Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

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Para quem nos arrumamos?

Tempo de leitura: 8 minutos

 

Em nossa cultura não temos o bom hábito de nos vestirmos bem para ficar em casa. Na verdade, infelizmente, de uns anos para cá, nem de sair para a rua. Se tem algo que tem decaído de forma rápida e absurda é a forma como as pessoas se vestem. Basta fazer uma autocrítica ou perguntar a um grupo de pessoas (principalmente mulheres) e descobriremos que a maioria de nós usa qualquer coisa para estar no lar.  Seja pela escolha de peças mais confortáveis ou pelo pensamento de que roupas velhas, surradas, manchadas e rasgadas são para serem usadas em casa.  O fato é que, para nós brasileiros, estar arrumado em casa é algo que ficou reservado para as pessoas de alto padrão financeiro, além de ser um mau hábito arraigado em nós. Mas isso é um grande erro.

Mudança de hábito

Para estar bem arrumado em casa não é necessário ter um alto padrão financeiro. Estar sempre bem arrumado significa ter o cabelo penteado, estar com a higiene feita, para os homens a barba feita, para as mulheres um batonzinho, roupas limpas e decorosas, essas coisas. E isso não significa em um lugar específico. Devemos estar sempre assim, pois faz parte da higiene. Muitas pessoas tem a ideia errada do que é estar arrumado e confundem isso com estar vestido como ir para uma festa. ”Simplicidade não é o mesmo que negligência.”1

Inclusive, em nosso país, em sua maior parte, as pessoas acreditam que devam se arrumar apenas para ir para festas e investir em roupas boas e bonitas para essas ocasiões ‘outside‘ (do lado de fora). Acabamos comprando qualquer peça para ficar em casa e então quando vamos ver acaba que as peças não se combinam entre si, por serem de má qualidade logo ficam surradas pois são lavadas várias vezes e daí vem uma série de consequências.

Além disso, é tão decadente a forma de se vestir do brasileiro que, atualmente, nem para sair as pessoas se arrumam. Mesmo estando vestida de forma simples, em geral, na maioria das ocasiões estou destoante das pessoas simplesmente pelo fato de que elas vão para a padaria, para uma festa de aniversário ou para a Santa Missa da mesma forma: de shorts e havaianas.

”Mas o exterior não tem importância!” dirá você, talvez. Mas, diga-me: você pode imaginar Nosso Senhor usando vestes sujas e rasgadas ao ensinar a multidão?” (Tihamer Toth)

”O homem não é só alma, senão também corpo; o que se passa na alma transparece de maneira visível no corpo e os fenômenos próprios da alma refletem-se também no exterior. (…) É preciso que o exterior – as roupas e o asseio corporal – correspondam à ordem interior, à disciplina dos pensamentos, ao asseio moral. Cada vez que vejo alguém com aspecto negligente – sapatos enlameados, rosto mal lavado, unhas de luto, cabelos em desordem, roupas cheias de manchas,- não posso deixar de pensar na desordem ou mesmo na sujeira que lhe deve encher o interior.

Uma aparência exterior agradável tem, pois, a sua importância, é preciso cultivá-la. Mas não lhe digo para seguir todas as loucuras da moda e utilizar todos os requintes da cosmética. O que desejo é asseio do corpo e do vestuário.

O asseio corporal tem sua importância não somente pela saúde mas também para o senso estético. Pouco importa que as roupas sejam novas, mas todos podem cuidar da sua roupa usada, remendada talvez, mas sem manchas nem rasgões, sem nódoas de gordura ou camadas de pó. ”2

Para quem nos arrumamos?

A apresentação pessoal configura a primeira imagem que projetamos aos outros. Se fizermos um exame crítico a respeito da forma com que ficamos em casa, que mensagem estaremos passando aos que amamos? Será que é uma mensagem de cuidado e zelo ou de desleixo e desimportância?

