Espiritualidade

Ser pró-vida é muito mais do que ser contra o aborto

Tempo de leitura: 8 minutos

”Defender e promover, venerar e amar a vida é tarefa que Deus confia a cada homem.” (São João Paulo II)

Estamos inseridos em uma cultura de morte. Desde adolescentes as mulheres são levadas à tomar anticoncepcionais, são impulsionadas para carreiras com jornadas de trabalho exaustivas, filhos são encarados como peso, animais são tidos como filhos, anúncios de gravidez só são comemorados até o segundo filho (depois é loucura…), doenças e deficiências genéticas são motivos para dar fim à vida, união entre pessoas do mesmo sexo são aclamadas (mas não geram vida…), a vida é descartada em laboratórios de fertilidade (embriões vão para o lixo), o suicídio torna-se uma solução comum para os problemas e por aí vai. Não à toa São João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae, diz que “a vida está jurada de morte”, e que “há uma conspiração contra a vida”.

Ser pró-vida é muito mais do que levantar a bandeira contra o aborto: é amar a vida, desejá-la, dispor os meios para que ela exista, se multiplique e termine de forma natural segundo a vontade Divina. « Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância » (Jo 10, 10)

“O último ataque do Mal contra Deus será sobre a vida e a família”

Irmã Lúcia ao Cardeal Cafaro

Ser pró-vida é ser pró-família

Ser pró-vida é ser pró-família, pois é da família pensada por Deus que a vida nasce. Ser pró-família não é apenas defender a constituição exata do casal (homem + mulher), mas também muitas outras coisas.

É formar bem os filhos para que sejam, futuramente, capazes de constituir famílias saudáveis e santas. É dar prioridade para a própria família, cumprindo os mandamentos da Lei de Deus e também os deveres de estado. É entender que o primeiro apostolado do casal é o seu próprio lar.

Ser pró-família é proteger a família dos perigos que a ameaçam, é promover políticas que favoreçam jornadas de trabalho mais leves para as mulheres para que possam continuar abertas à vida recebendo os filhos que Deus lhes mandar. É preciso toda uma mudança de pensamento e estrutura da sociedade. Para quem é católico e oferece empregos, é preciso ser flexível com as mulheres, compreensível.

Ser pró-família é ajudar as famílias não só a se formarem na doutrina e espiritualmente, mas também fornecer ajuda material para que possam continuar sua linda missão de amar a vida. Ser rede de apoio, ser amigo, ser presente na vida de uma família é ser pró-família.

Em coerência com o culto espiritual agradável a Deus (cf. Rm 12, 1), a celebração do Evangelho da vida requer a sua concretização sobretudo na existência quotidiana, vivida no amor pelos outros e na doação de si próprio. Assim, toda a nossa existência tornar-se-á acolhimento autêntico e responsável do dom da vida e louvor sincero e agradecido a Deus que nos fez esse dom. É o que sucede já com tantos e tantos gestos de doação, frequentemente humilde e escondida, cumpridos por homens e mulheres, crianças e adultos, jovens e idosos, sãos e doentes.

Evangelium Vitae

É neste contexto, rico de humanidade e amor, que nascem também os gestos heroicos. Estes são a celebração mais solene do Evangelho da vida, porque o proclamam com o dom total de si; são a manifestação refulgente do mais elevado grau de amor, que é dar a vida pela pessoa amada (cf. Jo 15, 13); são a participação no mistério da Cruz, na qual Jesus revela quão grande valor tem para Ele a vida de cada homem e como esta se realiza em plenitude no dom sincero de si. Além dos factos clamorosos, existe o heroísmo do quotidiano, feito de pequenos ou grandes gestos de partilha que alimentam uma autêntica cultura da vida.

