Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Atividades em família para o Advento

Tempo de leitura: 2 minutos

O calendário do advento é uma atividade muito legal de se fazer com a família. Escolhe-se uma atividade por dia para ser feita durante esse tempo tão belo e propício. Postamos várias sugestões de atividades para que vocês possam escolher entre elas!

Com uma busca rápida pelo Google ou Pinterest, facilmente encontramos várias inspirações para montar um calendário (figuras, listas). O legal de fazer o calendário desse jeito é que fica bem lúdico e divertido para as crianças. 

ATIVIDADES

1. Ouvir músicas natalinas;

2. Fazer um pote da gratidão;

3. Dar um presépio de madeira ou feltro para as crianças brincarem;

4. Escrever cartões de natal para a família e amigos;

5. Fazer enfeites para a árvore de Natal;

6. Separar brinquedos para doar;

7. Ler livro de natal;

8. Separar roupas para doar;

9. Celebrar dia de São Nicolau (6 de dezembro) contando a história;

10. Celebrar dia de São Nicolau pegando presentes na meia;

11. Colorir desenhos do presépio;

12. Passear e ver alguma decoração de natal na cidade;

13. Ouvir coral de natal em casa ou apresentação natalina na cidade;

14. Aprender e ensaiar uma música de Natal em família;

15. Fazer biscoitos natalinos;

16. Enviar uma mensagem de Natal para os vizinhos na caixa de correios;

17. Fazer a Novena de Natal;

18. Fazer a Coroa do Advento em casa;

19. Fazer decoração de Natal (guirlanda, arranjo de mesa, enfeites para a árvore);

20. Fazer pão de natal;

21. Observar as estrelas e falar sobre a estrela de Belém;

22. Ler livro sobre o nascimento de Jesus;

23. Montar uma árvore de papel ou feltro com enfeites móveis para as crianças;

24. Aprender sobre o presépio;

25. Ver decoração de Natal em shopping;

26. Fazer chocolate quente;

27. Fazer bombons ou biscoitos para dar de presente;

28. Tirar foto em família  (fazemos isso todo Natal);

29. Visitar padrinhos ou avós;

30. Visitar um asilo e levar biscoitos natalinos;

31. Comprar um presente novo para uma criança carente;

32. Construir uma manjedoura para o Menino Jesus;

33. Fazer bolo de aniversário para o Menino Jesus;

34. Receber alguém especial para um almoço ou café da tarde;

35. Fazer lembrancinhas de natal;

36. Reunir os amigos das crianças para um encontro de Natal;

37. Acampar na sala;

38. Entronização do menino Jesus;

39. Criar versinhos/rimas de Natal;

40. Fazer alguma receita especial em família;

41. Visitar o presépio da cidade;

42. Jogo em família;

43. Preparar um teatro de Natal em casa;

44. Decorar a casa com enfeites de natal;

45. Fazer cupcakes e decorá-los;

46. Jantar à luz de velas;

47. Comer marshmallows;

48. Montar árvore de Natal;

49. Aprender sobre os Reis Magos;

50. Aprender sobre os profetas que anunciaram a vinda de Jesus.

 

Entre tantas outras atividades!

No próximo post trarei algumas pequenas tradições católicas familiares que costumam ser feitas com as crianças!

O Senhor nos leva ao horto

Tempo de leitura: 3 minutos

 

Há duas coisas que nos são tão distantes e vistas, de certa forma, como ruins hoje em dia: o silêncio e a solidão. Mais do que ao silêncio, se há algo que em geral somos avessos é à solidão, que toma logo significado e proporções relacionadas à doenças.

Nessa mudança para a França, deparei-me com a solidão de uma forma nunca antes vivida. Mais do que uma solidão física, uma solidão da alma.

Depois de um período de aridez extrema, percebi que o Senhor me trouxe não ao deserto, onde Ele foi tentado ou aonde o povo caminhou rumo à terra prometida, mas sim, ao horto das oliveiras, onde enquanto todos dormiam, Ele sentia-se só.

Uma solidão doída que, com o estresse, angústias, medos, fez com que o Senhor suasse sangue.

Assim também o Senhor me trouxe ao horto, com nenhum outro fim senão o de levar-me a entender que para amá-Lo, devo deixar todas as coisas e nada é mais difícil do que deixar a minha vontade própria. E entregar ao Senhor a nossa vontade é conformar-se totalmente com a vontade Dele e nisso consiste a perfeição.

“É necessária a solidão para aumentar nosso amor e intimidade com Deus.”

Entendi que na maior parte das vezes andei como uma criança mimada esperando consolo, atenção e que as coisas corressem ao modo da minha vontade. Mas o Senhor me quis ensinar que se quero ser santa, se quero ser como Ele, em meio a noite mais escura devo dizer: Pai, faça-se em mim a Vossa vontade.

Enquanto não aceitei esse sofrimento, me debatia como um pássaro preso na gaiola. Deixar as coisas materiais é um sacrifício fácil. Mortificar a nossa vontade é como um rasgar-se com a espada. Quando entendi e aceitei que o Senhor queria me tirar todas as coisas e mostrar-me o Seu Senhorio, a minha alma tornou-se serena e dócil. Estou vivendo um tempo em que nada está sob o meu controle. E dou graças a Deus por isso.

Queremos sempre companhia, buscamos sempre consolo e ajuda, mas na vida espiritual estamos sozinhos (de certa forma) com Deus, pois se por um lado a graça divina vem em nosso socorro, do outro está apenas a nossa vontade firme de fazer o bem e ir subindo nos degraus do Amor.

O Senhor nos leva ao Horto. Na solidão, encontramos a paz: seja feita a Vossa vontade. Na solidão, encontramos a Fonte Escondida. Na solidão, encontramos a nós mesmos: um poço de miséria sem fim.

Certo dia um anjo conduziu uma alma piedosa ao Horto das oliveiras, onde Jesus agonizava, e disse: “Para consolar Jesus, necessita-se das almas vítimas. Onde estão elas, aquelas que consentem sofrer com ele até a agonia e o suor de sangue?” O Anjo então a fez se aproximar de Nosso Senhor. “Eu me aproximei, me prostrei e compreendi quanto vale o amor reparador e compassivo: tinha encontrado o local do meu repouso”.

“Eis as palavras que Nosso Senhor me deu para meditar. “Meu Pai, seja feita vossa vontade”. Durante a Santa Missa, Ele me fez entender tão distinta quanto intimamente duas queixas e uma promessa.
Primeira queixa: Poucas almas querem compadecer-se de minha agonia.
Segunda queixa: Poucas almas, mesmo as consagradas, sabem compadecer-se da Agonia do meu Coração.
Promessa: Faço grandes confidências as almas que querem consolar-me em minha agonia.” (Bem-aventurada Dina Belánger 1897-1929)

Tudo isso pode parecer distante, mas todos temos ocasiões em que somos levados ao horto. Uma grande ocasião é o puerpério, período pós nascimento do bebê, a solidão que se sente, as noites em claro, as angústias, os medos, a dificuldade na amamentação que nos faz literalmente sangrar. Também tantas outras, como mudar-se para um lugar novo longe dos amigos, da família; as esposas que ficam sozinhas enquanto seus maridos viajam a trabalho ou trabalham embarcados; as viúvas e tanto mais.

É verdade que um Anjo consolou o Senhor, e também nós, em meio às nossas agonias, recebemos algum consolo (humano ou espiritual). Mas, o consolo só veio depois da total conformidade com a vontade do Pai. De qualquer modo, não podemos viver dependentes de consolo cada vez que experimentarmos o sofrimento. A vida espiritual não é sensorial e baseada em sentimentos. Não tenhamos medo de fazer companhia ao Senhor no Horto, de esquecer o nosso sofrimento e consolá-Lo. Não cresceremos espiritualmente enquanto formos tão dependentes das criaturas e enquanto quisermos que seja feita a nossa vontade. Devemos aprender de Jesus a forma perfeita de orar e viver: que se cumpra fielmente a vontade do Pai e, para isso, teremos de ser crucificados.

As mortificações para alcançar a paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

 

No último post falamos um pouco sobre os meios de  viver a paciência: ir além de suportar, saber esperar, saber calar, saber falar. Hoje trataremos do último meio: as mortificações para alcançar paciência.

Algumas dessas mortificações que podemos oferecer diariamente a Deus:

  • Fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem fazer expressão de tédio ou indiferença;
  • Não andar comentando a toda hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas dores e mal estares; propondo-nos firmemente a não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…;
  • Renunciar decididamente a utilizar frases típicas do dicionário da impaciência: ”Você sempre faz isso”, ”De novo, já é a terceira vez que você faz isso”, ”Outra vez!”, ”Já estou cansado”;
  • Evitar cobranças insistentes e antipáticas e prontificar-nos a ajudar os outros;
  • Não implicar com pequenos maus hábitos dos outros;
  • Saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entender;
  • Aceitar as contrariedades com alegria;
  • Não reclamar;
  • E tantas outras!

