Lírio entre espinhos

Uma família católica buscando a santidade

Tag: rotina (page 1 of 3)

Rotina do Bento: 1,5 a 2,5 anos

Tempo de leitura: 7 minutos

 

Terminei, há pouco, o quadro de rotina do Bento que irá funcionar a partir de março desse ano até ele completar 2,5 anos. Deixei o planejamento em funcionamento de teste por um tempo, para verificar o que deveria ser modificado antes de finalizá-lo.

Quando ele tinha 11 meses, disponibilizei seu quadro de rotina que funcionaria até 1,5 ano. Poucas coisas mudaram. Acredito que nessa fase o mais importante seja brincar, ter uma boa rotina e desenvolver bons hábitos. Nada de matérias, atividades sem fim, cursos, estímulos desnecessários e tanto mais.

Penso que, atualmente, com tanta ênfase na vida intelectual, muitos aspectos da vida e da educação das crianças tenham ficado (erroneamente) restritos à essa esfera. O ritmo cada vez mais veloz dos nossos dias também impõe às nossas crianças uma corrida, deixando para trás, muitas vezes, não somente seu ritmo natural de desenvolvimento, mas também, tristemente, a sua infância, por uma adultização cada vez mais precoce.

O “mito do enriquecimento”, interpretação equivocada da literatura neurocientífica, baseia-se na falsa crença de que há períodos críticos durante os quais temos que superestimular as crianças, e não fazê-lo resultaria em “oportunidades perdidas para sempre”. As coisas simplesmente não são assim. A criança pode aprender em um ambiente normal. Não precisamos ficar obcecados por enriquecer o ambiente, convertendo-nos em recreadores atarefados ou animadores de festa infantil.¹

A rotina do Bento é bem flexível, por isso divido o dia em blocos e não tenho dificuldade de deixar de fazer algo se precisar tornar o dia mais leve. Isso é importante também. Provavelmente algumas coisas ficarão suspensas quando a Isabel nascer e aos poucos irão retornando a seu tempo, modo e lugar.

Leitura em voz alta

Isso é o que mais fazemos durante o dia. O Bento simplesmente ama ler e, além dos momentos já preestabelecidos de leitura, ele está sempre pedindo para ler um livro ou outro, várias vezes seguidas pelo dia a fora. Eu preestabeleci esses momentos mais para direcionar a mim do que a ele, para que eu possa realizar diferentes tipos de leitura.

Eu divido livros por blocos semanais, para que, ao mesmo tempo em que se tenha rotatividade de uma semana para outra, ele também possa trabalhar a memória lendo os mesmos livros em dias seguidos. De fato, ele já começou a decorar vários dos livros que temos.

Para ampliar o vocabulário, além dos livros de palavras que utilizamos, estabeleci o objetivo de inserir dois livros novos por mês. E temos o hábito de nomear as coisas o tempo todo.

A evolução da linguagem dele tem sido impressionante. Com 1a4m começou a silabar algumas palavras e com 1a5m começou a falar de fato. Em 15 dias já juntava duas palavras e aprendia várias palavras novas por dia. Hoje, com quase 1a6m ele já forma pequenas frases com 4 palavras, tem muitas pronúncias quase perfeitas, já consegue acompanhar algumas músicas e orações que repetimos sempre. Aprende muitas palavras ao ouvir apenas uma vez. Acredito que grande parte dessa evolução se deva a leitura, hábito que inserimos desde que ele nasceu.

Musicalização

Tenho investido em apresentar músicas variadas, embora ele goste sempre das mesmas. Gostamos muito do CD do Carlos Nadalim, Palavra Cantada, Mozart, Corelli, Bach, Música clássica em geral, Gregoriano, Cantigas de Roda, Músicas tradicionais/populares católicas, medievais.  Além de colocarmos para ele ouvir, temos o hábito de cantar com ele. Há um tempo ele começou a cantarolar sozinho, criando suas próprias músicas.

Também temos o hábito de trabalhar sons de fonemas usando exemplos de animais, como ”a abelha faz zzzzzzzz” e imitar os sons dos bichinhos.

