Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: cristão

Você já ouviu falar sobre modéstia?

Tempo de leitura: 2 minutos

Você já parou para pensar sobre o modo como se comporta e se veste? Será que nossos gestos e vestuário dizem algo?

É certo que o uso de roupas não é algo que aconteceu acidentalmente. Desde o pecado original nós as usamos. Então, qual será a sua finalidade?

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A importância da rotina – parte 2

Tempo de leitura: 6 minutosHoje retorno com a segunda parte do texto sobre a importância da rotina. Esta importante característica de uma vida virtuosa da qual muitos querem fugir, além dos efeitos já citados na parte 1 também ocasiona as seguintes vantagens:

Propicia o descanso

Ter uma rotina básica pré estabelecida descansa qualquer cérebro! Não é preciso gastar energia programando cada passo de cada dia. Podemos aproveitar essa energia pra outra coisa. No começo parece cansativo estabelecer objetivos, cumpri-los e ficar se programando, organizando. Mas depois, quando a rotina está efetivamente implantada, é um alívio. Automaticamente já sabemos o que devemos fazer e a melhor forma de realizar as atividades. Inclusive é aí que começam a sobrar minutos preciosos de descanso nos dias! Ou que servirão para realizarmos nossos hobbies. No meu caso, um tempo de leitura ou de cozinhar algo!

Além disso, o próprio ambiente ordenado já nos oferece descanso. Um ambiente em ordem traz paz, aconchego, serenidade, tranquilidade. Ele educa e traz o senso de beleza.

Precisamos ter em cada dia alguns momentos de descanso. Esses momentos não são tempo perdido, principalmente se forem dedicados a conversar e distrair-nos em família. O descanso não é ausência de ação, mas diversão, isto é, mudança de trabalho: uma leitura instrutiva ou amena para aquele cujo corpo está esgotado, o cultivo de um pequeno jardim, trabalhos de agulha, cozinhar, escrever, caminhar, e por aí vai.

Depois de alguns dias de observação, percebi que eu descanso muito enquanto cozinho. Dessa forma, principalmente em dias tenebrosamente difíceis, me esforço, apesar do cansaço desolador, em ir para a cozinha preparar um bom jantar: simples e delicioso. E tanto eu como meu esposo percebemos que não importa quão ruim tenha sido o dia, depois que estamos juntos, tendo rezado o Santo Terço e podendo apreciar uma refeição saborosa, parece que todas as coisas difíceis e ruins que aconteceram, são esquecidas e, assim, o dia termina bem. É uma de nossas estratégias de sobrevivência! Tem funcionado muito bem!

E também, quando o cansaço é extremo, como em momentos da chegada de um recém nascido, não há prejuízo em se substituir certas atividades pelo repouso. Nesse momento de alegria, mas também de dificuldade, a rotina deve tornar-se bastante flexível e básica até o bebê ir aos poucos tomando o ritmo da família.

Auxilia na quebra de vícios como procrastinação e indisciplina

O fato de um dever ser prioritário não significa, via de regra, que seja preciso dedicar-lhe a maior quantidade de tempo. Há duas maneiras de dar prioridade a alguma obrigação:

  1. Quando se dá importância primária à “qualidade” com que se realiza. Assim, a um homem que deve trabalhar por longas horas para sustentar a família, Deus muitas vezes lhe sugerirá: no dia de hoje, é prioritário dar ouvidos às preocupações da sua esposa, dedicar uma palavra de estímulo àquele filho. Isto não significa que Ele nos peça um tempo de que não dispomos. Pede-nos, sim, que, dentro do pouco tempo disponível, demos maior qualidade – qualidade de carinho, de interesse, de afabilidade – ao relacionamento com os da nossa casa. E isto é sempre possível.
  2. Prioridade “cronológica”. Não a que consiste em dedicar longo tempo, mas a que consiste em fazer o que é mais importante “quanto antes”, sem atrasos desnecessários.

Basta pensarmos na facilidade com que empurramos para depois deveres que certamente julgamos (mentalmente) primordiais. Temos consciência de que alguma coisa é importante e não pode ser largada; mas iludimo-nos, dizendo: “Mais tarde”; ou então: “Logo que me sobrar um pouco de tempo”. Infelizmente, esse tipo de reação é frequente quando se trata de deveres para com Deus: Missa dominical, oração, etc., ou de deveres relacionados com o serviço do próximo.

