Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: atividades familiares

Singelas tradições para viver o advento e Natal em casa

Tempo de leitura: 3 minutos

Como as famílias católicas podem viver bem o advento e o Natal em casa? Trago singelas tradições natalinas que algumas famílias fazem em seus lares. Que possa inspirar mais famílias!

Palhas para a manjedoura

“Ano passado fizemos um presépio bem simples com um cestinho pra colocar o Menino Jesus. Do lado, deixei uns papéis picados para imitar palha.

Todos os dias colocamos uma palha para cada coisa bonita que fizemos por Jesus, para Jesus “nascer no fofinho”. Aprendi com uma amiga que fazia isso em casa quando criança. ” (Ana Pur)

Cada criança pode ter uma manjedoura individual ou ter uma manjedoura para toda a família. A ideia é que quando atos de serviço, sacrifício ou bondade forem feitos em honra ao menino Jesus, a criança receba uma palha para colocar dentro da manjedoura.  Devemos encorajar as crianças a fazer para Jesus uma manjedoura mais confortável possível.

Enxoval para o Menino Jesus

Os pais junto com os filhos vão preparar um lugar na casa para pôr a manjedoura e durante os dias do advento vão preparando o enxoval, seguindo as atividades.

(Brenda Nascimento)

Sorteio do Anjo do Natal

“Coloco o nome das pessoas de nossa casa em papéis e fazemos o sorteio entre nós. Cada um fica responsável por fazer bondades para quem sorteou. Será o Anjo pra ela. No final do Advento revelamos os Anjos e entregamos uma pequena lembrança. “(Magda Verônica)

Coroa do Advento e propósito

“Todos os anos fazemos a Coroa do Advento, com o acendimento semanal das velas. No primeiro dia do advento, todos nós fazemos nossos propósitos de advento: uma privação, jejum, enfim, uma oferta de cada um ao Menino Jesus.”(Juliana Veloso)

As quatro velas colocadas na Coroa de Advento são acendidas semana a semana, nos quatro domingos do advento e com uma oração especial.

Para aprender mais sobre a Coroa, seguem os links:

http://www.acidigital.com/noticias/cinco-detalhes-sobre-a-coroa-do-advento-que-talvez-desconheca-51096/

http://www.salvemaliturgia.com/2010/12/coroa-do-advento.html?m=1

https://padrepauloricardo.org/episodios/qual-a-origem-da-coroa-do-advento

Mudar a data dos presentes

Muitas famílias seguem a tradição de entregar os presentes no dia dos Reis Magos, 6 de janeiro, ao invés do 25 de dezembro. Há famílias que também entregam lembrancinhas em sapatos ou meias no dia de São Nicolau, 6 de dezembro.

Para o dia do Natal, que tal celebrar o Menino Jesus? Fazendo um bolo com as crianças, por exemplo! O consumismo dessa época roubou e desviou há muito a nossa atenção do verdadeiro sentido do Natal.

O Natal não é uma data comercial, mas o nascimento de Nosso Senhor.  “Um menino nos foi dado”. O que vemos é a realização das escrituras “veio para os seus e os seus nao o acolheram”.

Resgatemos o sentido  do Natal sendo famílias verdadeiramente católicas e dando as nossas crianças uma sólida formação de fé: o Natal é do menino Jesus e não do papai noel.

A árvore de Jessé

A árvore de Jessé traz a genealogia de Jesus. É uma belíssima forma de ensinar a história sagrada aos nossos filhos e levá-los a refletir sobre a genealogia de Jesus durante esse tempo.
Cada enfeite da árvore faz menção a uma história  da Bíblia, desde a criação até o nascimento de Nosso Senhor .  A cada dia, uma história deve contada e seu enfeite correspondente deve ser pendurado na árvore.
Você pode fazer a sua própria árvore como ensina o link a seguir do blog Um novo lar:
https://www.google.fr/amp/s/umnovolar.wordpress.com/2016/11/18/como-fazer-uma-arvore-de-jesse/amp/

Ou pode comprar uma belíssima Árvore de Jessé de feltro através do Feltro do Céu: http://feltrodoceu.wixsite.com/feltrodoceu/jesse  ou pela página no Facebook.

