Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Por que falhamos em sermos santos?

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A vocação universal à santidade foi revelada por nosso Senhor no sermão da montanha quando disse “Sedes perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). Ele não falava apenas para seus apóstolos e, portanto, bispos da Igreja, mas a todos que lhe ouviam, logo, todos nós. Também o Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium nos dá as razões do chamado universal à santidade:

  1. Exigências do batismo – temos o dever de desenvolver a graça recebida.
  2. O primeiro mandamento – que nos obriga a “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” (Mc 12, 28-30), que, se cumprido fielmente, consiste precisamente na santidade.
  3. Devido ao mandamento de nosso Senhor no sermão da montanha.

É claro que este dever é da busca sincera da santidade (que é o trabalho de uma vida!) e não sermos santos aqui e agora. Contudo, observando a realidade de nosso tempo, vemos que, mesmo dentro da Igreja, é difícil encontrar pessoas detentoras de virtudes heroicas. Segundo o padre Antonio Royo Marín, a principal razão é que nós não empregamos os meios necessários para alcançar a santidade.

Estes meios podem ser divididos em dois grupos:

  1. Naturais
    1. Falta de energia de caráter.
  2. Sobrenaturais
    1. Falta do verdadeiro desejo de santidade.
    2. Falta ou deficiência de direcionamento espiritual.

Falta de energia de caráter

A Graça divina pode encontrar obstáculos naturais para agir em nós e é nosso dever acabar com estes obstáculos naturais (de ordem psicológica, emocional ou mesmo física) para recebermos as graças que Deus nos tem reservado. O principal obstáculo de ordem natural para alçar vôos mais altos na vida espiritual é justamente a falta de energia de caráter. Vivemos em uma geração de homens e mulheres incapazes de se esforçar minimamente para alcançar qualquer objetivo que seja um pouco penoso.

Isso se vê claramente em vários aspectos das pessoas da nossa geração, dentre tantos:

  • Incapacidade de tomar decisões sérias e permanentes: muitos acabam pulando de curso em curso, presos numa eterna adolescência em que, sustentados pelos pais, esperam em suas camas confortáveis por um emprego que cairá do céu ou por um cargo público que seja digno dele.
  • Busca incessante pelo prazer: o que também se mostra na incapacidade de sofrer, mesmo que minimamente. Vemos mulheres que desmaiam só de pensar num parto normal (mesmo que seja muito melhor para ela e para o filhos) e homens que não querem nem saber de serem pais (ainda mais depois de descobrirem que precisam ficar acordados à noite e que fraldas não se trocam automaticamente).

Devemos, como nos exorta Santa Teresa, buscar a fonte de água viva com determinada determinação! Só assim a Graça divina poderá agir em nós.

Falta do verdadeiro desejo de santidade

Este motivo se relaciona bastante com o anterior, mas enquanto aquele é natural, este é sobrenatural. O verdadeiro desejo de santidade tem algumas características fundamentais e é bom citá-las para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa caminhada espiritual.

O verdadeiro desejo de santidade é sobrenatural, ou seja, provém de Deus e tem por objetivo Sua maior glória e a salvação das almas e, por isso, deve ser profundamente humilde, sabendo que tudo provém de Deus e que, se dependêssemos somente de nossas forças seríamos os mais desprezíveis pecadores.

Uma característica do verdadeiro desejo de santidade que muito nos falta é a confiança completa em Deus, é esta característica que nos fará seguir crescendo espiritualmente mesmo diante das grandes dificuldades que certamente surgirão. É aqui que muitos de nós falhamos em nos conformarmos em Cristo.

Muitas vezes Deus nos pede provas de nosso amor por Ele, como fez com Abraão ao pedir-lhe o sacrifício de seu amado filho (Gen 22). Abraão teve de mostrar que seu amor a Deus era maior até mesmo que seu amor pela vida de seu filho. Reparem que esta prova vai muito além de deixar de pecar: devemos colocar em prática a completude do primeiro mandamento desejando a santidade acima de todas as coisas!

Na vida espiritual, quem não avança regride. Logo, nada de descansar! Quem dá desculpa de tirar férias da vida espiritual acaba por deixar a vontade fraca e, por conta disso, tem maiores dificuldades para retornar ao ponto em que estava. Portanto, sempre em frente, ou, como diria meu amigo Pier Giorgio Frassati,Verso l`alto!

