Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Category: Espiritualidade (page 1 of 3)

Orações para quem deseja engravidar, para durante a gravidez e parto

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São Francisco de Sales

Ó Deus eterno, Pai de infinita bondade, que instituístes o casamento para propagar o gênero humano e povoar o Céu, e destinastes principalmente o nosso sexo para essa tarefa, querendo que nossa fecundidade fosse uma das marcas de vossa benção sobre nós, eu me prosterno, suplicante, diante de Vossa Majestade, que eu adoro.

Eu Vos dou graças pela criança que eu levo, à qual Vós destes o ser. Senhor, estendei a Vossa mão e completai a obra que Vós começastes: que Vossa Providência leve comigo, por meio de uma contínua assistência, a frágil criatura que Vós me confiastes, até a hora de sua chegada ao mundo. Nesse momento, ó Deus de minha vida, assisti-me e sustentai minha fraqueza com Vossa mão poderosa. Recebei então Vós mesmo meu filho e guardai-o até que ele tenha entrado, pelo batismo, no seio da Igreja Vossa Esposa, a fim de que ele Vos pertença pelo duplo título da Criação e da Redenção.

Ó Salvador de minha alma, que durante Vossa vida mortal tanto amastes as crianças e tantas vezes as tomastes nos braços, tomai também a minha, a fim de que tendo a Vós por Pai, e Vos chamando seu Pai, ela santifique o Vosso nome e participe de Vosso Reino. Eu Vo-la consagro de todo o meu coração, ó meu Salvador, e a entrego a Vosso amor.

Vossa justiça submeteu Eva e todas as mulheres que nascem dela a grandes dores; eu aceito, Senhor, todos os sofrimentos que vós me destinais nessa ocasião e Vos suplico humildemente, pela santa e feliz concepção de Vossa Mãe Imaculada, que me sejais benigno no momento de dar à luz meu filho, abençoando a mim e a essa criança que Vós me dareis, bem como concedendo-me o Vosso amor e uma inteira confiança em Vossa bondade.

E Vós, bem-aventurada Virgem, Santíssima Mãe de nosso Salvador, honra e glória de nosso sexo, intercedei junto a Vosso Divino Filho a fim de que ele atenda, em sua misericórdia, a minha humilde oração.

Eu Vo-lo peço, ó mais amável das criaturas, pelo amor virginal que tivestes por José, vosso santo esposo, e pelos méritos infinitos do nascimento de vosso Divino Filho.

Ó Santos Anjos que sois encarregados de velar por mim e por meu filho, protegei-nos e conduzi-nos a fim de que, pela vossa assistência, possamos um dia chegar à glória da qual vós já gozais, e louvar convosco nosso Senhor comum, que vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amem.

São Raimundo Nonato

Diz-se que São Raimundo nasceu em uma família nobre da Espanha por volta do ano 1200. Foi-lhe dado o apelido de “non natus” (não nascido), porque sua mãe morreu no parto, antes que ele viesse à luz. Por esse fato, é tradicionalmente considerado padroeiro das mulheres grávidas, parturientes (que vão dar à luz), parteiras e recém-nascidos.

Oração a São Raimundo Nonato por um parto feliz

Glorioso São Raimundo,  ninguém melhor que vós saberá compadecer-se das dores e perigos dum parto difícil,  pois, cedendo à violência dos sofrimentos,  vossa própria mãe perdeu a vida e só por milagre fostes dela extraído. Eia pois, meu santo, já que me encontro neste estado delicado, a vós confiadamente recorro para que eu possa completar com felicidade o número dos meus dias e produzam minha entranhas, livre e sã, a prole que com a bênção divina concebi,
a qual, regenerada pelo baptismo, venha com o tempo aumentar o número dos que fielmente servem ao Senhor. Não me desprezeis, glorioso santo, de vós ouvi dizer que a nenhuma deixastes sem amparo nestas circunstâncias. Compadecei-vos dos meus lamentos, pois embora me alcance a justa sentença que meu Senhor deu a Eva dar à luz os filhos com dores e trabalhos, espero, com a vossa poderosa intercessão, obter da benignidade de Deus, pela Santíssima Paixão e morte de Jesus, moderação e lenitivo em minhas dores, e no momento oportuno, um parto feliz, para aumento da grei cristã e maior glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cuja vontade resigno totalmente a minha. Amém.
(Pai nosso, Ave Maria, Glória ).

Santa Coleta de Corbie

A devoção a Santa Coleta para obter a graça de ter um bom parto nasceu do fato de que a mãe dela a gerou em idade avançada, com riscos na gravidez e no parto. Além disso, Coleta teve especial veneração pela Encarnação e Nascimento de Jesus. Assim, As Clarissas divulgam esta devoção, porque recorrendo à intercessão de Santa Coleta muitas mulheres grávidas recebem a graça de ter um feliz parto e dar à luz uma criança saudável.

Oração a Santa Coleta

Ó Santa e gloriosa virgem coleta, pelo ardente amor e fervorosa devoção que abrasava o teu coração diante do mistério da Encarnação e Nascimento de Jesus, pelas graças maravilhosas com que o Senhor vos enriqueceu, em virtude da sua concepção e nascimento, pela amável e calorosa ternura que tiveste à sua Sagrada Família, porquanto como que transformada em Jesus Cristo por verdadeiro amor e participação nos seus sofrimentos de criança e na sua pobreza, alcança-me dele a graça de serem atendidos os meus pedidos, o que espero por tua valiosa intercessão. Amém. (pede-se a graça de um bom parto)

São Domingos Sávio

São Domingo Sávio é padroeiro dos meninos cantores e também das grávidas, por ter cumprido em sua vida uma missão da Virgem Maria, enquanto era guiado por São João Bosco.

Durante o processo de investigação para levar Domingos Sávio aos altares, sua irmã Teresa narrou que certa vez o Santo se apresentou diante de Dom Bosco e lhe pediu permissão para ir a sua casa. Seu formador lhe perguntou ou motivo e o jovem respondeu: “Minha mãe está muito delicada e a Virgem quer curá-la”. Dom Bosco perguntou de quem tinha recebido notícias e Domingos respondeu que de ninguém, mas que ele sabia. O sacerdote, que já conhecia seus dons, deu-lhe dinheiro para a viagem.

A mãe de Domingos estava grávida, mas sofrendo com fortes dores. Quando o jovem chegou para vê-la, abraçou-a fortemente, beijou-a e depois obedeceu sua mãe, que lhe tinha pedido que fosse com uns vizinhos. Quando o médico chegou, viu que a senhora estava com a saúde recuperada e, enquanto os vizinhos a atendiam, viram em seu pescoço uma fita verde que estava unida a uma seda dobrada e costurada como um escapulário. A surpreendente visita de Domingos a sua mãe se deu em 12 de setembro de 1856, data do nascimento de sua irmã Catarina.

Tempo depois, Domingos disse a sua mãe que conservasse e emprestasse aquele escapulário às mulheres que necessitassem. Assim se fez e muitas afirmavam ter obtido graças de Deus com a ajuda do escapulário da Virgem.
Há muitas histórias de mulheres que não podiam engravidar e alcançaram essa graça através de São Domingos Sávio.

Oração a São Domingos Sávio
Ó glorioso e santo Menino, tu, que por inspiração da Virgem Imaculada levaste à tua mãe imediato alívio às suas dores, por meio de uma misteriosa fita que lhe colocaste ao pescoço, atende ao ardente desejo desta tua devota, que humildemente recorre à tua intercessão. Alcança-me da Virgem Maria, Mãe de Jesus, a graça da maternidade. Assiste-me no perigo instante, para que, auxiliada pela tua intercessão, possa, cheia de alegria, render a Deus e à sua Mãe Santíssima infinitas graças. Desde já coloco sob tua valiosa proteção a criatura que Deus me dará. Alcança-me a graça de vê-la crescer no santo temor de Deus, para que, conhecendo-o e servindo-o durante a vida, possa, juntamente com os demais de sua família, gozá-lo para sempre no céu. Que Assim Seja.

São Geraldo Majela

É muito eficaz a novena a São Geraldo Majela, para obter a proteção divina durante a gestação, para mãe e bebê. Em 1754 São Geraldo foi falsamente acusado de ter engravidado uma mulher que se chamava Néria Caggiano. Geraldo, porém, fez apenas uma oração e Néria se arrependeu. Então, ela se retratou e inocentou Geraldo. Foi por isso que o povo começou a associar de São Geraldo Magela à proteção das mulheres grávidas.