Evangelium Vitae

A tal heroísmo do quotidiano, pertence o testemunho silencioso, mas tão fecundo e eloquente, de «todas as mães corajosas, que se dedicam sem reservas à própria família, que sofrem ao dar à luz os próprios filhos, e depois estão prontas a abraçar qualquer fadiga e a enfrentar todos os sacrifícios, para lhes transmitir quanto de melhor elas conservam em si». [111] No cumprimento da sua missão, «nem sempre estas mães heroicas encontram apoio no seu ambiente. Antes, os modelos de civilização, com frequência promovidos e propagados pelos meios de comunicação, não favorecem a maternidade. Em nome do progresso e da modernidade, são apresentados como já superados os valores da fidelidade, da castidade e do sacrifício, nos quais se distinguiram e continuam a distinguir-se multidões de esposas e de mães cristãs. (…) Nós vos agradecemos, mães heroicas, o vosso amor invencível! Nós vos agradecemos a intrépida confiança em Deus e no seu amor. Nós vos agradecemos o sacrifício da vossa vida. (…) Cristo, no Mistério Pascal, restituiu-vos o dom que Lhe fizestes. Ele, de facto, tem o poder de vos restituir a vida, que Lhe levastes em oferenda ». 

Evangelium Vitae

Abertura a vida

O que pode ser mais contraditório do que dizer ”eu amo a vida” e não estar aberto a recebê-la? Considerá-la um peso, uma dificuldade? Como é possível ser pró-vida enquanto se toma anticoncepcionais que promovem abortos ocultos?

Amar a vida é desejar recebê-la. É ver como a vida é um dom e existir é maior do que qualquer outra dificuldade que se interponha após a concepção. ”O Senhor dá a morte e a vida” (I Samuel 2,6). Não somos nós os senhores de nada, somos apenas criaturas. É Ele quem dispõe todas as coisas.

A família tem a ver com os seus membros durante toda a existência de cada um, desde o nascimento até à morte. Ela é verdadeiramente «o santuário da vida (…), o lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida contra os múltiplos ataques a que está exposta, e pode desenvolver-se segundo as exigências de um crescimento humano autêntico ». [119] Por isso, o papel da família é determinante e insubstituível na construção da cultura da vida.

Evangelium Vitae

Amar a vida é desejar transmiti-la. Como podemos amar a vida enquanto consideramos animais como filhos e filhos como algo a ser evitado e adiado? Se consideramos que ”toda forma de amor é válida”, ou seja, que as uniões entre o mesmo sexo tem o mesmo valor que as uniões entre homem e mulher como planejado por Deus?

“Vós, mulheres, tendes sempre em partilha a guarda do lar, o amor das fontes, o sentido dos berços. Vós estais presentes ao mistério da vida que começa. Vós consolais na partida da morte. A nossa técnica corre o risco de se tornar desumana. Reconciliai os homens com a vida. E sobretudo velai, nós vos suplicamos, sobre o futuro da nossa espécie. Tendes que deter a mão do homem que, num momento de loucura, tenta destruir a civilização humana.”

Papa Paulo VI às Mulheres

O feminismo é contra a vida, a família e a mulher

Se o feminismo fosse a favor da vida, não trabalharia destruindo a maravilhosa dignidade feminina e a vocação materna que todas temos.

Se o feminismo fosse a favor da família, não colocaria o homem contra a mulher, não buscaria igualdade em coisas como jornada de trabalho, não consideraria filhos um peso a ponto de serem mortos no ventre materno, não promoveria ideologia de gênero.

Se o feminismo fosse a favor da mulher, veria que bela criação de Deus ela é. Com seus dons tão particulares, sua forma e seu corpo tão perfeitos para gerar vida. Exaltaria a bondade divina em ter-nos feito complementares ao homem! Buscaria mais direitos que promovessem a mulher, não os que nos igualam aos homens através de nefastas ideologias, do pecado e de uma jornada de trabalho maçante, mas sim os que promovam o que nos tornam únicas: os direitos de sermos esposas e mães.

Anunciar a vida com alegria

Diante de uma cultura de morte, a nossa missão é amar a vida, ter um coração ardente de amor e assim aquecer e iluminar silenciosamente o mundo. Pequenas chamas que vão se acendendo e se multiplicando. Tudo isso é um trabalho pessoal e pequenino pois só pode ser feito através do testemunho de cada um de nós.

