Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Author: Gabriel Zago (page 1 of 4)

Direção Espiritual: o diretor, parte 2

Tempo de leitura: 5 minutos

Continuando nossa série sobre Direção Espiritual, hoje trazemos a segunda parte do artigo sobre o Diretor. Se você perdeu a primeira parte, basta acessar esse link.

b) Qualidades morais do diretor

São aquelas que sem ser absolutamente indispensáveis para a técnica da direção espiritual, contribuem poderosamente em seu complemento e perfeição.

Intensa piedade. Segundo São João da Cruz o discípulo não é maior que o mestre, pelo qual devemos procurar um sacerdote de intensa piedade.

A razão disto é que ninguém pode dar o que não tem, nem mais do que tem. E se o mestre não tem vida interior ou é muito fraca, está radicalmente incapacitado para levar a maior altura seu discípulo.

Pode-se dizer que a santificação é obra do Espírito Santo mediante sua graça e que ela não precisamente se dispõe do instrumento para comunicar-se. Mas devemos dizer que:

1- Deus normalmente se acomoda às disposições próximas dos instrumentos que utiliza e não prescinde deles, a não ser por via de exceção e de milagre. 

2- aliás, se fosse assim estaríamos admitindo que não é necessária outra direção que a do Espírito Santo para a santificação, o qual é contrário a toda a tradição.

A piedade do diretor espiritual deve estar formada pelas grandes verdades da fé cristã:

– O centro de sua vida deve ser Cristo.

– Deve procurar a Glória de Deus, sobretudo.

– Deve ter um profundo sentimento de filiação adotiva, que lhe faça ver a Deus como seu pai e aos homens como seus irmãos.

– Deve ter um grande amor a Maria Santíssima.

– Deve praticar o recolhimento interior, o desprendimento das coisas da terra, deve ter um profundo espírito de oração.

Zelo ardente pela salvação das almas. E esta qualidade é uma consequência da anterior, porque quem tem piedade ardente, tem zelo pela salvação das almas. O amor de Deus nos impulsiona a trabalhar para estender seu reinado sobre as almas e o amor pelas almas faz que nos esqueçamos de nós mesmos para pensar somente na santificação das almas ante Deus e para Deus. Sem este zelo, a direção espiritual resultará ineficaz para a alma, já que faltará o estímulo do diretor espiritual para continuar apesar das dificuldades e se converterá para o diretor numa carga insuportável porque sua missão é dura e requer muita abnegação e espírito de sacrifício.

Bondade e suavidade de caráter. O zelo ardente, se não vai acompanhado da bondade corre o perigo de se transformar numa intransigência (Falta de tolerância) e incompreensão terrível, que nunca dá bons resultados. O diretor deve pensar que há de estar animado pelos mesmos sentimentos de Cristo, o Bom Pastor, que vai procurar a ovelha perdida; que não quebra o caniço rachado nem apaga a mecha que ainda fumega. E que acolhe a todos com imensa bondade e compaixão. Não deve esquecer como dizia São Francisco de Sales: “Se consegue mais com um pouco de mel que com um barril de fel”.

Disse o autor Ribert: “A perfeição é uma obra difícil, sobretudo em seus inícios, pelos temores que se inspira e os obstáculos que são preciso superar. Um rigor excessivo e reprovações intempestivas terão o efeito de desanimar as almas e comprometer, talvez para sempre, a obra de sua santificação. Isto é: particularmente nas almas fortemente tentadas, em espíritos poucos abertos, em caráteres suscetíveis, em naturezas débeis e inconstantes, a severidade lhes desconcerta, lhes exaspera, lhes impede a abertura do coração, a confiança e a esperança. A miséria humana e as dificuldades das virtudes recomendam, pois, no diretor, uma paciência inalterável”.

O diretor deve estar animado de sentimentos verdadeiramente paternais, deve ter a obsessão com uma missão de formar Cristo nas almas que Deus lhe confia, até pode dizer como São Paulo: “Filhinhos meus, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4,19).

