Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Maternidade: o caminho de salvação da mulher

Ser mãe foi a melhor coisa que me aconteceu, em todos os sentidos. A maternidade me salvou e continua me salvando todos os dias do meu principal inimigo: eu mesma.

A maternidade me tira constantemente do egoísmo

O primeiro doce flagelo que a maternidade me trouxe foi a necessidade de romper com o meu egoísmo.  Em parte, de forma natural. A outra parte, uma luta constante. Acredito que a capacidade de renunciar a si mesma seja uma das grandes graças que Deus concede exatamente no momento em que um novo ser começa a ser formado em nosso ventre. Que mãe não abre mão de suas vontades para o bem do filho? Quem nunca ouviu uma mãe dizer que depois de ter um filho já não come direito, não dorme, não sai, não compra roupas? Que mãe desde a gravidez não sofre pacientemente os incômodos? Isso é uma verdade exterior mas muito mais interior.

Os dias de toda mãe são recheados de oportunidades de santificação, em que renunciamos constantemente às nossas vontades, nossos planos, desejos, pelos nossos filhos. Certa vez me perguntaram se eu não tenho medo de que isso me cause um problema psicológico, já que ser mãe é se anular. Prontamente respondi que não, pois este é o desejo de todos nós: aniquilamento total de si até nos conformarmos noutro Cristo.

Durante um bom tempo tenho meditado sobre isso, porque me parece que atualmente nós sofremos de certa crise de identidade quando nos tornamos mães.  A maternidade é algo tão sublime quanto dolorosa e traz uma revolução interior. Deixar para trás a nossa vida cômoda e repleta de vontades traz suas crises. Ser mãe não é anular quem somos, mas ter nossa personalidade elevada e aperfeiçoada.

Deixamos de lado tantas coisas que são irrisórias e muitas vezes ficamos tão apegadas a elas que acreditamos estar submetidas a um jugo muito pesado. Nosso Senhor já diz: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62). Devemos olhar seguras para a Mãe do Céu e segurando sua mão, caminharmos pelo caminho sereno e árduo da vontade de Deus. Quanto mais dóceis formos à ação do Espírito Santo, mais felizes seremos.

E além disso, a maternidade nos proporciona sim diversas ocasiões de termos hobbies e tirarmos um tempo para fazer coisas que gostamos. Isso não é pecado e nem motivo para sentir-se uma mãe ruim. Principalmente em casal, ter um momento a sós, às vezes sair para jantar e deixar os filhos com a avó, a tia, a amiga, os padrinhos, é importante. Se a mãe precisa de um tempo para ir ao salão, ou fazer um esporte, algo assim, é possível combinar com o esposo. O importante é não fazer disso o centro da vida, mas sim um adendo.

A maternidade me faz melhor

A maternidade me faz melhor como pessoa, como filha, como católica, como esposa, como amiga, familiar, em tudo.

Quando fui mãe, choquei-me contra um espelho. Este espelho se chama Bento. Ele me faz ter consciência dos meus defeitos, revelando o que tenho de pior. Mas ao mesmo tempo me impulsiona a ser melhor! Ao procurar corrigir-me, principalmente porque meu filho é meu reflexo. Educar é ser exemplo!

Lidar com essa parte assustadora de nós mesmos não é fácil. Estar o tempo todo nos deparando com nossas fraquezas e limitações pode nos dar o sentimento de frustração se não estivermos com os olhos elevados ao Alto. Precisamos dizer como São Paulo: ”Quando sou fraco é que sou forte.”

A maternidade me ensina a aproveitar melhor o meu tempo

Hoje, com um filho, faço mais coisas do que quando não era mãe. Tenho muito mais trabalho ao mesmo tempo que o tempo parece ter se multiplicado. Há dias que são terrivelmente difíceis e nesses recorro ao auxílio de Nossa Senhora e do meu Santo Anjo! Mas em geral, a graça de Deus me vai moldando dia a dia e me fazendo perceber como posso me organizar melhor para cumprir meus deveres e onde posso me doar mais. Um grande auxílio foi ter organizado uma rotina, tanto de limpeza da casa, como de estudo e também espiritual (orações, leituras e etc). Ter em mente nossos deveres nos ajuda a ter um objetivo diário e a não perder tempo com coisas inúteis.

