Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Category: Dicas práticas (page 2 of 6)

Visitas ao recém nascido

Tempo de leitura: 5 minutos

Um hábito antigo

Parece ter sido sempre comum o fato de que quando nasce um bebê, todos devem ir visitá-lo. Em nossa cultura isso acabou se tornando uma regra social a ser cumprida. É normal que haja certa ansiedade principalmente dos familiares para conhecer o novo bebê, mas antes de sair correndo, leia com atenção o post a seguir, para entender o que acontece quando chega um bebê numa família. A empolgação e a ansiedade de parentes e amigos para verem o recém-nascido podem se transformar num verdadeiro tormento para os pais e para o próprio bebê, contudo existem indicações que evitam situações inoportunas e fazem com que as visitas sejam um verdadeiro oásis.

Um bebê nasceu

A chegada de uma criança ao mundo é um motivo de grande celebração, uma enorme alegria, um precioso dom de Deus. No entanto, é preciso ter calma, porque nesse momento a família ganha um novo membro e precisa se adaptar às mudanças que acontecem.

Quando um bebê nasce, ele deve ser respeitado em sua saúde, em sua harmonia, em suas necessidades. Um recém nascido não precisa conhecer pessoas que ele não irá se lembrar, não precisa de presentes, de colos, de estresse, de fotos no facebook. Ele precisa da sua família (pai, mãe e irmãos), de ser alimentado, ambiente calmo (silêncio natural da casa, que não é sinônimo de ausência de sons), fraldas limpas e outras coisinhas mais.

As primeiras semanas e talvez os primeiros meses, a depender da família, serão um período intenso de adaptação e atenção ao recém nascido. Por isso, não fique chateado se a família não te der muita bola, afinal a prioridade é o bebê e não as visitas. Até porque grande parte dos bebês demandam muito, seja da amamentação ou sofrendo com cólicas, além de todo o resto que a família tem de manejar.

A mãe

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, seja a mãe do primeiro filho, a mãe do 2°, do 3° ou do 15°. Todo nascimento reclama em nós uma nova maternidade. Mas será que alguém se lembra disso? Muito raramente. A ansiedade em conhecer o bebê é tão grande que a pobre mãe é deixada de lado em sua fragilidade.

Vamos por partes. Os dias de maternidade são um momento delicado, seja de parto normal ou de cesárea, que deixa a maioria das mulheres cansadas, sensíveis e frágeis, talvez com dores nos pontos ou nos seios que podem já estar feridos ao amamentar. Como o bebê mama muito, a maior parte do tempo a mulher estará oferecendo o seio, o que para muitas, pode ser um contrangimento ter de fazer isso na frente de outras pessoas, principalmente por ter de ajeitar a pega e tudo o mais. Sem falar do cansaço, que para algumas, pode ser paralisante.

E, não só por isso, a própria baixa hormonal do corpo pode fazer com que as mulheres passem um tempo com dificuldade de conviver com outras pessoas, lidar com situações estressantes, com os conselhos alheios e sintam-se até mesmo com a privacidade invadida ou inseguras diante de certas situações, o que pode contribuir até mesmo para a baixa produção de leite materno. Isso não é um motivo para se vitimizar e colocar a mãe em um pedestal como se apenas a vontade dela devesse imperar. Mas o bom senso pede que haja muito diálogo entre o casal para que cheguem a um consenso.

E o outro lado também acontece! Para algumas mulheres os hormônios clamam por companhia! Há mulheres que adoram visitas e querem receber todo mundo, principalmente quem puder ir para ajudar! Portanto, não há regra, o que precisa haver é diálogo e respeito, empatia, colocar-se no lugar do outro.

A dica de ouro para as mães talvez seja: sejam vocês mesmas. Às vezes deixamos de receber visitas porque ouvimos várias pessoas dizendo que visita só atrapalha e acabamos nos isolando, sofrendo sem necessidade. Ou então acabamos recebendo visitas mesmo sem estarmos em condições, apenas para agradar as pessoas. O feminismo também nos deixou uma terrível herança, a de acreditar que devemos ser sempre autossuficientes. Isso não é verdade, todos precisamos de ajuda seja para que alguém lave nossa louça, para que nos dê conselhos ou um belo puxão de orelhas para nos encaminhar para o Céu.

