Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: mãe

Elogio da mulher forte

Tempo de leitura: 10 minutos

“Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos; ri-se do dia de amanhã. Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. A graça é falaz e a beleza é vã; a mulher inteligente é a que se deve louvar. Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.” (Provérbios 31, 10-31)

O que significa uma mulher forte?

“Uma mulher forte, quem poderá encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor.”

O primeiro louvor para a boa mulher é dizer que ela é coisa rara, ou seja, dizer que é preciosa e excelente, digna de ser muito estimada, porque tudo aquilo que é raro é precioso.
Mulher forte, quando traduzida do grego, significa mulher varonil. Frei Luis de León, em A perfeita casada, que é um comentário desse poema aplicado as esposas de seu tempo, usou a expressão “mulher de valor”. Valor no sentido de ânimo, que move a abraçar resolutamente grandes ideais e a enfrentar os perigos. Quer dizer virtude de ânimo e fortaleza de coração, um ser perfeito e completo naquelas coisas a quem essa palavra se aplica. Não é insegura, mas sim senhora de si e de seus princípios. E tudo isso tem como um tesouro em si quem é boa mulher e não o é quem não o tem. Não devemos entender o valor de força como força física, mas sim como a virtude cardeal da fortaleza, com a firmeza e o esforço da alma. Exatamente no mesmo sentido usava Santa Teresa quando pedia que suas monjas parecessem “fortes varões”.

Com grandíssima verdade, o Espírito Santo não chamou a mulher apenas de “boa” mas sim de mulher “de valor”. Isso significa dizer que a mulher boa é mais do que boa e que isso que dizemos como boa é uma forma mediana de falar, que não expressa aquela excelência que há de ter e tem em si a mulher boa.
Dizer mulher perfeita, no fundo, é como dizer a ‘mulher-mulher’: a mulher realmente como tal. Não se refere tanto a um papel ou outro senão a sua essência feminina.

Uma boa mulher é um acúmulo de riquezas, e quem a possui é rico só com ela e somente ela pode fazê-lo venturoso e afortunado; o marido há de levá-la sobre sua cabeça, e o melhor lugar no coração do homem deve ser para ela, ou, para dizer melhor, todo seu coração e sua alma; e há de entender que ao tê-la, tem um tesouro geral para todas as diferenças de tempos que é a varinha de virtudes, como dizem, que em qualquer tempo e conjuntura responderá com seu gosto e preencherá seu desejo; que na alegria tem nela doce companhia com quem acrescentará seu prazer, comunicando-o; e na tristeza, amoroso consolo; nas dúvidas, conselho fiel; nos trabalhos, repouso; nas faltas, socorro; e medicina nas doenças, aumento de seus bens, vigia de sua casa, mestra de seus filhos, provedora de seus excessos; e finalmente, nas boas e más situações, na prosperidade e adversidade, na idade florida e na velhice cansada, e, durante toda a vida, doce amor, paz e descanso.

Temos aqui um bom fim ao que deve apontar a educação feminina: formar mulheres fortes, mulheres de valor e não simplesmente mulheres boas, que, apesar de não ser algo pejorativo, dá a ideia de conformar-se com pouco.

Mulher de confiança

“Nela confia o coração de seu marido.”

Desta mulher perfeita, a primeira virtude que o poema traz é que é uma pessoa de confiança. Confiar, aqui, tem um sentido intenso, entendido como “depositar a confiança”. O marido pode descansar o coração em sua mulher.

Ser uma pessoa de confiança é algo muito importante na vida. Uma pessoa de confiança é alguém que sabemos que busca o nosso bem e, sobretudo, protege-nos e não nos abandona no perigo. É alguém que se arrisca por nós e não falha quando precisamos.

Para que se possa colocar a confiança em uma pessoa, esta deve estar revestida de qualidades que a façam confiável. A primeira coisa é o respeito e o amor pela verdade. Em segundo lugar, o respeito pela justiça, honestidade, pela fama do próximo e seus bens, a sinceridade, etc. Se a mulher não possui honestidade, não é mulher. A mulher que não é honesta é torpe e abominável.

