Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Category: Matrimônio (page 1 of 2)

Para quem nos arrumamos?

Tempo de leitura: 8 minutos

 

Em nossa cultura não temos o bom hábito de nos vestirmos bem para ficar em casa. Na verdade, infelizmente, de uns anos para cá, nem de sair para a rua. Se tem algo que tem decaído de forma rápida e absurda é a forma como as pessoas se vestem. Basta fazer uma autocrítica ou perguntar a um grupo de pessoas (principalmente mulheres) e descobriremos que a maioria de nós usa qualquer coisa para estar no lar.  Seja pela escolha de peças mais confortáveis ou pelo pensamento de que roupas velhas, surradas, manchadas e rasgadas são para serem usadas em casa.  O fato é que, para nós brasileiros, estar arrumado em casa é algo que ficou reservado para as pessoas de alto padrão financeiro, além de ser um mau hábito arraigado em nós. Mas isso é um grande erro.

Mudança de hábito

Para estar bem arrumado em casa não é necessário ter um alto padrão financeiro. Estar sempre bem arrumado significa ter o cabelo penteado, estar com a higiene feita, para os homens a barba feita, para as mulheres um batonzinho, roupas limpas e decorosas, essas coisas. E isso não significa em um lugar específico. Devemos estar sempre assim, pois faz parte da higiene. Muitas pessoas tem a ideia errada do que é estar arrumado e confundem isso com estar vestido como ir para uma festa. ”Simplicidade não é o mesmo que negligência.”1

Inclusive, em nosso país, em sua maior parte, as pessoas acreditam que devam se arrumar apenas para ir para festas e investir em roupas boas e bonitas para essas ocasiões ‘outside‘ (do lado de fora). Acabamos comprando qualquer peça para ficar em casa e então quando vamos ver acaba que as peças não se combinam entre si, por serem de má qualidade logo ficam surradas pois são lavadas várias vezes e daí vem uma série de consequências.

Além disso, é tão decadente a forma de se vestir do brasileiro que, atualmente, nem para sair as pessoas se arrumam. Mesmo estando vestida de forma simples, em geral, na maioria das ocasiões estou destoante das pessoas simplesmente pelo fato de que elas vão para a padaria, para uma festa de aniversário ou para a Santa Missa da mesma forma: de shorts e havaianas.

”Mas o exterior não tem importância!” dirá você, talvez. Mas, diga-me: você pode imaginar Nosso Senhor usando vestes sujas e rasgadas ao ensinar a multidão?” (Tihamer Toth)

”O homem não é só alma, senão também corpo; o que se passa na alma transparece de maneira visível no corpo e os fenômenos próprios da alma refletem-se também no exterior. (…) É preciso que o exterior – as roupas e o asseio corporal – correspondam à ordem interior, à disciplina dos pensamentos, ao asseio moral. Cada vez que vejo alguém com aspecto negligente – sapatos enlameados, rosto mal lavado, unhas de luto, cabelos em desordem, roupas cheias de manchas,- não posso deixar de pensar na desordem ou mesmo na sujeira que lhe deve encher o interior.

Uma aparência exterior agradável tem, pois, a sua importância, é preciso cultivá-la. Mas não lhe digo para seguir todas as loucuras da moda e utilizar todos os requintes da cosmética. O que desejo é asseio do corpo e do vestuário.

O asseio corporal tem sua importância não somente pela saúde mas também para o senso estético. Pouco importa que as roupas sejam novas, mas todos podem cuidar da sua roupa usada, remendada talvez, mas sem manchas nem rasgões, sem nódoas de gordura ou camadas de pó. ”2

Para quem nos arrumamos?

A apresentação pessoal configura a primeira imagem que projetamos aos outros. Se fizermos um exame crítico a respeito da forma com que ficamos em casa, que mensagem estaremos passando aos que amamos? Será que é uma mensagem de cuidado e zelo ou de desleixo e desimportância?