O que pode acabar acontecendo muitas vezes é que acabemos nos isolando e afastando as pessoas, e isso também não é saudável. Não podemos ser também bonecas de porcelana que se quebram ao menor sopro. É preciso prudência para respeitar a fragilidade e não fazer disso uma desculpa para nos vitimizarmos.

E, quando nos dispusermos a receber alguém, não nos coloquemos em posição defensiva, principalmente a respeito dos famosos ”pitacos”. Existem muitas pessoas inconvenientes, é verdade, mas a maioria é bem intencionada e só quer ajudar. Nenhuma de nós nasceu sabendo criar filho. Por isso, aprendamos a ouvir tudo, reter o que é bom e responder apenas o que for necessário (como no caso de impor algum limite).

 

O pai

É muito importante o diálogo entre o casal. O pai deve pensar primeiramente no bem-estar da mãe e do filho e poupá-los de maiores estresses. No caso de expor as regras à família dele, deixe ele se impor. Se for com a família da mãe, ela se responsabiliza. A família sente-se no direito de ver o bebê, mas acredito que explicando de forma terna e educada, ninguém será antipático. Muitas vezes o pai ignora a situação da mãe e do bebê por querer receber sua família, amigos do trabalho e tanto mais. Isso acaba colocando a família em conflito em um momento que era para ser de acolhimento, entendimento e cumplicidade.

Este momento é uma possibilidade de grande crescimento também para o pai visto que ele terá a oportunidade de ser muito virtuoso tomando a frente nos afazeres do lar, no cuidado com os demais filhos e, principalmente, com a esposa, que pode estar fragilizada, precisando ainda mais do marido!

Algumas considerações

  • Não fique com receio de visitar, apenas ligue antes para perguntar sobre a possibilidade de ir e não se chateie se a família não puder/quiser te receber;
  • Se aceitarem a visita, pergunte o que pode fazer para ajudar. Ou, mesmo se a visita ficar para outro dia, seja paciente e caridoso, demonstrando que está disponível para alguma necessidade;
  • Pergunte antes se pode levar as crianças e se alguma delas estiver doente, deixe a visita para outra hora;
  • Não fume e não use perfumes ou cremes;
  • Lave bem as mãos quando chegar na casa da pessoa;
  • Espere a família oferecer para pegar o bebê. Existem pais que não gostam que pegue o bebê no colo e outros que não se importam;
  • Só tire fotos se a família permitir e antes de publicar nas redes sociais, peça permissão, afinal o bebê não é seu;
  • Não beije o bebê principalmente no rosto ou nas mãos;
  • Faça visitas rápidas a não ser que a família queira te receber por mais tempo;
  • Segure os palpites inconvenientes, mas não os bons conselhos!

O que posso fazer para ajudar?

Ponha a mão na massa, assim como Nossa Senhora foi ajudar Santa Isabel! Se ofereça para ficar com as outras crianças, para limpar a casa, leve uma comida, converse sobre tudo e mais um pouco, seja rápido se essa for a vontade dos pais, enfim, tanto!

Não existem regras absolutas para visitar um recém nascido ou como se comportar. Logicamente há normas básicas de higiene que devem ser respeitadas, pois é muito triste um recém nascido que se adoenta e até mesmo chega a óbito porque uma visita não tomou medidas básicas, já que a imunidade do neném é quase zero. Não precisa ser o louco do álcool em gel, mas lavar as mãos, não beijar o bebê e não o visitar estando doente já estão mais do que suficientes! O bebê irá crescer e logo estará na companhia de todos!

O mais importante de tudo é respeitar a família: o pai, a mãe, o bebê e as crianças. Cada família é única e gosta de agir de uma forma. Uns não gostam de visitas, outros adoram! Não há maneira correta e não deve haver julgamento, mas empatia, compreensão e muito bom senso.

