Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Planejamento Financeiro Familiar Católico – Diretrizes

Tempo de leitura: 7 minutos

No último artigo, explicamos sólidos fundamentos pelos quais as famílias católicas devem realizar um bom planejamento financeiro. No artigo de hoje, trazemos boas diretrizes para bem fazê-lo.

Diretrizes para um planejamento familiar católico

Tal como aponta o (Compêndio da Doutrina Social da Igreja) CDSI em seu artigo 360:

“Para contrastar este fenômeno [do consumismo] é necessário esforçar-se por construir ‘estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento’. É inegável que as influências do contexto social sobre os estilos de vida são notáveis: por isso o desafio cultural que hoje o consumismo apresenta deve ser enfrentado de modo mais incisivo[…].”.

Como adquirir uma casa maior para nossa família crescente, se mal conhecemos nossas despesas mensais, não realizamos ajustes e não poupamos o suficiente? Se posso economizar algum valor por mês e utilizá-lo para um investimento de médio e longo prazo (aluguel ou compra de uma casa maior, o pagamento de uma boa educação para os filhos, por exemplo), para que comprar itens supérfluos (roupas, celulares, etc.) quando o que já temos nos atende? Se podemos fazer as refeições em casa, com nossas famílias, conversando e fortalecendo o convívio, por que fazê-las fora de casa, sozinhos, pagando mais caro e comendo, muitas vezes, alimentos não sempre saudáveis? Como reservar recursos para a ajuda aos necessitados e às obras da Igreja se mantemos o hábito de consumir bens supérfluos?

O ponto crucial das questões acima é: qual o custo de oportunidade das opções que renuncio e qual o impacto disso no equilíbrio financeiro da família e alcance de seus objetivos conjuntos. O custo de oportunidade é um conceito de ampla utilização em economia, relacionado à ideia de otimização.

“Acordamos com o custo de oportunidade todos os dias. Quando o despertador toca, pensamos na melhor escolha a fazer: dormir mais 10 minutos ou ‘pular’ da cama e chegar no trabalho no horário? Comparando a satisfação do sono extra com a de chegar cedo no trabalho, muitos travam o despertador e dormem mais 10 minutos! (GONÇALVES, 2010, p. 20).”. “[…] Um consumidor que compra um bem [ou faz uma escolha], mas poderia comprar [ou escolher] outro, incorreu num custo de oportunidade. O bem comprado [ou escolha feita] lhe dá satisfação, mas o que deixou de comprar [ou de escolher] foi uma oportunidade que também lhe daria satisfação. O custo de oportunidade de escolher o primeiro é a satisfação perdida por ter desistido da melhor alternativa seguinte à escolha que fez. […] O custo de oportunidade permite comparar o que se obteve (satisfação ou lucro) e o que se deixou de obter. […] (GONÇALVES, 2010, p. 19-20).”.

Nesse contexto, o artigo 358 do CDSI aponta que

“[…] hoje, mais do que no passado, é possível avaliar as alternativas disponíveis não somente tomando por base o rendimento previsto ou ao seu grau de risco, mas também exprimindo em juízo de valor sobre os projetos de investimento que os recursos irão financiar, na consciência de que ‘a opção de investir num lugar em vez de outro, neste setor produtivo e não naquele, é sempre uma escolha moral e cultural'”.

Considerando o exposto propomos um “passo a passo” para auxiliar as famílias católicas a exercitarem um bom planejamento financeiro:

PassoComentário
1) Conhecer detalhadamente a receita da família

 

É preciso ter em conta que esforços de trabalho poderão ser maiores em alguns momentos para aumentar a receita e alcançar objetivos definidos ou menores em função de flutuações econômicas e de emprego – nesse caso, será necessário proceder com ajustes nas despesas correntes.

 

2) Conhecer detalhadamente as despesas da família

 

É de bom alvitre manter a prática de identificar oportunidades de enxugamento de despesas e de negociação de preços e formas de pagamento.

 

3) Estabelecer objetivos e metas familiaresa) Objetivo é o propósito de realizar algo, é aonde se quer chegar. É ele que fornece a direção do que se deseja fazer, serve como guia. É a posição que se deseja ocupar no futuro, o sonho que se deseja realizar (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente.

