Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: família cristã

Indicações de livros para bebês de 0 a 2 anos

Tempo de leitura: 6 minutos

Muitas pessoas me perguntam sobre os livros que lemos para as crianças, por isso resolvi escrever este artigo, listando alguns livros e dando as razões por tê-los escolhido.

Até 1 ano

  • É um livrinho, Lane Smith
  • Uma lagarta muito comilona, Eric Carle
  • Bons sonhos, bichinhos, Harry Shaw
  • Você grande, eu pequenininho,  Lilli L’Arronge
  • Bíblia para crianças em rimas, Editora Paulinas
  • Meu primeiro livro dos Santos, Padre Reginaldo Manzotti
  • Fábulas de Esopo para os mais novinhos, Ed. Usborne
  • A casa sonolenta, Audrey Wood
  • O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, Audrey Wood
  • O dia de chu, Neil gaiman
  • Adivinha quanto eu te amo, Sam Mcbratney
  • Mozart, pequeno gênio da música
  • A orquestra, Ed. Usborne
  • Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles

De 1 a 2 anos

  • Primeiras palavras, Ed. Usborne
  • A árvore generosa, Shel Silverstein
  • A televisão da bicharada, Sidônio Muralha
  • O primeiro dia de Chu na escola, Neil Gaiman
  • O carteiro chegou, Janet e Allan Ahlberg
  • Meu reino por um cavalo, Ana Maria Machado
  • Na biblioteca da rua direita, Walter Lara
  • O rei bigodeira e sua banheira, Audrey Wood (indico todos da Audrey)
  • Meu grande livro de aprender, Editora Girassol
  • O nascimento de Jesus, o primeiro Natal, Lois Rock
  • A primeira Páscoa, Lois Rock
  • Linha, agulha, costura: canção, brincadeira, leitura, Carlos Nadalim
  • Coleção Mico Maneco (I) – Ed. Salamandra
  • Belos contos para meninos, Ed. Usborne
  • Apertada e sem espaço, Julia Donaldson
  • Coleção Os pingos, Mary e Eliardo França
  • Contos de fadas clássicos, Carol Lawson e Helen Cresswell
  • As aventuras de Pedro Coelho, Beatrix potter
  • Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo, William Joyce
  • Camilão, o Comilão, Ana Maria Machado
  • O nabo gigante, Aleksei Tolstói e Niamh sharkey

Nada de telas até os 2 anos de idade

Escolhemos, desde antes de o Bento nascer, que ele não teria contato com telas por um bom tempo. Inclusive, um tempo depois, tivemos acesso a uma pesquisa da Sociedade Americana de Pediatria que diz que crianças com menos de dois anos não devem ter contato com telas.

Em uma das primeiras consultas com o pediatra do Bento, dr. Marcos Santolin, ele nos alertou sobre o perigo das telas explicando que as crianças de até dois anos expostas às telas ficam hipnotizadas porque não enxergam como nós, mas veem as coisas como que girando. Além disso, essa exposição causa um empobrecimento das conexões neurais, problemas sérios com o sono, pouca memória, problemas de concentração e de visão, e até mesmo diminuição do potencial de inteligência.

dr. Ítalo Marsili fala também que o excesso de estímulos visuais provenientes das telas causa uma distorção da forma como a criança enxerga a realidade, principalmente porque o que é apresentado nas telas é diferente da beleza do mundo real. Apesar de serem considerados vídeos educativos, eles não são a solução para ensinar coisas para as crianças. Sobre esse assunto, indico esse vídeo do Dr. Ítalo Marsili, psiquiatra, em que explica o fenômeno do Video Deficit Effect. E também esse artigo do professor Carlos Nadalim.


