Feminilidade

Mulheres: quem somos?

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Desde as primeiras ondas do feminismo nos venderam uma ideia de que as mulheres têm de perder a sua genuína delicadeza e substituí-la por uma força, que na verdade não passa de uma agressividade. Se hoje há tanta dificuldade em viver a vocação feminina, não posso deixar de pensar que a raiz está no simples fato de que nós mulheres estamos perdidas: não sabemos quem somos e para o que fomos criadas.

A melhor comparação que conheço sobre ser mulher é a do papa Pio XII que diz que a mulher é o Sol.
Ela é o sol porque irradia luz e calor. A mulher ilumina a realidade, o ambiente e também as ideias, por isso é a fiel conselheira do marido, dos familiares, dos amigos. Ela aquece e aconchega, todo mundo sabe quando entra em uma casa se naquele lugar há um lar porque a presença e o cuidado feminino tornam o ambiente e as relações acolhedoras.

A mulher é o sol porque é o centro. O homem governa, mas governa em torno dela e lhe tem mil cuidados, ouve suas ponderações, faz de tudo para agradá-la e lhe fazer feliz se ela assume ser esse sol. Ao redor dela irradia a alegria contagiante que reúne toda a família sob o cuidado de suas mãos diligentes.

A mulher é o sol porque dá vida. Ela atrai todos para si. A vida só existe a partir dela, não só porque gera fisicamente, mas porque torna viva a vida de todos com seu espírito alegre, com sua doação total de si mesma, com sua resignação e fortaleza ante os sofrimentos e sacrifícios.

A mulher é delicada e bela. Mas sobretudo, para o homem, é um mistério. A primeira expressão de Adão diante de Eva foi de admiração por sua beleza e por seu mistério, pois ela foi criada enquanto ele dormia. A mulher é um sonho…

Sua ternura vence as guerras. Seu bom humor desenvolve disposição nos demais. Seu acolhimento lhe faz confiável e conselheira, porto seguro para o descanso. Até suas correções destilam mel.

Ela antecipa as necessidades de todos e lhes satisfaz com mil delicadezas.
A mulher é forte na sua doação de si mesma: nasceu para amar e se realiza amando.

É próprio da mulher se expandir

A mulher foi criada para ser o auxílio do homem. Para isso, foi dotada de diversas qualidades que ele não tem. A atividade do homem é unilateral, ele não é capaz de dar atenção à duas coisas ao mesmo tempo. Mas a mulher lhe expande o horizonte, abre seu olhar, lhe dá uma infinidade de detalhes e minúcias. Se o homem governa a casa, sem dúvidas é pelo ponto de vista da mulher que ele toma as decisões. Mas isso só acontece se ela lhe é companheira ao invés de rival. Não fomos criadas para competir com o homem, mas para o completar.

O pecado de Eva revela a grande fraqueza feminina mas também seu grande poder: a persuasão. Não é pelo grito, pela força ou pela agressividade que a mulher vence as guerras cotidianas. Mas, sim, com a sua ternura que influencia o homem, com a amorosidade de suas palavras que o convencem e arrastam, com a doçura e o encanto do seu jeito simples de proceder.

A mulher se expande para acolher o homem na relação conjugal, se expande para gerar uma nova vida e também se expande e se dilata para dar à luz ao rebento de seu ventre.

A mulher é bela se sorri, pois se as expressões faciais são fechadas e contraídas, lhe tiram a expansão natural. Ela foi criada para iluminar e aquecer.

A mulher se expande para acolher o outro. Antecipa as necessidades do próximo em qualquer lugar ou situação, pois seus olhos não estão em si mesma.

Nada torna a mulher mais estéril do que egoísmo, pois ela foi criada para se doar, para dar-se toda, para dar a vida. A mulher se expande para amar e só se realiza amando.

A mulher foi criada como um dom para o homem e para a humanidade. E só será esse dom quando entender que sua força está na fragilidade de sua feminilidade plenamente vivida.