A falta de regularidade também é um grande inimigo da busca pela santidade, muitas pessoas, ao saírem de retiros ou exercícios espirituais, tem grandes intuitos e propósitos que acabam sendo deixados de lado às primeiras dificuldades. É importantíssimo ter constância na vida espiritual!

A última característica do verdadeiro desejo de santidade é que ele deve ser prático e eficaz. Deve-se dispor de todos os meios aqui e agora para ser santo! Muitas vezes vamos deixando pra depois, para depois das férias, para depois da faculdade, para depois de curada minha doença. De adiamento em adiamento a vida passa e acabaremos por nos apresentar a Deus de mãos vazias das graças que não quisemos receber.

Falta ou deficiência de direcionamento espiritual

Quando observamos a vida dos grandes santos de nossa amada Igreja percebemos que, a grande maioria deles, contava com um diretor espiritual de grandes virtudes!

As características de um bom diretor espiritual já foram tratadas num excelente texto do nosso pai espiritual. Resumidamente, ele deve ser um sacerdote sábio, discreto, experiente, ciente de teologia, intensamente piedoso, humilde e, claro, zeloso pela santificação das almas! Sei que não é fácil encontrar sacerdotes assim, infelizmente (foi por este motivo que nos mudamos de cidade quando nos casamos). São João da Cruz afirma que:

“Para este caminho, ao menos para o que nele há de mais elevado, e ainda mesmo para o mediano, dificilmente se achará um guia cabal que tenha todos os requisitos necessários.”

Deve-se pedir, suplicar a Deus que lhe envie um santo diretor espiritual para ajudar na salvação de sua alma, que é a missão mais importante de nossas vidas!

Vejamos alguns santos que tiveram diretores espirituais também santos: Santa Joana de Chantal teve como diretor espiritual São Francisco de Sales e depois São Vicente de Paulo.  São Vicente de Paulo foi também diretor de S. Luisa de Marillac. Santa Gema teve um diretor santo: o Padre Germano é Venerável e está a caminho dos altares. São Paulo da Cruz foi diretor da Venerável Madre Crucifixa – cofundadora das passionistas e da Venerável Lucia Burlini que era leiga. O Beato Miguel Sopocko foi diretor de Santa Maria Faustina Kowalska. São Cláudio de la Colombiere foi diretor de Santa Margarida Maria Alacoque. No início da sua vida espiritual, Santa Teresa foi muito ajudada por S. Pedro de Alcântara. O Servo de Deus Padre Arintero foi diretor da Ven. Madre Maria Amparo e da Ven. Madre Madalena. E não podemos nos esquecer do grande São João Bosco que teve por diretor espiritual São José Cafasso!

Portanto, é de suma importância que se tenha direcionamento espiritual adequado. Hoje em dia as tecnologias de telecomunicações ajudam bastante visto que a direção espiritual pode ser feita à distância.

Espero que este texto tenha sido de ajuda para reconhecer em que estamos errando na busca pela perfeição cristã, para que, corrigindo, possamos alcançar o fim de nossa vida que é nos assemelharmos a Cristo Nosso Senhor!


Referências

Direção Espiritual

Tempo de leitura: 4 minutos

Recebi com alegria o convite de meus queridos filhos espirituais, Gabriel e Rayhanne, para compartilhar um pouco a minha modesta experiência de diretor espiritual. Considerei bem oportuno aos leitores deste blog falar sobre direção espiritual (DE), já que esta é uma ferramenta eficaz para o cultivo da vida espiritual, infelizmente desconhecida e pouco utilizada pelos cristãos de hoje, que mais do que nunca necessitam de ajuda para discernir o trigo do joio, para precaver-se de tantos erros, para adiantar na virtude e para formar os santos que o mundo tanto precisa. Devido a urgência e importância do assunto em questão, propus ao casal de abordá-lo em duas breves partes: a primeira, uma exposição sobre a natureza da DE; a segunda, um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Para a primeira parte, mais teórica, prescindo mais de mim e me baseio em quase toda a exposição no esplêndido e atualizado livro do Pe. Miguel Ángel Fuentes, colega sacerdote do Instituto do Verbo Encarnado, que hábil e sabiamente como ninguém, oferece aos diretores espirituais La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais1 (San Rafael, Argentina, EDIVE, 3ª ed., 2013).