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Rotina do Bento: 1,5 a 2,5 anos

Tempo de leitura: 8 minutos

 

Terminei, há pouco, o quadro de rotina do Bento que irá funcionar a partir de março desse ano até ele completar 2,5 anos. Deixei o planejamento em funcionamento de teste por um tempo, para verificar o que deveria ser modificado antes de finalizá-lo.

Quando ele tinha 11 meses, disponibilizei seu quadro de rotina que funcionaria até 1,5 ano. Poucas coisas mudaram. Acredito que nessa fase o mais importante seja brincar, ter uma boa rotina e desenvolver bons hábitos. Nada de matérias, atividades sem fim, cursos, estímulos desnecessários e tanto mais.

Penso que, atualmente, com tanta ênfase na vida intelectual, muitos aspectos da vida e da educação das crianças tenham ficado (erroneamente) restritos à essa esfera. O ritmo cada vez mais veloz dos nossos dias também impõe às nossas crianças uma corrida, deixando para trás, muitas vezes, não somente seu ritmo natural de desenvolvimento, mas também, tristemente, a sua infância, por uma adultização cada vez mais precoce.

O “mito do enriquecimento”, interpretação equivocada da literatura neurocientífica, baseia-se na falsa crença de que há períodos críticos durante os quais temos que superestimular as crianças, e não fazê-lo resultaria em “oportunidades perdidas para sempre”. As coisas simplesmente não são assim. A criança pode aprender em um ambiente normal. Não precisamos ficar obcecados por enriquecer o ambiente, convertendo-nos em recreadores atarefados ou animadores de festa infantil.¹

A rotina do Bento é bem flexível, por isso divido o dia em blocos e não tenho dificuldade de deixar de fazer algo se precisar tornar o dia mais leve. Isso é importante também. Provavelmente algumas coisas ficarão suspensas quando a Isabel nascer e aos poucos irão retornando a seu tempo, modo e lugar.

Leitura em voz alta

Isso é o que mais fazemos durante o dia. O Bento simplesmente ama ler e, além dos momentos já preestabelecidos de leitura, ele está sempre pedindo para ler um livro ou outro, várias vezes seguidas pelo dia a fora. Eu preestabeleci esses momentos mais para direcionar a mim do que a ele, para que eu possa realizar diferentes tipos de leitura.

Eu divido livros por blocos semanais, para que, ao mesmo tempo em que se tenha rotatividade de uma semana para outra, ele também possa trabalhar a memória lendo os mesmos livros em dias seguidos. De fato, ele já começou a decorar vários dos livros que temos.

Para ampliar o vocabulário, além dos livros de palavras que utilizamos, estabeleci o objetivo de inserir dois livros novos por mês. E temos o hábito de nomear as coisas o tempo todo.

A evolução da linguagem dele tem sido impressionante. Com 1a4m começou a silabar algumas palavras e com 1a5m começou a falar de fato. Em 15 dias já juntava duas palavras e aprendia várias palavras novas por dia. Hoje, com quase 1a6m ele já forma pequenas frases com 4 palavras, tem muitas pronúncias quase perfeitas, já consegue acompanhar algumas músicas e orações que repetimos sempre. Aprende muitas palavras ao ouvir apenas uma vez. Acredito que grande parte dessa evolução se deva a leitura, hábito que inserimos desde que ele nasceu.

Musicalização

Tenho investido em apresentar músicas variadas, embora ele goste sempre das mesmas. Gostamos muito do CD do Carlos Nadalim, Palavra Cantada, Mozart, Corelli, Bach, Música clássica em geral, Gregoriano, Cantigas de Roda, Músicas tradicionais/populares católicas, medievais.  Além de colocarmos para ele ouvir, temos o hábito de cantar com ele. Há um tempo ele começou a cantarolar sozinho, criando suas próprias músicas.

Também temos o hábito de trabalhar sons de fonemas usando exemplos de animais, como ”a abelha faz zzzzzzzz” e imitar os sons dos bichinhos.