Novena a São Geraldo Majela
Deus Todo-Poderoso e Eterno, que, pela operação do Espírito Santo, preparou o corpo e a alma da gloriosa Virgem Maria, Mãe de Deus, para ser uma morada digna de vosso Filho e que, pelo mesmo Espírito Santo, santificou São João Batista antes de seu nascimento, recebei a oração de vossa humilde serva que vos suplica, pela intercessão de São Geraldo, vosso fidelíssimo servo, a proteção nos perigos da maternidade e a defesa, contra o espírito maligno, do fruto que dignastes dar-lhe, a fim de que por vossa mão que socorre e salva, ele possa receber o santo batismo.
Fazei também que a mãe e a criança possam, depois de uma vida cristã, chegar ambos à vida eterna. Amém.
Pai Nosso, Ave-Maria, Glória.

Nossa Senhora do Bom Parto

Oração para Nossa Senhora do Parto, presente na Basílica de Santo Agostinho, em Roma.

Santa Mãe de Deus, Virgem do Divino Parto, colocamo-nos aos vossos pés para cantar os vossos louvores. Vós sois a filha predileta do Pai, a Mãe do Verbo Encarnado, o Templo do Espírito Santo. Vós sois a Virgem escolhida desde toda a eternidade para cooperar com a obra da nossa salvação: alcançai para nós, de Vosso Filho, Jesus, uma fé forte, uma esperança sólida e uma caridade generosa.

Virgem Mãe, nós vos confiamos todas as mães que vos suplicam pela integridade de seus filhos e por um parto feliz, a fim de que a vida que portam em seu seio seja preservada de todo perigo. Concedei-lhes a graça de voltar aos vossos pés com a criança, para agradecer ao Senhor, que faz maravilhas aos que se entregam a Ele com confiança.

Ó, Virgem do Parto, guardai e defendei, todas as crianças com o vosso amor, para que, regeneradas do pecado pela água do batismo e inseridas na Santa Madre Igreja, cresçam serenamente, cheias de virtude, a fim de se tornarem testemunhas corajosas de vosso Filho, Jesus, e de perseverarem no caminho da santidade pela graça do Espírito Santo. Amém.

Ave Maria…
Virgem do Divino Parto, rogai por nós.

Nossa Senhora do Leite

Conheça mais sobre a história.

Oração

Senhora do Leite e Bom Parto, mãe amorosa do Menino Jesus e minha Mãe, escuta a minha humilde oração. Sei que vosso coração de  mãe conhece todos os meus desejos, todas as minhas necessidades. Só vós, Virgem Imaculada, e vosso Divino Filho são capazes de entender os sentimentos que enchem a minha alma. Vós que tivestes o sagrado privilégio de ser a Mãe do Salvador, intercedei junto a Ele agora, minha querida Mãe, que, segundo a sua vontade, eu  possa ser uma mãe biológica ou mãe de outros filhos enviados por Nosso Senhor. Isso eu peço, a vós, Senhora do Leite, em nome de vosso Divino Filho, meu Senhor e Redentor. Amém.

Nossa Senhora Grávida

A novena a Nossa Senhora Grávida deve ser rezada diariamente durante 9 meses: de 25 de março até 25 de dezembro, ou seja, da Anunciação até o Natal do Senhor. Muitas mulheres que tinham dificuldade de engravidar conseguiram seu milagre através dessa novena.

Reze a novena aqui.

Santa Gianna

Esposa amorosa, médica dedicada e mãe heróica, que renunciou à própria vida em favor da vida da filha, na ocasião da gestação e do parto. Cristã valente que o Beato Paulo VI descreveu como “uma mãe que, para dar à luz seu bebê, sacrificou a sua própria vida em uma imolação deliberada”.  Santa Gianna é uma poderosa intercessora em favor da vida familiar, das mulheres que não conseguem engravidar e daquelas mães com problemas durante a gestação.

Para conhecer mais sobre a história, recomendo esse link e esse livro.

Novena a Santa Gianna

– Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Deus Pai, que nos deste a Santa Gianna como exemplo de esposa amorosa, que cercou de amor a sua família construindo uma verdadeira “Igreja Doméstica”, faz-me assimilar esse mesmo amor incondicional, consagrando minha vida ao Teu serviço junto aos que me cercam.

PAI NOSSO… AVE MARIA… GLÓRIA AO PAI…

Jesus, Redentor da humanidade, que chamaste à Santa Gianna à missão de médica do corpo e da alma, vendo o Teu sofrimento no irmão doente, fazei que, seguindo o exemplo da Tua serva, possa eu entender a minha dor e a do meu irmão, participando do sacrifício da Tua Santa Cruz.

PAI NOSSO… AVE MARIA… GLÓRIA AO PAI…

Espírito Santo, fonte de todo o Amor, que infundiu no coração de Mãe da Santa Gianna a coragem dos mártires, de testemunhar com a própria vida o amor à criança que trazia no seu ventre, colaborando de maneira extraordinária no Teu plano de criação, e, que durante toda a sua vida foi um exemplo de cristã de fé, esperança e caridade, faz-me torná-la com o exemplo para um autêntico caminho rumo à santidade.

PAI NOSSO… AVE MARIA… GLÓRIA AO PAI…

ORAÇÃO:
Ó Deus, Amante da Vida, que doaste à Santa Gianna responder com plena generosidade à vocação cristã de esposa e mãe, concede também a mim (pessoa para quem quer obter a Graça), por sua intercessão (… FAZER O PEDIDO…) e também seguir fielmente os Teus Desígnios, para que resplandeça sempre nas nossas famílias a Graça que consagra o amor eterno e à vida humana. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Teu Filho, que é Deus, e vive e reina Contigo na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. AMÉM.

Serva de Deus Chiara Petrillo

Logo em sua primeira gravidez, ela teve uma surpresa ao fazer a ultrassonografia e descobrir que sua filha, Maria, foi diagnosticada com anencefalia. O casal decidiu seguir a gravidez até o fim, o que já foi uma surpresa para muitos. Trinta minutos depois de nascer, Maria veio a falecer.

O segundo filho do casal, Davide, ainda no início da gestação, foi diagnosticado com uma deficiência: ele não possuía as pernas e tinha má-formação visceral. Como na vez anterior, contra a expectativa de muitos, os pais decidiram prosseguir. Ambos os filhos, Maria e Davide, chegaram a nascer e, mesmo vivendo poucos minutos, foram acompanhados pelos pais até o último minuto.

Chiara engravidou novamente, desta vez era Francesco. Os exames mostravam que o menino era saudável, para a alegria do casal. Porém, no quinto mês de gravidez, Chiara descobriu uma lesão na língua e logo na primeira cirurgia os médicos diagnosticaram que se tratava de um câncer. Ela tinha duas opções: seguir com a gravidez ou interrompê-la por causa do tratamento do câncer. A escolha de Chiara foi pela vida de seu filho, ato este que colocou em risco sua própria vida. Foi somente após o parto que Chiara pôde dar início ao tratamento com quimioterapia e radioterapia, que ela enfrentou com muita serenidade e irresoluta confiança na Providência. Um tempo após o nascimento de Francesco, Chiara faleceu, em junho de 2012, aos 28 anos.

Apesar de não haver oração e novena aprovada, pois Chiara ainda não foi elevada a honra dos altares, muitas mulheres tem rezado pedindo sua intercessão para engravidar e com relação a problemas na gravidez, já que ela morreu em odor de santidade.

Recomendo esse artigo do blog Modéstia e Pudor e o livro sobre sua vida.

Referências

http://www.montfort.org.br/bra/oracoes/diversas/gestantes/

Quando uma mulher sabe amar

[Oração] Novena a São Geraldo Majela e Oração para Nossa Senhora do Parto para as grávidas.

http://www.acidigital.com/noticias/hoje-a-igreja-celebra-sao-domingos-savio-padroeiro-das-gravidas-93421/

http://www.paroquias.org/oracoes/?o=193

http://coletadecorbie.blogspot.com.br/2010/09/devocao-santa-coleta-para-um-bom-parto.html

Um ano novo é muito pouco: precisamos de uma alma nova

Tempo de leitura: 6 minutos

Extirpar um defeito/vício por ano

Toda virada de ano é repleta das mesmas coisas: sonhos, projetos, mudanças, enfim, uma busca por uma vida nova. Infelizmente, a maioria das pessoas se preocupa apenas com as coisas exteriores, com os bens que passam: trabalho, dinheiro, sucesso, descanso, viagens, festas, e tanto mais. Poucos são os que aproveitam essa atmosfera de mudança para repensar a vida interior e propor mudanças. Além disso, para a maior parte das pessoas, toda virada de ano é uma grande frustração: os dias passam e a vida continua igual, justamente porque quem precisa mudar somos nós, independente do ano.  É uma triste ilusão e algo bem comum (e imaturo), condicionar as nossas necessidades, projetos, sonhos à fatores exteriores. Assim, se falharmos, a culpa não será nossa.

