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Feminilidade,  Vida em Família

Teodoro e Isidoro: estamos fundados no Céu!

Tempo de leitura: 5 minutos

Em junho deste ano foram para o Céu ainda em idade gestacional nossos gêmeos.

“A graça tem prioridade sobre o pecado e a exclusão de crianças inocentes do Céu não parece refletir o amor especial de Cristo pelos mais pequenos”.

Doutrina da Igreja sobre as crianças que morrem sem batismo

Há um documento da Igreja a respeito desse assunto, chamado: “A esperança da salvação para as crianças que morreram sem batismo.” Ele foi escrito pela Comissão Teológica Internacional e publicado em 2007.

“Aqueles que choram sobre a sorte das crianças que morrem sem Batismo, sobretudo os seus pais, são, frequentemente, pessoas que amam a Deus e deveriam ser consoladas por estas palavras. Em particular, se pode fazer as seguintes observações:

  • A graça de Deus atinge cada ser humano e a sua Providência abraça a todos. O Concílio Vaticano II ensina que Deus não nega “a ajuda necessária para a salvação” àqueles que, sem culpa própria, ainda não chegaram a um conhecimento explícito de Deus.
  • Deus não nos pede coisas impossíveis. Além disso, o poder de Deus não está limitado aos sacramentos: “Deus virtutem suam non alligavit sacramentis quin possit sine sacramentis effectum sacramentorum conferre” (Deus não liga seu poder aos sacramentos, assim pode conferir o efeito dos sacramentos sem os sacramentos). Deus pode, portanto, dar a graça do Batismo sem que o sacramento seja administrado, fato este que deveria ser recordado especialmente quando a administração do Batismo for impossível. A necessidade do sacramento não é absoluta. O que é absoluto é a necessidade para a humanidade do Ursakrament, que é Cristo mesmo. Toda salvação vem dEle e, por conseguinte, de qualquer modo, através da Igreja.

Refletindo a partir da única tradição de fé que une a Igreja de todos os tempos, e nos confiando totalmente na guia do Espírito Santo, que, segundo a promessa de Jesus, conduz os seus seguidores “à Verdade plena” (Jo 16,13), procuramos ler os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho.

A nossa conclusão é que os muitos fatores que acima consideramos oferecem sérias razões teológicas e litúrgicas para esperar que as crianças que morrem sem Batismo serão salvas e poderão gozar da visão beatífica.

Sublinhamos que se trata aqui de razões de esperança na oração mais do que de conhecimento certo. Existem muitas coisas que simplesmente não foram reveladas (cf. Jo 16,12). Vivemos na fé e na esperança no Deus de misericórdia e de amor que nos foi revelado em Cristo, e o Espírito nos impele a orar em gratidão e alegria constante (cf. 1Ts 5,18).

O que nos foi revelado é que o caminho ordinário de salvação passa através do sacramento do Batismo. Nenhuma das considerações expostas anteriormente podem ser adotadas para minimizar a necessidade do Batismo, nem para retardar a sua administração.

Ainda mais, como queremos, aqui, reafirmar em conclusão, existem fortes razões para esperar que Deus salvará essas crianças, já que não se pode fazer por elas o que se teria desejado fazer, isto é, batizá-las na fé e na vida da Igreja.”

“Eu te chamo pelo nome” (Isaías 43,1)

A Tradição nos ensina ainda a dar um nome para os bebês que morreram no ventre materno, ainda que não saibamos o sexo. Pode-se escolher um nome para menino ou menina ou escolher dois nomes (um de menino e um de menina).

Todos, independente de qual estágio de desenvolvimento chegaram, receberam uma alma no momento da concepção. Dar nome ao filho que não nasceu é um ato simbólico, pois não é um nome conferido no batismo nem na certidão de registro, mas representa o amor e a filiação desta criança. Também podemos oferecer Missas por eles.

Este ato de nomear também ajuda no processo do luto, além de testemunhar para o mundo que são nossos filhos, independente do estágio em que chegaram, se eram bebês de semanas ou meses, ou ainda apenas células sem um embriãozinho nitidamente formado. São nossos filhos e são amados. São para nós motivo de júbilo, pois já estão contemplando a Deus e intercedendo por nós.

Quando falo que tenho dois filhos no Céu, a maioria das pessoas acha incomum que eu considere filhos aqueles que não nasceram. Não é de se estranhar esse tipo de pensamento, afinal, infelizmente, estamos inseridos em uma cultura de morte. Também por isso é tão importante testemunharmos nosso amor pela vida, de forma especial pela vida que cresce no ventre materno, pois estes indefesos são tão ferrenhamente atacados.