Após identificar as situações que nos impacientam, devemos esforçar-nos por ser pacientes justamente nessas situações específicas. Na maior parte das vezes teremos de dar mais do que o nosso 100%. E justamente por isso a mortificação é um sacrificar-se.

Um pequeno caso

Uma mãe impaciente tornou-se <<rezadora>>. Uma mulher de nervos frágeis tinha se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: ”Mãe de Misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado!)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente preparada uma oração própria que dizia: ”Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da Paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: ”Maria…., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!”. Depois, comentava com certo espanto: – Sabe que dá certo? Fico mais calma!. E ficava mesmo, conta o padre Francisco Faus.

“Recomendo que tenhas calma com os filhos, que não lhes dês uma bofetada por uma ninharia. Os filhos ficam irritados, tu aborreces-te, sofres porque gostas muito deles e, ainda por cima, tens de te acalmar. Tem um bocadinho de paciência, chama-lhes a atenção quando já te tiver passado a irritação, e sem ninguém por perto. Não os humilhes diante dos irmãos. Fala com eles apresentando algumas razões, para que se dêem conta de que devem atuar de outra maneira., porque assim agradam a Deus”. (São Josemaria Escrivá)

Quando começamos a meditar sobre as nossas impaciências, descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor. Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor.

Padre Francisco Faus diz que ”é possível que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, se vá rezando o terço no trânsito ou carreguem consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.”

Como diz Santo Tomás de Aquino, ”manifestum est quod patientia a caritate causatur”: ”é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras, ”só o amor é causa da paciência”.  Esse grande amor que, com a ajuda da graça divina, nos dá forças para aceitar, sorrindo e com os olhos fixos em Jesus, as pequenas contrariedades e também as grandes dores. Esse grande amor que nos dá energia para sermos fiéis e persistir pacientemente na luta um dia após outro, é o mesmo amor que acende na alma os grandes ideais e nos impele a realizá-los com a maior vibração e prontidão possíveis.

A mesma paciência que aceita,  torna-se divinamente impaciente em seus desejos de amar. Não se atira atabalhoadamente à ação, mas quer andar, como dizia São Josemaria Escrivá, “ao passo de Deus”, ao ritmo das graças e das oportunidades que o Senhor dá, sem nada perder, sem nada atrasar. Tem uma serena e enérgica prontidão em se doar e aceitar aquilo que o Senhor manda.

”A paciência! Não é por certo a virtude que no decorrer do dia se oferece com maior freqüência à mãe de família, qual fruto esplêndido e fecundo? Colhei este fruto celeste avidamente e fazei penetrar até o íntimo da vossa alma. Ele vos fará morrer para vós mesmas! O exercício dessa virtude mudará de fato o curso de vossa vida, para reconduzi-la ao domínio do Pai Celeste. (…) Ah! como a vida das mães, geralmente sobrecarregadas de trabalho e renúncia, tonar-se-ia doce e até mesmo jubilosa, se elas vivessem o seu cristianismo! A dificuldade do momento, longe de ser um obstáculo à sua ascensão, passaria a ser, em vez disso, como um sorriso de Deus, um apelo para o Alto, um motivo a mais de esperança infinita!” (G. Joannés)

O cultivo da paciência é um exercício diário. Muitas vezes, o processo é lento, mas nem por isso devemos desanimar. Deus é extremamente paciente com as nossas limitações. Cabe a nós uma vontade firme de seguir adiante, não importa quão difícil ou quanto demore! A graça de Deus vem sempre em nosso auxílio! Peçamos incessantemente ao bom Deus que nos dê um coração dócil, terno, ”manso e humilde”, semelhante ao de Nosso Senhor.

Referências

São Josemaria Escrivá, Bell-lloc del Plá (Gerona), 24-XI-1972

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Os meios para se viver a paciência

Tempo de leitura: 6 minutos

“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras” (Provérbios 16,32).

Não há uma fórmula mágica para viver a paciência, principalmente se o egoísmo tem raízes em nosso coração. Mas, se há amor, então vão nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência. Quem luta por viver em Deus, sabe que o amor cristão é movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas, ou, o que será mais frequente, de ambas ao mesmo tempo.

Santo Afonso de Ligório nos diz:  “Não nos irritemos com nenhum incidente; se às vezes nos vemos surpreendidos pela raiva, recorramos logo a Deus, e abstenhamo-nos de agir e falar, até termos a certeza de que já foi embora”. Quando nos sentimos à beira de uma crise de impaciência, devemos fazer o esforço de nos calarmos. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito e de rezar bem devagar alguma oração, como, por exemplo o Pai Nosso. Após essa oração, que pode ser também uma sequencia de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus e já com a alma mais tranquila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Não duvidemos que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem deixá-la de lado, exercitamos a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem fim de pequenos sacrifícios que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência.

Falando de forma mais prática

a) É preciso aprender a ir além de suportar

Papa Bento XVI falava dessa sabedoria: ”A paciência é o rosto cotidiano do amor. Nela, a fé e a esperança também estão presentes. Porque, sem a esperança que vem da fé, a paciência seria apenas resignação e perderia o dinamismo que a faz ir além do esforço de suportar uns aos outros, para ir ao esforço de ser uns o suporte dos outros. Jesus conduz-nos para a paciência que suporta e apoia o outro”.  É isso o que são Paulo nos pede na Carta aos Gálatas: ”Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2).

Na maioria das vezes sequer chegamos ao ponto de suportar. Precisamos ser realistas, pois é bem verdade que tudo nos incomoda e na maioria das vezes nem pensamos em quanto somos capazes de incomodar os outros também. Quanto mais nos recordarmos de nossas misérias e nos esforçarmos em sofrer as demoras, os nossos egoísmos, as nossas irritações, tanto mais nos assemelharemos ao Cristo, que tudo suportou por amor a nós. E, acredite, tanto mais fácil será a vida em família.

Se cada um esforçar-se em suportar o outro e melhorar a si mesmo, a harmonia familiar será sempre fácil de alcançar. O problema é que preocupamo-nos mais em corrigir o outro do que a nós mesmos, em reclamar das situações do que suportá-las ou resolvê-las. Um simples exemplo: se todos os dias ao invés de gastar meia hora reclamando com meu esposo do sapato que fica na porta eu simplesmente pegá-lo e guardá-lo, terei economizado 29 minutos, evitado estresse e ainda crescido em humildade e sacrifício. E, mais, por experiência própria: na maior parte das vezes conseguimos algo dando o exemplo e não através das palavras.

Se a impaciência vem da nossa incapacidade de sofrer, suportar é nosso ato voluntário de aceitar sofrer e  não só isso, mas sofrer com amor. Não dá para aceitar sofrer com cara feira, emburrada, com indiretas, com vitimismo. E isso também não é algo que se consiga do dia para a noite, mas é fundamental que possamos ser sinceros e identificarmos essa coisas em nós que precisam ser melhoradas.

Além disso, devemos esforçar-nos em suportar as situações onde não há solução e oferecer amor. Como em caso de adultério, é sempre necessário ir além de suportar. É preciso perdoar. Também aos filhos, com suas dificuldades e incapacidades, que exigem de nós muitas vezes mais do uma boa dose de paciência.

b) É preciso saber esperar

”Sede pacientes, irmãos. Vede como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações” (Tg 5,7-8).

São Josemaria fala dessa sabedoria: ‘‘Quem sabe ser forte não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-o a saborear a virtude humana e divina da paciência… E é esta paciência a que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”.

Muitos casamentos passam por grandes crises porque os esposos ocupam-se demais em mudar o outro. Além disso, nós, mulheres, somos especialistas em ocupar-nos com ninharias. Não nos casamos com uma pessoa perfeita e nem nós somos esta pessoa perfeita para o outro. É preciso aprender a ajudar o outro a crescer, o que não significa que ele será como eu espero que ele seja. Cada pessoa é única e irrepetível, somente Deus sabe o que é melhor para ela.

Se estamos diante de uma falta grave, devemos corrigir as pessoas com amor e oferecer uma solução para remediar aquele problema. Não é com brigas, gritos, discussões e reclamações cotidianas e frequentes que a mudança vem. Além disso, precisamos saber esperar o tempo de que as flores floresçam e os frutos possam ser colhidos. Muitas vezes não teremos a graça de colhê-los. Recordo-me bem do exemplo da Elisabeth Leseur que tendo uma vida interior intensa e profunda, morreu sem ver seu esposo convertido. Mas, após sua morte, ao ler seu diário espiritual, ele se converteu e tornou-se sacerdote. Deus tem seus caminhos.

