Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Planejamento financeiro familiar católico – fundamentos

Tempo de leitura: 6 minutos

Para esta importante série de publicações convidamos nosso querido amigo Marcos Lopes, presidente do Centro Anchieta, para falar sobre planejamento financeiro familiar. Nesta primeira postagem veremos a importância de fazê-lo e em que está fundado.

“O valor primordial do trabalho depende do próprio homem, que é seu autor e destinatário. Por meio de seu trabalho, o homem participa da obra da criação. Unido a Cristo, o trabalho pode ser redentor.” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, 2460)

Nossa Santa Igreja Católica aponta o caminho que devemos percorrer em busca da santidade – o que abarca os ensinamentos de Deus para uma vida familiar equilibrada, inclusive em termos financeiros. Não confundamos, porém, a busca de equilíbrio financeiro familiar com a “teologia da prosperidade”. Diferentemente desse conceito de riqueza, condenado por nossa igreja, é justo que as famílias se organizem e planejem suas atividades para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esta série de publicações tentará responder algumas perguntas:

  • Como uma família pode (man)ter sua “saúde financeira” com todos os gastos demandados em nossos dias?
  • Do que consistiria um planejamento financeiro familiar católico?

A família e a vida econômica

Uma “nova” família é formada a partir do Matrimônio, logo, deve ser estruturada a tornar-se independente. Isso significa não depender emocional e financeiramente dos pais, mas, ao mesmo tempo, não quer dizer descuidar das famílias de origem.
A outra mensagem apreendida do Evangelho é a de que na relação homem-mulher todos os esforços e conquistas são de ambos. O casal deve compartilhar tudo, pois são “uma só carne”, mantendo sempre a transparência e estabelecendo planos conjuntamente, com base em seus objetivos de vida.

Pobreza e riqueza

O artigo 329 do CDSI aponta que “as riquezas realizam a sua função de serviço ao homem quando destinadas a produzir benefícios para os outros e para a sociedade. ‘Como poderíamos fazer o bem ao próximo – interroga-se Clemente de Alexandria – se todos não possuíssem nada?’. Na visão de São João Crisóstomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir mérito partilhando com os outros. Elas são um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve usá-lo e fazê-lo circular, de sorte que também os necessitados possam fruir; o mal está no apego desmedido às riquezas, no desejo de açambarcá-las.”.

O artigo 2459 do CIC orienta ao católico o seguinte: “O próprio homem é o autor, o centro e o fim de toda a vida econômica e social. O ponto decisivo da questão social é que os bens criados por Deus para todos de fato cheguem a todos, conforme a justiça e com a ajuda da caridade”.

Como criar bons hábitos

O padre Dominicano Antonio Royo-Marín esclarece que “é um fato perfeitamente comprovável na prática que ao se repetir uma série de atos correspondentes a uma determinada atividade, adquire-se pouco a pouco o hábito de realizá-la cada vez com maior facilidade.”(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100). Já Charles Duhigg, em seu livro O Poder do Hábito, afirma que “centenas de hábitos influenciam nossos dias – eles orientam o modo como nos vestimos de manhã, como falamos com nossos filhos e adormecemos à noite; eles afetam o que comemos no almoço, como realizamos negócios e se vamos fazer exercícios ou tomar uma cerveja depois do trabalho”.(DUHIGG, 2012, p.283). O padre Royo-Marín complementa que “se esses atos são maus, adquire-se um mau hábito, que em teologia moral recebe o nome de vício (por exemplo, o vício da embriaguês)”.(ROYO-MARÍN, 2016, p. 100).

Ao trazermos a discussão sobre hábitos para nossas ações econômicas, Adolpho Lindenberg afirma que tais ações para serem “profícuas supõem, em boa medida, que a população tenha hábitos de trabalho intenso, poupança e vida austera.”(LINDENBERG, 2017, p. 163). Contudo, no Brasil, é de se lamentar que não se ensine economia doméstica e finanças nas escolas e, como consequência, não se observe uma cultura de planejamento e estabelecimento de objetivos e metas familiares. Some-se a isso a percepção majoritária dos brasileiros de que o “governo” deve prover “tudo a todos”.