Em geral, quando precisamos sair, seja para o supermercado ou para uma festa, não saímos de qualquer modo. Penteamos os cabelos, cuidamos do rosto, vestimos uma roupa adequada, colocamos um brinco, essas coisas. Então por que para ficar em casa escolhemos a pior forma? Quando trabalhamos fora não nos vestimos de qualquer jeito. Há empregos que exigem até um dress code como uniformes, jalecos,  então porque para o trabalho no lar nos permitimos usar pijamas e moletons?

Quando nos casamos, nosso marido ou esposa tornam-se a pessoa mais importante para nós aqui nessa terra. Então, com que cuidado não deveríamos nos esmerar em estar bem arrumados uns para os outros? Na verdade, cuidamos tanto disso durante o namoro e noivado e, depois do casamento, para muitos é como uma carta de alforria para não mais precisar se cuidar. São Josemaria nos lembra: ”É próprio dos enamorados o cuidado dos detalhes, mesmo nas ações sem importância. Para que no matrimonio se conserve o encanto do começo, a mulher deve procurar conquistar o seu marido cada dia; e o mesmo teria que dizer ao marido com relação à mulher. O amor deve ser renovado dia a dia; e o amor se ganha com sacrifício, com sorrisos e com arte também.”3

Ele continua dizendo: ”Quando o marido chega do trabalho, da sua tarefa profissional, que não te encontre reclamando. Arruma-te, fica bonita, e quando passarem os anos, arruma um pouquinho mais a <<fachada>> como se fazem com as casas. Seu marido agradecerá tanto! Nada imuniza tanto o homem contra outras atrações sexuais que o amoroso entusiasmo por uma determinada mulher: sua esposa. É um ato de virtude – da virtude da castidade, em concreto – fazer tudo o que está em nossas mãos para aumentar a atração a e de nosso cônjuge. <<A mulher bem posta tira o homem de outra porta>> ”4

Muitas mulheres reclamam que seus maridos não tem interesse nelas ou que o amor esfriou e muitas vezes, infelizmente, de casos de infidelidade. Mas imagine sair de casa e encontrar dezenas de mulheres cheirosas, agradáveis e bem arrumadas na rua e quando regressar, encontrar uma mulher descabelada, sem escovar os dentes, reclamona e com roupas rasgadas? Não estou dizendo que o amor esteja baseado em aparências, mas sim que o amor exige delicadeza e cuidado. Amar ao outro é querer dar a ele o melhor de mim.

O mesmo vale para os maridos, que tantas vezes acreditam que já ter uma esposa é sinônimo de não precisar se cuidar, achando normal engordar sem parar, andar sem camisa, não ter bons hábitos de higiene e por aí vai.

Por isso atrevo-me a afirmar que as mulheres têm a culpa de oitenta por cento das infidelidades dos maridos, porque não sabem conquistá-los em cada dia, não sabem ter pequenas amabilidades e delicadezas. A atenção da mulher casada deve-se centrar no marido e nos filhos. Assim como a do marido se deve centrar na mulher e nos filhos. E para fazer isto bem é preciso tempo e vontade. Tudo o que torne impossível esta tarefa é mau, não está bem. 5

A educação para a beleza

Algo tão difícil de desenvolvermos hoje é o senso de beleza. Mas ela permanece sendo uma das faces de Deus, ”beleza tão antiga e tão nova” como exclama Santo Agostinho. Temos tanto cuidado em fazer o caminho de volta e aprender a apreciar a arte, a música, a literatura, mas será que já paramos para pensar sobre o que ensinamos aos nossos filhos quando nos vestimos de qualquer maneira?

De fato, o bom gosto é algo que, em si mesmo, requer formação no sentido mais amplo do termo. Como diz o Papa, «prestar atenção à beleza e amá-la ajuda-nos a sair do pragmatismo utilitarista. Quando não se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que é belo, não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos>>. Ninguém nasce com o bom gosto já formado, pois é parte da educação que se recebe desde pequeno, através da contemplação da beleza na natureza – da sua diversidade e harmonia –, a apreciação de uma obra de música clássica, uma escultura, etc.”