Montar o presépio

Há muito o presépio foi retirado dos lares cristãos para dar lugar a árvore de Natal e demais enfeites. Devemos fazer da montagem do presépio uma tradição e centro de nosso advento, pois ele nos recorda o verdadeiro Natal.

Montar o presépio e explicá-lo as crianças é uma verdadeira catequese.

Na noite do dia 24 para 25 ou na manhã do dia 25, fazer a entronização do menino Jesus e repousá-Lo na manjedoura para que todos possam adorá-Lo é uma antiga e tão bela tradição que as famílias tem.

Celebrar o dia de São Nicolau

A figura do Papai Noel é inspirada na história de São Nicolau. Indico o texto onde a Luciana do blog As três chamas do lar, explica toda a história a respeito de São Nicolau e do papai Noel e a sua peça sobre esse santo:
Sobre São Nicolau (e o Natal)
https://www.google.fr/amp/s/lucianalachance.wordpress.com/2016/11/26/minha-peca-sobre-sao-nicolau/amp/

Celebrar outras datas

Santa Luzia, fazendo a relação com a Luz do mundo.
Imaculada Conceição, conhecendo e ensinando o dogma às crianças.
Nossa Senhora de Guadalupe, que apareceu grávida.

Fazer a Novena de Natal

Com a família, seja em casa ou na paróquia, é uma grande ocasião de preparar-nos para a vinda do menino Deus.

Participar das atividades paroquiais

Missas, atividades culturais e confissão.
Além disso, sugerimos três posts do casal querido e experiente, Rafael e Aline Brodbeck sobre esse tempo:

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/o-advento-vem-ai.html

http://www.domesticaecclesia.com/2016/11/como-viver-o-advento-em-familia_28.html

http://www.domesticaecclesia.com/2013/12/o-advento-vivido-em-familia.html

 

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

A importância da rotina – parte 2

Tempo de leitura: 6 minutos

Hoje retorno com a segunda parte do texto sobre a importância da rotina. Esta importante característica de uma vida virtuosa da qual muitos querem fugir, além dos efeitos já citados na parte 1 também ocasiona as seguintes vantagens:

Propicia o descanso

Ter uma rotina básica pré estabelecida descansa qualquer cérebro! Não é preciso gastar energia programando cada passo de cada dia. Podemos aproveitar essa energia pra outra coisa. No começo parece cansativo estabelecer objetivos, cumpri-los e ficar se programando, organizando. Mas depois, quando a rotina está efetivamente implantada, é um alívio. Automaticamente já sabemos o que devemos fazer e a melhor forma de realizar as atividades. Inclusive é aí que começam a sobrar minutos preciosos de descanso nos dias! Ou que servirão para realizarmos nossos hobbies. No meu caso, um tempo de leitura ou de cozinhar algo!

Além disso, o próprio ambiente ordenado já nos oferece descanso. Um ambiente em ordem traz paz, aconchego, serenidade, tranquilidade. Ele educa e traz o senso de beleza.

Precisamos ter em cada dia alguns momentos de descanso. Esses momentos não são tempo perdido, principalmente se forem dedicados a conversar e distrair-nos em família. O descanso não é ausência de ação, mas diversão, isto é, mudança de trabalho: uma leitura instrutiva ou amena para aquele cujo corpo está esgotado, o cultivo de um pequeno jardim, trabalhos de agulha, cozinhar, escrever, caminhar, e por aí vai.