Apesar da música ser ótima para as crianças, não deve ser usada o dia todo. Helena Lubienska² em seu livro ”Silêncio, gesto e palavra” e o dr. Ítalo³ em seu curso sobre Afetividade Infantil deixam bem claro que o ambiente natural da criança deve ser composto de silêncio (aqui toma-se por barulho os gritos, excesso de estímulos auditivos ou visuais, discussões, etc), ordem e tranquilidade.

A educação na beleza

Diziam os gregos que a beleza é “a expressão visível da verdade e da bondade”.  Diante disso, para uma criança, é belo tudo o que respeita a verdade e a bondade do que sua natureza exige. A beleza, para a criança, é tudo aquilo que respeita seus ritmos, as etapas de sua infância, sua sede de mistério, sua necessidade de silêncio, seu encantamento pela natureza, pela realidade, mas além disso, é preciso rodear a criança com a beleza da vida (real e artística). Sendo assim, com belas imagens, por isso é importante ter cuidado com os livros apresentados, com os lugares frequentados, etc; Com músicas educativas de  verdade, ricas em instrumentos, em qualidade de composição e por aí vai. Nada de Galinha Pintadinha, pois nossas crianças merecem e são capazes de apreciar algo muito melhor do que o repetitivo popopó…

Artes

Escolhi o dia de quinta feira para realizar com ele alguma atividade de Artes específica e que precise de alguma preparação, já que nos outros dias basicamente é pintura com giz de cera, massinha ou tinta. Procuro muitas inspirações no Pinterest!

Ar livre

Todos os dias, no fim da tarde, o Gabriel leva o Bento para brincar no parquinho, correr, andar de bicicleta com ele. E nos finais de semana reservamos o domingo para passeios em lugares abertos, já que aqui temos uma grande disponibilidade de parques.

Já escrevi um pouco sobre a necessidade do ar livre, mas recordo alguns benefícios:

  • Afasta o sedentarismo, a preguiça e a passividade;
  • Aprimora os sentidos;
  • Descansa, acalma, fortalece (os músculos, a imunidade e a vontade);
  • Impulsiona a criatividade;
  • E tanto mais!

Nada de dispositivos eletrônicos

Permanecemos com a convicção de não expor o Bento aos aparelhos eletrônicos como celular, televisão, tablet, computador, brinquedos com muitas luzes e sons.

Para quem não sabe, as principais associações pediátricas do mundo insistem em que as crianças com menos de dois anos não devem ser expostas a tela nenhuma e que aquelas entre dois e cinco não devem ser expostas por mais de uma hora ao dia. Não se trata de uma questão educativa, mas de uma questão de saúde pública, que diz respeito à saúde neurológica de nossos filhos, dado que a exposição às telas nessa faixa etária está associada, segundo estudos, à falta de atenção, à impulsividade, ao déficit de aprendizagem, à diminuição do vocabulário etc. O que ocorre é que há muitos mitos tecnológicos por aí, crenças de que as telas favorecem o aprendizado. A Associação Canadense de Pediatria declarou formalmente em 2017: “Não há estudo que respalde a introdução da tecnologia na infância.”

Quando a criança é bombardeada com estímulos contínuos, se acostuma com a motivação externa e sua curiosidade fica adormecida. Então, desaparece o motor interno que a leva a fazer descobertas. Ela deixa de prestar atenção ativamente e se torna desatenta, entediada, ansiosa, hiperativa… Busca sensações novas, ritmos cada vez mais rápidos, fica viciada em velocidade. Eventualmente, a criança não está adaptada à realidade e deixa de prestar atenção, porque a realidade é lenta e exigente, e, então, tudo a aborrece.  Os dispositivos tecnológicos são altamente viciantes, pois introduzem a criança em um círculo de recompensas que se dá por meio da produção do hormônio da dopamina.

Grande parte das pirraças infantis são por excesso de estímulos: muito tempo exposto a luzes no shopping, lojas, supermercados ou as luzes das telas, muitos sons, falta de rotina. Os hiperestímulos causam perturbação na criança e a deixam confusa e irritada.

