Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Parto normal: uma realidade espiritual

Tempo de leitura: 8 minutos

 

“Acaso faço chegar a hora do parto e não faço nascer?”, diz o Senhor. “Acaso fecho o ventre, sendo que eu faço dar à luz?”, pergunta o seu Deus.  (Isaías 66, 9)

Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre a escolha entre ter um parto normal ou uma cesárea. Talvez você tenha crescido ouvindo as pessoas dizerem que parto normal é muito ruim, que dói demais. Talvez todos os médicos com que você tenha se consultado tenham lhe informado apenas com mitos a respeito do parto normal e lhe dado a cesariana como a melhor opção. Talvez você nunca tenha refletido sobre o lado espiritual de se trazer um filho ao mundo. Na iminência do meu segundo parto, achei tão importante falar sobre isso.

A cesárea

Infelizmente estamos inseridas em uma cultura cesarista. O Brasil é um dos países campeões em realizações de cesarianas, com uma taxa de 55,6% de cesáreas. Aparentemente o parto normal ficou para trás e isso parece ser tão… normal. A cesárea, que é um procedimento cirúrgico, passou a ser tida como escolha pessoal e a via mais comum de se trazer um bebê ao mundo. Será que isso está certo?
Em primeiro lugar, tratemos da cesárea. Cesárea é um procedimento cirúrgico que salva vidas, mas nem por isso deixa de ser uma cirurgia. Há muitos efeitos colaterais e até mesmo riscos, por isso ela deve ser feita com indicação de real necessidade, pois não é a via natural de nascimento e também não é a melhor.

A Karen Mortean, na página Fertilidade Inteligente, fez um post resumido sobre as indicações reais para uma cesariana. Nessa página, e em outras, como a Auxílio no Parto, vocês poderão encontrar uma infinidade de bons materiais a respeito do assunto. Também indico a página do meu obstetra, o dr. Frederico Bravim.

Benefícios do parto normal

São tantos os benefícios do parto normal:

  • em primeiro lugar, o de não precisar passar por uma cirurgia de médio porte,
  • menor risco de infecção,
  • o trabalho de parto favorece a produção de leite materno,
  • a mãe pode segurar o bebê assim que o bebê nasce e estimular a amamentação,
  • o vínculo deste momento é fundamental para a mãe/pai e bebê,
  • o útero volta ao seu tamanho normal mais rapidamente,
  • há benefícios psicológicos para a mãe,
  • as complicações são menos frequentes,
  • recuperação rápida após o parto,
  • não há necessidade de separar mãe-bebê,
  • menos problemas respiratórios para o bebê,
  • além de menor risco do bebê nascer prematuro, etc.

Infelizmente, além de uma cultura cesarista, nosso país tem um sistema de saúde em que práticas ultrapassadas ainda são feitas e tantas mulheres ainda sofrem violência obstétrica ao escolherem um parto normal. Muitas mulheres desejam um parto natural, mas esbarram em tantas dificuldades, principalmente a de encontrar profissionais que ofereçam como uma opção válida, real, como a melhor opção.

Muitos profissionais são desonestos e enganam as mulheres para não terem de se sacrificar ao acompanhar uma gestante em trabalho de parto por horas a fio, por exemplo. Por isso, é importante estudar e buscar equipes realmente confiáveis.

Outra grande dificuldade são as taxas tão altas que muitas equipes médicas cobram para estarem disponíveis para atender nosso parto. Ir para os plantões obstétricos que muitos hospitais oferecem tem sido cada vez mais difícil, pois a maior parte das equipes não está disposta nem a tratar as mulheres com respeito, muito menos a esperar o desenrolar de um trabalho de parto. Vivemos tempos difíceis, mas será que a cesárea é a nossa única opção?

Uma questão espiritual

Em poucos anos a nossa sociedade sofreu mudanças profundas e rápidas em tantas esferas. Uma delas, de forma especial, é que a vida encheu-se de facilidades e de conforto, nos deixando moles, frouxos e fugindo a qualquer custo do sofrimento.

Ter facilidades e conforto não é tanto o problema, já que muitas das invenções vieram como uma ajuda e as condições financeiras deram aporte a uma vida um pouco menos dura, no sentido de se poder desfrutar de algumas coisas boas que antes eram impossíveis.