Depois de alguns dias de observação, percebi que eu descanso muito enquanto cozinho. Dessa forma, principalmente em dias tenebrosamente difíceis, me esforço, apesar do cansaço desolador, em ir para a cozinha preparar um bom jantar: simples e delicioso. E tanto eu como meu esposo percebemos que não importa quão ruim tenha sido o dia, depois que estamos juntos, tendo rezado o Santo Terço e podendo apreciar uma refeição saborosa, parece que todas as coisas difíceis e ruins que aconteceram, são esquecidas e, assim, o dia termina bem. É uma de nossas estratégias de sobrevivência! Tem funcionado muito bem!

E também, quando o cansaço é extremo, como em momentos da chegada de um recém nascido, não há prejuízo em se substituir certas atividades pelo repouso. Nesse momento de alegria, mas também de dificuldade, a rotina deve tornar-se bastante flexível e básica até o bebê ir aos poucos tomando o ritmo da família.

Auxilia na quebra de vícios como procrastinação e indisciplina

O fato de um dever ser prioritário não significa, via de regra, que seja preciso dedicar-lhe a maior quantidade de tempo. Há duas maneiras de dar prioridade a alguma obrigação:

  1. Quando se dá importância primária à “qualidade” com que se realiza. Assim, a um homem que deve trabalhar por longas horas para sustentar a família, Deus muitas vezes lhe sugerirá: no dia de hoje, é prioritário dar ouvidos às preocupações da sua esposa, dedicar uma palavra de estímulo àquele filho. Isto não significa que Ele nos peça um tempo de que não dispomos. Pede-nos, sim, que, dentro do pouco tempo disponível, demos maior qualidade – qualidade de carinho, de interesse, de afabilidade – ao relacionamento com os da nossa casa. E isto é sempre possível.
  2. Prioridade “cronológica”. Não a que consiste em dedicar longo tempo, mas a que consiste em fazer o que é mais importante “quanto antes”, sem atrasos desnecessários.

Basta pensarmos na facilidade com que empurramos para depois deveres que certamente julgamos (mentalmente) primordiais. Temos consciência de que alguma coisa é importante e não pode ser largada; mas iludimo-nos, dizendo: “Mais tarde”; ou então: “Logo que me sobrar um pouco de tempo”. Infelizmente, esse tipo de reação é frequente quando se trata de deveres para com Deus: Missa dominical, oração, etc., ou de deveres relacionados com o serviço do próximo.

Superar a Preguiça

Um passo importante para sermos senhores de nós mesmos é o de superar a preguiça, um vírus silencioso que pode nos paralisar pouco a pouco. A preguiça se fortalece em quem não tem um norte, ou também em quem, tendo-o, não começa a andar em sua direção. Pôr a cabeça no que requer nossa atenção, evitar fugir do que supõe um pouco de esforço, não deixar para depois o que podemos fazer agora… Sobre esses hábitos se constrói uma personalidade ágil, forte e serena.

Também convém estar atento ao outro extremo, o ativismo desordenado, como diz São Josemaria: “Filho, que tua atividade não esteja em muitas coisas: se te apressares, não estarás isento de delito; se perseguires, não alcançarás e, se correres, não escaparás”. Para que a vida não nos afogue com seus infinitos requerimentos, será melhor tomar a iniciativa para distribuir nossa atividade nos tempos adequados, ou seja, planejar – sem ficar quadriculados – dando prioridade ao que deve estar em primeiro lugar e não ao que aparece em cada momento. Assim evitamos que o urgente se sobreponha ao importante. Logicamente, não é preciso programar tudo, porém evitar que a improvisação leve à perda de tempo porque simplesmente nos dedicamos a correr atrás do que acontece durante o dia. Neste sentido, dizia São Josemaria que “é preciso ter ordem porque não temos tempo de fazer tudo de uma vez”.

