Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

A verdadeira dignidade da mulher – parte 2

Tempo de leitura: 5 minutos

Ontem lançamos a primeira parte do artigo ”A verdadeira dignidade da mulher.” Hoje trouxemos sua continuação!

Desfiguração do ser feminino: o feminismo

Sob a premissa de uma suposta luta por igualdade entre os sexos, excelente combustível do marxismo cultural, o feminismo foi ganhando espaço entre nós. Mas que igualdade é essa? Se pararmos para estudar e pensar, no fundo, a raiz do feminismo é um ódio ao feminino, pois busca transformar as mulheres em homens. Deus nos criou, ao homem e à mulher, iguais em dignidade, a Sua imagem e semelhança, mas quis que houvesse diferenças entre os dois sexos. Estas diferenças entre “ser homem” e “ser mulher” fazem com que exista uma complementariedade entre nós, não para que sejamos um maior do que o outro, mas sim uma perfeita harmonia.

Dizer que não há mulheres que sofram, que não exista uma realidade de opressão ou homens ruins é fechar os olhos para uma realidade tão triste como a das mulheres do oriente (como as muçulmanas) e negar a existência do pecado original. Há sim situações em que mulheres, até mesmo próximas de nós, são humilhadas, violentadas, e tudo isso é consequência do pecado, não da natureza da mulher e do homem, muito menos de Deus. O feminismo não busca resolver esses problemas, visto que para isso é necessária uma cruzada pela santidade. Ao contrário, ele busca culpar o homem e vitimizar a mulher até mesmo quando a situação exige justiça. Há inúmeros casos de mulheres que cometem abusos até mesmo de seus próprios filhos, que traem, que humilham seus esposos e tanto mais.

Toda a tragédia do feminismo contemporâneo tem sua origem na falta de fé e na perda do sentido sobrenatural. Vivemos em um mundo tão profundamente mergulhado no secularismo que a maioria de nós sequer tem noção de que somos influenciados por essa desastrosa ideologia. A ”filosofia” do feminismo ao declarar guerra à feminilidade está, na verdade, declarando guerra à Cristandade, afinal, o grande aliado das mulheres é Cristo.

Aos poucos o feminismo veio trazendo para a sociedade valores que foram sendo absorvidos e tidos como normais, em busca de uma certa liberdade da mulher. Mas que liberdade seria essa? Pesquisas apontam que as mulheres de hoje estão mais infelizes do que jamais estiveram nos últimos 35 anos.⁶ A suposta liberdade tão ferrenhamente defendida pelas feministas na verdade é uma prisão.

O surgimento das pílulas anticoncepcionais liberou a mulher de que? De ter filhos? Não, liberou-a da pureza. Arrancou dela a virtude e a dignidade e a jogou na lama do pecado e da depravação, tornando-a objeto para os homens. Arrancou dela o amor e a consciência da sua vocação, originada em Deus, raiz de sua felicidade terrena e eterna, dando para ela um útero estéril, doenças físicas (trombose, DSTs e tantas outras) e uma consciência tão pobre e deturpada que renega a sua própria natureza de ser mãe.

O divórcio liberou a mulher de que? De uma instituição social? Não, liberou-a da segurança de um relacionamento estável, de um homem que lhe provesse em suas necessidades, de uma família firme na rocha que é Cristo. Colocou-a no último dos lugares, dependendo de pensões, submetendo seus filhos a situações de estresse, falta de estabilidade, brigas, isso quando não fazem seus animais de estimação de filhos, com medo de envelhecer, travando uma luta contra o ritmo natural do próprio corpo, preocupadas em atrair relacionamentos fracassados que só buscam o prazer, vazio existencial e tanto mais. Jogou-a no mercado de trabalho a pontapés.

