Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Rotina do Bento: 1,5 a 2,5 anos

Tempo de leitura: 8 minutos

 

Terminei, há pouco, o quadro de rotina do Bento que irá funcionar a partir de março desse ano até ele completar 2,5 anos. Deixei o planejamento em funcionamento de teste por um tempo, para verificar o que deveria ser modificado antes de finalizá-lo.

Quando ele tinha 11 meses, disponibilizei seu quadro de rotina que funcionaria até 1,5 ano. Poucas coisas mudaram. Acredito que nessa fase o mais importante seja brincar, ter uma boa rotina e desenvolver bons hábitos. Nada de matérias, atividades sem fim, cursos, estímulos desnecessários e tanto mais.

Penso que, atualmente, com tanta ênfase na vida intelectual, muitos aspectos da vida e da educação das crianças tenham ficado (erroneamente) restritos à essa esfera. O ritmo cada vez mais veloz dos nossos dias também impõe às nossas crianças uma corrida, deixando para trás, muitas vezes, não somente seu ritmo natural de desenvolvimento, mas também, tristemente, a sua infância, por uma adultização cada vez mais precoce.

O “mito do enriquecimento”, interpretação equivocada da literatura neurocientífica, baseia-se na falsa crença de que há períodos críticos durante os quais temos que superestimular as crianças, e não fazê-lo resultaria em “oportunidades perdidas para sempre”. As coisas simplesmente não são assim. A criança pode aprender em um ambiente normal. Não precisamos ficar obcecados por enriquecer o ambiente, convertendo-nos em recreadores atarefados ou animadores de festa infantil.¹

A rotina do Bento é bem flexível, por isso divido o dia em blocos e não tenho dificuldade de deixar de fazer algo se precisar tornar o dia mais leve. Isso é importante também. Provavelmente algumas coisas ficarão suspensas quando a Isabel nascer e aos poucos irão retornando a seu tempo, modo e lugar.

Leitura em voz alta

Isso é o que mais fazemos durante o dia. O Bento simplesmente ama ler e, além dos momentos já preestabelecidos de leitura, ele está sempre pedindo para ler um livro ou outro, várias vezes seguidas pelo dia a fora. Eu preestabeleci esses momentos mais para direcionar a mim do que a ele, para que eu possa realizar diferentes tipos de leitura.

Eu divido livros por blocos semanais, para que, ao mesmo tempo em que se tenha rotatividade de uma semana para outra, ele também possa trabalhar a memória lendo os mesmos livros em dias seguidos. De fato, ele já começou a decorar vários dos livros que temos.

Para ampliar o vocabulário, além dos livros de palavras que utilizamos, estabeleci o objetivo de inserir dois livros novos por mês. E temos o hábito de nomear as coisas o tempo todo.

A evolução da linguagem dele tem sido impressionante. Com 1a4m começou a silabar algumas palavras e com 1a5m começou a falar de fato. Em 15 dias já juntava duas palavras e aprendia várias palavras novas por dia. Hoje, com quase 1a6m ele já forma pequenas frases com 4 palavras, tem muitas pronúncias quase perfeitas, já consegue acompanhar algumas músicas e orações que repetimos sempre. Aprende muitas palavras ao ouvir apenas uma vez. Acredito que grande parte dessa evolução se deva a leitura, hábito que inserimos desde que ele nasceu.

Musicalização

Tenho investido em apresentar músicas variadas, embora ele goste sempre das mesmas. Gostamos muito do CD do Carlos Nadalim, Palavra Cantada, Mozart, Corelli, Bach, Música clássica em geral, Gregoriano, Cantigas de Roda, Músicas tradicionais/populares católicas, medievais.  Além de colocarmos para ele ouvir, temos o hábito de cantar com ele. Há um tempo ele começou a cantarolar sozinho, criando suas próprias músicas.

Também temos o hábito de trabalhar sons de fonemas usando exemplos de animais, como ”a abelha faz zzzzzzzz” e imitar os sons dos bichinhos.

Apesar da música ser ótima para as crianças, não deve ser usada o dia todo. Helena Lubienska² em seu livro ”Silêncio, gesto e palavra” e o dr. Ítalo³ em seu curso sobre Afetividade Infantil deixam bem claro que o ambiente natural da criança deve ser composto de silêncio (aqui toma-se por barulho os gritos, excesso de estímulos auditivos ou visuais, discussões, etc), ordem e tranquilidade.