Não se pode confiar em uma pessoa que tem discurso dúbio, que recorre às meias verdades ou mentiras, que é caluniadora. Uma pessoa de confiança é alguém honesto, reto e responsável. Alguém a quem confiaríamos o que temos de mais preciosos com a segurança e a certeza de que o cuidaria como nós cuidamos.

Para educar pessoas de confiança é imprescindível saber delegar com confiança, encarregar coisas e supervisionar sem invadir. Se não confiamos, nunca forjaremos corações confiáveis.

A mulher deve ser honesta e simples no seu proceder, nas suas palavras, nos pensamentos para consigo mesma e para com os outros. Simples para fazer de Deus seu objetivo, para se apoiar em Deus como meio, para reconhecer que nada pode fazer por si mesma; e na maneira de se portar, de se vestir e de se adornar.

Econômica

“Não lhe farão falta os despojos.”

É próprio da mulher poupar. Por isso é chamada de economia do lar.

Bondosa

‘’Pague-lhe com bem, não com mal, todos os dias de sua vida.’’

O ofício natural da mulher é que ajude o homem. A mulher deve ser o reduto da bondade para com todos. Deve ser o doce e perpétuo descanso, a alegria do coração e um agrado tênue.

A mulher deve ser terna. A ternura é o amor que se manifesta na doçura e delicadeza dos gestos, do olhar, da presença amorosa.

Significa que a mulher deve se esforçar, não para causar problemas ao marido e sim para livrá-lo deles e em lhe ser perpétua causa de alegria e descanso. Porque, que vida é a daquele que vê consumir seu patrimônio nos desejos de sua mulher, que seu trabalho é levado todos os dias pelo rio, pelo esgoto, que tomando cada dia novos caminhos, crescendo continuamente suas dívidas, vive vil, escravo, aferrado ao joalheiro e ao mercador?

Deus, quando quis casar o homem, dando-lhe a mulher, disse (Gênesis, 2): “Façamos-lhe um ajudante que seja semelhante”, de onde se entende que o ofício natural da mulher, e o fim para o qual Deus a criou, é para que ajude seu marido e não para que seja sua calamidade e desventura: ajudante e não destruidora. Para que o alivie nos trabalhos que acarreta a vida de casado, e não para que acrescente novas cargas. Para repartir entre si os cuidados, tomar sua parte. E finalmente, não as criou Deus para que sejam rochas onde quebrem os maridos e naufraguem os bens e as vidas, e sim portos desejados e seguros onde, chegando em suas casas, repousem e se refaçam das tormentas dos trabalhos pesadíssimos que realizam fora delas.

Como dissemos, de cuidar de sua casa e de alegrar e distrair continuamente seu marido, nenhuma má condição dele a desobriga; mas não por isso devem pensar eles que têm permissão para ser ferozes com elas e fazê-las escravas; antes como em todo o resto o homem é a cabeça, por isso todo esse tratamento amoroso e honroso deve partir do marido; porque há de entender que é sua companheira, ou melhor dizendo, parte de seu corpo e a parte fraca e tenra, e a quem pelo mesmo motivo se deve particular cuidado e zelo.

Ainda há nisto outro inconveniente maior: como as mulheres são menos enérgicas, e pouco inclinadas às coisas que são de valor, se não as alentam, quando são maltratadas e não levadas em conta pelos maridos, perdem o ânimo e não conseguem colocar as mãos nem o pensamento em alguma coisa, por melhor que seja.

O marido sensato não deve oprimir nem envilecer com más obras e palavras o coração da mulher que é frágil e modesto, mas ao contrário, com amor e com honra há de elevá-la e animá-la, para que sempre conceba pensamentos honrosos. E a mulher, como dissemos acima, foi dada ao homem para alívio de seus trabalhos, e para repouso e doçura e afago, pela mesma razão e natureza pode ser tratada por ele de modo doce e afetuoso porque não se consente que se despreze alguém que lhe dá conforto e descanso, nem que traga guerra perpétua e sangrenta com aquilo que tem o nome e o ofício da paz.

Laboriosa

‘’Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade.’’

A preguiça é a mãe de todos os vícios. Na ordem espiritual a preguiça é filha da ascídia, e faz estragos, como nos fizeram notar os padres do deserto.