Conforme indica Duhigg “[…] para modificar um hábito, você precisa decidir mudá-lo. Deve aceitar conscientemente a dura tarefa de identificar as deixas [oportunidades] e recompensas que impulsionam as rotinas do hábito e encontrar alternativas. Você precisa saber que possui o controle e ser autoconsciente o bastante para usá-lo.” (DUHIGG, 2012, p. 283). Todavia, é fato que enfrentaremos dificuldades impostas ou incentivadas, explícita ou subliminarmente, pelo “mundo moderno” para modificar maus hábitos.

(Maus) Hábitos da vida moderna

Individualismo

Primeiro, os “sonhos individuais” de homem e mulher (carreira, viagens, cuidados com o corpo, etc) tendem a ser priorizados em detrimento de se ter filhos e da dedicação necessária quanto a uma criação cristã da prole. Em decorrência disso, e de outros fatores relacionados, os Matrimônios ocorrem cada vez em menor número e mais tarde, diminuindo a fertilidade dos casais.

Moradias supervalorizadas e apertadas

Segundo, além de mais caras, as residências (casas e apartamentos) tendem a ser cada vez menores, como consequência da redução das famílias e da quantidade de seus membros.

Crise do sistema educacional

Terceiro, mesmo com uma qualidade de educação sofrível (e piorando – nosso país ocupa as piores posições nas avaliações internacionais), os custos com educação são cada vez maiores.

Cultura do descartável

Quarto, há um super-estímulo ao consumo de bens supérfluos. Tal realidade relega a segundo plano o hábito da poupança e do investimento para retornos em médio e longo prazos. Tal como aponta o CDSI em seu artigo 360:

“o fenômeno do consumismo mantém uma persistente orientação mais para o ‘ter’ do que para o ‘ser’. Ele impede de ‘distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura'[…].”.

Mostrando que a mentalidade consumista e antinatalista é uma ameaça à família, o Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, afirma que

“[…] uma civilização, inspirada numa mentalidade consumista e antinatalista, não é uma civilização do amor e nem o poderá ser nunca. Se a família é tão importante para a civilização do amor, isto se deve à especial proximidade e intensidade dos laços que nela se instauram entre as pessoas e as gerações.  Apesar disso, ela continua vulnerável e pode facilmente sucumbir aos perigos que enfraquecem ou até destroem a sua união e estabilidade. Devido a tais perigos as famílias cessam de testemunhar a favor da civilização do amor e podem até mesmo tornar-se a sua negação, uma espécie de contratestemunho[…] (CF, 13)”

(AQUINO, 2016, p. 22).

Hoje em dia, a vida moderna e todas as suas influências antinaturais colocam contra a parede as famílias que querem viver conforme Cristo.

Enfraquecimento dos laços afetivos

Nos dias atuais “[…] a família está reduzida à expressão mais simples: pai, mãe e um ou dois filhos. E, mesmo entre estes, os laços afetivos estão incomparavelmente mais enfraquecidos, se comparados aos que existiam no passado. Separação de bens, convicção mútua de que o divórcio é uma possibilidade real a cada momento, falta de diálogo entre marido e mulher, e quantas coisas mais tornam a relação matrimonial quebradiça e monótona.” (LINDENBERG, 2017, p. 167).

Ademais, “[…] o hábito de todos assistirem horas seguidas à TV, no dia-a-dia, [além de expor pais e filhos a conteúdo muitas vezes contrário à moral católica e de incentivar o consumo desregrado], praticamente eliminou as conversas e o aconchego familiares, transformando o relacionamento entre pais e filhos em meras trocas de informações.”(LINDENBERG, 2017, p. 168).

Esses momentos de reunião, cada vez mais raros, seriam ideais para que a família cultivasse o hábito da oração e planejasse seus objetivos de curto, médio e longo prazos. As famílias deveriam exercitar o vislumbre do que desejam como projetos de vida e, a partir daí, os passos necessários para alcançarem seus objetivos.