A educação na beleza

Diziam os gregos que a beleza é “a expressão visível da verdade e da bondade”.  Diante disso, para uma criança, é belo tudo o que respeita a verdade e a bondade do que sua natureza exige. A beleza, para a criança, é tudo aquilo que respeita seus ritmos, as etapas de sua infância, sua sede de mistério, sua necessidade de silêncio, seu encantamento pela natureza, pela realidade, mas além disso, é preciso rodear a criança com a beleza da vida (real e artística). Sendo assim, com belas imagens, por isso é importante ter cuidado com os livros apresentados, com os lugares frequentados, etc; Com músicas educativas de  verdade, ricas em instrumentos, em qualidade de composição e por aí vai. Nada de Galinha Pintadinha, pois nossas crianças merecem e são capazes de apreciar algo muito melhor do que o repetitivo popopó…

Artes

Escolhi o dia de quinta feira para realizar com ele alguma atividade de Artes específica e que precise de alguma preparação, já que nos outros dias basicamente é pintura com giz de cera, massinha ou tinta. Procuro muitas inspirações no Pinterest!

Ar livre

Todos os dias, no fim da tarde, o Gabriel leva o Bento para brincar no parquinho, correr, andar de bicicleta com ele. E nos finais de semana reservamos o domingo para passeios em lugares abertos, já que aqui temos uma grande disponibilidade de parques.

Já escrevi um pouco sobre a necessidade do ar livre, mas recordo alguns benefícios:

  • Afasta o sedentarismo, a preguiça e a passividade;
  • Aprimora os sentidos;
  • Descansa, acalma, fortalece (os músculos, a imunidade e a vontade);
  • Impulsiona a criatividade;
  • E tanto mais!

Nada de dispositivos eletrônicos

Permanecemos com a convicção de não expor o Bento aos aparelhos eletrônicos como celular, televisão, tablet, computador, brinquedos com muitas luzes e sons.

Para quem não sabe, as principais associações pediátricas do mundo insistem em que as crianças com menos de dois anos não devem ser expostas a tela nenhuma e que aquelas entre dois e cinco não devem ser expostas por mais de uma hora ao dia. Não se trata de uma questão educativa, mas de uma questão de saúde pública, que diz respeito à saúde neurológica de nossos filhos, dado que a exposição às telas nessa faixa etária está associada, segundo estudos, à falta de atenção, à impulsividade, ao déficit de aprendizagem, à diminuição do vocabulário etc. O que ocorre é que há muitos mitos tecnológicos por aí, crenças de que as telas favorecem o aprendizado. A Associação Canadense de Pediatria declarou formalmente em 2017: “Não há estudo que respalde a introdução da tecnologia na infância.”

Quando a criança é bombardeada com estímulos contínuos, se acostuma com a motivação externa e sua curiosidade fica adormecida. Então, desaparece o motor interno que a leva a fazer descobertas. Ela deixa de prestar atenção ativamente e se torna desatenta, entediada, ansiosa, hiperativa… Busca sensações novas, ritmos cada vez mais rápidos, fica viciada em velocidade. Eventualmente, a criança não está adaptada à realidade e deixa de prestar atenção, porque a realidade é lenta e exigente, e, então, tudo a aborrece.  Os dispositivos tecnológicos são altamente viciantes, pois introduzem a criança em um círculo de recompensas que se dá por meio da produção do hormônio da dopamina.

Grande parte das pirraças infantis são por excesso de estímulos: muito tempo exposto a luzes no shopping, lojas, supermercados ou as luzes das telas, muitos sons, falta de rotina. Os hiperestímulos causam perturbação na criança e a deixam confusa e irritada.

Esse é um tema que merece vários posts. Aguardem!

Vida de oração

Pela manhã, a oração do Bento é um ato de agradecimento a Deus pela noite e novo dia e oferecimento do dia. Além disso, rezamos o Santo Anjo, a devoção das 3 Ave Marias e leio o Evangelho em voz alta, fazendo uma brevíssima reflexão. Eu rezo as Laudes pela manhã e ele me observa, enquanto brinca.

Durante o dia procuro motivá-lo a dizer jaculatórias e orações breves e espontâneas, para desenvolver nele a intimidade com Deus e o mistério da inabitação (somos morada Dele).

Rezamos o Angelus e a Oração das Refeições antes das refeições principais. No fim da tarde, quando o Gabriel chega, rezamos o Santo Terço e após o jantar, as Completas. Antes de dormir, o Gabriel reza com ele em seu quarto.

Ele acompanha nossa vida de piedade, mas não exigimos dele atitudes adultas. Por exemplo aos sábados rezamos o Ofício da Imaculada, nas quartas a Via Sacra, na quinta fazemos Adoração, na sexta temos direção espiritual/confissão, no sábado temos Eutrapelia e aos domingos, como ápice da semana, vamos à Santa Missa pela manhã e também lemos crônicas dos missionários da nossa Família do Verbo Encarnado.