Além disso, esperar também no sentido de viver o sofrimento que se manifesta em forma de dificuldade, como uma doença, um imprevisto, e tantas outras coisas, com serenidade.

c) É preciso saber calar

Como é importante calar quando a ira ou a impaciência fervilham dentro de nós. «Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga» (São Josemaria Escrivá)

Falar, retrucar e cair no bate-boca: por não saber calar é que vem o descontrole e a briga.

Paciência, escreveu Papa Francisco, “não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos”, mas “o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria”. “O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade.”

d) É preciso saber falar

Quando a impaciência nos ataca, a primeira coisa que deveríamos fazer, depois de esforçar-nos por calar, é falar com Deus. Nunca falemos só “conosco”, com esses debates íntimos da imaginação esquentada, que só aumentam a fúria e a amargura íntima. Menos ainda falemos, irados, com a pessoa que provocou a impaciência, querendo mostrar-lhe que nós temos razão e ela não.

Primeiro, portanto – e às vezes por muito tempo –, falemos com Deus, fazendo oração: procurando ver com Ele a verdadeira dimensão das coisas, pedindo-lhe forças para carregar a Cruz com serenidade, suplicando-lhe que nos comunique um pouco da paciência com que Cristo enfrentou o juízo iníquo, o caminho da Cruz e a crucifixão.

Experimentemos também invocar a nossa Mãe, Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Rainha da paz, rogai por nós!”

E também será oportuno, muitas vezes, falar com quem nos possa orientar espiritualmente e aconselhar a melhor maneira de santificar as contrariedades.

O último meio são as mortificações da paciência. Esse é o assunto do próximo post!

 

Referências

Caminho, São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus, São Josemaria Escrivá

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Homilia, Papa Francisco

A virtude da paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

“As virtudes domésticas, que se baseiam no respeito profundo da vida e da dignidade do ser humano e concretizam-se na compreensão, na paciência, no encorajamento e no perdão mútuo, dão à comunidade familiar a possibilidade de viver a primeira e fundamental experiência de paz.” – São João Paulo II

A palavra paciência deriva do latim ‘pati’, que significa padecer. Por isso, a virtude da paciência é a capacidade de padecer ou a arte de sofrer bem.

É bom esclarecer que a irritação, a raiva ou a cólera não fazem parte da impaciência, ainda que muitas vezes a acompanhem, mas sim, da ira. É verdade que a impaciência e a ira andam de mãos dadas em nosso cotidiano, mas a impaciência se dá simplesmente quando não sabemos aceitar ou aceitamos de má vontade aquilo que nos contraria ou nos faz sofrer.

A impaciência com muita frequência aflora em forma de queixas internas (lamentações, vitimização), de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, de cobranças insistentes, de suspiros lastimosos, de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais, como por exemplo as frases célebres: ”Já não suporto mais!” ”Cheguei ao meu limite!” Além disso, os comentários de desânimo e os olhares de tristeza são frutos da impaciência. Um dos principais efeitos da paciência, como ensina Santo Tomás, é expulsar a tristeza do coração.

Em nossa realidade de esposos e pais, quantas vezes somos impacientes? Com as contrariedades adversas do dia, como o trânsito caótico, a chuva que chegou de repente, o trabalho que não saiu como planejado; as com o cônjuge, como a pasta de dentes que fica tantas vezes aberta, o sapato que dificilmente é guardado no lugar certo; e com os filhos, que quebram alguma coisa, que gritam, que choram, que derramam comida na roupa limpa e tantas outras infinidades de situações que nos acometem não raras, mas muitas vezes por dia!

A ira é diferente da impaciência

Todos conhecemos, por experiência própria, a força tremenda da ira (a nossa e a dos outros).  As iras cotidianas nós as conhecemos bem: “Explodi”, “Não aguentei”, “Esse vai me ouvir” e tantas mais. Expressões quase sempre somadas a gritos, palavrões e injúrias.

Santo Tomás, de acordo com Aristóteles, menciona três tipos de ira ruim (Existe ira boa? Sim! Mas esse é um tema para outro post!) :

A ira aguda: É a da pessoa que se irrita logo por qualquer motivo leve.

A ira amarga: É a da pessoa que guarda a ira por muito tempo e não a tira da memória. Chama-a ira encerrada nas vísceras (“inter viscera clausa”).

A ira difícil ou vingativa: A dos que não param até darem o troco, se possível, em dobro.

Santo Tomás não teoriza. Conhece o ser humano. E em alguma dessas classificações provavelmente nós nos reconhecemos.

Quando alguém se deixa levar pela ira é porque perdeu o controle emocional. A pessoa irada não tem autodomínio e extravasa sua revolta por meio do grito (como os terríveis gritos das mães e dos pais desgovernados), do tapa, da injúria, do palavrão, do comentário ofensivo e grosseiro, da ”patada”, das atitudes impulsivas (virar as costas e sair no meio de uma conversa, por exemplo), ou da violência (como bater uma porta com força ou até mesmo sacar uma arma e atirar).

É muito comum considerar hoje em dia que o modelo de paciência seja um comportamento manso (sem ira) que, na realidade, é um exemplo da mais perversa impaciência ou até mesmo de uma moleza. Como, por exemplo, casais que se separam após poucos ou muitos anos de matrimônio e, fazendo alarde de uma pretensa <<maturidade>> se gabam de que <<não brigaram>>. Por trás de tanta calma, o que é que houve? Uma elementar incapacidade de sofrer.

Descobrir o que nos impacienta

O defeito da impaciência costuma ser <<especializado>>. Cada um de nós tem as suas impaciências particulares. Pode ser que sejamos impacientes em escutar o próximo, que não gostamos de ser interrompidos, que não saibamos esperar e tantos outros.

A atitude que muitos tem diante da vida é radicalmente egoísta. O mundo é <<para mim>>. Mesmo os amores são vistos como meio de obter benefício pessoal. É por isso que muitos casamentos acabam baseados na desculpa de que <<não gostamos mais>>.  A maior parte das nossas impaciências são apenas egoísmos contrariados.

O papa São Gregório Magno (século VI) dizia em uma Homilia sobre Ezequiel: «Se eu não faço o esforço de suportar o teu caráter, e se tu não te preocupas de suportar o meu, como poderá levantar-se entre nós o edifício da caridade se o amor mútuo não nos une na paciência»?

Se queremos edificar um lar harmonioso, precisamos começar por nós mesmos. Trazemos em nós uma desordem: o egoísmo. Queremos sempre nos vitimizarmos por todas as coisas e falta-nos energia e ânimo de caráter para por-nos a serviço dos demais. Parece que estamos sempre a lutar por uma igualdade, onde todos devem dar a mesma medida. Mas, a grande verdade é que, para nós, que desejamos os altos cumes da santidade, só encontramos uma medida para amar e servir: dar não muito, mas tudo; não só uma parte, mas a vida. Porque este é o exemplo que tomamos de Nosso Senhor que deu-se todo por nós.

No próximo post tratarei de forma prática como podemos viver a virtude da paciência.


 Referências

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

A paciência, Pe. Francisco Faus

Por que falhamos em sermos santos?

Tempo de leitura: 5 minutos

A vocação universal à santidade foi revelada por nosso Senhor no sermão da montanha quando disse “Sedes perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). Ele não falava apenas para seus apóstolos e, portanto, bispos da Igreja, mas a todos que lhe ouviam, logo, todos nós. Também o Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium nos dá as razões do chamado universal à santidade:

  1. Exigências do batismo – temos o dever de desenvolver a graça recebida.
  2. O primeiro mandamento – que nos obriga a “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12, 28-30), que, se cumprido fielmente, consiste precisamente na santidade.
  3. Devido ao mandamento de nosso Senhor no sermão da montanha.

É claro que este dever é da busca sincera da santidade (que é o trabalho de uma vida!) e não sermos santos aqui e agora. Contudo, observando a realidade de nosso tempo, vemos que, mesmo dentro da Igreja, é difícil encontrar pessoas detentoras de virtudes heroicas. Segundo o padre Antonio Royo Marín, a principal razão é que nós não empregamos os meios necessários para alcançar a santidade.

Estes meios podem ser divididos em dois grupos:

  1. Naturais
    1. Falta de energia de caráter.
  2. Sobrenaturais
    1. Falta do verdadeiro desejo de santidade.
    2. Falta ou deficiência de direcionamento espiritual.