Mas, afinal de contas, os propósitos de ano novo são ruins? Absolutamente não. Se soubermos aproveitar essa atmosfera de mudança, quanto poderemos fazer! Devemos tomar cuidado com o que nos alerta São Josemaria: “Tu não deves trabalhar por entusiasmo, mas por Amor.” Qualquer propósito de ano novo será sempre em vão e levará à frustração se não tivermos uma vontade firme.

”Se a cada ano extirpássemos um vício, bem depressa seríamos perfeitos.” (Imitação de Cristo)

Essa citação do livro Imitação de Cristo é tão chocante quanto verdadeira. E, mais do que isso, totalmente possível e alcançável! Grande parte das vezes não progredimos espiritualmente porque estamos perdidos em meio a tantos e tantos propósitos. Principalmente na vida familiar, com tempo tão curto, é difícil progredir em muitas coisas ao mesmo tempo. Mas não é impossível! O importante é não estacionar, pois na vida espiritual quem não progride, retrocede.

Então, que tal adotarmos essa proposta de extirpar um defeito ou vício por ano? É uma proposta real, eficaz e que está ao alcance de todos!

O defeito dominante

Após um bom exame de consciência, somos capazes de identificar qual defeito ou vício mais tem atrapalhado a nossa vida e incomodado as outras pessoas. É esse o vício que deve ser corrigido. ”Para combater com eficácia na vida interior devemos conhecer bem o que os autores espirituais chamaram o defeito dominante, o que em cada um tende a prevalecer sobre os outros e, como consequência, se torna presente na forma de opinar, de julgar, de querer e de agir. ” (Pe. Garrigou)

”O demônio é como um leão que ruge ao nosso redor, procurando nos devorar. Com muita inteligência, ele busca, precisamente, nos atacar em nosso ponto fraco. Assim, ele faz a ronda para examinar todas as nossas virtudes teologais, cardeais e morais, e é no ponto em que nos encontra mais fraco, é nesse ponto, que é o mais perigoso para a nossa salvação, que ele nos ataca e tenta nos abater. Como um bom chefe de guerra, ele sabe que uma vez tomado o ponto mais fraco de nossa alma, o menos virtuoso, ele vai se tornar o mestre de todo o resto de nossa alma. Esse ponto mais desprovido de virtude, o mais arruinado pelas nossas más inclinações é justamente o nosso defeito dominante, que é também a raiz, a causa de muitos outros pecados. Esse defeito dominante pode ser muito diverso segundo cada pessoa: o orgulho, a vaidade, a sensualidade, a impureza, a falta de modéstia, o respeito humano, o apego aos bens desse mundo, o apego às honras ou à glória desse mundo. Ele pode ser a preguiça, sobretudo a preguiça espiritual, a falta de espírito sobrenatural, a falta de esperança, a inconstância, o espírito mundano, a cólera, etc…

Para que sejamos vitoriosos nesse combate, é preciso, todavia, seguir o conselho da Igreja. A vitória sobre o nosso defeito dominante não ocorre sem os sofrimentos, sem as cruzes, sem as privações. É impossível vencê-lo sem a mortificação, sem a penitência. Do mesmo modo, sem a oração – sem muita oração – é igualmente impossível vencê-lo e até mesmo começar a batalha, pois é Deus que nos dá a força para combater e é Deus que nos dá, em última instância, a vitória. Sem Ele, mais uma vez, nada podemos fazer. Finalmente, é a caridade, a vontade de servir a Deus, infinitamente bom e amável, que deve nos animar e nos dispor ao combate.  Para não se enganar a respeito de seu próprio defeito dominante, é necessário pedir o auxílio de Deus, para que Ele mostre qual é esse defeito e convém pedir conselho a um padre bom que conheça sua alma.” (Pe. Daniel Pinheiro)

E, não só corrigir o vício/defeito, deve ser feito também a atitude contrária, que é o remédio para a correção. Por exemplo, uma pessoa acostumada a reclamar pode escolher corrigir esse defeito e se esforçar em dar graças a Deus por tudo o que acontecer.

Sugestões de propósitos para o ano de 2018

A seguir, uma lista com sugestões de propósitos de correção:

  • Não reclamar, sendo assim, dando graças a Deus por tudo o que acontecer;
  • Não fofocar, sendo assim, procurando guardar o que penso a respeito do próximo só para mim;
  • Não fazer julgamento temerário, sendo assim, procurando pensar sempre o bem do próximo;
  • Não perder tempo na internet, sendo assim, reservando apenas um horário por dia pra checar o que preciso;
  • Não mentir nem para me desculpar, sendo assim, falando sempre a verdade;
  • Não falar mal do esposo/esposa bem como não expor a vida familiar para os outros, sendo assim, guardando a intimidade de nosso lar;
  • Não passar tanto tempo trabalhando ou em outras coisas, sendo assim, procurando passar mais tempo em família;
  • Não sendo impaciente, sendo assim, procurando sofrer as contrariedades com serenidade e alegria;
  • Não gastar demasiadamente, sendo assim, comprando somente o necessário;
  • Deixar de assistir televisão, sendo assim, usando esse tempo para algo útil como leitura, oração ou tempo em família;
  • Vencer meu mau humor, sendo assim, procurando sorrir e não descontar nas pessoas;
  • Não me irritar com os defeitos alheios, sendo assim, sofrendo os defeitos dos outros e rezando para que a graça de Deus venha e os ajude a mudar;
  • Não sendo orgulhoso, sendo assim, pedindo perdão quando errar;
  • Não ler, assistir ou falar coisas imorais, sendo assim, vivendo a pureza;
  • Não usar moda imodesta e sensual, sendo assim, vestir-me decentemente;
  • Não discutindo por coisas pequenas, sendo assim, relevando bobagens e focando nas coisas boas;
  • Não perder tempo, sendo assim, cumprindo minhas obrigações de cada dia;
  • Não impor minha opinião, sendo assim, aprendendo a ceder;
  • Não tendo inveja, sendo assim, reconhecendo o bem nos outros;
  • Não pecando contra a castidade matrimonial, sendo assim, vivendo o plano de Deus para a sexualidade do casal;
  • Não provocando confusões, sendo assim, guardando a minha língua;
  • Não procurar agradecimento em tudo, sendo assim, fazer as coisas sem esperar retribuição;
  • Não ser preguiçoso, sendo assim, ser generoso e me colocando a disposição das pessoas;
  • Não ser curioso, sendo assim, cuidando dos assuntos de minha própria vida de família;
  • Não me importando com a opinião das pessoas, sendo assim, pensando em agradar somente a Deus.

Sugestões de propósitos espirituais

Além de corrigir um defeito/vício, também podemos inserir um bom propósito relacionado a vida de oração, como:

  • Rezar o terço em família todos os dias;
  • Rezar o Ofício da Imaculada Conceição aos sábados;
  • Assistir mais de uma Missa por semana com a família;
  • Ler o Evangelho do dia com a família;
  • Falar para as pessoas sobre a salvação eterna;
  • Meditar sobre a morte, o céu e o inferno;
  • Não desanimar nas dificuldades;
  • Rezar quando me sentir triste;
  • Estar sempre fazendo algo para o bem da minha alma e dos que amo;
  • Rezar quando tiver uma tentação;
  • Oferecer sacrifícios pelas almas do purgatório;
  • Rezando a Nossa Senhora nas tentações;
  • Oferecer sacrifícios pela pureza e inocência das crianças e jovens;
  • Consagrar-me a Nossa Senhora;
  • Ensinar algo da fé para alguém;
  • Assistir Missa todos os domingos
  • Rezar o Angelus antes das refeições;
  • Rezar a oração das refeições;
  • Ensinar os filhos a rezar;
  • Abençoar os filhos antes de dormir;
  • Fazer leitura espiritual (tratados de espiritualidade, vida dos santos,…);
  • Fazer leitura formativa (estudar sobre algum tema referente a nossa fé);
  • Fazer alguns minutos de meditação por dia (do Santo Evangelho ou usando algum livro);
  • Confessar-se uma vez por mês;
  • Participar da vida paroquial;
  • Rezar pelas vocações;
  • Visitar asilos, orfanatos, hospitais;
  • Ajudar financeiramente algum instituto religioso;
  • Rezar diariamente pelos filhos e esposo (a);
  • Buscar uma vida interior na presença de Deus

 

A vida passa extraordinariamente depressa e precisamos urgentemente daquela ”determinada determinação” de que Santa Teresa tanto nos fala. Se tivermos sempre em mente que ”O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”, não teremos dificuldade de combater o bom combate e esforçar-nos, até o sangue, para alcançar a santidade. E, principalmente, se ainda não é pelo amor que buscamos agradar ao bom Deus, ao menos que meditemos todos os dias o momento do nosso julgamento, onde estaremos diante do Justo Juiz. Certamente o temor nos dará bons empurrões!

 

Singelas tradições para viver o advento e Natal em casa

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Como as famílias católicas podem viver bem o advento e o Natal em casa? Trago singelas tradições natalinas que algumas famílias fazem em seus lares. Que possa inspirar mais famílias!