Graças ao bom Deus temos um convívio maravilhoso e frequente com os padres e as irmãs, que é, para nós e para os nossos filhos um ”antecipo do Céu”.

A partir de agora começarei uma breve e leve catequese, trabalhando de forma mais enfática e profunda algumas Histórias Sagradas que já apresentamos de maneira mais informal. Isso é assunto para um outro post.

Cultivando bons hábitos

Muito mais importante do que ensinar conceitos nessa idade, é ensinar bons hábitos. Por isso, temos nos dedicado a ensiná-lo:

  • Expressões e gestos de cumprimento (bom dia, boa tarde, oi, tudo bem);
  • Expressões de desculpa, por favor e dar licença;
  • Desenvolvendo auto estima;
  • Gosto e cuidado em estar limpo (escovar os dentes, pentear o cabelo, esfregar o cabelo, lavar as mãos, desfralde) ;
  • Gestos de oração e o gosto por rezar (Sinal da cruz, mãos postas) ;
  • Guardar os seus brinquedos e livros no lugar;
  • Colocar a roupa suja no cesto;
  • Jogar a fralda suja no lixo;
  • Regar as plantas;
  • Bons hábitos alimentares (alimentação variada, introdução de açúcar aos poucos) ;
  • Sentar-se a mesa (manuseio dos talheres, comportamento, momento social) ;
  • Bons hábitos de sono;
  • Cumprir pequenas ordens;
  • Corrigir pequenos defeitos;
  • Participar das tarefas domésticas;
  • Afetividade;
  • Pequenas virtudes;
  • Entre outras coisas.

Muitas dessas coisas ele já faz, outras ele está conquistando e outras são objetivos a serem alcançados. Escreverei mais sobre a aquisição dessas competências em outro post.

Psicomotricidade

Permanecemos usando o livro ”Slow and Steady, get me ready”. Mas, mais do que isso, ele está sempre inserido nas atividades domésticas e tem liberdade para explorar o ambiente. Esse livro é muito bom porque temos de construir os brinquedos com coisas velhas, do dia a dia, assim o Bento acaba participando e sendo educado em aproveitar as coisas. Sobre essa questão dos brinquedos costumo fazer um rodízio, mas investimos pouco em brinquedos, principalmente para não estimular o materialismo e o consumismo. E, quando vamos comprar, procuramos investir em brinquedos duráveis, como os de madeira.

Gosto de estimulá-lo com coisas do dia a dia, seja com textura de alimentos ou objetos para ele tocar, ou com coordenação motora tentando encaixar a chave na fechadura ou as tampas nos potes. Pretendo começar a trabalhar receitas com ele também.

Consciência corporal e outros conceitos

Existem conceitos que vão surgindo no dia a dia e gosto de aproveitar a oportunidade para trabalhá-los de forma bem natural. Números, opostos, tamanho, cores, formas, parentesco, animais, flores, frutos, enfim, tudo o que faz parte do nosso dia a dia é sempre uma ocasião de aprender!

Além disso, tenho apresentado ao Bento elementos da nossa cultura e outras culturas também.

Referência

¹ ⁴ ⁵ ⁶ Catherine L’Ecuyer, Educar na curiosidade

² Helena Lubienska, Silêncio, gesto e palavra

³ Dr. Ítalo Marsili, Afetividade Infantil e Harmonia Familiar

Marcelo Morsella

 

 

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Direção Espiritual

Tempo de leitura: 4 minutos

Recebi com alegria o convite de meus queridos filhos espirituais, Gabriel e Rayhanne, para compartilhar um pouco a minha modesta experiência de diretor espiritual. Considerei bem oportuno aos leitores deste blog falar sobre direção espiritual (DE), já que esta é uma ferramenta eficaz para o cultivo da vida espiritual, infelizmente desconhecida e pouco utilizada pelos cristãos de hoje, que mais do que nunca necessitam de ajuda para discernir o trigo do joio, para precaver-se de tantos erros, para adiantar na virtude e para formar os santos que o mundo tanto precisa. Devido a urgência e importância do assunto em questão, propus ao casal de abordá-lo em duas breves partes: a primeira, uma exposição sobre a natureza da DE; a segunda, um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Para a primeira parte, mais teórica, prescindo mais de mim e me baseio em quase toda a exposição no esplêndido e atualizado livro do Pe. Miguel Ángel Fuentes, colega sacerdote do Instituto do Verbo Encarnado, que hábil e sabiamente como ninguém, oferece aos diretores espirituais La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais1 (San Rafael, Argentina, EDIVE, 3ª ed., 2013).