Encontrar os pais sempre polidamente arrumados ensina as crianças não só a apreciar a beleza da ordem, mas também do dever da higiene e da caridade em dar ao outro o melhor de mim. Também educa a respeito da dignidade do corpo e do cuidado com este, que é templo do Espírito Santo. Deus habita em mim e devo dar a Ele uma morada tão boa quanto possa: tanto na alma quanto no corpo.

”Toda mulher entregue – esposa e mãe – deve ter a convicção firme e inamovível de que melhora sua beleza radicalmente humana na exata medida em que torna sua doação ao marido e aos filhos mais atual e operativa. O amor é a nascente da beleza.” (Tomás Melendo) 6

Além disso, especialmente para as mulheres, arrumar-se é um grande ponto para a auto estima. Muitas vezes tantas coisas vão mal porque a mãe vai mal e um ótimo começo é cuidar de si, que, além de ajudar a si mesma, é um ato de doação, de sacrifício, de entrega. São Josemaria diz: ”Fico muito feliz em dizer que a maternidade embeleza. Há algumas que, por egoísmo, pensam que sua formosura vai se estragar. E não. Sois muito mais bonitas as que tivestes muitas vezes o dom da maternidade! ”7

Uma mortificação

Muitos dizem que não se arrumam para estar em casa porque dá trabalho, porque faz muito calor ou frio, porque precisa ter dinheiro, porque precisa ter tempo, e tantas outras desculpas. Realmente usar um pijama ou uma roupinha qualquer confortável certamente é mais agradável. Mas nem por isso significa que é o melhor.

Se é tão custoso arrancar de nós um mau hábito e crescer em virtude, devemos aprender a olhar com olhos espirituais e tomar isto como uma mortificação, um sacrifício. 20 minutos por dia são suficientes para arrumar-se de forma simples, modesta e bela e não há ponto negativo que venha junto com este hábito.

O cuidado especial com a Santa Missa

São Jose maria Escrivá em uma de suas fantásticas homilias, recordando seus tempos de infância, disse: “Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor.”

Afirma ainda: “Quando na terra se recebem pessoas investidas em autoridade, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Cristo na nossa alma, de que maneira não devemos preparar-nos?” 8

Indico estes dois vídeos para reflexão:

 

Pequena dica prática

Aqui nós usamos em casa as mesmas roupas que usamos para trabalhar fora (no caso do Gabriel) e, no meu caso, para ir ao supermercado e afins. Também são as roupas que naturalmente estamos vestidos quando recebemos visitas.

As roupas de Missa são as mesmas que usamos para passeios e festas mais simples, conhecidas como ”roupas de domingo.”

Para eventos mais chiques, como formaturas, casamentos, temos uma ou duas roupas específicas para essas ocasiões. Aqui quanto melhor a qualidade da roupa, mais tempo irá durar. Serão anos e anos indo a casamentos com a mesma roupa e não há problema algum nisso.

Faça o desafio de por uma semana empenhar-se em ficar bem arrumada em casa e veja florescer a auto estima, o relacionamento com o esposo e filhos, a disposição e as virtudes.

Referências

1- Tihamer Toth, A boa educação

2- Idem

3, 4, 5 – São Josemaria, Temas actuais do cristianismo , 107

6 – São Josemaria e família, Lares luminosos e alegres

7 – São Josemaria, encontro realizado em SP

8 – São Josemaria, Homilias sobre a Eucaristia

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Planejamento Financeiro Familiar Católico – Diretrizes

Tempo de leitura: 7 minutos

No último artigo, explicamos sólidos fundamentos pelos quais as famílias católicas devem realizar um bom planejamento financeiro. No artigo de hoje, trazemos boas diretrizes para bem fazê-lo.