Laboriosidade não significa somente trabalhar, senão que trabalhar com gosto, que se ame o trabalho. Isso é o que significa “com mãos diligentes”, ou, como diz outra tradução, “suas mãos trabalham com gosto”. A mulher elogiada no poema é uma pessoa que não está quieta: se senta, tece, vende, sabe comercializar e planta.

Há que se ensinar a trabalhar e a amar o trabalho. Há que se ensinar a trabalhar bem. Não se transforma o mundo sem um bom trabalho. Temos que trabalhar para crescer em perfeição e nos santificarmos e isso só acontece quando se faz bem o que se tem que fazer. Hoje em dia perdeu-se notavelmente a cultura do trabalho, porque se trabalha unicamente na medida em que seja necessário ganhar algo.

Há ainda uma falsa ideia de que somente trabalha a mulher que se emprega fora de casa. As tarefas de dona e senhora de sua casa não são consideradas como um trabalho. Muitas mulheres acabam saindo de casa para trabalhar não por necessidade, mas procurando realizar-se, desconhecendo, assim, o trabalho que mais as realiza segundo seu gênio feminino. Precisamente, a laboriosidade que elogia o poema sagrado é a que a mulher exerce no âmbito maravilhoso do mundo caseiro a que ela está chamada a transformar em paraíso familiar.

Não diz que o marido comprou linho para que ela lavrasse, mas que ela o procurou para mostrar que a primeira parte de ser prendada é saber aproveitar o que tem em casa.

Tenha valor a mulher e plantará a vinha; ame o trabalho e acrescentará em sua casa, ponha as mãos no que é próprio de seu ofício e não se despreze dele, e crescerão suas riquezas; não amoleça, nem se faça de delicada, nem tenha por honra o ócio, nem por estado o descuido e o sono, mas ponha força em seus braços e acostume seus olhos ao desvelo, e saboreie o trabalho e não se prive de pôr as mãos no que se refere ao ofício das mulheres, por baixo e miúdo que seja, e então verá quanto valem e onde chegam suas obras.

Oração e esperança escatológica

“Não se apaga de noite a sua lâmpada.”

Quem não associa essa expressão com a parábola das jovens prudentes? As jovens prudentes mantiveram a lâmpada acesa, estiveram alertas em oração esperando a chegada do Esposo Celestial. Jesus, com aquela parábola, nos incitava a orar constantemente e a estar preparados, vivendo em graça, porque em qualquer momento se pode apresentar a nossa porta o “Senhor que vem”.

Devemos ter os olhos levantados em direção ao horizonte e um pouco ainda mais alto, como quem espera a alguém que há de vir de longe e do alto. Devemos tender sempre à Eternidade, conscientes de um juízo final e convencidas de que este mundo, com suas aparências, passa depressa e que a verdadeira vida começa depois desta.

Se não conseguirmos isso, seremos pessoas ancoradas no mundo, homens e mulheres fincados no mundo temporal, cidadãos da cidade terrena. Mundanos.

Misericordiosa

‘’Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente.’’

O mundo em que vivemos é um mundo anti-solidário, duro de coração. Precisamos de mulheres capazes de privar-se do seu apara ajudar aos demais, capazes de sacrificar seu tempo, seus bens, suas coisas.

Deixa bem aos seus

“Seu marido é bem considerado nas portas.”

A Sagrada Escritura louva muito a mulher que deixa seu marido bem e se lamenta muito do pobre marido que não pode apresentar-se em público porque todos o zombam pela mulher que tem.

Sábia

“Abre sua boca com sabedoria”.

Ao contrário do que se pensa de que a mulher ocupa-se apenas com o funcionamento do lar e mal tem tempo ou interesse de estudar, a mulher de Provérbios não só era sábia porque tinha conhecimento, mas também por sua experiência e vigilância dos preceitos divinos.

Para dar um bom conselho, para corrigir bem aos filhos, fazer bons pedidos, negociar, educar, se relacionar com os familiares e amigos, para tudo isso é necessário que a mulher abra a sua boca com sabedoria e não com coisas torpes, sujas, indecentes, maldosas.

Caridosa

“Lição de amor há em sua língua.”

