Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: castidade

Modéstia: o caminho que eu tenho trilhado

Tempo de leitura: 5 minutos

O tema da modéstia é muito frequente entre as moças recém convertidas e, principalmente, pela internet afora. Muitas discussões acabam acontecendo visto que a Igreja não possui um “manual de modéstia para os dias atuais”. O intuito desse post não é ditar regras ou colocar-me como uma especialista em modéstia, mas apenas partilhar o trajeto que venho trilhando.

Há alguns anos atrás, confesso não saber exatamente quantos, comecei o meu caminho de mudança a respeito da virtude da modéstia. Um caminho lento e gradual que ainda não chegou ao fim, mas que me faz sentir a cada dia mais moldada pelas mãos da Santíssima Virgem.

Comecei a ter contato com textos a respeito da modéstia no vestir na época em que tive o primeiro contato com a Santa Tradição. Mas antes mesmo disso, já havia mudado algumas coisas porque já não me sentia bem (isso pode até parecer sentimentalismo) e sabia que havia algo errado ao usar certas roupas que mais chamavam atenção dos homens do que cumpriam sua função essencial.

Tive um momento de grande euforia, impulso e precipitação, algo típico de meu temperamento, em que passei a me vestir como uma beata, só que brega. Algum tempo passou e voltei à vida antiga. Algo estava errado: não havia sido sincero.

Nesta época ainda não tinha a Graça de ter um diretor espiritual. Decidi, por inspiração divina, trilhar outro caminho: o da entrega total. Decidi confiar que, mais do que textos de alguns blogs, recheados mais de opiniões pessoais do que de ensinamentos coerentes, seria o próprio Espírito Santo quem me modelaria e ensinaria a vestir-me para agradar nosso Senhor, após ler um texto do livro Imitação de Cristo: ”Falai, Senhor, que o vosso servo escuta: Vosso servo sou eu, dai-me inteligência para que conheça os vossos ensinamentos. Inclinai meu coração às palavras de vossa boca; nele penetre, qual orvalho, vosso discurso (1Rs 3,10; Sl 118.36.125; Dt 32,2). (…) Não fale Moisés, nem algum dos profetas, mas falai-me de vós, Senhor, Deus, que inspirastes e iluminastes todos os profetas, porque vós podeis, sem eles, me ensinar perfeitamente, ao passo que eles, sem vós, de nada me serviriam. ”

Vejam, esse caminho é pessoal. Para mim os textos atrapalharam muito, porque eu não tinha discernimento e queria vestir-me como na Era Vitoriana. E isso não é modéstia.

Aos poucos, fui percebendo movimentos interiores que me faziam avançar nesse caminho, frutos do estudo da vida dos santos e de oração pessoal. Primeiro, deixei as roupas que mais ofendiam a Nosso Senhor. Aos poucos fui percebendo-me mais bela com saias e vestidos e decidi que gostaria de usá-los mais. Nessa época ainda dependia dos meus pais, então não tinha dinheiro para comprar peças modestas e nem conhecia lugares que as vendessem.

Durante muito tempo me vesti de uma forma que não gostaria, pois não tinha condições de adquirir peças boas. Quando pude, tive somente duas saias (uma preta e uma pastel), que me serviam de combinação para tudo. Aos poucos, e muito aos poucos, pude ir mudando o meu guarda roupas, que até hoje não está completamente mudado.

Passei um tempo difícil em que muitos faziam chacota do meu jeito de me vestir e fui percebendo que um pouco disso era culpa minha, pois me vestia mal. Fui então buscando inspirações de como me vestir bem e a única referência que eu tinha era da princesa Kate Middleton. Um pouco depois, fui conhecendo moças que viviam a modéstia e se vestiam bem, de forma bela e elegante e assim fui aprendendo.

