Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Singelas tradições para viver o advento e Natal em casa

Tempo de leitura: 4 minutos

Como as famílias católicas podem viver bem o advento e o Natal em casa? Trago singelas tradições natalinas que algumas famílias fazem em seus lares. Que possa inspirar mais famílias!

Palhas para a manjedoura

“Ano passado fizemos um presépio bem simples com um cestinho pra colocar o Menino Jesus. Do lado, deixei uns papéis picados para imitar palha.

Todos os dias colocamos uma palha para cada coisa bonita que fizemos por Jesus, para Jesus “nascer no fofinho”. Aprendi com uma amiga que fazia isso em casa quando criança. ” (Ana Pur)

Cada criança pode ter uma manjedoura individual ou ter uma manjedoura para toda a família. A ideia é que quando atos de serviço, sacrifício ou bondade forem feitos em honra ao menino Jesus, a criança receba uma palha para colocar dentro da manjedoura.  Devemos encorajar as crianças a fazer para Jesus uma manjedoura mais confortável possível.

Enxoval para o Menino Jesus

Os pais junto com os filhos vão preparar um lugar na casa para pôr a manjedoura e durante os dias do advento vão preparando o enxoval, seguindo as atividades.

(Brenda Nascimento)

Sorteio do Anjo do Natal

“Coloco o nome das pessoas de nossa casa em papéis e fazemos o sorteio entre nós. Cada um fica responsável por fazer bondades para quem sorteou. Será o Anjo pra ela. No final do Advento revelamos os Anjos e entregamos uma pequena lembrança. “(Magda Verônica)

Coroa do Advento e propósito

“Todos os anos fazemos a Coroa do Advento, com o acendimento semanal das velas. No primeiro dia do advento, todos nós fazemos nossos propósitos de advento: uma privação, jejum, enfim, uma oferta de cada um ao Menino Jesus.”(Juliana Veloso)

As quatro velas colocadas na Coroa de Advento são acendidas semana a semana, nos quatro domingos do advento e com uma oração especial.

Para aprender mais sobre a Coroa, seguem os links:

http://www.acidigital.com/noticias/cinco-detalhes-sobre-a-coroa-do-advento-que-talvez-desconheca-51096/

http://www.salvemaliturgia.com/2010/12/coroa-do-advento.html?m=1

https://padrepauloricardo.org/episodios/qual-a-origem-da-coroa-do-advento

Mudar a data dos presentes

Muitas famílias seguem a tradição de entregar os presentes no dia dos Reis Magos, 6 de janeiro, ao invés do 25 de dezembro. Há famílias que também entregam lembrancinhas em sapatos ou meias no dia de São Nicolau, 6 de dezembro.

Para o dia do Natal, que tal celebrar o Menino Jesus? Fazendo um bolo com as crianças, por exemplo! O consumismo dessa época roubou e desviou há muito a nossa atenção do verdadeiro sentido do Natal.

O Natal não é uma data comercial, mas o nascimento de Nosso Senhor.  “Um menino nos foi dado”. O que vemos é a realização das escrituras “veio para os seus e os seus nao o acolheram”.

Resgatemos o sentido  do Natal sendo famílias verdadeiramente católicas e dando as nossas crianças uma sólida formação de fé: o Natal é do menino Jesus e não do papai noel.

A árvore de Jessé

A árvore de Jessé traz a genealogia de Jesus. É uma belíssima forma de ensinar a história sagrada aos nossos filhos e levá-los a refletir sobre a genealogia de Jesus durante esse tempo.
Cada enfeite da árvore faz menção a uma história  da Bíblia, desde a criação até o nascimento de Nosso Senhor .  A cada dia, uma história deve contada e seu enfeite correspondente deve ser pendurado na árvore.
Você pode fazer a sua própria árvore como ensina o link a seguir do blog Um novo lar:
https://www.google.fr/amp/s/umnovolar.wordpress.com/2016/11/18/como-fazer-uma-arvore-de-jesse/amp/

Ou pode comprar uma belíssima Árvore de Jessé de feltro através do Feltro do Céu: http://feltrodoceu.wixsite.com/feltrodoceu/jesse  ou pela página no Facebook.

Montar o presépio

Há muito o presépio foi retirado dos lares cristãos para dar lugar a árvore de Natal e demais enfeites. Devemos fazer da montagem do presépio uma tradição e centro de nosso advento, pois ele nos recorda o verdadeiro Natal.

Montar o presépio e explicá-lo as crianças é uma verdadeira catequese.

Na noite do dia 24 para 25 ou na manhã do dia 25, fazer a entronização do menino Jesus e repousá-Lo na manjedoura para que todos possam adorá-Lo é uma antiga e tão bela tradição que as famílias tem.

Celebrar o dia de São Nicolau

A figura do Papai Noel é inspirada na história de São Nicolau. Indico o texto onde a Luciana do blog As três chamas do lar, explica toda a história a respeito de São Nicolau e do papai Noel e a sua peça sobre esse santo:
Sobre São Nicolau (e o Natal)
https://www.google.fr/amp/s/lucianalachance.wordpress.com/2016/11/26/minha-peca-sobre-sao-nicolau/amp/

Celebrar outras datas

Santa Luzia, fazendo a relação com a Luz do mundo.
Imaculada Conceição, conhecendo e ensinando o dogma às crianças.
Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu grávida.

Fazer a Novena de Natal

Com a família, seja em casa ou na paróquia, é uma grande ocasião de preparar-nos para a vinda do menino Deus.

Participar das atividades paroquiais

Missas, atividades culturais e confissão.
Além disso, sugerimos três posts do casal querido e experiente, Rafael e Aline Brodbeck sobre esse tempo:

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/o-advento-vem-ai.html

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/como-viver-o-advento-em-familia_28.html

http://www.domesticaecclesia.com/2013/12/o-advento-vivido-em-familia.html

 

Atividades em família para o Advento

Tempo de leitura: 2 minutos

O calendário do advento é uma atividade muito legal de se fazer com a família. Escolhe-se uma atividade por dia para ser feita durante esse tempo tão belo e propício. Postamos várias sugestões de atividades para que vocês possam escolher entre elas!

Com uma busca rápida pelo Google ou Pinterest, facilmente encontramos várias inspirações para montar um calendário (figuras, listas). O legal de fazer o calendário desse jeito é que fica bem lúdico e divertido para as crianças. 