 

b) Metas são tarefas específicas para alcançar os objetivos. A meta é o objetivo de forma quantificada. Após priorizar os objetivos, eles precisam ser transformados em desafios intermediários no curto prazo, ou metas. As metas são temporais e estritamente ligadas a prazos. Uma boa dose de estímulo e desafio deve ser colocada na determinação das metas, porém, é preciso elaborar metas factíveis (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente; Meta 1: Economizar x em y anos (meses); Meta 2: Trocar a casa w para a z, no valor h, em j anos.

 

c) Devem ser estabelecidos objetivos e metas familiares de curtíssimo (menor que 1 ano), curto (1 ano), médio (2-5 anos) e longo (maior que 10 anos) prazos.

4) Definir as melhores opções financeiras para o alcance dos objetivos e metas definidos e com base no conhecimento de receitas e despesas familiaresComprar à vista ou a prazo? Utilizar cartão de crédito ou dinheiro? Utilizar capital próprio ou empréstimo? Aplicação em renda fixa ou variável?
5) Definir plano de ação para alcance dos objetivos, por meio do detalhamento das metas

 

a) Os objetivos e metas estabelecem o que será alcançado e quando os resultados serão obtidos, mas eles não dizem como os resultados serão alcançados. Para cada objetivo, portanto, é necessário que se definam as estratégias para a sua viabilização. Esse conjunto de conceitos e ações pode ser organizado com a elaboração de um plano de ação. O plano de ação é uma ferramenta significativa no processo de desdobramento, organização e execução de estratégia. O processo de elaboração envolve aspectos técnicos, administrativos e pedagógicos, estabelecendo um balanceamento entre a responsabilidade individual e o compromisso coletivo (LOBATO et al., 2012).

 

b) Para uma rápida identificação dos elementos necessários à sua implementação, o plano de ação pode estruturar-se pela ferramenta 5W2H, que significa: what (o que será feito?); who (quem fará ?; when – quando será feito?; where – onde será feito?; why – por que será feito?; how – como será feito?; how much – quanto custará?) (LOBATO et al., 2012).

6) Monitorar constantemente receitas e despesasPara auxiliar o monitoramento, devem ser utilizadas planilhas e programas específicos de gestão financeira.
7) Realizar ajustes no planejamento familiar

 

Os itens 3, 4 e 5 devem ser analisados constantemente e revisados de acordo com eventuais mudanças de objetivos da família.

 

Felizmente, são cada vez mais comuns os serviços de assessoria financeira que podem ajudar às famílias, principalmente, no início de sua caminhada. Quem não tem condições de contratar tais serviços pode obter informações resumidas na internet, tal como pretendeu este artigo.

É necessário, como explanado anteriormente, cultivar bons hábitos que possibilitem uma católica gestão financeira familiar, tais como:

  • Criar na família uma cultura de diálogo e de planejamento financeiro familiar;
  • Contribuir com o dízimo e com outras obras da igreja;
  • Incentivar os filhos a participarem de trabalhos de ajuda ao próximo, preferencialmente em ações da igreja, criando uma cultura de caridade e solidariedade;
  • Incentivar aos filhos a ajudar nas atividades domésticas, criando uma cultura de disciplina, organização e co-responsabilidade, bem como a participarem de trabalhos remunerados, desenvolvendo o hábito do planejamento, trabalho em equipe, respeito à hierarquia e da meritocracia;
  • Incentivar desde cedo os filhos a participarem na construção e no alcance dos objetivos e das metas familiares;
  • Criar o hábito de poupar na família (diferentemente da avareza, um dos pecados capitais, a poupança possibilita o alcance dos objetivos familiares), evitando gastos com bens supérfluos;
  • Criar o hábito de acompanhamento de receitas e despesas, ajustando-as aos objetivos e metas familiares.