Diretrizes para um planejamento familiar católico

Tal como aponta o (Compêndio da Doutrina Social da Igreja) CDSI em seu artigo 360:

“Para contrastar este fenômeno [do consumismo] é necessário esforçar-se por construir ‘estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento’. É inegável que as influências do contexto social sobre os estilos de vida são notáveis: por isso o desafio cultural que hoje o consumismo apresenta deve ser enfrentado de modo mais incisivo[…].”.

Como adquirir uma casa maior para nossa família crescente, se mal conhecemos nossas despesas mensais, não realizamos ajustes e não poupamos o suficiente? Se posso economizar algum valor por mês e utilizá-lo para um investimento de médio e longo prazo (aluguel ou compra de uma casa maior, o pagamento de uma boa educação para os filhos, por exemplo), para que comprar itens supérfluos (roupas, celulares, etc.) quando o que já temos nos atende? Se podemos fazer as refeições em casa, com nossas famílias, conversando e fortalecendo o convívio, por que fazê-las fora de casa, sozinhos, pagando mais caro e comendo, muitas vezes, alimentos não sempre saudáveis? Como reservar recursos para a ajuda aos necessitados e às obras da Igreja se mantemos o hábito de consumir bens supérfluos?

O ponto crucial das questões acima é: qual o custo de oportunidade das opções que renuncio e qual o impacto disso no equilíbrio financeiro da família e alcance de seus objetivos conjuntos. O custo de oportunidade é um conceito de ampla utilização em economia, relacionado à ideia de otimização.

“Acordamos com o custo de oportunidade todos os dias. Quando o despertador toca, pensamos na melhor escolha a fazer: dormir mais 10 minutos ou ‘pular’ da cama e chegar no trabalho no horário? Comparando a satisfação do sono extra com a de chegar cedo no trabalho, muitos travam o despertador e dormem mais 10 minutos! (GONÇALVES, 2010, p. 20).”. “[…] Um consumidor que compra um bem [ou faz uma escolha], mas poderia comprar [ou escolher] outro, incorreu num custo de oportunidade. O bem comprado [ou escolha feita] lhe dá satisfação, mas o que deixou de comprar [ou de escolher] foi uma oportunidade que também lhe daria satisfação. O custo de oportunidade de escolher o primeiro é a satisfação perdida por ter desistido da melhor alternativa seguinte à escolha que fez. […] O custo de oportunidade permite comparar o que se obteve (satisfação ou lucro) e o que se deixou de obter. […] (GONÇALVES, 2010, p. 19-20).”.

Nesse contexto, o artigo 358 do CDSI aponta que

“[…] hoje, mais do que no passado, é possível avaliar as alternativas disponíveis não somente tomando por base o rendimento previsto ou ao seu grau de risco, mas também exprimindo em juízo de valor sobre os projetos de investimento que os recursos irão financiar, na consciência de que ‘a opção de investir num lugar em vez de outro, neste setor produtivo e não naquele, é sempre uma escolha moral e cultural'”.

Considerando o exposto propomos um “passo a passo” para auxiliar as famílias católicas a exercitarem um bom planejamento financeiro:

PassoComentário
1) Conhecer detalhadamente a receita da família

 

É preciso ter em conta que esforços de trabalho poderão ser maiores em alguns momentos para aumentar a receita e alcançar objetivos definidos ou menores em função de flutuações econômicas e de emprego – nesse caso, será necessário proceder com ajustes nas despesas correntes.

 

2) Conhecer detalhadamente as despesas da família

 

É de bom alvitre manter a prática de identificar oportunidades de enxugamento de despesas e de negociação de preços e formas de pagamento.

 

3) Estabelecer objetivos e metas familiaresa) Objetivo é o propósito de realizar algo, é aonde se quer chegar. É ele que fornece a direção do que se deseja fazer, serve como guia. É a posição que se deseja ocupar no futuro, o sonho que se deseja realizar (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente.

