Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Autor: Lírio entre espinhos (page 2 of 2)

Tríduo Pascal em família – como viver bem?

Tempo de leitura: 4 minutos

A Semana Santa é uma boa ocasião para incutir na família, especialmente nos filhos, o espírito de piedade cristã hoje tão em falta nas famílias. Por ser uma Semana Santa que toca de maneira forte a nossa sensibilidade, pois é a semana da Paixão de Cristo, torna-se uma ocasião oportuna para fazer de algum modo um retiro espiritual em família. Esse retiro pode ser realizado a partir de atitudes como:

1. Confessar-se

Para quem ainda não teve oportunidade ou protelou, ainda é tempo de fazer uma boa confissão e se possível, uma confissão geral.

2. Ter a consciência da importância de participar das cerimônias da Igreja

A Semana Santa é o ápice da vida cristã. Nós pais precisamos não só viver mas também envolver ao máximo nossos filhos nas celebrações litúrgicas. Uma das formas de se viver o Evangelho em família é justamente comprometer-nos nestes momentos fortes da nossa Igreja.
Crianças pequenas não são pensadores abstratos. Para aprender, eles precisam ver. Por isso é importante desenvolver atividades práticas com as crianças e levá-las às celebrações para que vejam e participem concretamente:

  • Na quinta-feira, da Missa de Lava Pés ou In coena Domini, da Ceia do Senhor; seguindo de um tempo de adoração a Nosso Senhor;
  • Na sexta-feira, na Via Sacra, Celebração da Paixão, Procissão do Senhor Morto (a depender da programação de cada paróquia);
  • No sábado, da Vigília Pascal;
  • No domingo, da Assembleia Pascal (a depender da programação de cada paróquia).

3. Manter um verdadeiro espírito de recolhimento e oração

Algumas atividades simples ajudam a tornar o ambiente da casa mais propício ao tempo da Semana Santa:

Cobrir as imagens sacras

Assim como em nossas igrejas, devemos cobrir ou guardar (caso não se tenha o tecido roxo) as imagens sacras desde o V Domingo da Quaresma.
Ao velar o crucifixo (até a Sexta-feira Santa) e as imagens dos santos (até a Vigília Pascal) a Igreja antecipa o luto pela morte de seu Senhor, incutindo nos fiéis uma mortificação à sua visão. Além disso, em casa, essa atitude visual auxilia principalmente as crianças a perceberem que ‘algo diferente’ está acontecendo.

Meditar a Paixão de Cristo

Deve ser dada maior ênfase em meditações da paixão. Aqui usamos o “A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, de Santo Afonso. Como o Bento ainda tem 7 meses, não desenvolvemos uma atividade específica para ele, além das atividades que normalmente já participamos em nossa paróquia.

Manter um clima de silêncio

Apesar das atividades rotineiras, podemos, contudo, diminuir a nossa agitação, as nossas atividades em casa, o uso de meios de comunicação e dedicar mais tempo a uma leitura piedosa do Evangelho da Paixão e outros livros como o livro II da Imitação de Cristo, especialmente capítulos 11 e 12.

O clima da casa deve ser de recolhimento, evitando-se todo barulho ou atividade supérflua, mantendo o espírito de silêncio, através da moderação de palavras, festas e tudo que dissipe o espírito em divagações supérfluas.

De quarta feira até depois da Páscoa nenhuma atividade desnecessária será feita em nossa casa. Esses dias são reservados para Nosso Senhor.

Intensificar a oração e as penitências

Aproveitemos esse tempo de silêncio e sobriedade, intensifiquemos a nossa vida de penitência e meditemos sobre o infinito amor do Senhor, o qual, “amando os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Além disso, são oportunas as orações e penitências em família definidas em comum acordo entre pais e filhos.

Aqui, por exemplo, escolhemos ter uma alimentação simples durante a semana santa para que no domingo de Páscoa tenhamos um belo almoço bem alegre! Assim aproveitaremos para sofrer junto com o Senhor e nos mortificarmos e também celebraremos com grande alegria a Ressurreição!

A sexta-feira da Paixão

Cozinha

A sexta feira da Paixão é um dia bastante quieto para nós. Há pouco para se fazer na cozinha, já que o jejum é rigorosamente observado nesse dia. Como eu amamento e o Bento ainda é bebê, eu faço um jejum mais leve. Já o Gabriel cumpre o jejum completo.
Uma dica é deixar praticamente tudo preparado já na quinta-feira, como os legumes e temperos picados, para não ter imprevistos ou atividades exageradas durante a sexta-feira.

Crianças

Durante as refeições todos podem ser incentivados a comer em silêncio e a ter pouco barulho pela casa – a respeito de barulhos que podemos controlar, é claro. Quem tem crianças pequenas sabe que há barulhos inevitáveis, o que é completamente normal.
A vivência familiar não é uma regra engessada, devemos lembrar que crianças são crianças, e também nem por isso devem ser flexibilizadas demais e esperar que não possam alcançar altos ideais. Mas também devemos ter expectativas baixas para não nos frustrarmos. O fato é que a própria piedade exprimida pelos pais nesses dias, a ausência de barulhos, como os de eletrônicos, ensina e educa a criança a vivenciar o clima de recolhimento, o que não significa que ela ficará imóvel de boquinha fechada.

Podem ser feitos desenhos para colorir, leituras de passagens sobre a Paixão, filmes. Além disso, é oportuno incentivar as crianças a deixarem as frivolidades nesse dia, como os desenhos animados e as guloseimas.