Esse é um tema que merece vários posts. Aguardem!

Vida de oração

Pela manhã, a oração do Bento é um ato de agradecimento a Deus pela noite e novo dia e oferecimento do dia. Além disso, rezamos o Santo Anjo, a devoção das 3 Ave Marias e leio o Evangelho em voz alta, fazendo uma brevíssima reflexão. Eu rezo as Laudes pela manhã e ele me observa, enquanto brinca.

Durante o dia procuro motivá-lo a dizer jaculatórias e orações breves e espontâneas, para desenvolver nele a intimidade com Deus e o mistério da inabitação (somos morada Dele).

Rezamos o Angelus e a Oração das Refeições antes das refeições principais. No fim da tarde, quando o Gabriel chega, rezamos o Santo Terço e após o jantar, as Completas. Antes de dormir, o Gabriel reza com ele em seu quarto.

Ele acompanha nossa vida de piedade, mas não exigimos dele atitudes adultas. Por exemplo aos sábados rezamos o Ofício da Imaculada, nas quartas a Via Sacra, na quinta fazemos Adoração, na sexta temos direção espiritual/confissão, no sábado temos Eutrapelia e aos domingos, como ápice da semana, vamos à Santa Missa pela manhã e também lemos crônicas dos missionários da nossa Família do Verbo Encarnado.

Graças ao bom Deus temos um convívio maravilhoso e frequente com os padres e as irmãs, que é, para nós e para os nossos filhos um ”antecipo do Céu”.

A partir de agora começarei uma breve e leve catequese, trabalhando de forma mais enfática e profunda algumas Histórias Sagradas que já apresentamos de maneira mais informal. Isso é assunto para um outro post.

Cultivando bons hábitos

Muito mais importante do que ensinar conceitos nessa idade, é ensinar bons hábitos. Por isso, temos nos dedicado a ensiná-lo:

  • Expressões e gestos de cumprimento (bom dia, boa tarde, oi, tudo bem);
  • Expressões de desculpa, por favor e dar licença;
  • Desenvolvendo auto estima;
  • Gosto e cuidado em estar limpo (escovar os dentes, pentear o cabelo, esfregar o cabelo, lavar as mãos, desfralde) ;
  • Gestos de oração e o gosto por rezar (Sinal da cruz, mãos postas) ;
  • Guardar os seus brinquedos e livros no lugar;
  • Colocar a roupa suja no cesto;
  • Jogar a fralda suja no lixo;
  • Regar as plantas;
  • Bons hábitos alimentares (alimentação variada, introdução de açúcar aos poucos) ;
  • Sentar-se a mesa (manuseio dos talheres, comportamento, momento social) ;
  • Bons hábitos de sono;
  • Cumprir pequenas ordens;
  • Corrigir pequenos defeitos;
  • Participar das tarefas domésticas;
  • Afetividade;
  • Pequenas virtudes;
  • Entre outras coisas.

Muitas dessas coisas ele já faz, outras ele está conquistando e outras são objetivos a serem alcançados. Escreverei mais sobre a aquisição dessas competências em outro post.

Psicomotricidade

Permanecemos usando o livro ”Slow and Steady, get me ready”. Mas, mais do que isso, ele está sempre inserido nas atividades domésticas e tem liberdade para explorar o ambiente. Esse livro é muito bom porque temos de construir os brinquedos com coisas velhas, do dia a dia, assim o Bento acaba participando e sendo educado em aproveitar as coisas. Sobre essa questão dos brinquedos costumo fazer um rodízio, mas investimos pouco em brinquedos, principalmente para não estimular o materialismo e o consumismo. E, quando vamos comprar, procuramos investir em brinquedos duráveis, como os de madeira.

Gosto de estimulá-lo com coisas do dia a dia, seja com textura de alimentos ou objetos para ele tocar, ou com coordenação motora tentando encaixar a chave na fechadura ou as tampas nos potes. Pretendo começar a trabalhar receitas com ele também.