Falta de energia de caráter

A Graça divina pode encontrar obstáculos naturais para agir em nós e é nosso dever acabar com estes obstáculos naturais (de ordem psicológica, emocional ou mesmo física) para recebermos as graças que Deus nos tem reservado. O principal obstáculo de ordem natural para alçar vôos mais altos na vida espiritual é justamente a falta de energia de caráter. Vivemos em uma geração de homens e mulheres incapazes de se esforçar minimamente para alcançar qualquer objetivo que seja um pouco penoso.

Isso se vê claramente em vários aspectos das pessoas da nossa geração, dentre tantos:

  • Incapacidade de tomar decisões sérias e permanentes: muitos acabam pulando de curso em curso, presos numa eterna adolescência em que, sustentados pelos pais, esperam em suas camas confortáveis por um emprego que cairá do céu ou por um cargo público que seja digno dele.
  • Busca incessante pelo prazer: o que também se mostra na incapacidade de sofrer, mesmo que minimamente. Vemos mulheres que desmaiam só de pensar num parto normal (mesmo que seja muito melhor para ela e para o filhos) e homens que não querem nem saber de serem pais (ainda mais depois de descobrirem que precisam ficar acordados à noite e que fraldas não se trocam automaticamente).

Devemos, como nos exorta Santa Teresa, buscar a fonte de água viva com determinada determinação! Só assim a Graça divina poderá agir em nós.

Falta do verdadeiro desejo de santidade

Este motivo se relaciona bastante com o anterior, mas enquanto aquele é natural, este é sobrenatural. O verdadeiro desejo de santidade tem algumas características fundamentais e é bom citá-las para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa caminhada espiritual.

O verdadeiro desejo de santidade é sobrenatural, ou seja, provém de Deus e tem por objetivo Sua maior glória e a salvação das almas e, por isso, deve ser profundamente humilde, sabendo que tudo provém de Deus e que, se dependêssemos somente de nossas forças seríamos os mais desprezíveis pecadores.

Uma característica do verdadeiro desejo de santidade que muito nos falta é a confiança completa em Deus, é esta característica que nos fará seguir crescendo espiritualmente mesmo diante das grandes dificuldades que certamente surgirão. É aqui que muitos de nós falhamos em nos conformarmos em Cristo.

Muitas vezes Deus nos pede provas de nosso amor por Ele, como fez com Abraão ao pedir-lhe o sacrifício de seu amado filho (Gen 22). Abraão teve de mostrar que seu amor a Deus era maior até mesmo que seu amor pela vida de seu filho. Reparem que esta prova vai muito além de deixar de pecar: devemos colocar em prática a completude do primeiro mandamento desejando a santidade acima de todas as coisas!

Na vida espiritual, quem não avança regride. Logo, nada de descansar! Quem dá desculpa de tirar férias da vida espiritual acaba por deixar a vontade fraca e, por conta disso, tem maiores dificuldades para retornar ao ponto em que estava. Portanto, sempre em frente, ou, como diria meu amigo Pier Giorgio Frassati,Verso l`alto!

A falta de regularidade também é um grande inimigo da busca pela santidade, muitas pessoas, ao saírem de retiros ou exercícios espirituais, tem grandes intuitos e propósitos que acabam sendo deixados de lado às primeiras dificuldades. É importantíssimo ter constância na vida espiritual!

A última característica do verdadeiro desejo de santidade é que ele deve ser prático e eficaz. Deve-se dispor de todos os meios aqui e agora para ser santo! Muitas vezes vamos deixando pra depois, para depois das férias, para depois da faculdade, para depois de curada minha doença. De adiamento em adiamento a vida passa e acabaremos por nos apresentar a Deus de mãos vazias das graças que não quisemos receber.

Falta ou deficiência de direcionamento espiritual

Quando observamos a vida dos grandes santos de nossa amada Igreja percebemos que, a grande maioria deles, contava com um diretor espiritual de grandes virtudes!

As características de um bom diretor espiritual já foram tratadas num excelente texto do nosso pai espiritual. Resumidamente, ele deve ser um sacerdote sábio, discreto, experiente, ciente de teologia, intensamente piedoso, humilde e, claro, zeloso pela santificação das almas! Sei que não é fácil encontrar sacerdotes assim, infelizmente (foi por este motivo que nos mudamos de cidade quando nos casamos). São João da Cruz afirma que:

“Para este caminho, ao menos para o que nele há de mais elevado, e ainda mesmo para o mediano, dificilmente se achará um guia cabal que tenha todos os requisitos necessários.”

Deve-se pedir, suplicar a Deus que lhe envie um santo diretor espiritual para ajudar na salvação de sua alma, que é a missão mais importante de nossas vidas!

Vejamos alguns santos que tiveram diretores espirituais também santos: Santa Joana de Chantal teve como diretor espiritual São Francisco de Sales e depois São Vicente de Paulo.  São Vicente de Paulo foi também diretor de S. Luisa de Marillac. Santa Gema teve um diretor santo: o Padre Germano é Venerável e está a caminho dos altares. São Paulo da Cruz foi diretor da Venerável Madre Crucifixa – cofundadora das passionistas e da Venerável Lucia Burlini que era leiga. O Beato Miguel Sopocko foi diretor de Santa Maria Faustina Kowalska. São Cláudio de la Colombiere foi diretor de Santa Margarida Maria Alacoque. No início da sua vida espiritual, Santa Teresa foi muito ajudada por S. Pedro de Alcântara. O Servo de Deus Padre Arintero foi diretor da Ven. Madre Maria Amparo e da Ven. Madre Madalena. E não podemos nos esquecer do grande São João Bosco que teve por diretor espiritual São José Cafasso!

Portanto, é de suma importância que se tenha direcionamento espiritual adequado. Hoje em dia as tecnologias de telecomunicações ajudam bastante visto que a direção espiritual pode ser feita à distância.

Espero que este texto tenha sido de ajuda para reconhecer em que estamos errando na busca pela perfeição cristã, para que, corrigindo, possamos alcançar o fim de nossa vida que é nos assemelharmos a Cristo Nosso Senhor!


Referências

“Rogai ao Senhor da messe para que envie trabalhadores”: A Maternidade Espiritual

Tempo de leitura: 10 minutos

“O que me tornei e como, o devo à minha mãe!” (Santo Agostinho)

Há muito tempo atrás, antes mesmo de namorar o Gabriel, conheci uma orientação (de 2007) da Congregatio pro Clericis que se chama Adoração Eucarística pela Santificação dos Sacerdotes e Maternidade Espiritual. Quando li esse documento, senti verdadeiramente uma vocação. Desde então abracei o chamado de rezar e oferecer sacrifícios pelos sacerdotes.

Há algum tempo atrás, durante o noivado, um grande amigo me enviou novamente esse material. Definitivamente Deus me chamava a ser mãe espiritual não só de sacerdotes mas também de religiosos e religiosas, e, talvez não a toa, eu tenha tantos e tantos amigos padres, seminaristas, noviços, noviças, religiosas! Na semana passada, as Irmãs Servidoras (Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará) lançaram um vídeo com o Projeto 40 horas. Foi novamente um chamado que ardeu em meu peito e, por isso, decidi escrever sobre a maternidade espiritual, tão esquecida e tão pouco difundida.

É nítido que o nosso clero anda passando por uma tempestade, mas em vez de só chorarmos nossas pitangas, por que não levantamos um exército de mulheres fortes que bradem a Deus que envie operários santos para Sua messe? Por que não abraçamos nossa totalidade da missão maternal e nos oferecemos pelo aumento e santificação das vocações sacerdotais e religiosas? Por que não nos oferecemos como vítimas para expiação das ofensas que os maus religiosos cometem contra o Divino Amor? Esse é o objetivo do post de hoje: apresentar à você, mulher, alma feminina queridíssima por Deus, a beleza da maternidade espiritual e encorajá-la a abraçar essa missão, caso se sinta chamada.

A vocação a ser mãe espiritual para os sacerdotes é muito pouco conhecida, insuficientemente compreendida e, portanto, pouco vivida, apesar de sua vital e fundamental importância. Essa vocação muitas vezes está escondida, invisível ao olho humano, mas voltada a transmitir vida espiritual.

(…) independentemente da idade e do estado civil, todas as mulheres podem se tornar mãe espiritual para um sacerdote e não somente as mães de família. É possível também para uma mulher doente, para uma moça solteira ou para uma viúva. João Paulo II agradeceu até mesmo uma menina pela sua ajuda materna: “Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta de Fátima pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento”. (13 de maio de 2000).