A necessidade das Virtudes: Naturais (adquiridas) e Sobrenaturais (infusas)

Como nos direciona claramente o artigo 359 do CDSI, o

“uso do próprio poder aquisitivo há de ser exercido no contexto das exigências morais da justiça e da solidariedade e de responsabilidade sociais precisas: Não se há de esquecer o dever da caridade, isto é, o dever de acorrer com o ‘supérfluo’, e às vezes até com o ‘necessário’, para garantir o indispensável à vida do pobre”.

Para fechar este ensaio optou-se por retomar a ideia das Virtudes, pois tudo o que fazemos deve ser para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, recorramos ao que o Padre Royo-Marín nos explica sobre as virtudes naturais e sobrenaturais.

As Virtudes Naturais são aquelas adquiridas naturalmente, independentemente da graça e da ordem sobrenatural. Por mais estimáveis que sejam em sua ordem e plano correspondente, são totalmente desproporcionadas e ineptas para a vida sobrenatural que há de viver o cristão. Se os atos constantemente repetidos são bons, adquire-se pouco a pouco o hábito bom correspondente, que em teologia moral recebe o nome de virtude natural ou adquirida. Tais são, por exemplo, a prudência, a lealdade, a sinceridade, a honradez natural, etc., adquiridas naturalmente a custo da repetição de seus atos correspondentes.

Já as Virtudes Sobrenaturais, ou Infusas, são aquelas infundidas por Deus juntamente com a graça, para que possa operar sobrenaturalmente, e o divino, com ajuda dos dons do Espírito Santo. Possuem dois grupos fundamentais: Virtudes Teologais (apenas três: fé, esperança e caridade) e Virtudes Morais (subdivididas em: cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança; potenciais ou derivadas – ex.: humildade, obediência, paciência, castidade, perseverança, etc.). As Virtudes Morais estão em perfeita analogia e paralelismo com as correspondentes Virtudes Naturais (adquiridas). As Virtudes Teologias são estritamente divinas, porque têm por objeto direto e imediato o próprio Deus, e não têm, pela mesma razão, virtudes correspondentes na ordem natural adquirida.

A família deve, portanto, por meio da oração, pedir a Deus que a infunda de Virtudes Sobrenaturais (Teologais e Morais) e praticar as Virtudes Naturais, adquiridas por meio da repetição constante. Assim, poderá controlar seus vícios e evitar pecados, tais como, preguiça, avareza, ganância, inveja, em busca de sua santificação.


Referências

  • Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
  • Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Paulinas, 2005.
  • LOBATO, D. M. et al. Estratégia de empresas. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. 208 p.
  • GONÇALVES, A. C. P. et al. Economia Aplicada. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010. 152 p.
  • DUHIGG, C. O poder do hábito – por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro, Objetiva, 2012. 407 p.
  • ROYO-MARÍN, A. Ser santo ou não ser… eis a questão – Compêndio da obra Teología de La perfección cristiana. 1 ed. Campinas, SP: Ecclesiae, 2016. 371 p.
  • AQUINO, F. R. Q. Família: santuário da vida – vida conjugal e educação dos filhos. 23. ed. Lorena, SP: Editora Cléofas, 2016. 232 p.
  • LINDENBERG, A. Uma visão cristã da economia de mercado. São Luís, MA: Resistência Cultural, 2017. 247 p.

Marcos Eugênio Lopes é presidente e fundador do Centro Anchieta.

Esposo da Raphaela e pai da Maria.

Elogio da mulher forte

Tempo de leitura: 10 minutos

“Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos; ri-se do dia de amanhã. Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. A graça é falaz e a beleza é vã; a mulher inteligente é a que se deve louvar. Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.” (Provérbios 31, 10-31)

O que significa uma mulher forte?

“Uma mulher forte, quem poderá encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor.”