Apesar da música ser ótima para as crianças, não deve ser usada o dia todo. Helena Lubienska² em seu livro ”Silêncio, gesto e palavra” e o dr. Ítalo³ em seu curso sobre Afetividade Infantil deixam bem claro que o ambiente natural da criança deve ser composto de silêncio (aqui toma-se por barulho os gritos, excesso de estímulos auditivos ou visuais, discussões, etc), ordem e tranquilidade.

A educação na beleza

Diziam os gregos que a beleza é “a expressão visível da verdade e da bondade”.  Diante disso, para uma criança, é belo tudo o que respeita a verdade e a bondade do que sua natureza exige. A beleza, para a criança, é tudo aquilo que respeita seus ritmos, as etapas de sua infância, sua sede de mistério, sua necessidade de silêncio, seu encantamento pela natureza, pela realidade, mas além disso, é preciso rodear a criança com a beleza da vida (real e artística). Sendo assim, com belas imagens, por isso é importante ter cuidado com os livros apresentados, com os lugares frequentados, etc; Com músicas educativas de  verdade, ricas em instrumentos, em qualidade de composição e por aí vai. Nada de Galinha Pintadinha, pois nossas crianças merecem e são capazes de apreciar algo muito melhor do que o repetitivo popopó…

Artes

Escolhi o dia de quinta feira para realizar com ele alguma atividade de Artes específica e que precise de alguma preparação, já que nos outros dias basicamente é pintura com giz de cera, massinha ou tinta. Procuro muitas inspirações no Pinterest!

Ar livre

Todos os dias, no fim da tarde, o Gabriel leva o Bento para brincar no parquinho, correr, andar de bicicleta com ele. E nos finais de semana reservamos o domingo para passeios em lugares abertos, já que aqui temos uma grande disponibilidade de parques.

Já escrevi um pouco sobre a necessidade do ar livre, mas recordo alguns benefícios:

  • Afasta o sedentarismo, a preguiça e a passividade;
  • Aprimora os sentidos;
  • Descansa, acalma, fortalece (os músculos, a imunidade e a vontade);
  • Impulsiona a criatividade;
  • E tanto mais!

Nada de dispositivos eletrônicos

Permanecemos com a convicção de não expor o Bento aos aparelhos eletrônicos como celular, televisão, tablet, computador, brinquedos com muitas luzes e sons.

Para quem não sabe, as principais associações pediátricas do mundo insistem em que as crianças com menos de dois anos não devem ser expostas a tela nenhuma e que aquelas entre dois e cinco não devem ser expostas por mais de uma hora ao dia. Não se trata de uma questão educativa, mas de uma questão de saúde pública, que diz respeito à saúde neurológica de nossos filhos, dado que a exposição às telas nessa faixa etária está associada, segundo estudos, à falta de atenção, à impulsividade, ao déficit de aprendizagem, à diminuição do vocabulário etc. O que ocorre é que há muitos mitos tecnológicos por aí, crenças de que as telas favorecem o aprendizado. A Associação Canadense de Pediatria declarou formalmente em 2017: “Não há estudo que respalde a introdução da tecnologia na infância.”

Quando a criança é bombardeada com estímulos contínuos, se acostuma com a motivação externa e sua curiosidade fica adormecida. Então, desaparece o motor interno que a leva a fazer descobertas. Ela deixa de prestar atenção ativamente e se torna desatenta, entediada, ansiosa, hiperativa… Busca sensações novas, ritmos cada vez mais rápidos, fica viciada em velocidade. Eventualmente, a criança não está adaptada à realidade e deixa de prestar atenção, porque a realidade é lenta e exigente, e, então, tudo a aborrece.  Os dispositivos tecnológicos são altamente viciantes, pois introduzem a criança em um círculo de recompensas que se dá por meio da produção do hormônio da dopamina.

Grande parte das pirraças infantis são por excesso de estímulos: muito tempo exposto a luzes no shopping, lojas, supermercados ou as luzes das telas, muitos sons, falta de rotina. Os hiperestímulos causam perturbação na criança e a deixam confusa e irritada.