Em geral, quando precisamos sair, seja para o supermercado ou para uma festa, não saímos de qualquer modo. Penteamos os cabelos, cuidamos do rosto, vestimos uma roupa adequada, colocamos um brinco, essas coisas. Então por que para ficar em casa escolhemos a pior forma? Quando trabalhamos fora não nos vestimos de qualquer jeito. Há empregos que exigem até um dress code como uniformes, jalecos,  então porque para o trabalho no lar nos permitimos usar pijamas e moletons?

Quando nos casamos, nosso marido ou esposa tornam-se a pessoa mais importante para nós aqui nessa terra. Então, com que cuidado não deveríamos nos esmerar em estar bem arrumados uns para os outros? Na verdade, cuidamos tanto disso durante o namoro e noivado e, depois do casamento, para muitos é como uma carta de alforria para não mais precisar se cuidar. São Josemaria nos lembra: ”É próprio dos enamorados o cuidado dos detalhes, mesmo nas ações sem importância. Para que no matrimonio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido cada dia; e o mesmo teria que dizer ao marido com relação à mulher. O amor deve ser renovado dia a dia; e o amor se ganha com sacrifício, com sorrisos e com arte também.”3

Ele continua dizendo: ”Quando o marido chega do trabalho, da sua tarefa profissional, que não te encontre reclamando. Arruma-te, fica bonita, e quando passarem os anos, arruma um pouquinho mais a <<fachada>> como se fazem com as casas. Seu marido agradecerá tanto! Nada imuniza tanto o homem contra outras atrações sexuais que o amoroso entusiasmo por uma determinada mulher: sua esposa. É um ato de virtude – da virtude da castidade, em concreto – fazer tudo o que está em nossas mãos para aumentar a atração a e de nosso cônjuge. <<A mulher bem posta tira o homem de outra porta>> ”4

Muitas mulheres reclamam que seus maridos não tem interesse nelas ou que o amor esfriou e muitas vezes, infelizmente, de casos de infidelidade. Mas imagine sair de casa e encontrar dezenas de mulheres cheirosas, agradáveis e bem arrumadas na rua e quando regressar, encontrar uma mulher descabelada, sem escovar os dentes, reclamona e com roupas rasgadas? Não estou dizendo que o amor esteja baseado em aparências, mas sim que o amor exige delicadeza e cuidado. Amar ao outro é querer dar a ele o melhor de mim.

O mesmo vale para os maridos, que tantas vezes acreditam que já ter uma esposa é sinônimo de não precisar se cuidar, achando normal engordar sem parar, andar sem camisa, não ter bons hábitos de higiene e por aí vai.

Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem. 5

A educação para a beleza

Algo tão difícil de desenvolvermos hoje é o senso de beleza. Mas ela permanece sendo uma das faces de Deus, ”beleza tão antiga e tão nova” como exclama Santo Agostinho. Temos tanto cuidado em fazer o caminho de volta e aprender a apreciar a arte, a música, a literatura, mas será que já paramos para pensar sobre o que ensinamos aos nossos filhos quando nos vestimos de qualquer maneira?

De fato, o bom gosto é algo que, em si mesmo, requer formação no sentido mais amplo do termo. Como diz o Papa, «prestar atenção à beleza e amá-la ajuda-nos a sair do pragmatismo utilitarista. Quando não se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que é belo, não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos>>. Ninguém nasce com o bom gosto já formado, pois é parte da educação que se recebe desde pequeno, através da contemplação da beleza na natureza – da sua diversidade e harmonia –, a apreciação de uma obra de música clássica, uma escultura, etc.”

Encontrar os pais sempre polidamente arrumados ensina as crianças não só a apreciar a beleza da ordem, mas também do dever da higiene e da caridade em dar ao outro o melhor de mim. Também educa a respeito da dignidade do corpo e do cuidado com este, que é templo do Espírito Santo. Deus habita em mim e devo dar a Ele uma morada tão boa quanto possa: tanto na alma quanto no corpo.

