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Traremos no blog uma série de textos sobre Direção Espiritual, uma prática tão antiga e necessária para nossa santificação. Essa é a primeira parte!

1. Natureza da direção espiritual

“É a arte de conduzir as almas progressivamente desde os inícios da vida espiritual até os cumes da perfeição cristã.”

“É a arte…”: Utilizamos a expressão arte, em sentido puramente metafórico, porque na realidade a direção espiritual é uma ciência prática que, sob a direção da prudência sobrenatural, aplica a um caso concreto exposto por uma alma determinada os grandes princípios da teologia dogmática, moral e ascético-mística. Mas, metaforicamente, se pode chamar à direção espiritual arte, no sentido que tem por finalidade levantar até os céus um grande edifício sobrenatural.

“… de conduzir as almas…”: A direção espiritual é a arte de conduzir suavemente as almas à união com Deus. É um caminho que precisa ser percorrido pela alma, mas é necessário que alguém lhe marque o roteiro.

“… progressivamente…”: O caminhar deve ser firme e sem rodeios, mas também não devem existir sobressaltos nem imprudências nesse caminhar. O diretor deve exigir de cada alma segundo suas possibilidades.

“… desde os inícios da vida espiritual…”: A direção espiritual deve dar início quando uma alma decide começar o caminho da santificação.

“… até os cumes da perfeição cristã.”: É o fim da direção espiritual, alcançar a santidade.

2. Importância e necessidade

 Segundo o testemunho da tradição, a direção espiritual é moralmente necessária (quer dizer, para alcançar melhor o fim) para alcançar a perfeição cristã.

São Vicente Ferrer disse: “Nunca Jesus Cristo dará sua graça, sem a qual nada podemos fazer, a quem, tendo a sua disposição um homem capaz de instruir-lhe, despreza esta ajuda persuadindo-se de que se bastará a si mesmo e de que encontrará por si mesmo tudo o que é útil para sua salvação.” (Tratado da vida espiritual)

A necessidade moral da direção espiritual para nossa Salvação se pode provar:

* Pela autoridade da Sagrada Escritura. Não há na Sagrada Escritura nenhum texto claro e terminante que aluda a esta questão, mas insinua suficientemente a multidão de textos. Por exemplo:

“Busca sempre o conselho junto ao sábio…” (Tb 4,19);

“Se um vem a cair, o outro o levanta. Mas ai do homem solitário: se ele cair não há ninguém para levantá-lo…” (Ecl 4,10);

“Quem vos ouve, a mim me ouve…” (Lc 10,16);

“Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio.” (2Cor 5,20);

Também… (At 10,5 e 9,6…).

* Pela autoridade da Igreja. A Igreja sempre rejeitou a emancipação do diretor espiritual pregada por muitos falsos místicos, com o pretexto de ficar mais livre para a ação do Espírito Santo. E por outro lado, também, sempre recomendou a obediência e submissão a um diretor espiritual.

“Os que tratam de santificar- se, pelo mesmo que tratam de seguir um caminho pouco frequentado, estão mais expostos a perder-se, e por isso precisam mais que os outros de um doutor e guia. E este modo de proceder sempre se viu na Igreja; esta doutrina foi professada unanimemente por todos os que, no transcorrer dos séculos, floresceram pela sua sabedoria e santidade; e os que rejeitarem não poderão fazê-lo sem temeridade e perigo…”. (Papa Leão XIII)

* Pela prática universal da Igreja. Desde os tempos apostólicos se encontra na Igreja a prática da direção espiritual. É verdade que há exemplos de santos e santas que alcançaram a santidade sem um diretor, o qual prova que ela não é absolutamente necessária para alcançar a perfeição; mas a lei geral é que ao lado de uma alma santa há um sábio diretor. Por exemplo: São Jerônimo e Santa Paula; O Beato Raimundo de Cápua e Santa Catarina de Sena; São João da Cruz e Santa Tereza; São Francisco de Sales e Santa Joana Chantal; São Vicente de Paula e Santa Luísa de Marilac, etc.

Pela Natureza mesma da Igreja. Na qual o ensino e o governo se realizam por via de autoridade. Nada mais oposto ao espírito do cristianismo que o buscar em si mesmo a regra de vida. Tal foi o erro dos protestantes, que abriu a porta aos excessos do livre exame (Livre interpretação da Sagrada Escritura) e o iluminismo (novos caminhos de espiritualidade diferente dos caminhos tradicionais).

* Pela mesma psicologia humana. Ninguém é bom juiz de si mesmo, ainda que pressupondo a máxima sinceridade e boa fé. Quando se nos expõe com clareza, compreendemos muito melhor os estados das almas alheias que os da nossa própria.

A mesma situação, clara e fácil quando se trata dos demais, vem a resultar escura e complicada quando se trata de nós mesmos. Isto porque não podemos prescindir de uma série de fatores sensíveis, de imaginação, de egoísmo, de interesse, de gosto e afeições, ou de escrúpulos e preocupações excessivas, que vem a perturbar a ordem e a clareza da visão de nós mesmos. O qual faz difícil um juízo apropriado.

Portanto aparece muito claro que a direção espiritual é moralmente necessária para nos santificar.

Também, é verdade, que quando Deus permite que nos falte a ajuda da direção espiritual, Ele com suas inspirações guia a alma no caminho da santidade.


Fonte

Apostila de Espiritualidade, Instituto do Verbo Encarnado

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)