O dom da persuasão

O homem tem a palavra final, mas a mulher tem todas as palavras até chegar a essa última. A mulher tem uma grande arma, que pode ser usada para o bem ou para o mal: o seu poder de convencimento. Nós temos exemplos muito claros a respeito deste assunto na Sagrada Escritura: a persuasão de Eva para que Adão pecasse e a persuasão de Maria para que Jesus fizesse seu primeiro milagre para socorrer a necessidade daquele casal. Também podemos citar a persuasão de Herodíades e de sua filha pedindo a cabeça de São João Batista e a persuasão da rainha Ester para salvar o seu povo.

Objetar contra a tão famigerada submissão feminina geralmente acontece por falta de conhecimento do grande dom que a mulher tem ou acredita-se que todo homem carece de virtudes. Se é verdade que ao homem compete governar a casa e tomar decisões, sem dúvidas ele faz isso levando em conta todas as informações e até mesmo as vontades da mulher.

É este o papel feminino: dar ao homem aquela multitude de informações que provém do seu coração, da sua percepção intuitiva, da sua capacidade não abstrata de prever percalços e dificuldades, da sua delicadeza em desvendar erros e se precaver. Tudo isso com sua natural amorosidade e capacidade de diálogo, pois uma vez que se fala com dureza, se suscita a ira, como está na Escritura.

Não é pelas reclamações, pela agressividade, pela chatice, pela cobrança, não é por ficar chateada ou irritada, nem por falar mil vezes a mesma coisa; mas é pela ternura que a mulher leva o homem até a sua última palavra. E, por ser tão sábia e o fazer de forma tão natural, faz tudo isso sem que o homem note aonde quer ser levado. Muitas vezes o homem toma uma decisão dada pela mulher, acreditando piamente que decidiu aquilo por si.

Algumas vezes os homens terão de decidir contra a opinião da mulher: são situações onde ela está totalmente tomada pelos sentimentos e ele precisa agir racionalmente pelo bem da família. Outras vezes a mulher terá de chefiar sua casa porque o marido é incapaz de fazê-lo. Mas ela o fará de forma tão imperceptível que os filhos sempre acreditarão que o pai tudo governa, como um rei. Tudo isso está na Casti connubii.

Não subvertamos a ordem natural querida por Deus. O rei dá as ordens mas nunca sem aconselhar-se com sua rainha, pois nela confia, com ela se importa, quer agradar-lhe.

O centro da mulher é sua vida afetiva

A mulher é voltada para o interior, pois foi feita do corpo de Adão e não do barro da terra. Ela é voltada para a humanidade, para as pessoas. O fato do homem ser a cabeça da mulher nada mais é do que ser uma torre que a fixe no mundo exterior. Ele é o ponto fixador e orientador da mulher fora de si mesma, ele mostra e garante para ela qual o seu lugar no mundo, sua segurança e estabilidade.

A mulher nasceu para amar e ser amada. Toda sua vida gira em torno de sua afetividade.

Quantas mulheres permanecem por anos como meninas adolescentes e mimadas querendo apenas receber amor? A mulher é aquela que ama. A ela compete o primado do amor. Por isso, em geral, tende a ser mais madura que o homem.

A mulher está onde está o seu coração. O seu mundo e a sua vida compreendem aquilo que ela ama. Por isso, o homem consegue deixar fora de casa os problemas de trabalho. Mas a mulher não conhece separação entre mundos: seu mundo é tudo aquilo que ama. Por isso dificilmente consegue desvincular um problema de trabalho com a pessoa que o cometeu e então fica ressentida pessoalmente.

Se uma mulher está com problemas em casa, não consegue fazer mais nada da vida. Fica paralisada. E quanto mais problemas afetivos tem, mais desestabilizada fica, mais desorientada e incapaz de se doar. Uma mulher que não se doa torna-se amarga, agressiva, fecha-se tanto até definhar em seu estéril egoísmo. A mulher não nasceu para centrar-se em si mesma.
E, se a mulher está mal, toda a família fica, pois ela é o coração da casa.