ATIVIDADES

1. Ouvir músicas natalinas;

2. Fazer um pote da gratidão;

3. Dar um presépio de madeira ou feltro para as crianças brincarem;

4. Escrever cartões de natal para a família e amigos;

5. Fazer enfeites para a árvore de Natal;

6. Separar brinquedos para doar;

7. Ler livro de natal;

8. Separar roupas para doar;

9. Celebrar dia de São Nicolau (6 de dezembro) contando a história;

10. Celebrar dia de São Nicolau pegando presentes na meia;

11. Colorir desenhos do presépio;

12. Passear e ver alguma decoração de natal na cidade;

13. Ouvir coral de natal em casa ou apresentação natalina na cidade;

14. Aprender e ensaiar uma música de Natal em família;

15. Fazer biscoitos natalinos;

16. Enviar uma mensagem de Natal para os vizinhos na caixa de correios;

17. Fazer a Novena de Natal;

18. Fazer a Coroa do Advento em casa;

19. Fazer decoração de Natal (guirlanda, arranjo de mesa, enfeites para a árvore);

20. Fazer pão de natal;

21. Observar as estrelas e falar sobre a estrela de Belém;

22. Ler livro sobre o nascimento de Jesus;

23. Montar uma árvore de papel ou feltro com enfeites móveis para as crianças;

24. Aprender sobre o presépio;

25. Ver decoração de Natal em shopping;

26. Fazer chocolate quente;

27. Fazer bombons ou biscoitos para dar de presente;

28. Tirar foto em família  (fazemos isso todo Natal);

29. Visitar padrinhos ou avós;

30. Visitar um asilo e levar biscoitos natalinos;

31. Comprar um presente novo para uma criança carente;

32. Construir uma manjedoura para o Menino Jesus;

33. Fazer bolo de aniversário para o Menino Jesus;

34. Receber alguém especial para um almoço ou café da tarde;

35. Fazer lembrancinhas de natal;

36. Reunir os amigos das crianças para um encontro de Natal;

37. Acampar na sala;

38. Entronização do menino Jesus;

39. Criar versinhos/rimas de Natal;

40. Fazer alguma receita especial em família;

41. Visitar o presépio da cidade;

42. Jogo em família;

43. Preparar um teatro de Natal em casa;

44. Decorar a casa com enfeites de natal;

45. Fazer cupcakes e decorá-los;

46. Jantar à luz de velas;

47. Comer marshmallows;

48. Montar árvore de Natal;

49. Aprender sobre os Reis Magos;

50. Aprender sobre os profetas que anunciaram a vinda de Jesus.

 

Entre tantas outras atividades!

No próximo post trarei algumas pequenas tradições católicas familiares que costumam ser feitas com as crianças!

O sono do Bento

Tempo de leitura: 6 minutos

Escrevo esse post não com o intuito de oferecer uma fórmula mágica que miraculosamente fará com que os bebês durmam espetacularmente bem. Mas, sim, para oferecer a nossa experiência bem sucedida com o Bento.

Também não tenho a intenção de dizer que essa é a forma correta. Há muitos caminhos que podem ser percorridos e esse foi o que escolhemos para a nossa família. Ele é resultado da leitura de várias referências sobre o assunto,  de conversas com outras pessoas, com nossas mães, o crivo crítico do que consideramos melhor e mais natural na forma de conduzir o Bento ao objetivo e  também um “diálogo” sensível com o Bento observando os sinais que ele dava, sem levá-lo a um estresse desmedido.

Para nós, não foi uma escolha buscando conforto pessoal, mas sim uma melhor qualidade de sono para nosso filho. Um bebê (após certa idade) que acorda repetidas vezes durante a noite não descansa e fica irritadiço e carente durante o dia, além de apresentar, atrelado a isso, dificuldades na alimentação. Somado a isso, ter uma boa noite de sono deixa os pais, principalmente as mães, muito mais capazes de lidarem bem e educarem seus filhos. Uma mãe exausta ou que não dorme é uma mãe impaciente, irritadiça, com alto nível de frustração e tristeza, com dificuldade de ter rotina e realizar atividades, com dificuldade de atenção, de resolver problemas, sempre cansada, possivelmente com problemas no matrimônio também.
Quando os filhos dormem bem, todo mundo ganha, principalmente as crianças. Devemos estar conscientes e acreditando nisso ou não seremos capazes de dar o próximo passo.

O recém nascido

Antes de mais nada é preciso saber um pouco sobre como é o sono do RN e porque os métodos não funcionam e nem devem ser aplicados até os 4 meses.
Os recém nascidos não sabem nada sobre sono, precisam ser ensinados. Eles não sabem que a noite é pra dormir. Pra eles a noite é pra mamar, pois é na madrugada que há o pico mais alto de prolactina  (hormônio da amamentação). Por isso, principalmente nos primeiros dias de vida, os bebês praticamente dormem o dia todo e mamam a noite toda. Isso é essencial para o sucesso da amamentação.
Quando vem a apojadura (descida do leite), as coisas começam a melhorar um pouco, pois o leite gordo começa a vir e as mamadas vão se espaçando. Mas, as coisas não melhoram muito, pois o estômago deles é muito pequeno e, como o leite materno é digerido rápido, precisam mamar mais vezes.
Conforme vão crescendo, o estômago vai aumentando e as mamadas se espaçam cada vez mais. Com 15 dias já estão de 3 em 3h na maioria dos casos.
Eles tem ciclos de sono e muitas vezes não saber voltar a adormecer. É uma habilidade que nós adultos já temos e que precisamos ajudar nossos bebês a terem também.
Além disso, até os 3 meses muitos bebês sofrem com cólicas.
Para que o bebê vá entendendo melhor sobre dormir, há algumas coisas que podemos fazer:
1- Adormecer em local escuro. Durante a noite sem luz nenhuma e durante o dia com luminosidade natural, mas sem cortinas abertas. O hormônio do sono (melatonina) só funciona no escuro. Muitos bebês deixam de dormir a noite porque os pais põe aquelas luminárias acesas a noite toda. O útero era escuro e eles amavam!
2- Silêncio. Os bebês dormem muito melhor sem músicas e chiados, ao contrário do que se pensa (eu também pensava!). E também o silêncio os vai educando à hora de dormir, pois durante o dia já há barulho natural, porque fazemos atividades, mas durante a noite todos dormem no silêncio.
3- Ter seu bercinho. Dormir com o neném da gente é muito bom, né? Mas também não é. Há prós e contras. Para nós, muito mais contras. Vale a pena pesquisar. Aqui levamos o Bento para dormir em seu quarto e berço com 15 dias. Antes dormia no carrinho.
4- Banho noturno. Além de relaxar, eles logo associam esse banho à hora de dormir.
5- Não pegar o bebê aos primeiros resmungos, apenas quando chorar. Aqui na França é comum que mesmo chorando os pais esperem 5 minutos para pegar os bebês. Essa simples atitude faz com que na maioria das vezes os bebês adormeçam de novo.
6- Deitar o bebê no berço e deixá-lo olhando pro nada até que adormeça. Nunca fiz, mas várias mães me disseram que fizeram assim e funcionava.
Em qualquer fase do bebê, o mais importante de tudo é ter rotina: horário e sequência de atividades. Mas isso é algo gradual.