Temos de testemunhar que são nossos filhos e serão por toda eternidade, tenham vivido dias, meses, tenham nascido ou não. Chamar de filhos aqueles que ainda eram disformes e tão pequenos é um verdadeiro ato de revolução. E só o amor santo pode revolucionar a humanidade! Amar a vida e defendê-la é uma urgente missão de nossa vida familiar.

Experiência pessoal 

A perda de um filho é a maior dor que já provei e também a que mais me uniu a Jesus. Lembro que ao me casar, esse era o meu maior medo, não só pela dor física do processo expulsivo mas também pela experiência. Evidentemente, o bom Deus não nos dá uma cruz que não possamos carregar e além disso nos ampara com todas as graças e sorte de consolações. 

Tão logo descobri essa gravidez, soube que estes meus bebês partiriam logo. Atribuo isso ao meu anjo que me preparava para a Cruz.

Eu me sinto muito amada e consolada por Deus Pai que nos dá sempre o Bem. Minha missão é gerar santos para Deus e já Lhe entreguei os primeiros.

Confio na Bondade da Providência e em especial esta Cruz me faz serena e em grande paz, inclusive me faz alegre. Eu me sinto de algum modo misterioso muito mais unida a Jesus. A vontade de Deus é o meu paraíso e eu não desejo nada além do que Ele dispõe. Vivo abandonada e minha alma se molda aos Seus desígnios com alegria. 

Eu fico feliz que Jesus tenha me dado uma dor tão minha. Ninguém mais no mundo (além do Gabriel) vai sofrer a perda do Teodoro e do Isidoro de forma tão própria e isso pra mim é também um presente. Me une a Jesus de forma única e particular! Nosso gêmeos estão no céu e agora intercedem por nós, este é outro presente! Eu não desejo nada além do Céu para os meus filhos, então mesmo que doa sua perda, me alegro de que estejam no Amor.

A partida de Teodoro e Isidoro para a alegria do Senhor me ensinou muito. Estes meus filhos me deram asas de águia, pois a alegria que sinto nesta Cruz me faz voar para Deus. São inúmeros os meus atos de amor e como a minha vida se simplificou em Deus. 

Só no Céu saberei os propósitos com que Deus me deu e me levou estes filhos tão depressa, mas de antemão reconheço que a morte me abriu mais os olhos para a Verdadeira Vida: a Eterna, que começa desde hoje na minha vida interior e particular de todo dia.

Da vida dos Santos: Perguntaram a Teodoro: “Teodoro, quer ficar conosco ou com seu Cristo?”. Ele: “Estive, estou e estarei com meu Cristo.” Foi então condenado a ser queimado e entregou a alma no fogo. Contudo seu corpo continuou inteiro e todos foram tomados por um suavíssimo odor e ouviram uma voz dizendo: “Vem, meu bem amado, entre na alegria do seu Senhor.” Muitos viram o Céu aberto.”

No último exame onde identificamos a partida do Teodoro, descobrimos também que havia mais um saquinho gestacional, só que sem embrião.

Meu médico classificou a gestação como está gemelar monocoriônica, ou seja, dois embriões e uma única placenta, por isso os bebês eram obrigatoriamente idênticos.

Nós achávamos que por não haver embrião (um dos bebês era gestação anembrionária), não era um bebê, mas conversando com uma amiga que passou por isso ela nos disse que o esposo (dr. Rômulo Félix) estudou bastante e conversando com os padres chegou à conclusão que mesmo tendo tido desenvolvimento pequeno, já havia alma pois esta é infundida na concepção.

Recorri ao meu amado diretor espiritual e ele nos assegurou que tivemos dois bebês.

A morte dos nossos filhos nos trouxe muita fecundidade espiritual, nos uniu mais e nos amadureceu. Só o sofrimento tem a capacidade de expandir a alma e fazê-la crescer. 

Também aos nossos filhos já nascidos é uma grande experiência a de ter irmãos no Céu e poder contar com eles. Como diz o Bento: “Mãe, quando eu chegar no céu quero pegar meus irmãozinhos no colo e brincar muito com eles!”. E que grande amor pela vida ao considerarem tão naturalmente como irmãos aqueles que eles nem chegaram a ver.

Estamos muito felizes por estarmos fundados no Céu com Teodoro e Isidoro! Que graça!

Gosto muito de um versículo que diz: “Deus tudo dispõe com suavidade.” (cf. Sb 8,1)

Como Deus é bom… Bendigamos ao Senhor! Nossos filhos abriram para nós as portas do Céu e lá nos esperam. “Corramos!”

Esposa, Mãe, Ordem Terceira VE"Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar.'' (Sta Teresa dos Andes)

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