Consciência corporal e outros conceitos

Existem conceitos que vão surgindo no dia a dia e gosto de aproveitar a oportunidade para trabalhá-los de forma bem natural. Números, opostos, tamanho, cores, formas, parentesco, animais, flores, frutos, enfim, tudo o que faz parte do nosso dia a dia é sempre uma ocasião de aprender!

Além disso, tenho apresentado ao Bento elementos da nossa cultura e outras culturas também.

Referência

¹ ⁴ ⁵ ⁶ Catherine L’Ecuyer, Educar na curiosidade

² Helena Lubienska, Silêncio, gesto e palavra

³ Dr. Ítalo Marsili, Afetividade Infantil e Harmonia Familiar

Marcelo Morsella

 

 

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE

“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

O sono do Bento

Tempo de leitura: 6 minutos

Escrevo esse post não com o intuito de oferecer uma fórmula mágica que miraculosamente fará com que os bebês durmam espetacularmente bem. Mas, sim, para oferecer a nossa experiência bem sucedida com o Bento.

Também não tenho a intenção de dizer que essa é a forma correta. Há muitos caminhos que podem ser percorridos e esse foi o que escolhemos para a nossa família. Ele é resultado da leitura de várias referências sobre o assunto,  de conversas com outras pessoas, com nossas mães, o crivo crítico do que consideramos melhor e mais natural na forma de conduzir o Bento ao objetivo e  também um “diálogo” sensível com o Bento observando os sinais que ele dava, sem levá-lo a um estresse desmedido.

Para nós, não foi uma escolha buscando conforto pessoal, mas sim uma melhor qualidade de sono para nosso filho. Um bebê (após certa idade) que acorda repetidas vezes durante a noite não descansa e fica irritadiço e carente durante o dia, além de apresentar, atrelado a isso, dificuldades na alimentação. Somado a isso, ter uma boa noite de sono deixa os pais, principalmente as mães, muito mais capazes de lidarem bem e educarem seus filhos. Uma mãe exausta ou que não dorme é uma mãe impaciente, irritadiça, com alto nível de frustração e tristeza, com dificuldade de ter rotina e realizar atividades, com dificuldade de atenção, de resolver problemas, sempre cansada, possivelmente com problemas no matrimônio também.
Quando os filhos dormem bem, todo mundo ganha, principalmente as crianças. Devemos estar conscientes e acreditando nisso ou não seremos capazes de dar o próximo passo.

O recém nascido

Antes de mais nada é preciso saber um pouco sobre como é o sono do RN e porque os métodos não funcionam e nem devem ser aplicados até os 4 meses.
Os recém nascidos não sabem nada sobre sono, precisam ser ensinados. Eles não sabem que a noite é pra dormir. Pra eles a noite é pra mamar, pois é na madrugada que há o pico mais alto de prolactina  (hormônio da amamentação). Por isso, principalmente nos primeiros dias de vida, os bebês praticamente dormem o dia todo e mamam a noite toda. Isso é essencial para o sucesso da amamentação.
Quando vem a apojadura (descida do leite), as coisas começam a melhorar um pouco, pois o leite gordo começa a vir e as mamadas vão se espaçando. Mas, as coisas não melhoram muito, pois o estômago deles é muito pequeno e, como o leite materno é digerido rápido, precisam mamar mais vezes.
Conforme vão crescendo, o estômago vai aumentando e as mamadas se espaçam cada vez mais. Com 15 dias já estão de 3 em 3h na maioria dos casos.
Eles tem ciclos de sono e muitas vezes não saber voltar a adormecer. É uma habilidade que nós adultos já temos e que precisamos ajudar nossos bebês a terem também.
Além disso, até os 3 meses muitos bebês sofrem com cólicas.
Para que o bebê vá entendendo melhor sobre dormir, há algumas coisas que podemos fazer:
1- Adormecer em local escuro. Durante a noite sem luz nenhuma e durante o dia com luminosidade natural, mas sem cortinas abertas. O hormônio do sono (melatonina) só funciona no escuro. Muitos bebês deixam de dormir a noite porque os pais põe aquelas luminárias acesas a noite toda. O útero era escuro e eles amavam!
2- Silêncio. Os bebês dormem muito melhor sem músicas e chiados, ao contrário do que se pensa (eu também pensava!). E também o silêncio os vai educando à hora de dormir, pois durante o dia já há barulho natural, porque fazemos atividades, mas durante a noite todos dormem no silêncio.
3- Ter seu bercinho. Dormir com o neném da gente é muito bom, né? Mas também não é. Há prós e contras. Para nós, muito mais contras. Vale a pena pesquisar. Aqui levamos o Bento para dormir em seu quarto e berço com 15 dias. Antes dormia no carrinho.
4- Banho noturno. Além de relaxar, eles logo associam esse banho à hora de dormir.
5- Não pegar o bebê aos primeiros resmungos, apenas quando chorar. Aqui na França é comum que mesmo chorando os pais esperem 5 minutos para pegar os bebês. Essa simples atitude faz com que na maioria das vezes os bebês adormeçam de novo.
6- Deitar o bebê no berço e deixá-lo olhando pro nada até que adormeça. Nunca fiz, mas várias mães me disseram que fizeram assim e funcionava.
Em qualquer fase do bebê, o mais importante de tudo é ter rotina: horário e sequência de atividades. Mas isso é algo gradual.