A Catherine L’Ecuyer fala muito a respeito disso também, não só a respeito das crianças até 2 anos. Segundo Catherine, a superexposição a telas causa terríveis efeitos nas crianças:

  • ansiedade,
  • obesidade,
  • moleza,
  • preguiça,
  • problemas de visão e sono,
  • falta de concentração,
  • perda da motivação interna,
  • necessidade de mais e mais estímulos,
  • estresse,
  • incapacidade de lidar com o ritmo natural da vida,
  • impaciência,
  • nervosismo,
  • anula a criatividade e imaginação,
  • diminuição dos sonhos e apatia,
  • dificuldade de ficar consigo mesma,
  • dificuldade de relacionar-se (as pessoas são ruídos para elas, como a tv),
  • dificuldades com a linguagem, até mesmo o autismo está relacionado a isso.

Para nós foi uma decisão muito natural, pois não temos costume de assistir televisão. Além disso, através de leituras e de experiências de outras pessoas, percebemos que o excesso de tempo dedicado às telas causa moleza e vícios na criança. Além de tornar-se uma muleta para os pais, que dificilmente deixam de expor a criança às telas em qualquer oportunidade de conseguir que cesse uma pirraça ou de ganhar um descanso tão sonhado.

Penso que, realmente, se usássemos as telas como expediente educativo ou de distração para o Bento, eu certamente teria uma vida mais fácil em certo sentido. E justamente por isso decidi não usar em hipótese alguma, ou, para mim, acabaria se tornando algo que eu usaria sempre. Mas, por mais que pareça difícil, não sinto falta desse artifício. Há várias maneiras de lidar com a criança, como envolvê-la nas atividades, fazer rotatividade de brinquedos, cantar, e por aí vai. Se as telas fossem tão necessárias, como teriam sobrevivido as gerações passadas? Crianças precisam muito mais de quintal e paciência do que de vídeos, é o que pensamos.

Mas, em certas realidades, as telas ajudam, é verdade. Não quero dizer que somos melhores por isso, apenas mostro nosso esforço e o que nos levou a tomar essa decisão. Além de que, após os dois anos ou mais, pretendemos sim que o Bento assista desenhos infantis de boa qualidade, que tenham sido assistidos por nós antes e que possamos estar com ele ajudando a entender o que se passa. Os filmes e desenhos são expedientes educacionais e a criança precisa dos olhos dos adultos para entender o que se passa naquela realidade, qual lição deve ser aprendida, etc.

Dicas

  1. Se você costuma usar telas para distrair as crianças, substitua por leituras, ar livre, brincadeiras dirigidas, participação ativa nos serviços domésticos, diálogo, apreciação musical (apenas ouvir), dançar, etc; ou simplesmente não fazer nada pois eles precisam aprender a lidar com o tédio;
  2. Se você tem dificuldade de fazer qualquer coisa com as crianças sem dar um vídeo ”educativo” para ela, comece a substituir esse hábito por cantar com elas enquanto cozinha, conversar, deixar materiais do dia a dia da casa disponíveis para que explorem (potes de plástico, colheres de pau, etc) ou materiais divertidos (para desenho, massinha, etc);
  3. Para crianças maiores, use tempos específicos reservados apenas para isso e nunca apresente qualquer coisa. Assista antes e tenha sempre uma finalidade para aquilo que está mostrando a criança. Fique junto dela e comente o que estiver assistindo;
  4. Para os momentos das refeições, tenha paciência e deixe os dispositivos bem longe. Abençoe os alimentos, ensine-as a se portarem a mesa (principalmente pelo exemplo), a apreciarem os alimentos e aproveite esse tempo de estar a mesa para conversar e criar boas memórias. A mesa da família é um dos três altares da casa católica;
  5. Dê bom exemplo. Arrume um cantinho para o celular e deixe-o lá. Avise para que te telefonem se for preciso resolver algo. O que for secundário e notificações de redes sociais deixe para checar em momentos específicos do dia. Desligue as notificações dos aplicativos e se for preciso exclua os que mais te distraem.
  6. Dê bom exemplo. Desligue a TV e dê um fim naquele irritante barulho de fundo que estressa, irrita e incomoda. Se for o caso mude a TV de cômodo, desligue da tomada. Esconda os demais dispositivos como tablets.
  7. Parece uma escolha difícil mas, além de estaremos fazendo pelo bem deles, vocês vão ver que com o passar dos dias as coisas se ajeitam e ficam mais fáceis! Deus nos livre de deformar os nossos filhos e fazer deles molengões problemáticos. E é para o nosso bem também. Ainda que seja abrir mão de certo conforto, os benefícios são muito maiores como por exemplo a melhor disposição à obediência.
  8. Nada é mais importante do que nosso cônjuge e filhos e daremos conta a Deus de cada segundo gasto inutilmente, de cada má escolha e colheremos lá na frente o fruto do que plantamos hoje.