A Direção Espiritual

A prática da DE é um dos tesouros mais valiosos destes dois mil anos de tradição da Igreja, é uma sementeira de vocações à vida consagrada, de sacerdotes fervorosos, de leigos de alto voo e incidência social, de apóstolos de todo gênero, enfim, de genuínos Santos.

O que é a DE

A DE consiste na arte de guiar acertada e progressivamente as almas ao fim da vida espiritual, quer dizer, à perfeição; também pode definir-se como a ajuda que se presta a um cristão para que amadureça em sua fé e vida espiritual. Este ofício exige tanta preparação do diretor que, adverte São João de Ávila, se chama ‘arte de artes’”2.
Hoje, como sempre, –ou talvez mais que nunca– é necessário promover a genuína DE, quer dizer, a guia sobrenatural de almas de maneira séria, científica e exigente, ou simplesmente, católica.

Necessidade da DE

A necessidade da DE tem seu fundamento remoto na Sagrada Escritura, sua proclamação na Tradição da Igreja e sua razão íntima na natureza de nossa vida espiritual e no modo ordinário de obrar da Providência divina.

O Magistério da Igreja confirmou esta prática com sua autoridade, recomendando-a e inclusive prescrevendo-a em determinados casos.

Por exemplo, o Catecismo da Igreja Católica diz:

O Espírito Santo dá a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento em vista do bem comum que é a oração (direção espiritual). Aqueles e aquelas que têm esses dons são verdadeiros servidores da tradição viva da oração:

Por isso, se a alma deseja avançar na perfeição, conforme o conselho de S. João da Cruz, deve “considerar bem em que mãos se entrega, pois, conforme o mestre, assim será o discípulo; conforme o pai, assim será o filho”. E ainda: “O diretor deve não somente ser sábio e prudente, mas também experimentado… Se o guia espiritual não tem a experiência da vida espiritual, é incapaz de nela conduzir as almas que Deus chama, e nem sequer as compreenderá”3.

A Exortação Pastores dabo vobis, falando da DE, diz:

“É preciso redescobrir a grande tradição do acompanhamento espiritual pessoal, que sempre deu tantos e tão preciosos frutos, na vida da Igreja: esse acompanhamento pode, em determinados casos e em condições bem precisas, ser ajudado, mas não substituído, por formas de análise ou de ajuda psicológica. As crianças, os adolescentes e os jovens sejam convidados a descobrir e a apreciar o dom da direção espiritual, e a solicitá-lo com confiante insistência aos seus educadores na fé. Os sacerdotes, pela sua parte, sejam os primeiros a dedicar tempo e energias a esta obra de educação e de ajuda espiritual pessoal: jamais se arrependerão de ter transcurado ou relegado para segundo plano muitas outras coisas, mesmo boas e úteis, se for necessário para o seu ministério de colaboradores do Espírito na iluminação e guia dos chamados”4.

O que falar na DE

O objeto ou matéria da DE são todos os assuntos relacionados a saúde da alma onde tem lugar o desenvolvimento da perfeição cristã. Santo Afonso Maria de Ligório falando aos confessores resume dizendo: “Quatro pontos principalmente atenderá o confessor na direção das almas espirituais: a meditação, a contemplação, a mortificação e a frequência dos sacramentos”5. Outros acrescentam também a prática das virtudes e a santificação das ações ordinárias6. Pode-se acrescentar ainda o trabalho para moldar o próprio caráter e temperamento, discernimento de situações meramente humanas como relacionamentos, decisões, estudo, trabalho, mas que poderiam afetar direta ou indiretamente a vida espiritual ajudando-a ou atrapalhando-a.

Finalidade da DE

A DE tem como fim último levar as almas à perfeição. Tem também fins intermédios, segundo as diversas etapas da alma. Podemos indicar quatro finalidades subordinadas, que são curar e fortalecer as fraquezas humanas, precaver dos perigos, discernir os espíritos que movem à alma e prepará-la para que responda com docilidade às exigências da graça.

Qualidades da DE

A DE para que seja autêntica e frutuosa tem que reunir várias características. As principais com relação ao diretor são: que seja científica, prudente, firme, caridosa e adaptada ao dirigido.

Quem pode ser diretor espiritual

Ordinariamente o sacerdote porque se dá propriamente um encargo por parte da Igreja; ele exerce uma direção ministerial, cuja missão está implícita na missão de santificar às almas por todos os meios possíveis, que recebe no momento da ordenação sacerdotal.

