou sofrer com baixas vendas se trabalha no comércio. Por isso é muito importante, se a família ainda não o fez, guardar de 3 a 5 salários para eventuais emergências, seja para pagar as contas enquanto não se consegue outro emprego ou para pagar algum tratamento de saúde, como um parto de um novo filho!

 

Espero ter conseguido te convencer de que ter um orçamento familiar é essencial. Se consegui, acompanhe as próximas postagens em que darei algumas dicas de como fazer o controle financeiro na prática, com programas e planilhas!

6 motivos para se viver as pequenas virtudes

Tempo de leitura: 3 minutos

Quais são os motivos para se viver as pequenas virtudes? Podemos resumi-los em seis.

1 – Pela debilidade do próximo

Sim, todos os seres humanos são falhos, repletos de defeitos, a maioria deles pequenos, mas geralmente muitos. Um é desconfiado, examina tudo quanto lhe é dito e tudo que com ele se faz; outro é exigente e está sempre preocupado com tudo que lhe aborrece, que não lhe atende, que desconfia dele. Outro é sensível, qualquer coisa lhe deixa abatido, melancólico. Outro ainda é como pólvora e está pronto para explodir à qualquer palavra.
Finalmente, todos têm sua parte fraca, cada um está sujeito a muitos defeitos e imperfeições pequenas as quais é necessário suportar e que, principalmente, oferecem contínuas ocasiões de exercitar as pequenas virtudes.

2 – Pela pequenez dos defeitos

É claro que estou me referindo ao caso das pessoas virtuosas, ao menos cumpridoras dos mandamentos de Deus e das leis da Igreja. Nestes casos, a maior parte dos defeitos que nos fazem perder a paciência não são grandes vícios nem defeitos grosseiros mas apenas imperfeições, ímpetos do temperamento, fraquezas que de maneira alguma impedem que as pessoas que as têm sejam almas escolhidas, de virtudes sólidas.

3 – Pela ausência dos verdadeiros defeitos

Muitas vezes o que nos faz sofrer da parte do próximo são coisas em si mesmas indiferentes e das quais estas pessoas não têm nenhuma culpa. Às vezes nos incomoda a cara de alguém, a fisionomia, o tom de voz, a figura do corpo; ou nos impacientamos até com enfermidades ou indisposições corporais ou morais que nos causam repugnância. Pode acontecer também que o que nos irrita é a diversidade de temperamentos e sua oposição ao nosso. Um é naturalmente sério, outro é alegre, um é tímido e outro atrevido, um é muito lento e sabe esperar, enquanto outro é muito ativo e impetuoso e quer obrigar os outros a serem desta forma. A razão pede que vivamos em paz em meio a esta diversidade de naturezas e que nos acomodemos ao gosto dos demais por meio da flexibilidade, da paciência e da condescendência. Se perturbar por esta diversidade de temperamentos seria tão pouco racional como se irritar por alguém não gostar de uma comida que nos agrada!

4 – Todos temos necessidade de que os demais nos suportem em algo

Não há ninguém tão prudente e perfeito que possa viver sem que tenha que ser perdoado pelos outros. Hoje tenho que aguentar alguma pessoa e amanhã esta pessoa ou outra terá que me suportar. Que injustiça seria exigir respeito e atenção e não corresponder senão com dureza e arrogância!

5 – Pelos laços que nos unem a quem devemos suportar

“Entre nós – dizia Abraão a Lot – não podem haver discussões, porque somos irmãos” (Gn 13, 8). Quanto mais isto vale se nos referirmos à família! Esposos estão unidos por um laço sobrenatural, carne da minha carne e osso dos meus ossos! Os membros de uma família são ligados por laços de sangue e, quando batizados, fazem parte também dos mesmo Corpo: são muitos os motivos para amá-las, servi-las e suportá-las com toda paciência.