Como planejar qualquer coisa se não se sabe aonde se quer chegar e quais caminhos há e se pode percorrer? Queda-se, assim, refém do acaso. A Divina Providência sempre age por nós, porém somos responsáveis por nossas escolhas e colhemos (ou não) os frutos das árvores que cultivamos.

 

Agora que já sabemos os motivos para se realizar um bom planejamento financeiro familiar e no que está fundado, no próximo texto tentarei dar boas diretrizes para bem fazê-lo. Até lá!

Visitas ao recém nascido

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Um hábito antigo

Parece ter sido sempre comum o fato de que quando nasce um bebê, todos devem ir visitá-lo. Em nossa cultura isso acabou se tornando uma regra social a ser cumprida. É normal que haja certa ansiedade principalmente dos familiares para conhecer o novo bebê, mas antes de sair correndo, leia com atenção o post a seguir, para entender o que acontece quando chega um bebê numa família. A empolgação e a ansiedade de parentes e amigos para verem o recém-nascido podem se transformar num verdadeiro tormento para os pais e para o próprio bebê, contudo existem indicações que evitam situações inoportunas e fazem com que as visitas sejam um verdadeiro oásis.

Um bebê nasceu

A chegada de uma criança ao mundo é um motivo de grande celebração, uma enorme alegria, um precioso dom de Deus. No entanto, é preciso ter calma, porque nesse momento a família ganha um novo membro e precisa se adaptar às mudanças que acontecem.

Quando um bebê nasce, ele deve ser respeitado em sua saúde, em sua harmonia, em suas necessidades. Um recém nascido não precisa conhecer pessoas que ele não irá se lembrar, não precisa de presentes, de colos, de estresse, de fotos no facebook. Ele precisa da sua família (pai, mãe e irmãos), de ser alimentado, ambiente calmo (silêncio natural da casa, que não é sinônimo de ausência de sons), fraldas limpas e outras coisinhas mais.

As primeiras semanas e talvez os primeiros meses, a depender da família, serão um período intenso de adaptação e atenção ao recém nascido. Por isso, não fique chateado se a família não te der muita bola, afinal a prioridade é o bebê e não as visitas. Até porque grande parte dos bebês demandam muito, seja da amamentação ou sofrendo com cólicas, além de todo o resto que a família tem de manejar.

A mãe

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, seja a mãe do primeiro filho, a mãe do 2°, do 3° ou do 15°. Todo nascimento reclama em nós uma nova maternidade. Mas será que alguém se lembra disso? Muito raramente. A ansiedade em conhecer o bebê é tão grande que a pobre mãe é deixada de lado em sua fragilidade.

Vamos por partes. Os dias de maternidade são um momento delicado, seja de parto normal ou de cesárea, que deixa a maioria das mulheres cansadas, sensíveis e frágeis, talvez com dores nos pontos ou nos seios que podem já estar feridos ao amamentar. Como o bebê mama muito, a maior parte do tempo a mulher estará oferecendo o seio, o que para muitas, pode ser um contrangimento ter de fazer isso na frente de outras pessoas, principalmente por ter de ajeitar a pega e tudo o mais. Sem falar do cansaço, que para algumas, pode ser paralisante.

E, não só por isso, a própria baixa hormonal do corpo pode fazer com que as mulheres passem um tempo com dificuldade de conviver com outras pessoas, lidar com situações estressantes, com os conselhos alheios e sintam-se até mesmo com a privacidade invadida ou inseguras diante de certas situações, o que pode contribuir até mesmo para a baixa produção de leite materno. Isso não é um motivo para se vitimizar e colocar a mãe em um pedestal como se apenas a vontade dela devesse imperar. Mas o bom senso pede que haja muito diálogo entre o casal para que cheguem a um consenso.