A partir dos 4 meses

Segundo o nosso pediatra e o dr. Italo, a partir dos 4 meses o bebê já tem capacidade de aprender a adormecer sozinho e dormir uma noite inteira sem acordar.
Descobrimos isso primeiramente em uma consulta de rotina com o Dr. Marcos Santolim (muitos anos de consultório, pai, muito conhecimento científico e prático). Estávamos falando sobre como o Bento dormia bem e havia voltado a acordar com uns 6 meses. Então ele nos explicou que os bebês fazem isso e é apenas por hábito e carência, não por outros motivos. Por isso é um mau hábito e deve ser retirado, pois conforme cresce só vai piorando o padrão de sono. Além disso,  é comprovado cientificamente que, a partir dos 4 meses, o bebê que é amamentado durante a noite tem mais chance de desenvolver diabetes, pois aumenta muito o índice glicêmico e também a chance de obesidade no futuro. Não estou dizendo que o leite materno causa diabetes, mas sim que o fato de o alimentar durante a noite pode levar a isso.
Desde os 4 meses o bebê já tem o estômago do tamanho suficiente para adormecer a noite toda, mas, muito além disso a necessidade alimentar do bebê é e tem de ser suprida durante o dia. Assim são os mamiferos: se alimentam durante o dia e adormecem a noite.
Por isso, muitas vezes se o bebê acorda muito à noite é porque está mamando ou comendo pouco durante o dia.
Depois, no curso Afetividade Infantil e harmonia familiar, do dr. Italo, ele diz mais ou menos essas mesmas informações e faz o acréscimo da psicologia, reafirmando que a partir dos 4 meses o bebê pode adormecer sozinho sem mamar durante a noite e sem prejuízos psicológicos.

Desmame noturno gentil

Decidimos, após aquela conversa com o pediatra, que era hora de fazer o desmame noturno. Ele estava entre 6 a 7 meses e acabamos empurrando um pouco mais, até ele começar a jantar melhor. Assim que isso aconteceu, começamos. Nessa época ele havia voltado a acordar umas 2 a 3 vezes por noite.
O que fizemos:
1. Rotina do sono normal, horário de dormir igual todos os dias
2. Adormecia mamando e ia para o berço
3. Na primeira acordada o Gabriel ia, pegava o Bento no colo e sentava numa cadeira. Não o ninava nem nada. Quando adormecia, ia para o berço. É melhor que seja o pai, porque com a mãe o bebê geralmente resiste mais.
Na primeira noite, chorou 1h30 e acordou uma vez só.
Na segunda noite, 30 min.
Na terceira 15 min.
Na quarta dormia das 20h as 5h.
Não é um choro de dor, dá pra ver que o choro é de frustração, não é um choro sofrido.
4. Inserimos a técnica do despertar prolongado. Para que a criança durma até mais tarde, quando acordar pela manhã você a amamenta e ela volta a dormir. Assim ele dormia até umas 8:30 nessa época.
5. Quando está doente, eventualmente acaba mamando e depois precisa reaprender a não mamar à noite (justamente porque é um hábito), mas é bem rápido e praticamente não chora.
6. Às vezes acorda com pesadelos ou tem despertares, mas é raro.
7. Se o bebê acorda muitas vezes, pode começar a ir diminuindo o espaço entre as mamadas ou retirando uma mamada por vez. Fica a critério dos pais.

Ensinar a adormecer sozinho 

Quando Bento estava dormindo bem a noite, gostando da rotina, bem adaptado e seguro, decidimos avançar.
O método foi o mesmo do desmame noturno.
Depois Gabriel já o colocava dentro do berço e ficava dando tapinhas no bumbum.
Com o passar do tempo ele foi começando a adormecer cada vez mais rápido.
Hoje já não quer colo, quer deitar na caminha. Em menos de 5 minutos dorme.
Ainda permanecemos ao lado dele até adormecer, mas sem fazer nada, nem sequer olhando para ele. Mas também sem celular nem nada, mostrando que estamos ali, com ele.
Primeiro fizemos com o sono noturno e mais recente com a soneca diurna.
Bento não usou chupeta e não chupa dedo. Tentei inserir a naninha (objeto de transição) desde que nasceu, mas até hoje não pegou.
Quanto mais adereços ou manias vamos dando aos filhos para aparentemente facilitar as coisas, tudo vai ficando mais difícil e se tornando uma bola de neve.
Com os próximos filhos pretendemos fazer mais cedo. Não vimos prejuízo algum no Bento, muito pelo contrário, após isso, começou a se alimentar melhor do que antes e a ter sonecas diurnas de melhor qualidade (antes eram picotadas). Ele é uma criança segura, alegre, independente na possibilidade de sua idade, não é irritadiço, e por aí vai. Alguns dizem que tivemos sorte, mas eu acho que a verdade é que fizemos boas escolhas.

As mortificações para alcançar a paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

 

No último post falamos um pouco sobre os meios de  viver a paciência: ir além de suportar, saber esperar, saber calar, saber falar. Hoje trataremos do último meio: as mortificações para alcançar paciência.

Algumas dessas mortificações que podemos oferecer diariamente a Deus:

  • Fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem fazer expressão de tédio ou indiferença;
  • Não andar comentando a toda hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas dores e mal estares; propondo-nos firmemente a não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…;
  • Renunciar decididamente a utilizar frases típicas do dicionário da impaciência: ”Você sempre faz isso”, ”De novo, já é a terceira vez que você faz isso”, ”Outra vez!”, ”Já estou cansado”;
  • Evitar cobranças insistentes e antipáticas e prontificar-nos a ajudar os outros;
  • Não implicar com pequenos maus hábitos dos outros;
  • Saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entender;
  • Aceitar as contrariedades com alegria;
  • Não reclamar;
  • E tantas outras!

Após identificar as situações que nos impacientam, devemos esforçar-nos por ser pacientes justamente nessas situações específicas. Na maior parte das vezes teremos de dar mais do que o nosso 100%. E justamente por isso a mortificação é um sacrificar-se.

Um pequeno caso

Uma mãe impaciente tornou-se <<rezadora>>. Uma mulher de nervos frágeis tinha se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: ”Mãe de Misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado!)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente preparada uma oração própria que dizia: ”Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da Paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: ”Maria…., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!”. Depois, comentava com certo espanto: – Sabe que dá certo? Fico mais calma!. E ficava mesmo, conta o padre Francisco Faus.

“Recomendo que tenhas calma com os filhos, que não lhes dês uma bofetada por uma ninharia. Os filhos ficam irritados, tu aborreces-te, sofres porque gostas muito deles e, ainda por cima, tens de te acalmar. Tem um bocadinho de paciência, chama-lhes a atenção quando já te tiver passado a irritação, e sem ninguém por perto. Não os humilhes diante dos irmãos. Fala com eles apresentando algumas razões, para que se dêem conta de que devem atuar de outra maneira., porque assim agradam a Deus”. (São Josemaria Escrivá)

Quando começamos a meditar sobre as nossas impaciências, descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor. Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor.