6 – A excelência das pequenas virtudes

Dizia São Marcelino: “Agora me arrependo de tê-las chamado de pequenas, ainda que tenha tomado a expressão de São Francisco de Sales. Somente podem ser chamadas de pequenas enquanto se referem a objetos materialmente pequenos: uma palavra, um gesto, um olhar, uma cortesia; porque, pelo mais, se se examina o princípio de onde nascem e o fim a que se dirigem, são muito grandes”.
Ao falar destas virtudes e do afeto que causam em uma família, fica ainda mais em evidência que a caridade é a primeira e mais excelente de todas as virtudes e a que faz mais fácil o caminho para o Céu.

Deus queira que nunca busquemos desculpas inoportunas para não vivê-las!

As pequenas virtudes do lar

Tempo de leitura: 5 minutos

O matrimônio e a família não carecem de dificuldades. Reconhecia com honestidade Paulo VI: “Não é nossa intenção ocultar as dificuldades, as vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos; para eles, como para todos, estreita é a porta que leva à Vida. A esperança desta vida deve iluminar seu caminho enquanto se esforçam animosamente para viver com prudência, justiça e piedade no tempo presente, conscientes de que a forma deste mundo é passageira” – Humanae Vitae, 25.

Os conflitos mais duros se dão no plano dos afetos e das vontades. Talvez sejam receios, desconfianças, discussões, rancores, faltas de perdão. Talvez se trate de faltas morais graves como infidelidade, mentiras, violências, fortes discussões, etc. Contudo, com frequência, os atritos são de ordem menor, ainda que possam terminar ocasionando sérios danos, rachaduras familiares, incluindo dolorosas separações. Não deveríamos estranhar que pequenos atritos façam tão mal ao casamento visto que pequenas rachaduras, quando não cuidadas a tempo, terminam por causar grandes desabamentos. Mesmo que não cheguem a tanto, são suficientes para tornar a vida familiar amarga e, certamente, são um obstáculo sério para a felicidade.

Onde há dois, há material suficiente para uma discussão

Não busquemos desculpas sem sentido para justificar discussões. “É que pensamos diferente” – dizem. E onde é que vamos encontrar duas pessoas que pensem exatamente igual em tudo? Se a harmonia dependesse disto não haveria esperança de concórdia nesta vida. Não há duas pessoas exatamente iguais nesta vida, é justamente por isso que as pessoas se casam! Não há duas coisas mais diversas do que uma chave e uma fechadura, e trabalham perfeitamente juntas!
Podemos concluir daqui que os principais problemas familiares e matrimoniais não são psicológicos e de temperamentos (ainda que causem distúrbios) mas sim, espirituais. Dito de outro modo, são problemas de virtudes. De um dos dois ou dos dois.

E isto tem solução? Claro que sim! uma solução fácil de formular e difícil de cumprir. Mas que vale a pena sendo seu resultado a felicidade.

A solução consiste na prática das pequenas virtudes. Tomo a expressão “pequenas virtudes” de São Marcelino Champagnat, que por sua vez se inspirou em São Francisco de Sales.

São Marcelino explicou este tema em certa oportunidade em que um irmão foi ter com ele incomodado por algo que achada inexplicável. Poucos dias antes havia sido destinado a uma comunidade de religiosos que era, segundo seu próprio parecer, virtuosos, cumpridores de todas as regras e desejosos de santidade, mas para sua surpresa a união que reinava entre eles estava longe de ser perfeita. Via, de um lado, religiosos virtuosos e do outro numerosas misérias domésticas, sem poder precisar qual era a raiz do problema nem tampouco sua solução.

Se isto vale para os religiosos também se ajusta aos leigos, especialmente aos casados. Há muitos que pensam que bastam as coisas principais para que reine a paz, mas não é assim. As pequenas virtudes são essenciais e necessárias e, se faltam, nunca se conseguirá a felicidade diária!

Para resolver estes problemas, nosso santo amigo nos trás uma lista destas pequenas virtudes e suas descrições:

1 – O perdão

Desculpe as falhas do próximo, as diminua, as perdoe facilmente e não espere que faça o mesmo para si. A vida familiar não é uma competição, não fique anotando as vezes que perdoou para perdoar na mesma medida. Lembre-se, amamos o próximo porque Deus nos ama!