Além disso, a maternidade me faz atentar-me ao que realmente importa, sem perder meu tempo, energia, paz e paciência com coisas irrelevantes.

A maternidade me faz viver de verdade

Ser mãe me trouxe de volta ao mundo real: a beleza dos pequenos momentos. Deixei de lado as crises filosóficas, a necessidade de estar o tempo todo conectada ao mundo virtual, de estar fotografando, ou preocupada com questões que não me competem, discutindo bobeiras ou com as coisas que não estão milimetricamente organizadas dentro de casa.

Meu filho me trouxe de volta a capacidade de me encantar com as pequenas coisas e de aprender a viver o hoje, o momento de agora. Quem tem um bebê em casa sabe que a cada dia eles trazem uma novidade e se eu não estiver com ele, vivendo junto, perderei essas conquistas. Que adiantam tantas fotos e vídeos e não ter isso na memória? Se minhas mãos estão tão ocupadas em segurar um celular, dificilmente elas estarão livres para segurar as pequenas mãozinhas que me solicitam o dia inteiro.

Ter um filho traz a tona nossa criança interior: voltamos a cantar, dançar, apreciar a chuva, nos deliciarmos com gargalhadas, sentir a brisa, andar com os pés descalços, sentar no chão, não olhar tanto para o relógio e nem nos preocuparmos com o dia de amanhã. A cada dia basta o seu cuidado e todo dia é dia de viver.

A maternidade me faz mais humana

Quando fui mãe comecei a ter mais compaixão e empatia pelas pessoas. Ao invés de julgá-las, passei a tentar compreendê-las, entender sua história pessoal e então acolhê-las.

Comecei a entender mais os meus pais e agradecê-los por tudo o que fizeram por mim. Hoje eu sei que não foi fácil.

A maternidade me faz mais solícita, sempre pronta a servir, ajudar. Tornei-me mais generosa não somente em atender as necessidades corporais das pessoas, mas também espirituais; na doação de mim mesma para os outros e na minha entrega a Deus.

A maternidade me faz mais unida ao meu esposo

Muitas mulheres, quando os filhos chegam, esquecem completamente do esposo e o deixam de lado. Mas essa não pode ser o caminho tomado. Os filhos vem pelo transbordamento do amor entre o casal. Eles são o fruto.

Os filhos unem o casal. Se antes o amor parecia algo abstrato, agora ele é concreto e cabe no colo. Nada faz crescer tanto o amor e unir duas pessoas como as dificuldades sofridas em comum. O que pode ser mais perfeito para cumprir esse objetivo do que os filhos? Não obstante, que grande alegria ver os traços de nós dois em nosso filho. Saber que estamos ali juntos!

A maternidade me faz forte

Nem tudo é perfeito em nossa vida materna. Há dias bons, mas há dias apocalípticos onde o caos se instaura. Há dias bastante difíceis: tudo fora do lugar, confusão, sem dormir, sem comer, sem parar um segundo. Dias em que nos sentimos impotentes, impacientes, frustradas, pequenas. Nesses dias, preciso constantemente recorrer a Nossa Senhora, porque ela sendo mãe, sabe como me ajudar. Nela encontro consolo, conforto e também a força.

Antes de ser mãe, qualquer coisa me atingia: desde uma simples dor de cabeça até um conselho não solicitado. Depois de ser mãe, descobri uma força sobrenatural que me impulsiona a ir além.  Ao olhar para nossos filhos nada pode nos parar: somos nós que formamos os santos. Nós, as mães. Claro, junto com os pais. Mas somos nós as primeiras nessa missão de educar. Se não nos esforçarmos para educarmos bem os nossos filhos, não é aos nossos chefes que prestaremos conta, mas sim ao Justo Juiz. Deveríamos tremer ante essa responsabilidade.

A maternidade me eleva espiritualmente

Depois que me tornei mãe, cresci como nunca antes. Precisei amadurecer, sair do meu conforto, me doar. Aprendi a fazer da vida uma oração e oferta: cada pequeníssimo ato, feito com amor, oferecido a Deus, é grande e nos santifica; como ensina Santa Teresinha.