A partir dos 4 meses

Segundo o nosso pediatra e o dr. Italo, a partir dos 4 meses o bebê já tem capacidade de aprender a adormecer sozinho e dormir uma noite inteira sem acordar.
Descobrimos isso primeiramente em uma consulta de rotina com o Dr. Marcos Santolim (muitos anos de consultório, pai, muito conhecimento científico e prático). Estávamos falando sobre como o Bento dormia bem e havia voltado a acordar com uns 6 meses. Então ele nos explicou que os bebês fazem isso e é apenas por hábito e carência, não por outros motivos. Por isso é um mau hábito e deve ser retirado, pois conforme cresce só vai piorando o padrão de sono. Além disso,  é comprovado cientificamente que, a partir dos 4 meses, o bebê que é amamentado durante a noite tem mais chance de desenvolver diabetes, pois aumenta muito o índice glicêmico e também a chance de obesidade no futuro. Não estou dizendo que o leite materno causa diabetes, mas sim que o fato de o alimentar durante a noite pode levar a isso.
Desde os 4 meses o bebê já tem o estômago do tamanho suficiente para adormecer a noite toda, mas, muito além disso a necessidade alimentar do bebê é e tem de ser suprida durante o dia. Assim são os mamiferos: se alimentam durante o dia e adormecem a noite.
Por isso, muitas vezes se o bebê acorda muito à noite é porque está mamando ou comendo pouco durante o dia.
Depois, no curso Afetividade Infantil e harmonia familiar, do dr. Italo, ele diz mais ou menos essas mesmas informações e faz o acréscimo da psicologia, reafirmando que a partir dos 4 meses o bebê pode adormecer sozinho sem mamar durante a noite e sem prejuízos psicológicos.

Desmame noturno gentil

Decidimos, após aquela conversa com o pediatra, que era hora de fazer o desmame noturno. Ele estava entre 6 a 7 meses e acabamos empurrando um pouco mais, até ele começar a jantar melhor. Assim que isso aconteceu, começamos. Nessa época ele havia voltado a acordar umas 2 a 3 vezes por noite.
O que fizemos:
1. Rotina do sono normal, horário de dormir igual todos os dias
2. Adormecia mamando e ia para o berço
3. Na primeira acordada o Gabriel ia, pegava o Bento no colo e sentava numa cadeira. Não o ninava nem nada. Quando adormecia, ia para o berço. É melhor que seja o pai, porque com a mãe o bebê geralmente resiste mais.
Na primeira noite, chorou 1h30 e acordou uma vez só.
Na segunda noite, 30 min.
Na terceira 15 min.
Na quarta dormia das 20h as 5h.
Não é um choro de dor, dá pra ver que o choro é de frustração, não é um choro sofrido.
4. Inserimos a técnica do despertar prolongado. Para que a criança durma até mais tarde, quando acordar pela manhã você a amamenta e ela volta a dormir. Assim ele dormia até umas 8:30 nessa época.
5. Quando está doente, eventualmente acaba mamando e depois precisa reaprender a não mamar à noite (justamente porque é um hábito), mas é bem rápido e praticamente não chora.
6. Às vezes acorda com pesadelos ou tem despertares, mas é raro.
7. Se o bebê acorda muitas vezes, pode começar a ir diminuindo o espaço entre as mamadas ou retirando uma mamada por vez. Fica a critério dos pais.