2 – A caridosa dissimulação

Haja como se não soubesse dos defeitos, insensatez, falhas e palavras pouco atentas do próximo e suporte sem dizer nada ou queixar-se. A correção fraterna não engloba todos os defeitos senão apenas os mais graves. Além disso, depois de ter corrigido seu próximo, é necessário sofrer e suportar pois há defeitos que só são curados desta forma. Há almas virtuosas que, por mais que se esforcem, não conseguem corrigir certos defeitos, Deus as usa como exercício de virtude para aqueles que devem suportá-los.

3 – A compaixão

Compartilhe do sofrimento dos que padecem para suavizá-los: isso nos impulsiona a tomar parte nos trabalhos de todos e a intervir os fazendo  nós mesmos.

4 – A santa alegria

Compartilhe também do gozo dos que estão felizes! Mas com intenção de aumentá-los.

5 – A flexibilidade de ânimo

A não ser por motivos muito sérios, jamais imponha a alguém suas opiniões senão que admita o bom e racional que há nas ideias dos demais e aplauda sem inveja os bons entendimentos do próximo para conservar a união e caridade fraternas. É a renúncia voluntária de seus intentos pessoais e a antítese da obstinação e intransigência das próprias ideias. Se ainda assim insistir no pensamento “Eu tenho razão e não posso sofrer com os disparates e erros dos demais” lembre-se da resposta de São Roberto Belarmino, doutor da Igreja: “Mais valem duzentos gramas de caridade do que cem quilos de razão”.

6 – A caridosa solicitude

Ajude o próximo antes que ele peça,  para facilitar-lhe a vida e evitar a humilhação de pedir ajuda. É belíssima esta bondade de coração de quem nada sabe negar, que está sempre pronto para servir e presentear a todos.

7 – A afabilidade

Responda aos importunos (chatos rs) sem mostrar a mais leve impaciência! Sempre esteja pronto para ajudar os que pedem seu auxílio, instruir os ignorantes sem se cansar e com toda paciência! Numa oportunidade, São Vicente de Paulo interrompeu uma conversa que levava com pessoas “importantes” para repetir cinco vezes a mesma coisa a alguém que lhe interrompera e não o entendia bem, instruindo, na última vez, com a mesma tranquilidade com que o havia feito na primeira.

8 – A civilidade e a cortesia

Se antecipe a todos nas demonstrações de respeito, atenção e cortesia e ceda sempre o primeiro lugar para os demais. As demonstrações de estima manifestadas com sinceridade fomentam o amor mútuo, assim como o óleo serve de alimento ao fogo de uma lamparina e sustenta a chama que produz a luz, sem isto não há união possível nem caridade fraterna.

9 – A tolerância

Se incline para agradar aos inferiores, escute suas observações e mostre que as aprecia mesmo que nem sempre sejam perfeitamente fundadas. A tolerância, diz São Francisco de Sales, “é não buscar o próprio interesse, apenas o do próximo e a glória de Deus”.

10 – O interesse pelo bem comum

Prefira o proveito da comunidade e ainda o dos demais ao seu próprio, se sacrifique pelo bem dos irmãos e pela prosperidade do lar!

11 – A paciência

Sofra, tolere, suporta sempre! Nunca se canse de fazer o bem mesmo que aos ingratos, chegando a dar graças aos que te fazem sofrer. Santa Teresa de Calcutá repetia constantemente a Deus: “Vos amo não pelo que me dais, mas pelo que me retirais”. Este é o verdadeiro caminho para ter paz e conservar a união com todos.

12 – A igualdade de ânimo de de caráter

Seja sempre o mesmo, não se deixe levar por alegrias loucas, cóleras, melancolias, maus humores. Permaneça sempre bondoso, alegre, afável e contente!
Estas são as chamadas pequenas virtudes. Como se percebe,  são virtudes sociais, logo, são muito úteis a qualquer um que viva em sociedade. Sem elas as comunidades e famílias estão em desordem e agitação contínua e, por consequência, assim também está o país e o mundo. Sem elas não é possível alcançar a paz familiar que é nosso maior consolo neste vale de lágrimas.