Superar a Preguiça

Um passo importante para sermos senhores de nós mesmos é o de superar a preguiça, um vírus silencioso que pode nos paralisar pouco a pouco. A preguiça se fortalece em quem não tem um norte, ou também em quem, tendo-o, não começa a andar em sua direção. Pôr a cabeça no que requer nossa atenção, evitar fugir do que supõe um pouco de esforço, não deixar para depois o que podemos fazer agora… Sobre esses hábitos se constrói uma personalidade ágil, forte e serena.

Também convém estar atento ao outro extremo, o ativismo desordenado, como diz São Josemaria: “Filho, que tua atividade não esteja em muitas coisas: se te apressares, não estarás isento de delito; se perseguires, não alcançarás e, se correres, não escaparás”. Para que a vida não nos afogue com seus infinitos requerimentos, será melhor tomar a iniciativa para distribuir nossa atividade nos tempos adequados, ou seja, planejar – sem ficar quadriculados – dando prioridade ao que deve estar em primeiro lugar e não ao que aparece em cada momento. Assim evitamos que o urgente se sobreponha ao importante. Logicamente, não é preciso programar tudo, porém evitar que a improvisação leve à perda de tempo porque simplesmente nos dedicamos a correr atrás do que acontece durante o dia. Neste sentido, dizia São Josemaria que “é preciso ter ordem porque não temos tempo de fazer tudo de uma vez”.

Em nosso dia há alguns momentos chave que podemos fixar previamente: a hora de dormir, a hora de acordar, os tempos que vamos dedicar exclusivamente a Deus, a hora de trabalhar, a hora das refeições. Depois está o campo de fazer bem o que devemos fazer, com rendimento, atenção e perfeição, ou seja, com amor. “Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes”, já ensinou São Josemaria. Trata-se, em última análise, de um programa de santidade que não tem limites, porque se ordena a um grande fim: fazer feliz a Deus e aos outros. Ao mesmo tempo, esse amor que nos leva a ter um horário nos indicará quando devemos “quebrar” o plano, porque o bem de outras pessoas o exige, ou por tantos outros motivos que se apresentam com claridade para quem vive em presença Deus.

Quem é laborioso aproveita o tempo (…). Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Por isso é diligente. O uso normal dessa palavra – diligente – já nos evoca a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente. – São Josemaria Escrivá

A santidade “grande” está em cumprir os “deveres pequenos” de cada instante. (Caminho, 817)

Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Promove a harmonia familiar

A ordem torna o lar habitável, permite que cada um tenha seu espaço em boas condições, favorece a harmonia no funcionamento de cada parte da casa. Quando alguém entra em um lugar limpo e ordenado, tende a respeitar essa limpeza e ordem; mas se chegamos a um lugar sujo e desordenado, não sentiremos nenhum respeito por esse ambiente. O verdadeiro luxo de uma casa está no cuidado com que todos se esforçam para fazer bem todas as coisas.

Os pais devem tornar a casa funcional e agradável, a fim de que o trabalho de conservação que ela requer seja rápido e racional, sem atropelar as pessoas que dela se ocupam, tomando-lhes o tempo e a energia. É conveniente que a mãe procure economizar seu tempo mantendo a casa em ordem, virtude quase fora de moda, mas tão prática e eficaz: aquela ordem que, segundo diz o ditado: coloca cada coisa no seu lugar e faz economizar tempo, fadiga e palavras destemperadas. O pai, por sua vez, deve procurar não considerar a casa somente como lugar onde finalmente pode enfiar os chinelos.

A ordem, a regularidade, a programação, adequada, a divisão do trabalho – de que os filhos participarão gradualmente – farão do lar um lugar de convivência feliz e serena, donde desaparece todo o tipo de mau humor. É necessário, pois, aprender a programar o tempo em função dos objetivos a que nos propomos. Se não tivermos objetivos, é fácil que o tempo se torne um tirano: estaremos sempre muito ocupados e qualquer coisa nos deixará aborrecidos.

Saber o que acontece nos dias e horários habituais torna mais fácil a transição de uma tarefa para outra. As crianças aprendem a cooperar com as atividades e até mesmo a antecipá-las, sentindo-se satisfeita por sua colaboração e sucesso.

A rotina permite uma melhor divisão de tarefas e abre espaço para organizar momentos juntos: como as refeições, distrações (como filmes, jogos, passeios), as orações e momentos de conversa. Traz a segurança e evita a ansiedade do que esperar de cada dia. Além disso, a ordem material nos dá a tranquilidade de saber onde encontrar cada coisa, o que evita a insatisfação, a insegurança e o mau humor.