Muita leitura em voz alta

Com ensina o professor Carlos Nadalim, do blog Como educar seus filhos, após o nascimento do bebê, a leitura em voz alta proporciona uma série de benefícios, como:  estreitamento da relação afetiva entre pais e filho,  desenvolvimento da compreensão auditiva, treinamento da memória auditiva de curto prazo, enriquecimento do vocabulário, entendimento gradual de que a palavra escrita representa a palavra falada, aquisição do gosto pelos livros e pela leitura (para tanto, é importante não só que os pais leiam para os filhos, como também que os filhos vejam os pais lendo sozinhos).

Algumas dicas para escolher bons livros de histórias para as crianças de até 4 ou 5 anos

  1. As ilustrações são o que mais atrai a atenção da criança em um livro. Por isso, as imagens devem ser belas, com riqueza de traços e detalhes. Devem, sobretudo, ser uma bela representação da realidade. Assim, também devemos aproveitar os momentos de leitura para ensinar nossos filhos a apreciar a beleza e a arte.
  2. Alguns tipos de ilustração podem desagradar, confundir e perturbar as crianças. São as ilustrações: disformes, distorcidas, desproporcionais, as representações de figuras humanas ou animais com economia de traços e expressões, as ilustrações psicodélicas, as ilustrações confusas onde o bem está representado pelo feio e o mal pelo bonito. É preciso que as imagens tragam para a criança uma ampliação do imaginário mas sem desfigurá-lo. Um desenho de uma árvore deve parecer com uma árvore. Para isso também são preferíveis as ilustrações que parecem desenhos feitos por uma mão humana ao invés dos digitalizados.
  3. Além das imagens, é preciso que o livro tenha uma boa sonoridade do texto. Para isso é bom ler o livro em voz alta antes de comprá-lo, para ver se o texto é atraente. Livros com rimas são sempre um sucesso! Também é legal ver se ao longo da história há frases repetidas, pois elas mantêm a atenção das crianças.
  4. Verifique se o livro contém boa estrutura de frases, amplo vocabulário, se a história tem um bom enredo e o que ela ensina para a criança. Contar uma história é abrir uma porta para um mundo que embora seja mágico, usa emoções, elementos e comportamentos do mundo real.
  5. Dê preferência a: contos clássicos, fábulas de Esopo, histórias bíblicas e de santos. Também é legal ter um ou dois livrinhos sonoros.

Referências

  • Carlos Nadalim, Como Educar seus filhos
  • Dr. Ítalo Marsili, Afetividade Infantil e Harmonia Familiar
  • Helena Lubienska, Silêncio, gesto e palavra
  • Catherine L’Ecuyer, Educar na Curiosidade

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

6 motivos para se viver as pequenas virtudes

Tempo de leitura: 3 minutosQuais são os motivos para se viver as pequenas virtudes? Podemos resumi-los em seis.