Padre Francisco Faus diz que ”é possível que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, se vá rezando o terço no trânsito ou carreguem consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.”

Como diz Santo Tomás de Aquino, ”manifestum est quod patientia a caritate causatur”: ”é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras, ”só o amor é causa da paciência”.  Esse grande amor que, com a ajuda da graça divina, nos dá forças para aceitar, sorrindo e com os olhos fixos em Jesus, as pequenas contrariedades e também as grandes dores. Esse grande amor que nos dá energia para sermos fiéis e persistir pacientemente na luta um dia após outro, é o mesmo amor que acende na alma os grandes ideais e nos impele a realizá-los com a maior vibração e prontidão possíveis.

A mesma paciência que aceita,  torna-se divinamente impaciente em seus desejos de amar. Não se atira atabalhoadamente à ação, mas quer andar, como dizia São Josemaria Escrivá, “ao passo de Deus”, ao ritmo das graças e das oportunidades que o Senhor dá, sem nada perder, sem nada atrasar. Tem uma serena e enérgica prontidão em se doar e aceitar aquilo que o Senhor manda.

”A paciência! Não é por certo a virtude que no decorrer do dia se oferece com maior freqüência à mãe de família, qual fruto esplêndido e fecundo? Colhei este fruto celeste avidamente e fazei penetrar até o íntimo da vossa alma. Ele vos fará morrer para vós mesmas! O exercício dessa virtude mudará de fato o curso de vossa vida, para reconduzi-la ao domínio do Pai Celeste. (…) Ah! como a vida das mães, geralmente sobrecarregadas de trabalho e renúncia, tonar-se-ia doce e até mesmo jubilosa, se elas vivessem o seu cristianismo! A dificuldade do momento, longe de ser um obstáculo à sua ascensão, passaria a ser, em vez disso, como um sorriso de Deus, um apelo para o Alto, um motivo a mais de esperança infinita!” (G. Joannés)

O cultivo da paciência é um exercício diário. Muitas vezes, o processo é lento, mas nem por isso devemos desanimar. Deus é extremamente paciente com as nossas limitações. Cabe a nós uma vontade firme de seguir adiante, não importa quão difícil ou quanto demore! A graça de Deus vem sempre em nosso auxílio! Peçamos incessantemente ao bom Deus que nos dê um coração dócil, terno, ”manso e humilde”, semelhante ao de Nosso Senhor.

Referências

São Josemaria Escrivá, Bell-lloc del Plá (Gerona), 24-XI-1972

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Os meios para se viver a paciência

Tempo de leitura: 6 minutos

“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras” (Provérbios 16,32).

Não há uma fórmula mágica para viver a paciência, principalmente se o egoísmo tem raízes em nosso coração. Mas, se há amor, então vão nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência. Quem luta por viver em Deus, sabe que o amor cristão é movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas, ou, o que será mais frequente, de ambas ao mesmo tempo.

Santo Afonso de Ligório nos diz:  “Não nos irritemos com nenhum incidente; se às vezes nos vemos surpreendidos pela raiva, recorramos logo a Deus, e abstenhamo-nos de agir e falar, até termos a certeza de que já foi embora”. Quando nos sentimos à beira de uma crise de impaciência, devemos fazer o esforço de nos calarmos. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito e de rezar bem devagar alguma oração, como, por exemplo o Pai Nosso. Após essa oração, que pode ser também uma sequencia de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus e já com a alma mais tranquila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Não duvidemos que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem deixá-la de lado, exercitamos a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem fim de pequenos sacrifícios que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência.

Falando de forma mais prática

a) É preciso aprender a ir além de suportar

Papa Bento XVI falava dessa sabedoria: ”A paciência é o rosto cotidiano do amor. Nela, a fé e a esperança também estão presentes. Porque, sem a esperança que vem da fé, a paciência seria apenas resignação e perderia o dinamismo que a faz ir além do esforço de suportar uns aos outros, para ir ao esforço de ser uns o suporte dos outros. Jesus conduz-nos para a paciência que suporta e apoia o outro”.  É isso o que são Paulo nos pede na Carta aos Gálatas: ”Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2).

Na maioria das vezes sequer chegamos ao ponto de suportar. Precisamos ser realistas, pois é bem verdade que tudo nos incomoda e na maioria das vezes nem pensamos em quanto somos capazes de incomodar os outros também. Quanto mais nos recordarmos de nossas misérias e nos esforçarmos em sofrer as demoras, os nossos egoísmos, as nossas irritações, tanto mais nos assemelharemos ao Cristo, que tudo suportou por amor a nós. E, acredite, tanto mais fácil será a vida em família.

Se cada um esforçar-se em suportar o outro e melhorar a si mesmo, a harmonia familiar será sempre fácil de alcançar. O problema é que preocupamo-nos mais em corrigir o outro do que a nós mesmos, em reclamar das situações do que suportá-las ou resolvê-las. Um simples exemplo: se todos os dias ao invés de gastar meia hora reclamando com meu esposo do sapato que fica na porta eu simplesmente pegá-lo e guardá-lo, terei economizado 29 minutos, evitado estresse e ainda crescido em humildade e sacrifício. E, mais, por experiência própria: na maior parte das vezes conseguimos algo dando o exemplo e não através das palavras.

Se a impaciência vem da nossa incapacidade de sofrer, suportar é nosso ato voluntário de aceitar sofrer e  não só isso, mas sofrer com amor. Não dá para aceitar sofrer com cara feira, emburrada, com indiretas, com vitimismo. E isso também não é algo que se consiga do dia para a noite, mas é fundamental que possamos ser sinceros e identificarmos essa coisas em nós que precisam ser melhoradas.

Além disso, devemos esforçar-nos em suportar as situações onde não há solução e oferecer amor. Como em caso de adultério, é sempre necessário ir além de suportar. É preciso perdoar. Também aos filhos, com suas dificuldades e incapacidades, que exigem de nós muitas vezes mais do uma boa dose de paciência.

b) É preciso saber esperar

”Sede pacientes, irmãos. Vede como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações” (Tg 5,7-8).

São Josemaria fala dessa sabedoria: ‘‘Quem sabe ser forte não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-o a saborear a virtude humana e divina da paciência… E é esta paciência a que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”.

Muitos casamentos passam por grandes crises porque os esposos ocupam-se demais em mudar o outro. Além disso, nós, mulheres, somos especialistas em ocupar-nos com ninharias. Não nos casamos com uma pessoa perfeita e nem nós somos esta pessoa perfeita para o outro. É preciso aprender a ajudar o outro a crescer, o que não significa que ele será como eu espero que ele seja. Cada pessoa é única e irrepetível, somente Deus sabe o que é melhor para ela.