Ensinar a adormecer sozinho 

Quando Bento estava dormindo bem a noite, gostando da rotina, bem adaptado e seguro, decidimos avançar.
O método foi o mesmo do desmame noturno.
Depois Gabriel já o colocava dentro do berço e ficava dando tapinhas no bumbum.
Com o passar do tempo ele foi começando a adormecer cada vez mais rápido.
Hoje já não quer colo, quer deitar na caminha. Em menos de 5 minutos dorme.
Ainda permanecemos ao lado dele até adormecer, mas sem fazer nada, nem sequer olhando para ele. Mas também sem celular nem nada, mostrando que estamos ali, com ele.
Primeiro fizemos com o sono noturno e mais recente com a soneca diurna.
Bento não usou chupeta e não chupa dedo. Tentei inserir a naninha (objeto de transição) desde que nasceu, mas até hoje não pegou.
Quanto mais adereços ou manias vamos dando aos filhos para aparentemente facilitar as coisas, tudo vai ficando mais difícil e se tornando uma bola de neve.
Com os próximos filhos pretendemos fazer mais cedo. Não vimos prejuízo algum no Bento, muito pelo contrário, após isso, começou a se alimentar melhor do que antes e a ter sonecas diurnas de melhor qualidade (antes eram picotadas). Ele é uma criança segura, alegre, independente na possibilidade de sua idade, não é irritadiço, e por aí vai. Alguns dizem que tivemos sorte, mas eu acho que a verdade é que fizemos boas escolhas.

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“Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.” (Sta Teresa dos Andes)

A rotina do Bento

Tempo de leitura: 6 minutos

Muitas mães me escrevem pedindo para eu relatar como é a rotina do Bento. Basicamente segue essa tabela que montamos de acordo com as particularidades de nossa família e a idade em que ele está. Ele está com 11 meses, mas essa é a tabela dos 6 meses até 1,5 ano. Ela não foi construída dessa forma desde a primeira vez, essa tabela é resultado de algumas adaptações e tentativas até que tudo se encaixou e começou a funcionar muito bem.

Nada de telas até os 2 anos de idade

Escolhemos, desde antes de o Bento nascer, que ele não teria contato com telas por um bom tempo. Inclusive, um tempo depois, tivemos acesso a uma pesquisa da Sociedade Americana de Pediatria que diz que crianças com menos de dois anos não devem ter contato com displays.

Em uma das primeiras consultas com o pediatra do Bento, dr. Marcos Santolim, ele nos alertou sobre o perigo das telas, que as crianças de até dois anos expostas às telas ficam hipnotizadas porque não enxergam como nós, mas sim veem as coisas como que girando. Além disso, essa exposição causa um empobrecimento das conexões neurais, problemas sérios com o sono, pouca memória, problemas de concentração e de visão, e até mesmo diminuição do potencial de inteligência.

O dr. Ítalo Marsili fala também que o excesso de estímulos visuais provenientes das telas causa uma distorção da forma como a criança enxerga a realidade, principalmente porque o que é apresentado nas telas é diferente da beleza do mundo real. Apesar de serem considerados vídeos educativos, eles não são a solução para ensinar coisas para as crianças. Sobre esse assunto, indico esse vídeo do Dr. Ítalo Marsili, psiquiatra, em que ele explica o fenômeno do Video Deficit Effect. E também esse artigo do professor Carlos Nadalim.

Para nós foi uma decisão muito natural, pois não temos costume de assistir televisão. Além disso, através de leituras e de experiências de outras pessoas, percebemos que o excesso de tempo dedicado às telas causa moleza e vícios na criança. Além de tornar-se uma muleta para os pais, que dificilmente deixam de expor a criança às telas em qualquer oportunidade de conseguir que cesse uma pirraça ou de ganhar um descanso tão sonhado.