Palhas para a manjedoura

“Ano passado fizemos um presépio bem simples com um cestinho pra colocar o Menino Jesus. Do lado, deixei uns papéis picados para imitar palha.

Todos os dias colocamos uma palha para cada coisa bonita que fizemos por Jesus, para Jesus “nascer no fofinho”. Aprendi com uma amiga que fazia isso em casa quando criança. ” (Ana Pur)

Cada criança pode ter uma manjedoura individual ou ter uma manjedoura para toda a família. A ideia é que quando atos de serviço, sacrifício ou bondade forem feitos em honra ao menino Jesus, a criança receba uma palha para colocar dentro da manjedoura.  Devemos encorajar as crianças a fazer para Jesus uma manjedoura mais confortável possível.

Enxoval para o Menino Jesus

Os pais junto com os filhos vão preparar um lugar na casa para pôr a manjedoura e durante os dias do advento vão preparando o enxoval, seguindo as atividades.

(Brenda Nascimento)

Sorteio do Anjo do Natal

“Coloco o nome das pessoas de nossa casa em papéis e fazemos o sorteio entre nós. Cada um fica responsável por fazer bondades para quem sorteou. Será o Anjo pra ela. No final do Advento revelamos os Anjos e entregamos uma pequena lembrança. “(Magda Verônica)

Coroa do Advento e propósito

“Todos os anos fazemos a Coroa do Advento, com o acendimento semanal das velas. No primeiro dia do advento, todos nós fazemos nossos propósitos de advento: uma privação, jejum, enfim, uma oferta de cada um ao Menino Jesus.”(Juliana Veloso)

As quatro velas colocadas na Coroa de Advento são acendidas semana a semana, nos quatro domingos do advento e com uma oração especial.

Para aprender mais sobre a Coroa, seguem os links:

http://www.acidigital.com/noticias/cinco-detalhes-sobre-a-coroa-do-advento-que-talvez-desconheca-51096/

http://www.salvemaliturgia.com/2010/12/coroa-do-advento.html?m=1

https://padrepauloricardo.org/episodios/qual-a-origem-da-coroa-do-advento

Mudar a data dos presentes

Muitas famílias seguem a tradição de entregar os presentes no dia dos Reis Magos, 6 de janeiro, ao invés do 25 de dezembro. Há famílias que também entregam lembrancinhas em sapatos ou meias no dia de São Nicolau, 6 de dezembro.

Para o dia do Natal, que tal celebrar o Menino Jesus? Fazendo um bolo com as crianças, por exemplo! O consumismo dessa época roubou e desviou há muito a nossa atenção do verdadeiro sentido do Natal.

O Natal não é uma data comercial, mas o nascimento de Nosso Senhor.  “Um menino nos foi dado”. O que vemos é a realização das escrituras “veio para os seus e os seus nao o acolheram”.

Resgatemos o sentido  do Natal sendo famílias verdadeiramente católicas e dando as nossas crianças uma sólida formação de fé: o Natal é do menino Jesus e não do papai noel.

A árvore de Jessé

A árvore de Jessé traz a genealogia de Jesus. É uma belíssima forma de ensinar a história sagrada aos nossos filhos e levá-los a refletir sobre a genealogia de Jesus durante esse tempo.
Cada enfeite da árvore faz menção a uma história  da Bíblia, desde a criação até o nascimento de Nosso Senhor .  A cada dia, uma história deve contada e seu enfeite correspondente deve ser pendurado na árvore.
Você pode fazer a sua própria árvore como ensina o link a seguir do blog Um novo lar:
https://www.google.fr/amp/s/umnovolar.wordpress.com/2016/11/18/como-fazer-uma-arvore-de-jesse/amp/

Ou pode comprar uma belíssima Árvore de Jessé de feltro através do Feltro do Céu: http://feltrodoceu.wixsite.com/feltrodoceu/jesse  ou pela página no Facebook.

Montar o presépio

Há muito o presépio foi retirado dos lares cristãos para dar lugar a árvore de Natal e demais enfeites. Devemos fazer da montagem do presépio uma tradição e centro de nosso advento, pois ele nos recorda o verdadeiro Natal.

Montar o presépio e explicá-lo as crianças é uma verdadeira catequese.

Na noite do dia 24 para 25 ou na manhã do dia 25, fazer a entronização do menino Jesus e repousá-Lo na manjedoura para que todos possam adorá-Lo é uma antiga e tão bela tradição que as famílias tem.

Celebrar o dia de São Nicolau

A figura do Papai Noel é inspirada na história de São Nicolau. Indico o texto onde a Luciana do blog As três chamas do lar, explica toda a história a respeito de São Nicolau e do papai Noel e a sua peça sobre esse santo:
Sobre São Nicolau (e o Natal)
https://www.google.fr/amp/s/lucianalachance.wordpress.com/2016/11/26/minha-peca-sobre-sao-nicolau/amp/

Celebrar outras datas

Santa Luzia, fazendo a relação com a Luz do mundo.
Imaculada Conceição, conhecendo e ensinando o dogma às crianças.
Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu grávida.

Fazer a Novena de Natal

Com a família, seja em casa ou na paróquia, é uma grande ocasião de preparar-nos para a vinda do menino Deus.

Participar das atividades paroquiais

Missas, atividades culturais e confissão.
Além disso, sugerimos três posts do casal querido e experiente, Rafael e Aline Brodbeck sobre esse tempo:

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/o-advento-vem-ai.html

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/como-viver-o-advento-em-familia_28.html

http://www.domesticaecclesia.com/2013/12/o-advento-vivido-em-familia.html

 

Atividades em família para o Advento

Tempo de leitura: 2 minutos

O calendário do advento é uma atividade muito legal de se fazer com a família. Escolhe-se uma atividade por dia para ser feita durante esse tempo tão belo e propício. Postamos várias sugestões de atividades para que vocês possam escolher entre elas!

Com uma busca rápida pelo Google ou Pinterest, facilmente encontramos várias inspirações para montar um calendário (figuras, listas). O legal de fazer o calendário desse jeito é que fica bem lúdico e divertido para as crianças. 

ATIVIDADES

1. Ouvir músicas natalinas;

2. Fazer um pote da gratidão;

3. Dar um presépio de madeira ou feltro para as crianças brincarem;

4. Escrever cartões de natal para a família e amigos;

5. Fazer enfeites para a árvore de Natal;

6. Separar brinquedos para doar;

7. Ler livro de natal;

8. Separar roupas para doar;

9. Celebrar dia de São Nicolau (6 de dezembro) contando a história;

10. Celebrar dia de São Nicolau pegando presentes na meia;

11. Colorir desenhos do presépio;

12. Passear e ver alguma decoração de natal na cidade;

13. Ouvir coral de natal em casa ou apresentação natalina na cidade;

14. Aprender e ensaiar uma música de Natal em família;

15. Fazer biscoitos natalinos;

16. Enviar uma mensagem de Natal para os vizinhos na caixa de correios;

17. Fazer a Novena de Natal;

18. Fazer a Coroa do Advento em casa;

19. Fazer decoração de Natal (guirlanda, arranjo de mesa, enfeites para a árvore);

20. Fazer pão de natal;

21. Observar as estrelas e falar sobre a estrela de Belém;

22. Ler livro sobre o nascimento de Jesus;

23. Montar uma árvore de papel ou feltro com enfeites móveis para as crianças;

24. Aprender sobre o presépio;

25. Ver decoração de Natal em shopping;

26. Fazer chocolate quente;

27. Fazer bombons ou biscoitos para dar de presente;

28. Tirar foto em família  (fazemos isso todo Natal);

29. Visitar padrinhos ou avós;

30. Visitar um asilo e levar biscoitos natalinos;

31. Comprar um presente novo para uma criança carente;

32. Construir uma manjedoura para o Menino Jesus;

33. Fazer bolo de aniversário para o Menino Jesus;

34. Receber alguém especial para um almoço ou café da tarde;

35. Fazer lembrancinhas de natal;

36. Reunir os amigos das crianças para um encontro de Natal;

37. Acampar na sala;

38. Entronização do menino Jesus;

39. Criar versinhos/rimas de Natal;

40. Fazer alguma receita especial em família;

41. Visitar o presépio da cidade;

42. Jogo em família;

43. Preparar um teatro de Natal em casa;

44. Decorar a casa com enfeites de natal;

45. Fazer cupcakes e decorá-los;

46. Jantar à luz de velas;

47. Comer marshmallows;

48. Montar árvore de Natal;

49. Aprender sobre os Reis Magos;

50. Aprender sobre os profetas que anunciaram a vinda de Jesus.

 

Entre tantas outras atividades!

No próximo post trarei algumas pequenas tradições católicas familiares que costumam ser feitas com as crianças!