Mas, a principal consequência dessa mudança é que desaprendemos a sofrer, desaprendemos a dar valor ao quanto as coisas custam, passamos a encarar qualquer pequeno arranhão como uma dor insuportável e a nos incomodarmos com tudo.

É certo que há uma grande influência médica durante o pré-natal na decisão das mulheres levando-as a optar pela cirurgia, até por motivos como mais conforto para o próprio médico, que não precisará passar horas com a gestante durante a madrugada, por exemplo, podendo apenas agendar a retirada do bebê num horário confortável para ele.

Mas, além disso, muitas mulheres optam pela cesariana justamente para fugir da dor. Pensemos bem, se nos colocarmos diante de perigo de morte é pecado grave, submeter-nos a uma cirurgia com tantos riscos sem motivos justos também parece se encaixar nesta situação.

A dra. Alice em seu livro O privilégio de ser mulher, escreveu:

”O parto é também um acontecimento que goza de sacralidade. Embora as dores agonizantes que muitas mulheres suportam sejam uma terrível consequência do pecado original, a beleza do ensinamento da Igreja Católica deixa claro que seus esforços femininos e seus gritos de agonia, que precedem a chegada ao mundo de outra pessoa humana, têm um profundo sentido simbólico. Assim como Cristo sofreu as dores agonizantes da crucifixão para reabrir as portas dos céus para nós, assim também a mulher recebeu o rico privilégio de sofrer para que outra criança feita à imagem e semelhança de Deus possa entrar no mundo.”

Não se sinta menos mãe ou menos mulher por ter feito uma cesárea necessária,  ou por ter sido enganada, por ter tido medo de sofrer violência obstétrica e tanto mais. Deus conhece nosso coração e a nossa realidade. O que venho trazer nesse texto é uma provocação, uma reflexão.

O Senhor nos dá graças específicas para cada situação na vida. Não podemos dizer que confiamos no Senhor apenas a respeito do número de filhos, mas devemos ter essa confiança filial de que Ele nos auxiliará na hora de trazê-los ao mundo. O que não significa que não devemos colocar os meios necessários para alcançar um bom parto, como nos informarmos, rezarmos, cuidarmos da saúde, procurarmos locais e equipes confiáveis, etc. Inclusive, há muitas maternidades públicas muito boas e defensoras do parto normal.

Nas Sagradas Escrituras está escrito: “Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.” (João 16,21). E é verdade! Se é o medo da dor que te afugenta dessa experiência tão grandiosa e cheia de significado, saiba que há inúmeros meios de amenizar a dor, como: a presença de uma doula, massagens, exercícios, respiração,  banho e, por fim, uma analgesia.

É impossível não relacionar o alto índice de cesáreas com um controle de natalidade velado. É certo que partos normais sucessivos são muito melhores para nós que desejamos uma família numerosa. Cesáreas sucessivas apresentam riscos e quantas mulheres não foram enganadas, desestimuladas a ter mais filhos ou a tentar um parto normal e até mesmo submetidas a laqueadura por causa disso?

É claro que há muitos casos de 8, 9 cesáreas, mas isso não significa que não haja riscos.

A questão maior é que existem mulheres que acreditam mesmo que não podem ter mais de três cesáreas, por exemplo, e os médicos usam disso para o controle de natalidade, fazendo até mesmo um terrorismo psicológico.  É importante que o parto normal seja estimulado e buscado mesmo com cesáreas anteriores. É totalmente possível, há relatos incríveis! E mesmo se não for o caso, há sim como ter mais de três cesáreas. Indico esse post sobre a quantas cesáreas uma mulher pode ser submetida.

Reflexão

Apesar da ”bandeira” do parto normal ser levantada em grande parte pelas feministas, isso não significa que seja uma luta apenas delas e que devemos ignorar este assunto. O parto normal é antes de tudo algo criado por Deus. Foi assim que o Criador pensou que os bebês viriam ao mundo, e, após o pecado original, que viriam ”em dores de parto.” O parto não é um assunto ideológico, mas natural, pois existe desde a criação.