 

b) Metas são tarefas específicas para alcançar os objetivos. A meta é o objetivo de forma quantificada. Após priorizar os objetivos, eles precisam ser transformados em desafios intermediários no curto prazo, ou metas. As metas são temporais e estritamente ligadas a prazos. Uma boa dose de estímulo e desafio deve ser colocada na determinação das metas, porém, é preciso elaborar metas factíveis (LOBATO et al., 2012). Ex.: Objetivo: adquirir uma casa maior para a família crescente; Meta 1: Economizar x em y anos (meses); Meta 2: Trocar a casa w para a z, no valor h, em j anos.

 

c) Devem ser estabelecidos objetivos e metas familiares de curtíssimo (menor que 1 ano), curto (1 ano), médio (2-5 anos) e longo (maior que 10 anos) prazos.

4) Definir as melhores opções financeiras para o alcance dos objetivos e metas definidos e com base no conhecimento de receitas e despesas familiaresComprar à vista ou a prazo? Utilizar cartão de crédito ou dinheiro? Utilizar capital próprio ou empréstimo? Aplicação em renda fixa ou variável?
5) Definir plano de ação para alcance dos objetivos, por meio do detalhamento das metas

 

a) Os objetivos e metas estabelecem o que será alcançado e quando os resultados serão obtidos, mas eles não dizem como os resultados serão alcançados. Para cada objetivo, portanto, é necessário que se definam as estratégias para a sua viabilização. Esse conjunto de conceitos e ações pode ser organizado com a elaboração de um plano de ação. O plano de ação é uma ferramenta significativa no processo de desdobramento, organização e execução de estratégia. O processo de elaboração envolve aspectos técnicos, administrativos e pedagógicos, estabelecendo um balanceamento entre a responsabilidade individual e o compromisso coletivo (LOBATO et al., 2012).

 

b) Para uma rápida identificação dos elementos necessários à sua implementação, o plano de ação pode estruturar-se pela ferramenta 5W2H, que significa: what (o que será feito?); who (quem fará ?; when – quando será feito?; where – onde será feito?; why – por que será feito?; how – como será feito?; how much – quanto custará?) (LOBATO et al., 2012).

6) Monitorar constantemente receitas e despesasPara auxiliar o monitoramento, devem ser utilizadas planilhas e programas específicos de gestão financeira.
7) Realizar ajustes no planejamento familiar

 

Os itens 3, 4 e 5 devem ser analisados constantemente e revisados de acordo com eventuais mudanças de objetivos da família.

 

Felizmente, são cada vez mais comuns os serviços de assessoria financeira que podem ajudar às famílias, principalmente, no início de sua caminhada. Quem não tem condições de contratar tais serviços pode obter informações resumidas na internet, tal como pretendeu este artigo.

É necessário, como explanado anteriormente, cultivar bons hábitos que possibilitem uma católica gestão financeira familiar, tais como:

  • Criar na família uma cultura de diálogo e de planejamento financeiro familiar;
  • Contribuir com o dízimo e com outras obras da igreja;
  • Incentivar os filhos a participarem de trabalhos de ajuda ao próximo, preferencialmente em ações da igreja, criando uma cultura de caridade e solidariedade;
  • Incentivar aos filhos a ajudar nas atividades domésticas, criando uma cultura de disciplina, organização e co-responsabilidade, bem como a participarem de trabalhos remunerados, desenvolvendo o hábito do planejamento, trabalho em equipe, respeito à hierarquia e da meritocracia;
  • Incentivar desde cedo os filhos a participarem na construção e no alcance dos objetivos e das metas familiares;
  • Criar o hábito de poupar na família (diferentemente da avareza, um dos pecados capitais, a poupança possibilita o alcance dos objetivos familiares), evitando gastos com bens supérfluos;
  • Criar o hábito de acompanhamento de receitas e despesas, ajustando-as aos objetivos e metas familiares.

