Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Category: Matrimônio (page 2 of 2)

O período do namoro

Tempo de leitura: 3 minutos

Graças ao bom Deus há muitos casais que desejam ardentemente viver a radicalidade do Evangelho e fazer de suas famílias verdadeiras Igrejas Domésticas. O post de hoje é um texto escrito por um desses casais, o qual temos a graça de serem grandes amigos nossos, o Leonardo e a Priscila. Eles são nossos vizinhos, participam da nossa paróquia (São José de Anchieta, Serra- ES) e são pais do João Paulo.


Para começar um namoro santo, deve-se escolher a pessoa certa: aquela que tenha o mesmo desejo de santificação que nós temos.

Primeiramente, devemos entender que o amor verdadeiro só existe em Deus, ou seja, amar a Deus acima de todas as coisas. Somente assim é possível ver com os olhos da fé e sem interesse pessoal, a pessoa amada reservada por Deus. Quando amamos a Deus, desejamos que todos vivam este amor, principalmente as pessoas mais próximas.

“Oh, eterna verdade e verdadeiro amor e amorosa eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. E quando te conheci pela primeira vez, tu pegaste em mim, para que visse que existe aquilo que via e que eu não era ainda de molde a poder ver.” (Santo Agostinho, Confissões, VII)

É certo dizer que não existe uma “receita de bolo” para um namoro perfeito, pois cada relacionamento amoroso tem os seus desafios. De fato, a união de duas pessoas que se amam só poderá dar frutos duradouros se houver desde o início uma reta intenção de fazer o outro feliz, além de um desejo de se santificar e suportar os defeitos e limitações da pessoa amada. Contudo, não podemos negar os princípios básicos de uma relação sadia e santa que provêm da oração, do sacrifício, da humildade e da caridade. Afinal, o que seria do amor sem a caridade?

De nada vale se não tivermos a caridade. Tudo é palha, nada é verdadeiro e sem ela tudo é interesse. Mas quem a possui “não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor” (I Coríntios 13,3). Ter caridade é alcançar o grau mais alto da fé, porém, para chegar a este nível é necessário possuir uma “determinada determinação” de lutar contra o orgulho, a arrogância, a inveja, os próprios interesses e pôr fim a concupiscência da carne. Os que desejam ter um relacionamento santo e duradouro devem se afastar com todas as forças desses males que tanto destroem os casais de nosso tempo.

Na oração, somos iluminados por Deus para elevarmos o namoro a perfeição e suportar todas as dificuldades. É impossível manter um relacionamento vivo e estabilizado sem ter a prática da oração diária, que se intensifica no matrimônio. Isso deve ser para nós cristãos, um fato consumado. A oração nos aproxima de Deus, abre nossos ouvidos a voz do Espírito Santo que ilumina nossa razão e nos santifica. Com efeito, nosso Senhor Jesus Cristo torna-se o centro do relacionamento.

“A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da fortaleza de Deus. ” (São João Paulo II, Carta às famílias, 1994)

 

O início do nosso namoro foi de muita oração e intercessão de Nossa Senhora da Penha, mas com o passar do tempo, deixamos nossas orações de lado e tudo que construímos veio a ruir, todas as programações para o casamento davam errado. Somente nove anos depois, percebemos que estávamos longe de Deus e que era necessário voltar ao “princípio”, onde Deus era o centro de nossa relação.

Retomamos as nossas orações, participação ativa nas Santas Missas, confissões frequentes e sempre buscamos aprender sobre nossa fé, nossa Santa Igreja e conhecer os santos que tantos exemplos e ensinamentos deixaram para que a nossa vontade de sermos santos também não se aplacasse por coisa alguma. Assim, Deus, na sua infinita misericórdia, nos fortificou com Seu Espírito e abençoou nossa relação nos dando um lindo casamento e um anjo como filho. A caminhada não é fácil, sabemos e sentimos isso na alma, mas a felicidade e a paz só se têm em Deus.

 

Blogue da família Zago, da terceira ordem do Verbo Encarnado.