O Senhor nos leva ao horto

Tempo de leitura: 3 minutos

 

Há duas coisas que nos são tão distantes e vistas, de certa forma, como ruins hoje em dia: o silêncio e a solidão. Mais do que ao silêncio, se há algo que em geral somos avessos é à solidão, que toma logo significado e proporções relacionadas à doenças.

Nessa mudança para a França, deparei-me com a solidão de uma forma nunca antes vivida. Mais do que uma solidão física, uma solidão da alma.

Depois de um período de aridez extrema, percebi que o Senhor me trouxe não ao deserto, onde Ele foi tentado ou aonde o povo caminhou rumo à terra prometida, mas sim, ao horto das oliveiras, onde enquanto todos dormiam, Ele sentia-se só.

Uma solidão doída que, com o estresse, angústias, medos, fez com que o Senhor suasse sangue.

Assim também o Senhor me trouxe ao horto, com nenhum outro fim senão o de levar-me a entender que para amá-Lo, devo deixar todas as coisas e nada é mais difícil do que deixar a minha vontade própria. E entregar ao Senhor a nossa vontade é conformar-se totalmente com a vontade Dele e nisso consiste a perfeição.

“É necessária a solidão para aumentar nosso amor e intimidade com Deus.”

Entendi que na maior parte das vezes andei como uma criança mimada esperando consolo, atenção e que as coisas corressem ao modo da minha vontade. Mas o Senhor me quis ensinar que se quero ser santa, se quero ser como Ele, em meio a noite mais escura devo dizer: Pai, faça-se em mim a Vossa vontade.

Enquanto não aceitei esse sofrimento, me debatia como um pássaro preso na gaiola. Deixar as coisas materiais é um sacrifício fácil. Mortificar a nossa vontade é como um rasgar-se com a espada. Quando entendi e aceitei que o Senhor queria me tirar todas as coisas e mostrar-me o Seu Senhorio, a minha alma tornou-se serena e dócil. Estou vivendo um tempo em que nada está sob o meu controle. E dou graças a Deus por isso.

Queremos sempre companhia, buscamos sempre consolo e ajuda, mas na vida espiritual estamos sozinhos (de certa forma) com Deus, pois se por um lado a graça divina vem em nosso socorro, do outro está apenas a nossa vontade firme de fazer o bem e ir subindo nos degraus do Amor.

O Senhor nos leva ao Horto. Na solidão, encontramos a paz: seja feita a Vossa vontade. Na solidão, encontramos a Fonte Escondida. Na solidão, encontramos a nós mesmos: um poço de miséria sem fim.

Certo dia um anjo conduziu uma alma piedosa ao Horto das oliveiras, onde Jesus agonizava, e disse: “Para consolar Jesus, necessita-se das almas vítimas. Onde estão elas, aquelas que consentem sofrer com ele até a agonia e o suor de sangue?” O Anjo então a fez se aproximar de Nosso Senhor. “Eu me aproximei, me prostrei e compreendi quanto vale o amor reparador e compassivo: tinha encontrado o local do meu repouso”.

“Eis as palavras que Nosso Senhor me deu para meditar. “Meu Pai, seja feita vossa vontade”. Durante a Santa Missa, Ele me fez entender tão distinta quanto intimamente duas queixas e uma promessa.
Primeira queixa: Poucas almas querem compadecer-se de minha agonia.
Segunda queixa: Poucas almas, mesmo as consagradas, sabem compadecer-se da Agonia do meu Coração.
Promessa: Faço grandes confidências as almas que querem consolar-me em minha agonia.” (Bem-aventurada Dina Belánger 1897-1929)

Tudo isso pode parecer distante, mas todos temos ocasiões em que somos levados ao horto. Uma grande ocasião é o puerpério, período pós nascimento do bebê, a solidão que se sente, as noites em claro, as angústias, os medos, a dificuldade na amamentação que nos faz literalmente sangrar. Também tantas outras, como mudar-se para um lugar novo longe dos amigos, da família; as esposas que ficam sozinhas enquanto seus maridos viajam a trabalho ou trabalham embarcados; as viúvas e tanto mais.

É verdade que um Anjo consolou o Senhor, e também nós, em meio às nossas agonias, recebemos algum consolo (humano ou espiritual). Mas, o consolo só veio depois da total conformidade com a vontade do Pai. De qualquer modo, não podemos viver dependentes de consolo cada vez que experimentarmos o sofrimento. A vida espiritual não é sensorial e baseada em sentimentos. Não tenhamos medo de fazer companhia ao Senhor no Horto, de esquecer o nosso sofrimento e consolá-Lo. Não cresceremos espiritualmente enquanto formos tão dependentes das criaturas e enquanto quisermos que seja feita a nossa vontade. Devemos aprender de Jesus a forma perfeita de orar e viver: que se cumpra fielmente a vontade do Pai e, para isso, teremos de ser crucificados.

As mortificações para alcançar a paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

 

No último post falamos um pouco sobre os meios de  viver a paciência: ir além de suportar, saber esperar, saber calar, saber falar. Hoje trataremos do último meio: as mortificações para alcançar paciência.

Algumas dessas mortificações que podemos oferecer diariamente a Deus:

  • Fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem fazer expressão de tédio ou indiferença;
  • Não andar comentando a toda hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas dores e mal estares; propondo-nos firmemente a não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…;
  • Renunciar decididamente a utilizar frases típicas do dicionário da impaciência: ”Você sempre faz isso”, ”De novo, já é a terceira vez que você faz isso”, ”Outra vez!”, ”Já estou cansado”;
  • Evitar cobranças insistentes e antipáticas e prontificar-nos a ajudar os outros;
  • Não implicar com pequenos maus hábitos dos outros;
  • Saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entender;
  • Aceitar as contrariedades com alegria;
  • Não reclamar;
  • E tantas outras!

Após identificar as situações que nos impacientam, devemos esforçar-nos por ser pacientes justamente nessas situações específicas. Na maior parte das vezes teremos de dar mais do que o nosso 100%. E justamente por isso a mortificação é um sacrificar-se.

Um pequeno caso

Uma mãe impaciente tornou-se <<rezadora>>. Uma mulher de nervos frágeis tinha se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: ”Mãe de Misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado!)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente preparada uma oração própria que dizia: ”Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da Paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: ”Maria…., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!”. Depois, comentava com certo espanto: – Sabe que dá certo? Fico mais calma!. E ficava mesmo, conta o padre Francisco Faus.

“Recomendo que tenhas calma com os filhos, que não lhes dês uma bofetada por uma ninharia. Os filhos ficam irritados, tu aborreces-te, sofres porque gostas muito deles e, ainda por cima, tens de te acalmar. Tem um bocadinho de paciência, chama-lhes a atenção quando já te tiver passado a irritação, e sem ninguém por perto. Não os humilhes diante dos irmãos. Fala com eles apresentando algumas razões, para que se dêem conta de que devem atuar de outra maneira., porque assim agradam a Deus”. (São Josemaria Escrivá)

Quando começamos a meditar sobre as nossas impaciências, descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor. Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor.

Padre Francisco Faus diz que ”é possível que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, se vá rezando o terço no trânsito ou carreguem consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.”

Como diz Santo Tomás de Aquino, ”manifestum est quod patientia a caritate causatur”: ”é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras, ”só o amor é causa da paciência”.  Esse grande amor que, com a ajuda da graça divina, nos dá forças para aceitar, sorrindo e com os olhos fixos em Jesus, as pequenas contrariedades e também as grandes dores. Esse grande amor que nos dá energia para sermos fiéis e persistir pacientemente na luta um dia após outro, é o mesmo amor que acende na alma os grandes ideais e nos impele a realizá-los com a maior vibração e prontidão possíveis.

A mesma paciência que aceita,  torna-se divinamente impaciente em seus desejos de amar. Não se atira atabalhoadamente à ação, mas quer andar, como dizia São Josemaria Escrivá, “ao passo de Deus”, ao ritmo das graças e das oportunidades que o Senhor dá, sem nada perder, sem nada atrasar. Tem uma serena e enérgica prontidão em se doar e aceitar aquilo que o Senhor manda.

”A paciência! Não é por certo a virtude que no decorrer do dia se oferece com maior freqüência à mãe de família, qual fruto esplêndido e fecundo? Colhei este fruto celeste avidamente e fazei penetrar até o íntimo da vossa alma. Ele vos fará morrer para vós mesmas! O exercício dessa virtude mudará de fato o curso de vossa vida, para reconduzi-la ao domínio do Pai Celeste. (…) Ah! como a vida das mães, geralmente sobrecarregadas de trabalho e renúncia, tonar-se-ia doce e até mesmo jubilosa, se elas vivessem o seu cristianismo! A dificuldade do momento, longe de ser um obstáculo à sua ascensão, passaria a ser, em vez disso, como um sorriso de Deus, um apelo para o Alto, um motivo a mais de esperança infinita!” (G. Joannés)

O cultivo da paciência é um exercício diário. Muitas vezes, o processo é lento, mas nem por isso devemos desanimar. Deus é extremamente paciente com as nossas limitações. Cabe a nós uma vontade firme de seguir adiante, não importa quão difícil ou quanto demore! A graça de Deus vem sempre em nosso auxílio! Peçamos incessantemente ao bom Deus que nos dê um coração dócil, terno, ”manso e humilde”, semelhante ao de Nosso Senhor.