”Toda mulher entregue – esposa e mãe – deve ter a convicção firme e inamovível de que melhora sua beleza radicalmente humana na exata medida em que torna sua doação ao marido e aos filhos mais atual e operativa. O amor é a nascente da beleza.” (Tomás Melendo) 6

Além disso, especialmente para as mulheres, arrumar-se é um grande ponto para a auto estima. Muitas vezes tantas coisas vão mal porque a mãe vai mal e um ótimo começo é cuidar de si, que, além de ajudar a si mesma, é um ato de doação, de sacrifício, de entrega. São Josemaria diz: ”Fico muito feliz em dizer que a maternidade embeleza. Há algumas que, por egoísmo, pensam que sua formosura vai se estragar. E não. Sois muito mais bonitas as que tivestes muitas vezes o dom da maternidade! ”7

Uma mortificação

Muitos dizem que não se arrumam para estar em casa porque dá trabalho, porque faz muito calor ou frio, porque precisa ter dinheiro, porque precisa ter tempo, e tantas outras desculpas. Realmente usar um pijama ou uma roupinha qualquer confortável certamente é mais agradável. Mas nem por isso significa que é o melhor.

Se é tão custoso arrancar de nós um mau hábito e crescer em virtude, devemos aprender a olhar com olhos espirituais e tomar isto como uma mortificação, um sacrifício. 20 minutos por dia são suficientes para arrumar-se de forma simples, modesta e bela e não há ponto negativo que venha junto com este hábito.

O cuidado especial com a Santa Missa

São Jose maria Escrivá em uma de suas fantásticas homilias, recordando seus tempos de infância, disse: “Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor.”

Afirma ainda: “Quando na terra se recebem pessoas investidas em autoridade, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Cristo na nossa alma, de que maneira não devemos preparar-nos?” 8

Indico estes dois vídeos para reflexão:

 

Pequena dica prática

Aqui nós usamos em casa as mesmas roupas que usamos para trabalhar fora (no caso do Gabriel) e, no meu caso, para ir ao supermercado e afins. Também são as roupas que naturalmente estamos vestidos quando recebemos visitas.

As roupas de Missa são as mesmas que usamos para passeios e festas mais simples, conhecidas como ”roupas de domingo.”

Para eventos mais chiques, como formaturas, casamentos, temos uma ou duas roupas específicas para essas ocasiões. Aqui quanto melhor a qualidade da roupa, mais tempo irá durar. Serão anos e anos indo a casamentos com a mesma roupa e não há problema algum nisso.

Faça o desafio de por uma semana empenhar-se em ficar bem arrumada em casa e veja florescer a auto estima, o relacionamento com o esposo e filhos, a disposição e as virtudes.

Referências

1- Tihamer Toth, A boa educação

2- Idem

3, 4, 5 – São Josemaria, Temas actuais do cristianismo , 107

6 – São Josemaria e família, Lares luminosos e alegres

7 – São Josemaria, encontro realizado em SP

8 – São Josemaria, Homilias sobre a Eucaristia

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

O nascimento da Maria Isabel: “Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo.” (Santa Teresinha)

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“O meu coração está pronto, meu Deus” (Salmos 57,8)