Não é porque a rotina existe que deve ser exatamente cumprida sempre. Quebrar a rotina vez por outra é necessário para o ser humano. Às vezes uma louça pode ser deixada na pia para que um filme seja assistido em família, por exemplo. O rigor da rotina não deve transmitir a sensação de perda de liberdade. O bom senso e equilíbrio sempre devem ser mantidos.

O nosso século – escreve Jacques Leclercq – orgulha-se de ser o da vida intensa, e essa vida intensa não é senão uma vida agitada, porque o sinal do nosso século é a corrida, e as mais belas descobertas de que se orgulha não são as descobertas da sabedoria, mas da velocidade. E a nossa vida só é propriamente humana se nela há calma, vagar, sem que isso signifique que deva ser ociosa (…) Acumular corridas e mais corridas, não é acumular montanhas, mas ventos.

Façamos um horário, um “plano de vida”, bem meditado e bem distribuído– melhor se for por escrito –, que crie canais efetivos para todos os nossos desejos de fazer as coisas bem e de fazer o bem; vivamos fielmente esse plano, e então entenderemos por experiência o sentido destas palavras de São Josemaria Escrivá: “Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar maior glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço” (Caminho, n. 80).


Referências

A Indissolubilidade do Matrimônio

Tempo de leitura: 5 minutosÉ fácil observar que o casamento tem sofrido ataques ferozes nos últimos anos. Política, cultura, meios de comunicação, todos parecem estar sempre prontos para atacar o matrimônio a qualquer momento. Já no início da década de 1980, São João Paulo II escreveu:

“Entre os sinais mais preocupantes deste fenômeno, os Padres Sinodais sublinharam, em particular, o difundir-se do divórcio e do recurso a uma nova união por parte dos mesmos fiéis (…)” – São João Paulo II

Durante toda nossa vida somos bombardeados por ideias contra os pilares do matrimônio: amor livre, total, fiel e fecundo. Pretendo falar sobre cada um destes, mas hoje escreverei em favor do amor fiel!

Eu não te deixarei. Nunca. Não importa o que aconteça!

Este é o voto da fidelidade matrimonial. Um pouco assustador, não? Eu sei, mas é justamente este voto que permite a segurança necessária para a formação de uma família saudável para o casal e para as crianças.

O voto de fidelidade impõe restrições às discussões do casal.  Por causa dele não se pode dizer “basta para mim” toda vez que o outro manifestar um de seus defeitos, o que fará tão frequentemente quanto você mesmo.
Se, por outro lado, a possibilidade do divórcio rondar todas discussões, os dois viverão como animais ariscos. A possibilidade do término do relacionamento fará com que cada um viva num constante clima de vigilância, com medo de que suas atitudes desagradarem ao cônjuge, o que tornará a vida muito difícil e estressante. Consequentemente tendendo ao fracasso do casamento. Logo, a possibilidade do divórcio aumenta a probabilidade dele acontecer!

O casamento é um voto de união por toda vida, por isso se faz em frente de muitas pessoas e, principalmente, diante de Deus! Também por isso os noivos devem se preparar muito bem para receber o sacramento do Matrimônio, pois é um passo definitivo, com consequências para toda vida e, claro, também para a eternidade. O Papa Francisco já chamou a atenção para este problema da falta de preparação adequada:

“A preparação próxima do matrimônio tende a concentrar-se nos convites, na roupa, na festa com os seus inumeráveis detalhes que consomem tanto os recursos econômicos como as energias e a alegria. Os noivos chegam desfalecidos e exaustos ao casamento, em vez de dedicarem o melhor das suas forças a preparar-se como casal para o grande passo que, juntos, vão dar.” – Papa Francisco

Confiança plena para se entregar aos filhos

Outro ponto importante da fidelidade é a confiança que surge entre o casal (e passa para os filhos). De que outro modo uma mulher poderia abandonar uma carreira profissional para se dedicar integralmente à família?

Mesmo que a lei do divórcio dê algumas “garantias”, uma separação costuma ser injusta pois a mulher que deixou a carreira profissional fica dependente da pensão dada aos filhos e da divisão dos bens enquanto o homem segue com suas receitas provenientes de seu trabalho.

Liberdade

A ideia de que o divórcio significa liberdade não poderia ser mais falsa. Me parece muito mais uma tentativa de racionalizar que o fracasso em construir uma família, no fundo, foi algo bom.

Como já explicado, só somos realmente livres quando podemos agir sem medo, sempre tentando acertar, é claro, mas também sem medo de assumirmos nossos defeitos para assim podermos consertá-los, sem medo de nos entregarmos completamente ao cônjuge e aos filhos.