Referências

São Josemaria Escrivá, Bell-lloc del Plá (Gerona), 24-XI-1972

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Os meios para se viver a paciência

Tempo de leitura: 6 minutos

“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras” (Provérbios 16,32).

Não há uma fórmula mágica para viver a paciência, principalmente se o egoísmo tem raízes em nosso coração. Mas, se há amor, então vão nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência. Quem luta por viver em Deus, sabe que o amor cristão é movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas, ou, o que será mais frequente, de ambas ao mesmo tempo.

Santo Afonso de Ligório nos diz:  “Não nos irritemos com nenhum incidente; se às vezes nos vemos surpreendidos pela raiva, recorramos logo a Deus, e abstenhamo-nos de agir e falar, até termos a certeza de que já foi embora”. Quando nos sentimos à beira de uma crise de impaciência, devemos fazer o esforço de nos calarmos. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito e de rezar bem devagar alguma oração, como, por exemplo o Pai Nosso. Após essa oração, que pode ser também uma sequencia de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus e já com a alma mais tranquila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Não duvidemos que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem deixá-la de lado, exercitamos a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem fim de pequenos sacrifícios que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência.

Falando de forma mais prática

a) É preciso aprender a ir além de suportar

Papa Bento XVI falava dessa sabedoria: ”A paciência é o rosto cotidiano do amor. Nela, a fé e a esperança também estão presentes. Porque, sem a esperança que vem da fé, a paciência seria apenas resignação e perderia o dinamismo que a faz ir além do esforço de suportar uns aos outros, para ir ao esforço de ser uns o suporte dos outros. Jesus conduz-nos para a paciência que suporta e apoia o outro”.  É isso o que são Paulo nos pede na Carta aos Gálatas: ”Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2).

Na maioria das vezes sequer chegamos ao ponto de suportar. Precisamos ser realistas, pois é bem verdade que tudo nos incomoda e na maioria das vezes nem pensamos em quanto somos capazes de incomodar os outros também. Quanto mais nos recordarmos de nossas misérias e nos esforçarmos em sofrer as demoras, os nossos egoísmos, as nossas irritações, tanto mais nos assemelharemos ao Cristo, que tudo suportou por amor a nós. E, acredite, tanto mais fácil será a vida em família.

Se cada um esforçar-se em suportar o outro e melhorar a si mesmo, a harmonia familiar será sempre fácil de alcançar. O problema é que preocupamo-nos mais em corrigir o outro do que a nós mesmos, em reclamar das situações do que suportá-las ou resolvê-las. Um simples exemplo: se todos os dias ao invés de gastar meia hora reclamando com meu esposo do sapato que fica na porta eu simplesmente pegá-lo e guardá-lo, terei economizado 29 minutos, evitado estresse e ainda crescido em humildade e sacrifício. E, mais, por experiência própria: na maior parte das vezes conseguimos algo dando o exemplo e não através das palavras.

Se a impaciência vem da nossa incapacidade de sofrer, suportar é nosso ato voluntário de aceitar sofrer e  não só isso, mas sofrer com amor. Não dá para aceitar sofrer com cara feira, emburrada, com indiretas, com vitimismo. E isso também não é algo que se consiga do dia para a noite, mas é fundamental que possamos ser sinceros e identificarmos essa coisas em nós que precisam ser melhoradas.

Além disso, devemos esforçar-nos em suportar as situações onde não há solução e oferecer amor. Como em caso de adultério, é sempre necessário ir além de suportar. É preciso perdoar. Também aos filhos, com suas dificuldades e incapacidades, que exigem de nós muitas vezes mais do uma boa dose de paciência.

b) É preciso saber esperar

”Sede pacientes, irmãos. Vede como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações” (Tg 5,7-8).

São Josemaria fala dessa sabedoria: ‘‘Quem sabe ser forte não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-o a saborear a virtude humana e divina da paciência… E é esta paciência a que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”.

Muitos casamentos passam por grandes crises porque os esposos ocupam-se demais em mudar o outro. Além disso, nós, mulheres, somos especialistas em ocupar-nos com ninharias. Não nos casamos com uma pessoa perfeita e nem nós somos esta pessoa perfeita para o outro. É preciso aprender a ajudar o outro a crescer, o que não significa que ele será como eu espero que ele seja. Cada pessoa é única e irrepetível, somente Deus sabe o que é melhor para ela.

Se estamos diante de uma falta grave, devemos corrigir as pessoas com amor e oferecer uma solução para remediar aquele problema. Não é com brigas, gritos, discussões e reclamações cotidianas e frequentes que a mudança vem. Além disso, precisamos saber esperar o tempo de que as flores floresçam e os frutos possam ser colhidos. Muitas vezes não teremos a graça de colhê-los. Recordo-me bem do exemplo da Elisabeth Leseur que tendo uma vida interior intensa e profunda, morreu sem ver seu esposo convertido. Mas, após sua morte, ao ler seu diário espiritual, ele se converteu e tornou-se sacerdote. Deus tem seus caminhos.

Além disso, esperar também no sentido de viver o sofrimento que se manifesta em forma de dificuldade, como uma doença, um imprevisto, e tantas outras coisas, com serenidade.

c) É preciso saber calar

Como é importante calar quando a ira ou a impaciência fervilham dentro de nós. «Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga» (São Josemaria Escrivá)

Falar, retrucar e cair no bate-boca: por não saber calar é que vem o descontrole e a briga.

Paciência, escreveu Papa Francisco, “não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos”, mas “o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria”. “O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade.”

d) É preciso saber falar

Quando a impaciência nos ataca, a primeira coisa que deveríamos fazer, depois de esforçar-nos por calar, é falar com Deus. Nunca falemos só “conosco”, com esses debates íntimos da imaginação esquentada, que só aumentam a fúria e a amargura íntima. Menos ainda falemos, irados, com a pessoa que provocou a impaciência, querendo mostrar-lhe que nós temos razão e ela não.

Primeiro, portanto – e às vezes por muito tempo –, falemos com Deus, fazendo oração: procurando ver com Ele a verdadeira dimensão das coisas, pedindo-lhe forças para carregar a Cruz com serenidade, suplicando-lhe que nos comunique um pouco da paciência com que Cristo enfrentou o juízo iníquo, o caminho da Cruz e a crucifixão.

Experimentemos também invocar a nossa Mãe, Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Rainha da paz, rogai por nós!”

E também será oportuno, muitas vezes, falar com quem nos possa orientar espiritualmente e aconselhar a melhor maneira de santificar as contrariedades.

O último meio são as mortificações da paciência. Esse é o assunto do próximo post!

 

Referências

Caminho, São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus, São Josemaria Escrivá

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Homilia, Papa Francisco

A virtude da paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

“As virtudes domésticas, que se baseiam no respeito profundo da vida e da dignidade do ser humano e concretizam-se na compreensão, na paciência, no encorajamento e no perdão mútuo, dão à comunidade familiar a possibilidade de viver a primeira e fundamental experiência de paz.” – São João Paulo II

A palavra paciência deriva do latim ‘pati’, que significa padecer. Por isso, a virtude da paciência é a capacidade de padecer ou a arte de sofrer bem.

É bom esclarecer que a irritação, a raiva ou a cólera não fazem parte da impaciência, ainda que muitas vezes a acompanhem, mas sim, da ira. É verdade que a impaciência e a ira andam de mãos dadas em nosso cotidiano, mas a impaciência se dá simplesmente quando não sabemos aceitar ou aceitamos de má vontade aquilo que nos contraria ou nos faz sofrer.

A impaciência com muita frequência aflora em forma de queixas internas (lamentações, vitimização), de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, de cobranças insistentes, de suspiros lastimosos, de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais, como por exemplo as frases célebres: ”Já não suporto mais!” ”Cheguei ao meu limite!” Além disso, os comentários de desânimo e os olhares de tristeza são frutos da impaciência. Um dos principais efeitos da paciência, como ensina Santo Tomás, é expulsar a tristeza do coração.

Em nossa realidade de esposos e pais, quantas vezes somos impacientes? Com as contrariedades adversas do dia, como o trânsito caótico, a chuva que chegou de repente, o trabalho que não saiu como planejado; as com o cônjuge, como a pasta de dentes que fica tantas vezes aberta, o sapato que dificilmente é guardado no lugar certo; e com os filhos, que quebram alguma coisa, que gritam, que choram, que derramam comida na roupa limpa e tantas outras infinidades de situações que nos acometem não raras, mas muitas vezes por dia!