O primeiro louvor para a boa mulher é dizer que ela é coisa rara, ou seja, dizer que é preciosa e excelente, digna de ser muito estimada, porque tudo aquilo que é raro é precioso.
Mulher forte, quando traduzida do grego, significa mulher varonil. Frei Luis de León, em A perfeita casada, que é um comentário desse poema aplicado as esposas de seu tempo, usou a expressão “mulher de valor”. Valor no sentido de ânimo, que move a abraçar resolutamente grandes ideais e a enfrentar os perigos. Quer dizer virtude de ânimo e fortaleza de coração, um ser perfeito e completo naquelas coisas a quem essa palavra se aplica. Não é insegura, mas sim senhora de si e de seus princípios. E tudo isso tem como um tesouro em si quem é boa mulher e não o é quem não o tem. Não devemos entender o valor de força como força física, mas sim como a virtude cardeal da fortaleza, com a firmeza e o esforço da alma. Exatamente no mesmo sentido usava Santa Teresa quando pedia que suas monjas parecessem “fortes varões”.

Com grandíssima verdade, o Espírito Santo não chamou a mulher apenas de “boa” mas sim de mulher “de valor”. Isso significa dizer que a mulher boa é mais do que boa e que isso que dizemos como boa é uma forma mediana de falar, que não expressa aquela excelência que há de ter e tem em si a mulher boa.
Dizer mulher perfeita, no fundo, é como dizer a ‘mulher-mulher’: a mulher realmente como tal. Não se refere tanto a um papel ou outro senão a sua essência feminina.

Uma boa mulher é um acúmulo de riquezas, e quem a possui é rico só com ela e somente ela pode fazê-lo venturoso e afortunado; o marido há de levá-la sobre sua cabeça, e o melhor lugar no coração do homem deve ser para ela, ou, para dizer melhor, todo seu coração e sua alma; e há de entender que ao tê-la, tem um tesouro geral para todas as diferenças de tempos que é a varinha de virtudes, como dizem, que em qualquer tempo e conjuntura responderá com seu gosto e preencherá seu desejo; que na alegria tem nela doce companhia com quem acrescentará seu prazer, comunicando-o; e na tristeza, amoroso consolo; nas dúvidas, conselho fiel; nos trabalhos, repouso; nas faltas, socorro; e medicina nas doenças, aumento de seus bens, vigia de sua casa, mestra de seus filhos, provedora de seus excessos; e finalmente, nas boas e más situações, na prosperidade e adversidade, na idade florida e na velhice cansada, e, durante toda a vida, doce amor, paz e descanso.

Temos aqui um bom fim ao que deve apontar a educação feminina: formar mulheres fortes, mulheres de valor e não simplesmente mulheres boas, que, apesar de não ser algo pejorativo, dá a ideia de conformar-se com pouco.

Mulher de confiança

“Nela confia o coração de seu marido.”

Desta mulher perfeita, a primeira virtude que o poema traz é que é uma pessoa de confiança. Confiar, aqui, tem um sentido intenso, entendido como “depositar a confiança”. O marido pode descansar o coração em sua mulher.

Ser uma pessoa de confiança é algo muito importante na vida. Uma pessoa de confiança é alguém que sabemos que busca o nosso bem e, sobretudo, protege-nos e não nos abandona no perigo. É alguém que se arrisca por nós e não falha quando precisamos.

Para que se possa colocar a confiança em uma pessoa, esta deve estar revestida de qualidades que a façam confiável. A primeira coisa é o respeito e o amor pela verdade. Em segundo lugar, o respeito pela justiça, honestidade, pela fama do próximo e seus bens, a sinceridade, etc. Se a mulher não possui honestidade, não é mulher. A mulher que não é honesta é torpe e abominável.

Não se pode confiar em uma pessoa que tem discurso dúbio, que recorre às meias verdades ou mentiras, que é caluniadora. Uma pessoa de confiança é alguém honesto, reto e responsável. Alguém a quem confiaríamos o que temos de mais preciosos com a segurança e a certeza de que o cuidaria como nós cuidamos.

Para educar pessoas de confiança é imprescindível saber delegar com confiança, encarregar coisas e supervisionar sem invadir. Se não confiamos, nunca forjaremos corações confiáveis.

A mulher deve ser honesta e simples no seu proceder, nas suas palavras, nos pensamentos para consigo mesma e para com os outros. Simples para fazer de Deus seu objetivo, para se apoiar em Deus como meio, para reconhecer que nada pode fazer por si mesma; e na maneira de se portar, de se vestir e de se adornar.

Econômica

“Não lhe farão falta os despojos.”