E o outro lado também acontece! Para algumas mulheres os hormônios clamam por companhia! Há mulheres que adoram visitas e querem receber todo mundo, principalmente quem puder ir para ajudar! Portanto, não há regra, o que precisa haver é diálogo e respeito, empatia, colocar-se no lugar do outro.

A dica de ouro para as mães talvez seja: sejam vocês mesmas. Às vezes deixamos de receber visitas porque ouvimos várias pessoas dizendo que visita só atrapalha e acabamos nos isolando, sofrendo sem necessidade. Ou então acabamos recebendo visitas mesmo sem estarmos em condições, apenas para agradar as pessoas. O feminismo também nos deixou uma terrível herança, a de acreditar que devemos ser sempre autossuficientes. Isso não é verdade, todos precisamos de ajuda seja para que alguém lave nossa louça, para que nos dê conselhos ou um belo puxão de orelhas para nos encaminhar para o Céu.

O que pode acabar acontecendo muitas vezes é que acabemos nos isolando e afastando as pessoas, e isso também não é saudável. Não podemos ser também bonecas de porcelana que se quebram ao menor sopro. É preciso prudência para respeitar a fragilidade e não fazer disso uma desculpa para nos vitimizarmos.

E, quando nos dispusermos a receber alguém, não nos coloquemos em posição defensiva, principalmente a respeito dos famosos ”pitacos”. Existem muitas pessoas inconvenientes, é verdade, mas a maioria é bem intencionada e só quer ajudar. Nenhuma de nós nasceu sabendo criar filho. Por isso, aprendamos a ouvir tudo, reter o que é bom e responder apenas o que for necessário (como no caso de impor algum limite).

 

O pai

É muito importante o diálogo entre o casal. O pai deve pensar primeiramente no bem-estar da mãe e do filho e poupá-los de maiores estresses. No caso de expor as regras à família dele, deixe ele se impor. Se for com a família da mãe, ela se responsabiliza. A família sente-se no direito de ver o bebê, mas acredito que explicando de forma terna e educada, ninguém será antipático. Muitas vezes o pai ignora a situação da mãe e do bebê por querer receber sua família, amigos do trabalho e tanto mais. Isso acaba colocando a família em conflito em um momento que era para ser de acolhimento, entendimento e cumplicidade.

Este momento é uma possibilidade de grande crescimento também para o pai visto que ele terá a oportunidade de ser muito virtuoso tomando a frente nos afazeres do lar, no cuidado com os demais filhos e, principalmente, com a esposa, que pode estar fragilizada, precisando ainda mais do marido!

Algumas considerações

  • Não fique com receio de visitar, apenas ligue antes para perguntar sobre a possibilidade de ir e não se chateie se a família não puder/quiser te receber;
  • Se aceitarem a visita, pergunte o que pode fazer para ajudar. Ou, mesmo se a visita ficar para outro dia, seja paciente e caridoso, demonstrando que está disponível para alguma necessidade;
  • Pergunte antes se pode levar as crianças e se alguma delas estiver doente, deixe a visita para outra hora;
  • Não fume e não use perfumes ou cremes;
  • Lave bem as mãos quando chegar na casa da pessoa;
  • Espere a família oferecer para pegar o bebê. Existem pais que não gostam que pegue o bebê no colo e outros que não se importam;
  • Só tire fotos se a família permitir e antes de publicar nas redes sociais, peça permissão, afinal o bebê não é seu;
  • Não beije o bebê principalmente no rosto ou nas mãos;
  • Faça visitas rápidas a não ser que a família queira te receber por mais tempo;
  • Segure os palpites inconvenientes, mas não os bons conselhos!

O que posso fazer para ajudar?

Ponha a mão na massa, assim como Nossa Senhora foi ajudar Santa Isabel! Se ofereça para ficar com as outras crianças, para limpar a casa, leve uma comida, converse sobre tudo e mais um pouco, seja rápido se essa for a vontade dos pais, enfim, tanto!