Em nosso dia há alguns momentos chave que podemos fixar previamente: a hora de dormir, a hora de acordar, os tempos que vamos dedicar exclusivamente a Deus, a hora de trabalhar, a hora das refeições. Depois está o campo de fazer bem o que devemos fazer, com rendimento, atenção e perfeição, ou seja, com amor. “Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes”, já ensinou São Josemaria. Trata-se, em última análise, de um programa de santidade que não tem limites, porque se ordena a um grande fim: fazer feliz a Deus e aos outros. Ao mesmo tempo, esse amor que nos leva a ter um horário nos indicará quando devemos “quebrar” o plano, porque o bem de outras pessoas o exige, ou por tantos outros motivos que se apresentam com claridade para quem vive em presença Deus.

Quem é laborioso aproveita o tempo (…). Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Por isso é diligente. O uso normal dessa palavra – diligente – já nos evoca a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente. – São Josemaria Escrivá

A santidade “grande” está em cumprir os “deveres pequenos” de cada instante. (Caminho, 817)

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Promove a harmonia familiar

A ordem torna o lar habitável, permite que cada um tenha seu espaço em boas condições, favorece a harmonia no funcionamento de cada parte da casa. Quando alguém entra em um lugar limpo e ordenado, tende a respeitar essa limpeza e ordem; mas se chegamos a um lugar sujo e desordenado, não sentiremos nenhum respeito por esse ambiente. O verdadeiro luxo de uma casa está no cuidado com que todos se esforçam para fazer bem todas as coisas.

Os pais devem tornar a casa funcional e agradável, a fim de que o trabalho de conservação que ela requer seja rápido e racional, sem atropelar as pessoas que dela se ocupam, tomando-lhes o tempo e a energia. É conveniente que a mãe procure economizar seu tempo mantendo a casa em ordem, virtude quase fora de moda, mas tão prática e eficaz: aquela ordem que, segundo diz o ditado: coloca cada coisa no seu lugar e faz economizar tempo, fadiga e palavras destemperadas. O pai, por sua vez, deve procurar não considerar a casa somente como lugar onde finalmente pode enfiar os chinelos.

A ordem, a regularidade, a programação, adequada, a divisão do trabalho – de que os filhos participarão gradualmente – farão do lar um lugar de convivência feliz e serena, donde desaparece todo o tipo de mau humor. É necessário, pois, aprender a programar o tempo em função dos objetivos a que nos propomos. Se não tivermos objetivos, é fácil que o tempo se torne um tirano: estaremos sempre muito ocupados e qualquer coisa nos deixará aborrecidos.

Saber o que acontece nos dias e horários habituais torna mais fácil a transição de uma tarefa para outra. As crianças aprendem a cooperar com as atividades e até mesmo a antecipá-las, sentindo-se satisfeita por sua colaboração e sucesso.

A rotina permite uma melhor divisão de tarefas e abre espaço para organizar momentos juntos: como as refeições, distrações (como filmes, jogos, passeios), as orações e momentos de conversa. Traz a segurança e evita a ansiedade do que esperar de cada dia. Além disso, a ordem material nos dá a tranquilidade de saber onde encontrar cada coisa, o que evita a insatisfação, a insegurança e o mau humor.

Não é porque a rotina existe que deve ser exatamente cumprida sempre. Quebrar a rotina vez por outra é necessário para o ser humano. Às vezes uma louça pode ser deixada na pia para que um filme seja assistido em família, por exemplo. O rigor da rotina não deve transmitir a sensação de perda de liberdade. O bom senso e equilíbrio sempre devem ser mantidos.

O nosso século – escreve Jacques Leclercq – orgulha-se de ser o da vida intensa, e essa vida intensa não é senão uma vida agitada, porque o sinal do nosso século é a corrida, e as mais belas descobertas de que se orgulha não são as descobertas da sabedoria, mas da velocidade. E a nossa vida só é propriamente humana se nela há calma, vagar, sem que isso signifique que deva ser ociosa (…) Acumular corridas e mais corridas, não é acumular montanhas, mas ventos.