Deve ser o báculo que sirva para manter em pé, ou para ferir e lastimar. As almas que querem ser tratadas com bondade. Há de procurar o diretor atrair a sua confiança e obediência com uma imensa bondade e suavidade no seu trato, sem prejuízo de manter com energia inquebrantável os princípios mesmo da direção. Santa Joana de Chantal dizia: “À medida que vou vivendo mais vejo fazer-lhes cumprir seu dever sem tirania. Porque, afinal de contas, nossas irmãs são ovelhas de Nosso Senhor; está nos permitido conduzi-las, tocá-las com o cajado, mas não esmagá-las”.

Profunda humildade. O diretor necessita de uma grande dose de humildade por três razões:

Em primeiro lugar por ordem a Deus que “… Resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes” (1Pd 5,5). Sem as luzes de Deus não servem de nada todas as ciências e sabedoria humana na obra da santificação.

Em segundo lugar, por relação a si mesmo. O humilde desconfia de si mesmo não é audaz para resolver irreflexivamente as dificuldades que se lhe apresentam, estuda, medita, consulta se for preciso a outros mais doutos do que ele toma muitas preocupações para assegurar o acerto nas suas decisões.

Em terceiro lugar, por ordem das almas. A humildade atrai e cativa a todo o mundo. Uma repreensão feita com humildade se recebe com gosto e agradecimento; mas, se faz com soberba não é bem recebida e causa mais dano que ajuda.

O diretor deve imitar Jesus Cristo, que era “Manso e humilde de coração” (Mt 11,29) e só procurava o trato das almas a Glória de seu pai (Jo 8,50) sem deixar aquela energia divina que corrigia os vícios e pecados e manifestava ao mundo a verdade.

Perfeito desinteresse e desprendimento no trato com as almasO diretor deve amar as almas não pelas satisfações e consolos que possam lhe proporcionar, senão unicamente para levá-las a Deus.

Santo Agostinho adverte que “os que conduzem as ovelhas de Cristo como se fossem próprias e não de Cristo, demonstram que se amam a si mesmos e não ao Senhor”. E São Lourenço Justiniano cataloga semelhante proceder e roubo, sacrílego, já que reivindica para si mesmo o que é de Cristo e que Ele reclama imperiosamente.

Nem sequer deve lhe importar a gratidão ou ingratidão das almas. Deve deixar com serenidade que abandonem a direção espiritual para ir com outro diretor, sem ter lhes dado nem um motivo para isso. Jamais deve considerar aos outros diretores espirituais como rivais ou competidores, numa missão na qual ninguém pode ter a presunção de obter o monopólio e exclusividade.

Embora possa pedir-lhes a ajuda das orações, não lhes impunha jamais o menor sacrifico ou mortificação para seu proveito próprio. Sua norma única de conduta deve inspirar-se na fórmula sublime do Apocalipse: “Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém”.

Estas são as principais qualidades morais que deve ter o Diretor Espiritual. Precisamente por serem tantas e tão perfeitas, não é muito fácil encontrar um bom diretor. Assim pensam São João da Cruz, São João de Ávila,  São Francisco de Sales: devemos escolher um entre dez mil.

Entretanto, não devemos pensar que a alma que não pode ter um bom diretor espiritual, não possa chegar à perfeição. Porque se tem o ardente desejo de santificar-se e de ser em tudo fiel à graça de Deus, segundo as moções do Espírito Santo, não deixará de ser santa porque seu diretor espiritual não é competente.

A Direção Espiritual, enquanto é um meio muito útil e moralmente necessário para a santificação, não é absolutamente necessário. Se não encontrar o diretor adequado ou se a direção não for tão boa mesmo assim com a graça de Deus se pode alcançar a santidade.

Fonte:

Apostila de Espiritualidade, Instituto do Verbo Encarnado

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

Trintena a São José

Tempo de leitura: 3 minutos

Ó amabilíssimo patriarca São José! Desde o abismo da minha pequenez e miséria contemplo-Vos com emoção e alegria da minha alma em Vosso trono do céu, como glória e gozo dos bem-aventurados, mas também como pai dos órfãos na terra, consolador dos tristes, amparador dos desvalidos, auxiliador dos anjos e santos diante do trono de Deus, de Vosso Jesus e de vossa Santa Esposa.