Não existem regras absolutas para visitar um recém nascido ou como se comportar. Logicamente há normas básicas de higiene que devem ser respeitadas, pois é muito triste um recém nascido que se adoenta e até mesmo chega a óbito porque uma visita não tomou medidas básicas, já que a imunidade do neném é quase zero. Não precisa ser o louco do álcool em gel, mas lavar as mãos, não beijar o bebê e não o visitar estando doente já estão mais do que suficientes! O bebê irá crescer e logo estará na companhia de todos!

O mais importante de tudo é respeitar a família: o pai, a mãe, o bebê e as crianças. Cada família é única e gosta de agir de uma forma. Uns não gostam de visitas, outros adoram! Não há maneira correta e não deve haver julgamento, mas empatia, compreensão e muito bom senso.

A verdadeira dignidade da mulher – parte 2

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Ontem lançamos a primeira parte do artigo ”A verdadeira dignidade da mulher.” Hoje trouxemos sua continuação!

Desfiguração do ser feminino: o feminismo

Sob a premissa de uma suposta luta por igualdade entre os sexos, excelente combustível do marxismo cultural, o feminismo foi ganhando espaço entre nós. Mas que igualdade é essa? Se pararmos para estudar e pensar, no fundo, a raiz do feminismo é um ódio ao feminino, pois busca transformar as mulheres em homens. Deus nos criou, ao homem e à mulher, iguais em dignidade, a Sua imagem e semelhança, mas quis que houvesse diferenças entre os dois sexos. Estas diferenças entre “ser homem” e “ser mulher” fazem com que exista uma complementariedade entre nós, não para que sejamos um maior do que o outro, mas sim uma perfeita harmonia.

Dizer que não há mulheres que sofram, que não exista uma realidade de opressão ou homens ruins é fechar os olhos para uma realidade tão triste como a das mulheres do oriente (como as muçulmanas) e negar a existência do pecado original. Há sim situações em que mulheres, até mesmo próximas de nós, são humilhadas, violentadas, e tudo isso é consequência do pecado, não da natureza da mulher e do homem, muito menos de Deus. O feminismo não busca resolver esses problemas, visto que para isso é necessária uma cruzada pela santidade. Ao contrário, ele busca culpar o homem e vitimizar a mulher até mesmo quando a situação exige justiça. Há inúmeros casos de mulheres que cometem abusos até mesmo de seus próprios filhos, que traem, que humilham seus esposos e tanto mais.

Toda a tragédia do feminismo contemporâneo tem sua origem na falta de fé e na perda do sentido sobrenatural. Vivemos em um mundo tão profundamente mergulhado no secularismo que a maioria de nós sequer tem noção de que somos influenciados por essa desastrosa ideologia. A ”filosofia” do feminismo ao declarar guerra à feminilidade está, na verdade, declarando guerra à Cristandade, afinal, o grande aliado das mulheres é Cristo.

Aos poucos o feminismo veio trazendo para a sociedade valores que foram sendo absorvidos e tidos como normais, em busca de uma certa liberdade da mulher. Mas que liberdade seria essa? Pesquisas apontam que as mulheres de hoje estão mais infelizes do que jamais estiveram nos últimos 35 anos.⁶ A suposta liberdade tão ferrenhamente defendida pelas feministas na verdade é uma prisão.

O surgimento das pílulas anticoncepcionais liberou a mulher de que? De ter filhos? Não, liberou-a da pureza. Arrancou dela a virtude e a dignidade e a jogou na lama do pecado e da depravação, tornando-a objeto para os homens. Arrancou dela o amor e a consciência da sua vocação, originada em Deus, raiz de sua felicidade terrena e eterna, dando para ela um útero estéril, doenças físicas (trombose, DSTs e tantas outras) e uma consciência tão pobre e deturpada que renega a sua própria natureza de ser mãe.