Pratiquemos estas pequenas virtudes para tornar nosso lar e nossa vida amáveis!


Referências

A Indissolubilidade do Matrimônio

Tempo de leitura: 5 minutos

É fácil observar que o casamento tem sofrido ataques ferozes nos últimos anos. Política, cultura, meios de comunicação, todos parecem estar sempre prontos para atacar o matrimônio a qualquer momento. Já no início da década de 1980, São João Paulo II escreveu:

“Entre os sinais mais preocupantes deste fenômeno, os Padres Sinodais sublinharam, em particular, o difundir-se do divórcio e do recurso a uma nova união por parte dos mesmos fiéis (…)” – São João Paulo II

Durante toda nossa vida somos bombardeados por ideias contra os pilares do matrimônio: amor livre, total, fiel e fecundo. Pretendo falar sobre cada um destes, mas hoje escreverei em favor do amor fiel!

Eu não te deixarei. Nunca. Não importa o que aconteça!

Este é o voto da fidelidade matrimonial. Um pouco assustador, não? Eu sei, mas é justamente este voto que permite a segurança necessária para a formação de uma família saudável para o casal e para as crianças.

O voto de fidelidade impõe restrições às discussões do casal.  Por causa dele não se pode dizer “basta para mim” toda vez que o outro manifestar um de seus defeitos, o que fará tão frequentemente quanto você mesmo.
Se, por outro lado, a possibilidade do divórcio rondar todas discussões, os dois viverão como animais ariscos. A possibilidade do término do relacionamento fará com que cada um viva num constante clima de vigilância, com medo de que suas atitudes desagradarem ao cônjuge, o que tornará a vida muito difícil e estressante. Consequentemente tendendo ao fracasso do casamento. Logo, a possibilidade do divórcio aumenta a probabilidade dele acontecer!

O casamento é um voto de união por toda vida, por isso se faz em frente de muitas pessoas e, principalmente, diante de Deus! Também por isso os noivos devem se preparar muito bem para receber o sacramento do Matrimônio, pois é um passo definitivo, com consequências para toda vida e, claro, também para a eternidade. O Papa Francisco já chamou a atenção para este problema da falta de preparação adequada:

“A preparação próxima do matrimônio tende a concentrar-se nos convites, na roupa, na festa com os seus inumeráveis detalhes que consomem tanto os recursos econômicos como as energias e a alegria. Os noivos chegam desfalecidos e exaustos ao casamento, em vez de dedicarem o melhor das suas forças a preparar-se como casal para o grande passo que, juntos, vão dar.” – Papa Francisco

Confiança plena para se entregar aos filhos

Outro ponto importante da fidelidade é a confiança que surge entre o casal (e passa para os filhos). De que outro modo uma mulher poderia abandonar uma carreira profissional para se dedicar integralmente à família?

Mesmo que a lei do divórcio dê algumas “garantias”, uma separação costuma ser injusta pois a mulher que deixou a carreira profissional fica dependente da pensão dada aos filhos e da divisão dos bens enquanto o homem segue com suas receitas provenientes de seu trabalho.

Liberdade

A ideia de que o divórcio significa liberdade não poderia ser mais falsa. Me parece muito mais uma tentativa de racionalizar que o fracasso em construir uma família, no fundo, foi algo bom.

Como já explicado, só somos realmente livres quando podemos agir sem medo, sempre tentando acertar, é claro, mas também sem medo de assumirmos nossos defeitos para assim podermos consertá-los, sem medo de nos entregarmos completamente ao cônjuge e aos filhos.

A indissolubilidade do casamento também é o único modo de assumir responsabilidades. Afinal, se você não pode fugir então você irá resolver seus problemas. A alternativa é viver num campo de batalha pelo resto da vida!

Velhice

A fidelidade é a segurança que precisamos para não vivermos uma vida volátil, onde tudo pode acontecer a qualquer momento. Veja o que acontece com pessoas que se divorciam frequentemente aos 50, 60 anos. É triste: família fragmentada, não têm uma narrativa continuada da vida, sem falar no mal que traz para os filhos.