Por isso, eu, pobre, desvalido, triste e necessitado, a Vós dirijo hoje e sempre minhas lágrimas e penas, minhas súplicas e clamores da alma, meus arrependimentos e minhas esperanças ; e especialmente hoje, trago-Vos diante do Vosso altar e da Vossa imagem uma pena que consoleis, um mal que remedieis, uma desgraça que impeçais, uma necessidade que socorrais, uma graça que obtenhais para mim e para meus seres queridos.

E para comover-Vos e obrigar-Vos a ouvir-me e obter-me estas graças, Vo-las pedirei e demandarei durante trinta dias contínuos, em reverência aos trinta anos que vivestes na terra com Jesus e Maria e o farei urgente e confiantemente, invocando todos os títulos que tendes para compadecer-Vos de mim e de todos os motivos que tenho para esperar que não dilatareis ao ouvir minha súplica e remediar minha necessidade sendo tão certa minha fé em Vossa bondade e poder, que ao senti-la, Vos sentireis também obrigado a obter e dar-me ainda mais do que Vos peço e desejo.

* Peço-Vos pela bondade divina que obrigou ao Verbo Eterno a encarnar-se e nascer na pobre natureza humana, como Filho de Deus, Deus homem e Deus dos homens.

* Suplico-Vos por vossa ansiedade imensa ao sentir-Vos obrigado a abandonar a Vossa Santa Esposa.

* Rogo-Vos por Vossa resignação dolorosíssima para buscar um estábulo e um presépio para palácio e manjedoura de Deus nascido entre os homens.

* Imploro-Vos pela dolorosa e humilhante circuncisão de Vosso Jesus; e pelo Santo, Glorioso e Dulcíssimo nome que lhe impusestes por ordem do Pai Celeste.

* Demando-Vos por Vosso sobressalto ao ouvir do anjo a morte decretada contra Vosso Filho Deus; Por Vossa obedientíssima fuga ao Egito, pelas penalidades e perigos do caminho, pela pobreza extrema do desterro e por Vossas ansiedades ao voltar do Egito a Nazaré.

* Peço-Vos por Vossa aflição dolorosíssima de três dias, ao perder Vosso Filho e por Vossa consolação suavíssima ao encontrá-lo no templo; por Vossa felicidade inefável dos trinta anos que tivestes em Nazaré com Jesus e Maria sujeitos à Vossa autoridade e providência.

* Rogo-Vos e espero pelo heroico sacrifício com que oferecestes a vítima de Vosso Jesus ao Deus Eterno, para a cruz e para a morte, pelos nossos pecados e nossa redenção.

* Demando-Vos pela dolorosa previsão que fazíeis todos os dias ao contemplar aquelas mãos infantis perfuradas depois na Cruz por pregos agudos; aquela cabeça que se reclinava dulcissimamente sobre Vosso peito, coroada de espinhos; aquele divino corpo que apertáveis contra o Vosso coração, despido, ensanguentado e estendido sobre os braços da Cruz naquele último momento que lhe víeis expirar e morrer.

* Peço-vos por Vossa dulcíssima passagem desta vida nos braços de Jesus e Maria, Vossa entrada no limbo dos Justos e ao fim nos céus.

* Suplico-Vos por Vosso gozo e Vossa glória, quando contemplastes a Ressurreição do Vosso Jesus, sua subida e entrada nos céus, seu trono de Rei imortal dos séculos.

* Demando-Vos por Vosso inefável júbilo, quando vistes sair do sepulcro a Vossa Santíssima Esposa ressuscitada, e ser assunta ao céu pelos anjos, coroada pelo Eterno e entronizada num sólio junto ao Vosso.

* Peço-Vos e rogo-Vos confiantemente pelos Vossos trabalhos, penalidades e sacrifícios na terra e por Vossos triunfos, glórias e feliz bem-aventurança nos céus, com Vosso Filho Jesus e Vossa esposa Santa Maria.