O divórcio liberou a mulher de que? De uma instituição social? Não, liberou-a da segurança de um relacionamento estável, de um homem que lhe provesse em suas necessidades, de uma família firme na rocha que é Cristo. Colocou-a no último dos lugares, dependendo de pensões, submetendo seus filhos a situações de estresse, falta de estabilidade, brigas, isso quando não fazem seus animais de estimação de filhos, com medo de envelhecer, travando uma luta contra o ritmo natural do próprio corpo, preocupadas em atrair relacionamentos fracassados que só buscam o prazer, vazio existencial e tanto mais. Jogou-a no mercado de trabalho a pontapés.

A igualdade entre os sexos a liberou de que? De uma opressão por ser considerada inferior? Não, liberou-a de ser ela mesma, de ser mulher, da sua própria feminilidade que é um dom, uma riqueza, que é belo, que é profundo, que traz felicidade, que realiza. Transformou-a em um ser raivoso, obscena, vulgar e irada, incapaz de se sacrificar por alguém, petulantes, superficiais, maliciosas e exageradamente sensuais. Arrancou toda a sua ternura, sensibilidade e deu a ela a triste realidade de ser manipuladora, fofoqueira, ansiosa e ambiciosa. Arrancou sua natureza espiritual profundo, deixando-a um ser oco, vazio, onde abundam partes do corpo mas falta alma. Ela quer tanto ser um homem que tem se liberado das normas mais básicas de higiene para se parecer com ele, transformando-se em um ”macho mal acabado”.

A ida ao mercado de trabalho liberou a mulher de que? Da humilhação de depender de um marido que a provesse em suas necessidades? Não, liberou-a da sua própria família, da sua felicidade, do seu reino que é o lar para jogá-la na sarjeta das empresas que não estão interessadas em mais nada do que em escravizá-las. Arrancou a mulher do seu reino calmo e tranquilo para subjugá-la em um ambiente estressante, sugando todas as suas energias e tempo para que não se dedique a família, para que não se case, para que se divorcie, não tenha filhos e passe a sua vida acreditando que está fazendo uma grande obra, quando na verdade está erigindo um castelo de areia.

O caminho de volta

Uma coisa é certa: quando chegar a hora, nada que tiver sido produzido pelo homem subsistirá. Um dia, todas as realizações humanas serão reduzidas a um monte de cinzas. Por outro lado, todas as crianças nascidas de mulher viverão eternamente, pois a elas foi concedida uma alma imortal, feita à imagem e semelhança de Deus. Sob essa luz, a afirmação de Simone de Beauvoir de que “as mulheres não produzem nada”, mostra-se especialmente ridícula.”

É preciso trilhar o caminho de volta para casa e isso significa duas coisas: mais do que voltar para o lar, principalmente, devemos voltar para Deus, caminhando dentro de nós, redescobrindo, à luz da fé a nossa autêntica natureza, missão e vocação. É um caminho árduo mas essa é a verdadeira libertação da mulher, que a libera de tantos estereótipos e a faz fiel ao plano de Deus, Sabedoria Infinita, que lhe criou única, um jardim com tantas flores, um castelo ornado com tantas joias.

Essa é a nossa coroa de glória: a família. Coroa que tantas vezes floresce, mas na maior parte das vezes é de espinhos. As pequenas recompensas recebemos todos os dias, mas a grande recompensa está guardada para o entardecer da vida. Só quem tem os olhos voltados para o Alto consegue entender e enxergar coisas que passam tão despercebidas para aqueles “que tem olhos mas não veem” (cf. Salmos 113, 13). Verdadeiramente, a Cruz para o mundo é loucura, mas para nós que cremos, é salvação.

Que os nossos olhos aprendam do modelo perfeito da feminilidade, Maria Santíssima, mulher forte por excelência e só assim seguiremos seguras pelo caminho que mais do que nos realiza, faz de nós santas, amantes do único Amor amável, fonte de todos os amores, o Doce Jesus.

Referências

5 Alice von Hildebrand, O privilégio de ser mulher

Phyllis Schlafly, O outro lado do feminismo

 

Aproveito para indicar outros livros:

Kimberly Hanh, Amor que dá vida

Mary Pride, De volta ao lar

Pe. Geraldo Pires, As três chamas do lar católico

Pio XII, Casamento e família

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