Talvez eu deva começar esse relato com um pouco da história do nosso pré-natal e a escolha do dr Frederico e da Pati, minha doula tão querida, que mais uma vez esteve conosco.
Quem leu o relato do parto do Bento viu que não tive um parto fácil e, na verdade, também nem tão humanizado assim, já que tivemos alguns problemas que não convém relatar aqui. O fato é que o primeiro parto, apesar de ter sido bom, me foi custoso por estar insegura e com medo. Mesmo tendo me preparado e estudado fui pega de surpresa por certas intervenções que me deixaram abalada, além dos pródromos quase eternos.
Então para este parto nós não pensamos duas vezes em procurar o dr Frederico, que, por já ter partejado amigas minhas e por acompanharmos seu trabalho maravilhoso, já tínhamos a confiança necessária e um princípio de vínculo que se estreitou durante os meses seguintes, tão importante para este momento. Isso foi decisivo para que eu tivesse uma experiência incrível do parto: me sentir segura com a equipe que me acompanhava.
Muitas pessoas me perguntam sobre ter uma doula. Eu espero em breve poder trazer para vocês um texto apenas sobre esse assunto. Mas, se posso adiantar algo, seria para dizer que ter uma doula é tudo de bom. Eu me lembro bem que antes de passar pela primeira experiência de parto eu ainda tinha minhas dúvidas e ressalvas a respeito de ter uma doula. Depois que a tive, eu recomendo para todo mundo! Em especial, Pati e eu temos uma relação tão bonita. Apesar do pouco convívio, tenho com ela uma conexão tão forte… ela sabe o que gosto, o que não gosto, meu ritmo, minhas fraquezas, minhas forças, sabe ser o silêncio que me conforta, a mão que me guia, o consolo que me alivia e tanto mais. Gabriel mesmo disse depois deste segundo parto que Pati e eu ”temos algo”. E é verdade. Ter uma doula é muito mais do que alguém para fazer exercícios e massagens. Mas isso é assunto pra depois.
As semanas foram passando, os incômodos finais da gestação chegando e os dias ficando literalmente mais pesados. No último mês a Maria Isabel já tinha descido tanto pela minha pelve que me era difícil andar e até mesmo virar na cama. Dias difíceis, mas bem aventurados os filhos gerados na Cruz, pois só a Cruz fecunda todas as obras.
Chegamos, pois, às 40 semanas e eu já estava fisicamente cansada. Então comecei a perder tampão na sexta feira, dia 22 de junho. Eu só pedia a Jesus que me desse a graça de entrar em trabalho de parto logo, porque não queria ficar dias em pródromos. Eu já estava cansada fisicamente e temia pelo cansaço psicológico. Mas seguia confiante, principalmente por contar com tantos amigos, entre eles seminaristas, padres, irmãs, monges, rezando pelo nosso momento. A sexta passou, as contrações tentavam um ritmo e paravam. Eu não sentia dor, apenas pressão no baixo ventre e incômodo na lombar.
Decidimos aproveitar o final de semana para curtir e passear, já que eu sabia que podia ficar dias assim. Então saímos, fomos ao parque, caminhamos, brincamos, comemos coisas gostosas e ficamos bem juntinhos, no nosso silêncio, na nossa intimidade.
Na segunda de manhã acordei com contrações sem ritmo mas, de certa forma, doloridas. Eu sabia que algo havia mudado. Fomos para a consulta, dr. Frederico me mandou catar conchinhas na praia (hahahahha), o que obviamente não fui fazer porque só queria ficar deitada. Gabriel ficou comigo o resto do dia e eu consegui descansar bem.
Rezei muito, cantei com a alma ao bom Deus dizendo que meu coração estava pronto. Eu queria este parto, eu desejava estas dores. Mas as contrações permaneciam sem ritmo e com incômodo.
Ao fim do dia, já não consegui jantar direito. Depois, colocamos o Bento para dormir. Mal ele pegou no sono e minhas contrações intensificaram. Enfim eu havia relaxado. Estavam de 1 em 1 minuto mas com pouca duração. Eu já não conseguia ficar deitada. Ligamos para o dr Frederico que enviou a Telemi (enfermeira) pra cá pra me avaliar. Eu estava com 8 cm. As contrações eram pouco doloridas, eu estava muito tranquila e conversávamos bastante entre elas. Contei casos e casos… (hahaha) Minha doula chegou logo depois e fomos para o hospital.