A Indissolubilidade do Matrimônio

Tempo de leitura: 6 minutos

É fácil observar que o casamento tem sofrido ataques ferozes nos últimos anos. Política, cultura, meios de comunicação, todos parecem estar sempre prontos para atacar o matrimônio a qualquer momento. Já no início da década de 1980, São João Paulo II escreveu:

“Entre os sinais mais preocupantes deste fenômeno, os Padres Sinodais sublinharam, em particular, o difundir-se do divórcio e do recurso a uma nova união por parte dos mesmos fiéis (…)” – São João Paulo II

Durante toda nossa vida somos bombardeados por ideias contra os pilares do matrimônio: amor livre, total, fiel e fecundo. Pretendo falar sobre cada um destes, mas hoje escreverei em favor do amor fiel!

Eu não te deixarei. Nunca. Não importa o que aconteça!

Este é o voto da fidelidade matrimonial. Um pouco assustador, não? Eu sei, mas é justamente este voto que permite a segurança necessária para a formação de uma família saudável para o casal e para as crianças.

O voto de fidelidade impõe restrições às discussões do casal.  Por causa dele não se pode dizer “basta para mim” toda vez que o outro manifestar um de seus defeitos, o que fará tão frequentemente quanto você mesmo.
Se, por outro lado, a possibilidade do divórcio rondar todas discussões, os dois viverão como animais ariscos. A possibilidade do término do relacionamento fará com que cada um viva num constante clima de vigilância, com medo de que suas atitudes desagradarem ao cônjuge, o que tornará a vida muito difícil e estressante. Consequentemente tendendo ao fracasso do casamento. Logo, a possibilidade do divórcio aumenta a probabilidade dele acontecer!

O casamento é um voto de união por toda vida, por isso se faz em frente de muitas pessoas e, principalmente, diante de Deus! Também por isso os noivos devem se preparar muito bem para receber o sacramento do Matrimônio, pois é um passo definitivo, com consequências para toda vida e, claro, também para a eternidade. O Papa Francisco já chamou a atenção para este problema da falta de preparação adequada:

“A preparação próxima do matrimônio tende a concentrar-se nos convites, na roupa, na festa com os seus inumeráveis detalhes que consomem tanto os recursos econômicos como as energias e a alegria. Os noivos chegam desfalecidos e exaustos ao casamento, em vez de dedicarem o melhor das suas forças a preparar-se como casal para o grande passo que, juntos, vão dar.” – Papa Francisco

Confiança plena para se entregar aos filhos

Outro ponto importante da fidelidade é a confiança que surge entre o casal (e passa para os filhos). De que outro modo uma mulher poderia abandonar uma carreira profissional para se dedicar integralmente à família?

Mesmo que a lei do divórcio dê algumas “garantias”, uma separação costuma ser injusta pois a mulher que deixou a carreira profissional fica dependente da pensão dada aos filhos e da divisão dos bens enquanto o homem segue com suas receitas provenientes de seu trabalho.

Liberdade

A ideia de que o divórcio significa liberdade não poderia ser mais falsa. Me parece muito mais uma tentativa de racionalizar que o fracasso em construir uma família, no fundo, foi algo bom.

Como já explicado, só somos realmente livres quando podemos agir sem medo, sempre tentando acertar, é claro, mas também sem medo de assumirmos nossos defeitos para assim podermos consertá-los, sem medo de nos entregarmos completamente ao cônjuge e aos filhos.

A indissolubilidade do casamento também é o único modo de assumir responsabilidades. Afinal, se você não pode fugir então você irá resolver seus problemas. A alternativa é viver num campo de batalha pelo resto da vida!

Velhice

A fidelidade é a segurança que precisamos para não vivermos uma vida volátil, onde tudo pode acontecer a qualquer momento. Veja o que acontece com pessoas que se divorciam frequentemente aos 50, 60 anos. É triste: família fragmentada, não têm uma narrativa continuada da vida, sem falar no mal que traz para os filhos.