Esse é um tema que merece vários posts. Aguardem!

Vida de oração

Pela manhã, a oração do Bento é um ato de agradecimento a Deus pela noite e novo dia e oferecimento do dia. Além disso, rezamos o Santo Anjo, a devoção das 3 Ave Marias e leio o Evangelho em voz alta, fazendo uma brevíssima reflexão. Eu rezo as Laudes pela manhã e ele me observa, enquanto brinca.

Durante o dia procuro motivá-lo a dizer jaculatórias e orações breves e espontâneas, para desenvolver nele a intimidade com Deus e o mistério da inabitação (somos morada Dele).

Rezamos o Angelus e a Oração das Refeições antes das refeições principais. No fim da tarde, quando o Gabriel chega, rezamos o Santo Terço e após o jantar, as Completas. Antes de dormir, o Gabriel reza com ele em seu quarto.

Ele acompanha nossa vida de piedade, mas não exigimos dele atitudes adultas. Por exemplo aos sábados rezamos o Ofício da Imaculada, nas quartas a Via Sacra, na quinta fazemos Adoração, na sexta temos direção espiritual/confissão, no sábado temos Eutrapelia e aos domingos, como ápice da semana, vamos à Santa Missa pela manhã e também lemos crônicas dos missionários da nossa Família do Verbo Encarnado.

Graças ao bom Deus temos um convívio maravilhoso e frequente com os padres e as irmãs, que é, para nós e para os nossos filhos um ”antecipo do Céu”.

A partir de agora começarei uma breve e leve catequese, trabalhando de forma mais enfática e profunda algumas Histórias Sagradas que já apresentamos de maneira mais informal. Isso é assunto para um outro post.

Cultivando bons hábitos

Muito mais importante do que ensinar conceitos nessa idade, é ensinar bons hábitos. Por isso, temos nos dedicado a ensiná-lo:

  • Expressões e gestos de cumprimento (bom dia, boa tarde, oi, tudo bem);
  • Expressões de desculpa, por favor e dar licença;
  • Desenvolvendo auto estima;
  • Gosto e cuidado em estar limpo (escovar os dentes, pentear o cabelo, esfregar o cabelo, lavar as mãos, desfralde) ;
  • Gestos de oração e o gosto por rezar (Sinal da cruz, mãos postas) ;
  • Guardar os seus brinquedos e livros no lugar;
  • Colocar a roupa suja no cesto;
  • Jogar a fralda suja no lixo;
  • Regar as plantas;
  • Bons hábitos alimentares (alimentação variada, introdução de açúcar aos poucos) ;
  • Sentar-se a mesa (manuseio dos talheres, comportamento, momento social) ;
  • Bons hábitos de sono;
  • Cumprir pequenas ordens;
  • Corrigir pequenos defeitos;
  • Participar das tarefas domésticas;
  • Afetividade;
  • Pequenas virtudes;
  • Entre outras coisas.

Muitas dessas coisas ele já faz, outras ele está conquistando e outras são objetivos a serem alcançados. Escreverei mais sobre a aquisição dessas competências em outro post.

Psicomotricidade

Permanecemos usando o livro ”Slow and Steady, get me ready”. Mas, mais do que isso, ele está sempre inserido nas atividades domésticas e tem liberdade para explorar o ambiente. Esse livro é muito bom porque temos de construir os brinquedos com coisas velhas, do dia a dia, assim o Bento acaba participando e sendo educado em aproveitar as coisas. Sobre essa questão dos brinquedos costumo fazer um rodízio, mas investimos pouco em brinquedos, principalmente para não estimular o materialismo e o consumismo. E, quando vamos comprar, procuramos investir em brinquedos duráveis, como os de madeira.

Gosto de estimulá-lo com coisas do dia a dia, seja com textura de alimentos ou objetos para ele tocar, ou com coordenação motora tentando encaixar a chave na fechadura ou as tampas nos potes. Pretendo começar a trabalhar receitas com ele também.