Não me lembro direito os horários em que as coisas foram se desenrolando, mas sei que o parto foi rápido, embora na minha cabeça pareça que durou uma eternidade. Dessa vez eu estava tão serena que até me assusto quando lembro. Eu conhecia o processo, eu havia aceitado e desejado estas dores e estava unida ao bom Jesus. Eu não cansava de repetir para mim mesma, neste santuário interior que é a minha alma, que o sacrifício por amor é gozo.
Chegando ao hospital, fomos direto para a sala de parto. Chuveiro, bola, dormi entre as contrações e percebi uma certa parada de progressão. Mas não me preocupei, confiava no meu corpo, na minha capacidade de dar à luz, a presença da Pati e da Telemi me eram toda conforto e calma. Rezava a Santa Coleta e a Santa Margarida. Dizia ao bom Jesus que queria subir o meu monte calvário e dar tudo.
Por fim só conseguia ficar na banqueta. A bolsa rompeu. As contrações apertaram e ficaram muito intensas. Mas nem por isso insuportáveis. O intervalo entre elas parecia uma eternidade. Eu dormia, conversava, ria e reclamava também: sentia um sono absurdo. Ficava perguntando quando ela ia nascer e por que não tinha pedido analgesia, que estava arrependida (hahahahaha). Esse período foi o mais longo. Nessa hora não queria ninguém a não ser o Gabriel. Louvado seja Deus pela presença firme, constante e segura do meu esposo durante os partos das nossas crianças. Definitivamente não me vejo passando por tudo isso sem tê-lo ao meu lado.
Até que eu senti ela girando e descendo de vez. Desesperador! Dei um berro, queria levantar e sair correndo. Dr Frederico era tão calmo que minha vontade era dar uns tapas nele. (hahaha, desculpa aí dr. Fred, nada pessoal!) Por fim, nasceu nossa menina! Lenta e serenamente veio ao mundo me trazendo tanta doçura. Veio em baixa luz, no silêncio absoluto que eu tanto amo, rodeada de amor, de respeito, de tempo, de paciência, de entrega. Nasceu às 1:28am do dia 26 de junho, com 41 semanas, 48 cm e 3870 kg, no dia de São Josemaria Escrivá, o santo do cotidiano.
No outro dia eu já queria parir de novo. Quando lembro do parto da Maria Isabel sou inundada por uma onda de doçura. Sinto-me impelida e desejosa de passar por isso tantas vezes quanto o bom Deus queira me abençoar. E também, medo, de ter sido a última vez. Sigo abandonada nas mãos Dele que me faz pequena diante de Seu grande amor.
Eu desejo a todas as mulheres não um parto sem dor, mas um parto onde a dor seja transformada em amor e então tudo se torna doce, embora não sem sofrer. Desejo que encontrem equipes tão maravilhosas quanto a que eu tive (e espero continuar tendo rsrsrs).
Há algo que nos faz genuinamente mulheres: gestar e dar à luz. Se há obra mais grandiosa e cheia da glória de Deus do que gerar uma criança, eu desconheço. Ser tabernáculo vivo, ter a mão divina tecendo um ser em nosso ventre, tocando o nosso corpo e infundido uma alma eterna neste pequenino confiado a nós, é não só maravilhoso, mas também impactante e radical, pois nos muda completamente. Trazer ao seio um milagre, um ser que com sua vida e desenvolvimento proclama a glória de Deus é algo estupendo que somente a bondade divina poderia criar. Receber este privilégio é um grande dom.
Não deixemos que passe a nossa vida, que passem os filhos que Ele nos quer dar. Não deixemos que nossa vida seja um rastro estéril e inútil. Estamos aqui para, morrendo, viver. Que pode haver de maior e mais feliz do que servir ao bom Deus, aceitando e realizando Sua Santíssima Vontade? Reclamemos, pois, o que verdadeiramente nos pertence: um corpo feito para dar vida; gerando, gestando, dando à luz e educando para o Céu.
——
Contatos:
Patrícia Roshner- https://www.facebook.com/patriciarohsner.shantala
Dr. Frederico Bravim- https://www.facebook.com/drfredericovitorino/