Façamos um horário, um “plano de vida”, bem meditado e bem distribuído– melhor se for por escrito –, que crie canais efetivos para todos os nossos desejos de fazer as coisas bem e de fazer o bem; vivamos fielmente esse plano, e então entenderemos por experiência o sentido destas palavras de São Josemaria Escrivá: “Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar maior glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço” (Caminho, n. 80).


Referências

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Tríduo Pascal em família – como viver bem?

Tempo de leitura: 4 minutos

A Semana Santa é uma boa ocasião para incutir na família, especialmente nos filhos, o espírito de piedade cristã hoje tão em falta nas famílias. Por ser uma Semana Santa que toca de maneira forte a nossa sensibilidade, pois é a semana da Paixão de Cristo, torna-se uma ocasião oportuna para fazer de algum modo um retiro espiritual em família. Esse retiro pode ser realizado a partir de atitudes como:

1. Confessar-se

Para quem ainda não teve oportunidade ou protelou, ainda é tempo de fazer uma boa confissão e se possível, uma confissão geral.

2. Ter a consciência da importância de participar das cerimônias da Igreja

A Semana Santa é o ápice da vida cristã. Nós pais precisamos não só viver mas também envolver ao máximo nossos filhos nas celebrações litúrgicas. Uma das formas de se viver o Evangelho em família é justamente comprometer-nos nestes momentos fortes da nossa Igreja.
Crianças pequenas não são pensadores abstratos. Para aprender, eles precisam ver. Por isso é importante desenvolver atividades práticas com as crianças e levá-las às celebrações para que vejam e participem concretamente:

  • Na quinta-feira, da Missa de Lava Pés ou In coena Domini, da Ceia do Senhor; seguindo de um tempo de adoração a Nosso Senhor;
  • Na sexta-feira, na Via Sacra, Celebração da Paixão, Procissão do Senhor Morto (a depender da programação de cada paróquia);
  • No sábado, da Vigília Pascal;
  • No domingo, da Assembleia Pascal (a depender da programação de cada paróquia).

3. Manter um verdadeiro espírito de recolhimento e oração

Algumas atividades simples ajudam a tornar o ambiente da casa mais propício ao tempo da Semana Santa:

Cobrir as imagens sacras

Assim como em nossas igrejas, devemos cobrir ou guardar (caso não se tenha o tecido roxo) as imagens sacras desde o V Domingo da Quaresma.
Ao velar o crucifixo (até a Sexta-feira Santa) e as imagens dos santos (até a Vigília Pascal) a Igreja antecipa o luto pela morte de seu Senhor, incutindo nos fiéis uma mortificação à sua visão. Além disso, em casa, essa atitude visual auxilia principalmente as crianças a perceberem que ‘algo diferente’ está acontecendo.

Meditar a Paixão de Cristo

Deve ser dada maior ênfase em meditações da paixão. Aqui usamos o “A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, de Santo Afonso. Como o Bento ainda tem 7 meses, não desenvolvemos uma atividade específica para ele, além das atividades que normalmente já participamos em nossa paróquia.

Manter um clima de silêncio

Apesar das atividades rotineiras, podemos, contudo, diminuir a nossa agitação, as nossas atividades em casa, o uso de meios de comunicação e dedicar mais tempo a uma leitura piedosa do Evangelho da Paixão e outros livros como o livro II da Imitação de Cristo, especialmente capítulos 11 e 12.

O clima da casa deve ser de recolhimento, evitando-se todo barulho ou atividade supérflua, mantendo o espírito de silêncio, através da moderação de palavras, festas e tudo que dissipe o espírito em divagações supérfluas.

De quarta feira até depois da Páscoa nenhuma atividade desnecessária será feita em nossa casa. Esses dias são reservados para Nosso Senhor.

Intensificar a oração e as penitências

Aproveitemos esse tempo de silêncio e sobriedade, intensifiquemos a nossa vida de penitência e meditemos sobre o infinito amor do Senhor, o qual, “amando os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Além disso, são oportunas as orações e penitências em família definidas em comum acordo entre pais e filhos.