A necessidade das Virtudes: Naturais (adquiridas) e Sobrenaturais (infusas)

Como nos direciona claramente o artigo 359 do CDSI, o

“uso do próprio poder aquisitivo há de ser exercido no contexto das exigências morais da justiça e da solidariedade e de responsabilidade sociais precisas: Não se há de esquecer o dever da caridade, isto é, o dever de acorrer com o ‘supérfluo’, e às vezes até com o ‘necessário’, para garantir o indispensável à vida do pobre”.

Para fechar este ensaio optou-se por retomar a ideia das Virtudes, pois tudo o que fazemos deve ser para a Maior Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para tanto, recorramos ao que o Padre Royo-Marín nos explica sobre as virtudes naturais e sobrenaturais.

As Virtudes Naturais são aquelas adquiridas naturalmente, independentemente da graça e da ordem sobrenatural. Por mais estimáveis que sejam em sua ordem e plano correspondente, são totalmente desproporcionadas e ineptas para a vida sobrenatural que há de viver o cristão. Se os atos constantemente repetidos são bons, adquire-se pouco a pouco o hábito bom correspondente, que em teologia moral recebe o nome de virtude natural ou adquirida. Tais são, por exemplo, a prudência, a lealdade, a sinceridade, a honradez natural, etc., adquiridas naturalmente a custo da repetição de seus atos correspondentes.

Já as Virtudes Sobrenaturais, ou Infusas, são aquelas infundidas por Deus juntamente com a graça, para que possa operar sobrenaturalmente, e o divino, com ajuda dos dons do Espírito Santo. Possuem dois grupos fundamentais: Virtudes Teologais (apenas três: fé, esperança e caridade) e Virtudes Morais (subdivididas em: cardeais – prudência, justiça, fortaleza e temperança; potenciais ou derivadas – ex.: humildade, obediência, paciência, castidade, perseverança, etc.). As Virtudes Morais estão em perfeita analogia e paralelismo com as correspondentes Virtudes Naturais (adquiridas). As Virtudes Teologias são estritamente divinas, porque têm por objeto direto e imediato o próprio Deus, e não têm, pela mesma razão, virtudes correspondentes na ordem natural adquirida.

A família deve, portanto, por meio da oração, pedir a Deus que a infunda de Virtudes Sobrenaturais (Teologais e Morais) e praticar as Virtudes Naturais, adquiridas por meio da repetição constante. Assim, poderá controlar seus vícios e evitar pecados, tais como, preguiça, avareza, ganância, inveja, em busca de sua santificação.


Referências

  • Catecismo da Igreja Católica. Edição Típica Vaticana. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
  • Compêndio da Doutrina Social da Igreja. São Paulo: Paulinas, 2005.
  • LOBATO, D. M. et al. Estratégia de empresas. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. 208 p.
  • GONÇALVES, A. C. P. et al. Economia Aplicada. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010. 152 p.
  • DUHIGG, C. O poder do hábito – por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro, Objetiva, 2012. 407 p.
  • ROYO-MARÍN, A. Ser santo ou não ser… eis a questão – Compêndio da obra Teología de La perfección cristiana. 1 ed. Campinas, SP: Ecclesiae, 2016. 371 p.
  • AQUINO, F. R. Q. Família: santuário da vida – vida conjugal e educação dos filhos. 23. ed. Lorena, SP: Editora Cléofas, 2016. 232 p.
  • LINDENBERG, A. Uma visão cristã da economia de mercado. São Luís, MA: Resistência Cultural, 2017. 247 p.

Marcos Eugênio Lopes é presidente e fundador do Centro Anchieta.

Esposo da Raphaela e pai da Maria.