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Os meios para se viver a paciência

Tempo de leitura: 6 minutos

“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se controlar do que conquistar cidades inteiras” (Provérbios 16,32).

Não há uma fórmula mágica para viver a paciência, principalmente se o egoísmo tem raízes em nosso coração. Mas, se há amor, então vão nos ocorrendo mil maneiras de exercitar a paciência. Quem luta por viver em Deus, sabe que o amor cristão é movido por duas asas: a da oração e a da mortificação. Por isso, todo o exercício da paciência comportará necessariamente o movimento de uma dessas asas, ou, o que será mais frequente, de ambas ao mesmo tempo.

Santo Afonso de Ligório nos diz:  “Não nos irritemos com nenhum incidente; se às vezes nos vemos surpreendidos pela raiva, recorramos logo a Deus, e abstenhamo-nos de agir e falar, até termos a certeza de que já foi embora”. Quando nos sentimos à beira de uma crise de impaciência, devemos fazer o esforço de nos calarmos. Melhor será fazer o sacrifício de guardar silêncio, de sair, se for preciso, de perto do foco do atrito e de rezar bem devagar alguma oração, como, por exemplo o Pai Nosso. Após essa oração, que pode ser também uma sequencia de jaculatórias, de invocações breves, pedindo paciência a Deus e já com a alma mais tranquila, poderemos discernir o que nos convém fazer. Não duvidemos que o esforço de guardar silêncio, unido ao esforço de fazer oração, sempre conduzirá para a paciência real e prática.

Ao lado da oração, mas sem deixá-la de lado, exercitamos a paciência por meio da prática voluntária, consciente, amorosa, de um sem fim de pequenos sacrifícios que são uma gota de paz, de afabilidade, de bondade, sobre as incipientes ebulições da impaciência.

Falando de forma mais prática

a) É preciso aprender a ir além de suportar

Papa Bento XVI falava dessa sabedoria: ”A paciência é o rosto cotidiano do amor. Nela, a fé e a esperança também estão presentes. Porque, sem a esperança que vem da fé, a paciência seria apenas resignação e perderia o dinamismo que a faz ir além do esforço de suportar uns aos outros, para ir ao esforço de ser uns o suporte dos outros. Jesus conduz-nos para a paciência que suporta e apoia o outro”.  É isso o que são Paulo nos pede na Carta aos Gálatas: ”Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2).

Na maioria das vezes sequer chegamos ao ponto de suportar. Precisamos ser realistas, pois é bem verdade que tudo nos incomoda e na maioria das vezes nem pensamos em quanto somos capazes de incomodar os outros também. Quanto mais nos recordarmos de nossas misérias e nos esforçarmos em sofrer as demoras, os nossos egoísmos, as nossas irritações, tanto mais nos assemelharemos ao Cristo, que tudo suportou por amor a nós. E, acredite, tanto mais fácil será a vida em família.

Se cada um esforçar-se em suportar o outro e melhorar a si mesmo, a harmonia familiar será sempre fácil de alcançar. O problema é que preocupamo-nos mais em corrigir o outro do que a nós mesmos, em reclamar das situações do que suportá-las ou resolvê-las. Um simples exemplo: se todos os dias ao invés de gastar meia hora reclamando com meu esposo do sapato que fica na porta eu simplesmente pegá-lo e guardá-lo, terei economizado 29 minutos, evitado estresse e ainda crescido em humildade e sacrifício. E, mais, por experiência própria: na maior parte das vezes conseguimos algo dando o exemplo e não através das palavras.

Se a impaciência vem da nossa incapacidade de sofrer, suportar é nosso ato voluntário de aceitar sofrer e  não só isso, mas sofrer com amor. Não dá para aceitar sofrer com cara feira, emburrada, com indiretas, com vitimismo. E isso também não é algo que se consiga do dia para a noite, mas é fundamental que possamos ser sinceros e identificarmos essa coisas em nós que precisam ser melhoradas.

