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O que é o mês de Maio?

“Eis que finalmente voltou o mês da linda Mãezinha!” Assim escreveu uma vez São Padre Pio no começo do mês de Maio.  Dedicar um mês a Maria é antes de tudo algo que faz parte da tradição do povo, que nas igrejas e capelas do mundo inteiro lhe dedicam ofícios, ladainhas, terços e as belas coroações. Essa é a maneira carinhosa de reconhecermos aquela que trouxe ao mundo o Filho de Deus, pois não há “Jesus sem Maria e Maria sem Jesus”.
Dedicar o mês de maio – também chamado de “mês das flores” no hemisfério norte – a Maria, é uma devoção arraigada há séculos. Com sua poesia “Ben vennas Mayo”, das Cantigas de Santa Maria, Afonso X, o Sábio, nos revela que esta tradição já existia na Idade Média.

A Igreja sempre incentivou tal devoção, por exemplo concedendo indulgências plenárias especiais e com referências em alguns documentos do Magistério, como a encíclica “Mense Maio”, de Paulo Vi, em 1965.

“Mês de maio – assim dizia o Papa Paulo VI – nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores para o altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas, davam alegre expressão à nossa devoção à Maria Santíssima, que então nos aparecia como Rainha da Primavera, primavera da natureza e primavera das almas”.

Mas, por que existe este mês, se outros contêm festas litúrgicas mais destacadas dedicadas a Maria? O beato cardeal John Henry Newman oferece várias razões em seu livro póstumo “Meditações e devoções”:

  • “A primeira razão é porque é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das chuvas da primavera”, escreve de um país do hemisfério norte.
  • “Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde – acrescenta. Porque semelhante alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus.”
  • “Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança – continua. Ainda que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão.”
  • “Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?”, pergunta em sua obra, publicada em 1893.

Depois da dedicação do mês de Maio à Maria, já no século XIX, vemos que durante o mês inteiro, tinha-se por costume prestar culto (coroações e ofícios) as imagens de Nossa Senhora. Crianças vestidas de anjos, que homenageavam Maria, Virgem e Rainha, colocando-lhe véu, palma e rosário, à frente dos fiéis reunidos, enquanto cantavam cânticos e hinos a ela dedicados, no final, era coroada a imagem e crianças jogavam sobre ela pétalas de flores.  Além disso, em muitos países, durante o mês de maio, comemora-se o Dia das Mães, e a lembrança se dirige também à nossa Mãe do céu.

Sobretudo pelos frutos espirituais que produz, o mês de maio canta as mais altas glórias de Maria, medianeira de todas as graças. São graças de todos os tipos que Ela doa amorosamente a quem celebra esse mês. Graças de progresso espiritual, de renovação de vida, de conversão; graças temporais para a saúde, para o trabalho, para os estudos, para o crescimento, para a família. Quantas graças nesse mês abençoado!

Para quem desejar conhecer um pouco mais da história do Mês de Maria e entender como um costume pagão foi aos poucos sendo cristianizado,  deixo esse link: http://almasdevotas.blogspot.com.br/2014/04/um-pouco-da-historia-do-mes-de-maria.html

Pequenas estórias

  1. Um jovem hebreu, Hermano Cohen, encontrando-se em Paris para estudar música, tinha se dado ao jogo e á dissipação. Necessitando de dinheiro para satisfazer as suas brutas paixões, achou um emprego de tocador de órgão na Igreja de Santa Valéria, por todo o mês de maio. Nas primeiras vezes, ele tocava com total indiferença, como simples trabalhador. Mas, sem querer, estando ali, tinha de escutar os sermões que se faziam sobre Nossa Senhora. Dia a dia escutando, o seu espírito começou a perturbar-se e o seu coração a comover-se. No fim do mês de maio, pensou seriamente em se preparar para o batismo e se tornar Católico. E não muito tempo depois se fez batizar naquela mesma Igreja. Junto recebeu o dom da vocação religiosa; transformou-se em um religioso carmelitano e morreu em conceito de santidade. Quantas graças não recebeu ele por aquele mês de maio feito por acaso!
  2. Fazer o mês de maio pode valer a salvação eterna de nossa alma. Eis um exemplo muito instrutivo: Em Ars, um dia, chegou uma senhora abatida pela dor que a levava ao desespero. Poucos dias antes tinha perdido o marido tragicamente. Suicidara-se, jogando-se de cima de uma ponte, num rio. A mulher era atormentada pelo pensamento da danação do marido. Entretanto, na igreja de Ars, a pobre mulher logo se ajoelhou para rezar e chorar. Era a 1ª vez que ia a Ars. O santo Cura d’Ars, passando-lhe ao lado, sussurrou-lhe aos ouvidos: “Ele está salvo!”. “O que?” – exclamou a mulher. “Ele está salvo!” – repetiu o santo – “Está no purgatório e precisa rezar muito por ele. Entre o parapeito da ponte e o rio teve tempo de se arrepender. Foi Nossa Senhora quem lhe obteve a graça. Lembre-se do mês de maio que fazia no quarto. Às vezes seu marido, embora não religioso, se unia à sua oração e às vezes até punha uma flor junto à imagem de Maria. Isto lhe obteve o arrependimento e o extremo perdão!”.

Gestos simples

Para este mês tão belo, podemos:

  • colocar uma imagem de Nossa Senhora em um lugar de destaque na casa,
  • oferecer-lhe flores em casa ou na Igreja,
  • cantar cânticos a Nossa Senhora,
  • acender uma vela,
  • rezar o Santo Terço ou alguma oração a Nossa Senhora em família diante da imagem,
  • consagrar-se a Nossa Senhora,
  • estudar sobre os dogmas marianos,
  • aprender sobre as virtudes de Nossa Senhora,
  • ler um livro mariano,
  • iniciar a devoção dos 5 primeiros sábados,
  • rezar o Ofício da Imaculada Conceição aos sábados,
  • fazer alguma penitência pela conversão dos pecadores, como pediu Nossa Senhora, aproveitando que esse ano celebramos o centenário de suas aparições em Fátima.

Indicações de leitura


Referências