A mulher de provérbios não usa seu dom de falar para insultar as pessoas, difamá-las, provocá-las, gerar contendas, confusões, intrigas, maledicências, fofocas, mentiras, e por aí vai. Também não murmura ou reclama. Da boca da mulher deve sair nada menos que uma Lição de Amor.


Referências

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Rotina de organização da casa: o cardápio semanal

Tempo de leitura: 3 minutos

No post passado, comecei a falar um pouco sobre como funciona a nossa rotina. Para quem ainda não viu, foi sobre a limpeza da casa. Hoje escreverei sobre mais uma ferramenta para facilitar a vida doméstica: o cardápio semanal.
Decidir o que comer horas ou minutos antes de cozinhar traz prejuízos. Escolhas inadequadas podem render não só estresse e complicação para conseguir cozinhar,  mas até mesmo problemas de saúde. Já disseram uma vez: ”Uma cozinha bem dirigida poupa muitas despesas de farmácia. ”

“A arte culinária não é apenas a habilidade de preparar bons petiscos. Abrange também o conhecimento do valor nutritivo, das qualidades higiênicas dos alimentos. Reclama a variedade no tempero e no preparo do mesmo prato. E conta com a habilidade de saber aproveitar os restos. Junto ao fogão, a mãe há de ter em vista a idade, apetite, as preferências e as repulsas dos seus. Dará preferência ao que nutre e alimenta e não ao que sacia unicamente a gula”. ( Pe. Geraldo Pires de Souza – As três chamas do lar)

Muitas vantagens

O hábito de se ter um cardápio semanal tem muitas vantagens:

  1. Evita o desperdício: assim só se compra o que de fato se vai usar. Muitas vezes quando chegamos ao supermercado ou feira sem saber o que faremos durante a semana, acabamos comprando muitas coisas que depois estragam e precisamos jogar fora;
  2. Facilita a rotina: não precisa ficar pensando no que fazer. Se é algum prato que precisa de algum processo, pode-se até mesmo adiantar algo para facilitar depois na hora de preparar a refeição;
  3. Não te deixa desprevenido: às vezes nós passamos o dia pensando no que fazer pro jantar. Pensamos em mil opções! Mas quando chega na hora de preparar, não sabemos o que fazer. Seja porque faltou algum ingrediente, pela nossa indecisão ou porque não descongelamos a carne . Tudo isso pode ser evitado com o cardápio semanal!
  4. Propicia a inserção de novos pratos: acabamos fazendo sempre as mesmas coisas porque não paramos para procurar receitas ou organizar o tempo para executa-las. Com um cardápio semanal podemos colocar nossa criatividade pra funcionar! E isso é ótimo especialmente para quem tem crianças e precisa estar variando as cocções dos alimentos. Além de que, é uma ótima estratégia para sempre fazer algum prato preferido do marido!
  5. Facilita o rodízio de alimentos: garante que consigamos variar os alimentos por semana e aproveitar as frutas e verduras da estação. Por exemplo, se numa semana compra-se mandioca e batata inglesa, na outra pode-se consumir batata doce e inhame. Se numa semana compra-se alface e rúcula, na outra pode-se comer agrião e couve.
  6. Facilita que as refeições sejam feitas em família: com um cardápio organizado e ingredientes preparados, a hora de cozinhar não se torna um momento de guerra e estresse, mas um momento prazeroso, cheio de dedicação e amor.  Depois, a família reunida ao redor da mesa dará graças a Deus pelo alimento e pelas mãos que o prepararam e o desfrutarão juntos.

Como fazer?

Para fazer o cardápio semanal:

  1. Separe um dia da semana para isso;
  2. Que seja antes de ir às compras;
  3. Para começar, pense nas refeições grandes de cada dia (almoço/jantar e café da manhã/café da tarde);
  4. Depois acrescente os lanches.