Segurança emocional dos filhos

A possibilidade do divórcio atinge diretamente o sentimento fundamental para a felicidade doméstica: o propósito de um futuro tranquilo e seguro. Os filhos recebem dos pais três bens fundamentais: a existência, o alimento e a educação, eles são essenciais para o desenvolvimento normal das crianças e jovens e isso tudo só é possível graças à fidelidade dos pais. Sem ela, as crianças se veem com corações divididos, sem os irmãozinhos que naturalmente viriam, sem um teto para chamar de seu, enfim, envenenadas pela separação entre a lei civil e a lei Natural, que é a Lei de Deus.

Sociedade moralmente saudável

Também são a legalização e a difusão do divórcio causas da degradação moral que decaiu sobre grande parte do mundo.  As obras e leis de Deus exercem ações benéficas à toda sociedade, mas quando os homens viram as costas para elas, estas ações desaparecem e uma série de males surgem, como se a própria Natureza se revoltasse contra  as obras dos homens contrárias à vontade Divina. Por isso, ao atingir diretamente os jovens, o divórcio enfraquece também a sociedade e a nação que encontram neles – os jovens – o escudo e o braço da prosperidade.

A própria violação dos votos matrimoniais tem consequências maiores, vejamos o que nos diz o Venerável Fulton Sheen:

(…) Seria terrível demais contemplar o que aconteceria ao mundo se nossas promessas não fossem mais vínculos. Nenhuma nação poderia estender crédito a outra Nação se o acordo de reembolso foi assinado com reservas. A ordem internacional desaparece enquanto a sociedade doméstica perece pela quebra dos votos. Dizer, dois anos após o casamento: “Eu fiz meu juramento no altar, sim, mas já que estou apaixonado por outra pessoa, Deus não quer que eu mantenha meu juramento”. É como dizer: “eu prometi não roubas as galinhas do vizinho, mas como me apaixonei por aquela bela Plymouth Rock (uma raça de galinha), Deus não quer que eu mantenha minha promessa”. Uma vez que decidimos, em qualquer assunto, que a paixão tem precedência sobre a verdade, e o impulso erótico sobre a honra, então como impedimos o roubo de qualquer coisa caso se torne “vital” para alguém? – Venerável Fulton Sheen

E Chesterton dá razão à Santa Igreja, falando sobre o divórcio:

A Igreja sempre esteve certa em negar até mesmo a exceção. O mundo admitiu a exceção, e a exceção se tornou regra. – G. K. Chesterton

Salvaguarda da dignidade da mulher

O papa Pio XII nos deixou textos esplêndidos sobre a família:

“Vede a sociedade moderna, nos países em que se permite o divórcio e perguntai-vos: te o mundo a clara noção de que a dignidade da mulher é ultrajada e ofendida, violada e corrompida, sepultada – é preciso dizer – na degradação e no abandono? Quantas lágrimas secretas molharam corredores e quartos! Quantos gemidos, quantas súplicas, quantos chamados desesperados em encontros, caminhos ou trilhas, em cantos e passagens desertas! Não, a dignidade pessoal do marido e da mulher – sobretudo a da mulher – não têm melhor defesa e tutela que a indissolubilidade do matrimônio. É um erro funesto acreditar que se possa conservar, proteger e elevar a digna nobreza da mulher e sua cultura feminina sem o fundamento do matrimônio uno e indissolúvel. Se a Igreja, cumprindo a missão recebida de Seu divino fundador, com gigantesco e intrépido uso de uma santa indomável energia, afirmou sempre e difundiu pelo mundo o matrimônio indissolúvel sai-lhe glórias, porque com isso contribuiu enormemente para defender o direito do espírito contra os impulsos dos sentidos na vida matrimonial, salvando, com a dignidade das núpcias, a dignidade da mulher e também da pessoa humana.” – Papa Pio XII.

Portanto, façamos nossa parte, confiantes na Graça santificante, para edificarmos uma família que seja rocha firme onde os filhos possam crescer e formar uma sociedade temente a Deus, de onde surgirão muitos santos e santas!


Referências

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

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