Cada sacerdote é precedido por uma mãe, que amiúde também é uma mãe de vida espiritual para seus filhos. Giuseppe Sarto, por exemplo, o futuro Papa Pio X, logo depois de ser consagrado bispo, foi visitar sua mãe, na época com setenta anos de idade. Ela beijou respeitosamente o anel do filho e de repente, tornando-se meditativa, indicou seu pobre anel nupcial de prata: “Sim, Peppo, mas você agora não estaria usando esse anel se eu antes não tivesse usado meu anel nupcial”. São Pio X, justamente, confirmava a partir da sua experiência: “Cada vocação sacerdotal vem do coração de Deus, mas passa através do coração de uma mãe!”.

Uma ótima prova disto é a vida de Santa Mônica. Santo Agostinho escreveu em suas ‘Confissões’: “… Tu estendeste tua mão do alto e tiraste minha alma destas densas trevas, pois minha mãe, tua fiel, chorava por mim.Após a conversão ele disse com gratidão: “Minha santa mãe, tua serva, nunca me abandonou. Ela me pariu com a carne para essa vida temporal e com o coração para a vida eterna. O que me tornei e como, o devo à minha Mãe!”.

Eliza Vaughan: ”Doemos nossos filhos a Deus.”

Oferece-nos um exemplo muito significativo a inglesa Eliza Vaughan, mãe de família e mulher dotada de espírito sacerdotal, que rezou muito para as vocações.

Eliza provinha de uma família protestante, a dos Rolls, que posteriormente fundou a indústria automobilística Rolls-Royce, mas quando jovem, durante sua permanência e educação na França, havia ficado muito impressionada pelo exemplar empenho da Igreja católica para com os pobres.

No verão de 1830, após o casamento com o coronel John Francis Vaughan, Eliza, apesar da forte resistência de seus parentes, converteu-se ao catolicismo. Havia tomado essa decisão com convicção e não somente por ter entrado a ser parte de uma famosa família inglesa de tradição católica. Os antepassados Vaughan, durante a perseguição dos católicos ingleses sob o reinado de Elisabeth I (1558-1603), preferiram sofrer a expropriação dos bens e a prisão antes que renunciar à própria fé. Courtfield, a residência originária da família de seu marido, tornara-se, durante as décadas de terror, um abrigo para os sacerdotes perseguidos, um lugar onde celebrava-se a Santa Missa. Desde então haviam passado três séculos, mas nada mudara no espírito católico da família.

Convertida no fundo do coração, cheia de zelo, Eliza propôs ao marido de doar os filhos a Deus. Essa mulher de elevadas virtudes rezava cada dia durante uma hora frente ao Santíssimo Sacramento na Capela da residência de Courtfield, pedindo a Deus uma família numerosa e muitas vocações religiosas entre seus filhos. Foi atendida! Teve 14 filhos e morreu pouco depois do nascimento do último filho em 1853. Dos 13 filhos vivos, entre os quais 8 homens, 6 se tornaram sacerdotes: dois em ordens religiosas, um sacerdote diocesano, um bispo, um arcebispo e um cardeal. Das cinco filhas, quatro se tornaram religiosas.

Que bênção para a família e quais efeitos para toda a Inglaterra! Todos os filhos da família Vaughan tiveram uma infância feliz, porque na educação sua santa mãe possuía a capacidade de associar de modo natural a vida espiritual e as obrigações religiosas com as diversões e a alegria. Por vontade da mãe faziam parte da vida quotidiana as orações e a S. Missa na capela da casa, bem como a música, o esporte, o teatro amador, a equitação e as brincadeiras. Os filhos não se entediavam quando a mãe lhes contava as vidas dos santos, que aos poucos se tornaram para eles amigos íntimos. Eliza levava consigo os filhos também nas visitas e nos cuidados aos doentes e aos sofredores das vizinhanças, para que pudessem nestas ocasiões aprender a serem generosos, a fazer sacrifícios, a doar aos pobres suas poupanças e seus brinquedos.

Vilarejo de Lu Monferrato

O pequeno vilarejo de Lu está localizado na Itália. Este pequeno vilarejo teria ficado desconhecido se em 1881 algumas mães de família não tivessem tomado uma decisão que iria ter “grandes repercussões”.

Muitas dessas mães tinham no coração o desejo de ver um de seus filhos tornar-se sacerdote ou uma de suas filhas entregar-se totalmente ao serviço do Senhor. Começaram então a reunir-se todas as terças-feiras para a adoração do Santíssimo Sacramento, sob a guia de seu pároco, Monsenhor Alessandro Canora, e a rezar para as vocações. Todos os primeiros domingos do mês recebiam a Comunhão com essa intenção. Após a Missa todas as mães rezavam juntas para pedir vocações sacerdotais. Graças à oração cheia de confiança destas mães e a abertura de coração destes pais, as famílias viviam num clima de paz, de serenidade e de alegre devoção que permitiu aos filhos discernir com maior facilidade seu chamado.

Quando o Senhor disse: “Muitos são os chamados, mas poucos os eleitos” (Mt 22,14), devemos entendê-lo desta maneira: muitos serão chamados, mas poucos responderão. Ninguém podia pensar que o Senhor teria atendido tão amplamente o pedido desta mães. Deste vilarejo emergiram 323 vocações à vida consagrada: 152 sacerdotes (e religiosos) e 171 religiosas pertencentes a 41 diferentes congregações. Em algumas famílias houve até três ou quatro vocações.

O exemplo mais conhecido é o da família Rinaldi. O Senhor chamou sete filhos desta família. Duas filhas entraram para as irmãs Salesianas e, enviadas a Santo Domingo, tornaram-se pioneiras e missionárias corajosas. Entre os homens, cinco tornaram-se sacerdotes Salesianos. O mais conhecido dos cinco irmãos, Filippo Rinaldi, foi o terceiro sucessor de Dom Bosco, beatificado por João Paulo II aos 29 de abril de 1990.

A oração que as mães de família rezavam em Lu era breve, simples e profunda:

“Senhor, fazei que um de meus filhos se torne sacerdote!  Eu mesma quero viver como boa cristã e quero conduzir meus filhos ao bem para obter a graça de poder oferecer a Vós, Senhor, um sacerdote santo. Amém”.

Venerável Conchita: ”Mãe, ensina-me a ser sacerdote!”

Maria Concepción Cabrera de Armida, Conchita, esposa e mãe de numerosos filhos, é uma das santas modernas que Jesus preparou para uma maternidade espiritual para os sacerdotes.

Jesus uma vez explicou para Conchita: “Tu serás mãe de um grande número de filhos espirituais, mas eles custarão ao teu coração como mil martírios. Oferece-te como holocausto, une-te ao Meu sacrifício para obter as graças para eles”.

A jovem Conchita rezava com freqüência frente ao Santíssimo: “Senhor, sinto-me incapaz de Te amar, portanto quero casar. Doa-me muitos filhos. Assim, que eles possam te amar mais de quanto eu sou capaz.” De seu casamento muito feliz nasceram nove filhos, duas mulheres e sete homens. Ela os consagrou todos a Nossa Senhora: “Entrego-os completamente a Ti como se fossem Teus filhos. Tu sabes que eu não os sei educar, pouco sei do que significa ser mãe, mas Tu, Tu o sabes”.

Conchita viu morrer quatro de seus filhos e todos tiveram uma morte santa. Conchita foi realmente mãe espiritual para o sacerdócio de um de seus filhos e sobre ele escreveu: “Manuel nasceu na mesma hora em que morreu Padre José Camacho. Quando ouvi a noticia, roguei a Deus que meu filho pudesse substituir este sacerdote no altar. Desde quando o pequeno Manuel começou a falar, rezamos juntos para a grande graça da vocação ao sacerdócio… No dia de sua primeira Comunhão e em todas as festas importantes renovei a súplica… Aos dezessete anos entrou na Companhia de Jesus”.

Em 1906, da Espanha, onde estava, Manuel comunicou-lhe sua decisão de se tornar sacerdote e ela lhe escreveu: “Doa-te ao Senhor com todo o coração sem nunca negar-te! Esquece as criaturas e principalmente esquece a ti mesmo! Não posso imaginar um consagrado que não seja um santo. Não é possível doar-se a Deus pela metade. Procura ser generoso com Ele!”.

Em 1914, Conchita encontrou Manuel na Espanha pela última vez, porque ele não voltou nunca mais ao México. Naquela época o filho lhe escreveu: “Minha querida, pequena mãe, me indicaste o caminho. Tive a sorte, desde pequeno, de ouvir de teus lábios a doutrina salutar e exigente da cruz. Agora queria pô-la em prática”. 

Dia 23 de julho de 1922, uma semana antes da ordenação sacerdotal, Manuel, então com trinta anos de idade, escreve para sua mãe: “Mãe, ensina-me a ser sacerdote! Fala-me da imensa alegria de poder celebrar a S. Missa. Entrego tudo em tuas mãos, como me protegeste no teu peito quando eu era criança e me ensinaste a pronunciar os belos nomes de Jesus e Maria para introduzir-me nesse mistério. Sinto-me realmente como uma criança que pede preces e sacrifícios… Assim que eu for ordenado sacerdote, te mandarei a minha benção e depois receberei ajoelhado a tua”.