Se estamos diante de uma falta grave, devemos corrigir as pessoas com amor e oferecer uma solução para remediar aquele problema. Não é com brigas, gritos, discussões e reclamações cotidianas e frequentes que a mudança vem. Além disso, precisamos saber esperar o tempo de que as flores floresçam e os frutos possam ser colhidos. Muitas vezes não teremos a graça de colhê-los. Recordo-me bem do exemplo da Elisabeth Leseur que tendo uma vida interior intensa e profunda, morreu sem ver seu esposo convertido. Mas, após sua morte, ao ler seu diário espiritual, ele se converteu e tornou-se sacerdote. Deus tem seus caminhos.

Além disso, esperar também no sentido de viver o sofrimento que se manifesta em forma de dificuldade, como uma doença, um imprevisto, e tantas outras coisas, com serenidade.

c) É preciso saber calar

Como é importante calar quando a ira ou a impaciência fervilham dentro de nós. «Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga» (São Josemaria Escrivá)

Falar, retrucar e cair no bate-boca: por não saber calar é que vem o descontrole e a briga.

Paciência, escreveu Papa Francisco, “não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos”, mas “o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria”. “O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade.”

d) É preciso saber falar

Quando a impaciência nos ataca, a primeira coisa que deveríamos fazer, depois de esforçar-nos por calar, é falar com Deus. Nunca falemos só “conosco”, com esses debates íntimos da imaginação esquentada, que só aumentam a fúria e a amargura íntima. Menos ainda falemos, irados, com a pessoa que provocou a impaciência, querendo mostrar-lhe que nós temos razão e ela não.

Primeiro, portanto – e às vezes por muito tempo –, falemos com Deus, fazendo oração: procurando ver com Ele a verdadeira dimensão das coisas, pedindo-lhe forças para carregar a Cruz com serenidade, suplicando-lhe que nos comunique um pouco da paciência com que Cristo enfrentou o juízo iníquo, o caminho da Cruz e a crucifixão.

Experimentemos também invocar a nossa Mãe, Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Rainha da paz, rogai por nós!”

E também será oportuno, muitas vezes, falar com quem nos possa orientar espiritualmente e aconselhar a melhor maneira de santificar as contrariedades.

O último meio são as mortificações da paciência. Esse é o assunto do próximo post!

 

Referências

Caminho, São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus, São Josemaria Escrivá

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Homilia, Papa Francisco

A virtude da paciência

Tempo de leitura: 4 minutos

“As virtudes domésticas, que se baseiam no respeito profundo da vida e da dignidade do ser humano e concretizam-se na compreensão, na paciência, no encorajamento e no perdão mútuo, dão à comunidade familiar a possibilidade de viver a primeira e fundamental experiência de paz.” – São João Paulo II

A palavra paciência deriva do latim ‘pati’, que significa padecer. Por isso, a virtude da paciência é a capacidade de padecer ou a arte de sofrer bem.

É bom esclarecer que a irritação, a raiva ou a cólera não fazem parte da impaciência, ainda que muitas vezes a acompanhem, mas sim, da ira. É verdade que a impaciência e a ira andam de mãos dadas em nosso cotidiano, mas a impaciência se dá simplesmente quando não sabemos aceitar ou aceitamos de má vontade aquilo que nos contraria ou nos faz sofrer.

A impaciência com muita frequência aflora em forma de queixas internas (lamentações, vitimização), de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, de cobranças insistentes, de suspiros lastimosos, de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais, como por exemplo as frases célebres: ”Já não suporto mais!” ”Cheguei ao meu limite!” Além disso, os comentários de desânimo e os olhares de tristeza são frutos da impaciência. Um dos principais efeitos da paciência, como ensina Santo Tomás, é expulsar a tristeza do coração.

Em nossa realidade de esposos e pais, quantas vezes somos impacientes? Com as contrariedades adversas do dia, como o trânsito caótico, a chuva que chegou de repente, o trabalho que não saiu como planejado; as com o cônjuge, como a pasta de dentes que fica tantas vezes aberta, o sapato que dificilmente é guardado no lugar certo; e com os filhos, que quebram alguma coisa, que gritam, que choram, que derramam comida na roupa limpa e tantas outras infinidades de situações que nos acometem não raras, mas muitas vezes por dia!

A ira é diferente da impaciência

Todos conhecemos, por experiência própria, a força tremenda da ira (a nossa e a dos outros).  As iras cotidianas nós as conhecemos bem: “Explodi”, “Não aguentei”, “Esse vai me ouvir” e tantas mais. Expressões quase sempre somadas a gritos, palavrões e injúrias.

Santo Tomás, de acordo com Aristóteles, menciona três tipos de ira ruim (Existe ira boa? Sim! Mas esse é um tema para outro post!) :

A ira aguda: É a da pessoa que se irrita logo por qualquer motivo leve.

A ira amarga: É a da pessoa que guarda a ira por muito tempo e não a tira da memória. Chama-a ira encerrada nas vísceras (“inter viscera clausa”).

A ira difícil ou vingativa: A dos que não param até darem o troco, se possível, em dobro.

Santo Tomás não teoriza. Conhece o ser humano. E em alguma dessas classificações provavelmente nós nos reconhecemos.

Quando alguém se deixa levar pela ira é porque perdeu o controle emocional. A pessoa irada não tem autodomínio e extravasa sua revolta por meio do grito (como os terríveis gritos das mães e dos pais desgovernados), do tapa, da injúria, do palavrão, do comentário ofensivo e grosseiro, da ”patada”, das atitudes impulsivas (virar as costas e sair no meio de uma conversa, por exemplo), ou da violência (como bater uma porta com força ou até mesmo sacar uma arma e atirar).

É muito comum considerar hoje em dia que o modelo de paciência seja um comportamento manso (sem ira) que, na realidade, é um exemplo da mais perversa impaciência ou até mesmo de uma moleza. Como, por exemplo, casais que se separam após poucos ou muitos anos de matrimônio e, fazendo alarde de uma pretensa <<maturidade>> se gabam de que <<não brigaram>>. Por trás de tanta calma, o que é que houve? Uma elementar incapacidade de sofrer.

Descobrir o que nos impacienta

O defeito da impaciência costuma ser <<especializado>>. Cada um de nós tem as suas impaciências particulares. Pode ser que sejamos impacientes em escutar o próximo, que não gostamos de ser interrompidos, que não saibamos esperar e tantos outros.

A atitude que muitos tem diante da vida é radicalmente egoísta. O mundo é <<para mim>>. Mesmo os amores são vistos como meio de obter benefício pessoal. É por isso que muitos casamentos acabam baseados na desculpa de que <<não gostamos mais>>.  A maior parte das nossas impaciências são apenas egoísmos contrariados.