É próprio da mulher poupar. Por isso é chamada de economia do lar.

Bondosa

‘’Pague-lhe com bem, não com mal, todos os dias de sua vida.’’

O ofício natural da mulher é que ajude o homem. A mulher deve ser o reduto da bondade para com todos. Deve ser o doce e perpétuo descanso, a alegria do coração e um agrado tênue.

A mulher deve ser terna. A ternura é o amor que se manifesta na doçura e delicadeza dos gestos, do olhar, da presença amorosa.

Significa que a mulher deve se esforçar, não para causar problemas ao marido e sim para livrá-lo deles e em lhe ser perpétua causa de alegria e descanso. Porque, que vida é a daquele que vê consumir seu patrimônio nos desejos de sua mulher, que seu trabalho é levado todos os dias pelo rio, pelo esgoto, que tomando cada dia novos caminhos, crescendo continuamente suas dívidas, vive vil, escravo, aferrado ao joalheiro e ao mercador?

Deus, quando quis casar o homem, dando-lhe a mulher, disse (Gênesis, 2): “Façamos-lhe um ajudante que seja semelhante”, de onde se entende que o ofício natural da mulher, e o fim para o qual Deus a criou, é para que ajude seu marido e não para que seja sua calamidade e desventura: ajudante e não destruidora. Para que o alivie nos trabalhos que acarreta a vida de casado, e não para que acrescente novas cargas. Para repartir entre si os cuidados, tomar sua parte. E finalmente, não as criou Deus para que sejam rochas onde quebrem os maridos e naufraguem os bens e as vidas, e sim portos desejados e seguros onde, chegando em suas casas, repousem e se refaçam das tormentas dos trabalhos pesadíssimos que realizam fora delas.

Como dissemos, de cuidar de sua casa e de alegrar e distrair continuamente seu marido, nenhuma má condição dele a desobriga; mas não por isso devem pensar eles que têm permissão para ser ferozes com elas e fazê-las escravas; antes como em todo o resto o homem é a cabeça, por isso todo esse tratamento amoroso e honroso deve partir do marido; porque há de entender que é sua companheira, ou melhor dizendo, parte de seu corpo e a parte fraca e tenra, e a quem pelo mesmo motivo se deve particular cuidado e zelo.

Ainda há nisto outro inconveniente maior: como as mulheres são menos enérgicas, e pouco inclinadas às coisas que são de valor, se não as alentam, quando são maltratadas e não levadas em conta pelos maridos, perdem o ânimo e não conseguem colocar as mãos nem o pensamento em alguma coisa, por melhor que seja.

O marido sensato não deve oprimir nem envilecer com más obras e palavras o coração da mulher que é frágil e modesto, mas ao contrário, com amor e com honra há de elevá-la e animá-la, para que sempre conceba pensamentos honrosos. E a mulher, como dissemos acima, foi dada ao homem para alívio de seus trabalhos, e para repouso e doçura e afago, pela mesma razão e natureza pode ser tratada por ele de modo doce e afetuoso porque não se consente que se despreze alguém que lhe dá conforto e descanso, nem que traga guerra perpétua e sangrenta com aquilo que tem o nome e o ofício da paz.

Laboriosa

‘’Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade.’’

A preguiça é a mãe de todos os vícios. Na ordem espiritual a preguiça é filha da ascídia, e faz estragos, como nos fizeram notar os padres do deserto.

Laboriosidade não significa somente trabalhar, senão que trabalhar com gosto, que se ame o trabalho. Isso é o que significa “com mãos diligentes”, ou, como diz outra tradução, “suas mãos trabalham com gosto”. A mulher elogiada no poema é uma pessoa que não está quieta: se senta, tece, vende, sabe comercializar e planta.

Há que se ensinar a trabalhar e a amar o trabalho. Há que se ensinar a trabalhar bem. Não se transforma o mundo sem um bom trabalho. Temos que trabalhar para crescer em perfeição e nos santificarmos e isso só acontece quando se faz bem o que se tem que fazer. Hoje em dia perdeu-se notavelmente a cultura do trabalho, porque se trabalha unicamente na medida em que seja necessário ganhar algo.