Um exemplo de um dia do cardápio semanal:
Segunda feira

Café da manhã – Pão e bolo de cenoura
Lanche – Iogurte e mamão
Almoço/ jantar – Arroz, feijão, bife, batata assada e salada de rúcula com tomatinho cereja
Café da tarde – Panqueca de banana

 

No começo parece trabalhoso, mas depois fica muito fácil! E claro, o planejamento precisa ser flexível, porque a vida em família tem sempre seus imprevistos e particularidades! Além de que o cardápio de cada família é único, pois atende a necessidades específicas como quantidade de refeições que a família faz, vezes que se cozinha, frequência de compra de alimentos, e por aí vai. Lembrando que o cardápio semanal anda de mãos dadas com a compra de itens básicos da casa (aqui nós fazemos compra mensal de itens básicos e compra semanal de carnes, verduras e frutas).
Para quem quiser boas dicas de uma alimentação saudável e equilibrada, acompanhe a página da Mayra Maria no facebook!

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

Dona de casa – nem por isso desinteressante ou infeliz!

Tempo de leitura: 5 minutos

Um dia, quando eu ainda era noiva, disseram-me que se eu escolhesse ser dona de casa, me tornaria uma pessoa desinteressante com o passar dos anos.  Na época simplesmente ignorei, mas acabei relembrando deste dito no dia 8 de março desse ano quando vi tantas pessoas considerando suas mães, tias, avós e amigas pessoas desinteressantes e, no fundo, indignas de comemorarem o suposto dia da mulher.

De acordo com o que vi,  esse dia é reservado para as mulheres que conquistam coisas como dinheiro, sucesso, carreira, independência. Não é reservado às ‘pobres’ mulheres que a cada dia labutam e conquistam virtudes nas crianças indóceis, avanços nos filhos problemáticos, repouso para os pais idosos e cansados, bodas longínquas em seu casamento, comida fresca num dia difícil, roupa cheirosa em semana chuvosa, casa limpa com bebê novinho.

Não há lógica nesse pensamento feminista que levanta sua bandeira em favor das mulheres que são oprimidas por um suposto sistema patriarcal, quando na verdade os patriarcas são aqueles que elogiam, agradecem e ajudam suas esposas todos os dias enquanto as feministas são essas que no dia internacional da mulher deixam essas mulheres esquecidas, ignoradas e humilhadas com seu discurso político e materialista.

Por isso eu escrevo: para ressaltar como nós, donas de casa, somos pessoas interessantíssimas, felizes e repletas de conquistas grandes e diárias!

Há um grande mito que ronda as mulheres hoje em dia: de que ser dona de casa é uma condição infortuna imposta pela vida. De fato, conheço alguns casos assim. Mas não é esse o único lado da moeda. Há muito mais histórias felizes do que tristes! Algumas pessoas já me perguntaram o porque de deixar o meu diploma de lado e escolher ficar em casa. Outras já me perguntaram se sou feliz assim ou se é meu marido que não quer que eu trabalhe fora.

Razões para ser dona de casa

Eu escolhi ficar em casa porque não conheci nenhum chefe que tenha me tratado tão bem quanto meu esposo. Nem conheci trabalho tão gratificante quanto o de ser mãe. São as horas mais bem empregas da minha vida! Não encontrei futuro tão promissor e que ofereça tanto crescimento espiritual e humano quanto o de estar em casa. Não encontrei escola, babá ou familiar que vá educar e amar meus filhos tão bem como eu. Nem casa que fique tão ordenada quanto pelas minhas mãos. Não encontrei nada que me desse tanta satisfação! Eu sou feliz pela vida que escolhi e a escolheria mil vezes! Não sou infortunada e nem caí de paraquedas nessa condição ”pobre”. Sou consciente da minha missão, da minha vocação e sei que em nenhum outro lugar serei tão digna, amada, eficiente e cheia de valor quanto na minha casa, com a minha família. Isso quer dizer que eu me considero melhor do que alguém? Não. Apenas que sou feliz com minha escolha.

Nunca me considerei tão interessante e vitoriosa como quando me tornei esposa, e mais ainda, quando fui mãe. Se antes, eu, por ser formada em biologia, era conhecedora das leis da vida e além disso tinha meu tempo para estudar idiomas, doutrina e dedicar-me a literatura, agora o meu campo de conhecimento se ampliou em um horizonte tão vasto como jamais havia pensado ou sequer reparado nessa graça reservada em grande parte à condição feminina.