Quando começamos a adentrar o mundo do parto natural, do parto humanizado, enfim, tantos termos, encontramos um discurso que vem no mesmo pacote: um suposto empoderamento da mulher, protagonismo, uma luta, uma bandeira. Mas o parto está muito além disso. Todo esse viés ideológico deve ser descartado por nós. Devemos reter e retomar aquilo que nos pertence, aquilo que é naturalmente bom, que conduz ao Bem: o parto que respeite o processo fisiológico natural, que tenha uma equipe médica competente e honesta, que se baseie em evidências científicas e que proporcione não só à mulher, mas também ao bebê e à família uma experiência feliz.

É preciso entender, antes de tudo, que o parto normal é um processo fisiológico e não patológico. São João Paulo II, na Carta Mulieris Dignitatem, nos diz: ”A análise científica confirma plenamente o fato de que a constituição física da mulher e o seu organismo comportam em si a disposição natural para a maternidade, para a concepção, para a gestação e para o parto da criança.”

Um parto não precisa de intervenções desnecessárias: todas fomos feitas para dar à luz. Infelizmente há tantas histórias de partos traumáticos, até mesmo violentos, que levam tantos casais à fecharem-se a novas vidas. E também, tantos casos de cesarianas desnecessárias e em seguidas vezes que acabam diminuindo a possibilidade de novas gestações seja por riscos verdadeiros ou porque os médicos assim o dizem.

Além disso, será que já paramos para entender a profundidade da experiência de dar à luz um filho? Submeter-nos voluntariamente a uma entrega tão grande que nos custará não pouco, mas muito. Ou como disse a Kimberly Hahn em seu livro Amor que dá vida:

“O que uma mulher faz ao dar à luz um filho é, à imitação de Cristo, dar a sua vida pelo amigo’.”

O Venerável Fulton Sheen nos ensina: “Todo nascimento reclama submissão e disciplina. Na mulher, a submissão não é passiva, é sacrifical. Nem só os dias da mulher, mas também as noites, não só a alma, mas também o corpo hão de partilhar do Calvário da maternidade. É por isso que a mulher tem da doutrina da Redenção uma compreensão mais nítida que os homens, ela, ao dar a luz, pôde associar com a vida o risco da morte e compreender o sacrifício de si mesma por outro ser, nos meses incômodos da gestação.” E “As dores que a mulher suporta no trabalho de parto ajudam a expiar os pecados da humanidade e extraem seu significado da Agonia de Cristo na Cruz. As mães são, portanto, não apenas co-criadoras com Deus; são corredentoras com Cristo na carne.”

Não é que quem faça uma cesárea necessária não passe por sofrimentos ou não seja uma oferenda viva, afinal muitas vezes desejamos um parto normal mas acabamos passando pela cirurgia por necessidade e isso não diminui a entrega, mas quem opta por uma cesárea apenas para não passar pelo trabalho de parto, pelo conforto de escolher o dia e hora do nascimento, sem sequer respeitar o tempo certo de nascimento do bebê, não está fazendo uma escolha razoável nem virtuosa. É apenas um capricho, uma fuga.

Sejamos mulheres de coragem, façamos da nossa vida e do nosso corpo uma oferta viva, um sacrifício vivo, como foi o Manso e Divino Cordeiro. Benditos os filhos que são gerados na Cruz! Somente aquilo que passa por ela é fecundo. Nossos rebentos serão frutos de santidade quanto mais nos oferecermos por eles.

Deixemos para trás esse discurso fraco, vitimista, caprichoso, mesquinho e sombrio de que o parto é algo terrível. O parto normal é algo maravilhoso! Entendido e vivido como deve ser, dentro de uma ótica e realidade católica, o parto é para nós, a morte de nós mesmas entre dores, suores e sangue, como morreu Nosso Senhor que jorrou sangue e água no alto da Cruz, para que o outro tenha vida. Que escolha mais feliz poder dar a vida pelos que amamos. Ou como nos ensina São Josemaria: “O amor é sacrifício e o sacrifício, por Amor, gozo.”

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

A verdadeira dignidade da mulher – parte 2

Tempo de leitura: 5 minutos

Ontem lançamos a primeira parte do artigo ”A verdadeira dignidade da mulher.” Hoje trouxemos sua continuação!