1 – Pela debilidade do próximo

Sim, todos os seres humanos são falhos, repletos de defeitos, a maioria deles pequenos, mas geralmente muitos. Um é desconfiado, examina tudo quanto lhe é dito e tudo que com ele se faz; outro é exigente e está sempre preocupado com tudo que lhe aborrece, que não lhe atende, que desconfia dele. Outro é sensível, qualquer coisa lhe deixa abatido, melancólico. Outro ainda é como pólvora e está pronto para explodir à qualquer palavra.
Finalmente, todos têm sua parte fraca, cada um está sujeito a muitos defeitos e imperfeições pequenas as quais é necessário suportar e que, principalmente, oferecem contínuas ocasiões de exercitar as pequenas virtudes.

2 – Pela pequenez dos defeitos

É claro que estou me referindo ao caso das pessoas virtuosas, ao menos cumpridoras dos mandamentos de Deus e das leis da Igreja. Nestes casos, a maior parte dos defeitos que nos fazem perder a paciência não são grandes vícios nem defeitos grosseiros mas apenas imperfeições, ímpetos do temperamento, fraquezas que de maneira alguma impedem que as pessoas que as têm sejam almas escolhidas, de virtudes sólidas.

3 – Pela ausência dos verdadeiros defeitos

Muitas vezes o que nos faz sofrer da parte do próximo são coisas em si mesmas indiferentes e das quais estas pessoas não têm nenhuma culpa. Às vezes nos incomoda a cara de alguém, a fisionomia, o tom de voz, a figura do corpo; ou nos impacientamos até com enfermidades ou indisposições corporais ou morais que nos causam repugnância. Pode acontecer também que o que nos irrita é a diversidade de temperamentos e sua oposição ao nosso. Um é naturalmente sério, outro é alegre, um é tímido e outro atrevido, um é muito lento e sabe esperar, enquanto outro é muito ativo e impetuoso e quer obrigar os outros a serem desta forma. A razão pede que vivamos em paz em meio a esta diversidade de naturezas e que nos acomodemos ao gosto dos demais por meio da flexibilidade, da paciência e da condescendência. Se perturbar por esta diversidade de temperamentos seria tão pouco racional como se irritar por alguém não gostar de uma comida que nos agrada!

4 – Todos temos necessidade de que os demais nos suportem em algo

Não há ninguém tão prudente e perfeito que possa viver sem que tenha que ser perdoado pelos outros. Hoje tenho que aguentar alguma pessoa e amanhã esta pessoa ou outra terá que me suportar. Que injustiça seria exigir respeito e atenção e não corresponder senão com dureza e arrogância!

5 – Pelos laços que nos unem a quem devemos suportar

“Entre nós – dizia Abraão a Lot – não podem haver discussões, porque somos irmãos” (Gn 13, 8). Quanto mais isto vale se nos referirmos à família! Esposos estão unidos por um laço sobrenatural, carne da minha carne e osso dos meus ossos! Os membros de uma família são ligados por laços de sangue e, quando batizados, fazem parte também dos mesmo Corpo: são muitos os motivos para amá-las, servi-las e suportá-las com toda paciência.

6 – A excelência das pequenas virtudes

Dizia São Marcelino: “Agora me arrependo de tê-las chamado de pequenas, ainda que tenha tomado a expressão de São Francisco de Sales. Somente podem ser chamadas de pequenas enquanto se referem a objetos materialmente pequenos: uma palavra, um gesto, um olhar, uma cortesia; porque, pelo mais, se se examina o princípio de onde nascem e o fim a que se dirigem, são muito grandes”.
Ao falar destas virtudes e do afeto que causam em uma família, fica ainda mais em evidência que a caridade é a primeira e mais excelente de todas as virtudes e a que faz mais fácil o caminho para o Céu.

Deus queira que nunca busquemos desculpas inoportunas para não vivê-las!

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati

As pequenas virtudes do lar

Tempo de leitura: 5 minutosO matrimônio e a família não carecem de dificuldades. Reconhecia com honestidade Paulo VI: “Não é nossa intenção ocultar as dificuldades, as vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos; para eles, como para todos, estreita é a porta que leva à Vida. A esperança desta vida deve iluminar seu caminho enquanto se esforçam animosamente para viver com prudência, justiça e piedade no tempo presente, conscientes de que a forma deste mundo é passageira” – Humanae Vitae, 25.