O papa São Gregório Magno (século VI) dizia em uma Homilia sobre Ezequiel: «Se eu não faço o esforço de suportar o teu caráter, e se tu não te preocupas de suportar o meu, como poderá levantar-se entre nós o edifício da caridade se o amor mútuo não nos une na paciência»?

Se queremos edificar um lar harmonioso, precisamos começar por nós mesmos. Trazemos em nós uma desordem: o egoísmo. Queremos sempre nos vitimizarmos por todas as coisas e falta-nos energia e ânimo de caráter para por-nos a serviço dos demais. Parece que estamos sempre a lutar por uma igualdade, onde todos devem dar a mesma medida. Mas, a grande verdade é que, para nós, que desejamos os altos cumes da santidade, só encontramos uma medida para amar e servir: dar não muito, mas tudo; não só uma parte, mas a vida. Porque este é o exemplo que tomamos de Nosso Senhor que deu-se todo por nós.

No próximo post tratarei de forma prática como podemos viver a virtude da paciência.


 Referências

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

A paciência, Pe. Francisco Faus

Há um ano o amor nasceu e eu renasci

Tempo de leitura: 4 minutos
Trago o relato do parto do Bento, escrito pouco tempo depois de ele ter nascido:
“Por aqui os dias foram tempestuosos porém felizes e só agora tive tempo para escrever sobre esses dias para mantê-los aquecidos com a boa nova que recebemos em nossa família.
O relato do nascimento do Bento começa cedo. Desde o dia 30 de julho comecei a ter sinais de que ele estava pronto para nascer. Porém, apesar de pronto, eis que nossa primeira flecha esteve com preguicinha de vir ao mundo. Foram 4 semanas de alarmes falsos, mas em nenhum deles chegamos a ir para o hospital. Eu sentia contrações, inúmeras delas, porém elas não tinham ritmo.
Os dias foram passando e com eles fomos nos esgotando física e psicologicamente. É muito difícil trabalhar a mente nesses dias em que todo dia parece dia de nascer. Um mundo desconhecido se espreitava à minha frente e às vezes, me sentia perdida. Era preciso romper com tantas expectativas e viver abandonada em Deus. ”A cada dia basta o seu cuidado.”
De fato as coisas seriam muito mais fáceis se eu entrasse em trabalho de parto logo e ele nascesse. Mas, o bom Deus tem caminhos insondáveis. Esperar é um grande exercício de paciência, virtude que tanto me faltava nessa altura (e também, nesta vida). Essa espera me deixou abalada e cansada. Gabriel, meu esteio, e eu rezávamos e tentávamos caminhar em paz. No começo estávamos mais tranquilos, porém, na última semana eu já estava tão cansada… Mas o bom Deus sabe o tamanho da cruz que precisamos e aguentamos carregar! Que doçuras encontramos na Cruz quando decidimos abraçá-la!
Padre Fábio, nosso querido e amado diretor, foi um grande pai nessa última semana antes do nascimento do Bento. Pude compartilhar com ele meus medos, inseguranças e cansaço. Acho que poucas vezes me senti tão abraçada espiritual e psicologicamente como me senti na minha ultima direção antes do Bento nascer. Isso foi na sexta, dia 19 de agosto, onde graças ao bom Deus pude me confessar e seguir confiante para o meu grande calvário.
Na segunda feira, dia 22, tive consulta e a médica fez um procedimento para ver se o parto engrenava, pois eu já tinha dilatação mais do que suficiente para estar em trabalho de parto. Apesar da dilatação evoluída (já tinha 6 cm) até então eu não havia sentido dor alguma. Mas na noite desta segunda já não consegui dormir. As contrações eram mais regulares e intensas, porém ainda sem ritmo. E isso me deixava cansada… queria tanto que o Bento nascesse! Eu já estava com quase 41 semanas!
Terça-feira de manhã as contrações pegaram ritmo! De 3 em 3 minutos! Eeeee.. Bento vai nascer! Fomos para o hospital e…. NADA. As contrações pararam. Eu definitivamente me sentia subindo o monte calvário de ré. Frustrada, impaciente, ansiosa.
Passei a terça-feira com dores, mas nada de pegar ritmo. Na madrugada de terça-feira para quarta-feira as dores ficaram muito intensas e era impossível dormir ou ficar deitada. Mas continuávamos sem ritmo. Minha médica me viu de madrugada, tomei medicação para cólicas mas as contrações não cederam. Voltamos para casa, mas precisávamos tomar uma decisão. O trabalho de parto poderia começar a qualquer hora, mas também podia demorar dias. A médica nos disse que podíamos esperar ou tentar induzir o parto.
Voltamos para casa e novamente não conseguimos dormir. Eu já sofria com as contrações. Decidimos induzir o parto, rompendo a bolsa. Não dava para continuar com essas dores e sem descansar. Se continuasse assim certamente não conseguiria um parto normal.
Fomos para o hospital as 6:30 da manhã do dia 24 de agosto de 2016. Às 7:30 a médica rompeu a bolsa. Às 8:30, graças a bondosa Virgem, as contrações engrenaram!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Às 10:39 nosso Bento nasceu!!!!! Ao som de Panis Angelicus! Dia de São Bartolomeu!
Foram poucas horas de trabalho de parto ativo, sem analgesia, tudo muito intenso! Vivi cada contração unida ao bom Jesus! Como rezei à Santa Coleta!
Gabriel esteve comigo todo o tempo! Nem sei dizer o que seria de mim sem o companheirismo e a força dele.
Bento nasceu e veio direto para os meus braços! Ainda sem me dar conta do que tinha acontecido, imediatamente o ofereci ao Sagrado Coração de Jesus e a Santíssima Virgem.”
E assim nasceu nosso menino…
O nascimento do Bento foi uma grande graça de Nosso Senhor. Definitivamente, quando olho para trás, não me reconheço. Ter um filho é, antes de tudo, um encontro com nós mesmos. Como se houvesse uma lupa, nossos defeitos são enfatizados. Nossas qualidades parecem não ser suficientes. É preciso decidir-se: ”o Reino dos Céus pertence aos violentos”.
Mas, ter uma criança, é sobretudo um grande valor por ela mesma. Quando penso no Bento, penso: que grande milagre! É um presente para o mundo, é um louvor à Deus! Uma criatura tão perfeitamente modelada, uma personalidade ímpar, que me garantes infindos sorrisos pelos dias afora. O Bento sempre mereceu existir e depois nascer, ser bem educado e alcançar o Céu.
Quando alguém me pergunta: ”Mas você quer mais filhos?” ”Um não está bom?” ”Já não tem trabalho que chega?” Eu sinceramente, nem sei o que responder. Eu não sei o que as pessoas esperam dessa vida, a não ser um vazio crescente. Eu realmente não acredito que ter um filho, ou muitos deles!, seja mais trabalhoso do que competir freneticamente para manter uma carreira, virando noites em claro por algo material, que é o dinheiro, ou por uma ilusão, que é o sucesso.
O casamento é uma grande ocasião de santificação, mas somente depois que os filhos chegam, ele alcança sua maturidade e nos eleva para além de nós mesmos. Ter um pequenino ser que exige de nós não muito, mas tudo, é o que faz a diferença, afinal, “Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo”, como diz Santa Teresinha.
E no fim da vida, como nos diz São João da Cruz, não seremos julgados pela carreira, pelo sucesso, pelo corpo atlético, pelos livros lidos, pelos filmes assistidos, pelas viagens feitas, mas sim pelo Amor, que é o pleno e fiel cumprimento da vontade de Deus e a doação total de nós mesmos.