Visitas ao recém nascido

Tempo de leitura: 5 minutos

Um hábito antigo

Parece ter sido sempre comum o fato de que quando nasce um bebê, todos devem ir visitá-lo. Em nossa cultura isso acabou se tornando uma regra social a ser cumprida. É normal que haja certa ansiedade principalmente dos familiares para conhecer o novo bebê, mas antes de sair correndo, leia com atenção o post a seguir, para entender o que acontece quando chega um bebê numa família. A empolgação e a ansiedade de parentes e amigos para verem o recém-nascido podem se transformar num verdadeiro tormento para os pais e para o próprio bebê, contudo existem indicações que evitam situações inoportunas e fazem com que as visitas sejam um verdadeiro oásis.

Um bebê nasceu

A chegada de uma criança ao mundo é um motivo de grande celebração, uma enorme alegria, um precioso dom de Deus. No entanto, é preciso ter calma, porque nesse momento a família ganha um novo membro e precisa se adaptar às mudanças que acontecem.

Quando um bebê nasce, ele deve ser respeitado em sua saúde, em sua harmonia, em suas necessidades. Um recém nascido não precisa conhecer pessoas que ele não irá se lembrar, não precisa de presentes, de colos, de estresse, de fotos no facebook. Ele precisa da sua família (pai, mãe e irmãos), de ser alimentado, ambiente calmo (silêncio natural da casa, que não é sinônimo de ausência de sons), fraldas limpas e outras coisinhas mais.

As primeiras semanas e talvez os primeiros meses, a depender da família, serão um período intenso de adaptação e atenção ao recém nascido. Por isso, não fique chateado se a família não te der muita bola, afinal a prioridade é o bebê e não as visitas. Até porque grande parte dos bebês demandam muito, seja da amamentação ou sofrendo com cólicas, além de todo o resto que a família tem de manejar.

A mãe

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, seja a mãe do primeiro filho, a mãe do 2°, do 3° ou do 15°. Todo nascimento reclama em nós uma nova maternidade. Mas será que alguém se lembra disso? Muito raramente. A ansiedade em conhecer o bebê é tão grande que a pobre mãe é deixada de lado em sua fragilidade.

Vamos por partes. Os dias de maternidade são um momento delicado, seja de parto normal ou de cesárea, que deixa a maioria das mulheres cansadas, sensíveis e frágeis, talvez com dores nos pontos ou nos seios que podem já estar feridos ao amamentar. Como o bebê mama muito, a maior parte do tempo a mulher estará oferecendo o seio, o que para muitas, pode ser um contrangimento ter de fazer isso na frente de outras pessoas, principalmente por ter de ajeitar a pega e tudo o mais. Sem falar do cansaço, que para algumas, pode ser paralisante.

E, não só por isso, a própria baixa hormonal do corpo pode fazer com que as mulheres passem um tempo com dificuldade de conviver com outras pessoas, lidar com situações estressantes, com os conselhos alheios e sintam-se até mesmo com a privacidade invadida ou inseguras diante de certas situações, o que pode contribuir até mesmo para a baixa produção de leite materno. Isso não é um motivo para se vitimizar e colocar a mãe em um pedestal como se apenas a vontade dela devesse imperar. Mas o bom senso pede que haja muito diálogo entre o casal para que cheguem a um consenso.

E o outro lado também acontece! Para algumas mulheres os hormônios clamam por companhia! Há mulheres que adoram visitas e querem receber todo mundo, principalmente quem puder ir para ajudar! Portanto, não há regra, o que precisa haver é diálogo e respeito, empatia, colocar-se no lugar do outro.

A dica de ouro para as mães talvez seja: sejam vocês mesmas. Às vezes deixamos de receber visitas porque ouvimos várias pessoas dizendo que visita só atrapalha e acabamos nos isolando, sofrendo sem necessidade. Ou então acabamos recebendo visitas mesmo sem estarmos em condições, apenas para agradar as pessoas. O feminismo também nos deixou uma terrível herança, a de acreditar que devemos ser sempre autossuficientes. Isso não é verdade, todos precisamos de ajuda seja para que alguém lave nossa louça, para que nos dê conselhos ou um belo puxão de orelhas para nos encaminhar para o Céu.