Se uma mulher se casa e vive conforme os planos de Deus, ela encontra um amplo campo de estudo. Engana-se quem pensa que as mulheres do lar são pessoas emburrecidas pelo tempo: ao contrário, elas se tornam sábias com o tempo.

A sabedoria do lar

Nós, donas de casa, somos experts em nutrição. Conhecemos os benefícios de cada alimento e o que cada chá cura. Sabemos sobre cozimento, fermentação, corte, tempero, temperatura. Sabemos preparos simples como papinhas de bebê até grandes banquetes, como ceias de Natal. Sabemos sobre cultivo. Sobre sementes, raízes, podas e mudas. Sobre estações, pragas, terras e adubos. Sobre flores! Sabemos sobre doenças, remédios farmacológicos e naturais.

Sabemos sobre bebês, crianças, adultos e idosos. Sabemos sobre psicologia infantil, do homem e da mulher, do desenvolvimento natural e da morte. Sabemos sobre educação dos filhos, temperamentos, tolerar os aborrecentes. Sabemos conselhos valiosos, temos experiências duras, vivências felizes e também dias tristes.  Entendemos de química: usamos um trilhão de produtos e muitas misturinhas milagrosas que garantem roupas mais brancas do que a neve, macias como algodão e perfumadas como as flores primaveris!

Entendemos de histórias infantis, atuação, brincadeiras de carrinhos e casinhas de bonecas. Sabemos impor limites e dar aconchego a quem precise. Sabemos de viagens e finanças. Economizar, reaproveitar, reciclar! Entendemos de orações, preces, serviço comunitário. De rotina, planejamento, criatividade! Entendemos de beleza, ordem e conforto! Enfim, de tanto!

Todos os dias precisamos de uma gama de conhecimento para realizar nossas nem tão simples atividades diárias: cuidar de um bebê, de um filho crescido, do pai, da mãe, do esposo, de alguém doente, lavar e passar roupas, limpar a casa, cozinhar, educar, catequizar, e por aí vai. E todos os dias conquistamos tantas vitórias principalmente sobre nós mesmas e a respeito daqueles que amamos. Nós fazemos o mundo melhor. O futuro da sociedade passa pelas nossas mãos.

Como diz a dra. Alice von Hildebrand em seu livro O Privilégio de Ser Mulher:

”Quando chegar a hora, nada que tiver sido produzido pelo homem subsistirá. Um dia, todas as realizações humanas serão reduzidas a um monte de cinzas. Por outro lado, todas as crianças nascidas de mulher viverão eternamente, pois a elas foi concedida uma alma imortal, feita à imagem e semelhança de Deus. Sob essa luz, a afirmação de Simone de Beauvoir de que “as mulheres não produzem nada”, mostra-se especialmente ridícula.”

E o Pe. Pedro Félix:

”Mulher cristã, tu não nasceste para fazer obras mestras. As grandes obras da política, da guerra, da ciência, da literatura, da arte, não brotaram das tuas mãos, nem do teu engenho. Tudo isso é obra dos homens. Todavia, tu fizeste o que mais vale, formaste esses homens. Não só porque o geraste com o teu sangue, mas também porque o modelaste com tua paciência e com teus encantos.’

Senhoras e Rainhas

Essa é a nossa coroa de glória: a família. Coroa que tantas vezes floresce, mas na maior parte das vezes é de espinhos. As pequenas recompensas recebemos todos os dias, mas a grande recompensa está guardada para o entardecer da vida. Só quem tem os olhos voltados para o Alto consegue entender e enxergar coisas que passam tão despercebidas para aqueles ”que tem olhos mas não veem” (cf. Salmos 113, 13). Verdadeiramente, a Cruz para o mundo é loucura, mas para nós que cremos, é salvação.

Talvez nunca tenhamos parado pra pensar o quanto somos interessantes e o quanto temos para compartilhar. Que a chatice do mundo não recaia sobre nossos ombros! Não é interessante só quem ganha promoções em sua carreira ou quem tem a liberdade que o mundo prega. Para o mundo parecemos escravas sem opinião formada. Mas somos inteligentes e livres: na nossa família, no nosso cotidiano, nas nossas amizades. E mais do que isso, somos senhoras de nossos lares: somos rainhas.

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)