A igualdade entre os sexos a liberou de que? De uma opressão por ser considerada inferior? Não, liberou-a de ser ela mesma, de ser mulher, da sua própria feminilidade que é um dom, uma riqueza, que é belo, que é profundo, que traz felicidade, que realiza. Transformou-a em um ser raivoso, obscena, vulgar e irada, incapaz de se sacrificar por alguém, petulantes, superficiais, maliciosas e exageradamente sensuais. Arrancou toda a sua ternura, sensibilidade e deu a ela a triste realidade de ser manipuladora, fofoqueira, ansiosa e ambiciosa. Arrancou sua natureza espiritual profundo, deixando-a um ser oco, vazio, onde abundam partes do corpo mas falta alma. Ela quer tanto ser um homem que tem se liberado das normas mais básicas de higiene para se parecer com ele, transformando-se em um ”macho mal acabado”.

A ida ao mercado de trabalho liberou a mulher de que? Da humilhação de depender de um marido que a provesse em suas necessidades? Não, liberou-a da sua própria família, da sua felicidade, do seu reino que é o lar para jogá-la na sarjeta das empresas que não estão interessadas em mais nada do que em escravizá-las. Arrancou a mulher do seu reino calmo e tranquilo para subjugá-la em um ambiente estressante, sugando todas as suas energias e tempo para que não se dedique a família, para que não se case, para que se divorcie, não tenha filhos e passe a sua vida acreditando que está fazendo uma grande obra, quando na verdade está erigindo um castelo de areia.

O caminho de volta

Uma coisa é certa: quando chegar a hora, nada que tiver sido produzido pelo homem subsistirá. Um dia, todas as realizações humanas serão reduzidas a um monte de cinzas. Por outro lado, todas as crianças nascidas de mulher viverão eternamente, pois a elas foi concedida uma alma imortal, feita à imagem e semelhança de Deus. Sob essa luz, a afirmação de Simone de Beauvoir de que “as mulheres não produzem nada”, mostra-se especialmente ridícula.”

É preciso trilhar o caminho de volta para casa e isso significa duas coisas: mais do que voltar para o lar, principalmente, devemos voltar para Deus, caminhando dentro de nós, redescobrindo, à luz da fé a nossa autêntica natureza, missão e vocação. É um caminho árduo mas essa é a verdadeira libertação da mulher, que a libera de tantos estereótipos e a faz fiel ao plano de Deus, Sabedoria Infinita, que lhe criou única, um jardim com tantas flores, um castelo ornado com tantas joias.

Essa é a nossa coroa de glória: a família. Coroa que tantas vezes floresce, mas na maior parte das vezes é de espinhos. As pequenas recompensas recebemos todos os dias, mas a grande recompensa está guardada para o entardecer da vida. Só quem tem os olhos voltados para o Alto consegue entender e enxergar coisas que passam tão despercebidas para aqueles “que tem olhos mas não veem” (cf. Salmos 113, 13). Verdadeiramente, a Cruz para o mundo é loucura, mas para nós que cremos, é salvação.

Que os nossos olhos aprendam do modelo perfeito da feminilidade, Maria Santíssima, mulher forte por excelência e só assim seguiremos seguras pelo caminho que mais do que nos realiza, faz de nós santas, amantes do único Amor amável, fonte de todos os amores, o Doce Jesus.

Referências

5 Alice von Hildebrand, O privilégio de ser mulher

Phyllis Schlafly, O outro lado do feminismo

 

Aproveito para indicar outros livros:

Kimberly Hanh, Amor que dá vida

Mary Pride, De volta ao lar

Pe. Geraldo Pires, As três chamas do lar católico

Pio XII, Casamento e família

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

2 Comments

  1. Gleicielle P. S. Pereira

    22 de Abril de 2018 at 23:12

    Estou muito feliz em ter encontrado esse site. Tem me ajudado imensamente, por favor não parem, preciso de vocês. Estou ansiosa para o próximo post. Salve Maria Santíssima.

  2. Obrigada por esse texto!

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