Qualidades do diretor espiritual

As qualidades do bom diretor espiritual se deduzem das qualidades que deve ter a boa DE: santidade, prudência, experiência, ciência e qualidades humanas7 , como: um sadio e cordial afeto, o dom de entender às pessoas, a arte de sugerir com simplicidade e eficácia, a magnanimidade e a confiança.

 

Se Deus quiser, em breve votarei para falar um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Que Deus abençoe você!

Pe. Fábio Vanderlei, IVE


Referências

  1. La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais.
  2. São João de Ávila, Audi filia, 4.
  3. Catecismo da Igreja Católica, nº 2690.
  4. São João Paulo II, Pastores dabo vobis, 40.
  5. Santo Afonso María de Ligorio, A prática do confessor, nº 99. Cf. 100-133.
  6. Cf. Garrigou-Lagrange, As tres idades da vida interior, Vol, I.
  7. Cf. Mendizábal, Dirección espiritual.

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

Como lírio entre os espinhos

Tempo de leitura: 3 minutos

No Ofício da Imaculada Conceição há o seguinte trecho: “Qual lírio cheiroso entre espinhas duras, tal sois vós Senhora entre as criaturas”. A Virgem Maria já havia recebido esse título nas Sagradas Escrituras: “Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.’’ (Cantares 2,2)

Comentando esta passagem, Santo Afonso Maria de Ligório, no seu livro Glórias de Maria, imagina Deus dirigindo-se a Virgem Maria com estas palavras: “Filha por excelência entre o resto das minhas filhas, sois como o lírio entre os espinhos, pois todas as outras foram manchadas pelo pecado, e só vós fostes sempre imaculada e sempre minha amiga”. Outra comparação faz Santa Brígida: “Assim como o lírio cresce entre os espinhos, assim cresceu Maria entre os sofrimentos”. 

O lírio, por sua beleza pura e sublime perfume, é usado com frequência para designar as virtudes. Ele pode, porém, ser aplicado também a uma porção de coisas boas que, em nossas vidas, restam no meio dos espinhos. Esta é a nossa interpretação da missão a qual o Senhor nos chamou e chama a todas as famílias: “Sicut lilium inter spinas’’, ser como lírio entre os espinhos. Assim como Nossa Senhora, devemos crescer entre os sofrimentos.

A Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’ nos traz o que é essa missão: 

§50. «Cada família comunicará generosamente com as outras as próprias riquezas espirituais. Por isso, a família cristã, nascida de um matrimônio que é imagem e participação da aliança de amor entre Cristo e a Igreja, manifestará a todos a presença viva do Salvador no mundo e a autêntica natureza da Igreja, quer por meio do amor dos esposos, quer pela sua generosa fecundidade, unidade e fidelidade, quer pela amável cooperação de todos os seus membros» .

§52. «A família, como a Igreja, deve ser um lugar onde se transmite o Evangelho e donde o Evangelho irradia. Portanto no interior de uma família consciente desta missão, todos os componentes evangelizam e são evangelizados. (…)Uma tal família torna-se, então, evangelizadora de muitas outras famílias e do ambiente no qual está inserida». «A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada».

§54. Animada já interiormente pelo espírito missionário, a Igreja doméstica é chamada a ser um sinal luminoso da presença de Cristo e do seu amor mesmo para os «afastados», para as famílias que ainda não crêem e para aquelas que já não vivem em coerência com a fé recebida: é chamada «com o seu exemplo e com o seu testemunho» a iluminar «aqueles que procuram a verdade».”

Quando nos dispomos a amar como Nosso Senhor nos ensinou, podemos dizer, em parte, como nos diz Santa Teresa: ‘’cum dilatasti cor meum’’, dilatastes o meu coração. O amor tem essa característica e capacidade de se dilatar em todas as direções porque não se encerra em si mesmo, senão que transborda ao encontro do outro. 

Dessa forma, acolhemos, por sugestão do nosso amado diretor espiritual, esta missão e também experiência de dilatar o coração da nossa família para tantos outros corações. 

Que o bom Deus nos dê a Sua benção e a Santíssima Virgem nos acompanhe! E que todos sejam bem vindos, como diria São Josemaria, ao nosso lar “luminoso e alegre”!


Referências

  1. Ofício da Imaculada Conceição
  2.  Cantares 2,2
  3. Glórias de Maria
  4. Familiaris Consortio
  5.  É Cristo que passa

Blogue da família Zago, da terceira ordem do Verbo Encarnado.