Desfiguração do ser feminino: o feminismo

Sob a premissa de uma suposta luta por igualdade entre os sexos, excelente combustível do marxismo cultural, o feminismo foi ganhando espaço entre nós. Mas que igualdade é essa? Se pararmos para estudar e pensar, no fundo, a raiz do feminismo é um ódio ao feminino, pois busca transformar as mulheres em homens. Deus nos criou, ao homem e à mulher, iguais em dignidade, a Sua imagem e semelhança, mas quis que houvesse diferenças entre os dois sexos. Estas diferenças entre “ser homem” e “ser mulher” fazem com que exista uma complementariedade entre nós, não para que sejamos um maior do que o outro, mas sim uma perfeita harmonia.

Dizer que não há mulheres que sofram, que não exista uma realidade de opressão ou homens ruins é fechar os olhos para uma realidade tão triste como a das mulheres do oriente (como as muçulmanas) e negar a existência do pecado original. Há sim situações em que mulheres, até mesmo próximas de nós, são humilhadas, violentadas, e tudo isso é consequência do pecado, não da natureza da mulher e do homem, muito menos de Deus. O feminismo não busca resolver esses problemas, visto que para isso é necessária uma cruzada pela santidade. Ao contrário, ele busca culpar o homem e vitimizar a mulher até mesmo quando a situação exige justiça. Há inúmeros casos de mulheres que cometem abusos até mesmo de seus próprios filhos, que traem, que humilham seus esposos e tanto mais.

Toda a tragédia do feminismo contemporâneo tem sua origem na falta de fé e na perda do sentido sobrenatural. Vivemos em um mundo tão profundamente mergulhado no secularismo que a maioria de nós sequer tem noção de que somos influenciados por essa desastrosa ideologia. A ”filosofia” do feminismo ao declarar guerra à feminilidade está, na verdade, declarando guerra à Cristandade, afinal, o grande aliado das mulheres é Cristo.

Aos poucos o feminismo veio trazendo para a sociedade valores que foram sendo absorvidos e tidos como normais, em busca de uma certa liberdade da mulher. Mas que liberdade seria essa? Pesquisas apontam que as mulheres de hoje estão mais infelizes do que jamais estiveram nos últimos 35 anos.⁶ A suposta liberdade tão ferrenhamente defendida pelas feministas na verdade é uma prisão.

O surgimento das pílulas anticoncepcionais liberou a mulher de que? De ter filhos? Não, liberou-a da pureza. Arrancou dela a virtude e a dignidade e a jogou na lama do pecado e da depravação, tornando-a objeto para os homens. Arrancou dela o amor e a consciência da sua vocação, originada em Deus, raiz de sua felicidade terrena e eterna, dando para ela um útero estéril, doenças físicas (trombose, DSTs e tantas outras) e uma consciência tão pobre e deturpada que renega a sua própria natureza de ser mãe.

O divórcio liberou a mulher de que? De uma instituição social? Não, liberou-a da segurança de um relacionamento estável, de um homem que lhe provesse em suas necessidades, de uma família firme na rocha que é Cristo. Colocou-a no último dos lugares, dependendo de pensões, submetendo seus filhos a situações de estresse, falta de estabilidade, brigas, isso quando não fazem seus animais de estimação de filhos, com medo de envelhecer, travando uma luta contra o ritmo natural do próprio corpo, preocupadas em atrair relacionamentos fracassados que só buscam o prazer, vazio existencial e tanto mais. Jogou-a no mercado de trabalho a pontapés.

A igualdade entre os sexos a liberou de que? De uma opressão por ser considerada inferior? Não, liberou-a de ser ela mesma, de ser mulher, da sua própria feminilidade que é um dom, uma riqueza, que é belo, que é profundo, que traz felicidade, que realiza. Transformou-a em um ser raivoso, obscena, vulgar e irada, incapaz de se sacrificar por alguém, petulantes, superficiais, maliciosas e exageradamente sensuais. Arrancou toda a sua ternura, sensibilidade e deu a ela a triste realidade de ser manipuladora, fofoqueira, ansiosa e ambiciosa. Arrancou sua natureza espiritual profundo, deixando-a um ser oco, vazio, onde abundam partes do corpo mas falta alma. Ela quer tanto ser um homem que tem se liberado das normas mais básicas de higiene para se parecer com ele, transformando-se em um ”macho mal acabado”.