Penso que, realmente, se usássemos os displays como expediente educativo ou de distração para o Bento, eu certamente teria uma vida mais fácil em certo sentido. E justamente por isso decidi não usar em hipótese alguma, ou, para mim, acabaria se tornando algo que eu usaria sempre. Mas, por mais que pareça difícil, não sinto falta desse artifício. Há várias maneiras de lidar com a criança, como envolvê-la nas atividades, fazer rotatividade de brinquedos, cantar, e por aí vai. Se os displays fossem tão necessários, como teriam sobrevivido as gerações passadas? Crianças precisam muito mais de quintal e paciência do que de vídeos, é o que pensamos.

Mas, em certas realidades, os displays ajudam, é verdade. Não quero dizer que somos melhores por isso, apenas mostro nosso esforço e o que nos levou a tomar essa decisão. Além de que, após os dois anos ou mais, pretendemos sim que o Bento assista desenhos infantis de boa qualidade, que tenham sido assistidos por nós antes e os quais possamos estar com ele ajudando a entender o que se passa. Os filmes e desenhos são expedientes educacionais e a criança precisa dos olhos dos adultos para entender o que se passa naquela realidade, qual lição deve ser aprendida, etc.

Muita leitura em voz alta

Com ensina o professor Carlos Nadalim, do blog Como educar seus filhos, após o nascimento do bebê, a leitura em voz alta proporciona uma série de benefícios, como:  estreitamento da relação afetiva entre pais e filho,  desenvolvimento da compreensão auditiva, treinamento da memória auditiva de curto prazo, enriquecimento do vocabulário, entendimento gradual de que a palavra escrita representa a palavra falada, aquisição do gosto pelos livros e pela leitura (para tanto, é importante não só que os pais leiam para os filhos, como também que os filhos vejam os pais lendo sozinhos).

Algumas dicas para escolher bons livros de histórias para as crianças de até 4 ou 5 anos:

1- As ilustrações são o que mais atrai a atenção da criança em um livro. Por isso, as imagens devem ser belas, com riqueza de traços e detalhes. Devem, sobretudo, ser uma bela representação da realidade. Assim, também devemos aproveitar os momentos de leitura para ensinar nossos filhos a apreciar a beleza e a arte.
Alguns tipos de ilustração podem desagradar, confundir e perturbar as crianças. São as ilustrações: disformes, distorcidas, desproporcionais, as representações de figuras humanas ou animais com economia de traços e expressões, as ilustrações psicodélicas, as ilustrações confusas onde o bem está representado pelo feio e o mal pelo bonito. É preciso que as imagens tragam para a criança uma ampliação do imaginário mas sem desfigurá-lo. Um desenho de uma árvore deve parecer com uma árvore. Para isso também são preferíveis as ilustrações que parecem desenhos feitos por uma mão humana ao invés dos digitalizados.

2- Além das imagens, é preciso que o livro tenha uma boa sonoridade do texto. Para isso é bom ler o livro em voz alta antes de comprá-lo, para ver se o texto é atraente. Livros com rimas são sempre um sucesso! Também é legal ver se ao longo da história há frases repetidas, pois elas mantêm a atenção das crianças.

3- Verifique se o livro contém boa estrutura de frases, amplo vocabulário, se a história tem um bom enredo e o que ela ensina para a criança. Contar uma história é abrir uma porta para um mundo que embora seja mágico, usa emoções, elementos e comportamentos do mundo real.

4- Dê preferência a: contos clássicos, fábulas de Esopo, histórias bíblicas e de santos. Também é legal ter um ou dois livrinhos sonoros.

Esses são os livros que temos usado com o Bento:

 

Musicalização

A música ajuda as crianças a conhecerem melhor a si mesmas, os outros e a vida. Além disso, através da música, desenvolvem ainda mais a imaginação e a criatividade.