Consciência corporal e outros conceitos

Existem conceitos que vão surgindo no dia a dia e gosto de aproveitar a oportunidade para trabalhá-los de forma bem natural. Números, opostos, tamanho, cores, formas, parentesco, animais, flores, frutos, enfim, tudo o que faz parte do nosso dia a dia é sempre uma ocasião de aprender!

Além disso, tenho apresentado ao Bento elementos da nossa cultura e outras culturas também.

Referência

¹ ⁴ ⁵ ⁶ Catherine L’Ecuyer, Educar na curiosidade

² Helena Lubienska, Silêncio, gesto e palavra

³ Dr. Ítalo Marsili, Afetividade Infantil e Harmonia Familiar

Marcelo Morsella

 

 

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

O Valor das Dificuldades

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Conheço muita gente que vive reclamando das dificuldades da vida. Eu mesmo o faço com muito mais frequência do que gostaria de admitir (me livrar disto é, inclusive, um dos meus propósitos de ano novo). Para nos livrarmos deste vício devemos pensar um pouco sobre este assunto e se realmente convém que as dificuldades de nossa vida desapareçam.

O que são dificuldades?

Uma definição de dificuldade que muitos concordariam é:

‘Dificuldade é aquilo que surge como obstáculo para o nosso bem’.

Se avaliarmos cuidadosamente a definição acima perceberemos que as dificuldades nem sempre surgem “do nada” (afinal é comum que fiquemos doentes, percamos oportunidades de emprego ou mesmo que esteja muito quente este ano) e não são obstáculos para o nosso verdadeiro Bem, mas para um objetivo que queremos alcançar (não sofrer, termos boas condições financeiras ou simplesmente ficar num ambiente com boa temperatura). Para nós, cristãos,

“o bem- a verdadeira realização de si mesmo – não é satisfação do egoísmo, mas aquilo que a doutrina católica denomina com precisão, o bem da virtude.” (Francisco Faus)

Logo, é o amadurecimento das virtudes que nos leva ao verdadeiro bem, que gera em nós uma felicidade profunda e plena. Tendo agora uma melhor noção do que é o verdadeiro bem, será que as supostas dificuldades podem nos afastar de alguma virtude sem nossa cumplicidade? Será que algum acontecimento pode nos tornar menos pacientes, menos corajosos, menos fiéis ou menos caridosos? Certamente que não, diz o autor:

A mesma dificuldade que arrasa o egoísta fortalece o santo!

Mas se as dificuldades nos levam ao bem, por que nos aborrecem tanto? Justamente porque nos exigem a bondade, a virtude, nos obrigando a sair do comodismo em que vivemos, o que nos mostra o que realmente somos: egoístas.

Os tipos de dificuldades

Há dois tipos de dificuldades, as subjetivas e as objetivas. As dificuldades subjetivas são aquelas que não são geradas por circunstâncias mas por nossa pouca (ou nenhuma) caridade. Bons exemplos são o pai de família que reclama de ter que brincar com os filhos ao fim de um dia de trabalho ou uma mãe que reclama que o bebê chora demais. São exigências do amor normais do dia-a-dia familiar e não causadas por um infortúnio.

Já as dificuldades objetivas são as trazidas por circunstâncias externas, sejam acidentes, doenças, desemprego e etc. Estas ocasiões nos chamam a fortalecer nossas virtudes e subirmos os degraus rumo à santidade.

A meta errada

Santo Agostinho já resume muito bem o erro que nos faz tão impacientes:

“É melhor capengar pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Pois quem capenga no caminho, ainda que avance pouco, atem-se à meta, enquanto quem vai fora dele, quanto mais corre, mais se afasta.” (Santo Agostinho)

Se temos ideais materialistas e hedonistas, as maiores dificuldades são aquelas que se opõem aos nossos próprios vícios. Por outro lado, se nossa meta é a santidade, todos os acontecimentos são oportunidades de crescermos em virtude, assemelhando-nos assim a Nosso Senhor!