Há ainda uma falsa ideia de que somente trabalha a mulher que se emprega fora de casa. As tarefas de dona e senhora de sua casa não são consideradas como um trabalho. Muitas mulheres acabam saindo de casa para trabalhar não por necessidade, mas procurando realizar-se, desconhecendo, assim, o trabalho que mais as realiza segundo seu gênio feminino. Precisamente, a laboriosidade que elogia o poema sagrado é a que a mulher exerce no âmbito maravilhoso do mundo caseiro a que ela está chamada a transformar em paraíso familiar.

Não diz que o marido comprou linho para que ela lavrasse, mas que ela o procurou para mostrar que a primeira parte de ser prendada é saber aproveitar o que tem em casa.

Tenha valor a mulher e plantará a vinha; ame o trabalho e acrescentará em sua casa, ponha as mãos no que é próprio de seu ofício e não se despreze dele, e crescerão suas riquezas; não amoleça, nem se faça de delicada, nem tenha por honra o ócio, nem por estado o descuido e o sono, mas ponha força em seus braços e acostume seus olhos ao desvelo, e saboreie o trabalho e não se prive de pôr as mãos no que se refere ao ofício das mulheres, por baixo e miúdo que seja, e então verá quanto valem e onde chegam suas obras.

Oração e esperança escatológica

“Não se apaga de noite a sua lâmpada.”

Quem não associa essa expressão com a parábola das jovens prudentes? As jovens prudentes mantiveram a lâmpada acesa, estiveram alertas em oração esperando a chegada do Esposo Celestial. Jesus, com aquela parábola, nos incitava a orar constantemente e a estar preparados, vivendo em graça, porque em qualquer momento se pode apresentar a nossa porta o “Senhor que vem”.

Devemos ter os olhos levantados em direção ao horizonte e um pouco ainda mais alto, como quem espera a alguém que há de vir de longe e do alto. Devemos tender sempre à Eternidade, conscientes de um juízo final e convencidas de que este mundo, com suas aparências, passa depressa e que a verdadeira vida começa depois desta.

Se não conseguirmos isso, seremos pessoas ancoradas no mundo, homens e mulheres fincados no mundo temporal, cidadãos da cidade terrena. Mundanos.

Misericordiosa

‘’Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente.’’

O mundo em que vivemos é um mundo anti-solidário, duro de coração. Precisamos de mulheres capazes de privar-se do seu apara ajudar aos demais, capazes de sacrificar seu tempo, seus bens, suas coisas.

Deixa bem aos seus

“Seu marido é bem considerado nas portas.”

A Sagrada Escritura louva muito a mulher que deixa seu marido bem e se lamenta muito do pobre marido que não pode apresentar-se em público porque todos o zombam pela mulher que tem.

Sábia

“Abre sua boca com sabedoria”.

Ao contrário do que se pensa de que a mulher ocupa-se apenas com o funcionamento do lar e mal tem tempo ou interesse de estudar, a mulher de Provérbios não só era sábia porque tinha conhecimento, mas também por sua experiência e vigilância dos preceitos divinos.

Para dar um bom conselho, para corrigir bem aos filhos, fazer bons pedidos, negociar, educar, se relacionar com os familiares e amigos, para tudo isso é necessário que a mulher abra a sua boca com sabedoria e não com coisas torpes, sujas, indecentes, maldosas.

Caridosa

“Lição de amor há em sua língua.”

A mulher de provérbios não usa seu dom de falar para insultar as pessoas, difamá-las, provocá-las, gerar contendas, confusões, intrigas, maledicências, fofocas, mentiras, e por aí vai. Também não murmura ou reclama. Da boca da mulher deve sair nada menos que uma Lição de Amor.