Quando me casei, comecei a viver um período muito belo, pois podia ser eu mesma e comprar minhas próprias peças. Meus dois últimos crivos foram o tamanho das saias e as mangas das blusas. Passei a me incomodar com as saias nos joelhos e agora as visto somente se os tampem até mesmo sentada. As mangas, não consigo mais não usá-las. Sinto-me desnuda. Pode parecer algo exagerado e surreal para quem tem contato com isso pela primeira vez, mas acredite, é tão feliz ser barro nas mãos do Oleiro!

Hoje é assim que me visto. Uso vestidos, saias e blusas, por nenhum outro motivo senão que assim sinto-me cumprindo a vontade de Deus sendo verdadeiramente feminina, elegante e bela. Vestir-me assim nem sempre é fácil, principalmente nos dias de hoje. Mas, sinto um chamado elevado que me pede grandes sacrifícios. ”O Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12).

Tenho muitas peças que ainda não são como eu gostaria, mas são as que tenho e procuro adaptá-las para que agradem a Nosso Senhor. Vestindo-me assim encontro-me feliz em consciência, agradando ao bom Deus. Não acredito que todas as mulheres devam se vestir da mesma forma ou estaríamos anulando características pessoais. A forma como me visto é reflexo do que sou. Por isso a minha mudança foi tão gradual exteriormente, porque o que somos por fora é apenas uma manifestação do nosso interior.

Viver a modéstia no vestir e no comportamento só me trouxe benefícios. Reconhecendo-me templo do Espírito Santo, sabendo-me um castelo onde o Rei habita em meu interior, soube do meu valor. Nada supera o meu valor de filha de Deus. Sou amada por Ele e é esse amor que me sustenta e me permite amar também. Quando lembro-me das roupas que usei, envergonho-me e faço atos de reparação. Ofereço sacrifícios para reparar ao Coração Santo pelos inúmeros cravos de imodéstia que cravei tão fortemente nEle.

Usar roupas justas, curtas, decotadas, transparentes, faz de nós semelhantes a objetos. Somos mulheres e sabemos bem quando provocamos um homem, quando chamamos atenção. O que queremos quando nos vestimos assim? Mostrar que somos apenas um corpo. Que pequeno valor ter apenas um corpo, pois até os animais tem um. Quem sustenta um relacionamento com músculos, o verá se desmanchar quando os músculos se afrouxarem e caírem. Quem sustenta um relacionamento com a alma, verá o amor amadurecer e se elevar conforme a maturidade chegue e a alma cresça.

Para quem está começando, sugiro paciência, oração e estudo. Ter um diretor espiritual também ajuda muito! O caminho se faz passo após passo e não à grandes saltos. Com o tempo, o amadurecimento e crescimento da vida interior, a virtude da modéstia e também o pudor irão tornando-se tão naturais, que todas essas questões ”discutíveis” tornam-se nada. Uma alma em estado de graça, casta, com vida interior e com boa vontade, tem um senso comum ditado pelo próprio Espírito Santo. É capaz, per si, de saber o que convém ou não.

Há quem tenha medo da modéstia e do pudor e classifiquem essas virtudes como características repressoras. Grande erro! Se há algo que liberta e faz de nós grandes vencedores, principalmente a respeito de nós mesmos, são essas virtudes. Nós, mulheres, temos algo que nos é próprio: um mistério. Todo homem anseia desvendar esse mistério e ganhar esse prêmio. Se nos vestimos e nos comportamos de maneira baixa e lançamos luz apenas às partes do nosso corpo, o que fazemos é espantar os homens, pois nos colocamos como objetos esperando para sermos utilizadas. Entramos em uma corrida contra nossa própria natureza corpórea, pois o corpo a cada dia mais próximo está da desfiguração e decomposição.

À luz da pureza, do pudor, da modéstia, da temperança, temos valor incomparável. Somos uma alma eterna, um mundo interior, um prêmio a ser conquistado, um mistério a ser desvendado. Somos mais belas, somos um rosto, somos um olhar, somos um sorriso. Somos muito além das curvas.