Uma dica muito importante é cantar com eles cantigas de roda e ouvir música clássica (Mozart, Bach, por exemplo). Além disso, com o Bento ainda apresentamos canto gregoriano (vídeo e cantado por nós), polifônico, músicas tradicionais piedosas e também as medievais (Cantigas de Santa Maria, por exemplo) e Palavra Cantada.

Mas, apesar da música ser ótima para as crianças, não deve ser usada o dia todo. Helena Lubienska em seu livro ”Silêncio, gesto e palavra” e o dr. Ítalo em seu curso sobre Afetividade Infantil deixam bem claro que o ambiente natural da criança deve ser composto de silêncio (aqui toma-se por barulho os gritos, excesso de estímulos auditivos ou visuais, discussões, etc), ordem e tranquilidade.

Grande parte das pirraças infantis são por excesso de estímulos: muito tempo exposto a luzes no shopping, lojas, supermercados ou as luzes das telas, muitos sons, falta de rotina. Os hiperestímulos causam perturbação na criança e a deixam confusa e irritada.

Brincadeiras

Utilizamos as atividades semanais do livroSlow and Steady, get me ready como atividades de brincadeiras dirigidas. Assim, temos um tempo saudável e de qualidade para estar brincando de forma agradável e estimulante com o Bento. Esse livro possui atividades semanais que trazem instruções para construção de brinquedos simples com coisas que temos em casa e que desenvolvem capacidades da criança.

O Bento ama e nós economizamos muito!

Ar livre

A natureza é importante não só para formar uma afetividade saudável na criança, mas também o contato com a mesma estimula de forma positiva a consciência corporal, coordenação motora, muita “vitamina S” para a imunidade, vitamina D, descanso, exercício muscular e também da vontade, diversão, diminui o estresse e a agitação, afasta o sedentarismo e a moleza, impulsiona a criatividade e tanto mais!

Vida de piedade

Apesar de pequena, a criança tem um grande potencial observador e imitador, e por isso aprende principalmente pelo exemplo. Dessa forma, o que procuramos garantir ao Bento é que esteja inserido em nossa vida de piedade, sem cobrar o que ele não pode dar ainda, como por exemplo, ficar imóvel e concentrado enquanto rezamos o terço ou fazemos adoração. Para saber como é a nossa rotina de oração, acesse aqui.

A respeito dos gestos, ele já aprendeu a pedir a bênção e já junta as mãos para rezar e bate palmas depois de dizermos Viva Nossa Senhora!

Especificamente com ele rezamos a Oração da Manhã e da Noite com um breve colóquio de agradecimento, arrependimento e preces, seguido de uma Ave Maria e um Santo Anjo. Além disso, temos momentos no dia para pensar e falar com Deus. Esses momentos são em meio as brincadeiras ou quando ele está me ‘ajudando’ em alguma atividade. Geralmente digo pequenas frases, como, ”Podemos oferecer esse trabalho pelos pecadores” ou então ”Deus habita em nós e podemos falar o quanto O amamos o tempo todo.”

No fim da tarde, o Gabriel conta histórias bíblicas e de santos. E procuramos, naturalmente e em tudo, relacionar às coisas divinas.

Além disso, uma outra coisa que temos feito é quando ele passa por um momento difícil, como aprender a esperar, por exemplo, dizer: ” Nós sabemos como é difícil para você aprender a esperar. Vamos pedir ajuda ao Santo Anjo ou a Nossa Senhora?” E então rezamos brevemente com ele. Só o fato de rezar já o acalma, pois a entonação que usamos para rezar é diferente da fala ou do canto.

O final de semana

Procuramos ao máximo garantir certa sequência da rotina, principalmente de sono e alimentação.  As crianças não sabem que horas são, mas se guiam pela sequência da rotina a qual estão acostumadas, principalmente as relacionadas aos 4 hábitos básicos: sono, alimentação, higiene e ordem.

Referências

Carlos Nadalim, Como Educar seus filhos

Dr. Ítalo Marsili, Afetividade Infantil e Harmonia Familiar

Helena Lubienska, Silêncio, gesto e palavra

 

 

 

 

 

 

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