Este é o momento em que o Povo de Deus, e nele cada um dos crentes, é chamado a professar, com humildade e coragem, a própria fé em Jesus Cristo, « o Verbo da vida » (Jo 1, 1). O Evangelho da vida não é uma simples reflexão, mesmo se original e profunda, sobre a vida humana; nem é apenas um preceito destinado a sensibilizar a consciência e provocar mudanças significativas na sociedade; tampouco é a ilusória promessa de um futuro melhor. O Evangelho da vida é uma realidade concreta e pessoal, porque consiste no anúncio da própria pessoa de Jesus. Ao apóstolo Tomé, e nele a cada homem, Jesus apresenta-Se com estas palavras: « Eu sou o caminho, a verdade e a vida » (Jo 14, 6). A mesma identidade foi referida a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá jamais» (Jo 11, 25-26). Jesus é o Filho que, desde toda a eternidade, recebe a vida do Pai (cf. Jo 5, 26) e veio estar com os homens, para os tornar participantes deste dom: «Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância» (Jo 10, 10).

Evangelium Vitae

Somado as nossas pequenas gotas cotidianas de amor à vida devemos sempre nos envolver nos grandes projetos que a defendem: na política, nas manifestações públicas, etc.

Amar

Sobretudo ser pró-vida é amar. Amar a todos, independente de qualquer coisa. É amar a nossa vocação, amar as pessoas que Deus nos confiou, o nosso trabalho, o nosso cotidiano. É amar cada centelha de vida! ”A obrigação de acolher e servir a vida compete a todos e deve manifestar-se sobretudo a favor da vida em condições de maior fragilidade. É o próprio Cristo quem no-lo recorda, ao pedir para ser amado e servido nos irmãos provados por qualquer tipo de sofrimento: famintos, sedentos, estrangeiros, nus, doentes, encarcerados… Aquilo que for feito a cada um deles, é feito ao próprio Cristo (cf. Mt 25, 31-46). ” (São João Paulo II, Evangelium Vitae)

A vida é sempre um bem. Esta é uma intuição ou até um dado de experiência, cuja razão profunda o homem é chamado a compreender. Por que motivo a vida é um bem? Esta pergunta percorre a Bíblia inteira, encontrando já nas primeiras páginas uma resposta eficaz e admirável. A vida que Deus dá ao homem é diversa e original, se comparada com a de qualquer outra criatura viva, dado que ele, apesar de emparentado com o pó da terra (cf. Gn 2, 7; 3, 19; Job 34, 15; Sal 103 102, 14; 104 103, 29), é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória (cf. Gn 1, 26-27; Sal 8, 6). Isto mesmo quis sublinhar Santo Ireneu de Lião, com a célebre definição: «A glória de Deus é o homem vivo». [23] Ao homem foi dada uma dignidade sublime, que tem as suas raízes na ligação íntima que o une ao seu Criador: no homem, brilha um reflexo da própria realidade de Deus.

Evangelium Vitae

Ser pró-vida é respeitar o planeta em que vivemos.

Chamado a cultivar e guardar o jardim do mundo (cf. Gn 2, 15), o homem detém uma responsabilidade específica sobre o ambiente de vida, ou seja, sobre a criação que Deus pôs ao serviço da sua dignidade pessoal, da sua vida: e isto não só em relação ao presente, mas também às gerações futuras.

Evangelium Vitae

É não gerar desunião, não matar ao outro com a língua, não odiar. É cuidar do corpo de forma justa. É não temer a morte, pois ela é a porta para a verdadeira Vida. E também respeitar a sua hora, não procurando apressá-la. É favorecer a castidade, não o sexo desordenado. É ensinar e aprender qual a finalidade e a dignidade do ato conjugal. É amar o matrimônio!

É seguir os mandamentos: ”É escutando a palavra do Senhor que o homem pode viver com dignidade e justiça; é observando a lei de Deus que o homem pode produzir frutos de vida e de felicidade: «Todos os que a seguirem alcançarão a vida, e os que a abandonarem cairão na morte» (Bar 4, 1). «Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos» (Mt 19, 17)

É amar não só a vida natural, mas também a espiritual. É odiar o pecado, que mata a alma. É crer que Cristo vive! Primeiramente em mim, por isso tenho de estar vivo, em graça! É gerar vida nas almas, é não se cansar de esperá-las como Lázaro ”para fora do túmulo, depois de dias morto, a cheirar mal.”

Ser pró-vida é amar a Eucaristia. É viver aos pés do Sacrário, é ser sacrário vivo! É ter os olhos voltados para o Céu. Que a cultura da vida comece em cada um de nós e que sendo almas Eucarísticas possamos semear o Evangelho da vida por onde formos!

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE"Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.'' (Sta Teresa dos Andes)

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