A ira é diferente da impaciência

Todos conhecemos, por experiência própria, a força tremenda da ira (a nossa e a dos outros).  As iras cotidianas nós as conhecemos bem: “Explodi”, “Não aguentei”, “Esse vai me ouvir” e tantas mais. Expressões quase sempre somadas a gritos, palavrões e injúrias.

Santo Tomás, de acordo com Aristóteles, menciona três tipos de ira ruim (Existe ira boa? Sim! Mas esse é um tema para outro post!) :

A ira aguda: É a da pessoa que se irrita logo por qualquer motivo leve.

A ira amarga: É a da pessoa que guarda a ira por muito tempo e não a tira da memória. Chama-a ira encerrada nas vísceras (“inter viscera clausa”).

A ira difícil ou vingativa: A dos que não param até darem o troco, se possível, em dobro.

Santo Tomás não teoriza. Conhece o ser humano. E em alguma dessas classificações provavelmente nós nos reconhecemos.

Quando alguém se deixa levar pela ira é porque perdeu o controle emocional. A pessoa irada não tem autodomínio e extravasa sua revolta por meio do grito (como os terríveis gritos das mães e dos pais desgovernados), do tapa, da injúria, do palavrão, do comentário ofensivo e grosseiro, da ”patada”, das atitudes impulsivas (virar as costas e sair no meio de uma conversa, por exemplo), ou da violência (como bater uma porta com força ou até mesmo sacar uma arma e atirar).

É muito comum considerar hoje em dia que o modelo de paciência seja um comportamento manso (sem ira) que, na realidade, é um exemplo da mais perversa impaciência ou até mesmo de uma moleza. Como, por exemplo, casais que se separam após poucos ou muitos anos de matrimônio e, fazendo alarde de uma pretensa <<maturidade>> se gabam de que <<não brigaram>>. Por trás de tanta calma, o que é que houve? Uma elementar incapacidade de sofrer.

Descobrir o que nos impacienta

O defeito da impaciência costuma ser <<especializado>>. Cada um de nós tem as suas impaciências particulares. Pode ser que sejamos impacientes em escutar o próximo, que não gostamos de ser interrompidos, que não saibamos esperar e tantos outros.

A atitude que muitos tem diante da vida é radicalmente egoísta. O mundo é <<para mim>>. Mesmo os amores são vistos como meio de obter benefício pessoal. É por isso que muitos casamentos acabam baseados na desculpa de que <<não gostamos mais>>.  A maior parte das nossas impaciências são apenas egoísmos contrariados.

O papa São Gregório Magno (século VI) dizia em uma Homilia sobre Ezequiel: «Se eu não faço o esforço de suportar o teu caráter, e se tu não te preocupas de suportar o meu, como poderá levantar-se entre nós o edifício da caridade se o amor mútuo não nos une na paciência»?

Se queremos edificar um lar harmonioso, precisamos começar por nós mesmos. Trazemos em nós uma desordem: o egoísmo. Queremos sempre nos vitimizarmos por todas as coisas e falta-nos energia e ânimo de caráter para por-nos a serviço dos demais. Parece que estamos sempre a lutar por uma igualdade, onde todos devem dar a mesma medida. Mas, a grande verdade é que, para nós, que desejamos os altos cumes da santidade, só encontramos uma medida para amar e servir: dar não muito, mas tudo; não só uma parte, mas a vida. Porque este é o exemplo que tomamos de Nosso Senhor que deu-se todo por nós.

No próximo post tratarei de forma prática como podemos viver a virtude da paciência.


 Referências

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

A paciência, Pe. Francisco Faus

Por que falhamos em sermos santos?

Tempo de leitura: 5 minutos

A vocação universal à santidade foi revelada por nosso Senhor no sermão da montanha quando disse “Sedes perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). Ele não falava apenas para seus apóstolos e, portanto, bispos da Igreja, mas a todos que lhe ouviam, logo, todos nós. Também o Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium nos dá as razões do chamado universal à santidade:

  1. Exigências do batismo – temos o dever de desenvolver a graça recebida.
  2. O primeiro mandamento – que nos obriga a “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12, 28-30), que, se cumprido fielmente, consiste precisamente na santidade.
  3. Devido ao mandamento de nosso Senhor no sermão da montanha.

É claro que este dever é da busca sincera da santidade (que é o trabalho de uma vida!) e não sermos santos aqui e agora. Contudo, observando a realidade de nosso tempo, vemos que, mesmo dentro da Igreja, é difícil encontrar pessoas detentoras de virtudes heroicas. Segundo o padre Antonio Royo Marín, a principal razão é que nós não empregamos os meios necessários para alcançar a santidade.

Estes meios podem ser divididos em dois grupos:

  1. Naturais
    1. Falta de energia de caráter.
  2. Sobrenaturais
    1. Falta do verdadeiro desejo de santidade.
    2. Falta ou deficiência de direcionamento espiritual.

Falta de energia de caráter

A Graça divina pode encontrar obstáculos naturais para agir em nós e é nosso dever acabar com estes obstáculos naturais (de ordem psicológica, emocional ou mesmo física) para recebermos as graças que Deus nos tem reservado. O principal obstáculo de ordem natural para alçar vôos mais altos na vida espiritual é justamente a falta de energia de caráter. Vivemos em uma geração de homens e mulheres incapazes de se esforçar minimamente para alcançar qualquer objetivo que seja um pouco penoso.

Isso se vê claramente em vários aspectos das pessoas da nossa geração, dentre tantos:

  • Incapacidade de tomar decisões sérias e permanentes: muitos acabam pulando de curso em curso, presos numa eterna adolescência em que, sustentados pelos pais, esperam em suas camas confortáveis por um emprego que cairá do céu ou por um cargo público que seja digno dele.
  • Busca incessante pelo prazer: o que também se mostra na incapacidade de sofrer, mesmo que minimamente. Vemos mulheres que desmaiam só de pensar num parto normal (mesmo que seja muito melhor para ela e para o filhos) e homens que não querem nem saber de serem pais (ainda mais depois de descobrirem que precisam ficar acordados à noite e que fraldas não se trocam automaticamente).

Devemos, como nos exorta Santa Teresa, buscar a fonte de água viva com determinada determinação! Só assim a Graça divina poderá agir em nós.

Falta do verdadeiro desejo de santidade

Este motivo se relaciona bastante com o anterior, mas enquanto aquele é natural, este é sobrenatural. O verdadeiro desejo de santidade tem algumas características fundamentais e é bom citá-las para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa caminhada espiritual.

O verdadeiro desejo de santidade é sobrenatural, ou seja, provém de Deus e tem por objetivo Sua maior glória e a salvação das almas e, por isso, deve ser profundamente humilde, sabendo que tudo provém de Deus e que, se dependêssemos somente de nossas forças seríamos os mais desprezíveis pecadores.

Uma característica do verdadeiro desejo de santidade que muito nos falta é a confiança completa em Deus, é esta característica que nos fará seguir crescendo espiritualmente mesmo diante das grandes dificuldades que certamente surgirão. É aqui que muitos de nós falhamos em nos conformarmos em Cristo.

Muitas vezes Deus nos pede provas de nosso amor por Ele, como fez com Abraão ao pedir-lhe o sacrifício de seu amado filho (Gen 22). Abraão teve de mostrar que seu amor a Deus era maior até mesmo que seu amor pela vida de seu filho. Reparem que esta prova vai muito além de deixar de pecar: devemos colocar em prática a completude do primeiro mandamento desejando a santidade acima de todas as coisas!

Na vida espiritual, quem não avança regride. Logo, nada de descansar! Quem dá desculpa de tirar férias da vida espiritual acaba por deixar a vontade fraca e, por conta disso, tem maiores dificuldades para retornar ao ponto em que estava. Portanto, sempre em frente, ou, como diria meu amigo Pier Giorgio Frassati,Verso l`alto!

A falta de regularidade também é um grande inimigo da busca pela santidade, muitas pessoas, ao saírem de retiros ou exercícios espirituais, tem grandes intuitos e propósitos que acabam sendo deixados de lado às primeiras dificuldades. É importantíssimo ter constância na vida espiritual!

A última característica do verdadeiro desejo de santidade é que ele deve ser prático e eficaz. Deve-se dispor de todos os meios aqui e agora para ser santo! Muitas vezes vamos deixando pra depois, para depois das férias, para depois da faculdade, para depois de curada minha doença. De adiamento em adiamento a vida passa e acabaremos por nos apresentar a Deus de mãos vazias das graças que não quisemos receber.