O que pode acabar acontecendo muitas vezes é que acabemos nos isolando e afastando as pessoas, e isso também não é saudável. Não podemos ser também bonecas de porcelana que se quebram ao menor sopro. É preciso prudência para respeitar a fragilidade e não fazer disso uma desculpa para nos vitimizarmos.

E, quando nos dispusermos a receber alguém, não nos coloquemos em posição defensiva, principalmente a respeito dos famosos ”pitacos”. Existem muitas pessoas inconvenientes, é verdade, mas a maioria é bem intencionada e só quer ajudar. Nenhuma de nós nasceu sabendo criar filho. Por isso, aprendamos a ouvir tudo, reter o que é bom e responder apenas o que for necessário (como no caso de impor algum limite).

 

O pai

É muito importante o diálogo entre o casal. O pai deve pensar primeiramente no bem-estar da mãe e do filho e poupá-los de maiores estresses. No caso de expor as regras à família dele, deixe ele se impor. Se for com a família da mãe, ela se responsabiliza. A família sente-se no direito de ver o bebê, mas acredito que explicando de forma terna e educada, ninguém será antipático. Muitas vezes o pai ignora a situação da mãe e do bebê por querer receber sua família, amigos do trabalho e tanto mais. Isso acaba colocando a família em conflito em um momento que era para ser de acolhimento, entendimento e cumplicidade.

Este momento é uma possibilidade de grande crescimento também para o pai visto que ele terá a oportunidade de ser muito virtuoso tomando a frente nos afazeres do lar, no cuidado com os demais filhos e, principalmente, com a esposa, que pode estar fragilizada, precisando ainda mais do marido!

Algumas considerações

  • Não fique com receio de visitar, apenas ligue antes para perguntar sobre a possibilidade de ir e não se chateie se a família não puder/quiser te receber;
  • Se aceitarem a visita, pergunte o que pode fazer para ajudar. Ou, mesmo se a visita ficar para outro dia, seja paciente e caridoso, demonstrando que está disponível para alguma necessidade;
  • Pergunte antes se pode levar as crianças e se alguma delas estiver doente, deixe a visita para outra hora;
  • Não fume e não use perfumes ou cremes;
  • Lave bem as mãos quando chegar na casa da pessoa;
  • Espere a família oferecer para pegar o bebê. Existem pais que não gostam que pegue o bebê no colo e outros que não se importam;
  • Só tire fotos se a família permitir e antes de publicar nas redes sociais, peça permissão, afinal o bebê não é seu;
  • Não beije o bebê principalmente no rosto ou nas mãos;
  • Faça visitas rápidas a não ser que a família queira te receber por mais tempo;
  • Segure os palpites inconvenientes, mas não os bons conselhos!

O que posso fazer para ajudar?

Ponha a mão na massa, assim como Nossa Senhora foi ajudar Santa Isabel! Se ofereça para ficar com as outras crianças, para limpar a casa, leve uma comida, converse sobre tudo e mais um pouco, seja rápido se essa for a vontade dos pais, enfim, tanto!

Não existem regras absolutas para visitar um recém nascido ou como se comportar. Logicamente há normas básicas de higiene que devem ser respeitadas, pois é muito triste um recém nascido que se adoenta e até mesmo chega a óbito porque uma visita não tomou medidas básicas, já que a imunidade do neném é quase zero. Não precisa ser o louco do álcool em gel, mas lavar as mãos, não beijar o bebê e não o visitar estando doente já estão mais do que suficientes! O bebê irá crescer e logo estará na companhia de todos!

O mais importante de tudo é respeitar a família: o pai, a mãe, o bebê e as crianças. Cada família é única e gosta de agir de uma forma. Uns não gostam de visitas, outros adoram! Não há maneira correta e não deve haver julgamento, mas empatia, compreensão e muito bom senso.

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

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