Referências

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Rotina de organização da casa: o cardápio semanal

Tempo de leitura: 3 minutos

No post passado, comecei a falar um pouco sobre como funciona a nossa rotina. Para quem ainda não viu, foi sobre a limpeza da casa. Hoje escreverei sobre mais uma ferramenta para facilitar a vida doméstica: o cardápio semanal.
Decidir o que comer horas ou minutos antes de cozinhar traz prejuízos. Escolhas inadequadas podem render não só estresse e complicação para conseguir cozinhar,  mas até mesmo problemas de saúde. Já disseram uma vez: ”Uma cozinha bem dirigida poupa muitas despesas de farmácia. ”

“A arte culinária não é apenas a habilidade de preparar bons petiscos. Abrange também o conhecimento do valor nutritivo, das qualidades higiênicas dos alimentos. Reclama a variedade no tempero e no preparo do mesmo prato. E conta com a habilidade de saber aproveitar os restos. Junto ao fogão, a mãe há de ter em vista a idade, apetite, as preferências e as repulsas dos seus. Dará preferência ao que nutre e alimenta e não ao que sacia unicamente a gula”. ( Pe. Geraldo Pires de Souza – As três chamas do lar)

Muitas vantagens

O hábito de se ter um cardápio semanal tem muitas vantagens:

  1. Evita o desperdício: assim só se compra o que de fato se vai usar. Muitas vezes quando chegamos ao supermercado ou feira sem saber o que faremos durante a semana, acabamos comprando muitas coisas que depois estragam e precisamos jogar fora;
  2. Facilita a rotina: não precisa ficar pensando no que fazer. Se é algum prato que precisa de algum processo, pode-se até mesmo adiantar algo para facilitar depois na hora de preparar a refeição;
  3. Não te deixa desprevenido: às vezes nós passamos o dia pensando no que fazer pro jantar. Pensamos em mil opções! Mas quando chega na hora de preparar, não sabemos o que fazer. Seja porque faltou algum ingrediente, pela nossa indecisão ou porque não descongelamos a carne . Tudo isso pode ser evitado com o cardápio semanal!
  4. Propicia a inserção de novos pratos: acabamos fazendo sempre as mesmas coisas porque não paramos para procurar receitas ou organizar o tempo para executa-las. Com um cardápio semanal podemos colocar nossa criatividade pra funcionar! E isso é ótimo especialmente para quem tem crianças e precisa estar variando as cocções dos alimentos. Além de que, é uma ótima estratégia para sempre fazer algum prato preferido do marido!
  5. Facilita o rodízio de alimentos: garante que consigamos variar os alimentos por semana e aproveitar as frutas e verduras da estação. Por exemplo, se numa semana compra-se mandioca e batata inglesa, na outra pode-se consumir batata doce e inhame. Se numa semana compra-se alface e rúcula, na outra pode-se comer agrião e couve.
  6. Facilita que as refeições sejam feitas em família: com um cardápio organizado e ingredientes preparados, a hora de cozinhar não se torna um momento de guerra e estresse, mas um momento prazeroso, cheio de dedicação e amor.  Depois, a família reunida ao redor da mesa dará graças a Deus pelo alimento e pelas mãos que o prepararam e o desfrutarão juntos.

Como fazer?

Para fazer o cardápio semanal:

  1. Separe um dia da semana para isso;
  2. Que seja antes de ir às compras;
  3. Para começar, pense nas refeições grandes de cada dia (almoço/jantar e café da manhã/café da tarde);
  4. Depois acrescente os lanches.

Um exemplo de um dia do cardápio semanal:
Segunda feira

Café da manhã – Pão e bolo de cenoura
Lanche – Iogurte e mamão
Almoço/ jantar – Arroz, feijão, bife, batata assada e salada de rúcula com tomatinho cereja
Café da tarde – Panqueca de banana

 

No começo parece trabalhoso, mas depois fica muito fácil! E claro, o planejamento precisa ser flexível, porque a vida em família tem sempre seus imprevistos e particularidades! Além de que o cardápio de cada família é único, pois atende a necessidades específicas como quantidade de refeições que a família faz, vezes que se cozinha, frequência de compra de alimentos, e por aí vai. Lembrando que o cardápio semanal anda de mãos dadas com a compra de itens básicos da casa (aqui nós fazemos compra mensal de itens básicos e compra semanal de carnes, verduras e frutas).
Para quem quiser boas dicas de uma alimentação saudável e equilibrada, acompanhe a página da Mayra Maria no facebook!

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

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