A ida ao mercado de trabalho liberou a mulher de que? Da humilhação de depender de um marido que a provesse em suas necessidades? Não, liberou-a da sua própria família, da sua felicidade, do seu reino que é o lar para jogá-la na sarjeta das empresas que não estão interessadas em mais nada do que em escravizá-las. Arrancou a mulher do seu reino calmo e tranquilo para subjugá-la em um ambiente estressante, sugando todas as suas energias e tempo para que não se dedique a família, para que não se case, para que se divorcie, não tenha filhos e passe a sua vida acreditando que está fazendo uma grande obra, quando na verdade está erigindo um castelo de areia.

O caminho de volta

Uma coisa é certa: quando chegar a hora, nada que tiver sido produzido pelo homem subsistirá. Um dia, todas as realizações humanas serão reduzidas a um monte de cinzas. Por outro lado, todas as crianças nascidas de mulher viverão eternamente, pois a elas foi concedida uma alma imortal, feita à imagem e semelhança de Deus. Sob essa luz, a afirmação de Simone de Beauvoir de que “as mulheres não produzem nada”, mostra-se especialmente ridícula.”

É preciso trilhar o caminho de volta para casa e isso significa duas coisas: mais do que voltar para o lar, principalmente, devemos voltar para Deus, caminhando dentro de nós, redescobrindo, à luz da fé a nossa autêntica natureza, missão e vocação. É um caminho árduo mas essa é a verdadeira libertação da mulher, que a libera de tantos estereótipos e a faz fiel ao plano de Deus, Sabedoria Infinita, que lhe criou única, um jardim com tantas flores, um castelo ornado com tantas joias.

Essa é a nossa coroa de glória: a família. Coroa que tantas vezes floresce, mas na maior parte das vezes é de espinhos. As pequenas recompensas recebemos todos os dias, mas a grande recompensa está guardada para o entardecer da vida. Só quem tem os olhos voltados para o Alto consegue entender e enxergar coisas que passam tão despercebidas para aqueles “que tem olhos mas não veem” (cf. Salmos 113, 13). Verdadeiramente, a Cruz para o mundo é loucura, mas para nós que cremos, é salvação.

Que os nossos olhos aprendam do modelo perfeito da feminilidade, Maria Santíssima, mulher forte por excelência e só assim seguiremos seguras pelo caminho que mais do que nos realiza, faz de nós santas, amantes do único Amor amável, fonte de todos os amores, o Doce Jesus.

Referências

5 Alice von Hildebrand, O privilégio de ser mulher

Phyllis Schlafly, O outro lado do feminismo

 

Aproveito para indicar outros livros:

Kimberly Hanh, Amor que dá vida

Mary Pride, De volta ao lar

Pe. Geraldo Pires, As três chamas do lar católico

Pio XII, Casamento e família

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

A verdadeira dignidade da mulher – parte 1

Tempo de leitura: 4 minutos

Por que precisamos falar do que é verdadeiramente ser mulher?

Definitivamente estamos em uma época chave, pois vivemos em um mundo que encontra-se totalmente desestabilizado, onde nós, mulheres, não sabemos mais quem somos.¹ Muitos discursos são empregados a esse respeito e talvez, muito facilmente, por desconhecer a nossa origem e nosso fim, podemos ser seduzidas por eles. Como nos diz o Pe. Fuentes, IVE, em seu livro ‘Elogio de la mujer fuerte’,² ante uma sociedade andrógina com a nossa, a mulher deve entender sua maravilhosa missão – dom de Deus – , que passa por compreender em todas as suas dimensões sua vocação de Filha, Esposa e Mãe.

Há um grande mito: o de que a Igreja é a grande promotora da opressão e humilhação das mulheres. Na verdade, foi o Cristianismo que libertou a mulher da condição de quase escrava em que ela se encontrava no mundo pagão. Cristo resgatou a mulher e não é preciso ir tão longe na história, basta apenas recordar do grande dia da Anunciação, onde Deus se fez carne no ventre dA mulher, Maria Santíssima, Mãe do Verbo Encarnado, Mãe de Deus, Mãe da humanidade, nossa Mãe. A mais alta dignidade foi conferida a uma mulher e assim Maria Santíssima elevou a dignidade de todas as mulheres.

As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo. ³ Quantas mulheres se destacaram no Cristianismo desde o seu início, como Santa Helena, Santa Joana D’Árc, Santa Hildegarda, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa e tantas outras santas, casadas, virgens, mártires. O grande problema é que para o mundo esses exemplos não importam.

