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Um hábito antigo

Parece ter sido sempre comum o fato de que quando nasce um bebê, todos devem ir visitá-lo. Em nossa cultura isso acabou se tornando uma regra social a ser cumprida. É normal que haja certa ansiedade principalmente dos familiares para conhecer o novo bebê, mas antes de sair correndo, leia com atenção o post a seguir, para entender o que acontece quando chega um bebê numa família. A empolgação e a ansiedade de parentes e amigos para verem o recém-nascido podem se transformar num verdadeiro tormento para os pais e para o próprio bebê, contudo existem indicações que evitam situações inoportunas e fazem com que as visitas sejam um verdadeiro oásis.

Um bebê nasceu

A chegada de uma criança ao mundo é um motivo de grande celebração, uma enorme alegria, um precioso dom de Deus. No entanto, é preciso ter calma, porque nesse momento a família ganha um novo membro e precisa se adaptar às mudanças que acontecem.

Quando um bebê nasce, ele deve ser respeitado em sua saúde, em sua harmonia, em suas necessidades. Um recém nascido não precisa conhecer pessoas que ele não irá se lembrar, não precisa de presentes, de colos, de estresse, de fotos no facebook. Ele precisa da sua família (pai, mãe e irmãos), de ser alimentado, ambiente calmo (silêncio natural da casa, que não é sinônimo de ausência de sons), fraldas limpas e outras coisinhas mais.

As primeiras semanas e talvez os primeiros meses, a depender da família, serão um período intenso de adaptação e atenção ao recém nascido. Por isso, não fique chateado se a família não te der muita bola, afinal a prioridade é o bebê e não as visitas. Até porque grande parte dos bebês demandam muito, seja da amamentação ou sofrendo com cólicas, além de todo o resto que a família tem de manejar.

A mãe

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, seja a mãe do primeiro filho, a mãe do 2°, do 3° ou do 15°. Todo nascimento reclama em nós uma nova maternidade. Mas será que alguém se lembra disso? Muito raramente. A ansiedade em conhecer o bebê é tão grande que a pobre mãe é deixada de lado em sua fragilidade.

Vamos por partes. Os dias de maternidade são um momento delicado, seja de parto normal ou de cesárea, que deixa a maioria das mulheres cansadas, sensíveis e frágeis, talvez com dores nos pontos ou nos seios que podem já estar feridos ao amamentar. Como o bebê mama muito, a maior parte do tempo a mulher estará oferecendo o seio, o que para muitas, pode ser um contrangimento ter de fazer isso na frente de outras pessoas, principalmente por ter de ajeitar a pega e tudo o mais. Sem falar do cansaço, que para algumas, pode ser paralisante.

E, não só por isso, a própria baixa hormonal do corpo pode fazer com que as mulheres passem um tempo com dificuldade de conviver com outras pessoas, lidar com situações estressantes, com os conselhos alheios e sintam-se até mesmo com a privacidade invadida ou inseguras diante de certas situações, o que pode contribuir até mesmo para a baixa produção de leite materno. Isso não é um motivo para se vitimizar e colocar a mãe em um pedestal como se apenas a vontade dela devesse imperar. Mas o bom senso pede que haja muito diálogo entre o casal para que cheguem a um consenso.

E o outro lado também acontece! Para algumas mulheres os hormônios clamam por companhia! Há mulheres que adoram visitas e querem receber todo mundo, principalmente quem puder ir para ajudar! Portanto, não há regra, o que precisa haver é diálogo e respeito, empatia, colocar-se no lugar do outro.

A dica de ouro para as mães talvez seja: sejam vocês mesmas. Às vezes deixamos de receber visitas porque ouvimos várias pessoas dizendo que visita só atrapalha e acabamos nos isolando, sofrendo sem necessidade. Ou então acabamos recebendo visitas mesmo sem estarmos em condições, apenas para agradar as pessoas. O feminismo também nos deixou uma terrível herança, a de acreditar que devemos ser sempre autossuficientes. Isso não é verdade, todos precisamos de ajuda seja para que alguém lave nossa louça, para que nos dê conselhos ou um belo puxão de orelhas para nos encaminhar para o Céu.