Os conflitos mais duros se dão no plano dos afetos e das vontades. Talvez sejam receios, desconfianças, discussões, rancores, faltas de perdão. Talvez se trate de faltas morais graves como infidelidade, mentiras, violências, fortes discussões, etc. Contudo, com frequência, os atritos são de ordem menor, ainda que possam terminar ocasionando sérios danos, rachaduras familiares, incluindo dolorosas separações. Não deveríamos estranhar que pequenos atritos façam tão mal ao casamento visto que pequenas rachaduras, quando não cuidadas a tempo, terminam por causar grandes desabamentos. Mesmo que não cheguem a tanto, são suficientes para tornar a vida familiar amarga e, certamente, são um obstáculo sério para a felicidade.

Onde há dois, há material suficiente para uma discussão

Não busquemos desculpas sem sentido para justificar discussões. “É que pensamos diferente” – dizem. E onde é que vamos encontrar duas pessoas que pensem exatamente igual em tudo? Se a harmonia dependesse disto não haveria esperança de concórdia nesta vida. Não há duas pessoas exatamente iguais nesta vida, é justamente por isso que as pessoas se casam! Não há duas coisas mais diversas do que uma chave e uma fechadura, e trabalham perfeitamente juntas!
Podemos concluir daqui que os principais problemas familiares e matrimoniais não são psicológicos e de temperamentos (ainda que causem distúrbios) mas sim, espirituais. Dito de outro modo, são problemas de virtudes. De um dos dois ou dos dois.

E isto tem solução? Claro que sim! uma solução fácil de formular e difícil de cumprir. Mas que vale a pena sendo seu resultado a felicidade.

A solução consiste na prática das pequenas virtudes. Tomo a expressão “pequenas virtudes” de São Marcelino Champagnat, que por sua vez se inspirou em São Francisco de Sales.

São Marcelino explicou este tema em certa oportunidade em que um irmão foi ter com ele incomodado por algo que achada inexplicável. Poucos dias antes havia sido destinado a uma comunidade de religiosos que era, segundo seu próprio parecer, virtuosos, cumpridores de todas as regras e desejosos de santidade, mas para sua surpresa a união que reinava entre eles estava longe de ser perfeita. Via, de um lado, religiosos virtuosos e do outro numerosas misérias domésticas, sem poder precisar qual era a raiz do problema nem tampouco sua solução.

Se isto vale para os religiosos também se ajusta aos leigos, especialmente aos casados. Há muitos que pensam que bastam as coisas principais para que reine a paz, mas não é assim. As pequenas virtudes são essenciais e necessárias e, se faltam, nunca se conseguirá a felicidade diária!

Para resolver estes problemas, nosso santo amigo nos trás uma lista destas pequenas virtudes e suas descrições:

1 – O perdão

Desculpe as falhas do próximo, as diminua, as perdoe facilmente e não espere que faça o mesmo para si. A vida familiar não é uma competição, não fique anotando as vezes que perdoou para perdoar na mesma medida. Lembre-se, amamos o próximo porque Deus nos ama!

2 – A caridosa dissimulação

Haja como se não soubesse dos defeitos, insensatez, falhas e palavras pouco atentas do próximo e suporte sem dizer nada ou queixar-se. A correção fraterna não engloba todos os defeitos senão apenas os mais graves. Além disso, depois de ter corrigido seu próximo, é necessário sofrer e suportar pois há defeitos que só são curados desta forma. Há almas virtuosas que, por mais que se esforcem, não conseguem corrigir certos defeitos, Deus as usa como exercício de virtude para aqueles que devem suportá-los.