A mulher sempre foi a salvaguarda da família, das tradições, dos valores. Ela, como esposa, mãe, educadora é a grande responsável pela formação de uma sociedade virtuosa e por isso hoje é tão atacada. Através de um plano diabólico arquitetado (isso é assunto para outro post) o feminismo veio sendo instaurado em nossa sociedade, levando a mulher a perder o sentido da sua dignidade que só pode ser entendida e vivida em Deus, Aquele que nos criou, que nos conhece, que nos deu uma vocação, nos deu uma estrutura e para o qual hemos de voltar um dia. E se a mulher é destruída, toda a sociedade sucumbe com ela. Já dizia o Arcebispo Fulton Sheen que o nível de qualquer civilização é o nível de sua feminilidade.

A maternidade

São João Paulo II na época de seu pontificado escreveu uma carta apostólica chamada Mulieris Dignitatem que trata da vocação e dignidade da mulher. Nela, ele explica que há uma riqueza que configura o gênio próprio da mulher, o chamadoingenium mulieris’que é a mulher como foi concebida em sua natureza. E o que é próprio da mulher? A maternidade. É uma capacidade inata e exclusiva da mulher.

“Os recursos pessoais da feminilidade certamente não são menores que os recursos da masculinidade, mas são diversos. A mulher deve entender a sua «realização» como pessoa, a sua dignidade e vocação, em função destes recursos, segundo a riqueza da feminilidade, que ela recebeu no dia da criação e que herda como expressão, que lhe é peculiar, da «imagem e semelhança de Deus».” (§10)

Não podemos masculinizar a mulher porque seria um empobrecimento trágico e uma revolta contra Deus Criador. Mas, o que temos visto em nossos dias é que o feminismo nos vem conduzindo a uma apropriação cada vez mais caricata dos trejeitos masculinos (sobretudo dos vícios), fazendo com que percamos a nossa originalidade própria e os recursos que apenas a feminilidade nos pode fornecer.

“Não se pode sob pretexto algum conduzir à «masculinização » das mulheres. A mulher não pode tender à apropriação das características masculinas, porque é contra a sua própria «originalidade» feminina. Existe o temor fundado de que por este caminho a mulher não se «realizará», mas poderia, ao invés, deformar e perder aquilo que constitui a sua riqueza essencial. Trata-se de uma riqueza imensa. Na descrição bíblica, a exclamação do primeiro homem à vista da mulher criada é uma exclamação de admiração e de encanto, que atravessa toda a história do homem sobre a terra.” (§10)

Só em Deus encontramos nossa autêntica originalidade. A plenitude da perfeição da vocação feminina está em Maria Santíssima, nosso grande modelo. Na Encarnação do Verbo encontramos as duas dimensões da vocação feminina: a Maternidade e a Virgindade.

“A graça nunca dispensa nem anula a natureza, antes a aperfeiçoa e enobrece. Portanto, a «plenitude de graça», concedida à Virgem de Nazaré, em vista do seu tornar-se «Theotókos» (mãe de Deus), significa, ao mesmo tempo, a plenitude da perfeição daquilo «que é característico da mulher», daquilo «que é feminino». Encontramo-nos aqui, em certo sentido, no ponto culminante, no arquétipo da dignidade pessoal da mulher.’’ (§5)

Toda mulher que atinge a plenitude da sua maturidade tem o coração de mãe, isso engloba a vocação matrimonial e religiosa. Rejeitar a maternidade é ir contra o plano de Deus criador, é não desejar atingir a maturidade humana e espiritual a qual fomos destinadas, e, mais ainda, é não desejar a nossa salvação, visto que está escrito: “A mulher será salva pela sua maternidade” – 1Tm 2,15

No próximo post, que sairá ainda nessa semana, falarei sobre a desfiguração do ser feminino e a importância de trilhar o caminho de volta para nossa verdadeira essência.

Referências

1 Jo Croissant, A mulher sacerdotal

2  Pe. Fuentes, IVE, Elogio de la Mujer Fuerte

3 Thomas E. Woods Jr, Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental

4 São João Paulo II, Mulieris dignitatem

 

 

Aproveito para indicar outros livros:

Kimberly Hanh, Amor que dá vida

Mary Pride, De volta ao lar

Pe. Geraldo Pires, As três chamas do lar católico

Pio XII, Casamento e família

 

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

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