 

O papel do homem no lar

Tempo de leitura: 3 minutos

Neste texto eu falarei sobre o papel do homem na família inspirado nas audiências públicas do Papa Pio XII, quando se dirigia aos recém-casados que iam à Roma em viagem de núpcias.

Protetor e provedor

A responsabilidade do homem para com a mulher e os filhos nasce em primeiro lugar nos deveres para conservação de suas vidas. Deveres que ele cumpre, na maior parte do tempo, pela profissão ou ofício. O trabalho dele deve prover aos seus uma casa e o alimento cotidiano, assegurar-lhes a subsistência e as vestimentas convenientes. A família deve sentir-se tranquila sob a proteção oferecida e dada pela previsão e atividade do homem.

Um homem pai de família não deve viver como se não a tivesse. A esperança de fácil fortuna muitas vezes nos vem à mente. A tentação de colocar tudo em risco em troca de uma fácil fortuna, para um pai de família, é preciso pensar com muita prudência sobre estes possíveis ganhos visto que, muitas vezes, colocam em risco a estabilidade e segurança da família.

Por isso sempre convém que ele, ao agir ou abster-se ao empreender ou arriscar, se pergunte sempre a si mesmo: será que posso assumir essa responsabilidade diante de minha família?

Testemunha de Cristo

Nós, homens cristãos, devemos ser sal na terra e luz no mundo! No nosso trabalho devemos ser distintos dos demais colegas. Na fidelidade, no exercício da profissão, na honestidade na qual superiores possam confiar cegamente, na retidão e integridade na conduta e na ação que faz ganhar a confiança de todos que lidam conosco. Esses laços são essenciais na vida social.

Um homem que se destaca na vida pública é uma honra para a esposa e para o filhos, especialmente quando ele o faz exatamente para honrar sua esposa e filhos e, é claro, a Deus!

No entanto, o homem nunca deve se esquecer o quão importante é testemunhar e guardar a esposa, a mãe de seus filhos, por atitudes e palavras, o respeito e estima que ela merece.

Auxílio à senhora do lar

Uma outra parte importante na perfeição da ocupação de esposo é, além de prover para a família através do trabalho, seja ele na usina, no campo, ou no escritório, é ajudar a sua esposa em tudo que puder dentro do lar que é o domínio dela. Como escrito na postagem sobre as pequenas virtudes, devemos sempre ajudar nossos próximos em seus próprios afazeres. Assim, o marido deve ajudar a esposa nos afazeres do lar quando este chega em casa, seja lavando a louça, cuidando das crianças, ou limpando o que for necessário.

Além disso, é essencial que cuidemos da manutenção do lar visto que esse tipo de serviço geralmente necessita de uma força física maior, que geralmente possuímos. Isso tudo é muito simples visto que, geralmente, comparado ao serviço que fazemos fora de casa, esses serviços podem ser considerados um descanso pois podemos fazê-los ao lado da amada esposa, ao lado dos filhos, ou até mesmo rezando o terço que é o que eu indico.

Um ponto importante é que façamos tudo isso sem criar caso ou alarde, pois não é mais do que nossa obrigação tendo em vista que a esposa passa o dia todo cuidando do lar, das crianças e preparando a casa para um convívio agradável e prazeroso.

Fazendo tudo isso nos tempos de normalidade ficaremos preparados para os tempos em que as coisas podem ficar um pouco mais complicadas. Alguns exemplos destes tempos difíceis são quando a mulher está grávida, quando acabou de ganhar um filho ou mesmo quando perdemos alguém na família. Em todos estes momentos um homem assume um papel ainda mais importante de fazer todos os afazeres do lar e ajudar a mulher a se recuperar para voltar ao ambiente normal no dia a dia.

Figura do Cristo

Nunca deixe que sua esposa ou seus filhos sejam maltratados por conta das dificuldades no trabalho. É muito comum para nós homens que fiquemos excessivamente preocupados com dificuldades no trabalho e com problemas financeiros, mas quando chegamos em casa não é hora de deixar isto para transparecer!

Amar é sacrificar-se e assim como sua esposa se sacrifica o dia todo para que a casa se torne um verdadeiro lar e, assim, os filhos vivam num ambiente cristão. Assim também devemos nos sacrificar quando chegamos do trabalho, mesmo que cansados, mesmo tendo tido um dia difícil, é hora de deixar tudo de lado e mostrar para sua esposa o quão grande é seu amor por ela! Aliás, é assim que os filhos, vendo o sacrifício de amor dos pais, aprenderão o verdadeiro sentido do amor e a beleza do matrimônio e da família como pensados por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Que o glorioso São José nos seja exemplo de chefe de família e guardião do lar para que possamos, como nos exorta São Paulo, amar nossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela!

Como fazer o planejamento financeiro familiar

Tempo de leitura: 3 minutos

No primeiro texto sobre este assunto eu mostrei a importância de a família ter um planejamento financeiro e de se controlar os gastos. Nesta postagem darei algumas dicas de como iniciar estas importantes tarefas da economia do lar!

Comece com o orçamento mensal

Neste texto, exemplificarei as dicas com algumas tabelas. Os valores são fictícios, apenas para fins didáticos. Vejamos um exemplo de orçamento:

Na parte superior da planilha (na aba orçamento mensal), temos a linha chamada “Acumulado” que contém o valor disponível na conta (de preferência numa aplicação melhor do que a poupança, não falarei de aplicações financeiras neste texto).

Logo abaixo temos a renda familiar, aqui deve constar a soma de todos os rendimentos da família, dos salários fixos à renda extra da aula particular ou da venda de bombons caseiros!

Abaixo temos a listagem das despesas e, em seguida, sua soma. As despesas são divididas em grupos, para que se possa ver com clareza para onde está indo o dinheiro.

O balanço nada mais é do que a diferença entre a renda e os gastos. Se este valor estiver negativo, sua situação financeira vai mal e é hora de cortar gastos.

A família que fez a planilha acima, começou o ano com uma reserva de R$5.000,00 e tem uma renda líquida familiar mensal de R$3.400,00.