Ó meu bom patriarca São José! Eu, inspirado nos ensinamentos da Santa Igreja, de seus Doutores e Teólogos, e no sentido universal do povo cristão, sinto em mim uma força misteriosa, que me alenta e obriga a pedir-Vos e suplicar-Vos e esperar que me obtenhais de Deus a grande e extraordinária graça que vou por diante da Vossa imagem e do Vosso trono de bondade e poder nos céus:

(Aqui se faz o pedido)

Obtende-me também para os meus e para os que pediram que rogue por eles, tudo quanto desejam e lhes é conveniente. – Rogai por nós, ó glorioso patriarca São José. – Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

OREMOS: Ó Deus, que em vossa inefável Providência escolhestes São José para esposo de Maria, Mãe do Vosso Filho, fazei que, venerando-o na terra como protetor, mereçamos tê-lo como intercessor nos céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

O Valor das Dificuldades

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Conheço muita gente que vive reclamando das dificuldades da vida. Eu mesmo o faço com muito mais frequência do que gostaria de admitir (me livrar disto é, inclusive, um dos meus propósitos de ano novo). Para nos livrarmos deste vício devemos pensar um pouco sobre este assunto e se realmente convém que as dificuldades de nossa vida desapareçam.

O que são dificuldades?

Uma definição de dificuldade que muitos concordariam é:

‘Dificuldade é aquilo que surge como obstáculo para o nosso bem’.

Se avaliarmos cuidadosamente a definição acima perceberemos que as dificuldades nem sempre surgem “do nada” (afinal é comum que fiquemos doentes, percamos oportunidades de emprego ou mesmo que esteja muito quente este ano) e não são obstáculos para o nosso verdadeiro Bem, mas para um objetivo que queremos alcançar (não sofrer, termos boas condições financeiras ou simplesmente ficar num ambiente com boa temperatura). Para nós, cristãos,

“o bem- a verdadeira realização de si mesmo – não é satisfação do egoísmo, mas aquilo que a doutrina católica denomina com precisão, o bem da virtude.” (Francisco Faus)

Logo, é o amadurecimento das virtudes que nos leva ao verdadeiro bem, que gera em nós uma felicidade profunda e plena. Tendo agora uma melhor noção do que é o verdadeiro bem, será que as supostas dificuldades podem nos afastar de alguma virtude sem nossa cumplicidade? Será que algum acontecimento pode nos tornar menos pacientes, menos corajosos, menos fiéis ou menos caridosos? Certamente que não, diz o autor:

A mesma dificuldade que arrasa o egoísta fortalece o santo!

Mas se as dificuldades nos levam ao bem, por que nos aborrecem tanto? Justamente porque nos exigem a bondade, a virtude, nos obrigando a sair do comodismo em que vivemos, o que nos mostra o que realmente somos: egoístas.

Os tipos de dificuldades

Há dois tipos de dificuldades, as subjetivas e as objetivas. As dificuldades subjetivas são aquelas que não são geradas por circunstâncias mas por nossa pouca (ou nenhuma) caridade. Bons exemplos são o pai de família que reclama de ter que brincar com os filhos ao fim de um dia de trabalho ou uma mãe que reclama que o bebê chora demais. São exigências do amor normais do dia-a-dia familiar e não causadas por um infortúnio.

Já as dificuldades objetivas são as trazidas por circunstâncias externas, sejam acidentes, doenças, desemprego e etc. Estas ocasiões nos chamam a fortalecer nossas virtudes e subirmos os degraus rumo à santidade.

A meta errada

Santo Agostinho já resume muito bem o erro que nos faz tão impacientes:

“É melhor capengar pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Pois quem capenga no caminho, ainda que avance pouco, atem-se à meta, enquanto quem vai fora dele, quanto mais corre, mais se afasta.” (Santo Agostinho)

Se temos ideais materialistas e hedonistas, as maiores dificuldades são aquelas que se opõem aos nossos próprios vícios. Por outro lado, se nossa meta é a santidade, todos os acontecimentos são oportunidades de crescermos em virtude, assemelhando-nos assim a Nosso Senhor!