Falta ou deficiência de direcionamento espiritual

Quando observamos a vida dos grandes santos de nossa amada Igreja percebemos que, a grande maioria deles, contava com um diretor espiritual de grandes virtudes!

As características de um bom diretor espiritual já foram tratadas num excelente texto do nosso pai espiritual. Resumidamente, ele deve ser um sacerdote sábio, discreto, experiente, ciente de teologia, intensamente piedoso, humilde e, claro, zeloso pela santificação das almas! Sei que não é fácil encontrar sacerdotes assim, infelizmente (foi por este motivo que nos mudamos de cidade quando nos casamos). São João da Cruz afirma que:

“Para este caminho, ao menos para o que nele há de mais elevado, e ainda mesmo para o mediano, dificilmente se achará um guia cabal que tenha todos os requisitos necessários.”

Deve-se pedir, suplicar a Deus que lhe envie um santo diretor espiritual para ajudar na salvação de sua alma, que é a missão mais importante de nossas vidas!

Vejamos alguns santos que tiveram diretores espirituais também santos: Santa Joana de Chantal teve como diretor espiritual São Francisco de Sales e depois São Vicente de Paulo.  São Vicente de Paulo foi também diretor de S. Luisa de Marillac. Santa Gema teve um diretor santo: o Padre Germano é Venerável e está a caminho dos altares. São Paulo da Cruz foi diretor da Venerável Madre Crucifixa – cofundadora das passionistas e da Venerável Lucia Burlini que era leiga. O Beato Miguel Sopocko foi diretor de Santa Maria Faustina Kowalska. São Cláudio de la Colombiere foi diretor de Santa Margarida Maria Alacoque. No início da sua vida espiritual, Santa Teresa foi muito ajudada por S. Pedro de Alcântara. O Servo de Deus Padre Arintero foi diretor da Ven. Madre Maria Amparo e da Ven. Madre Madalena. E não podemos nos esquecer do grande São João Bosco que teve por diretor espiritual São José Cafasso!

Portanto, é de suma importância que se tenha direcionamento espiritual adequado. Hoje em dia as tecnologias de telecomunicações ajudam bastante visto que a direção espiritual pode ser feita à distância.

Espero que este texto tenha sido de ajuda para reconhecer em que estamos errando na busca pela perfeição cristã, para que, corrigindo, possamos alcançar o fim de nossa vida que é nos assemelharmos a Cristo Nosso Senhor!


Referências

Há um ano o amor nasceu e eu renasci

Tempo de leitura: 4 minutos
Trago o relato do parto do Bento, escrito pouco tempo depois de ele ter nascido:
“Por aqui os dias foram tempestuosos porém felizes e só agora tive tempo para escrever sobre esses dias para mantê-los aquecidos com a boa nova que recebemos em nossa família.
O relato do nascimento do Bento começa cedo. Desde o dia 30 de julho comecei a ter sinais de que ele estava pronto para nascer. Porém, apesar de pronto, eis que nossa primeira flecha esteve com preguicinha de vir ao mundo. Foram 4 semanas de alarmes falsos, mas em nenhum deles chegamos a ir para o hospital. Eu sentia contrações, inúmeras delas, porém elas não tinham ritmo.
Os dias foram passando e com eles fomos nos esgotando física e psicologicamente. É muito difícil trabalhar a mente nesses dias em que todo dia parece dia de nascer. Um mundo desconhecido se espreitava à minha frente e às vezes, me sentia perdida. Era preciso romper com tantas expectativas e viver abandonada em Deus. ”A cada dia basta o seu cuidado.”
De fato as coisas seriam muito mais fáceis se eu entrasse em trabalho de parto logo e ele nascesse. Mas, o bom Deus tem caminhos insondáveis. Esperar é um grande exercício de paciência, virtude que tanto me faltava nessa altura (e também, nesta vida). Essa espera me deixou abalada e cansada. Gabriel, meu esteio, e eu rezávamos e tentávamos caminhar em paz. No começo estávamos mais tranquilos, porém, na última semana eu já estava tão cansada… Mas o bom Deus sabe o tamanho da cruz que precisamos e aguentamos carregar! Que doçuras encontramos na Cruz quando decidimos abraçá-la!
Padre Fábio, nosso querido e amado diretor, foi um grande pai nessa última semana antes do nascimento do Bento. Pude compartilhar com ele meus medos, inseguranças e cansaço. Acho que poucas vezes me senti tão abraçada espiritual e psicologicamente como me senti na minha ultima direção antes do Bento nascer. Isso foi na sexta, dia 19 de agosto, onde graças ao bom Deus pude me confessar e seguir confiante para o meu grande calvário.
Na segunda feira, dia 22, tive consulta e a médica fez um procedimento para ver se o parto engrenava, pois eu já tinha dilatação mais do que suficiente para estar em trabalho de parto. Apesar da dilatação evoluída (já tinha 6 cm) até então eu não havia sentido dor alguma. Mas na noite desta segunda já não consegui dormir. As contrações eram mais regulares e intensas, porém ainda sem ritmo. E isso me deixava cansada… queria tanto que o Bento nascesse! Eu já estava com quase 41 semanas!
Terça-feira de manhã as contrações pegaram ritmo! De 3 em 3 minutos! Eeeee.. Bento vai nascer! Fomos para o hospital e…. NADA. As contrações pararam. Eu definitivamente me sentia subindo o monte calvário de ré. Frustrada, impaciente, ansiosa.
Passei a terça-feira com dores, mas nada de pegar ritmo. Na madrugada de terça-feira para quarta-feira as dores ficaram muito intensas e era impossível dormir ou ficar deitada. Mas continuávamos sem ritmo. Minha médica me viu de madrugada, tomei medicação para cólicas mas as contrações não cederam. Voltamos para casa, mas precisávamos tomar uma decisão. O trabalho de parto poderia começar a qualquer hora, mas também podia demorar dias. A médica nos disse que podíamos esperar ou tentar induzir o parto.
Voltamos para casa e novamente não conseguimos dormir. Eu já sofria com as contrações. Decidimos induzir o parto, rompendo a bolsa. Não dava para continuar com essas dores e sem descansar. Se continuasse assim certamente não conseguiria um parto normal.
Fomos para o hospital as 6:30 da manhã do dia 24 de agosto de 2016. Às 7:30 a médica rompeu a bolsa. Às 8:30, graças a bondosa Virgem, as contrações engrenaram!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Às 10:39 nosso Bento nasceu!!!!! Ao som de Panis Angelicus! Dia de São Bartolomeu!
Foram poucas horas de trabalho de parto ativo, sem analgesia, tudo muito intenso! Vivi cada contração unida ao bom Jesus! Como rezei à Santa Coleta!
Gabriel esteve comigo todo o tempo! Nem sei dizer o que seria de mim sem o companheirismo e a força dele.
Bento nasceu e veio direto para os meus braços! Ainda sem me dar conta do que tinha acontecido, imediatamente o ofereci ao Sagrado Coração de Jesus e a Santíssima Virgem.”
E assim nasceu nosso menino…
O nascimento do Bento foi uma grande graça de Nosso Senhor. Definitivamente, quando olho para trás, não me reconheço. Ter um filho é, antes de tudo, um encontro com nós mesmos. Como se houvesse uma lupa, nossos defeitos são enfatizados. Nossas qualidades parecem não ser suficientes. É preciso decidir-se: ”o Reino dos Céus pertence aos violentos”.
Mas, ter uma criança, é sobretudo um grande valor por ela mesma. Quando penso no Bento, penso: que grande milagre! É um presente para o mundo, é um louvor à Deus! Uma criatura tão perfeitamente modelada, uma personalidade ímpar, que me garantes infindos sorrisos pelos dias afora. O Bento sempre mereceu existir e depois nascer, ser bem educado e alcançar o Céu.
Quando alguém me pergunta: ”Mas você quer mais filhos?” ”Um não está bom?” ”Já não tem trabalho que chega?” Eu sinceramente, nem sei o que responder. Eu não sei o que as pessoas esperam dessa vida, a não ser um vazio crescente. Eu realmente não acredito que ter um filho, ou muitos deles!, seja mais trabalhoso do que competir freneticamente para manter uma carreira, virando noites em claro por algo material, que é o dinheiro, ou por uma ilusão, que é o sucesso.
O casamento é uma grande ocasião de santificação, mas somente depois que os filhos chegam, ele alcança sua maturidade e nos eleva para além de nós mesmos. Ter um pequenino ser que exige de nós não muito, mas tudo, é o que faz a diferença, afinal, “Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo”, como diz Santa Teresinha.
E no fim da vida, como nos diz São João da Cruz, não seremos julgados pela carreira, pelo sucesso, pelo corpo atlético, pelos livros lidos, pelos filmes assistidos, pelas viagens feitas, mas sim pelo Amor, que é o pleno e fiel cumprimento da vontade de Deus e a doação total de nós mesmos.

 

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