Aqui, por exemplo, escolhemos ter uma alimentação simples durante a semana santa para que no domingo de Páscoa tenhamos um belo almoço bem alegre! Assim aproveitaremos para sofrer junto com o Senhor e nos mortificarmos e também celebraremos com grande alegria a Ressurreição!

A sexta-feira da Paixão

Cozinha

A sexta feira da Paixão é um dia bastante quieto para nós. Há pouco para se fazer na cozinha, já que o jejum é rigorosamente observado nesse dia. Como eu amamento e o Bento ainda é bebê, eu faço um jejum mais leve. Já o Gabriel cumpre o jejum completo.
Uma dica é deixar praticamente tudo preparado já na quinta-feira, como os legumes e temperos picados, para não ter imprevistos ou atividades exageradas durante a sexta-feira.

Crianças

Durante as refeições todos podem ser incentivados a comer em silêncio e a ter pouco barulho pela casa – a respeito de barulhos que podemos controlar, é claro. Quem tem crianças pequenas sabe que há barulhos inevitáveis, o que é completamente normal.
A vivência familiar não é uma regra engessada, devemos lembrar que crianças são crianças, e também nem por isso devem ser flexibilizadas demais e esperar que não possam alcançar altos ideais. Mas também devemos ter expectativas baixas para não nos frustrarmos. O fato é que a própria piedade exprimida pelos pais nesses dias, a ausência de barulhos, como os de eletrônicos, ensina e educa a criança a vivenciar o clima de recolhimento, o que não significa que ela ficará imóvel de boquinha fechada.

Podem ser feitos desenhos para colorir, leituras de passagens sobre a Paixão, filmes. Além disso, é oportuno incentivar as crianças a deixarem as frivolidades nesse dia, como os desenhos animados e as guloseimas.

Adultos

Entre os adultos a conversa fica reduzida ao essencial, como se alguém muito amado estivesse deitado morto dentro de nossa casa. Nós usamos esse dia para participar ativamente das atividades paroquiais como a Via Sacra, a Celebração da Paixão, a encenação do Descendimento da Cruz e o Sermão da Solidão de Nossa Senhora.
À noite, antes de dormir, lemos ou assistimos algum filme sobre a Paixão.

Para aqueles que não conseguem participar dos ritos por causa de doença, bebês pequenos, é bom planejar atividades que ajudem a manter o espírito de recolhimento.

O sábado de Aleluia

Já no Sábado Santo as atividades começam a ser retomadas aos poucos, como o preparo dos ovos de Páscoa.
Mas lembre-se, ao contrário do que fazem muitos brasileiros, o sábado ainda não é dia de comemoração. Parece-me que, por ignorância, há uma confusão com o nome Sábado de Aleluia e parte-se para o churrasco durante todo o dia. Guardemos a alegria para após a Vigília Pascal! Pode-se fazer uma bela ceia após a Santa Missa, mas para nós fica muito tarde.

A alegria da Ressurreição

Devemos dar um adeus ao consumismo reinante em nossa sociedade, principalmente em época pascal e natalina. As famílias precisam voltar às tradições e à manufatura, ensinando aos filhos o valor do trabalho e a alegria de viver a fé.
Podem ser feitos ovos de chocolate caseiros ou pintar ovos de galinha por exemplo. Eles são uma boa maneira de expressar a Boa Nova da Ressurreição, pois são símbolo da vida nova.
A alegria é a marca do cristão, por isso o grande dia da ressurreição deve ser vivido como tal. Para isso podem-se colocar músicas alegres que remetam à ressurreição, usar as melhores roupas, fazer um grande almoço pascal e, se possível, convidar amigos ou familiares.


Referências

Blogue da família Zago, da terceira ordem do Verbo Encarnado.