Adultos

Entre os adultos a conversa fica reduzida ao essencial, como se alguém muito amado estivesse deitado morto dentro de nossa casa. Nós usamos esse dia para participar ativamente das atividades paroquiais como a Via Sacra, a Celebração da Paixão, a encenação do Descendimento da Cruz e o Sermão da Solidão de Nossa Senhora.
À noite, antes de dormir, lemos ou assistimos algum filme sobre a Paixão.

Para aqueles que não conseguem participar dos ritos por causa de doença, bebês pequenos, é bom planejar atividades que ajudem a manter o espírito de recolhimento.

O sábado de Aleluia

Já no Sábado Santo as atividades começam a ser retomadas aos poucos, como o preparo dos ovos de Páscoa.
Mas lembre-se, ao contrário do que fazem muitos brasileiros, o sábado ainda não é dia de comemoração. Parece-me que, por ignorância, há uma confusão com o nome Sábado de Aleluia e parte-se para o churrasco durante todo o dia. Guardemos a alegria para após a Vigília Pascal! Pode-se fazer uma bela ceia após a Santa Missa, mas para nós fica muito tarde.

A alegria da Ressurreição

Devemos dar um adeus ao consumismo reinante em nossa sociedade, principalmente em época pascal e natalina. As famílias precisam voltar às tradições e à manufatura, ensinando aos filhos o valor do trabalho e a alegria de viver a fé.
Podem ser feitos ovos de chocolate caseiros ou pintar ovos de galinha por exemplo. Eles são uma boa maneira de expressar a Boa Nova da Ressurreição, pois são símbolo da vida nova.
A alegria é a marca do cristão, por isso o grande dia da ressurreição deve ser vivido como tal. Para isso podem-se colocar músicas alegres que remetam à ressurreição, usar as melhores roupas, fazer um grande almoço pascal e, se possível, convidar amigos ou familiares.


Referências

Blogue da família Zago, da terceira ordem do Verbo Encarnado.

Como lírio entre os espinhos

Tempo de leitura: 2 minutos

No Ofício da Imaculada Conceição há o seguinte trecho: “Qual lírio cheiroso entre espinhas duras, tal sois vós Senhora entre as criaturas”. A Virgem Maria já havia recebido esse título nas Sagradas Escrituras: “Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.’’ (Cantares 2,2)

Comentando esta passagem, Santo Afonso Maria de Ligório, no seu livro Glórias de Maria, imagina Deus dirigindo-se a Virgem Maria com estas palavras: “Filha por excelência entre o resto das minhas filhas, sois como o lírio entre os espinhos, pois todas as outras foram manchadas pelo pecado, e só vós fostes sempre imaculada e sempre minha amiga”. Outra comparação faz Santa Brígida: “Assim como o lírio cresce entre os espinhos, assim cresceu Maria entre os sofrimentos”. 

O lírio, por sua beleza pura e sublime perfume, é usado com frequência para designar as virtudes. Ele pode, porém, ser aplicado também a uma porção de coisas boas que, em nossas vidas, restam no meio dos espinhos. Esta é a nossa interpretação da missão a qual o Senhor nos chamou e chama a todas as famílias: “Sicut lilium inter spinas’’, ser como lírio entre os espinhos. Assim como Nossa Senhora, devemos crescer entre os sofrimentos.

A Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’ nos traz o que é essa missão: 

§50. «Cada família comunicará generosamente com as outras as próprias riquezas espirituais. Por isso, a família cristã, nascida de um matrimônio que é imagem e participação da aliança de amor entre Cristo e a Igreja, manifestará a todos a presença viva do Salvador no mundo e a autêntica natureza da Igreja, quer por meio do amor dos esposos, quer pela sua generosa fecundidade, unidade e fidelidade, quer pela amável cooperação de todos os seus membros» .

§52. «A família, como a Igreja, deve ser um lugar onde se transmite o Evangelho e donde o Evangelho irradia. Portanto no interior de uma família consciente desta missão, todos os componentes evangelizam e são evangelizados. (…)Uma tal família torna-se, então, evangelizadora de muitas outras famílias e do ambiente no qual está inserida». «A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada».

§54. Animada já interiormente pelo espírito missionário, a Igreja doméstica é chamada a ser um sinal luminoso da presença de Cristo e do seu amor mesmo para os «afastados», para as famílias que ainda não crêem e para aquelas que já não vivem em coerência com a fé recebida: é chamada «com o seu exemplo e com o seu testemunho» a iluminar «aqueles que procuram a verdade».”

Quando nos dispomos a amar como Nosso Senhor nos ensinou, podemos dizer, em parte, como nos diz Santa Teresa: ‘’cum dilatasti cor meum’’, dilatastes o meu coração. O amor tem essa característica e capacidade de se dilatar em todas as direções porque não se encerra em si mesmo, senão que transborda ao encontro do outro. 

Dessa forma, acolhemos, por sugestão do nosso amado diretor espiritual, esta missão e também experiência de dilatar o coração da nossa família para tantos outros corações. 

Que o bom Deus nos dê a Sua benção e a Santíssima Virgem nos acompanhe! E que todos sejam bem vindos, como diria São Josemaria, ao nosso lar “luminoso e alegre”!


Referências

  1. Ofício da Imaculada Conceição
  2.  Cantares 2,2
  3. Glórias de Maria
  4. Familiaris Consortio
  5.  É Cristo que passa

Blogue da família Zago, da terceira ordem do Verbo Encarnado.

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