O que pode acabar acontecendo muitas vezes é que acabemos nos isolando e afastando as pessoas, e isso também não é saudável. Não podemos ser também bonecas de porcelana que se quebram ao menor sopro. É preciso prudência para respeitar a fragilidade e não fazer disso uma desculpa para nos vitimizarmos.

E, quando nos dispusermos a receber alguém, não nos coloquemos em posição defensiva, principalmente a respeito dos famosos ”pitacos”. Existem muitas pessoas inconvenientes, é verdade, mas a maioria é bem intencionada e só quer ajudar. Nenhuma de nós nasceu sabendo criar filho. Por isso, aprendamos a ouvir tudo, reter o que é bom e responder apenas o que for necessário (como no caso de impor algum limite).

 

O pai

É muito importante o diálogo entre o casal. O pai deve pensar primeiramente no bem-estar da mãe e do filho e poupá-los de maiores estresses. No caso de expor as regras à família dele, deixe ele se impor. Se for com a família da mãe, ela se responsabiliza. A família sente-se no direito de ver o bebê, mas acredito que explicando de forma terna e educada, ninguém será antipático. Muitas vezes o pai ignora a situação da mãe e do bebê por querer receber sua família, amigos do trabalho e tanto mais. Isso acaba colocando a família em conflito em um momento que era para ser de acolhimento, entendimento e cumplicidade.

Este momento é uma possibilidade de grande crescimento também para o pai visto que ele terá a oportunidade de ser muito virtuoso tomando a frente nos afazeres do lar, no cuidado com os demais filhos e, principalmente, com a esposa, que pode estar fragilizada, precisando ainda mais do marido!

Algumas considerações

  • Não fique com receio de visitar, apenas ligue antes para perguntar sobre a possibilidade de ir e não se chateie se a família não puder/quiser te receber;
  • Se aceitarem a visita, pergunte o que pode fazer para ajudar. Ou, mesmo se a visita ficar para outro dia, seja paciente e caridoso, demonstrando que está disponível para alguma necessidade;
  • Pergunte antes se pode levar as crianças e se alguma delas estiver doente, deixe a visita para outra hora;
  • Não fume e não use perfumes ou cremes;
  • Lave bem as mãos quando chegar na casa da pessoa;
  • Espere a família oferecer para pegar o bebê. Existem pais que não gostam que pegue o bebê no colo e outros que não se importam;
  • Só tire fotos se a família permitir e antes de publicar nas redes sociais, peça permissão, afinal o bebê não é seu;
  • Não beije o bebê principalmente no rosto ou nas mãos;
  • Faça visitas rápidas a não ser que a família queira te receber por mais tempo;
  • Segure os palpites inconvenientes, mas não os bons conselhos!

O que posso fazer para ajudar?

Ponha a mão na massa, assim como Nossa Senhora foi ajudar Santa Isabel! Se ofereça para ficar com as outras crianças, para limpar a casa, leve uma comida, converse sobre tudo e mais um pouco, seja rápido se essa for a vontade dos pais, enfim, tanto!

Não existem regras absolutas para visitar um recém nascido ou como se comportar. Logicamente há normas básicas de higiene que devem ser respeitadas, pois é muito triste um recém nascido que se adoenta e até mesmo chega a óbito porque uma visita não tomou medidas básicas, já que a imunidade do neném é quase zero. Não precisa ser o louco do álcool em gel, mas lavar as mãos, não beijar o bebê e não o visitar estando doente já estão mais do que suficientes! O bebê irá crescer e logo estará na companhia de todos!

O mais importante de tudo é respeitar a família: o pai, a mãe, o bebê e as crianças. Cada família é única e gosta de agir de uma forma. Uns não gostam de visitas, outros adoram! Não há maneira correta e não deve haver julgamento, mas empatia, compreensão e muito bom senso.

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)