A mulher só é feliz se é amada, mas um amor terreno é incapaz de saciar totalmente sua sede de amor. Seu coração tem de estar derretido no Coração Divino e extraindo de lá todo o amor que precisa, será capaz de exercer sua vocação plena: amor atuante, vela que se consome sem cessar.

A beleza da mulher

A beleza de uma mulher está em sua alma em graça. Só assim sua aparência exterior torna-se verdadeiramente encantadora.

Não há beleza em uma feição irritada, fechada, carrancuda ou como bem define o papa Francisco: numa cara de cemitério. Nenhum acessório ou maquiagem, nenhuma cor é capaz de dar vida ao rosto de uma mulher nublada pela falta de sorrisos. E nenhuma mulher é capaz de sorrir genuína e constantemente se não estiver com o coração ancorado no Coração Manso e Humilde de Nosso Senhor, se não tiver os olhos sobrenaturais que veem todos os acontecimentos como disposições da Providência de Deus Pai amoroso que não dá o mal a Seus filhos, mas somente o Bem. Olhos que veem além do sofrimento porque no centro da alma já antecipam o céu.

A mulher é o sol do lar porque ilumina com sua presença benevolente, com sua aparência colorida que contrasta com as cores sóbrias do pai, com seu sorriso radiante, com sua resignação suave ante as provações. A mulher tempera a vida da família com sua própria vida, dela irradia a luz que ilumina e aquece os seus. Se a mulher está nublada e amarga, toda a família fica assim.

A mulher tem vocação oblativa não só por sua fortaleza e capacidade natural em suportar e amar os sacrifícios, mas porque somente mediante a Cruz que abraça é capaz de gerar vida fecunda: seja física seja espiritual.
Como dizia Santa Teresinha, “o coração é meu, mas meu rosto é dos que amo”.

A mulher é toda receptividade

Deus fez a mulher da costela de Adão ao invés do barro da terra. Desta forma, a mulher é toda sensibilidade. Não foi feita da frieza da terra, mas do calor do corpo. Não foi feita para a exterioridade do mundo natural, mas para a interioridade do mundo de cada pessoa.

A mulher nasceu para receber. Ela recebe o homem em seu corpo e a criança em seu ventre.

É a mulher quem recebe as demandas de todos em casa e as resolve. Marido, filhos, amigos… todos procuram a mulher para resolver seus conflitos, seus problemas, para pedir conselhos, contar suas conquistas ou simplesmente para marcar médicos, encontrar objetos ou organizar uma papelada.

Somente uma mulher é capaz de fazer uma visita ser bem recebida, seja por sua capacidade inata de acolher, seja porque só sua presença viva e amorosa são capazes de transformar uma casa em um lar.
A mulher recebe as informações do mundo de cada pessoa e as interpreta, gera soluções. Longe dela qualquer e toda agressividade, pois sua constituição de alma feminina é toda receptividade.

Foi Maria quem recebeu o Anjo e, depois, o Verbo Divino. Foi ela quem recebeu o Divino corpo deposto da Cruz e depois o Ressuscitado. Foi ela quem acolheu os apóstolos em suas dúvidas e desolações.

São as mulheres as primeiras a receberem o anúncio do Evangelho e a transmiti-lo aos homens, escreve Jo Croissant no livro A mulher sacerdotal.
A mulher recebe, acolhe, guarda, sustenta e eleva. Toda mulher tem grande desejo de dar e receber amor. E é justamente essa receptividade que faz da mulher tão capaz de se doar até o aniquilamento de si mesma. Receber o outro é constantemente esquecer de si.


“É pela oferta de seu coração, até o dilaceramento, até o trespasse, que ela se torna ‘a mulher sacerdotal’.”

Jo Croissant, A mulher sacerdotal

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE"Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.'' (Sta Teresa dos Andes)

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