A indissolubilidade do casamento também é o único modo de assumir responsabilidades. Afinal, se você não pode fugir então você irá resolver seus problemas. A alternativa é viver num campo de batalha pelo resto da vida!

Velhice

A fidelidade é a segurança que precisamos para não vivermos uma vida volátil, onde tudo pode acontecer a qualquer momento. Veja o que acontece com pessoas que se divorciam frequentemente aos 50, 60 anos. É triste: família fragmentada, não têm uma narrativa continuada da vida, sem falar no mal que traz para os filhos.

Segurança emocional dos filhos

A possibilidade do divórcio atinge diretamente o sentimento fundamental para a felicidade doméstica: o propósito de um futuro tranquilo e seguro. Os filhos recebem dos pais três bens fundamentais: a existência, o alimento e a educação, eles são essenciais para o desenvolvimento normal das crianças e jovens e isso tudo só é possível graças à fidelidade dos pais. Sem ela, as crianças se veem com corações divididos, sem os irmãozinhos que naturalmente viriam, sem um teto para chamar de seu, enfim, envenenadas pela separação entre a lei civil e a lei Natural, que é a Lei de Deus.

Sociedade moralmente saudável

Também são a legalização e a difusão do divórcio causas da degradação moral que decaiu sobre grande parte do mundo.  As obras e leis de Deus exercem ações benéficas à toda sociedade, mas quando os homens viram as costas para elas, estas ações desaparecem e uma série de males surgem, como se a própria Natureza se revoltasse contra  as obras dos homens contrárias à vontade Divina. Por isso, ao atingir diretamente os jovens, o divórcio enfraquece também a sociedade e a nação que encontram neles – os jovens – o escudo e o braço da prosperidade.

A própria violação dos votos matrimoniais tem consequências maiores, vejamos o que nos diz o Venerável Fulton Sheen:

(…) Seria terrível demais contemplar o que aconteceria ao mundo se nossas promessas não fossem mais vínculos. Nenhuma nação poderia estender crédito a outra Nação se o acordo de reembolso foi assinado com reservas. A ordem internacional desaparece enquanto a sociedade doméstica perece pela quebra dos votos. Dizer, dois anos após o casamento: “Eu fiz meu juramento no altar, sim, mas já que estou apaixonado por outra pessoa, Deus não quer que eu mantenha meu juramento”. É como dizer: “eu prometi não roubas as galinhas do vizinho, mas como me apaixonei por aquela bela Plymouth Rock (uma raça de galinha), Deus não quer que eu mantenha minha promessa”. Uma vez que decidimos, em qualquer assunto, que a paixão tem precedência sobre a verdade, e o impulso erótico sobre a honra, então como impedimos o roubo de qualquer coisa caso se torne “vital” para alguém? – Venerável Fulton Sheen

E Chesterton dá razão à Santa Igreja, falando sobre o divórcio:

A Igreja sempre esteve certa em negar até mesmo a exceção. O mundo admitiu a exceção, e a exceção se tornou regra. – G. K. Chesterton

Salvaguarda da dignidade da mulher

O papa Pio XII nos deixou textos esplêndidos sobre a família:

“Vede a sociedade moderna, nos países em que se permite o divórcio e perguntai-vos: te o mundo a clara noção de que a dignidade da mulher é ultrajada e ofendida, violada e corrompida, sepultada – é preciso dizer – na degradação e no abandono? Quantas lágrimas secretas molharam corredores e quartos! Quantos gemidos, quantas súplicas, quantos chamados desesperados em encontros, caminhos ou trilhas, em cantos e passagens desertas! Não, a dignidade pessoal do marido e da mulher – sobretudo a da mulher – não têm melhor defesa e tutela que a indissolubilidade do matrimônio. É um erro funesto acreditar que se possa conservar, proteger e elevar a digna nobreza da mulher e sua cultura feminina sem o fundamento do matrimônio uno e indissolúvel. Se a Igreja, cumprindo a missão recebida de Seu divino fundador, com gigantesco e intrépido uso de uma santa indomável energia, afirmou sempre e difundiu pelo mundo o matrimônio indissolúvel sai-lhe glórias, porque com isso contribuiu enormemente para defender o direito do espírito contra os impulsos dos sentidos na vida matrimonial, salvando, com a dignidade das núpcias, a dignidade da mulher e também da pessoa humana.” – Papa Pio XII.

Portanto, façamos nossa parte, confiantes na Graça santificante, para edificarmos uma família que seja rocha firme onde os filhos possam crescer e formar uma sociedade temente a Deus, de onde surgirão muitos santos e santas!


Referências