A Direção Espiritual

A prática da DE é um dos tesouros mais valiosos destes dois mil anos de tradição da Igreja, é uma sementeira de vocações à vida consagrada, de sacerdotes fervorosos, de leigos de alto voo e incidência social, de apóstolos de todo gênero, enfim, de genuínos Santos.

O que é a DE

A DE consiste na arte de guiar acertada e progressivamente as almas ao fim da vida espiritual, quer dizer, à perfeição; também pode definir-se como a ajuda que se presta a um cristão para que amadureça em sua fé e vida espiritual. Este ofício exige tanta preparação do diretor que, adverte São João de Ávila, se chama ‘arte de artes’”2.
Hoje, como sempre, –ou talvez mais que nunca– é necessário promover a genuína DE, quer dizer, a guia sobrenatural de almas de maneira séria, científica e exigente, ou simplesmente, católica.

Necessidade da DE

A necessidade da DE tem seu fundamento remoto na Sagrada Escritura, sua proclamação na Tradição da Igreja e sua razão íntima na natureza de nossa vida espiritual e no modo ordinário de obrar da Providência divina.

O Magistério da Igreja confirmou esta prática com sua autoridade, recomendando-a e inclusive prescrevendo-a em determinados casos.

Por exemplo, o Catecismo da Igreja Católica diz:

O Espírito Santo dá a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento em vista do bem comum que é a oração (direção espiritual). Aqueles e aquelas que têm esses dons são verdadeiros servidores da tradição viva da oração:

Por isso, se a alma deseja avançar na perfeição, conforme o conselho de S. João da Cruz, deve “considerar bem em que mãos se entrega, pois, conforme o mestre, assim será o discípulo; conforme o pai, assim será o filho”. E ainda: “O diretor deve não somente ser sábio e prudente, mas também experimentado… Se o guia espiritual não tem a experiência da vida espiritual, é incapaz de nela conduzir as almas que Deus chama, e nem sequer as compreenderá”3.

A Exortação Pastores dabo vobis, falando da DE, diz:

“É preciso redescobrir a grande tradição do acompanhamento espiritual pessoal, que sempre deu tantos e tão preciosos frutos, na vida da Igreja: esse acompanhamento pode, em determinados casos e em condições bem precisas, ser ajudado, mas não substituído, por formas de análise ou de ajuda psicológica. As crianças, os adolescentes e os jovens sejam convidados a descobrir e a apreciar o dom da direção espiritual, e a solicitá-lo com confiante insistência aos seus educadores na fé. Os sacerdotes, pela sua parte, sejam os primeiros a dedicar tempo e energias a esta obra de educação e de ajuda espiritual pessoal: jamais se arrependerão de ter transcurado ou relegado para segundo plano muitas outras coisas, mesmo boas e úteis, se for necessário para o seu ministério de colaboradores do Espírito na iluminação e guia dos chamados”4.

O que falar na DE

O objeto ou matéria da DE são todos os assuntos relacionados a saúde da alma onde tem lugar o desenvolvimento da perfeição cristã. Santo Afonso Maria de Ligório falando aos confessores resume dizendo: “Quatro pontos principalmente atenderá o confessor na direção das almas espirituais: a meditação, a contemplação, a mortificação e a frequência dos sacramentos”5. Outros acrescentam também a prática das virtudes e a santificação das ações ordinárias6. Pode-se acrescentar ainda o trabalho para moldar o próprio caráter e temperamento, discernimento de situações meramente humanas como relacionamentos, decisões, estudo, trabalho, mas que poderiam afetar direta ou indiretamente a vida espiritual ajudando-a ou atrapalhando-a.

Finalidade da DE

A DE tem como fim último levar as almas à perfeição. Tem também fins intermédios, segundo as diversas etapas da alma. Podemos indicar quatro finalidades subordinadas, que são curar e fortalecer as fraquezas humanas, precaver dos perigos, discernir os espíritos que movem à alma e prepará-la para que responda com docilidade às exigências da graça.

Qualidades da DE

A DE para que seja autêntica e frutuosa tem que reunir várias características. As principais com relação ao diretor são: que seja científica, prudente, firme, caridosa e adaptada ao dirigido.