3 – A compaixão

Compartilhe do sofrimento dos que padecem para suavizá-los: isso nos impulsiona a tomar parte nos trabalhos de todos e a intervir os fazendo  nós mesmos.

4 – A santa alegria

Compartilhe também do gozo dos que estão felizes! Mas com intenção de aumentá-los.

5 – A flexibilidade de ânimo

A não ser por motivos muito sérios, jamais imponha a alguém suas opiniões senão que admita o bom e racional que há nas ideias dos demais e aplauda sem inveja os bons entendimentos do próximo para conservar a união e caridade fraternas. É a renúncia voluntária de seus intentos pessoais e a antítese da obstinação e intransigência das próprias ideias. Se ainda assim insistir no pensamento “Eu tenho razão e não posso sofrer com os disparates e erros dos demais” lembre-se da resposta de São Roberto Belarmino, doutor da Igreja: “Mais valem duzentos gramas de caridade do que cem quilos de razão”.

6 – A caridosa solicitude

Ajude o próximo antes que ele peça,  para facilitar-lhe a vida e evitar a humilhação de pedir ajuda. É belíssima esta bondade de coração de quem nada sabe negar, que está sempre pronto para servir e presentear a todos.

7 – A afabilidade

Responda aos importunos (chatos rs) sem mostrar a mais leve impaciência! Sempre esteja pronto para ajudar os que pedem seu auxílio, instruir os ignorantes sem se cansar e com toda paciência! Numa oportunidade, São Vicente de Paulo interrompeu uma conversa que levava com pessoas “importantes” para repetir cinco vezes a mesma coisa a alguém que lhe interrompera e não o entendia bem, instruindo, na última vez, com a mesma tranquilidade com que o havia feito na primeira.

8 – A civilidade e a cortesia

Se antecipe a todos nas demonstrações de respeito, atenção e cortesia e ceda sempre o primeiro lugar para os demais. As demonstrações de estima manifestadas com sinceridade fomentam o amor mútuo, assim como o óleo serve de alimento ao fogo de uma lamparina e sustenta a chama que produz a luz, sem isto não há união possível nem caridade fraterna.

9 – A tolerância

Se incline para agradar aos inferiores, escute suas observações e mostre que as aprecia mesmo que nem sempre sejam perfeitamente fundadas. A tolerância, diz São Francisco de Sales, “é não buscar o próprio interesse, apenas o do próximo e a glória de Deus”.

10 – O interesse pelo bem comum

Prefira o proveito da comunidade e ainda o dos demais ao seu próprio, se sacrifique pelo bem dos irmãos e pela prosperidade do lar!

11 – A paciência

Sofra, tolere, suporta sempre! Nunca se canse de fazer o bem mesmo que aos ingratos, chegando a dar graças aos que te fazem sofrer. Santa Teresa de Calcutá repetia constantemente a Deus: “Vos amo não pelo que me dais, mas pelo que me retirais”. Este é o verdadeiro caminho para ter paz e conservar a união com todos.

12 – A igualdade de ânimo de de caráter

Seja sempre o mesmo, não se deixe levar por alegrias loucas, cóleras, melancolias, maus humores. Permaneça sempre bondoso, alegre, afável e contente!
Estas são as chamadas pequenas virtudes. Como se percebe,  são virtudes sociais, logo, são muito úteis a qualquer um que viva em sociedade. Sem elas as comunidades e famílias estão em desordem e agitação contínua e, por consequência, assim também está o país e o mundo. Sem elas não é possível alcançar a paz familiar que é nosso maior consolo neste vale de lágrimas.

Pratiquemos estas pequenas virtudes para tornar nosso lar e nossa vida amáveis!


Referências

Gabriel é esposo da Rayhanne e pai do Bento e da Maria Isabel! Além disso, é membro da Terceira Ordem da Família do Verbo Encarnado e diretor do Centro Anchieta. Trabalha como professor.

Verso L´Alto – Beato Pier Giorgio Frassati