O Senhor fez com que Conchita compreendesse para o seu apostolado: “Confio-te mais um martírio: tu sofrerás aquilo que os sacerdotes cometem contra mim. Tu viverás e oferecerás pela infidelidade e pelas misérias deles”. Esta maternidade espiritual para a santificação dos sacerdotes e da Igreja a consumiu completamente. Conchita morreu em 1937 aos 75 anos.

Na prática

”Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe!”. Significa que: a messe existe, mas Deus quer servir-se dos homens, a fim de que ela seja levada ao celeiro. Deus tem necessidade de homens. Precisa de pessoas que digam: Sim, estou disposto a tornar-me o teu trabalhador na messe, estou disposto a ajudar a fim de que esta messe que está a amadurecer nos corações dos homens possa verdadeiramente entrar nos celeiros da eternidade e tornar perene comunhão divina de alegria e de amor. “Rogai, portanto, ao Senhor da messe”! Isto quer dizer também: não podemos simplesmente “produzir” vocações, elas devem vir de Deus. Não podemos, como talvez noutras profissões, por meio de uma propaganda bem orientada, mediante, por assim dizer, estratégias adequadas, simplesmente recrutar pessoas. O chamado, partindo do coração de Deus, deve sempre encontrar o caminho até ao coração do homem. E, contudo: exatamente para que chegue aos corações dos homens é necessária também a nossa colaboração. Antes de tudo, rogar ao Senhor da messe significa certamente rezar para isso, despertar o coração e dizer: “fazei por favor! Incentivai os homens! Acendei neles o entusiasmo e a alegria pelo Evangelho! Fazei-lhes entender que este é o tesouro mais precioso do que todos os outros tesouros e que quem o descobriu deve transmiti-lo!” (Papa Emérito Bento XVI)

Todas nós, mulheres, inclusive as virgens consagradas, precisamos ser mães espirituais. Não existe mulher madura que não seja mãe. Assim também são os homens. Os padres não têm filhos biológicos, mas precisam assumir um coração paterno.

Para ser mãe espiritual de sacerdotes, uma mulher não precisa ser mãe física de um sacerdote. Todas as mulheres podem tornar-se mães espirituais dos sacerdotes, ou seja, mulheres solteiras, mães de família, viúvas, religiosas e consagradas. E não só dos sacerdotes, mas também de todas as vocações religiosas masculinas e femininas.

Uma mãe de família pode oferecer, como dádiva espiritual aos sacerdotes, o seu quotidiano, com todos os seus deveres e renúncias. Até mesmo uma breve oração no momento da Sagrada Comunhão ou quando se passa em recolhimento uma hora junto de Deus, diante do Santíssimo, se reza o terço e se oferece este tempo de oração pelos sacerdotes. Também é possível oferecer os sacrifícios pelo aumento e santificação do clero, pelo êxito do trabalho pastoral de cada sacerdote e pelo envio de numerosas e santas vocações.

Os comoventes exemplos destas mães devem encorajar-nos a acreditar, de forma muito mais viva, no poder da maternidade espiritual, invisível mas inteiramente real, principalmente pelos sacerdotes.

Se cada uma de nós abraçar essa missão, como as mães do vilarejo italiano, e fizermos todo mês 40 horas de orações pelas vocações, quão grande bem espiritual faremos a nós mesmas, aos nossos filhos, às almas e ao mundo! É possível reunir, como estão fazendo as irmãs servidoras, 40 mulheres e cada uma ficar responsável por uma hora de oração que pode ser em frente ao Santíssimo, rezando o santo terço ou oferecendo as atividades realizadas naquela hora específica. Ou então adotar espiritualmente um sacerdote, religioso ou religiosa e se comprometer a rezar especificamente por aquela pessoa durante toda a sua vida!

É na família que a vocação sacerdotal e religiosa encontra o terreno fértil no qual a disponibilidade à vontade de Deus pode enraizar-se e tirar o indispensável alimento. Ao mesmo tempo, cada vocação representa, também para a própria família, uma novidade irredutível, que foge dos parâmetros humanos e chama a todos, sempre, para a conversão. Nesta novidade, a participação das mães dos sacerdotes é única e especial.  Toda mãe, de fato, só pode alegrar-se ao ver a vida do próprio filho, não somente repleta, mas cheia de uma especialíssima predileção divina que abraça e transforma pela eternidade.

”Desejo com todo o coração encorajar e agradecer especialmente todas as mães dos sacerdotes e dos seminaristas e – com elas – a todas as mulheres, consagradas e leigas, que acolheram o dom da maternidade espiritual dos chamados ao ministério sacerdotal, tornando-se assim partícipes, de modo especial, da maternidade da Santa Igreja, que tem o seu modelo e a sua realização na divina maternidade de Maria Santíssima”. (Card. Piacenza )

 

Referências

Nossa rotina de oração

Tempo de leitura: 8 minutos

    “Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”  (São Mateus 6, 31-33)

Devemos rezar

Como diz Santo Afonso Maria de Ligório: Quem reza certamente se salva; quem não reza certamente se condena.

A queixa mais frequente das pessoas diz respeito ao tempo: “Deveria rezar mais, gostaria de fazê-lo, mas não tenho tempo”.  Principalmente na vida familiar, há a alegação de que o tempo é sempre pouco, não basta nunca, há tantas coisas a fazer.

É verdade! Mas de que adiantam todos os esforços e conquistas humanas se o essencial fica distante, por último, esquecido? Que são as coisas de ordem material diante da grandeza da alma e da vida eterna? Sempre arranjamos um tempinho para ir ao shopping, ficar nas redes sociais, assistir a um filme. Tudo isso leva bem mais de meia hora, mas rezar o Santo Terço em família, que leva uns 20 minutos, não podemos porque ‘nos falta tempo’.

Está errado quem pensa que a vida de oração nos rouba tempo. É justamente a vida de oração que nos mantém fortes e nos sustenta nas dificuldades, que faz crescer a comunhão entre o casal, que catequiza os filhos, que nos faz crescer em santidade, nos auxilia a ver nossos defeitos e nos emendarmos, nos dá forças para vencer as tentações, entre tantas outras coisas. Mas a vida de oração não é algo feito por interesse, mas sim na plena liberdade de saber-se amado por Deus e querê-Lo amar sem medidas. Sem a graça de Deus, que seríamos? Sem ela, sem a vida de intimidade com Nosso Senhor, sem a frequência aos Sacramentos, a família está condenada ao fracasso.

Que possamos fazer um sério exame de consciência sobre qual tem sido a nossa prioridade, sobre nosso real esforço em sermos Igrejas Domésticas e sobre a nossa responsabilidade de educar santos para o Céu.

    “A oração e a vida cômoda não combinam.” (Santa Teresa D’Ávila)

Como estruturamos nossa rotina de oração

Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Oração
da Manhã
– Bento:
Colóquio, Ave Maria e Santo Anjo
– Ofício
da Imaculada
Santa
Missa
Meditação Meditação Meditação Meditação Meditação – Meditação
– Ofício
Meditação
– Oração
refeições
– Angelus
– Leitura
Formativa
– Oração
refeições
– Angelus
– Leitura
Formativa
– Oração
refeições
– Angelus
– Leitura
Formativa
– Oração
refeições
– Angelus
– Leitura
Formativa
– Oração
refeições
– Angelus
– Leitura
Formativa
– Oração
refeições
– Ofício

– Oração
refeições
– Angelus
cantado

– Santo
Terço
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Santo
Terço
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Santo
Terço
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Adoração
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Via
Sacra
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Santo
Terço
– Ofício
– Leitura
do Evangelho
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Santo
Terço
– Bento:
História Bíblica
– Oração
refeições
– Buenas
noches
– Oração Bento
– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual
– Oração Bento
– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual
– Oração Bento

– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual

– Oração Bento

– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual

– Oração Bento

– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual

– Oração Bento
– Oração
da Noite
– Ofício
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual
– Oração Bento

– Oração
da Noite
– Exame de
Consciência
– Leitura
Espiritual

Chegamos a essa rotina de uma forma gradual, tranquila e simples. Nos dias em que temos outras práticas, como visita ao Santíssimo, rezamos o Terço durante o dia, cada um quando pode. Quando temos algum imprevisto, não sofremos por não conseguir cumprir fielmente a rotina do dia, afinal a vida em família é assim: exige flexibilidade.