Segurança emocional dos filhos

A possibilidade do divórcio atinge diretamente o sentimento fundamental para a felicidade doméstica: o propósito de um futuro tranquilo e seguro. Os filhos recebem dos pais três bens fundamentais: a existência, o alimento e a educação, eles são essenciais para o desenvolvimento normal das crianças e jovens e isso tudo só é possível graças à fidelidade dos pais. Sem ela, as crianças se veem com corações divididos, sem os irmãozinhos que naturalmente viriam, sem um teto para chamar de seu, enfim, envenenadas pela separação entre a lei civil e a lei Natural, que é a Lei de Deus.

Sociedade moralmente saudável

Também são a legalização e a difusão do divórcio causas da degradação moral que decaiu sobre grande parte do mundo.  As obras e leis de Deus exercem ações benéficas à toda sociedade, mas quando os homens viram as costas para elas, estas ações desaparecem e uma série de males surgem, como se a própria Natureza se revoltasse contra  as obras dos homens contrárias à vontade Divina. Por isso, ao atingir diretamente os jovens, o divórcio enfraquece também a sociedade e a nação que encontram neles – os jovens – o escudo e o braço da prosperidade.

A própria violação dos votos matrimoniais tem consequências maiores, vejamos o que nos diz o Venerável Fulton Sheen:

(…) Seria terrível demais contemplar o que aconteceria ao mundo se nossas promessas não fossem mais vínculos. Nenhuma nação poderia estender crédito a outra Nação se o acordo de reembolso foi assinado com reservas. A ordem internacional desaparece enquanto a sociedade doméstica perece pela quebra dos votos. Dizer, dois anos após o casamento: “Eu fiz meu juramento no altar, sim, mas já que estou apaixonado por outra pessoa, Deus não quer que eu mantenha meu juramento”. É como dizer: “eu prometi não roubas as galinhas do vizinho, mas como me apaixonei por aquela bela Plymouth Rock (uma raça de galinha), Deus não quer que eu mantenha minha promessa”. Uma vez que decidimos, em qualquer assunto, que a paixão tem precedência sobre a verdade, e o impulso erótico sobre a honra, então como impedimos o roubo de qualquer coisa caso se torne “vital” para alguém? – Venerável Fulton Sheen

E Chesterton dá razão à Santa Igreja, falando sobre o divórcio:

A Igreja sempre esteve certa em negar até mesmo a exceção. O mundo admitiu a exceção, e a exceção se tornou regra. – G. K. Chesterton

Salvaguarda da dignidade da mulher

O papa Pio XII nos deixou textos esplêndidos sobre a família:

“Vede a sociedade moderna, nos países em que se permite o divórcio e perguntai-vos: te o mundo a clara noção de que a dignidade da mulher é ultrajada e ofendida, violada e corrompida, sepultada – é preciso dizer – na degradação e no abandono? Quantas lágrimas secretas molharam corredores e quartos! Quantos gemidos, quantas súplicas, quantos chamados desesperados em encontros, caminhos ou trilhas, em cantos e passagens desertas! Não, a dignidade pessoal do marido e da mulher – sobretudo a da mulher – não têm melhor defesa e tutela que a indissolubilidade do matrimônio. É um erro funesto acreditar que se possa conservar, proteger e elevar a digna nobreza da mulher e sua cultura feminina sem o fundamento do matrimônio uno e indissolúvel. Se a Igreja, cumprindo a missão recebida de Seu divino fundador, com gigantesco e intrépido uso de uma santa indomável energia, afirmou sempre e difundiu pelo mundo o matrimônio indissolúvel sai-lhe glórias, porque com isso contribuiu enormemente para defender o direito do espírito contra os impulsos dos sentidos na vida matrimonial, salvando, com a dignidade das núpcias, a dignidade da mulher e também da pessoa humana.” – Papa Pio XII.

Portanto, façamos nossa parte, confiantes na Graça santificante, para edificarmos uma família que seja rocha firme onde os filhos possam crescer e formar uma sociedade temente a Deus, de onde surgirão muitos santos e santas!


Referências