Além deste caso da meta errada, a maioria de nós, cristãos, sofre também por aspirarmos metas baixas. Veja o exemplo da virtude da generosidade: os católicos costumam (ou ao menos costumavam) ter muitos filhos, justamente por amarmos a Deus e, como Ele, querermos transmitir o Amor aos filhos. Pois bem, ao conversar sobre este assunto com muitas famílias que cometem o erro da contracepção ouve-se frases como “dois está bom pra nós” ou mesmo “os tempos são outros, hoje é tudo mais difícil” indicando que filhos seriam algum tipo de dificuldade para alcançar alguma meta. É claro que os filhos dão trabalho, mas não apenas isso! Eles também nos obrigam a deixarmos o egoísmo e alçarmos metas cada vez mais altas de generosidade para com Deus além de nos fazerem praticar as obras de misericórdia como dar de comer a que tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar pousada aos peregrinos, vestir os nus… Eles são uma escada para o céu!

Os bens das dificuldades

Procuremos ver, como nos ensina São Paulo quando diz “todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus (Rom 8, 28)”, que as dificuldades são, na verdade, degraus rumo à perfeição.

As dificuldades nos firmam no bem

Cada dificuldade que surge no caminho dos nossos bons propósitos e nos põe à prova, é um teste! E é só através dos testes que conseguimos observar o nível de nossas virtudes. Uma pessoa que se julga avançada na virtude da fortaleza só pode percebê-lo ao sofrer perseguições e provações da vida. Assim como outra que acha que venceu o vício da ira só vai ter certeza ao passar por situações irritantes do dia-a-dia como sofrer uma fechada no trânsito, perder um compromisso por culpa de outra pessoa e etc…

Além de ótimos “sensores” de virtude, as dificuldades também servem como treinamento para a consolidação das virtudes. Um estudante de álgebra, por exemplo, deve fazer dezenas de exercícios para fixar os conceitos aprendidos em sua mente. Um corredor de maratonas, deve praticar a corrida frequentemente para que seus músculos estejam preparados para a prova. Da mesma forma, é enfrentando e superando uma dificuldade colocada no caminho de uma virtude que a mesma virtude se consolida e se torna forte!

As dificuldades nos fazem crescer

Este bem causado pelas dificuldades já é bastante óbvio neste ponto do texto, mas é importante frisá-lo e ir mais a fundo. Há uma velha frase cristã que diz “na vida espiritual quem não avança retrocede”, ela também pode ser aplicada às virtudes. Quantos de nós não começa relaxando “só hoje” nas orações e termina por entrar num grande deserto espiritual? Ou deixa de confessar-se “apenas desta vez” e acaba ficando meses sem o sacramento da penitência e também da Santíssima Eucaristia? São justamente as vitórias sobre as pequenas dificuldades apresentadas que nos fazem crescer na virtude. Outro ponto importante que aqui pode ser tratado é a superação da dificuldade que mais nos custa. Um pessoa que sofre com grande tendência à impaciência deve fazer um forte propósito de ser muito paciente, só assim conseguirá avançar nesta virtude.

As dificuldades nos purificam

Mesmo as nossas melhores qualidades são misturadas com impurezas. Às vezes obras com ótimas intenções também apresentam vestígios de orgulho, vanglória. Ou até mesmo amizades despretensiosas podem ser manchadas pelo orgulho e vaidade. Neste caso, as dificuldades são como clarões que iluminam as rachaduras numa estrutura para, assim, repará-las! Exemplos comuns podem ser vistos mesmo dentro da vida comunitária quando, nalguma obra ou pastoral, por simples discordância de ideias, o orgulho termina por afastar pessoas que antes eram próximas.

 

Sob a ótica cristã, portanto, as dificuldades são degraus que levam à perfeição e, portanto, sempre que nos depararmos com alguma podemos dizer, confiantes: obrigado, Senhor, por mais esta oportunidade de vos imitar!


Referências

O valor das dificuldades – Francisco Faus

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

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