Além disso, temos algumas outras práticas como a confissão semanal, leitura de histórias bíblicas para o Bento, ouvir e cantar músicas piedosas, o convívio paroquial, leitura formativa, entre outros.

A oração em família

    “Desejo a todas as famílias que redescubram a oração doméstica.” (Papa Francisco)

O Papa Francisco ainda nos ensina: “A oração surge da escuta de Jesus, da leitura do Evangelho. Não se esqueçam, todos os dias leiam um trecho do Evangelho. A oração surge da intimidade com a Palavra de Deus. Há esta intimidade na nossa família? Temos em casa o Evangelho? Nós o abrimos algumas vezes para lê-lo juntos? Nós o meditamos rezando o Rosário? O Evangelho lido e meditado em família é como um pão bom que alimenta o coração de todos. E pela manhã e à noite, e quando sentamos à mesa, aprendamos a dizer juntos uma oração, com muita simplicidade: é Jesus que vem entre nós, como ia à família de Marta, Maria e Lázaro.”

Então, bons momentos de oração em família são: as orações da manhã e da noite e a oração das refeições. Outra oração importante e que devemos sempre nos esforçarmos a rezar, é o Santo Terço. Nossa Senhora de Fátima pediu que se rezasse o terço em família.

    “Não basta o pai rezar individualmente. Seu dever como cabeça da família é rezar em nome da família, à vista da família e com a família. As crianças devem saber que seu pai honra a Deus e que ele se comporta respeitosamente diante Dele. Devem aprender de seu exemplo o grande dever da adoração e do culto”.  Pe. Raoul Plus, Cristo no lar

Também é preciso evitar o extremismo de uma vida excessivamente religiosa dentro do lar ou até mesmo no cumprimento das funções paroquiais. O casal deve ter sempre em mente que a prioridade é a sua família e em todas as coisas deve haver equilíbrio. As funções paroquiais ou de apostolado devem existir, pois a família precisa irradiar-se para a sociedade, mas é muito importante que seja de uma forma ordenada, pois não deve subtrair da vida em família, mas acrescentar. Além dos momentos reservados à oração, é importante que haja tempo para diversão sadia, momentos de conversa, entre outras coisas.

A oração das crianças

    “A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada sobre o sacramento do matrimônio, ela é ‘A Igreja doméstica’, onde os filhos de Deus aprendem a orar ‘na Igreja’ e a perseverar na oração. Para as crianças, particularmente, a oração familiar cotidiana é a primeira testemunha da memória viva da Igreja reavivada pacientemente pelo Espírito Santo.” (CIC 2685).

Não devemos achar que por serem crianças, não tem capacidade de rezar ou de entender o sobrenatural. Na verdade, ao contrário de nós, a fé das crianças é algo simples. Uma criança crê com facilidade que é amada por Deus.

As crianças precisam de repetição constante para que algo se torne um hábito. E essa repetição constante deve existir porque a vida espiritual é erigida sobre esse amor silencioso de Deus. Esse é o início do silêncio, da simplicidade e da contemplação. É o primeiro e pequeno passo em direção à união com Deus.

    ”Se não se aprende a oração em casa, depois será difícil preencher esse vazio”. (Papa Bento XVI)

Muito antes de aprender as orações recitativas, nossos filhos quando ainda são tão novos, precisam aprender que a oração é algo pessoal, é falar com Deus.

Quando a hora da oração for recebida com queixas e lamentos, será o momento de explicar que quando rezamos sem ter vontade, obtemos os maiores méritos.

A oração do casal

As dificuldades do casal não são somente de ordem natural, mas também de ordem espiritual. Não se iluda: o demônio, inimigo de Deus e nosso, detesta a família e o casamento porque são obras de Deus; então, nosso casamento precisa estar armado com a graça de Deus para vencer suas ciladas e maldades. Além de rezar pela vida de casal, é muito importante que se reze pelos filhos.

É importante que o casal tenha o hábito de rezar juntos, o que não significa, como a oração em família ou das crianças, que seja necessário um tempo enorme para isso. É bom escolher pequenas práticas para que possamos ser fiéis sem viver apenas no mundo da utopia.

A oração pessoal

Além da oração em família, não podemos esquecer ou negligenciar a oração pessoal, que é onde crescemos em intimidade com Nosso Senhor. Sem oração pessoal não há vida interior e as obras não serão fecundas.

Práticas importantes são a direção espiritual e a confissão mensal ou semanal, além da frequência tão grande quanto possível de receber a Santíssima Eucaristia.

Durante o dia, podem ser feitas muitas jaculatórias e oferecimentos. Além de comunhão espiritual, colóquios, meditação de uma Verdade. A maioria dessas práticas podem ser feitas até mesmo durante o trabalho!

Dicas práticas

  1.  Para começar uma rotina de oração, é bom começar aos poucos;
  2.  Quando uma sugestão tornar-se um hábito bem firme, concreto, é hora de adicionar outro;
  3. Um bom começo são as Orações da Manhã e da Noite, as Orações das Refeições e o Santo Terço;
  4.  Não sufocar as crianças com uma vida de oração que não condiz com sua idade;
  5. Incutir nas crianças o hábito de falar com Deus (oração pessoal que não seja a recitativa).  Por exemplo, para as crianças, a oração da manhã deve ser uma forma simples de dar graças pela noite que passou e oferecer a Deus tudo o que ocorrerá durante o dia;
  6. Não esquecer que o trabalho também é oração: ”Ora et labora” (São Bento);
  7. Antes de tudo, procurar ser assíduo aos Sacramentos;
  8. Ter uma rotina de oração não é algo de outro mundo. É tão simples que depois que começamos a nos organizar e colocar em prática, pensamos: por que não fiz isso antes?
  9. Também não devemos esmorecer diante das dificuldades;
  10. Cada família é única e somente a própria família (juntamente com o Diretor Espiritual, se tiverem a graça de ter um) pode estabelecer um bom ritmo de oração;
  11. Momentos de oração não significam tempos gigantescos para isso;
  12. Dificilmente crianças pequenas ficarão imóveis enquanto a família se reúne para rezar o Santo Terço. Nem por isso a família deve deixar de rezar. Aqui, por exemplo, enquanto rezamos o Santo Terço às vezes o Bento fica ao colo, às vezes mama, brinca no chão. O que ele tem é o próprio tercinho para ficar segurando e nos esforçamos para mantê-lo no mesmo ambiente que nós, participando da forma como lhe cabe;
  13. Uma rotina de oração boa e sólida não significa necessariamente que se tenha diversas práticas religiosas

Referências

Papa Francisco, homilia

Padre Daniel Pinheiro, homilia

Mary Reed, Como criar bons filhos católicos

Padre Fábio Vanderlei – IVE,  nosso diretor espiritual

O período do namoro

Tempo de leitura: 3 minutos

Graças ao bom Deus há muitos casais que desejam ardentemente viver a radicalidade do Evangelho e fazer de suas famílias verdadeiras Igrejas Domésticas. O post de hoje é um texto escrito por um desses casais, o qual temos a graça de serem grandes amigos nossos, o Leonardo e a Priscila. Eles são nossos vizinhos, participam da nossa paróquia (São José de Anchieta, Serra- ES) e são pais do João Paulo.


Para começar um namoro santo, deve-se escolher a pessoa certa: aquela que tenha o mesmo desejo de santificação que nós temos.

Primeiramente, devemos entender que o amor verdadeiro só existe em Deus, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas. Somente assim é possível ver com os olhos da fé e sem interesse pessoal, a pessoa amada reservada por Deus. Quando amamos a Deus, desejamos que todos vivam este amor, principalmente as pessoas mais próximas.

“Oh, eterna verdade e verdadeiro amor e amorosa eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. E quando te conheci pela primeira vez, tu pegaste em mim, para que visse que existe aquilo que via e que eu não era ainda de molde a poder ver.” (Santo Agostinho, Confissões, VII)

É certo dizer que não existe uma “receita de bolo” para um namoro perfeito, pois cada relacionamento amoroso tem os seus desafios. De fato, a união de duas pessoas que se amam só poderá dar frutos duradouros se houver desde o início uma reta intenção de fazer o outro feliz, além de um desejo de se santificar e suportar os defeitos e limitações da pessoa amada. Contudo, não podemos negar os princípios básicos de uma relação sadia e santa que provêm da oração, do sacrifício, da humildade e da caridade. Afinal, o que seria do amor sem a caridade?

De nada vale se não tivermos a caridade. Tudo é palha, nada é verdadeiro e sem ela tudo é interesse. Mas quem a possui “não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor” (I Coríntios 13,3). Ter caridade é alcançar o grau mais alto da fé, porém, para chegar a este nível é necessário possuir uma “determinada determinação” de lutar contra o orgulho, a arrogância, a inveja, os próprios interesses e pôr fim a concupiscência da carne. Os que desejam ter um relacionamento santo e duradouro devem se afastar com todas as forças desses males que tanto destroem os casais de nosso tempo.