Sei que é difícil romper com a sociedade que diz ser normal se vestir assim. Mas, como disse São João Paulo II: “Se você quer encontrar a nascente, tem que subir contra a correnteza.” Se queremos encontrar a Fonte do Amor, viver o Evangelho, ter uma vida interior, encontrar as doçuras de Deus, devemos seguir firmes e confiantes no caminho da Cruz, que é o caminho que o mundo não pode nos dar.

 

O período do namoro

Tempo de leitura: 3 minutos

Graças ao bom Deus há muitos casais que desejam ardentemente viver a radicalidade do Evangelho e fazer de suas famílias verdadeiras Igrejas Domésticas. O post de hoje é um texto escrito por um desses casais, o qual temos a graça de serem grandes amigos nossos, o Leonardo e a Priscila. Eles são nossos vizinhos, participam da nossa paróquia (São José de Anchieta, Serra- ES) e são pais do João Paulo.


Para começar um namoro santo, deve-se escolher a pessoa certa: aquela que tenha o mesmo desejo de santificação que nós temos.

Primeiramente, devemos entender que o amor verdadeiro só existe em Deus, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas. Somente assim é possível ver com os olhos da fé e sem interesse pessoal, a pessoa amada reservada por Deus. Quando amamos a Deus, desejamos que todos vivam este amor, principalmente as pessoas mais próximas.

“Oh, eterna verdade e verdadeiro amor e amorosa eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. E quando te conheci pela primeira vez, tu pegaste em mim, para que visse que existe aquilo que via e que eu não era ainda de molde a poder ver.” (Santo Agostinho, Confissões, VII)

É certo dizer que não existe uma “receita de bolo” para um namoro perfeito, pois cada relacionamento amoroso tem os seus desafios. De fato, a união de duas pessoas que se amam só poderá dar frutos duradouros se houver desde o início uma reta intenção de fazer o outro feliz, além de um desejo de se santificar e suportar os defeitos e limitações da pessoa amada. Contudo, não podemos negar os princípios básicos de uma relação sadia e santa que provêm da oração, do sacrifício, da humildade e da caridade. Afinal, o que seria do amor sem a caridade?

De nada vale se não tivermos a caridade. Tudo é palha, nada é verdadeiro e sem ela tudo é interesse. Mas quem a possui “não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor” (I Coríntios 13,3). Ter caridade é alcançar o grau mais alto da fé, porém, para chegar a este nível é necessário possuir uma “determinada determinação” de lutar contra o orgulho, a arrogância, a inveja, os próprios interesses e pôr fim a concupiscência da carne. Os que desejam ter um relacionamento santo e duradouro devem se afastar com todas as forças desses males que tanto destroem os casais de nosso tempo.

Na oração, somos iluminados por Deus para elevarmos o namoro a perfeição e suportar todas as dificuldades. É impossível manter um relacionamento vivo e estabilizado sem ter a prática da oração diária, que se intensifica no matrimônio. Isso deve ser para nós cristãos, um fato consumado. A oração nos aproxima de Deus, abre nossos ouvidos a voz do Espírito Santo que ilumina nossa razão e nos santifica. Com efeito, nosso Senhor Jesus Cristo torna-se o centro do relacionamento.

“A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da fortaleza de Deus. ” (São João Paulo II, Carta às famílias, 1994)

 

O início do nosso namoro foi de muita oração e intercessão de Nossa Senhora da Penha, mas com o passar do tempo, deixamos nossas orações de lado e tudo que construímos veio a ruir, todas as programações para o casamento davam errado. Somente nove anos depois, percebemos que estávamos longe de Deus e que era necessário voltar ao “princípio”, onde Deus era o centro de nossa relação.

Retomamos as nossas orações, participação ativa nas Santas Missas, confissões frequentes e sempre buscamos aprender sobre nossa fé, nossa Santa Igreja e conhecer os santos que tantos exemplos e ensinamentos deixaram para que a nossa vontade de sermos santos também não se aplacasse por coisa alguma. Assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos fortificou com Seu Espírito e abençoou nossa relação nos dando um lindo casamento e um anjo como filho. A caminhada não é fácil, sabemos e sentimos isso na alma, mas a felicidade e a paz só se têm em Deus.