Aprendi a aceitar os sofrimentos e aproveitá-los para minha santificação e para a conversão dos pecadores e sufrágio pelas almas do purgatório. Cresci em caridade, em desapego e meus olhos perderam muitas escamas mesquinhas que os cobriam.

Ser mãe me aproximou de Nossa Senhora, Àquela que é Mãe por excelência. É a Ela que recorro nas tempestades!

Ainda tenho muito a crescer, mas ser mãe já me mudou tanto que só tenho a agradecer a Deus tão grande graça. Se não fosse pela maternidade, ainda estaria em uma vida pequena, cômoda, e a santidade cada vez mais distante de mim.

A maternidade é a minha coroa

Infelizmente somos filhos de nossa época e isso traz suas mazelas. Nossa sociedade tão revolucionária e marcada pelo abandono dos valores cristãos e pela exaltação dos vícios nos faz, ainda que inconscientemente, absorver certos pontos de vista que nem sabemos de onde vem, mas que estão dentro de nós e causam confronto. A maior parte vem do feminismo, tão diabolicamente incutido em cada esfera, que nos afasta do plano de Deus. Devemos, com o auxílio da graça divina, do estudo e de um bom diretor espiritual, conhecer essa ideologia tão nefasta e nos esforçarmos para progredir no caminho que Deus tem para nós, mulheres.

Que vida tão bela é esta que Nosso Senhor concedeu às mães, cujo caminho é tão repleto de espinhos! Neste caminho nosso sofrimento tem sentido: a Cruz de Nosso Senhor, vitória sobre o mundo! Vitória sobre as tribulações, sobre as fraquezas, dores, dificuldades, frustrações. Cada filho vem exatamente do tamanho da Cruz que precisamos naquele momento. É também por isso que não podemos rejeitá-los. Devemos acolher todos os filhos que Deus nos mandar, porque além de serem presentes que nos são concedidos pela bondade divina, também são nosso caminho de santificação.

Mulheres, tenham filhos! Sem medo. Com muita entrega, muito amor! Nada se compara a ter essas mãos pequeninas nos pedindo apoio, esse sorriso desinteressado, a busca incessante por um colo quentinho. Nada nos faz tão jovens, belas e vivas como pequenas crianças na barra de nossas saias nos fazendo desbravar o mundo! Nada dá tanta alegria quanto ter seu nome mudado para sempre: mamãe. Nada se compara à maternidade: nenhuma carreira, nenhum hobbie, nenhuma viagem, nenhum corpo perfeito, nada. Nada é tão valioso, nos faz sentir tão plenas, dignas e grandes quanto sermos tabernáculos de almas eternas. Nada é tão grandioso quanto gerar um ser em nosso corpo, educá-lo e um dia, com a graça de Deus, estar com ele no Céu por toda a eternidade.

Um feliz dia das mães para todas que já são ou sonham em ser! Que a Santíssima Virgem nos dê a graça de compreender quão sublime é a missão a qual fomos chamadas.

 

5 Comments

  1. Que lindo e instrutivo texto. Deus e Nossa Senhora de Fátima te abençoe e abençoe toda sua família!!!

  2. Só li frases que transmitem verdade e vida. Em tempos como o que vivemos encontrar um testemunho como o que acabei de ler é um milagre dos grandes. A sociedade se perdeu do plano original de Deus e vive hoje a margem de tantas ilusões que pra quem escolhe seguir a verdade de Cristo, é caminho certo pro martírio incruento. Mas saber que há famílias que conseguem pela graça de Deus, já viver o que sempre desejei um dia, me faz reascender a chama da fé e da esperança. Que Maria Santíssima os guarde dentro do coração imaculado.
    Deus abençoe.

  3. Depois que me tornei mãe as mazelas do mundo passaram a me atingir de outra forma, a dor do outro é muito a minha dor, e foi na busca para entender que sentimento é esse que cheguei ao seu texto, lindo texto por sinal. Que Nossa Senhora e o Anjo da guarda nos dê sempre a paz e o reconforto necessário.

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