Quem pode ser diretor espiritual

Ordinariamente o sacerdote porque se dá propriamente um encargo por parte da Igreja; ele exerce uma direção ministerial, cuja missão está implícita na missão de santificar às almas por todos os meios possíveis, que recebe no momento da ordenação sacerdotal.

Qualidades do diretor espiritual

As qualidades do bom diretor espiritual se deduzem das qualidades que deve ter a boa DE: santidade, prudência, experiência, ciência e qualidades humanas7 , como: um sadio e cordial afeto, o dom de entender às pessoas, a arte de sugerir com simplicidade e eficácia, a magnanimidade e a confiança.

 

Se Deus quiser, em breve votarei para falar um pouco da minha experiência como diretor espiritual de leigos, especialmente jovens e casais.

Que Deus abençoe você!

Pe. Fábio Vanderlei, IVE


Referências

  1. La ciencia de Dios, manual para diretores espirituais.
  2. São João de Ávila, Audi filia, 4.
  3. Catecismo da Igreja Católica, nº 2690.
  4. São João Paulo II, Pastores dabo vobis, 40.
  5. Santo Afonso María de Ligorio, A prática do confessor, nº 99. Cf. 100-133.
  6. Cf. Garrigou-Lagrange, As tres idades da vida interior, Vol, I.
  7. Cf. Mendizábal, Dirección espiritual.

O Sagrado Coração de Jesus no lar

Tempo de leitura: 6 minutos

Antigo costume

O mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, ”que tanto amou os homens”.

Antigamente, era comum entrar em uma casa e ver um quadro ou imagem do Sagrado Coração de Jesus, colocado em local de honra. Aos poucos, um outro objeto foi usurpando o lugar de destaque nas casas: a televisão. A devoção ao Sagrado Coração foi sendo substituída por um aparelho que, durante tantas horas do dia, despeja toneladas de lixo imoral dentro dos lares, deseduca as crianças e afasta as famílias da prática dos Mandamentos. E o Sagrado Coração de Jesus, em quantos lares Ele hoje é amado? E quantos lares não tem como centro de sua casa um aparelho de TV?

Escritos do Papa Pio XII

Amados esposos cristãos, que seja exposta e honrada em vossa casa a imagem do Sagrado Coração que ‘tanto amou os homens’, como a dos parentes mais queridos e íntimos. (…) Exposta e honrada significa que a imagem não deve apenas velar num quarto, acima do leito dos pais ou dos filhos, mas ser exposta em lugar de honra, acima da porta de entrada, na sala de jantar, na sala de estar, ou em outro local mais frequentado da casa.

Honrada significa que diante da preciosa estátua ou modesta imagem, a mão cautelosa colocará, ao menos de vez em quando, alguma flores, acenderá uma vela ou conservará, como sinal constante de fé e amor, a luz de uma lâmpada. É neste lugar, diante do Sagrado Coração, que todas as noites se reunirá a família para um ato coletivo de ação de graças, uma humilde oração de penitência e um pedido de novas bênçãos.

Honra-se devidamente o Sagrado Coração em uma casa quando nela todos e cada um o reconhecem como o Rei do Amor; esta submissão se assinala pelo ato de consagração da família ao Coração de Jesus. (…) Mas quem se consagra deve cumprir as obrigações que ao ato impõe. Quando o Sagrado Coração reina verdadeiramente numa família – e de fato Ele tem o direito de reinar sempre -, uma atmosfera de fé e piedade envolve as pessoas e as coisas daquela casa. Portanto, afaste-se dos lares consagrados tudo o que entristeceria o Sagrado Coração: lazeres perigosos, infidelidades, intemperanças, livros, revistas e imagens hostis à religião e aos seus ensinamentos. Afastem-se, nas relações sociais, as condescendências hoje tão corriqueiras, que pretendem conciliar a verdade com o erro, a libertinagem com a moral, e a injustiça egoísta e avara com as obrigações da caridade cristã.

Na família consagrada, os pais e os filhos sentem-se sob a vista e familiaridade do próprio Deus; assim sendo, são também dóceis aos Seus mandamentos e aos preceitos da Sua Igreja.

Diante da imagem do Rei dos Céus, que veio ser o seu amigo na terra e eterno hóspede, eles enfrentam sem medo, mas não sem mérito, as fadigas dos deveres cotidianos, os sacrifícios que as dificuldades extraordinárias às vezes impõe, todas as provações que a Providência envia.