Na oração, somos iluminados por Deus para elevarmos o namoro a perfeição e suportar todas as dificuldades. É impossível manter um relacionamento vivo e estabilizado sem ter a prática da oração diária, que se intensifica no matrimônio. Isso deve ser para nós cristãos, um fato consumado. A oração nos aproxima de Deus, abre nossos ouvidos a voz do Espírito Santo que ilumina nossa razão e nos santifica. Com efeito, nosso Senhor Jesus Cristo torna-se o centro do relacionamento.

“A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da fortaleza de Deus. ” (São João Paulo II, Carta às famílias, 1994)

 

O início do nosso namoro foi de muita oração e intercessão de Nossa Senhora da Penha, mas com o passar do tempo, deixamos nossas orações de lado e tudo que construímos veio a ruir, todas as programações para o casamento davam errado. Somente nove anos depois, percebemos que estávamos longe de Deus e que era necessário voltar ao “princípio”, onde Deus era o centro de nossa relação.

Retomamos as nossas orações, participação ativa nas Santas Missas, confissões frequentes e sempre buscamos aprender sobre nossa fé, nossa Santa Igreja e conhecer os santos que tantos exemplos e ensinamentos deixaram para que a nossa vontade de sermos santos também não se aplacasse por coisa alguma. Assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos fortificou com Seu Espírito e abençoou nossa relação nos dando um lindo casamento e um anjo como filho. A caminhada não é fácil, sabemos e sentimos isso na alma, mas a felicidade e a paz só se têm em Deus.

 

O Sagrado Coração de Jesus no lar

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Antigo costume

O mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, ”que tanto amou os homens”.

Antigamente, era comum entrar em uma casa e ver um quadro ou imagem do Sagrado Coração de Jesus, colocado em local de honra. Aos poucos, um outro objeto foi usurpando o lugar de destaque nas casas: a televisão. A devoção ao Sagrado Coração foi sendo substituída por um aparelho que, durante tantas horas do dia, despeja toneladas de lixo imoral dentro dos lares, deseduca as crianças e afasta as famílias da prática dos Mandamentos. E o Sagrado Coração de Jesus, em quantos lares Ele hoje é amado? E quantos lares não tem como centro de sua casa um aparelho de TV?

Escritos do Papa Pio XII

Amados esposos cristãos, que seja exposta e honrada em vossa casa a imagem do Sagrado Coração que ‘tanto amou os homens’, como a dos parentes mais queridos e íntimos. (…) Exposta e honrada significa que a imagem não deve apenas velar num quarto, acima do leito dos pais ou dos filhos, mas ser exposta em lugar de honra, acima da porta de entrada, na sala de jantar, na sala de estar, ou em outro local mais frequentado da casa.

Honrada significa que diante da preciosa estátua ou modesta imagem, a mão cautelosa colocará, ao menos de vez em quando, alguma flores, acenderá uma vela ou conservará, como sinal constante de fé e amor, a luz de uma lâmpada. É neste lugar, diante do Sagrado Coração, que todas as noites se reunirá a família para um ato coletivo de ação de graças, uma humilde oração de penitência e um pedido de novas bênçãos.

Honra-se devidamente o Sagrado Coração em uma casa quando nela todos e cada um o reconhecem como o Rei do Amor; esta submissão se assinala pelo ato de consagração da família ao Coração de Jesus. (…) Mas quem se consagra deve cumprir as obrigações que ao ato impõe. Quando o Sagrado Coração reina verdadeiramente numa família – e de fato Ele tem o direito de reinar sempre -, uma atmosfera de fé e piedade envolve as pessoas e as coisas daquela casa. Portanto, afaste-se dos lares consagrados tudo o que entristeceria o Sagrado Coração: lazeres perigosos, infidelidades, intemperanças, livros, revistas e imagens hostis à religião e aos seus ensinamentos. Afastem-se, nas relações sociais, as condescendências hoje tão corriqueiras, que pretendem conciliar a verdade com o erro, a libertinagem com a moral, e a injustiça egoísta e avara com as obrigações da caridade cristã.

Na família consagrada, os pais e os filhos sentem-se sob a vista e familiaridade do próprio Deus; assim sendo, são também dóceis aos Seus mandamentos e aos preceitos da Sua Igreja.

Diante da imagem do Rei dos Céus, que veio ser o seu amigo na terra e eterno hóspede, eles enfrentam sem medo, mas não sem mérito, as fadigas dos deveres cotidianos, os sacrifícios que as dificuldades extraordinárias às vezes impõe, todas as provações que a Providência envia.

A devoção

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi se desenvolvendo ao longo dos séculos. Foi para uma religiosa da ordem fundada por São Francisco de Sales que Nosso Senhor apareceu para difundir a devoção ao seu Adorável Coração: no século XVII, para Santa Margarida Maria Alacoque, freira da Ordem da Visitação. Nosso Senhor explicou a finalidade dessa devoção ao dizer as seguintes palavras para Santa Margarida Maria:

“Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, ao ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões.”

Amor e reparação é o que pede o Sagrado Coração de Jesus. Amor, para pagar na mesma moeda, Aquele que tanto nos amou. Reparação, para desagravá-lo e consolá-lo dos ultrajes feitos ao seu amor infinito. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve ser, então, uma devoção de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e de reparação ao amor de Cristo ultrajado pelos nossos pecados. Não deve ser uma devoção sentimental, mas que nos leve efetivamente à santidade.

Nas aparições, Nosso Senhor fez 12 promessas:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”

3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.

4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.

5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.

6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.

7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.

8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.

9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.”

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos ”.

11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Para evitar que tão bela promessa seja tratada de modo supersticioso, é importante que se comungue em estado de graça e que se confie na misericórdia divina, que é o conteúdo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A graça da perseverança final, embora não possa ser merecida, é ladeada por esses sinais.

Portanto, a prática das nove primeiras sextas-feiras do mês não é uma mágica, mas uma realidade pedagógica, para que os fiéis se habituem a viver em estado de graça, crescendo na devoção eucarística e na confiança na misericórdia de Deus. Só assim, orando humilde e confiantemente ao Sagrado Coração de Jesus, a alma pode alcançar a graça da penitência final.

A entronização no lar

Entre as doze promessas, duas delas dizem respeito diretamente à família. Aos devotos do seu Sagrado Coração, Nosso Senhor diz : « colocarei a paz em suas famílias ». Ele diz também : « Abençoarei as casas em que a imagem do meu Coração for exposta e honrada. » Se essas promessas relativas à família são importantes em todo tempo, elas são ainda mais importantes nesses tempos atuais, em que o demônio e o mundo atacam tão brutalmente a família.

Foi introduzida, a partir dessas duas promessas, a prática da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares, para atrair sobre as famílias as bênçãos divinas e a paz de Jesus Cristo. Todavia, não basta expor a imagem do Sagrado Coração. Não basta o simples gesto da entronização, da consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus. É preciso procurar vivê-la.

Ao entronizar o sagrado Coração no lar, a família afirma reconhecer Nosso Senhor como o soberano do lar, como o Rei da família. A família se engaja a obedecer às leis de Cristo, seus mandamentos. Ao entronizar o Sagrado Coração de Jesus, a família faz a entrega total de si a Nosso Senhor. Ela se consagra verdadeiramente a Ele. E aos que se consagram com reta intenção ao seu Sagrado Coração, Jesus fez a seguinte promessa: “Ninguém que se consagra ao meu Divino Coração morrerá sem a graça.” Assim, a família deve procurar realmente viver a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Cada um da família deve procurar ter uma devoção sólida ao Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, a família deve ter uma devoção familiar ao Sagrado Coração de Jesus. Os membros da família devem fazer algumas das orações em família diante da imagem entronizada do Sagrado Coração, como, por exemplo, rezar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em família. Sem essa devoção familiar, não haverá frutos da entronização ou muito pouco fruto.

Assim, essa família poderá suportar com méritos e alegria as fadigas dos deveres quotidianos, os sacrifícios próprios da vida familiar, todas as provações que a Providência enviar. A família encontrará repouso e consolo no Sagrado Coração. A família poderá enfrentar devidamente as cruzes e tirar delas frutos para a glória no céu.

”Queridos filhos, vivendo já neste mundo unidos a Jesus, recebendo-O com frequência na Sagrada Comunhão, venerando todos os dias a Sua imagem, não abandonareis a terra senão para ir contemplar eternamente a luminosa e beatífica realidade deste Divino Coração.”

Papa Pio XII


Referências

 

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