Além deste caso da meta errada, a maioria de nós, cristãos, sofre também por aspirarmos metas baixas. Veja o exemplo da virtude da generosidade: os católicos costumam (ou ao menos costumavam) ter muitos filhos, justamente por amarmos a Deus e, como Ele, querermos transmitir o Amor aos filhos. Pois bem, ao conversar sobre este assunto com muitas famílias que cometem o erro da contracepção ouve-se frases como “dois está bom pra nós” ou mesmo “os tempos são outros, hoje é tudo mais difícil” indicando que filhos seriam algum tipo de dificuldade para alcançar alguma meta. É claro que os filhos dão trabalho, mas não apenas isso! Eles também nos obrigam a deixarmos o egoísmo e alçarmos metas cada vez mais altas de generosidade para com Deus além de nos fazerem praticar as obras de misericórdia como dar de comer a que tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar pousada aos peregrinos, vestir os nus… Eles são uma escada para o céu!

Os bens das dificuldades

Procuremos ver, como nos ensina São Paulo quando diz “todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus (Rom 8, 28)”, que as dificuldades são, na verdade, degraus rumo à perfeição.

As dificuldades nos firmam no bem

Cada dificuldade que surge no caminho dos nossos bons propósitos e nos põe à prova, é um teste! E é só através dos testes que conseguimos observar o nível de nossas virtudes. Uma pessoa que se julga avançada na virtude da fortaleza só pode percebê-lo ao sofrer perseguições e provações da vida. Assim como outra que acha que venceu o vício da ira só vai ter certeza ao passar por situações irritantes do dia-a-dia como sofrer uma fechada no trânsito, perder um compromisso por culpa de outra pessoa e etc…

Além de ótimos “sensores” de virtude, as dificuldades também servem como treinamento para a consolidação das virtudes. Um estudante de álgebra, por exemplo, deve fazer dezenas de exercícios para fixar os conceitos aprendidos em sua mente. Um corredor de maratonas, deve praticar a corrida frequentemente para que seus músculos estejam preparados para a prova. Da mesma forma, é enfrentando e superando uma dificuldade colocada no caminho de uma virtude que a mesma virtude se consolida e se torna forte!

As dificuldades nos fazem crescer

Este bem causado pelas dificuldades já é bastante óbvio neste ponto do texto, mas é importante frisá-lo e ir mais a fundo. Há uma velha frase cristã que diz “na vida espiritual quem não avança retrocede”, ela também pode ser aplicada às virtudes. Quantos de nós não começa relaxando “só hoje” nas orações e termina por entrar num grande deserto espiritual? Ou deixa de confessar-se “apenas desta vez” e acaba ficando meses sem o sacramento da penitência e também da Santíssima Eucaristia? São justamente as vitórias sobre as pequenas dificuldades apresentadas que nos fazem crescer na virtude. Outro ponto importante que aqui pode ser tratado é a superação da dificuldade que mais nos custa. Um pessoa que sofre com grande tendência à impaciência deve fazer um forte propósito de ser muito paciente, só assim conseguirá avançar nesta virtude.

As dificuldades nos purificam

Mesmo as nossas melhores qualidades são misturadas com impurezas. Às vezes obras com ótimas intenções também apresentam vestígios de orgulho, vanglória. Ou até mesmo amizades despretensiosas podem ser manchadas pelo orgulho e vaidade. Neste caso, as dificuldades são como clarões que iluminam as rachaduras numa estrutura para, assim, repará-las! Exemplos comuns podem ser vistos mesmo dentro da vida comunitária quando, nalguma obra ou pastoral, por simples discordância de ideias, o orgulho termina por afastar pessoas que antes eram próximas.

 

Sob a ótica cristã, portanto, as dificuldades são degraus que levam à perfeição e, portanto, sempre que nos depararmos com alguma podemos dizer, confiantes: obrigado, Senhor, por mais esta oportunidade de vos imitar!


Referências

O valor das dificuldades – Francisco Faus

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

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