Além disso, devemos esforçar-nos em suportar as situações onde não há solução e oferecer amor. Como em caso de adultério, é sempre necessário ir além de suportar. É preciso perdoar. Também aos filhos, com suas dificuldades e incapacidades, que exigem de nós muitas vezes mais do uma boa dose de paciência.

b) É preciso saber esperar

”Sede pacientes, irmãos. Vede como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações” (Tg 5,7-8).

São Josemaria fala dessa sabedoria: ‘‘Quem sabe ser forte não se deixa dominar pela pressa em colher o fruto da sua virtude; é paciente. A fortaleza leva-o a saborear a virtude humana e divina da paciência… E é esta paciência a que nos leva também a ser compreensivos com os outros, persuadidos de que as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”.

Muitos casamentos passam por grandes crises porque os esposos ocupam-se demais em mudar o outro. Além disso, nós, mulheres, somos especialistas em ocupar-nos com ninharias. Não nos casamos com uma pessoa perfeita e nem nós somos esta pessoa perfeita para o outro. É preciso aprender a ajudar o outro a crescer, o que não significa que ele será como eu espero que ele seja. Cada pessoa é única e irrepetível, somente Deus sabe o que é melhor para ela.

Se estamos diante de uma falta grave, devemos corrigir as pessoas com amor e oferecer uma solução para remediar aquele problema. Não é com brigas, gritos, discussões e reclamações cotidianas e frequentes que a mudança vem. Além disso, precisamos saber esperar o tempo de que as flores floresçam e os frutos possam ser colhidos. Muitas vezes não teremos a graça de colhê-los. Recordo-me bem do exemplo da Elisabeth Leseur que tendo uma vida interior intensa e profunda, morreu sem ver seu esposo convertido. Mas, após sua morte, ao ler seu diário espiritual, ele se converteu e tornou-se sacerdote. Deus tem seus caminhos.

Além disso, esperar também no sentido de viver o sofrimento que se manifesta em forma de dificuldade, como uma doença, um imprevisto, e tantas outras coisas, com serenidade.

c) É preciso saber calar

Como é importante calar quando a ira ou a impaciência fervilham dentro de nós. «Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga» (São Josemaria Escrivá)

Falar, retrucar e cair no bate-boca: por não saber calar é que vem o descontrole e a briga.

Paciência, escreveu Papa Francisco, “não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos”, mas “o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria”. “O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade.”

d) É preciso saber falar

Quando a impaciência nos ataca, a primeira coisa que deveríamos fazer, depois de esforçar-nos por calar, é falar com Deus. Nunca falemos só “conosco”, com esses debates íntimos da imaginação esquentada, que só aumentam a fúria e a amargura íntima. Menos ainda falemos, irados, com a pessoa que provocou a impaciência, querendo mostrar-lhe que nós temos razão e ela não.

Primeiro, portanto – e às vezes por muito tempo –, falemos com Deus, fazendo oração: procurando ver com Ele a verdadeira dimensão das coisas, pedindo-lhe forças para carregar a Cruz com serenidade, suplicando-lhe que nos comunique um pouco da paciência com que Cristo enfrentou o juízo iníquo, o caminho da Cruz e a crucifixão.

Experimentemos também invocar a nossa Mãe, Maria Santíssima, dizendo-lhe: “Rainha da paz, rogai por nós!”

E também será oportuno, muitas vezes, falar com quem nos possa orientar espiritualmente e aconselhar a melhor maneira de santificar as contrariedades.

O último meio são as mortificações da paciência. Esse é o assunto do próximo post!

 

Referências

Caminho, São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus, São Josemaria Escrivá

A paciência, padre Francisco Faus

Padre Paulo Ricardo

Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

Homilia, Papa Francisco

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

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