Observe que, se tudo correr como planejado, ao fim do ano, a família terá acumulado mais de R$15.000,00!

Controle os gastos

Uma vez que a família decidiu os limites das despesas, resta controlar se o planejamento está sendo cumprido!

Como já foi dito, alguns conjuntos de consumo ainda podem ser divididos em subconjuntos em outras planilhas. Por exemplo, o conjunto supermercado pode ser dividido em mercearia, frutas, legumes, carnes, limpeza e higiene pessoal.
Isto vai permitir que a família tenha um controle mais fino sobre seus gastos.

Compare, mês a mês, a diferença entre o que foi planejado e o que realmente foi gasto. Se a diferença entre estes dois valores é grande e vocês não conseguem reduzir, significa que o orçamento foi feito errado e precisa de reajuste.

Uma excelente prática é guardar cada comprovante de compra no débito ou crédito e lançá-lo numa planilha. Dessa forma, não se esquece onde se gastou. É claro que a maioria dos bancos já oferecem aplicativos com os extratos das compras, mas o problema é que o nome da empresa que aparece na fatura não é o nome conhecido da mesma, o Subway, por exemplo, aqui na grande Vitória aparece nas notas como Vibom Cia de Alimentos (sei disso porque o “baratíssimo” é meu almoço quando não consigo levar marmita rsrs), assim, no fim do mês, pode acontecer de você se esquecer o que é aquela compra de R$9,00 com o nome de Vibom.

Dicas de aplicativos e planilhas

Os melhores aplicativos de gerenciamento financeiro / orçamento são pagos, mas isso não significa que não haja opções gratuitas!

Alguns bancos já possuem gerenciador financeiro incluso, é o caso do app do Banco do Brasil para smartphone. Ele te dá opções de alocar cada compra num determinado grupo e mostra gráficos interessantes.

O programa que eu uso é o GNUCASH, é o mais completo gerenciador financeiro gratuito, dá pra organizar as contas até mesmo de pequenas empresas com ele!

Com ele dá pra fazer o orçamento mensal e anual, controlar gastos, criar gráficos e relatórios. Uma das melhores capacidades dele é que ele importa os arquivos de fatura do cartão (arquivo ofx, csv e outros), o que facilita muito a vida!

Os contras? Ele não é lá muito amigável, aprender a fazer tudo o que se quer nele pode levar meses (e bastante leitura do manual), mas com esforço se chega lá!

Não tenho planilhas realmente boas para indicar, mas deixarei as que fiz disponíveis para vocês:

planilha orçamentaria

Conclusão

Meus caros, espero que tenham aproveitado as dicas que dei, as coisas estão corridas por aqui com os estudos e com o Bento exigindo bastante (como é de costume dos filhos, graças ao bom Deus) e, talvez por isso, o texto não tenha ficado tão bom. As dúvidas e comentários de melhorias são bem vindos, com eles vou alterando a postagem até que fique adequada!

Fiquem com Deus e lembrem-se de rezar sempre pela santificação das famílias, rezemos uns pelos outros!

Que a Virgem Santíssima interceda por nós!

O período do namoro

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Graças ao bom Deus há muitos casais que desejam ardentemente viver a radicalidade do Evangelho e fazer de suas famílias verdadeiras Igrejas Domésticas. O post de hoje é um texto escrito por um desses casais, o qual temos a graça de serem grandes amigos nossos, o Leonardo e a Priscila. Eles são nossos vizinhos, participam da nossa paróquia (São José de Anchieta, Serra- ES) e são pais do João Paulo.


Para começar um namoro santo, deve-se escolher a pessoa certa: aquela que tenha o mesmo desejo de santificação que nós temos.

Primeiramente, devemos entender que o amor verdadeiro só existe em Deus, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas. Somente assim é possível ver com os olhos da fé e sem interesse pessoal, a pessoa amada reservada por Deus. Quando amamos a Deus, desejamos que todos vivam este amor, principalmente as pessoas mais próximas.

“Oh, eterna verdade e verdadeiro amor e amorosa eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. E quando te conheci pela primeira vez, tu pegaste em mim, para que visse que existe aquilo que via e que eu não era ainda de molde a poder ver.” (Santo Agostinho, Confissões, VII)

É certo dizer que não existe uma “receita de bolo” para um namoro perfeito, pois cada relacionamento amoroso tem os seus desafios. De fato, a união de duas pessoas que se amam só poderá dar frutos duradouros se houver desde o início uma reta intenção de fazer o outro feliz, além de um desejo de se santificar e suportar os defeitos e limitações da pessoa amada. Contudo, não podemos negar os princípios básicos de uma relação sadia e santa que provêm da oração, do sacrifício, da humildade e da caridade. Afinal, o que seria do amor sem a caridade?

De nada vale se não tivermos a caridade. Tudo é palha, nada é verdadeiro e sem ela tudo é interesse. Mas quem a possui “não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor” (I Coríntios 13,3). Ter caridade é alcançar o grau mais alto da fé, porém, para chegar a este nível é necessário possuir uma “determinada determinação” de lutar contra o orgulho, a arrogância, a inveja, os próprios interesses e pôr fim a concupiscência da carne. Os que desejam ter um relacionamento santo e duradouro devem se afastar com todas as forças desses males que tanto destroem os casais de nosso tempo.

Na oração, somos iluminados por Deus para elevarmos o namoro a perfeição e suportar todas as dificuldades. É impossível manter um relacionamento vivo e estabilizado sem ter a prática da oração diária, que se intensifica no matrimônio. Isso deve ser para nós cristãos, um fato consumado. A oração nos aproxima de Deus, abre nossos ouvidos a voz do Espírito Santo que ilumina nossa razão e nos santifica. Com efeito, nosso Senhor Jesus Cristo torna-se o centro do relacionamento.

“A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da fortaleza de Deus. ” (São João Paulo II, Carta às famílias, 1994)

 

O início do nosso namoro foi de muita oração e intercessão de Nossa Senhora da Penha, mas com o passar do tempo, deixamos nossas orações de lado e tudo que construímos veio a ruir, todas as programações para o casamento davam errado. Somente nove anos depois, percebemos que estávamos longe de Deus e que era necessário voltar ao “princípio”, onde Deus era o centro de nossa relação.

Retomamos as nossas orações, participação ativa nas Santas Missas, confissões frequentes e sempre buscamos aprender sobre nossa fé, nossa Santa Igreja e conhecer os santos que tantos exemplos e ensinamentos deixaram para que a nossa vontade de sermos santos também não se aplacasse por coisa alguma. Assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos fortificou com Seu Espírito e abençoou nossa relação nos dando um lindo casamento e um anjo como filho. A caminhada não é fácil, sabemos e sentimos isso na alma, mas a felicidade e a paz só se têm em Deus.

 

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