A devoção

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi se desenvolvendo ao longo dos séculos. Foi para uma religiosa da ordem fundada por São Francisco de Sales que Nosso Senhor apareceu para difundir a devoção ao seu Adorável Coração: no século XVII, para Santa Margarida Maria Alacoque, freira da Ordem da Visitação. Nosso Senhor explicou a finalidade dessa devoção ao dizer as seguintes palavras para Santa Margarida Maria:

“Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, ao ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões.”

Amor e reparação é o que pede o Sagrado Coração de Jesus. Amor, para pagar na mesma moeda, Aquele que tanto nos amou. Reparação, para desagravá-lo e consolá-lo dos ultrajes feitos ao seu amor infinito. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve ser, então, uma devoção de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e de reparação ao amor de Cristo ultrajado pelos nossos pecados. Não deve ser uma devoção sentimental, mas que nos leve efetivamente à santidade.

Nas aparições, Nosso Senhor fez 12 promessas:

1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”.

2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.”

3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”.

4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”.

5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”.

6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”.

7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias”.

8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”.

9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.”

10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos ”.

11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração”.

12ª Promessa: “A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.

Para evitar que tão bela promessa seja tratada de modo supersticioso, é importante que se comungue em estado de graça e que se confie na misericórdia divina, que é o conteúdo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A graça da perseverança final, embora não possa ser merecida, é ladeada por esses sinais.

Portanto, a prática das nove primeiras sextas-feiras do mês não é uma mágica, mas uma realidade pedagógica, para que os fiéis se habituem a viver em estado de graça, crescendo na devoção eucarística e na confiança na misericórdia de Deus. Só assim, orando humilde e confiantemente ao Sagrado Coração de Jesus, a alma pode alcançar a graça da penitência final.

A entronização no lar

Entre as doze promessas, duas delas dizem respeito diretamente à família. Aos devotos do seu Sagrado Coração, Nosso Senhor diz : « colocarei a paz em suas famílias ». Ele diz também : « Abençoarei as casas em que a imagem do meu Coração for exposta e honrada. » Se essas promessas relativas à família são importantes em todo tempo, elas são ainda mais importantes nesses tempos atuais, em que o demônio e o mundo atacam tão brutalmente a família.

Foi introduzida, a partir dessas duas promessas, a prática da entronização do Sagrado Coração de Jesus nos lares, para atrair sobre as famílias as bênçãos divinas e a paz de Jesus Cristo. Todavia, não basta expor a imagem do Sagrado Coração. Não basta o simples gesto da entronização, da consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus. É preciso procurar vivê-la.

Ao entronizar o sagrado Coração no lar, a família afirma reconhecer Nosso Senhor como o soberano do lar, como o Rei da família. A família se engaja a obedecer às leis de Cristo, seus mandamentos. Ao entronizar o Sagrado Coração de Jesus, a família faz a entrega total de si a Nosso Senhor. Ela se consagra verdadeiramente a Ele. E aos que se consagram com reta intenção ao seu Sagrado Coração, Jesus fez a seguinte promessa: “Ninguém que se consagra ao meu Divino Coração morrerá sem a graça.” Assim, a família deve procurar realmente viver a consagração ao Sagrado Coração de Jesus.

Cada um da família deve procurar ter uma devoção sólida ao Sagrado Coração de Jesus. Em seguida, a família deve ter uma devoção familiar ao Sagrado Coração de Jesus. Os membros da família devem fazer algumas das orações em família diante da imagem entronizada do Sagrado Coração, como, por exemplo, rezar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em família. Sem essa devoção familiar, não haverá frutos da entronização ou muito pouco fruto.

Assim, essa família poderá suportar com méritos e alegria as fadigas dos deveres quotidianos, os sacrifícios próprios da vida familiar, todas as provações que a Providência enviar. A família encontrará repouso e consolo no Sagrado Coração. A família poderá enfrentar devidamente as cruzes e tirar delas frutos para a glória no céu.

”Queridos filhos, vivendo já neste mundo unidos a Jesus, recebendo-O com frequência na Sagrada Comunhão, venerando todos os dias a Sua imagem, não abandonareis a terra senão para ir contemplar eternamente a luminosa e beatífica realidade deste Divino Coração.”

Papa Pio XII


Referências